Apenas um conto de fadas Seguir história

lulubobohu Lucas Byun

Aprisionada pelo reino inimigo, a frágil princesa Solar contava com seu príncipe encantado para resgatá-la como um bom conto de fadas. Mas estamos na vida real, esta é sempre surpreendente e muito melhor que uma mera fantasia. [ Moonsun | Fluffy ]


Fanfiction Bandas/Cantores Todo o público.

#yuri #fluffy #Solar #Moonsun #Moonbyul #Mamamoo
1
4388 VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Princesa em apuros

‘’Há anos a família Kim comandava pelo reino de Aurinko, um lindo e vasto domínio em que o sol sorria por boa parte do ano — por isso o nome —. Há os que acreditavam que era uma terra abençoada por Apolo, o deus mais amado naquela terra, mas isso não vem ao caso.

 

Era neste reino que a — já adulta — princesa Solar vivia e tentava ajudar seus pais a governar. Só tentava mesmo porque seu pai raramente a deixava participar das reuniões e opinar sobre questões políticas, pra ele, ela só servia como um objeto de aliança com outro reino forte por meio do casamento. A princesa não aceitava o jeito de seu pai em relação à isso, porém não tinha muito controle do que fazer, mesmo que sua mãe concordasse consigo, o pai era a verdadeira figura política para seu povo e reinos exteriores.

 

Pelo menos ele comandava muito bem, tinha sagacidade e lábia para reinar e manter suas alianças. Seu progenitor tinha interesse em casar sua filha com o príncipe de Stjärnstat, reino vizinho em que Astrea era adorada. Mesmo que este fosse o filho mais novo, era a única possibilidade já que outro filho era uma mulher. O rei só não sentenciava Solar ao casamento por querer convencer sua menininha primeiro, e esse trabalho era realmente difícil, ela era cabeça dura.

 

Afinal, por que precisava casar com alguém e ainda mais esse alguém ser um homem para governar? Era assim que sua filha sempre o respondia, cheia de teimosia e pronta pra negar qualquer proposta que ele tentasse sobre o matrimônio.

 

Tirando sua teimosia com tal assunto, Solar era uma princesa gentil e carismática sem perder sua personalidade forte, cativava seu povo e se fazia ser notada todas as vezes que passeava pelo reino —conseguiu permissão de seu pai para fazê-lo umas duas vezes por semana—. Os boatos diziam que a princesa era uma dádiva dada à Aurinko por Apolo e que seu sorriso poderia iluminar a vida de alguém, Solar sempre se divertia com tais rumores.


 

❛ ♕ ☼☽ ✰  ❜


 

Solar estava ansiosa, mesmo que aquela situação não lhe agradasse tanto. Seu pai havia marcado um baile com os reinos aliados para conhecer a família real vizinha, quem sabe fazer sua filha conhecer o príncipe e ver que o matrimônio arranjado não era tão ruim assim. O que ele esperava? Que ela o conhecesse por um dia e se apaixonasse para aceitar o casamento? A princesa realmente não entendia.

 

Na cabeça desta não tinha necessidade de toda aquela organização, ter que se arrumar para agradar os outros, tudo para nada, em sua opinião. Pena que, mesmo com sua falta de vontade, ainda tinha que obedecer as ordens de seu Rei — e pai—.



 

A princesa ostentava uma careta carrancuda e, em contraponto, estava estonteante com um vestido branco em detalhes dourados, brilhava como o Sol. O cabelo loiro mel  com cachos definidos e a coroa pequena e simples ajudando prender uma parte dele para trás completava todo o visual deslumbrante que prendia a atenção de qualquer um. Solar nem abria a boca para reclamar, além do vestido ser bonito, em seu reino não era obrigatório o uso de crinolina ou espartilho, obra da princesa ao importunar tanto seu pai com aquilo. Queria poupar as mulheres de tal crueldade, estes tipos de coisa pesam, incomodam, machucam e danificam o corpo, ninguém merecia passar por isso para ser socialmente aceito ou algo parecido. Solar e seus pais defendiam publicamente o amor ao próprio corpo, seja ele como for, sem esteriótipos de um tipo de mulher, apenas uma mulher sendo feliz.

 

O baile acontecia no grande salão, diversas músicas eram tocadas pelos melhores músicos da região —coincidentemente todos os melhores amigos da princesa estavam lá—, as comidas e bebidas gostosas servidas em volta do círculo espaçoso que os convidados de diversos lugares dançavam animadamente. Era simplesmente tão lindo e harmonioso.

 

Solar permanecia ao lado dos amigos músicos, depois de cumprimentar praticamente todos presentes no salão. Seu corpo movia ao som da melodia do ritmo lento e admirando os pares dançantes até que alguém um pouco maior que si ficasse em sua frente, atrapalhando sua visão.

