Contos De Terror Seguir história

cisnenegrow Cisne Negro

Todo boato tem um fundo de verdade, toda lenda tem seu ponto de início. O que é real? O que é imaginação? Há muito mais no escuro do que somente o vazio. Eles descobririam da pior maneira que o medo é uma causa e junto da bagagem estão as consequências. Uma paralisia, o choque e a falta de reação, a adrenalina e o instinto de sobrevivência. E você? Qual é o seu medo?


Horror Histórias de fantasmas Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#monstros #295 #terror #fantasmas #lenda-urbana
6
4810 VISUALIZAÇÕES
Em progresso
tempo de leitura
AA Compartilhar

Encontro Com Teke-Teke

Cansada. Era assim que eu me sentia. Estagiar numa grande empresa não era nada fácil. Muito trabalho, muita preocupação... E ainda tinha o fato de não ser paga.

Eu pensava em tudo isso enquanto saía da empresa ao lado de um amigo, que sempre me esperava para irmos juntos para casa, mesmo quando eu demorava muito para terminar meus afazeres. A gentileza dele foi um dos principais motivos para eu ter...


― Estagiar é um saco! ― Eu disse ao meu melhor amigo, Reiji

.

― Não seja assim tão pessimista, Hiruka-chan. Pense que você será efetivada assim que concluir a faculdade. Sabe quantas pessoas querem isso e não tem? ― Falou, com seu típico sorriso de canto.


― Nesse ponto você tem razão, Reiji-kun. ― Admiti, pois ele realmente estava certo, como sempre ― Eu devia ser mais grata.


Não é como se eu fosse uma ingrata, eu sabia perfeitamente a sorte que tinha. O cansaço estava me fazendo agir assim.


― Já passa das 23hrs30min e você precisa estar na faculdade às 08hrs30min. Que tal pegarmos o metrô?― Sugeriu, como quem não quer nada, olhando para o lado direito e fingindo observar as pessoas que passavam por nós ― Assim chegará mais rápido.


― Pode pegar se quiser, Reiji-kun. ― Respondi quase que imediatamente. Estava muito cansada, física e mentalmente, não seria uma boa companhia para ele ― Eu prefiro ir andando, tenho que pôr os meus pensamentos em ordem.


― Nesse caso, eu te acompanho. ― Reiji abriu um sorriso de orelha a orelha, no fundo eu sabia que ele só queria uma desculpa para poder estar mais perto de mim ― Não é nada educado deixar uma dama andar por aí sozinha. Ainda mais à essa hora.


― Deixe de coisa! ― Disse, num tom brincalhão para não magoá-lo ― Sua casa é numa direção diferente da minha. Não quero te dar trabalho.


― E não dará. ― Insistiu, o que me deixou um tanto irritada. Eu sabia que ele só estava sendo gentil, mas eu queria um tempo ― Deixe que eu te acompanhe...


― Não, Reiji-kun, eu realmente prefiro ir sozinha. Preciso ficar um pouco só. ― Fiz o possível para não soar ríspida, mas acredito que não tenha funcionado.


― Já que você quer tanto... ― Ele não mascarou a tristeza em sua voz e isso me fez sentir um pouco mal ― Mas me ligue assim que chegar em casa, ficarei preocupado com você.


― Não há com o que se preocupar. ― Enlacei seu braço esquerdo num gesto carinhoso, afinal, eu precisava compensá-lo pela minha grosseria, não é mesmo? ― À essa hora, até mesmo os bandidos devem estar dormindo.


Nós dois não tivemos como conter a risada. Era isso que Reiji mais gostava em mim, meu bom humor. Ele sempre dizia isso.


― Talvez você esteja certa, mas, mesmo assim, me ligue.


― Pode deixar, eu ligo. ― Eu lhe sorri de forma doce.


― Certo... Até amanhã.


― Até. Tenha uma boa noite.


― Você também.


Nos despedimos com um abraço rápido e então Reiji seguiu para a estação de metrô, enquanto eu continuei andando.


Eu não era estúpida, sabia perfeitamente o que Reiji sentia por mim. Esse era o motivo de eu afastá-lo sempre. O estágio, a faculdade, os meus pais... Não tinha tempo para manter um relacionamento. Mas isso não significava que não queria um, pelo contrário. Eu gostava dele tanto quanto ele gostava de mim, mas as circunstâncias não permitiam.


