A Senhora do Tempo - Grimório Seguir história

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"Ele chegou a mim com 4 anos, um garotinho magro quase a pele nos ossos, sujo. O cabelo negro ensebado com dias sem ver água, talvez meses. O cheiro tão ruim quanto uma boca de lobo estourada. Os punhos presos a dois grilhões apertados com corda pelo punho muito pequeno para o tamanho. Um escravo como qualquer outro." Com a morte de Lorde Theodoro Adreus seu filho mais velho assumiu seu posto. Contudo ventos frios do norte trazem uma escuridão opressora.


Fantasia Medieval Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#tempo #magia #servo #bruxa
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Olhos Negros

Ele chegou a mim com 4 anos, um garotinho magro quase a pele nos ossos, sujo. O cabelo negro ensebado com dias sem ver água, talvez meses. O cheiro tão ruim quanto uma boca de lobo estourada. Os punhos presos a dois grilhões apertados com corda pelo punho muito pequeno para o tamanho. Um escravo como qualquer outro.

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O céu de Warhol amanheceu nublado, quase que cronometrado os pequenos comerciantes iniciaram a rotina. Abrindo suas lojas ou barracas na região da praça circundada por casas de pedra muito simples. Hoje em especial era o dia da semana que mais havia movimento, parte da culpa para tanta circulação era o comercio de escravos. Pobres pessoas endividadas, vendidas, criminosos ou inimigos vencidos.

Guiando dois cavalos, a carroça de ferro com os infelizes seguiu o caminho enlameado para o lugar de encontro dos demais escravistas. A ponte Rubra. Uma ponte seca um pouco mais além do centro comercial e antes da residência do senhor daquelas terras, mais precisamente em baixo.

Hector abriu a porta da carroça puxando os infelizes de dentro, mas prendendo as rodas para que não ocorresse o risco de fugir. Logo se juntou a ele Dante e Miguel, dois outros comerciantes do mesmo ramo. Não tardaria para que os nobres ou mais abastados viessem as compras.

Um pouco ao longe e acima um homem na casa dos 60, bem vestido de capa preta tanto quanto seus cabelos um dia foram no passado, observava a movimentação. Não tardou para que fosse ate os comerciantes que já negociavam com alguns outros senhores.

Torceu o nariz enquanto se aproxima. Por mais que aquilo fosse tão nostálgico, não era como se quisesse relembrar a parte da lembrança tão ruim. Olhou para cada um atentamente, ainda mais em relação aos pequenos. Aproximou por fim do último pequeno e ofereceu uma bala caramelada vermelha. O pequeno molambo o olhou assustado e como esfomeado pegou, já abrindo sem nem pensar direito. O senhor sorriu bem de leve antes de ser puxado com agressividade por Hector.

— Ei o que você deu ao moleque?   Hector era um homem igualmente magro, porém mais jovem, na casa de seus 40 anos, o cabelo loiro na altura dos ombros já apresentava nas laterais algumas raízes platinadas, além da coroa no topo da cabeça vazia de fios escondida pelas mechas longas vizinhas. Seu olhar pesado estava sobre o senhor  e uma de suas mãos agarrado na gola da boa roupa do homem espantado como gato pego no pulo.

— É somente um doce, uma ultima alegria ao inferno que virá. - Conforme foi solto ele voltou a se alinhar, dando uma última olhada no garoto e constatando que o rapazinho já engoliu. - Não precisamos brigar, ainda mais contra um velhote por isso não é? - Sorriu de lado como um jogador malandro expondo seus bons dentes se fingindo de acuado atuando como se estivesse equilibrando uma cartola invisível na cabeça.

— Ora seu... - Antes que pudesse retrucar do velhote que parecia fazer uma troça, foi parado por um dos companheiros que indicou um brasão num botão da roupa do senhor. Como para certas coisas o entendimento é rápido e claro, recuou.  - Está certo, interesse no garoto?

— A sim... Mas talvez um mais velho, crianças são um tanto difíceis.  – O velho se adiantando para se afastar um ou dois passos do garoto, já olhando para o caminho que o outro deveria guia-lo.

