Sob a lua ela dança Seguir história

neotic neotic

[drabble; witch!au] Enfim era mais um dia de lua cheia. O cântico de suas vozes se ergueu ao céu, celebrando o luar, celebrando a morte de mais uma alma.


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

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Citrine

E mais uma vez cada uma se sentiu completa, plena. Porque elas sabiam que enquanto tivessem umas às outras tudo ficaria bem, enquanto elas fossem cinco o ciclo nunca findaria, as tornando um só corpo. Eternas.

Elas eram em cinco. As cinco pontas de um pentagrama. A bondade, a justiça, o amor, a sabedoria e a verdade. O equilíbrio perfeito. Elas uniam todos os espectros os tornando um só. A harmonia entre cinco extremidades. O círculo infinito que morre e renasce. Os cinco elementos.

Elas eram Joohyun, Seulgi, Seungwan, Sooyoung e Yerim. Entretanto, seus nomes foram deixados para trás com o tempo e se tornaram sussurros ao vento. Elas não se importavam. Seus nomes significaram algo para alguém um dia, porém naquela época suas presenças falavam mais sobre elas do que seus velhos nomes. Ainda assim, com o passar das estações, vieram outros nomes, outros e outros. Até que nenhuma delas se lembrava qual nome lhe fora dado no nascimento. Mas elas não se importavam.

Era tarde, o sol se punha. Hora onde os animais noturnos aos poucos saiam de suas tocas. Entediada, Yerim deitou sua cabeça sobre a mesa, os fios loiros e curtos caindo sobre a bochecha. Ela era a mais nova entre todas e também a que mais se entediava fácil. Sempre contava os dias para a lua cheia. Sooyoung sempre dizia a ela que também se sentia assim quando mais nova e que com o tempo ela logo enjoaria da lua cheia.

Traçou um caminho sobre a mesa com seus pequenos dedos, enquanto baixinho sussurrava as palavras de sua mais nova conjuração. Estava orgulhosa com o quanto havia avançado, mal precisa pedir a ajuda de Joohyun — o que deixava a mais velha orgulhosa e ao mesmo tempo tristonha por sua pequena Yerim aos poucos estar saindo de seus cuidados.

Fixada no pêndulo que se movia abaixo do relógio, mal notou Seulgi se sentar a mesa. A mais velha vestia seu longo vestido vermelho de renda e tule, os longos cabelos negros caindo sobre os ombros. Yerim a fitou por alguns instantes, confusa.

— Por que não está pronta? — Seulgi perguntou.

Ergueu a cabeça e olhou para o calendário lunar. Passou tanto tempo aguardando o dia de lua cheia que mal percebeu que aconteceria no dia seguinte. Riu de si própria.

— Por que não me avisou? — perguntou a Seungwan que vinha em direção a mesa com um livro grande e pesado em mãos. Vestia também seu longo vestido vermelho de renda e tule e as madeixas claras da franja estavam presas por um adereço de madeira e flores.

— Pensei que soubesse, mas pelo visto se distraiu com sua própria ansiedade — Seungwan respondeu e se sentou a mesa.

E assim que viu Joohyun e Sooyoung se aproximarem da mesa propriamente vestidas para mais uma reunião, se apresou a ir para o próprio quarto se arrumar. Vestiu-se tão apressadamente que, ao retornar para a sala, conseguiu um sorriso carinho de Joohyun que não pode se conter com a fofura da mais nova com seu vestido abarrotado vestido às pressas. Levantou-se e ajudou a pequena a se ajeitar em seu vestido, para em seguida todas estarem devidamente sentadas a mesa.

A mesa era redonda, puramente de madeira. Cada uma delas havia esculpido uma parte dela. Cada uma havia dado seu sangue. Era a união, a harmonia personificada em um simples objeto. Porque não importavam onde estivessem, suas mãos podiam tocar umas às outras, podiam ver umas às outras. E quando todas se reuniam a mesa, as cinco pontas do pentagrama se ligavam perfeitamente dentro do círculo infinito de morrer e renascer.

Joohyun era a mais velha, por isso lhe era incumbido ler o livro. Entretanto, naquela noite, juntamente com o consentimento das demais a mesa, ela ofereceu a Yerim a oportunidade de exercer aquela função.

Surpresa, ela tomou os livros em mãos. Seus pequenos dedos tremiam diante da energia que sentia emanar daquele livro. Palavras tão poderosas que a fazia sonhar um dia poder conjurar. Nunca antes havia lido quaisquer palavras vindas do livro que Joohyun passara a vida se dedicando. Agora ela fazia parte dele, assim como suas irmãs. Ela um dia escreveria seu encanto nele, um dia teria o poder para conjurá-lo.

Riu tímida para as demais a mesa que a observavam com carinho, antes de tranquilamente pronunciar uma por uma as palavras escritas naquele livro. Pensou naquele momento que nunca queria sair daquela casa, do lado de suas irmãs. Nunca perderia aquele laço que as uniu e se sentia grata por fazer parte dele. Ainda queria Joohyun a ajudando com seus feitiços mesmo quando não precisasse, queria Seulgi lhe ensinando a andar pela floresta com destreza, queria a energia que emanava de Seungwan lhe rodeando e todos abraços que Sooyoung lhe dava quando se deitavam para dormir. Queria ser eterna junto a elas. Queria ser a ponta que as ligavam. A verdade, o suspiro. A entidade.