 

— Será que a Vossa Alteza me concede essa honra? — A mulher pronunciou-se e estendeu-lhe a mão, sendo prontamente aceita pela princesa junto de um afirmo com a cabeça.

 

Pelas vestes muito bem feitas, Solar chutaria que a desconhecida era uma princesa também, mesmo que a coroa de louros de ouro ao invés de uma coroa usual, graciosamente enfeitasse seus fios loiros, estivesse confundindo sua mente, nunca havia visto uma coroa como aquela. Significava que era da realeza ou não? Solar realmente não sabia. Além de que seu vestido era deveras peculiar, tinha as partes de cima feitas de couro, deixava tudo mais bonito. A desconhecida por completo era bonita e bem arrumada.

 

A mulher que desconhecia o nome agarrou sua cintura e começou a guiá-la ali mesmo, no canto do salão bem em frente à banda que agora tocava uma música mais calma, provavelmente ela não queria chamar atenção.

 

— Solar, certo? — A garota disse de repente, olhando fixamente nos olhos alheios. Por alguns segundos a princesa se perdeu na intensidade do olhar e da atenção que recebia, só depois se tocando do próprio silêncio diante a pergunta. A outra só gargalhou meio contido e continuou. — Quer tentar guiar? Você parece meio desconfortável assim. — Abriu um sorriso gentil, iluminando o rosto delicado, mas de feição feroz.

 

A princesa sentia-se completamente envergonhada por não conseguir falar nada, somente acenos positivos com a cabeça, e aquilo cabulava sua mente. Como alguém conseguia abalar tanto consigo? É como dizem, sempre tem uma primeira vez pra tudo. Aquela desconhecida tinha uma aura forte e atraente que desconcertava a princesa por completo.

 

A mais alta segurou nas mãos de Solar e guiou-as até a própria cintura, deixando suas semelhantes apoiada nos ombros alheios. Mesmo que começando meio atrapalhada e sem jeito, a desconhecida ajudava-a, as duas já estavam em seu próprio ritmo. Para quem visse de longe provavelmente acharia graça dos dois corpos femininos dançando desengonçadamente, mas para as duas era melhor que uma dança ‘’correta’’.

 

— Solar? — A garota parou de se mover assim que se pronunciou, ganhando a atenção da princesa que estava totalmente distraída — Foi um prazer dançar contigo

 

Foi só naquele momento que Solar notou que a música tinha terminado e as duplas no centro do salão afastaram-se para dar lugar às outras pessoas que queriam dançar a próxima música.

 

— Ah, igualmente — Sorriu envergonhada, afastou-se e fez uma pequena reverência em respeito, recebendo o mesmo gesto em resposta.

 

— Olha, não é que você fala? Eu já estava tendo minhas dúvidas — E Solar achava que não poderia ficar mais envergonhada, descobriu estar completamente enganada, A desconhecida não deixava de brincar consigo só por conta de sua família e sua posição e isso era algo que realmente admirava, mesmo que secretamente.

 

— Acho injusto você saber quem eu sou e eu não fazer nem ideia de quem você é — Caminhou ao lado da outra até o jardim do lado de fora do grande salão. Por sorte todos pareciam nem notar que aquele jardim existia, então não tinha mais ninguém além das duas.

 

— Moonbyul, irmã mais velha de seu futuro pretendente — Solar logo formou uma careta de desgosto, fazendo a garota gargalhar alto. — É um casamento contra sua vontade?

 

— E que não vai acontecer, meu pai que é um chato insistente — Acrescentou, formando um bico inconscientemente, este que atraiu o olhar da outra princesa para seus lábios, mas Solar ao menos percebeu, seu olhar estava concentrado em qualquer coisa que não fosse Moonbyul. Não correria o risco de acabar admirando a outra tempo demais, então preferia manter seu olhar ocupado.

 

— Você tem sorte, em muitos lugares as mulheres nem tem essa oportunidade de dizer não, ao menos tem voz para tal — Solar teve que concordar, querendo ou não acabava pensando nisso também. — Não estou querendo minimizar sua situação, provavelmente você já pensou nisso antes, não é? — Finalmente Moonbyul teve o olhar da princesa sobre si, esta que estava surpresa com a coincidência de seu pensamento com a fala alheia.

 

— Você é uma bruxa ou algo assim?  — E foi com a pergunta que uma explosão de risadas de ambas soou pelo local vazio.

 

Um silêncio confortável surgiu de repente, onde as duas princesas sentaram em um banco qualquer.

 

— Eu ouvi dizer que você e sua mãe convenceram seu pai a fazer diversas mudanças — A mais alta comentou como quem não queria nada. — Eu fiquei bastante impressionada, principalmente pela boa recepção de seu povo. Normalmente mudanças resultam em rebeldes e revoltas, mas parece que deu tudo certo.