— Pois venha comigo lorde tenho o que você procura. - Ele guiou o senhor até o outro lado e apresentou outros do grupo. Levou por fim um casal adolescente para a residência. Hector viu o senhor partir uma sensação estranha lhe ocorreu, olhou o garoto sem saber por que é seguiu seu caminho indo atender seu melhor cliente Claude, como se nada tivesse acontecido.

O garoto magricela se encostou cansado a roda de ferro, vez ou outra seu algoz vinha e lhe dava um safanão para ficar em pé. Logo mais tarde iniciou uma chuva fraca, mas gelada que transformou o chão de terra de baixo da ponte em lama cinza.

— Vamos moleque só sobrou você. - Ele pegou o pequeno sem o menor cuidado e foi arrastando até a entrada, ele nem teve tempo de reclamar. Foi colocado dentro da carroça de ferro e preso. Hector não fechou de imediato, foi pegando as coisas e guardando o baú de ganhos junto ao garoto. Os outros dois decidiam se iriam ou não a estalagem.

— Vamos Hector esta tudo carregado aqui, com sorte a senhora Rubia fica com o moleque. Ela adora jovenzinhos. - Disse Miguel, o mais corpulento e silencioso dos três. Careca e com um brinco de ouro redondo enorme na orelha esquerda. Ele pareceu dar risada enquanto acendia um cigarro de palha apontando o caminho.

— É claro, havia me esquecido daquela velha safada. - Riu internamente e foi fechar a carroça de ferro. - Melhor tomar cuidado Dante talvez ela queira seu corpo também.

— Sai de mim, velha nojenta, eu prefiro as jovens donzelas que trabalham para ela. Guilha e seus cabelos louros feitos o feno e seus seios fartos... ah eu poderia morrer em meio aquele par de paraísos.

Os dois mais velhos caíram na risada sem perceber a aproximação. Quando Hector ia fechar a carroça um corvo desceu parando na porta. Ele então olhou para cima para espantar a ave. Mas parou e se voltou para trás.

— Um amigo me disse que tinha algo de meu interesse.

A figura alta usava um casaco grosso escuro que cobria até os pés, um grande chapéu pontudo feito um guarda chuva, os longos cabelos castanhos e um tanto rebeldes amarrados em um nó ainda sim escorrendo pelas costas. Olhos tão escuros. Foi o que mais chamou a atenção no belo rosto. Ao olhar novamente para a carroça a ave já havia partido.

— Somente um garoto e é o ultimo... Veio direto da cidade de Lua Velha conquistada por nosso imperador. - Ele alcançou a corrente do menino e soltou do assoalho da carroça puxando ele para fora em seguida. - 10 mil moedas de ouro.

É claro que era um oportunista e que o garoto naquele estado não valeria mais do que 100 moedas. Tão maltratado, sujo, surrado. A mulher o olhou e depois tirou de uma das mangas uma trouxinha azul bordada de moedas.  Estendeu para o vendedor.

— Está feito. Ele é exatamente o que eu precisava.

Ele pegou a trouxinha de moedas sentindo o peso, sorriu internamente pensando que passou a mulher para trás. Olhou dentro e viu o ouro depois olhou o moleque.

— Boa compra senhora. – Fez um longo gesto de comprimento e empurrou o garoto. "Hoje eu vou comer bem" pensou.

Antes que caísse a mulher parou o garoto e segurou nas mãozinhas pequenas. Guiando o caminho pela lama e se afastando do vendedor.  Este que agora pouco ligava para o que ocorreu, olhou em volta procurando os dois amigos e não os encontrou.

— Porcaria me deixaram pra trás... – Fechou a carroça e subiu, guiando os animais. Ao pegar a subida para a estrada principal sentiu a terra ceder e ele e sua carroça foram levados pelo mar de lama ponte abaixo

7 de Novembro de 2018 às 04:12 1 Denunciar Insira 1
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Lyse Darcy Lyse Darcy
Adorei ... Começo muito envolvente Beijos
6 de Dezembro de 2018 às 12:20
~

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