Paraíso Artificial Seguir história

sadhokage Katarina Paludetto

[Sebaek-Chanbaek | cyberpunk + vaporwave] Em um mundo artificial, soterrado por crimes cibernéticos e informações visuais vibrantes, Oh Sehun definhava em sua própria tristeza. Era jovem, e muito mais rico do que os homens de sua idade, contudo nada disso lhe importava, já que seu marido havia morrido em um acidente espacial de uma das naves de sua companhia. Quando a dor e o luto se tornam insuportáveis, ele recorre a Life Corp, famosa na Nova Pangeia por ser a empresa desenvolvedora de inteligências artificiais mais promissora do mercado. As chances de tudo dar errado eram de apenas três porcento, e ele estaria disposto a correr esse risco.


Fanfiction Celebridades Para maiores de 18 apenas.

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Axioma espectral da perfeição

11 de setembro, 2615

Reajustava o nó da gravata incontáveis vezes durante aqueles poucos minutos em que estava no hall de entrada. O oxigênio no cômodo principal daquela corporação parecia rarefeito, pois pouco conseguia chegar até os pulmões de Sehun. Preferia acreditar em um absurdo como este do que lidar com o início de uma crise de pânico. Olhar através da parede de vidro apenas o deixava mais ansioso, já que milhares de anúncios gigantescos, exibidos em prédios tão altos quanto o que estava, e em cores vibrantes, cegavam suas retinas sem nenhuma permissão. Gotas de suor frio começavam a escorrer pelo pescoço pálido, umedecendo a camisa social. Tentava controlar a própria respiração, fazendo um exercício que seu terapeuta havia ensinado, mas parecia ser em vão.


Abafado pelo zumbido persistente que escutava, o som da ponta de saltos altos ecoando pelo assoalho brilhante aproximava-se. Ergueu o rosto, que pela temperatura elevada, certamente estaria avermelhado. A recepcionista, loira e muito bem vestida em roupas sociais, finalmente veio até si. Não deveria ter demorado muito, até porque demoras não deveriam ser toleradas pelos principais consumidores daquela corporação. Deveria ter perdido a noção do tempo em sua crise de pânico, como era de costume acontecer, incontáveis vezes durante a semana desde o último onze de setembro.


— Oh Sehun? — Ela o chamou, talvez pela segunda ou terceira vez. Levantou-se despretensiosamente, na tentativa de não parecer atordoado. Sorriu brevemente, mas perdeu um pouco o jeito ao encarar os orbes metálicos da moça. Ela era um proxy. — Fico feliz em ser sua guia pelas principais instalações da Life Corp. Tomei a liberdade de pesquisar sobre o senhor, é ceo da Odisseia, estou certa?


Segurou a expressão irritadiça para não passar uma má impressão. A verdade é que Sehun odiava lidar com proxys. Eles eram intrometidos, a maioria não tinha a mínima noção de privacidade ou profissionalismo. Eram como crianças que tentavam se passar por adultos, com acesso à internet de ponta em suas mentes. Se recusou a entrar em contato com a Life Corp por tanto tempo por esse contratempo. Ainda não estava cem por cento inclinado a tentar um dos serviços, por mais que já tivesse tido o esforço de estar ali. Foi convencido por um de seus assessores chineses — o único que considerava um verdadeiro amigo, Wu Yifan — de que aquela talvez fosse uma boa ideia. No início, se recusou imediatamente, mas depois, enquanto olhava uma das fotos que tirou com Baekhyun em uma viagem de férias às praias cibernéticas do Caribe, considerou de que talvez fosse uma boa ideia.


— Ceo e engenheiro de segurança. — Completou, apático, observando o sorriso tão natural quanto o de qualquer outro ser humano ser exibido nos lábios da proxy.


— Sou Samantha, uma das inúmeras recepcionistas e guias da Life Corp. Nosso tour não será tão grande, até porque o trabalho que os cientistas têm é sofisticadamente pequeno, por assim dizer. — Ela andava em direção ao corredor principal. Instintivamente, Sehun caminhava atrás dela, dando prioridade a escutar sua explicação. Era bem melhor do que lidar com a crise que lhe acometia minutos atrás. — O centro de pesquisas não faz parte do tour, já que as informações que recolhemos dos nossos clientes são altamente sigilosas, não podemos correr o risco de deixá-las vazar para mãos mal intencionadas. Começaremos pelo centro de criação.


