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sakuu-chan Sakuu-chan Oficial

“E se…” Duas palavras que poderiam ser insignificantes para qualquer pessoa, menos para ela. Como duas palavras eram capazes de deixá-la naquele estado? Sakura jamais pensou que duas únicas palavras seriam capazes de bagunçar sua vida, ainda mais quando essas palavras saíram da boca da pessoa mais improvável de toda a escola, Uchiha Sasuke, melhor amigo de seu meio-irmão. Mas… “E se…” eles tivessem sido feitos um para o outro?


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.
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Capítulo Único

Capítulo Único

*


-“E se eu gostasse de você, Sakura?” – As palavras saíram da boca fina e levemente rosada de forma descontraída, já que após tais palavras, ele sorriu com aquele maldito sorriso de canto e com as covinhas evidentes.

— Oh meu Deus! – Choramingou espalmando as mãos nas paredes do boxe do banheiro. Sua cabeça rodava e suas pernas tremiam. O que tinha acontecido naquela mesa há poucos minutos? – Oh meu Deus.

Os clamores em suas palavras soaram mais alto ainda. Ela não estava preparada para aquilo e, acreditava que jamais estaria um dia. Quando Sasuke a chamou para lancharem, ela jamais pensou na possibilidade de ouvir tais palavras saindo da boca do Uchiha. Era surreal.

— Você está bem? – Alguém bateu à porta trancada a sua frente, só ai ela percebeu que estava gemendo.

— C-claro… – Sua voz saiu tremida, até porque, naquele momento tudo em seu corpo tremia.

— Tem certeza? – A pessoa continuou insistindo e aquilo já estava começando a tirá-la do sério, já que não era conhecida por ser uma pessoa muito paciente.

— Sim! - Respirou fundo e fechou os olhos lembrando-se do início daquele dia, ou melhor, daquele mês.

Flash Back

Um mês antes…

Ver o treino de futebol de Naruto, seu meio-irmão, não era uma de suas atividades favoritas. Mas, era o que tinha para aquele dia, já que sua bicicleta tinha furado os dois pneus e ela estava tendo que vir com ele para a escola. Mordeu o lápis e encarou o loiro que corria atrás da bola enquanto seus colegas de time o faziam de bobo, tocando a bola uma para o outro, sem deixá-lo tocá-la.

Ela e Naruto eram tão diferentes, apesar de não serem irmãos de sangue, se consideravam, e ao mesmo tempo que eram tão parecidos. Foi um choque para ambos quando seus pais decidiram ficar juntos, mas tinha que confessar que ao ver sua mãe sorrir novamente depois da morte de seu pai, tinha sido uma coisa boa. Naruto era a cara de Minato, os olhos azuis e os cabelos loiros eram quase idênticos, a única coisa que os diferenciava era o sorriso mais aberto de Naruto e a lerdeza do mesmo.

Já ela, bem, apesar de não achar, tinha muito em comum com sua mãe, Kushina, a única coisa que as diferenciava mesmo era a cor dos olhos, que ela havia puxado ao seu falecido pai, enquanto os olhos de sua mãe era um azul mais escuro, os seus eram um verde-esmeralda, e os cabelos, que os de sua mãe eram ruivos e os seus, mais desbotados, segundo Ino, água de salsicha, por esse motivo, ela os tingia de rosado pastel.

Seu irmão Naruto era do tipo de cara que atraia a atenção para si, não só pela beleza, mas por sua mania de ser barulhento, isso de certa forma a incomodava, pois ela preferia passar despercebida pelos lugares, mas segundo Naruto, era impossível com aqueles cabelos rosados.

Enquanto o loiro gostava de esportes, ela gostava de desenhar e ficar quieta, vez ou outra era obrigada a fazer alguma atividade física por causa das apostas estúpidas que tinha com o meio-irmão, mas nada que a matasse.

O sorriso contagiante de Naruto atraiu sua atenção, mas por mais que quisesse olhá-lo, a pessoa ao seu lado atraiu bem mais sua atenção. Ele era Uchiha Sasuke, melhor amigo de seu irmão, capitão do time e, consequentemente, o garoto mais bonito de toda a escola.

Sasuke era bonito, tinha um sorriso bonito, era legal com as pessoas, um ótimo jogador de futebol e muito mais, mas Sakura sabia que ele era do tipo inalcançável e ela não vivia nenhum clichê adolescente para criar esperanças, apesar de achá-lo isso tudo e um pouco mais, Sakura era modesta no seu tipo de garoto, e Sasuke não se encaixava nesses padrões, ele era alto demais e seu padrão baixo demais.

Suspirou e voltou a desenhar no caderno em seu colo. Ela não era do tipo de garota que sonhava e não seria agora que começaria a fazer tal coisa.

— Sakura! – O grito estridente de seu irmão ao seu lado a fez pular no lugar de susto. Quando ele havia chegado ali? – Eu vou tomar uma chuveirada e já vamos, beleza?

Apenas confirmou com a cabeça, mas ela nem ao menos havia raciocinado o que ele tinha falado, de tão aérea que estava. Ela estava concentrada em seu desenho que nem viu a hora passar e muito menos o treino acabar.

— Belo desenho. – A voz de Sasuke atraiu sua atenção, foi quando percebeu que ele estava nas suas costas, antes dele sair no encalço de Naruto.

Seus olhos desceram para o caderno e se espantou com o desenho ali, ela havia desenhado Sasuke sorrindo, com as covinhas, que por mais que fosse difícil de admitir, eram lindas.

Vinte e Sete dias antes…

Três dias… Três longos dias fugindo de Sasuke desde que ele viu seu desenho involuntário, ela tinha que confessar que se tornou uma tarefa bem difícil, já que além de ir e voltar com Naruto para casa, ele parecia procurá-la por todos os lugares, já que onde ela estava ele aparecia e tentava se aproximar. Mas agora, para sua sorte, sua bicicleta estava pronta, ela não precisaria mais ir e voltar com Naruto e nem esperá-lo durante seus treinos.

Fechou os olhos e pegou o livro e o caderno para a aula que começaria em poucos minutos, aquele dia estava extremamente quente em sua opinião, ou seria por causa do exercício para vir à escola? Não sabia, só sabia que se sentia sufocada.

Pegou a garrafinha de água e foi em direção ao bebedouro após colocar a mochila nas costas, começou a enchê-la e focou-se naquilo.

— Olá, Sakura! – A voz ao pé de seu ouvido a fez pular e derrubar a garrafinha, que virou e, consequentemente, molhou sua roupa.

— Mas que por… – Até tentou terminar a frase, mas quando se virou para xingar o infeliz que a havia feito fazer aquilo o choque não deixou. Da mesma rapidez que o choque veio, ele foi embora. – O que você quer?

A pergunta foi direta e firme, por mais que sua vontade naquele momento era sair correndo dali para tentar se secar e evitar que alguém os visse junto, até porque, ela não gostava de chamar atenção e preferia continuar assim, sem falar que Sasuke estava nas suas costas, com o corpo quase colado ao seu e isso estava começando a deixá-la nervosa.