 

—Ah, ainda tem muito a fazer. Estou trabalhando nisso, mas obrigado, de verdade. — Suas bochechas esquentaram de vergonha sem sua permissão. Moonbyul só conseguia achar a princesa cada vez mais bela, exatamente nos pequenos detalhes que somente ela tinha. Fosse como seu rosto ficava uma graça quando estava envergonhada, ou a determinação em seus olhos quando falava em conseguir o que queria. — Eu queria muito dar a oportunidade das mulheres para entrarem no exército ou ao menos aprender a lutar, mas isso é um pouco mais complicado — Bufou em desgosto. Não achava justo que ela aprendesse o mínimo de auto-defesa e manejamento de espada só por ser da realeza, todas as mulheres tinham que ter esse mesmo direito.

 

— Eu tenho certeza que você vai conseguir, aposto que vai reinar tão bem quanto seus pais, se não melhor — Ambas se aconchegaram mais perto uma da outra, até que Solar pudesse apoiar sua cabeça no ombro alheio. Os olhares estavam concentrados no céu estrelado com a lua cheia brilhando com toda sua graciosidade, ou nas diversas árvores logo à frente.

 

— Como é lá em Stjärnstat? Eu só sei sobre seu irmão e alguns dos benefícios da aliança de nossos reinos, principalmente do ‘’casamento’’ — Fez questão de fazer aspas com os dedos, já que sabia que aquilo não iria acontecer de fato. O casamento arranjado não era algo tão necessário para a aliança ser formada, era mais uma vontade de seu pai para que Solar não se tornasse rainha antes de casar com alguém.

 

— É um bom lugar, creio que você gostaria. Todos com respeito, independente de que gênero for ou de quem você gosta. Mesmo que outros reinos nos julguem como estranhos por isso, eu não ligo, inclusive prefiro assim.

 

— E o que acha da pretensão de criar uma aliança entre nós? — O silêncio se fez presente, mesmo que por alguns segundos. Moonbyul afastou um pouco seu rosto para olhar a outra princesa, esta que recebeu um olhar curioso sobre si. Só então que Solar percebeu o duplo sentido de sua pergunta. — Quer dizer… Entre nossos reinos… — Tentou corrigir-se, envergonhada.

 

— Acho uma ótima ideia, qualquer um dos dois — Gargalhou gostoso enquanto voltava a posição de antes, mantendo seu olhar quase fixo para frente. — É um bom negócio para ambos os reinos, além disso preciso de uma boa desculpa para vê-la de novo.

 

Ok, por aquela Solar não esperava e agradecia a posição em que estavam por não dar muita visão de si, sorrindo com as bochechas coradas. Pensar que a loira também queria se encontrar de novo consigo fazia seus lábios abrirem um sorriso, não conseguia esconder a felicidade com aquilo nem se quisesse.

 

— Não precisa de uma desculpa, sabe? Vou ficar feliz em recebê-la quando quiser — Tentou manter a voz firme, para que Moonbyul não percebesse sua vergonha. Coitada, mal sabia que a loira tanto tinha notado, quanto estava se divertindo com aquilo.

 

Como Solar conseguia ficar mais linda que o normal quando está envergonhada?

 

— Seria muito estranho se eu falasse que tenho mais interesse na irmã mais velha do que meu pretendente? —Solar continuou a falar. De imediato recebeu um sorriso gentil, mas o clima tinha esquentado de repente. Os rostos se afastaram e os olhares mais concentrados nas bocas alheias do que qualquer outra coisa.

 

Moonbyul nem precisar falar algo de primeira, apenas deslizou sua mão pelo banco de madeira em que estavam sentadas até encontrar sua semelhante, entrelaçando os dedos. A distância entre as bocas foi diminuindo até que acabasse de vez com aquele maldito espaço, saboreando o gosto alheio.

 

— Seria muito estranho se eu falasse que tenho mais interesse na pretendente do meu irmão do que ele? — Moonbyul debochou da frase dita a pouco em meio ao beijo, misturando-se com os estalos molhados e suspiros, não conseguia perder a oportunidade de caçoar com a frase da outra. Solar só gargalhou baixo e breve, tudo para não interromper completamente o ósculo que estava tão envolvente.

 

Mesmo com as zombarias de Moonbyul consigo, se Solar soubesse que um simples baile lhe traria uma noite tão boa, teria providenciado um desses antes.


 

Infelizmente um pouco depois Moonbyul foi chamada para dentro pelo irmão mais novo, avisando para se apressar pois os reis que haviam convocado-a. A mais alta deu um último selar na boca viciante da outra e, falando que voltava logo, saiu às pressas ao lado pro príncipe mais novo.

 

Solar permaneceu no local até sentir algo sendo apertado contra seu rosto e tudo se tornou um completo breu de repente.



