A morte mostra sua face Seguir história

nathymaki Nathy Maki

Dizem que o sobrenatural é uma explicação que as mentes fracas encontram para o que não conseguem processar. Ou melhor, é o que Sherlock diz. E o caso a seguir com certeza colocou a prova sua tão assídua afirmação de tal modo que ele mesmo duvidou da própria capacidade mental.


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Para maiores de 18 apenas.

#crossover #paranormal #horror #suspense #séries #supernatural #sobrenatural #sherlock #hallowink
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Investigação na estação abandonada

Notas iniciais: Fanfic feita para o Desafio de Halloween do Grupo Inkspired Brasil com base na imagem abaixo. Créditos da fotografia a Léonard Misonne. Então esta é minha segunda tentativa de um crossover, dessa vez sem teor romântico. Espero que me saia bem! O blog do Dr. John Watson mencionado na série Sherlock existe e pode ser encontrado neste link. Tentei fazer algo parecido, mas achei o original muito sucinto e acabei dando uma incrementada no modo de narrar os fatos, fica a dica Dr. Watson ;3. Boa leitura!

 


***___***

Dizem que o sobrenatural é uma explicação que as mentes fracas encontram para o que não conseguem processar. Ou melhor, é o que Sherlock diz. E o caso a seguir com certeza colocou a prova sua tão assídua afirmação de tal modo que ele mesmo duvidou da própria capacidade mental. Por motivos de proteção a identidade, todos os nomes utilizados nesta narrativa para este blog, excerto o meu e o de Sherlock – óbvio – foram alterados.

Era uma noite comum, ao menos tão comum quanto se pode desejar naquele ramo, quando Sherlock largou o violino que tocava com concentração e seus olhos adquiriram aquele brilho predatório de quando recebia um caso para resolver.

— Meu caro John, prepare-se, o próximo cliente chegará em poucos minutos.

Levantei os olhos do jornal que folheava sem muito interesse e suspirei, já acostumado aquelas variações constantes em seu comportamento.

— Imagino que não vá me dizer como sabe disso.

— Ora, John. Você deveria se esforçar mais, retirar todas as respostas de mim pode não fazer bem para o seu cérebro. E não me olhe assim, sabe que é verdade. Mas se deseja realmente saber, recebi esta carta há alguns dias e o táxi parado a porta indica que o remetente acaba de chegar.

Peguei o papel que ele me estendia e corri os olhos pelo curto pedido de ajuda que a carta continha.

— Isso veio dos Estados Unidos. – Comentei ao fitar o sinete oficial no verso do envelope. — Mycroft sabe disso?

— Sim e sim. Tenho certeza que nada escapa dos olhos e ouvidos dele, mas o que me importa? É um caso verdadeiramente interessante! Cinco mortes envolvendo circunstancias inexplicáveis, todas girando em torno de uma grande construção.

— Como...?

— Eu acompanho os jornais internacionais, você não?

— Sherlock, querido, há um engravatado aqui querendo subir. Devo pegar o porrete?

— Não será necessário, Sra. Hudson. Pode deixá-lo subir.

E mal ela se retirou quando um homem alto e forte, em um terno negro e bem ajustado entrou. Dedicou um aceno aos presentes e parou com uma postura exemplar.

— Pronto para partir, Sr. Holmes.

— Claro, claro. Suponho que o seu chefe seja um homem muito ocupado e não vá nos dar a honra de sua presença. Bom, não percamos mais tempo, vamos lá, John. – Ele se ergueu, passou o casaco pelos ombros e o lenço pelo pescoço e tratou de seguir o segurança. Peguei o meu casaco e desci em seguida a passos apressados.

— Para onde estamos indo? – Perguntei ao entrar no carro.

— Para a América.

— Ah, claro, para a Amé.... o quê? América?

— Por que a surpresa, John? Pensei que fosse óbvio. Aquele papel de carta e a marca d’água são de uma empresa exclusiva dos EUA e o fato do remetente não ter vindo me encontrar pessoalmente e sim enviar um segurança indica que ele deseja me ver, mas não pode se ausentar do trabalho para tal. Logo, nós iremos encontra-lo. Mais especificamente em Washington DC, Indústrias de Construção e Aplicação Harrington. Estou errado?

O segurança nos fitou brevemente através do retrovisor e então negou.

— Correto, Senhor.

— Então, acomode-se bem, John. A viagem vai demorar algumas horas.

Esse era o Sherlock que eu conhecia, astuto, dedutor sagaz, mas inconveniente e sem ligar para a importância das regras e bons costumes. Desse modo, seis horas de voo depois, nos encontrávamos na frente de um imponente escritório tão alto que passava a impressão de tocar as nuvens. Fomos guiados até o trigésimo andar e esperamos em uma sala branca com um grande par de janelas que se abriam para uma sacada.