— Você não gosta muito de mim, não é? – A voz de Sasuke pareceu um pouco triste, mas Sakura conhecia a fama dele com as garotas, fazia-se de pobre coitado para as “trouxas” caírem em sua lábia, mas ela não cairia, não mesmo.

— Mais uma vez, o que você quer? – A pergunta manteve-se firme e ela voltou ao seu trabalho inicial, de antes de ser atrapalhada.

Sasuke riu a suas costas e ela pode senti-lo se afastar, fazendo com que ela soltasse a respiração presa. Ela havia prendido a respiração em que momento? Balançou a cabeça e voltou ao seu foco na garrafa que enchia lentamente, para seu desespero.

— Eu quero aquele desenho… – Sasuke falou encostando-se a parede ao seu lado, lhe encarando ainda com um sorriso no rosto. Será que ele tinha consciência da beleza que tinha? Acreditava que não. – Ou melhor, eu pago por ele.

Ela demorou um pouco para voltar à realidade, porque ficar encarando Sasuke deixava qualquer garota desnorteada, e recordar-se de qual desenho ele falava, foi quando se lembrou do dia do treino de Naruto, onde ela inconscientemente desenhou o rosto do Uchiha, era difícil admitir, mas naquela noite e na seguinte, ela dormiu encarando aquele maldito desenho, pensando se rasgava e jogava fora ou não.

— Impossível. – Respondeu quando finalmente viu que sua garrafinha tinha enchido, deu as costas a Sasuke e foi em direção a sua sala.

— Qual é Sakura, é só um desenho, eu pago. – Sasuke falou puxando-a pelo braço, fazendo-a lhe olhar dos pés a cabeça, ele com medo, soltou seu braço imediatamente. – Só falar o preço.

— Impossível porque eu joguei fora. – Falou duma vez, enquanto voltava a tomar seu rumo inicial, rezando silenciosamente para que Sasuke não a seguisse novamente.

— Por quê? Era um ótimo desenho… – E suas preces haviam sido ignoradas, lá estava ele seguindo-a mais uma vez, desde quando ele era tão falante? – Quer dizer… Você desenha bem para caramba.

O elogio a fez parar e ele, que a seguia quase colado, quase trombar contra seu corpo, virou-se e o viu recuar um passo e esconder uma mão no bolso da calça enquanto o outro coçava a nuca enquanto olhava ao redor e seu rosto levemente vermelho.

— Hum… Obrigada. – Sakura respondeu comprimindo os lábios enquanto sentia o rosto começar a esquentar.

Não pensou duas vezes antes de voltar a caminhar, só que desta vez em passos mais rápidos e esperava que dessa vez ele não a seguisse, porque ela não estava preparada para encará-lo no momento. Todos da escola e seus poucos amigos sabiam que ela desenhava e muito bem, mas de todos os elogios, aquele havia sido o único que tinha mexido com ela.

Entrou na sala, ainda vazia, e foi direto para sua cadeira, sentando-se e respirando fundo, precisava colocar a cabeça no lugar. Mordeu o lábio inferior e pegou o caderno dentro da mochila e o abriu. Ela deveria rasgar e jogar fora aquele desenho, mas porque ela não conseguia? Ou porque ela simplesmente não deu a ele?

Não soube quanto tempo ficou admirando aquele desenho, mas saiu do transe quando o sinal tocou e os alunos começaram a entrar na sala. Respirou fundo e fechou o caderno guardando-o novamente na mochila, quando levantou a cabeça, lá estava ele, parado na porta ao lado de Naruto, lhe encarando. Pelo jeito aquele dia seria longo.

*

Sentia-se vigiada, mas não tinha coragem para olhar para trás e encontrar um par de olhos negros lhe encarando, por isso, mantinha-se tensa em seu lugar. Respirou fundo rodou a lapiseira no dedo, tentando voltar sua atenção para o professor e não a pessoa que a encarava a suas costas.

Sentiu um cutucão nas costas e foi impossível não revirar os olhos enquanto colocava a mão debaixo do braço e recebia o papel dobrado, de forma mais discreta possível abriu e revirou os olhos novamente ao ler as palavras escritas:

O que o Sasuke queria?”

Do que você está falando?”. – Questionou devolvendo o papel discretamente a Yamanaka a suas costas.

Você e Sasuke no bebedouro antes das aulas iniciarem.”. Se antes ela já sentia vontade de socar a melhor amiga, agora então, nem se fale.

Não era nada, ele só é um imbecil, assim como todos os outros!”. Respondeu louca para encerrar aquele assunto, antes que pudesse dar aquele assunto por encerrado, à pessoa que havia pegado o papel não havia sido Ino, para seu desespero.

— Ora, ora, o que temos aqui? – Oh merda! Esperava que o professor não inventasse de ler em voz alta. – Que tal compartilharmos a conversa das duas com a turma, hein?

Porra! A vontade de gritar isso veio com tudo, mas sabia que não podia, então a cada palavra proferida por seu professor, a única coisa que ela sabia fazer era se afundar na cadeira e tampar o rosto com as mãos enquanto todos riam de sua desgraça. Ok, agora tinha certeza, seu dia tinha começado ruim e terminaria péssimo, e devia tudo isso a Ino e a Sasuke.

Se a aula estava se arrastando antes, após aquele momento, ela estava mais lenta que uma lesma, quando o sinal tocou avisando que finalmente havia chegado ao fim sua tortura, ou era isso que ela achava, todos saíram, mas ela ficou ali, sentada, sentindo a mediocridade tomar conta de seu corpo magro, jogou a cabeça sobre a mesa e choramingou. Alguém parou na sua frente e só de olhar para o tênis, ela já sabia quem era.

— Então me acham um imbecil? – A voz dele era leve e até mesmo, brincalhona, mas ela não tinha coragem de encará-lo, não naquele momento. – E se eu não fosse o imbecil que você acha que sou? E se eu te mostrasse isso, você mudaria de ideia?

Levantou a cabeça rapidamente, surpresa com as palavras do Uchiha, foi quando viu aquele sorriso novamente, fazendo suas pernas ficarem bambas sem motivo. Antes mesmo que ela pudesse falar algo, Naruto o chamou e ele foi, deixando-a ali, sem saber o que aquelas palavras significavam.

Quinze dias antes…

Era estranho esbarrar em Sasuke e ele sorrir como se fossem amigos, mais estranho ainda era ele passar a não tentar se aproximar. Mordeu o canto da boca enquanto escolhia o que comer, talvez escolhesse um peixe ou um frango empanado? Ou costelinha?

— Já escolheu? – A voz de Sasuke ao seu lado a fez pular de susto.

— Quer me matar de susto? – Sakura perguntou colocando a mão no coração e suspirando, Sasuke tinha que parar com aquela mania de aparecer silenciosamente ao seu lado, senão a mataria de susto a qualquer momento.

— Te matar seria a última coisa que eu quero. – Ele respondeu dando mais um sorriso, que ela teve que desviar o olhar, senão babaria, com certeza. – Vai comer o que?

— Estou em dúvida, mas acho que vou de frango. – Foi sincera e pela primeira vez, ela percebeu que não se sentia desconfortável ao lado do Uchiha e isso era interessante.