 

❛ ♕ ☼☽ ✰  ❜



 

A princesa acordou calmamente, os olhos meio sonolentos e a cabeça latejando um pouco, parecia que tinha dormido por várias horas. Sua mente tentava lembrar o que tinha acontecido desde então: Baile; dança; Moonbyul; beijos; — e sorriu involuntariamente ao lembrar dos momentos com a outra — ela tendo que sair e deixando Solar sozinha no jardim.

 

Foi aí que se desesperou, ela não tinha ido para seu quarto dormir, então onde estava?

 

Estava escuro, mas pela mínima luz que escapava por debaixo da porta percebia que aquela espécie de quarto era um tanto quanto pequeno, sem janelas e só tinha a cama na qual permanecia sentada, tentando processar tudo de uma vez.

 

Antes que pudesse tomar qualquer decisão, uma mulher com aparência de ser um pouco mais nova, entrou e se assustou ao ver a princesa acordada e olhando confusa para si. Ela tinha uma cara meio carrancuda, cabelos pretos e um vestido comum, parecia uma camponesa.

 

— Ai garota, que horror! Quer me matar do coração? — A tal mulher dramatizou, colocando a mão no peito como uma forma de acalmar a si mesma. Entrou no cômodo e fechou a porta por via das dúvidas, não podia correr o risco da princesa tentar fugir, afinal não sabia quanto tempo ela estava acordada.

 

— Desculpe, mas onde estou? — Testou perguntar da forma mais gentil possível, precisava demonstrar calma.

 

— Sandor, apesar de que eu duvido que você conheça — Soltou um pesado suspiro, apenas encarando a loira com sua cara de poucos amigos.

 

Solar lembrava bem de tal reino, o lar dos lunaticus*. Estes são conhecidos pela adoração à lua e os mitos dizem que a lua causa insanidade temporária, ou seja, eles eram conhecidos por ser loucos.

 

Lembrava bem de seu pai falando deles diversas vezes, tanto pelos boatos quanto porque sabia que cerca de um ano atrás eles estavam planejando sequestrar Solar. Não é que no final conseguiram?

 

Um arrepio correu pelo seu corpo, não podia se desesperar, tinha que se manter a calma e pensar em algo, rápido. Poderia arriscar mentir e dizer que não conhecia, mas a mulher poderia ficar com raiva, se já estava frustrada por imaginar o desconhecimento de seu reino, imagine só se ela confirmasse. Não queria correr esse risco.

 

— Não é aquele lugar que tem os lindos bosques cheio das flores e árvores mais bonitos das proximidades? — A princesa agradecia mentalmente por alguns de seus estudos e interesse para saber sobre Sandor, apesar de que nunca havia estudado a história do reino, só as características do local para saber se virar caso o sequestro se tornasse real.

 

A mulher finalmente abriu um sorriso, o primeiro depois dos vários minutos ali.

 

— Isso mesmo garota, você sabe das coisas — Aproximou-se da princesa e estendeu-lhe a mão para ajudá-la a levantar— Pode me chamar de Hwasa, vou ser sua companheira temporária para assegurar que você não apronte algo — Solar ao menos conseguiu responder, a outra segurou sua mão e começou a puxá-la para fora do quarto, seguindo pelo longo corredor bonito e elegante — Vamos, você tem que conhecer ver nossa rainha, Wheein

 

Rainha? Aquilo era interessante.

 

Solar sempre ouvia seu pai falando de um Rei, as coisas ficavam cada vez mais estranhas naquele lugar, só não sabia dizer se era ruim ou não.

 

Seguiram diversos corredores que tinham largas janelas, mostrando o vasto e bonito reino que brilhava com a luz do sol —provavelmente da manhã— que aparecia cada vez mais. Andaram até dar de cara com uma grande porta de madeira com diversos desenhos em prata. Tinha dois guardas na frente e foram eles que abriram a porta para que pudessem entrar, os dois sorriram gentis para as duas, se curvando em respeito.

 

Entraram em uma enorme sala cheia de detalhes nas paredes e uma decoração extremamente bonita, era tudo harmonioso e fazia a princesa lembrar inconscientemente da lua. A rainha estava em seu trono, nada super chamativo, mas bonito em sua maneira por ser diferente e original.

 

— Bem vinda, Princesa! — A mulher se pronunciou, simpática e sorridente — Sinto muito pelo imprevisto, mas vamos comer antes de conversar, sim? Nada como tomar um bom café da manhã pra começar o dia.

 

— Claro majestade — Não conseguiu deixar de sorrir, seguindo as duas mulheres até uma sala de jantar de tamanho mediano, certamente menor que o lugar que estava antes. Bem no meio estava a mesa de jantar com algumas comidas e vinho nas taças.

 

Ah, Solar sentia seu estômago se revirando de fome, fazia um bom tempo que não comia.

 

A rainha sentou na cadeira da ponta, Solar ao lado direito e Hwasa do lado esquerdo. A comida era bem menos do que normalmente era servido para si, mas aquilo estava mais que suficiente, não via necessidade de ter uma mesa cheia de comida se não iria comer tudo.