As paredes de um branco hospitalar subitamente transformou-se em uma plataforma transparente, onde cada um de seus passos causava um espectro holográfico. Agora podia ver que estavam na parte de cima dos laboratórios, onde vários e vários corpos estavam, alguns conscientes e outros não. Era uma visão ligeiramente perturbadora para alguém como Sehun, que tinha uma grande aversão por proxys. Não sabia se terminaria aquele tour com a mente mudada, mas ao menos estava tentando como Yifan queria que fizesse.


— Aqui os corpos são feitos, como pode perceber. Os que estão conscientes são primors, assim como eu. Sabe a diferença entre primors e proxys, senhor Oh?


— Não faço a mínima ideia do que seja um primor. — Foi sincero, tentando recordar de alguma vez ter escutado aquele termo sendo dito. Era estranho que não soubesse de algo ligado a tecnologia, por mais que criação de inteligência artificial nunca estivesse em seus tópicos de interesse.


— Proxys são corpos que recebem uma consciência que foi salva antes da morte em uma nuvem, senhor Oh. Nós, primors, somos uma inteligência artificial produzida através das informações que o cliente fornece.


— Isso abre uma margem de erro, não? Se o primor em questão desenvolver uma consciência diferente do que foi pedido. As informações pessoais da internet não dizem absolutamente tudo sobre ninguém.

— Não precisa se preocupar com isso, senhor Oh. — Lhe deu um sorriso, que diferente do outro que havia visto, parecia ser bem mais mecânico. — Os casos de erro acontecem em apenas três por cento de nossas produções. Nós não podemos lobotomizar o erro, é claro. Vai contra as leis que protegem as inteligências artificiais. Mas nós podemos refazê-las sem nenhum custo pelo transtorno que foi causado.


— E o primor anterior?


— Se o dono optar por não tê-lo em sua vida, nós os acolhemos de volta e lhe oferecemos um emprego remunerado. — A voz da primor soou firme, diferente das outras vezes em que foi ouvida. Sehun logo entendeu que Samantha fazia parte dos três porcentos. Ela era um erro ambulante. — Também lhes é oferecido um apartamento dentro das instalações da Life Corp, assim como um plano de varredura de vírus e manutenções periódicas.


Não notou quando deixaram o centro de criação, mas logo chegaram a um onde vários proxys e primors estavam reunidos, sendo vestidos, checados e muitas outras ações que não tinha conhecimento.


— “Centro de check-out”?— Leu as palavras holográficas que iluminavam a parede da sala abaixo de seus pés.


— Aqui nós vemos a eficiência de nossos produtos. Se existem erros, e se forem detectados, são mandados imediatamente para o centro de recuperação enquanto ainda é tempo. Assim como o de pesquisa, não aparece no tour. — Soube que o tour chegou ao seu fim quando foi cercado pelas paredes de concreto novamente. O fim daquele longo corredor terminava em um escritório, repleto daqueles anúncios vibrantes que tanto lhe davam náuseas. Atrás de uma daquelas poltronas flutuantes e acolchoadas estava um senhor que trajava vestes brancas e um jaleco, aparentando ter seus setenta anos e parecendo entusiasmado. — Aqui é onde nos despedimos, senhor Oh. Fico feliz em tê-lo conhecido e espero que meu tour tenha sido informativo.


Não pôde se despedir propriamente, já que Samantha deixou a sala assim que terminou sua fala. Voltou-se então ao senhor, que lhe analisava meticulosamente com seus orbes humanamente azuis.


— Senhor Oh. — A voz animada e grave pelo passar dos anos repercutiu em alto e bom som. Aparentemente estava surpreso com sua presença ali, já que a expressão antes observadora, agora era curiosa e até mesmo faminta por mais algo que não conseguia compreender. Era comum para ele receber esse tipo de reação onde quer que fosse, já que era um dos ceo’s da Odisseia, uma das corporações mais fortes da Nova Pangeia. — Me senti lisonjeado ao saber que o senhor gostaria de visitar nossas instalações. A maioria dos executivos de alto escalão preferem encomendar pela internet, não à moda antiga. Sou o Doutor Life Caesar.