Fizeram os pedidos praticamente juntos, enquanto ela pediu frango, ele pediu peixe e, antes que ela pudesse pegar sua bandeja, o Uchiha a pegou, fazendo-a olhar interrogativa.

— O que está fazendo? – Perguntou enquanto via as pessoas prestarem atenção neles e começar a cochichar.

— Onde você quer sentar? – Ele pareceu ignorar totalmente sua pergunta enquanto olhava ao redor procurando um local para se sentar. – Achei uma mesa, vem.

Não teve tempo de retrucar, a sua única alternativa foi seguir o Uchiha que ia para uma mesa próxima a uma grande vidraça. Ela sentia todos os olhares sendo direcionado a eles, incluindo o de Ino, que estava confusa, assim como ela, sobre o que estava acontecendo ali.

— O que você pensa que está fazendo, Sasuke? – Perguntou assim que finalmente sentaram-se, um de frente para o outro.

— Te mostrando que eu não sou um imbecil. – Sasuke respondeu dando os ombros enquanto pegava o hashi e beliscava a comida.

— E precisava fazer isso no meio do refeitório? – Ela perguntou dando um sorriso forçado, sentindo um pequeno desconforto, porque sabia que todos os olhavam.

— Desculpa, eu sei que você não gosta muito de atenção, mas é o único momento que eu posso fazer isso. – As palavras sinceras de Sasuke a pegaram desprevenida, o encarou e piscou os olhos incrédula, agora não sabia se era por ele saber que ela não gostava de atenção ou por ele querer lhe provar que não era um imbecil.

— Eu… – Até tentou falar alguma coisa, mas seu cérebro parecia não processar direito o que precisava falar sobre aquele momento.

— Só aproveita a refeição. – E lá estava ele sorrindo, mais uma vez. Se ele sorrisse mais uma vez, talvez se apaixonasse por ele.

Dez dias antes…

Depois do dia do refeitório, as coisas começaram a se tornar um pouco exaustiva para Sakura, já que aonde ela ia, as pessoas começavam a cochichar a seu respeito. Respirou fundo e tentou, mais uma vez, concentrar-se no livro que estava lendo. As provas começariam na semana seguinte e a única coisa que ela sabia era que estava ferrada, pois sua cabeça estava em um único lugar, ou melhor, em uma única pessoa, Uchiha Sasuke, que havia se tornado mais próximo do que podia imaginar.

Choramingou e deitou sobre o livro, fechando os olhos um pouco, precisava concentrar-se ou não se sairia bem nas provas.

— Oi! – A voz já era conhecida, por esse motivo, apenas virou o rosto e o encarou. – Como esta os estudos?

— Bem… – Mentiu, estavam péssimos porque o dono de seus pensamentos que não a deixava estudar estava sentado ao seu lado tomando um suco. – E os seus?

— Estão tranquilos, estou revisando toda noite, então, acho que me darei bem nessas provas. – Sentiu vontade de socá-lo, às vezes o odiava por ser tão inteligente.

Foi neste momento que ela percebeu, o que ela sentia por ele? Mordeu o canto dos lábios e apoiou o cotovelo na mesa e o rosto na mão o encarando enquanto ele tomava seu suco e olhava as pessoas a sua volta, alguns cochichavam a respeito deles estarem juntos novamente, outros cochichavam sobre a beleza dele, mas a sua concentração estava presa unicamente nele.

O rosto de Sasuke era todo assimétrico, o nariz era pequeno e fino, combinava com os lábios finos e levemente rosados, seus olhos não eram grandes e nem pequenos demais, seus cabelos lisos e ao mesmo tempo, rebeldes, ele era alto, não muito musculoso e nem muito magricela, Sasuke era um garoto bonito demais para sua idade, ela ficava imaginando como ele ficaria quando estivesse mais velho.

— O que foi? – A pergunta dele a fez cair na real, ela estava lhe encarando sem piscar e tinha certeza que havia babado por ele.

— E-Eu preciso ir. – As palavras saíram atropeladas, levantou-se num supetão recolhendo suas coisas.

Saiu tão rápido dali, que nem ao mesmo escutou quando ele lhe chamou. Como pode ser tão idiota, como pode ficar encarando-o como uma de suas “fãs” malucas? Choramingou e foi em direção ao seu armário, não estudaria mais naquele dia, queria paz e esfriar a cabeça.

Oito dias antes…

— Eu não acredito que as provas já vão começar… – Ino choramingou ao seu lado, apoiando o peso de seu corpo contra o dela. – Eu quero morrer.

— Você, pelo menos, estudou? – Perguntou revirando os olhos e passando os olhos pela última vez no caderno antes de entrar para a primeira prova.

As provas eram dívidas por horário, eles tinham os primeiros três períodos de aula normal e um intervalo para comer algo e depois prova, cada dia separado por disciplinas, naquele dia seria geografia, história e filosofia, para o desespero de Ino.

— Amiga, você sabe que diferentemente de você, meu raciocínio é mais lento, não sabe? – Sentiu vontade de rir da loira, Ino estava entre as melhores notas da escola, apesar de todos a julgarem por ser loira.

Estava prestes a retrucar a loira, quando olhou para o lado e o viu se aproximar, depois do dia na biblioteca onde ela o secou até a quinta geração, ela evitou ao máximo encontrá-lo, quando ele ia a sua casa, evitava até mesmo sair do quarto. Desespero? Talvez.

— Oi, Sakura. – Tinha que admitir, que seu nome saindo daqueles lábios com aquela voz, fazia-a estremecer. – Ino!

— Porque o meu é só “Ino”? – A Yamanaka sussurrou levando como resposta uma cotovelada de Sakura.

— Oi, estudou bastante? – Se ela pudesse se socar, ela faria neste momento, que diabos de pergunta era aquela? Mesmo com vontade de sair correndo e se matar, ela manteve-se ali, ouvindo a risadinha e os deboches de Ino.

— Para falar a verdade, eu queria falar com você. – Sasuke falou coçando a nuca enquanto lhe encarava e encarava Ino rapidamente, como se quisesse falar a sós.

— Entendi sua indireta, direta, Uchiha… – Ino falou pegando sua mochila e revirando os olhos. – Te vejo na sala, Sakura.

Ficou observando Ino ir emburrada para sala, do jeito que a Yamanaka era fofoqueira, era obvio que queria ficar ali para ouvir o que o Uchiha queria falar, e por mais difícil que fosse de admitir, ela também estava curiosa a respeito do que era. Para sua sorte, as pessoas pareciam tão preocupadas com a semana de prova, que ela e Sasuke pareciam invisíveis, e isso era ótimo.

— O que foi? – Perguntou vendo que ele continuava em silêncio, olhando para o chão.

— Eu queria saber se você quer sair, depois das provas, é claro? – A pergunta veio direta e reta, fazendo-a arregalar os olhos. Ela não estava esperando aquilo.

Piscou os olhos e tentou entender o que acontecia ali e que tipo de pedido era aquele. Sasuke era do tipo de garoto que poderia conseguir qualquer garota daquela escola, porque queria sair justamente com ela? Ela não passava de uma garota com beleza mediana, corpo mediano, notas medianas, personalidade mediana, tudo nela era mediana, a única coisa que a diferenciava das outras garotas eram os seus gostos por desenho e seu cabelo tingido de rosa.