 

— Como está se sentindo? Deve estar com fome, fique à vontade — Wheein sorriu, botando a comida no próprio prato e comendo animadamente, seguida pelas outras duas. Solar esperou as duas comerem para então saborear da comida, afinal não poderia arriscar. Mesmo com toda a gentileza, ainda estava em um local desconhecido e possivelmente inimigo.

 

— Hmm.. Isso está uma delícia, mande meus elogios à quem cozinhou! — A princesa não conseguia parar de grunhir em deleite da comida saborosa, divertindo as outras. Estava tensa ao dar a primeira mordida, mas relaxou ao sentir apenas o waffle com manteiga se desfazer em sua boca. Certamente uma das melhores comidas que já experimentou.

 

— Vou fazer questão de avisá-lo — A rainha riu, já achava a princesa uma garota adorável. Continuaram a comer e bebericar do vinho em um silêncio confortável, até que as três finalmente acabaram completamente de comer. — Bem, agora que estamos satisfeitas, podemos conversar, sim? Primeiramente eu quero deixar claro que não pretendo te machucar ou algo do tipo, não quero que você se assuste com toda essa situação

 

— Então por que, literalmente, me sequestrou? — A loira tomou o resto de vinho em sua taça.

 

— Eu sei bem os conceitos que os outros reis têm daqui, tenho certeza que você deve saber também. Você viria se eu pedisse? Ou então você acha que mesmo se quisesse seu pai deixaria você vir? — Não recebeu resposta, esta estava mais do que óbvia. — Eu preciso de sua ajuda. Sabe quantos mitos criam só por ser um reino de linhagem de rainhas governando sozinhas? Claro, hoje em dia não é tão ruim, mas muitos mitos surgiram e se consolidaram há tempos, agora só querem saber de guerras para que meu povo não exista mais — Havia sofrimento em seu olhar e em sua voz, pareciam palavras sinceras, mesmo que Solar ficasse com um pé atrás. Hwasa prontamente segurou a mão da rainha assim que ela fungou baixinho, quase despercebido e obviamente que nenhum dos atos passou em branco pelos olhos atentos da princesa. — Atualmente estamos em guerra com um inimigo em comum, por isso eu proponho uma aliança entre nossos reinos. Vocês me fornecem o exército que for para ganhar e eu lhes forneço a maior parte do território, o que acha? Eu sei que Aurinko tem interesse nessas terras.

 

— Teríamos que fazer um contrato para tal e eu teria que conversar calmamente com meu pai, mas de primeira estou de acordo, se tudo der certo é bom para ambos os reinos. — Solar viu os cantos dos lábios da rainha se curvarem em um sorriso sincero, aquela era sua última esperança para salvar seu povo do extermínio. Não era justo, eles nunca fizeram mal para que criassem mitos assim, apenas eram diferentes e tinham uma cultura diferente, era tão absurdo respeitar a diversidade?

 

— Agora que a conversa séria acabou, que tal passearmos um pouco? — Hwasa acabou com o clima pesado de forma tão repentina que fez a rainha e princesa gargalharem alto. O dia só tinha começado.



 

❛ ♕ ☼☽ ✰  ❜



 

Já era noite quando Solar finalmente deitou na cama — agora em um quarto decente — para descansar depois de um dia cheio. A rainha lhe emprestou roupas confortáveis e foi completamente gentil consigo, na verdade todos ali foram, era como se ela fosse uma convidada de honra.

 

As três passearam pelo reino e Solar teve noção do quanto tudo estava ruim, mesmo que a rainha fizesse o possível para melhorar. Tinham poucas pessoas por ali, já que a maioria se ofereceu para participar do exército e as poucas que estavam lá estavam em situação precária. A presença da rainha junto das comidas que trazia alegravam as pessoas, mas mesmo assim estava tudo meio parado, tudo meio morto e esquecido. Hwasa depois contou que a rainha sempre levava comida e qualquer outra coisa de necessidade para seu povo, era quase rotina.

 

Wheein propôs a volta da princesa no dia seguinte, já que não tinha mais dias a perder e naquele momento estava para anoitecer. Passou o dia conversando com as duas, eram realmente ótimas companhias sempre lhe ensinando sobre a história do reino e toda a cultura criada desde a primeira rainha. Sua tensão e medo de qualquer coisa dar errado foi se dissipando, mesmo que não completamente, não poderia ser boba de dar mole para quem não conhecia.

 

Ah, mas a princesa torcia para que tudo desse certo e os reinos se aliassem, aquele parecia ser um lugar com gente boa, sem contar que Wheein e Hwasa eram duas fofas e formavam um belo casal mesmo que deixassem seu relacionamento nas escuras por ora.