A decoração era moderna e os tapetes pareciam ser caros, mas, fora isso, eu não tinha o instinto afiado do meu parceiro para imaginar algo além disso. A porta se abriu e por ela passou um homem careca de aparência afável e grande bigode. O terno azul-marinho era bem cortado e o relógio de ouro brilhava em seu pulso.

— O famoso Sherlock Holmes. Que grande honra é para mim conhecer uma das mentes mais brilhantes do mundo.

— Klaus Harrington. Não estou aqui para receber elogios vazios. Vejo que desconfia da minha capacidade e por isso só estou aqui agora, depois que sexta morte aconteceu.

— Sexta? Perdão, mas só foram noticiadas cinco mortes. Com certeza cometeu um engano. – Eu mesmo podia dizer que ele parecia nervoso, o suor na testa e a constante ação de enxuga-la com um lenço monografado era um forte indicativo.

— Os vestígios de carvão na sua manga direita e os restos de brita presos na sola de seu sapato são característicos dos utilizados para selar o solo em linhas férreas, sem falar que ele estava lustrado no início do dia, mas perdeu boa parte do brilho que foi substituído por uma camada de poeira escura típica dos locais que possuem uma linha férrea. O tempo está nublado e o dia frio, mas a cor avermelhada em seu pescoço sugere que passou por uma situação de grande estresse o que poderia significar um negócio malsucedido ou um atraso em uma das obras, mas como eu estou aqui suponho que houve uma nova more ainda não noticiada. Então, agora podemos ver o corpo?

Minha vontade de rir diante a cara espantada que Klaus Harrington fazia precisou ser contida. Era sempre interessante observar as reações que as deduções precisas de Sherlock causavam nas demais pessoas.

— Não ligue para isso, ele é sempre assim. – Tentei retomar as rédeas da situação.

— Obrigado, John. Agora conte-me sobre os incidentes.

Klaus sentou-se à nossa frente e respirou fundo para se concentrar.

— Começaram há cerca de um mês. A antiga estação férrea foi declarada um espaço livre para demolição e eu não pude deixar essa oportunidade passar. Comprei-a e, na mesma semana, levei uma equipe para avaliar os materiais necessários para a construção de um grande shopping center no lugar. Quando saí, tudo parecia estar nos conformes. Então no meio da noite, recebo uma ligação dizendo que um corpo havia sido encontrado nos trilhos, era um dos operadores das máquinas de demolição. A análise indicava que havia sido atropelado por uma locomotiva, mas isso não era possível, todas as locomotivas já haviam sido retiradas e não haviam vestígios de que os trilhos haviam sido usados.

— Alguma testemunha que tenha visto essa locomotiva? – Sherlock perguntou, os olhos fechados e as pontas dos dedos se tocando, imerso em seus pensamentos.

— Nenhuma em que se possa dar crédito. Tudo que temos são relatos de bêbados e de moradores sem teto e nenhum de confiança.

— Prossiga.

— Bem, no dia seguinte fui até a estação assegurar que estava tudo bem e que havia sido um acidente isolado. Pedi aos trabalhadores que continuassem com a rotina normal. Mas dois dias se passaram e mais uma vez um corpo foi achado, em uma linha adjacente alguns quilômetros adiante, mas sob as mesmas circunstâncias. E continuou assim, os corpos sendo encontrados em diferentes rotas que o trem quando em funcionamento percorria, conforme os meses avançavam. Até o de hoje.

— Não podem todos eles terem se suicidado? – Perguntei.

— Eles não tinham a motivação. Além disso reproduziar as mesmas circunstâncias? Não. Isso não condiz com o perfil de um trabalhador. A primeira morte deveria ter causado medo e pânico em massa, não o desejo por ter o mesmo destino.

— Mas se ninguém viu a tal locomotiva, então como eles morreram?

— Exatamente, John, como? – Seus olhos se abriram e ele lançou um olhar penetrante ao Senhor Harrington.

— Preciso ver o local.

— Certamente. William o acompanhará até lá. – Sherlock sequer agradeceu e pôs-se imediatamente de pé, pronto para sair. — E Senhor Holmes, eu peço que resolva isso, a imagem da minha empresa está por um fio, não precisamos de mais publicidade negativa neste momento. Claro que será bem recompensado em caso positivo.

— Não estou atrás do seu dinheiro. – Recusou como eu sabia que faria. Para ele não se tratava de dinheiro ou fama, e sim sobre a emoção de estar em campo. Todos aqueles acontecimentos eram um jogo, e ele o grande maestro que o desvendaria e colocaria os fatos nos lugares, vendo então de cima o quebra-cabeças formado. — Vamos, John, temos um corpo para ver.

— Até mais. – Me despedi e o segui de volta para o carro.