Com certeza era uma piada entre ele e seu meio-irmão, para tirarem uma com sua cara, ainda mais porque Naruto gostava de pegar em seu pé porque ela não tinha tido um encontro, de verdade, até agora.

— Não vai dizer que é por que eu te chamei de imbecil, né? – Falou e riu após um tempo em silêncio.

— Não… Para falar a verdade, eu já queria te chamar pra sair tem um tempo. – Sasuke confessou virando o rosto, olhando para qualquer ponto, menos para ela, fazendo-a lhe encarar surpresa.

Como é que se respirava mesmo? Naquele momento ela não sabia como respirar, como andar, como falar, como nada… Será que ele lembrava que eles fariam três provas dali dez minutos?

— Olha, não precisa me responder agora, me responde depois das provas, ok?

Ela ia enfiar a mão na cara de Sasuke naquele momento, como ele fazia aquele tipo de pergunta e simplesmente saia? Ele tinha ideia do quão a prejudicaria durante as provas, já que ela não conseguiria pensar em outra coisa a não ser na proposta de encontro?

Ultimo dia de prova – Dois dias antes…

— Acabou, finalmente! – Naruto exclamou passando o braço pelo ombro de Sakura, que bebia água.

Ultimo dia de prova, finalmente. Sossego, paz e tranquilidade, pelo menos ate segunda-feira, quando saia o resultado das provas. Seu corpo estava tenso, sua cabeça doía e a única coisa que ela queria era sua cama.

— Que tal irmos tomar um sorvete? – Ino sugeriu, até seria uma boa, pois o dia estava exaustivamente quente.

— Beleza, então eu vou avisar ao Sasuke para encontrar a gente na sorveteria. – Quando Naruto falou aquele nome e ela sentiu seu corpo, que já estava tenso antes, tencionar mais ainda.

Ela tinha passado a semana inteira com as palavras dele em sua cabeça, não tinha chegado a uma decisão, uma hora queria aceitar, noutra hora queria desistir e fugir, mas sabia que não podia. Ela nunca foi covarde, porque seria agora? Era só um encontro… Com o melhor amigo de seu meio-irmão, o que poderia dar errado?

*

Ver seus amigos juntos a Naruto e seus amigos de time era uma coisa bem surreal, até porque, os grupos não se misturavam, sorriu e gostou daquilo, era uma confraternização diferente e o clima entre eles era gostoso. Olhava o rosto de cada um, vendo neles a felicidade de final de provas que a muito não via, porque todos sabiam, ia à temporada de prova e entrava a temporada de futebol, foi quando seu olhar caiu sobre ele, que lhe encarava desde que chegou.

Ainda não tinha tido coragem de respondê-lo, mas responderia apesar de não saber bem qual seria a resposta. Por mais que tentasse, foi impossível não seguir seus movimentos, tudo pareceu acontecer em câmera lenta, ele levantou, passou por todos e veio em sua direção, que estava mais afastada, atraindo atenção de alguns alunos por ali, inclusive de seus amigos.

— Oi.

— Oi… – Respondeu acanhada, pois sabia que todos os olhavam.

— Pensou no que eu te falei? – Ele foi direto, foi quando ela percebeu que ele estava aflito por sua resposta. Sentiu vontade de rir, mas não o fez.

— Pensei. – Será que ele ficaria chateado se ela brincasse um pouquinho com as emoções dele?

Ele estava apreensivo, sua perna balançava para cima e para baixo enquanto tirava o calcanhar do chão, seus dedos rodavam o copo de milk-shake em suas mãos, ele olhava para tudo, menos para ela. Sabia que era maldade fazer isso com Sasuke, mas ela estava tendo este tipo de poder sobre um rapaz pela primeira vez, seria um desperdício não aproveitar.

— E qual é a resposta? – Ele estava realmente curioso, porque ele mal respirava antes de perguntar.

— Eu não sei… Pode ser. – Respondeu sem pensar, porque se pensasse muito poderia responder não.

— O quê? – Sasuke perguntou, parecia desnorteado com sua resposta.

— Eu disse que aceito. – Respondeu mais claramente, talvez ele não tivesse entendido.

Sasuke estava lhe encarando sério, quando pareceu raciocinar sua resposta, o sorriso, que tanto lhe encantava, tinha que admitir, foi se abrindo aos poucos, ela teve a sensação que suspirou ao vê-lo sorrir e virar o rosto, como se comemorasse algo, tudo isso, diante dos olhos de todos os seus amigos.

Dia do encontro…

Quando foi que ela se sentiu nervosa daquela maneira? Pois é, não fazia ideia. Era só um encontro básico de domingo, nada mais. Mas, Kushina parecia querer transformar aquilo em algo maior do que era.

— Eu não acredito que minha princesa vai ao seu primeiro encontro. – Ah como sentia vontade de esganar Naruto por ter aberto a boca sobre aquele encontro naquela manhã.

— Mãe, por favor, nós só vamos ao cinema. – Revirou os olhos ao ver sua mãe se afundar, mais uma vez, em seu closet atrás da “roupa perfeita”, sendo que ela já tinha decidido com que roupa iria.

— E dai? Você tem que estar linda!

Respirou fundo e contou até dez, quando, agora, Uzumaki Kushina, colocava algo em sua cabeça, ninguém conseguia tirar, ela conhecia bem a mãe para saber que nada que ela dissesse naquele momento ia adiantar, por esse motivo, a deixou aproveitar seu momento.

*

— Uau! Você está diferente! – Sasuke falou assim que a viu, fazendo-a se olhar dos pés até onde seus olhos viam.

Não esperava ouvir tais palavras, até porque, haviam sido poucas vezes que Sasuke a tinha visto sem o uniforme da escola, que não valorizava a beleza de ninguém, ainda mais a dela, que era mediana e ela mal saia de casa para eventos fora da escola. Apesar de o uniforme escolar não valorizar ninguém, agora que ela estava pensando bem, Sasuke conseguia ficar bonito até mesmo com ele, mas vê-lo sem uniforme, tinha que admitir, ele conseguia ficar mais bonito do que ela poderia imaginar.

— Diferente?

— Sim, você já consegue ser bonita todo dia, mas agora, uau! – Sentiu seu rosto corar, não esperava tais palavras saírem da boca do Uchiha, alias, não esperava receber elogio algum naquele dia.

— Do que você está falando? Nós nos vemos apenas na escola e ninguém fica bonito naquele uniforme. – Apesar de se sentir tímida diante do elogio de Sasuke, não era possível ele achar ela bonita, ainda mais de uniforme.

— Realmente, não é todo mundo que fica bonito naquele uniforme. – Sasuke riu fazendo-a rir junto.

— Você fica! – As palavras saltaram de sua boca antes mesmo que ela pudesse raciocinar o que tinha falado.

Não estava em seus planos deixar sua boca fazer as coisas involuntariamente, mas quando se deu conta, as palavras saltavam, seu rosto, que antes estavam voltando para a tonalidade natural, agora estava mais vermelho do que antes, olhava para qualquer lugar, menos para o garoto a sua frente. Meu Deus, o que estava acontecendo com ela? Cadê a garota que tinha domínio sobre suas ações?