 

Um pouco antes de cair no sono ficou pensando se seus pais estavam preocupados consigo, ou então Moonbyul, será que ela sequer notou seu sumiço? Ao menos notou quando suas pálpebras fecharam e os sonhos tomarem conta de sua mente.



 

A loira bem que queria ter dormido e descansado mais, mas ao sentir seu corpo ser tirado da cama e ser carregado, alertou-se. Abriu os olhos lentamente e deu de cara com alguém olhando para si com um capacete de ferro que deixava apenas os olhos à mostra, levou um baita susto.

 

— Desculpe princesa, não queria te assustar — A voz era bastante abafada pelo capacete e os olhos não desgrudaram de si, fazendo a loira abaixar o olhar, era muito intenso. De imediato tentou fugir dos braços fortes, sem sucesso e ainda recebeu uma risada debochada.

 

— Dá pra me largar? — Perguntou, irritadiça, não aguentava mais ser sequestrada. — Você era pra ser meu príncipe salvador ou algo assim? Eu não preciso de você aqui, até porque como eu vou saber que é meu aliado? Não pense qu…

 

— Princesa — interrompeu-a — Não lembrava que era tão tagarela — Quando percebeu que a outra estava prestes a falar novamente, pronunciou-se — Tire o capacete, por favor — Seu tom agora era mais gentil do que de deboche, então mesmo meio à contragosto a loira fez o que foi pedido, levando outro susto ao ver quem era.

 

Seus longos fios loiros estavam presos em um rabo de cavalo, o olhar e sorriso demonstrando o quanto estava se divertindo com aquilo. Lá estava a dona de seus sonhos carregando-a no colo! Era muita informação para o pobre coração fraco da princesa.

 

— O que foi? Preferia um príncipe para te trazer de volta?

 

— Não! Assim é bem melhor — Sentiu as bochechas corarem na hora, esse era o efeito de Moonbyul em si. — Como conseguiu entrar?

 

— Na verdade nos deixaram entrar, com armas e tudo — Formou uma careta confusa — O que você aprontou, princesa?

 

— É uma longa história, te conto no caminho de volta — Moonbyul colocou-a em pé, parando para olhá-la novamente antes de abraçar o corpo menor que o seu.

 

— Fiquei com medo de algo ter acontecido contigo, vim o mais rápido que pude — Segredou em sussurro, se Solar não estivesse tão perto certamente não ouviria. Apenas os rostos se afastaram do abraço, com sorrisos bobos nos lábios por estar tudo bem, para se aproximarem novamente, mas desta vez com intuito a mais do que apenas um abraço apertado. A mais baixa não se aguentou com a lentidão da aproximação e segurou o rosto alheio com ambas as mãos para puxá-la de vez para o beijo.

 

As línguas se acariciavam dentro das bocas, um beijo com direito à sugadas na língua alheia, mordida nos lábios e de forma lenta para aproveitarem bem o gostinho alheio. Para Moonbyul a princesa beijava tão bem e era tão viciante, torcia tanto para que o sentimento fosse recíproco.

 

E era.

 

Pena que não poderiam ficar em uma sessão de beijos, Moonbyul tinha ordens a cumprir e queria evitar que a situação piorasse. O rei de Aurinko estava desesperado, precisava saber como a filha estava e logo. Agradecia mentalmente por não ter que empunhar sua espada presa à cintura ou a adaga presa em sua liga de perna*, gostava de evitar o confronto físico sempre que possível.

 

Após se despedirem de Wheein e Hwasa, as duas seguiram até onde alguns guardas de Aurinko estavam em alerta e prontos para qualquer emboscada que fosse. O sol aos poucos dava as caras, iluminando o céu, seria um dia limpo e bonito.

 

Felizmente deu tudo certo no caminho de volta, com Moonbyul e Solar cavalgando juntas enquanto esta contava toda a história com todos os detalhes, até mencionou o relacionamento da rainha e como as duas eram adoráveis juntas. Felizmente os guardas se mantinham à frente e atrás, dando um mínimo de privacidade sem muita intenção, então Solar aproveitava para se agarrar no corpo magro — mas forte— da mulher que guiava o cavalo.

 

Após toda a história ser contada, Moonbyul não conseguia deixar de se sentir sentida com a situação do reino até então desconhecido para si. Não se surpreenderia se a história contada pela rainha fosse realmente verdade, para si homens eram babacas o suficiente para inventar mentiras só por não saberem como lidar com um lugar que provavelmente foi o primeiro a ter rainhas governando sozinhas.

 

Foram recebidas com os pais de ambas as princesas na porta, Solar mal desceu do cavalo e já foi abraçada pelos pais, todos aliviados ao ver sua filha aparentemente bem, mesmo que usando um vestido desconhecido.