— É um pedido importante. — Sentou-se na poltrona que flutuava em frente a mesa do doutor. — Precisava vir pessoalmente, garantir que tudo sairá em perfeita ordem.


— Certamente, irá. — Caesar ajeitou a armação dos óculos finos no nariz, acenando positivamente. — Veio trazer a consciência de seu marido de volta, não estou certo?


Sehun piscou desconcentrado, voltando a afrouxar o nó da gravata, instintivamente. Essa deveria ser a primeira vez desde o velório da tripulação Odisseia que falava sobre Baekhyun. Recusava-se a todo custo conversar com quem quer que fosse sobre ele, apenas tocava em seu nome na sala do psicólogo, relutantemente. O luto abraçou sua existência por completo, deixando quase nada do que um dia já foi para trás.


— Baekhyun optou por não fazer backup de consciência. — Disse, lembrando-se do porquê negou tanto contatar a Life Corp. Ser clonado para que voltasse a viver após a morte nunca foi um desejo de seu amado. Não o compreendia, sempre que podia tentava mudar sua ideia, mas ele permaneceu firme sobre isso até os últimos momentos. Sehun era amargo pela pessoa que tanto amou ter escolhido morrer. — Estou aqui para reconstruir a consciência dele.


O Doutor Caesar assustou-se. Talvez por achar que todos os executivos podres de ricos pensassem iguais, e que Byun Baekhyun deveria ser uma raridade em meio a tantos, ou talvez porque simplesmente achava-o tolo.


— Nós faremos o possível e o impossível para que nosso produto o agrade, senhor Oh. Contudo, o aviso que nem tudo são flores. Existem consequências, já que uma inteligência artificial não é só um robô que age de acordo com seus caprichos. Eles vivem bem mais do que nós, e caso o senhor não seja optativo ao backup, deixaria um primor perdido neste mundo.


— Faço meu backup de seis em seis meses. — Garantiu-o. — E preciso do primor o quanto antes.


— Claro, claro. É só assinar.


Um formulário holográfico surgiu na mesa preta. Pegou a caneta e, antes de assinar, tentou se lembrar de ao menos um motivo pelo qual Baekhyun nunca fez um mísero backup em sua vida. Diferente de si, seu marido tinha a origem humilde, saiu da sarjeta decadente e cibernética de Detroyan. Cresceu no meio de ciborgues e mutantes vindos de cidades radioativas que existiam além do mar turquesa do oeste da cidade, isso o tornava diferente de todas as pessoas com quais teve contato durante toda sua vida, que nasceram como si, em berços dourados flutuantes.


Talvez seja por isso que se apaixonou tão perdidamente por Baekhyun. Ele não era mais um dos outros, ele era um entre os outros. Tinha ambição e paixão pelo que fazia e pela vida alheia. Lembrava-se ainda das noites em claro que passavam, com ele fazendo planos e mais planos de como tornariam a Nova Pangeia em um mundo mais igualitário. Sehun, apesar de achar lindo tudo o que o mais velho pensava, não conseguia acompanhar todo seu entusiasmo por aquela luta. Não havia vivenciado o mesmo que ele, então era impossível pensar a favor de pessoas que nunca teve contato.


Assinou o formulário, suspirando aliviadamente quando o mesmo dissipou-se na mesa eletrônica. Estava feito o contrato que duraria uma vida, e por quanto a vida durasse.



[...]



Vinte e quatro horas depois, Sehun foi chamado para voltar ao prédio da Life Corp. Não imaginou que a produção de seu primor seria tão rápida, na verdade, queria que ao menos durasse mais que setenta e duas horas para que pudesse se acostumar com a novidade. Sentia um misto de receio e medo do que viria a seguir. Perguntava-se se o que fez foi certo, se Baekhyun ficaria bravo consigo se estivesse ainda vivo. Não o teria feito se a solidão, que rastejou velozmente em direção ao seu coração ao longo dos meses, não o tivesse deixado totalmente desestabilizado. Não conseguiria mais viver em um mundo onde Byun Baekhyun não estivesse ao seu lado.