A estação não estava deserta como eu esperava, pelo contrário, ainda haviam trabalhadores desempenhando suas funções mesmo que, naquele lugar, já houvessem ocorrido seis mortes. Era triste pensar que se eles estavam ali era pela necessidade, por serem o único sustento de suas famílias. O local do acidente estava isolado com fitas amarelas e uma equipe estava no local, tirando fotos e coletando evidências.

O ambiente, caso eu fosse descrevê-lo, era cinzento. Tanto o prédio da estação quanto os trilhos e o chão nos arredores tinham uma cor desbotada e morta. Os postes férreos de transporte e sinalização se espalhavam, alguns já tombados pelo serviço de demolição.

Sherlock ignorou a equipe e se adiantou para o corpo, já colocando as luvas que sempre carregava no casaco para essas ocasiões. O segurança sinalizou para os peritos, indicando que ele tinha autorização para estar ali. Acompanhei-o e o observei se abaixar contra o corpo e puxar a lupa do bolso interno, passando-a pelas roupas e pele expostas, colhendo detalhes. Pelo que podia observar, o homem era gordo e bronzeado, os cabelos cacheados estavam manchados de sangue, a parte inferior fora totalmente esmagada e o crânio rachara provavelmente por conta da batida. Os segundos decorreram em silêncio, todos aguardando o próximo movimento. Enquanto ele analisava, voltei-me para os outros trabalhadores e os interroguei, quem sabe alguns deles teria notado um comportamento anormal na vítima. Abruptamente, ele se levantou e passou a caminhar de um lado para o outro, murmurando para si mesmo. Voltei para o seu lado.

— Então, Sherlock, o que conseguiu? – Indaguei ao ver seu andar agoniado, nunca o havia visto agir assim em nenhum dos demais casos.

— Nada, John! Não tem absolutamente nada que possa usar. Ele era um alcoólatra e fumava ao menos dois maços por dia, tinha o hábito de roer as unhas e um caso grave de eczema. Divorciado, ainda pensava nos filhos pois carregava a foto deles no bolso interno do macacão. – As mãos correram pelo cabelo de forma impaciente. — Mas nada disso me ajuda. Ele era insignificante o bastante, não podia ter um inimigo poderoso e com esse nível de astúcia, sem falar no mesmo modus operandi entre as mortes. Não há pegadas, rastros de substâncias comburentes nos trilhos, nem mesmo deformações. A não ser que uma locomotiva intransigível tenha passado, eu concluiria que nada percorreu esses trilhos há pelo menos dois anos! Mas isso não é possível, a morte certamente ocorreu aqui, alguém não conseguiria fingir um acidente em outro lugar com uma locomotiva ainda em andamento e arrastar o corpo até aqui e remontá-lo de forma tão perfeita.

— Eu andei conversando com os outros funcionários e tem um boato de uma lenda urbana envolvendo essa localidade circulando bem forte entre as elas. Muitas delas até pediram demissão por isso.

— Não seja ridículo, John. Fantasmas são apenas um produto de uma mente fantasiosa e irracional. Se alguma prova de um fosse apresentada eu comeria meu chapéu! – Sua expressão séria me impedia de rir de tal declaração absurda. Mas nada me impediria de cobrar essa promessa quando a hora chegasse. — Não, eu preciso pensar, preciso de espaço para entrar no meu palácio mental. Deve existir algo que não estou vendo.

— Sherlock, espere! – Mas ele já se afastava com determinação.

— O jogo já começou, John, e eu sairei vitorioso!

3 de Novembro de 2018 às 21:23 1 Denunciar Insira 2
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Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Olá, tudo bem? Nos conte com foi participar do desafio, se divertiu muito? Bom se está a nos perguntar, lemos várias coisas divertidas, confessamos que ter um crossover como esse de peso foi lindo. Ainda mais se tratando de falas ao longo da narrativa tão canon que parece mesmo que houve esse episódio. E essa história que casou direitinho com a imagem do desafio. A história teve vários pontos tanto de arrepiar todos os pelos do corpo, como quando a garotinha apareceu pela primeira vez, ou quando Sherlock se deparou com o maquinista. E também ótimas cenas e frases icônicas que além de amenizar toda a tensão, vivida por este quarteto tão incomum, ainda deixou tudo mais divertido e a história interessante daquelas que se lê tudo de uma vez até o final sem notar. Em quesito ortografia está okay e a leitura flui de forma gostosa. Apenas tem algumas palavras ao longo da leitura erradas, são erros pequenos, como parte está escrito pátria, sabe? Nada que interfira a leitura, porém como são algumas aconselhamos a revisar o texto. O enredo fora bastante coerente com o proposto pelo desafio e muito bem trabalhado e original. Parabéns! 😘💚
27 de Dezembro de 2018 às 18:51
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