 

— Pai..Mãe.. — pronunciou-se assim que entraram no castelo com seus progenitores tagarelando sem parar, sequer prestava atenção nisso. Moonbyul estava um pouco atrás com seus pais, seguindo-os. Assim que conseguiu a atenção dos dois continuou a falar. — Preciso conversar com vocês, é sério

 

— Vamos filha — O pai caminhou rapidamente com todos até sua sala onde fazia reuniões ou qualquer coisa do tipo. Tinha uma mesa circular no centro na qual todos se sentaram, menos Solar. Se não fosse Moonbyul sentada bem em sua frente olhando e transmitindo segurança, provavelmente não teria coragem de começar.

 

A princesa se pronunciou contando a história do reino, como Wheein havia contado, desmentindo muitas das coisas que falavam por aí, principalmente ao ver várias dessas coisas com os próprios olhos. Todos ficaram chocados ao descobrirem que o suposto rei de Sandor na verdade era uma rainha, parecia que ninguém realmente sabia daquilo. Continuou a história até a parte da aliança, tomando cuidado com cada palavra dita para que ninguém ali levasse para o lado errado.

 

— E então pai, o que acha? — Olhou esperançosa para o progenitor, que pensou um pouco, trocou algumas palavras com sua mulher antes de finalmente falar algo.

 

— O que você acha? — Pegou-a de surpresa, tanto que mal acreditava na pergunta.

 

— Eu?

 

— É, você. O que acha disso tudo?

 

— Uma boa oportunidade, tanto pelo território quanto por uma provável aliança duradoura, realmente me dei bem lá, não parece ser fingimento ou qualquer coisa do tipo — Havia pensado nisso bastante desde a proposta, mesmo que não imaginasse que logo seu pai iria pedir sua opinião. — Ela disse que iria lhe enviar um convite formal, você poderia aceitar e ouvir suas palavras.

 

— Por que não cuida disso? — O rei se levantou, apoiando suas mãos nos ombros de sua filha. — Você logo vai ser rainha, já está mais que na hora de começar a cuidar da política de nosso reino — Viu os olhos da princesa lacrimejarem antes de abraçá-lo com força.

 

— Obrigada, papai — Disse chorosa, mas era de alegria. Seu pai finalmente estava dando-lhe abertura que queria para saber e participar mais da política, era um pequeno começo.

 

— Eu confio em você para isso, pequena. Qualquer coisa você pode me procurar ou à sua mãe, mas tente fazer isso sozinha, sim? — Fez um carinho nos fios loiros que puxou da mãe, esta que se juntou ao abraço logo em seguida.

 

O abraço não durou tanto assim, afinal ainda tinha Moonbyul e seus pais ali, era meio constrangedor.



 

❛ ♕ ☼☽ ✰  ❜



 

Um ano e alguns meses se passaram desde então. Solar resolveu seu primeiro caso de política com sucesso, orgulhando sua família ao ver sua aptidão para lidar com tais problemas.

 

Bem como a princesa havia previsto, a aliança continuou mesmo depois da guerra — a qual ganharam— e se fortalecia cada vez mais. Solar realmente ficou próxima de Wheein e Hwasa, eram boas amigas e pessoas. Inclusive, finalmente oficializaram o relacionamento e estavam marcando o casamento agora que toda a tensão havia passado. E quem seria a madrinha de casamento? Isso mesmo, a quase rainha de Aurinko.

 

Sobre seu relacionamento com Moonbyul, estava melhor do que bom. Mesmo com os pais de ambas insistindo para que se casassem antes da coroação, as duas princesas queriam amar sem pressa. Ter as famosas borboletas no estômago, passeios românticos, beijos tanto castos quanto quentes e até mais, queriam aproveitar daquele início gostoso de namoro.

 

Por exemplo quando as guerras em Sandor finalmente acabaram e eles venceram, Moonbyul presenteou Solar da melhor forma e a da mais quente possível. Ou quando Solar conseguiu visitar a outra em seu reino, ficando uma semana lá e passando praticamente todos os dias de chamego com a namorada. Foi nessa semana em que aprendeu diversas coisas sobre o reino da amada, inclusive teve uma sessão com a Astrea. Foi divertido, Moonbyul explicou que a Deusa rege as estrelas, oráculos e até sonhos proféticos que algumas pessoas têm o dom — descobriu que o nome da namorada foi por conta disso, tanto por ela ter tal dom quanto pela deusa adorada ter a ver com estrelas.

Ela sorria sempre que lembrava da coincidência de seus nomes serem escolhidos em homenagem ao deus adorado. Enquanto Moonbyul tinha estrela em seu significado, Solar vinha de Solaris, significando pertencente ao sol. Ao descobrirem isso, adoravam chamar a outra de ‘’ meu raio de sol’’ e ‘’minha estrelinha’’.

 

Por enquanto daquela forma estava perfeito para ambas, não tinham pressa para casar.