Não poderia dar esperanças a ele sabendo que não teria tempo para que ficássemos juntos e fizéssemos coisas de casal.


Essa decisão doía, mas, se Reiji fosse paciente, eu ficaria com ele assim que terminasse a faculdade e fosse efetivada.


Talvez devesse ter dito isso à ele, não é? Sim, eu devia ter dito! Eu havia decidido dizer a ele na amanhã do dia seguinte, assim que o visse. Não queria correr o risco de esperar e acabar perdendo a coragem.


"Espere por mim, Reiji. Só mais um pouquinho."


Com esse pensamento, eu sorri enquanto caminhava para casa. Não pude evitar fantasiar sobre como seria quando contasse a ele que estava apaixonada.


Será que ele ficaria feliz? Ou será que ficaria surpreso? Ele vai me abraçar ou me beijar? Sinceramente, eu estava esperando pela a segunda opção.


Mas, em meu íntimo, eu sabia que ele não faria isso. Ele sempre foi um rapaz muito educado e respeitoso, não tomaria essa atitude ― para o meu azar.


A ansiedade era tanta que eu só queria chegar em casa logo.


Com isso em mente, resolvi cortar caminho pela velha estação de trem, assim chegaria mais rápido ― e falaria com Reiji mais cedo.


Estava tão feliz que demorei um pouco para notar o som atrás de mim. Mas, depois de me concentrar, pude ouvir claramente.


"Teke-teke, teke-teke"


Achei estranho e olhei para trás, não vi nada.


"Nossa, que estranho..." lembro-me de ter pensado.


O som parou e eu continuei a andar. Poucos segundos depois o som recomeçou, e eu comecei a ficar um tanto assustada. Apertei o passo mas não olhei para trás novamente. Seja lá o que fosse aquilo, eu não queria mais saber.


À medida que meus passos ficavam mais rápidos, o som também ficava. Foi aí que lembrei de uma lenda urbana que a minha avó contava...


Há muitos anos, antes mesmo que minha avó nascer, uma mulher caiu naqueles mesmos trilhos ― ou se jogou, ninguém nunca soube ao certo ― e não conseguiu se levantar a tempo de escapar do trem, e este a dividiu ao meio.


A morte foi horrível e dolorosa pois, apesar de ter sido dividida ao meio, ela não morreu de imediato. Ela agonizou por longos minutos até que finalmente tivesse o descanso da morte ou, pelo menos, era nisso que se acreditava.


A morte violenta e agonizante acabou transformando-a num espírito vingativo, que assombrava os trilhos ― ou as ruas do Japão, como também ouvi em outras versões ― usando os cotovelos para se locomover, o que emitia o característico "teke-teke", e com uma tesoura enorme nas costas. Ela usava a tesoura ― ou uma foice ― para dividir as pessoas ao meio, tamanha a sua raiva. Em outras versões, dizem que ela arrasta as pessoas e as joga nos trilhos, para que sintam a mesma dor que ela sentiu.


Lembrar dessa lenda fez com que eu me desesperasse. Eu nunca acreditei nessas coisas, nunca dei muita importância, mas naquele momento fiquei apavorada.


Num surto de pânico, eu comecei a correr, correr como se a minha vida dependesse disso ― e de fato dependia.


Depois de correr tanto que fiquei exausta, acabei olhando para trás. Me surpreendi quando não vi nada.


Fiquei me sentindo uma estúpida. Corri como uma louca, nunca senti tanto medo em toda a minha vida e, no fim das contas, não era nada.


Mexi no meu cabelo e ri de mim mesma por ser tão medrosa.


Me virei para continuar o meu caminho, e foi aí que eu a vi... Pálida, cabelos longos e negros, parecia ter um rosto bonito, mas ele estava contorcido numa expressão de ódio.


Eu não consegui correr, estava paralizada de tanto medo. Eu assisti, impotente, cada movimento dela. A vi tirar a grande tesoura de suas costas e preparar o corte. Ouvi o som das lâminas se chocando, após me partirem ao meio, senti uma dor aguda, insuportável, mas não morri. Fiquei ali, sofrendo.


Num último ato, peguei o meu celular na bolsa que estava caída ao meu lado, liguei para Reiji. Dois toques e então ele atendeu.


Alô, Hiruka-san. Já chegou em casa? Você é rápida, hein.


― Reiji... ― Não sabia de onde estava tirando forças para falar, mas eu precisava dizer a ele antes que fosse tarde de mais ― Reiji... Eu te amo... Me perdoe...