— Você também fica muito bonita naquele uniforme, alias, você fica bonita de qualquer jeito. – Quando as palavras de Sasuke chegaram aos seus ouvidos, seus olhos pousaram nele, que olhava envolta com as bochechas rosadas de vergonha. – Então, vamos escolher o filme?

Não escondeu o sorriso, nunca havia recebido um elogio que realmente aquecesse seu coração, sabia que Sasuke estava nervoso e isso a deixava mais tranquila.

*

Sua mão soava, o filme não fazia o menor sentido, até porque, era bem difícil se concentra quando tinha um garoto como Sasuke sentado ao seu lado e dividindo a pipoca. Aquilo não estavam em seus planos, ela tinha pensado que cada um compraria sua pipoca, mas não, ele apareceu com os ingressos, de um filme ótimo, e um combo de pipoca, claro que ela não o mandaria devolver, por esse motivo, deixou como estava.

Mas esbarrar em sua mão toda vez que tentava pegar pipoca, estava fazendo-a querer correr dali e se esconder, claro que ela já teve contato com outros garotos, mas com Sasuke era diferente, tudo era diferente. Nunca tinha visto ele daquela maneira, pelo menos não há um mês. Sasuke estava se mostrando muito mais do que aparentava ser, deixando-a surpresa com as descobertas.

Jamais pensou que Sasuke fosse do tipo de rapaz que se importava com as outras pessoas e o que elas pensavam sobre ele, pois não era isso que ele aparentava, mas segundo Naruto, antes de sair de casa, ela poderia conhecer um Sasuke naquele encontro que quase ninguém conhecia.

*

Quando Sasuke perguntou o que ela queria comer após o filme, jamais pensou que seria um restaurante como aquele, era um lugar sofisticado, mas, ao mesmo tempo, moderno, se encaixa no que ela esperava jantar em seu primeiro encontro, tinha que confessar que apesar das poucas conversas entre eles, o Uchiha estava se mostrando uma pessoa que ela jamais pensou que ele poderia ser.

— Como foi nas provas? – Ela não sabia o que conversar, até porque, diferentemente das outras vezes, ela estava se sentindo nervosa na presença dele.

— Eu acho que fui bem, e você? – Sasuke também parecia estar nervoso e isso era bom, ela não queria se sentir a única nervosa ali.

— Eu também.

O silêncio, mais uma vez, caiu sobre a mesa, o assunto antes era fácil de surgir, mas naquele momento, todo assunto parecia morrer, o clima podia não ficar pesado, mas ficava levemente desconfortável, até porque, nenhum dos dois sabia o que falar.

— Você gosta de alguém da escola, Sakura? – A pergunta de Sasuke veio assim que o garçom saiu após pegar os pedidos.

— O quê? – Aquela não era o tipo de pergunta que ela esperava ouvir aquela noite, até porque, ela nem sabia responder a esse tipo de pergunta. Ela nunca havia gostado de alguém antes, nem ao menos sabia como era essa sensação. Seus olhos encaravam os dele e sentiu seu coração acelerar, será mesmo que ela não gostava de ninguém? – Eu não sei e você?

E se eu gostasse de você, Sakura? – As palavras saíram da boca fina e levemente rosada de forma descontraída, já que após tais palavras, ele sorriu com aquele maldito sorriso de canto e com as covinhas evidentes.

Quando fez a pergunta de volta, não esperava aquele tipo de resposta, alias, não esperava resposta alguma, a única coisa que esperava era um sorriso e uma mudança de assunto. Mais uma vez, lá estava ela sem saber como se respirava, Sasuke estava sugando todo o seu ar só com um olhar.

— Eu… Vou ao toillet. – Falou desnorteada seguindo em direção ao banheiro, precisava recuperar o folego e lembrar-se como se respirava.

*

Abriu a porta abruptamente, fazendo a pessoa que perguntava se ela estavam bem dá um saltinho de susto. Ela precisava se concentrar, “E se” não era nada, apenas uma suposição. Sasuke não gostava dela, ela era apenas a irmãzinha de seu melhor amigo, que ele via uma piada para pegar no pé de Naruto, tinha certeza que era apenas uma brincadeira, então, ela levaria da mesma maneira, uma brincadeira.

Olhou-se no espelho e gosto da garota que viu ali, não deixaria Sasuke abalá-la, até porque, ele não gostava dela e nem ela dele, correto? Respirou fundo e resolveu voltar para a mesa, mesmo sabendo que seu coração estava faltando sair pela boca, ela se manteria firme e segura.

— Desculpa a demora. – Sorriu, recebendo um sorriso de canto de Sasuke.

— Eu te assustei, não foi? – A pergunta dele, apesar de ser verdade, a deixou mais calma, só não sabia por quê.

— Não, porque eu me assustaria? – Retrucou tomando um gole de suco precisava manter-se concentrada se não sua pose de garota segura iria por terra.

— Não sei, talvez pelo fato de dizer que talvez eu goste de você, há um bom tempo. – Ok, ele tinha conseguido deixá-la sem folego novamente em menos de vinte minutos, e lá estava, mais uma vez, aquele maldito sorriso que a fazia ter vontade de beijá-lo, ao mesmo tempo de, socá-lo por brincar daquela forma com ela.

Mordeu o canto do lábio inferior e o encarou, por mais que estivesse confusa e até mesmo, surpresa, precisava saber se Sasuke estava falando a verdade ou apenas brincando com os seus sentimentos, como ele brincou com os sentimentos de várias outras garotas. Por mais que fosse difícil de admitir, ela não queria ser apenas mais uma na enorme lista do Uchiha, claro que ela não esperava que ela fosse o amor da vida dele, mas que fosse alguém que ele realmente se importava. O medo de se magoar e de Sasuke a machucá-la, falava mais alto.

— O que você gosta em mim, Sasuke? – Foi direta, assim como ele, queria saber o que ele havia gostado nela, se é que fosse verdade o que ele tinha falado.

O silêncio caiu sobre a mesa, sendo quebrado apenas pelo garçom que agora servia os pratos pedidos, Sakura mordeu o canto da boca e voltou a tomar um gole de seu suco para tentar acalmar seu íntimo, que revirava de ansiedade esperando a resposta do Uchiha, que apenas a encarava com o indicador sobre os lábios, como se pensasse em uma resposta.

— Eu não faço ideia. – Sasuke respondeu, fazendo-a lhe olhar. Como não fazia ideia? Quando se gosta de alguém, tem um motivo, antes que ela pudesse fazer tais perguntas, ele continuou. – Não sei se é seu maldito sorriso ou esse olhar que me deixa louco, não sei se é pelo fato de ser totalmente ignorando por você, ou por você me desenhar e ao mesmo tempo, me desdenhar, eu não tenho ideia o porquê eu sou louco por você, Sakura.

Ok, ele tinha arrancando todo o folego de seus pulmões só com aquelas palavras, mas, apesar disso, Sakura conhecia a fama de Sasuke, sabia que ele era capaz de tudo e um pouco mais para conseguir o que ele queria com a garota que ele estava interessado, apesar de seu coração gritar enlouquecidamente para acreditar em suas palavras, seu cérebro, o mais sensato naquele momento, a alertava para que ela não caísse no papinho de macho alfa do Uchiha.