 

§§§§§§§§ 

 

Cantavam alegres, sorrindo. A ponta de seus longos vestidos vermelhos rendados se arrastando pela grama. Seus pés descalços não se cansavam. As mãos unidas em volta da fogueira, girando e girando em volta dela. O vinho havia subido para suas cabeças as deixando tontas mais rápido, até o ponto em que todas caíram sobre a grama, ofegantes, os dedos ainda entrelaçados.

Observaram a lua, no dia seguinte ela estaria completamente cheia. Mas naquele momento não pensaram sobre o amanhã, pensaram sobre elas mesmas. O ritual começava todo dia que antecedia o dia de lua cheia, mas sempre sentiam como se fosse a primeira vez, a euforia era sempre a mesma.

E com a noite caindo a fogueira foi aos poucos se apagando. Joohyun as chamou para dormirem, mas nenhuma delas queria se separar. Assim, sem muito esforço para convencer a mais velha, todas se aconchegaram na sala em meio aos cobertores, sentindo o calor umas da outras.

Dormiram tranquilamente, os sons da floresta ao fundo. Estavam prontas para mais um dia de lua cheia.

 

§§§§§§§§

 

No dia seguinte, Yerim levantou cedo. Estava acostumada com sua função e o que deveria fazer. Tomou um longo e calmo banho e comeu a mesa com as demais. Ouviu elas lhe darem os mesmos conselhos de sempre, sobre como ela deveria ter cuidado ao andar sozinha na floresta. Sabia que todas confiavam em si e que não duvidavam que sua pequena voltaria para casa. Havia aprendido com Seulgi a dar cada passo na floresta, a identificar cada flor e raiz. Fora ensinada por suas irmãs a como se cuidar.

Despediu-se delas com um abraço caloroso. Sentia-se diferente naquele dia, mesmo que a rotina permanecesse a mesma, mas não se ateve aquilo.

E enquanto Yerim caminhavam floresta a dentro com sua pequena cesta, as demais organizavam a casa.

 

§§§§§§§§

 

 

O pobre homem estava cansado, faminto e com sede. Não soube como fora parar naquele lado da floresta, mas ali ele estava. Não sabia como voltar, as trilhas lhe pareciam um emaranhado de linhas. Ainda era dia, mas sabia que à noite seria pior e que não sobreviveria por um longo tempo.

Para a sua sorte encontrou uma jovem moça que andava pela floresta. Parecia recolher frutos, mas sua cesta estava vazia. Não se importou com os detalhes quando a jovem de madeixas curtas e loiras lhe estendeu a mão com um doce sorriso. Disse que não morava longe e que poderia ficar em sua casa juntamente com suas irmãs até que pudesse retornar para casa.

O pobre homem aceitou de prontidão, se sentindo abençoado pela aparição de alguém tão gentil como aquela jovem moça em um momento tão infortuno.

 

§§§§§§§§

 

O pobre homem se surpreendeu em como todas as mulheres da casa eram jovens. Soube que moravam sozinhas desde sempre e ficou admirado em como todas elas exerciam suas funções tão bem. Tudo na casa havia sido feito por elas. Cada móvel, cada decoração. E quando o homem se ofereceu para carpir algo em forma de agradecimento pela hospitalidade, elas logo recusarem e disseram que não seria necessário.

Porque cada parte da casa era uma parte delas. Cada móvel, cada decoração. Elas eram o pulsar e o que mantinha cada coisa em sua devida ordem. Qualquer coisa a mais não era bem-vindo.

 

§§§§§§§§

 

 

A noite caiu e assim chegou a lua cheia, esplendorosa. Mais uma vez elas cantavam alegremente, sorrindo em volta da fogueira.

O pobre homem amarrado ao tronco se perguntava como havia sido tolo o suficiente para acreditar na jovem de sorriso doce. E naquela noite sua vida chegaria ao fim como nunca havia imaginado.

Ergueram suas mãos para o céu, os dedos entrelaçados. Conjuraram em uníssono as palavras tão bem conhecidas por cada uma enquanto olhavam para lua. Seus olhos se fecharam aos poucos enquanto sentiam a energia passar por seus corpos e permanecer em meio a elas.

Porque elas eram em cinco. As cinco pontas de um pentagrama. Unidas, inseparáveis.

E como havia se iniciado na noite anterior, Joohyun deu a Yerim as honras. A mais nova tomou a adaga em mãos e suspirou fundo. Era o momento que tanto aguardou, iria renascer.

Deslizou lentamente a lâmina pela garganta do homem em meios aos gritos dele de misericórdia. Conjurou as palavras finais e, com suas mãos ensanguentadas, empurrou o pobre homem para dentro da fogueira.

Seus risos se tornaram mais altos e seus cantos também. Voltaram a mover seus pés descalços sobre a grama, dançando em volta da fogueira que queimava a alma de mais um homem naquela lua cheia.

7 de Novembro de 2018 às 01:06 0 Denunciar Insira 1
Fim

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