Hiruka, o que houve? Onde você está? Está tudo bem?― Eu não conseguia dizer mais nada, e o meu silêncio estava deixando ele desesperado ―Hiruka, fala comigo! Hiruka?!


Aquela foi a última coisa que eu ouvi antes de tudo ser consumido pela escuridão.


Eu estava morta.

9 de Novembro de 2018 às 00:03 11 Denunciar Insira 5
Leia o próximo capítulo A Moça Na Estrada

Comentar algo

Publique!
Allec Rameht Allec Rameht
Meu Deus... ESTAVA MESES procurando uma história que contasse sobre lendas urbanas (AMO) e finalmente achei, e É ÓTIMA!!! Meu cu trancou quando eu li "teke-teke", não vou negar, haha Enfim, gostei muito, me senti muito mal pela Hiruka :c. Por isso dizem para viver o hoje E NÃO ANDA SOZINHA NA RUA A NOITE AAAAAAAAAAAA. O POVO NÃO APRENDE QUE ODIOOO Enfim, amei ♥
1 de Maio de 2019 às 08:29
Endriw Villa Endriw Villa
gosto muito dessas lendas urbanas Japonesas, muito bom
20 de Março de 2019 às 23:49
Saah AG Saah AG
Nossa, pensei que nunca ia ver por aqui algum conto em referências a essas lendas urbanas japonesas. Quando eu era otaquinha fedida e criava conteúdo pra uma page de anime no facebook teve uma semana que a gente publicou essas lendas, incluindo a do teke-teke. Assisti até o filme, acredita? (ele é mt ruim). Gostei muito da sua história, mesmo que tenha ficado triste pela Hiruka e pelo Reiji :c também gostei da estrutura, da progressão, do desenvolvimento tão breve, mas bem feito dos personagens. No começo o Reiji parece macho escroto que fica investindo e sendo chato, mas depois que a Hiruka explica as coisas, você entende melhor. Quer dizer, tudo ficou claro, vc n deixou o leitor ter brecha pra entender outra coisa. Isso é importante. Parabéns pela obra.
15 de Dezembro de 2018 às 08:58

  • Cisne Negro Cisne Negro
    Eu pretendo trazer algumas outras lendas japonesas, assim como de outros países. Gosto muito do assunto ❤ Ah, eu também vi o filme. É beeeeeeem meia-boca 😂 Eu fico feliz de saber que vocês gostaram do que leram ❤ Espero que gostem dos outros que serão postados também ^^ Alguns não são tão bons, mas a gente tenta fazer nosso melhor, né? 😂❤ 15 de Dezembro de 2018 às 15:32
Alice Alamo Alice Alamo
Olá, eu a Alice e venho pelo sistema de Verificação do Inkspired. Sua história foi colocada "Em revisão" pelos apontamentos que a embaixadora Karimy fez em seu comentário. Caso queira sua história Verificada, basta corrigir os erros e me responder aqui neste comentário ;) Atenciosamente, Alice, Sistema de Verificação do Inkspired
19 de Novembro de 2018 às 13:07