— E porque eu deveria acreditar em você? – Falou, tentando engolir a comida que acabara de colocar na boca, o que estava sendo uma tarefa bem difícil.

— Não estou pedido que acredite em mim, alias, não estou pedindo nada, ainda.

Ainda bem que ela não tinha colocado nada na boca, porque ela tinha certeza que cuspiria fora ao ouvir tais palavras, que fez seu coração ir mais rápido e suas pernas tremerem sob a mesa, agora ela entendia o motivo das garotas não conseguirem resistir ao charme do Uchiha, ele era categórico quando queria algo.

O restante do jantar foi silencioso, apesar de Sakura sentir uma imensa vontade de gritar com Sasuke, dizendo que ele não gostava dele, que era mais fácil ele admitir que era uma aposta com Naruto, do que magoá-la fazendo achar que era verdade e no final, ser apenas uma brincadeira de mau gosto, muito mau gosto por sinal, porque ela não estava aguentando aquilo.

Por mais que fosse muito difícil de admitir, Sasuke atraia sua atenção e fazia seu coração balançar, mas era melhor amigo de seu meio-irmão, além de seu histórico, ou seja, sua relação com o Uchiha seria supercomplicado.

*

O jantar terminou silencioso, Sasuke, mais uma vez, pagou por tudo, os fazendo brigarem na volta para casa, já que ele disse que a deixaria em casa em segurança, pois jamais se perdoaria se algo acontecesse a ela. Agora lá estava ela, dentro do táxi ao seu lado, suas mãos soavam e seu coração palpitava forte, pois ela não tinha ideia do que aconteceria naquele final de noite, além de rezar para todos os deuses existentes que seus pais estivessem dormindo ou tivessem saído.

Sem falar de Naruto, ele sabia que ela sairia com Sasuke, mas ele não precisava saber dos detalhes, um desses detalhes incluía o Uchiha levá-la até me casa em segurança. Mordeu o lábio inferior e de canto de olho, olhou para Sasuke, que olhava pela janela. Será que era realmente verdade tudo o que ele tinha falado aquela noite? Seu coração esperava que sim, mesmo ela sem saber o motivo, mas seu cérebro, ainda a avisava para não cair naquela ladainha, coisa difícil de acontecer, porque ela estava mais afundada naquela situação do que ela queria.

Voltou sua atenção para o caminho para sua casa, mas algo a fez travar. Sasuke havia enlaçado seus dedos ao dela, fazendo um longo e gostoso arrepio percorrer todo o seu corpo com o contato. Ela queria muito virar e perguntar o que era aquilo, mas, pela primeira vez aquela noite, não queria estragar aquele momento, que apesar dela não saber, se tornaria muito importante.

— Chegamos! – Não soube quanto tempo ficou apenas focada em sua mão enlaçada com a de Sasuke, que a fez perder a noção de tudo a sua volta, que não havia prestado atenção no caminho de casa.

Ela não estava preparada para soltar a mão de Sasuke, e ele parecia que também não estava, já que sem desgrudar as mãos, pagou o taxista e abriu a porta, puxando-a para sair do mesmo lado, sem soltar as mãos. Por mais que não quisesse demostrar, suas bochechas estavam coradas, e elas coravam mais ainda ao recordar-se que ela e Sasuke mantinham as mãos juntas, agora olhando um para o outro, na frente de sua casa.

— Eu gostei de hoje. – Sakura falou ainda de mãos dadas com Sasuke, olhando para qualquer lugar, menos para ele, em frente a porta de sua casa.

— Eu também… – Sasuke falou se aproximando, como ele era mais alto que ela, com os corpos quase colados, ele a puxou para si, enlaçando sua cintura com o braço livre. – E gostaria de repetir isso, de novo, de novo e de novo.

—Sasuke… – Suspirou, não gostava que outras pessoas brincassem com seus sentimentos, ainda mais quando seu coração balançava. – Eu…

—Sakura, eu gosto de você, não estou pedindo que goste de mim, só que… – Ele parou de falar, fazendo-a lhe olhar nos olhos.

E se você gostasse de mim, o que faria? – Perguntou, precisava saber, pelo menos, a resposta daquela pergunta.

A sua resposta foi algo que ela jamais esperava. Sasuke a beijou. Os lábios de Sasuke cobriram o seu de forma inusitada, primeiro foi apensas um colar de lábios, mas quando a mão de Sasuke abandonou a sua e segurou seu rosto, o beijo, que antes era inocente, passou a ser mais afoito, ele moveu os lábios entreabrindo os seus enquanto sua língua adentrava sua boca.

Seu corpo se arrepiou por inteiro e suas mãos apertaram a jaqueta na altura da cintura do Uchiha, puxando-o para mais perto, aprofundando mais ainda o beijo. Se antes, seu corpo tinha se arrepiado com apenas um toque de mãos, agora ele havia entrado em combustão. Não entendia a reação de seu corpo, só sabia que queria mais e mais daquela sensação. Sasuke a puxava mais ainda para ele enquanto sua língua explorava e misturava-se com a sua, fazendo seu folego ir para o espaço.

Claro que ela já tinha beijado na vida, mas nenhum beijo chegava aos pés daquele. Sasuke a beijava com intensidade e maciez ao mesmo tempo, fazendo suas pernas fraquejarem e ser obrigada a se agarrar mais ainda nele, não soube quando ou como, mas ela sentia suas costas encostadas em alguma coisa, agora se era a porta ou a parede do lado da porta, ela não tinha ideia, a única coisa que ela sabia era que estava cada vez mais entregue.

Viram-se obrigados a se afastar quando seus pulmões, que apesar de não quererem, exigir ar, Sasuke colou sua testa na de Sakura, ainda ofegante, fazendo um carinho em sua bochecha.

— Eu não tenho ideia do que fazer, só me manter vivo, porque o Naruto vai me matar quando soube que eu estou apaixonado pela irmã dele. – Sorriu, mesmo sendo sentido vontade de gargalhar, apesar de querer muito acreditar nas palavras dele, ainda sentia-se receosa. Sasuke era bom de lábia e ela sabia disso. – Olha, eu não espero que acredite em mim, porque eu demorei a acreditar, mas peço uma chance…

— Para que? – Estava desnorteada com o beijo recente, mas, ainda queria saber o que ele falaria, por isso o encarou.

— Para te mostrar o que eu sinto de verdade, Sakura, se isso não acontecer, pode falar para o Naruto me bater até eu desmaiar. – Fechou a cara, não gostava de violência, apesar de alguém magoá-la, jamais pediria a alguém que o batesse. – E, por favor, não me olhe desse jeito, porque se o fizer, eu não conseguirei me segurar…

— Senão? – Desafiou, estava gostando de ver o poder que tinha sobre Sasuke, mais uma vez.

Sasuke a beijou novamente, só que desta vez, de forma mais afoita, deixando-a cada vez mais ansiosa.

§-§

Duas semanas depois…

As palavras de Sasuke ainda martelavam em sua cabeça… Ela não sabia o que fazer, mesmo Sasuke tendo se mostrado outra pessoa para ela. Estavam juntos há duas semanas, mas claro, às escondidas, até que aquela manhã, Sasuke a colocou contra a parede.