Esperava em pé no escritório do doutor Caesar, inquieto demais para sentar-se. O sapato social batia contra o assoalho brilhante incessantemente, mais pelo nervosismo do que pela falta de paciência. Quase era visível o quanto estava tremendo de medo daquele primor, o que era deveras patético. Ele seria uma cópia fiel de seu marido, de seu querido Baekhyun. Deveria estar ansioso, corroendo-se de euforia e felicidade. O efeito contrário o acometia e o deixava extremamente deprimido.


Estremeceu quando se deu conta de que Caesar caminhava até si com um de seus funcionários, um cientista, empurrando uma maca hospitalar coberta por um lençol branco. A sensação de que algo ruim aconteceria alastrou-se do estômago para todo o corpo, sentiu as vias aéreas serem limitadas, o pânico lhe visitava novamente.


— Grande dia! — O doutor diz. O som de sua voz ecoava, acompanhada dos zumbidos que Sehun escutava com mais frequência do que gostaria. Ficou desnorteado por poucos segundos, mas tratou de se recuperar. Teria que ser mais forte do que estava acostumado. — Faça as honras, senhor Oh.


Caesar lhe passou um mini painel de vidro. Uma foto holográfica junto com o nome de Baekhyun brilhavam. Abaixo, um botão que só tinha a função de ligar. Retirou o lençol de cima da maca tentando ser o mais firme que podia, mas fraquejou em deixar os olhos marejarem diante da visão de Baekhyun, uma visão tão lúcida quanto sua memória podia lhe recordar. Parecia estar dormindo em um sono profundo, o peito subia e descia, assim como era esperado de qualquer ser humano. Aquela função deveria ter sido ligada na sala de Check Out, para que não fosse tão estranho reencontrar com um cadáver preservado da pessoa que amava. Vendo ele assim, o dia do acidente espacial parecia ter sido apenas um pesadelo distante.


Aproximou-se e deixou com que a ponta dos dedos encostasse em sua face. A veracidade daquele primor, tão macio e quente quanto qualquer outro ser vivo, paralisava-o de tantos receios que bombardeavam a mente sem aviso prévio. Finalmente, após aquele ano torturante de solidão e desespero, estava olhando para a única pessoa que conseguia alegrar seus dias. Finalmente poderia se acomodar pelo resto da vida, sem nenhuma preocupação que não fosse ser feliz. Deveria estar aliviado, reconfortado, mas por que sentia que estava sendo egoísta e infantil?


Engoliu em seco, deslizando o dedo do botão de ativação até fora da tela, em direção à Baekhyun. Não deixaria aqueles pensamentos bobos mudarem sua ideia e podarem suas vontades.


O primor respirou fundo, piscando brevemente. Sehun acho que em seguida ele abriria os olhos, contudo, como se tratava de Byun Baekhyun, ele apenas ajeitou-se na maca e voltou a dormir como se nada tivesse acontecido. Não pôde evitar a risada enquanto era preenchido pela sensação de alívio. Era ele.


— Baekhyun? — Chamou, tentado a lhe empurrar, o que faria sem sombra de dúvidas se não estivesse ainda em frente ao doutor Caesar. — Baek?


O segundo chamado pareceu surtir efeito. Baekhyun abriu os olhos, encarando brevemente cada um dos indivíduos naquele recinto. As sobrancelhas franziram e logo depois, levantou-se rapidamente, afastando-se da maca e tentando a todo custo não deixar ninguém se aproximar.


— Que porra é essa? — Perguntou assustado, ficando de pé e caminhando em passos curtos para trás enquanto o cientista que acompanhava Caesar tentava se aproximar. De acordo com o que havia se informado sobre primors, Baekhyun deveria ter reconhecido ao menos Sehun, entretanto, o modo como aqueles olhos prateados o encararam, não tinha sombra de dúvidas de que havia algo de errado por ali.