  • Cisne Negro Cisne Negro
    Olá ^^ Acabei de fazer as correções e atualizar o capítulo. Espero ter feito todas elas ^^ Muitíssimo obrigada. 12 de Dezembro de 2018 às 18:52
Karimy Karimy
Olá, autora! Tudo bem? Nossa, eu amei seu conto. Gosto muito de histórias de terror e horror, e a sua conseguiu me prender do começo ao fim. Quando a interação entre o casal começou a se prolongar, fiquei com medo de ser uma coisa que ficaria esquecida depois, mas você aproveitou a relação dos dois para dar um desfecho digno de filme para a história, o que fez tudo ficar ainda mais bacana. Fiquei pensando: Caramba, se eu fosse esse cara... Nem sei o que faria, mas provavelmente procuraria por ela. Além disso, os acontecimentos estão muito coerentes, ligando-se de forma bastante natural, o que é difícil em histórias desse gênero. Explicando de uma forma mais simples, a estrutura da história está incrível. A sucessão de fatos gera uma crescente curiosidade sobre o que está prestes a acontecer e, quando acontece, parece uma ilusão; uma característica muito forte do terror e que é de difícil reprodução, principalmente por requerer um certo distanciamento e, ao mesmo tempo, uma aproximação dos fatos; tornando-os mais naturais. É algo complicado de se alcançar, inclusive por ser algo que costuma fazer com que os autores se sintam, digamos, tensos durante o momento da escrita. O cenário foi uma parte fundamental para a construção: a noite, o escuro, os trilhos, o barulho, tudo mostrou a evolução dos fatos de um jeito muito honesto. Os personagens também se tornaram bastante autênticos: dou sempre preferência a histórias ambientadas no Brasil, mas você conseguiu introduzir uma básica ambientação de maneira simples, o que fez com que eu conseguisse compreender as expressões dos personagens e até mesmo a lenda em si. Isso é muito interessante, pois aproxima nós, leitores, dos personagens. Só gostaria de apontar algumas questões gramaticais. No geral, a história está bem escrita, mas encontrei algumas falhas no uso da pontuação, inclusive nos diálogos. Também me deparei com o uso de "A muitos anos atrás", sendo que, quando denotamos tempo passado, usamos "Há" em vez de "a" e é interessante evitar o uso de "Há muito tempo atrás" pois o "Há" já mostra tempo passado, então o interessante seria "Há muito tempo" ou "Muito tempo atrás". São erros bem simples de serem arrumados, só resolvi apontá-los para me certificar de que estou contribuindo para sua evolução, porque você merece. Sua história me impressionou mesmo e, com certeza, a indicarei para outras pessoas. Beijos!
17 de Novembro de 2018 às 07:16

  • Cisne Negro Cisne Negro
    Muito obrigada pelos elogios ❤ Eu pretendo trazer lendas de outros países, então estarei sempre tentando manter algumas palavras de origem, tentando ao máximo não comprometer a compreensão do leitor. Fico muito feliz em saber que gostou do que leu, pois isso me ajuda a seguir escrevendo ❤ Alguns dos erros apontados eu sequer percebi ter cometido. Muito obrigada por avisar ❤ Irei corrigí-los o quanto antes. Muitíssimo obrigada por comentar ❤ 21 de Novembro de 2018 às 20:26
  • Karimy Karimy
    Olá, Black Swan. Vi que a Alice já veio aqui fazer a verificação, mas acredito que a falta de tempo a tenha impedido de dar continuação (às vezes, tudo fica uma loucura), espero que entenda. Mas hoje vim aqui com o intuito apenas de reler esse conto maravilhoso e percebi que precisava fazer essa verificação, então vou apontar aqui os pontos específicos que precisam ser modificados para que a verificação da sua história seja feita, ok?! 1) Verifique os seguintes pontos: "Eu pensava tudo isso" em vez de "Eu pensava em tudo isso". "de orelha à orelha" em vez de "de orelha a orelha". "A medida que meus passos" em vez de "À medida que meus passos". 2) Falta de vírgula em vocativo, como em "Não Reiji-kun, eu realmente..." em vez de "Não, Reiji-kun, eu realmente...". Falta de vírgula em "talvez você esteja certa mas, mesmo assim, me ligue" em vez de "talvez você esteja certa mas, mesmo assim, me ligue" "talvez você esteja certa, mas, mesmo assim, me ligue" e "Essa decisão doía mas, se Reiji..." em vez de "Essa decisão doía mas, se Reiji..." . Falta de vírgula depois de "teke-teke" (pois a oração depois dela retoma a que vinha antes dessa em questão). — Na última marcação de diálogo, há marcações " " que precisam ser retiradas. Depois que você corrigir esses pontos, pode responder minha mensagem. Prometo que virei, muito provavelmente, no mesmo dia para fazer a sua verificação. Mil beijos! 22 de Fevereiro de 2019 às 19:10
  • Cisne Negro Cisne Negro
    Olá ^^ Primeiramente, peço desculpas pela demora em responder. Fiquei ocupada e só pude entrar aqui agora. Acredito que, agora, eu tenha realizado todas as correções (tomara) ^^ Essas dicas e apontamentos são muito importantes, principalmente prq estou pensando em colocar meus contos de terror num blog ou coisa parecida. Quanto mais bem escritos estiverem, melhor ^^ Muito obrigada por me mostrar os erros e pela chance de ter meu pequeno e modesto passa-tempo verificado <3 4 de Março de 2019 às 21:01
  • Karimy Karimy
    Olá, querida Black Swan, sua história já foi revisada. Fico contente por saber que os apontamentos foram uteis e também por saber que vai expandir o trabalho lindo que você faz. Beijos. 5 de Março de 2019 às 07:37
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 5 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!