Flash Back

Decidiram, ou melhor, Sakura decidiu manter tudo em segredo por enquanto, Sasuke não teve objeções, desde que continuasse com ela, apesar de se manterem discretos, quem prestasse bastante atenção nos dois, que passaram a fazer as refeições quase sempre juntos e até mesmo, ficar horas e mais horas na biblioteca da escola, muitas vezes não estudando, entenderia que acontecia algo entre eles.

Desde o dia do encontro, as conversas passaram a ser mais frequentes, mas nenhuma a respeito dos sentimentos do Uchiha, e consequentemente, a respeito de seus sentimentos, pois ela se recusava a aceitar que estava perdidamente apaixonada pelo melhor amigo de seu meio-irmão.

— Então… O que você decidiu? – Sasuke perguntou dando um longo beijo no pescoço da Haruno, que se encolheu por causa de um arrepio.

Desde que começaram a ficar juntos, começaram a se encontrar na última fileira de estantes na biblioteca, já que poucos alunos iam lá, ou melhor, quase nenhum.

— Sobre? – Não entendia sobre o que o Uchiha falava, mas estava gostando da atenção que estava recebendo em seu pescoço.

— Contar para Naruto. – Sasuke a encarou e ela não gostou daquele olhar.

— Contar a ele sobre o que, exatamente? – Ok, ela sabia o que ele queria falar, mas ela não estava preparada para aquilo, no dia seguinte após o encontro, o Uzumaki havia lhe enchido de perguntas a respeito do momento que tinha passado ao lado de Sasuke, e foi uma tarefa bem difícil desconversar sobre isso.

— Das nossas notas… É claro que é sobre nos, Sakura! – Sasuke revirou os olhos e bufou, isso fez com que Sakura sentisse vontade de beijá-lo, mas ela sabia que este não era o melhor momento. – Do que mais seria?

Ela estava fugindo daquela conversa desde que se beijaram pela primeira vez, ela não estava preparada para escancarar para o mundo, e para Naruto, que estava com Sasuke, não por vergonha, mas porque não queria ter que aturar os cochichos, que finalmente haviam cessado, a respeito dos dois, apesar dos cochichos serem verdadeiros.

— Eu acho que esse não é o melhor momento. – Falou mordendo o canto dos lábios, sentindo o olhar de Sasuke sobre si. Merda, escolhas de palavras erradas!

Sentiu o ar faltar de seu pulmão quando ele se afastou colocando uma mão na cintura e passando a outra no rosto, como se tentasse se controlar, uma coisa que havia percebido em Sasuke, ele não era do tipo de cara paciente.

— E quando será isso em Sakura? – E lá estava ele explodindo, fazendo-a suspirar e sentir vontade de mandá-lo a merda. – Quando ele vier atrás de você e me ver te fazendo ofegar enquanto te beijo, agarro e outras coisas a mais?

— Sasuke… – Ele estava falando demais e em um tom mais elevado.

— Escuta bem, Sakura, ou você fala para o Naruto que estamos juntos ou eu vou espalhar isso no refeitório, para toda a escola, ai não será só o Naruto que saberá, mas a escola inteira.

Antes que pudesse retrucar, Sasuke pegou sua mochila jogada no canto e saiu dali, sem dar chances a ela de rebater ou dizer que o faria, só que não sabia como.

*

Respirou fundo e contou até dez, seus dedos apertaram a bandeja e sentiu suas pernas começarem a quererem falhar. Sério que ele tinha que sentar junto com o time só porque eles brigaram? Que vontade que estava de socá-lo, mas, como boa garota que era, primeiro tentaria o dialogo, senão desse certo, ai sim, partiria para agressão física.

Mas ele tinha que sentar justamente na mesa do time, onde seu irmão também estava? Toda vez que tentava dar um passo em direção à mesa, sentia vontade de sair correndo dali, mas tinha que fazer isso, tinha que falar com Sasuke, ou melhor, precisava.

Tirou uma coragem de onde ela nem sabia que tinha e em passos lentos e pequenos foi em direção a mesa, pois sabia que se tentasse ir mais rápido, corria o risco de cair ali mesmo. A cada passo se aproximava mais ainda da mesa e, consequentemente, atraindo olhares dos rapazes do time, um a um lhe olhava, menos ele, o que mais queria que olhasse.

— Uhm… – Soltou um pigarro tentando encontrar a voz e fazê-lo lhe encarar, o que não deu muito certo, por isso, resolveu chamar. – Sasuke, será que podemos conversar.

— Não. – A resposta foi seca e ela sentiu naquele momento, uma imensa vontade de jogar aquela bandeja em sua linda cabeça.

— Respira, Sakura… – Falou para si mesma, precisava manter a compostura, se não o fizesse, mandaria Sasuke à merda naquele momento. – É rápido.

— Não tenho nada para falar com você. – E ele finalmente lhe olhou, fazendo o seu sangue ferver.

Não soube o que tomou seu corpo, quando deu por si, já colocava a bandeja de alumínio sobre a mesa co força, fazendo o barulho soar alto, atraindo a atenção de todos e assustando o Uchiha e o resto do time.

— Quer saber Uchiha, vá se ferrar então… – As palavras saíram sem controle e em bom som. – Você quer que eu fale pro meu irmão sobre nós, mas fica agindo que nem uma criança mimada, em vez de se colocar no meu lugar e perceber que isso é difícil para mim, então, vá se ferrar.

Não deu tempo para Sasuke retrucar, também estava pouco se lixando se as pessoas estavam encarando-a assustada e sem reação ou se Naruto a encarava de boca aberta, sem saber o que fazer.

— Você está pegando minha irmã, seu bastardo? – A voz estridente de Naruto foi a última coisa que ouviu antes de sair do refeitório.

*

Duas semanas depois…

Se Sasuke achava que sabia o que era ignorar, Sakura resolveu mostrar a ele o que era ignorar de verdade. Desde o ocorrido no refeito, Sakura se recusava até mesmo olhar em sua direção, se ela estava no corredor, Sasuke a via e vinha querendo falar com ela, Sakura dava as costas e saia andando ou entrava no banheiro feminino, frustrando todas as tentativas do Uchiha de comunicação.

Naruto até tentou interceder pelo amigo, já que após passarem dois dias sem se falarem, Naruto e Sasuke, voltaram a se falar e manter a amizade, mas a única coisa que o meio-irmão conseguiu foi um belo olhar gélido e um livro na cabeça por parte de Sakura.

Ino até tentou falar com a amiga, mas quando Sakura falou “Se você tocar no nome dele ou ao menos pensar em falar sobre ele comigo, eu juro que raspo sua cabeça enquanto estiver dormindo.”, depois disso, Ino nem ao menos tentou.

Naquela noite, seria o primeiro jogo da temporada, claro que Ino e Hinata, agora namorada de seu irmão, havia conseguido convencê-la a ir ao jogo, dizendo que seria um bom incentivo para Naruto. Aquele dia ela estava extremamente chateada, por mais que fosse difícil admitir, sentia falta das conversas com Sasuke, mesmo que fosse sobre besteira.