— Baekhyun, acalme-se. — O cientista parou de andar para tentar lhe passar alguma ideia de segurança. Esperava que o mesmo também parasse, mas ele apenas parou quando as costas foram de encontro com a parede. — Nós acabamos de ativá-lo, não precisa ficar assustado caso algumas ações que faça no momento pareçam estranhas, isso é completamente comum.


— Ativar? — Perguntou incrédulo, voltando a olhar para Sehun. — Me diz que isso é uma piada, uma puta duma brincadeira sem graça.


Não sabia como reagir diante de tal situação. Baekhyun nunca havia demonstrado ter algum tipo de aversão por proxys, então não compreendia porque o primor estava tão indignado. Talvez sua consciência, construída a partir de algumas das opiniões que tinha sobre backup’s e as demais tecnologias do século atual tenham desencadeado esse comportamento incomum. Seu marido tinha declarações questionáveis sobre a oposição de Nova Pangeia, havia se envolvido em diversos escândalos por conta disso e era odiado por muitos empresários, mas também adorado por muitos de áreas marginalizadas como Detroyan. Não deveria estar tão surpreso.


— Senhor Oh, claramente algo está errado. — O cientista fala constrangido, provavelmente por achar que seria advertido. — Minhas sinceras desculpas. Nós levaremos ele até o centro de recuperação e em um instante tudo estará resolvido.


— Você não vai me levar pra lugar nenhum! — Gritou furioso, vasculhando o local rapidamente com seus olhos metálicos tentando achar alguma saída visível. Mal deu alguns passos e já pode escutar Doutor Caesar chamando os seguranças da corporação pelo seu ponto eletrônico.


— Não precisam se preocupar. — Sehun enfim se pronunciou, ainda confuso sobre que medida teria que tomar sob tal circunstância. Não queria deixar que levassem Baekhyun para o tal Centro de Recuperação, pois sabia que ele seria lobotomizado e então não seria mais a pessoa que lembrava de ter conhecido na Odisseia dois anos atrás. Se o levasse, do jeito que estava, seria responsável por todas suas ações, visto que teria concordado com todos os “erros” de sua criação. Era uma decisão difícil, mas que deveria ser feita. — Nós iremos para casa, nada de centro de recuperação. — Disse para o primor, que mesmo sendo tranquilizado por suas palavras, não abaixou a guarda e nem mesmo aproximou-se.


Naquele dia, em que a previsão do tempo mostrava raios de sol rosados para o fim da tarde, caíra a chuva mais ácida do ano, com a porcentagem de acidez chegando em  cinquenta e nove. Aquele pequeno dilúvio que esquentava o chão de concreto de Centerville e deteriorava o mais precário dos estabelecimentos era tão improvável quanto às chances que tinha de sair de Life Corp com um primor com desvio de caráter, como assim Doutor Caesar havia definido. Assinou diversos formulários que colocavam em si todas as responsabilidades que Baekhyun o traria, cada uma de suas ações de moral questionável e que talvez pudesse lhe dar problemas com a justiça.


Qualquer um diria que estava louco. Era tão jovem e rico, tinha uma herança que duraria gerações em sua família, tinha um sobrenome de peso e uma companhia espacial inteira sob sua direção. Poderia casar-se novamente, de preferência com alguém que não tivesse as origens tão sujas e os pensamentos tão profanos. Mas Sehun sabia que nem todo o dinheiro do mundo, nem todas as regalias e privilégios que tinha, comprariam um amor verdadeiro como o que tinha com Byun Baekhyun. Vê-lo ali novamente, sentado no banco do carona com os pés descalços encostados no vidro do carro era como um sonho do qual nunca se permitiria acordar. Os olhos prateados ainda lhe passavam insegurança e desconfiança, entretanto, nem mesmo isso o importava. Ele suportaria o que tivesse que suportar para poder vê-lo vivo novamente.

3 de Novembro de 2018 às 22:46 2 Denunciar Insira 3
Leia o próximo capítulo Três porcento.

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Yume -ni Yume -ni
Ai meu coração! Ta doendo tudo já.
6 de Novembro de 2018 às 13:06

~

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