 

O que Solar não admitiria tão cedo era que em seus sonhos conseguia ver a futura rainha de Stjärnstat sendo a mãe de seus filhos e as duas reinando juntas, fazendo todas as revoluções que queriam. Iria fazer um casamento meio às escondidas, mas muito bem feito e algo com a cara das duas, mas nem estava pensando muito nisso, claro que não.

 

Mesmo que Solar não falasse abertamente tudo isso, Moonbyul conseguia ver em seu olhar tudo o que seu raio de sol queria dizer e se sentia completamente sortuda e feliz em dizer que era recíproco.



 

Fim.’’











 

— Fim? Como pode terminar assim, Mamãe?! Não tem nem um desfecho direito! — Hyuna resmungou enquanto seus curtos fios eram acariciados por uma de suas progenitoras que lia a história escrita por si há alguns meses. — Eu queria saber do casamento delas, e das outras duas também! Isso não é justo

 

— Eu ainda acho muito estranho você usar os nomes de vocês e das tias pra história, parece até que é real — Foi a vez do filho mais velho, Taichi, se pronunciar. Olhava desconfiado para as duas mães que gargalhavam escandalosamente.

 

—Nunca se sabe, filhote — Moonbyul deixou a mensagem no ar, desta vez fazendo todos rirem. — Talvez eu continue então, para dar um ‘’desfecho direito’’ para a história antes de realmente tentar publicar

 

— Mas vocês vão ter que nos visitar novamente para contarmos a história completa — Solar sorriu ladina, adorava ter desculpas para que os filhos já maiores de idade e com casa própria as visitassem, era um grude completo e nem tinha vergonha de esconder.

 

— Nós voltaremos, mães, pelo menos eu volto, prometo — O mais velho se levantou do sofá e beijou a testa de ambas as mães, fazendo um cafuné breve em ambas. — Agora nós precisamos ir, as aulas da faculdade vão começar já já. Vem logo Hyuna, se não fica sem carona

 

— Está vendo o que eu tenho que aguentar todos os dias, mamãe! — Choramingou para Moonbyul, mesmo com vinte um anos na cara ainda era uma criança quando estava com as mães. Despediu-se com beijinhos e abraços nas duas antes de correr atrás do irmão, com um real medo de perder a carona e chegar tarde.

 

— E aí, não vai me contar como realmente termina essa história? — A mais baixa engatinhou até a outra, se aninhando em seu corpo.

 

— Você realmente quer saber? — Moonbyul estava ansiosa, estava esperando aquele momento para finalmente fazer o que queria desde que começou a escrever sua história.

 

— Quero!

 

— Então vista o vestido que está no quarto de hóspedes, faça com calma para eu me arrumar também e me encontre no quintal de trás — Mal acabou de falar e Solar foi disparado para onde havia mencionado, curiosa como era sabia que ela queria saber logo o que tudo aquilo era.


 

Após alguns minutos Solar desceu e foi até a parte de trás da casa, onde estava com uma decoração de estrelas, sol e lua, tudo junto. Moonbyul sabia como a amada amava a galáxia e tudo que a envolvia, esperava ansiosamente que ela gostasse. Moonbyul estava com um vestido igual ao da primeira vez que as personagens se encontraram pela primeira vez no baile, assim como Solar.

 

— Você não existe — Os olhos estavam quase inundados com as lágrimas que ameaçavam cair. — Está tudo realmente lindo

 

—Meu raio de sol, eu me sinto muito sortuda em ter te conhecido, desde o baile de formatura quando éramos adolescentes prestes a começar a vida adulta. Você me rendeu a melhor dança e a melhor companheira pra vida toda desde então, me enchendo de momentos felizes, inclusive com as nossas pestes que agora também estão começando a ficar adultos. Eu lhe agradeço muito por isso — Abraçou a cintura alheia e a trouxe para perto, já Solar passou os braços pelo pescoço alheio para não se afastar mais. — Você quer casar comigo?

 

— Mas amor, já somos casadas — Formou um biquinho adorável que foi prontamente beijado pela mais alta.

 

— Não tem problema, casa comigo de novo — Beijou novamente os lábios macios em um selinho rápido.— Casa comigo daqui a mais alguns anos, nas minhas histórias, nas outras vidas…

 

— Eu aceito, minha estrelinha — Ambas abriram um sorriso bobo um pouco antes de findarem o diálogo com um longo beijo cheio de paixão. Aquilo significava muito mais do que parecia, aquela era a forma de Moonbyul de dizer que a amaria até em outras vidas, que era sua inspiração para escrever uma história de amor e como ela fazia bem para si, assim como seus dois filhos.










 

 

 

Certamente, aquilo era muito melhor do que apenas um conto de fadas.

 

7 de Novembro de 2018 às 01:05 0 Denunciar Insira 1
Fim

Conheça o autor

Lucas Byun ʚωєℓcσмє! » trasboy • єxσ-ℓ • sʜɪɴᴇʀ • Exo Royals Shipps «

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Histórias relacionadas