Agora ela se via, subindo a arquibancada com Ino e Hinata, ambas com um enorme cartaz, que elas não a deixaram ver. Respirou fundo e sentou, seus olhos pararam no campo, onde lá estava ele. Como sentia falta do Uchiha, mas era orgulhosa demais para ir atrás, novamente. Admitia que gostava dele, e também admitia que agora acreditava que ele gostava dela, já que o boato que ele havia dispensado todas as garotas que quiseram se aproximar dele dizendo que ele gostava dela, já havia espalhado por todo o colégio.

Sentiu seu corpo se arrepiar quando seu olhar encontrou o dele, por mais que quisesse comandar seu coração, foi inevitável conter a palpitação mais acelerada quando o Uchiha piscou e deu um de seus sorrisos maravilhosos em sua direção.

A vontade de ir embora a atingiu, mas assim que se levantou, Ino não permitiu que ela fosse.

O time da escola perdia por um ponto de diferença, já estava nos minutos finais, Hinata, na hora do intervalo, havia ido falar com Naruto e Ino sumiu, deixando-a sozinha, perdida em seus pensamentos tentando ao máximo não olhar para Sasuke, o que era bem difícil, já que ele havia parado na frente de sua arquibancada e estava lhe encarando, ela quase levantou as mãos aos céus quando o jogo recomeçou.

— Ok, estamos perdendo, é agora Hinata. – Ino falou pegando o cartaz que estava aos pés delas enrolado. – Ajuda aqui Sakura.

Como ela estava no meio, foi impossível ler o que estava escrito, mas acreditava que fosse algo como “vai time”, por isso, levantou, ajudando Hinata e Ino. Estava com tanta vontade de ir embora que nem ao mesmo prestou atenção que agora a atenção de muitos na arquibancada, no campo e no banco de reservas olhavam diretamente para ela.

A arquibancada se agitou quando Naruto tocou a bola para Sasuke, que saiu da marcação e empatou o jogo, Ino e Hinata ao seu lado vibraram, Sasuke a encarou e sorriu abertamente, coisa que ele jamais tinha feito em publico, sentiu seu coração acelerar e a vontade de ir embora falou mais alto.

— Ino, eu vou embora.

— Você não vai nada, já esta tarde e perigoso para ir sozinha, espera o jogo acabar e você vai com Naruto. – Hinata falou, dando a cartada final.

Para Sakura, os minutos finais foi uma tortura, já que Sasuke não parava de olhar para ela, dificultando sua vontade de se manter ali. Quando o apito final soou, sua vontade era de sair correndo dali, mas infelizmente, com o empate do jogo, as pessoas estavam muito empolgadas para permanecer ali. Antes mesmo de ela conseguir sair dali, Hinata pegou em sua mão e a puxou.

— Vem comigo.

finalmente vou para casa!”, Sakura pensou feliz deixando-se ser arrastada pela Hyuuga, assim que chegaram ao gramado, a morena de olhos azuis acinzentados, falou que iria atrás de Naruto para irem embora, mas de repente…

— Sakura… – Era a voz de Sasuke, isso a fez perder o folego, já que ele estava as suas costas, com o corpo quase colado ao seu. – Eu sei que você quer que eu vá me ferrar, mas infelizmente, não posso fazer isso sem você.

Mordeu o lábio inferior e revirou os olhos, sério que ele não conseguia fazer nem uma declaração descente? Por mais que sentisse vontade de olhá-lo, não o fez, pois sabia que se o fizesse, o muro que construiu cairia por terra. Não tinha como esconder, estava apaixonada por Sasuke, não esperava que isso acontecesse, mas, simplesmente aconteceu. Respirou fundo e fechou os olhos, porque era tão difícil resistir a ele?

— Eu sei que você não quer falar comigo, mas será que dar para olhar mim? – Ele falou baixo e manhoso, fazendo todas as forças dela dizerem adeus.

Assim que virou, sua boca entreabriu em surpresa, como ela havia sido arrastada por Hinata, havia acabado por ficar de costas para a arquibancada, seus olhos passaram da arquibancada para Sasuke, sem conseguir acreditar no que estava vendo.

— O que significa isso? – Perguntou.

Hinata, Naruto e Ino seguravam o cartaz que antes ela segurava e nele as palavras enormes diziam: “Haruno Sakura, você é a garota mais incrível do mundo, a cada dia eu sou cada vez mais apaixonado por você, por isso, e se você fosse minha namorada?”. Ela não conseguia acreditar que Sasuke havia feito ela segurar aquele cartaz.

— Eu sei que eu sou um imbecil, mas este imbecil é louco por você! – Sasuke falou aproximando-se mais dela, ajoelhando-se a sua frente enquanto pegava na sua mão. – E se eu quisesse ser seu namorado, Sakura?

Sentiu vontade de rir e mordeu o lábio inferior, sabia que eles eram o centro das atenções naquele momento, mas para ela, parecia existir apenas os dois ali. Nunca pensou que pudesse terminar assim só por causa de um desenho, mas pela primeira vez, Sakura deixou seu coração comandar a situação.

E se eu também gostasse de você, Sasuke?

Não teve resposta, Sasuke apenas sorriu e levantou-se a beijando em seguida, ela pouco se importava se ele estivesse fedendo ou suado, a única coisa que ela queria naquele momento, era matar a saudade que estava dele e de seus beijos.

Aplausos e gritos eram ouvidos, mas para Sasuke e Sakura, a única coisa que existia naquele momento, eram eles dois, um nos braços do outro.

Um ano e meio depois…

Não conseguia acreditar em tudo o que estava acontecendo, sorriu e abraçou Naruto, que estava fazendo bico enquanto encarava Sasuke. Desde que ela e Sasuke começaram a namorar, muita coisa havia mudado, uma delas, a vida dela. Jamais pensou que um dia iria para a mesma faculdade que o Uchiha e ainda dividiriam o mesmo apartamento.

— Não gosto muito dessa ideia. – Naruto retrucou recusando-se a despedir-se de Sasuke.

— Falou o cara que está morando com a Hinata a seis meses. – Sasuke debochou dando os ombros, se Naruto não ia se despedir dele, ele também não ia fazer questão.

— Quanta maturidade. – Ino cochichou ao seu ouvido, fazendo-a rir.

Despedir-se de seus amigos e familiares era difícil, mas apenas 100 km os distanciava, por isso, seria fácil visitá-los, seus olhos pousaram e Sasuke sorriu. Como o mundo dava voltar e como um “E se” podia mudar vidas.

E se… Eles fossem feitos um para o outro? Bem, isso ela ainda não sabia, a única coisa que ela sabia era que Sasuke fazia seu coração bater mais forte e a fazia feliz, e isso, por enquanto, bastava.

Sorriu sendo abraçada por Sasuke em seguida sendo beijada rapidamente por ele.

E se você se tornasse a minha esposa? – A pergunta de Sasuke sussurrada em seu ouvido a pegou desprevenida.

É, talvez os ‘E se’ de sua vida, ainda não tenham chegado ao fim.



2 de Novembro de 2018 às 19:38 0 Denunciar Insira 0
Fim

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Sakuu-chan Oficial Aspirante a escritora

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