O CHAMADO DE HU GADARN Seguir história

pedromontt Pedro Monteiro

Algumas vezes a realidade e o sonho se misturam de tal forma, que não é mais possível saber o que ainda é real...


Conto Todo o público.

#ocultismo #deuses #378 #bruxaria #mitologia #fantasia
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O CHAMADO DE HU GADARN


A cerca de uns dois anos atrás eu vinha tendo um sonho que além de muito vívido era também recorrente, era um daqueles sonhos extremamente reais, em que você consegue sentir as coisas, diferente de todo e qualquer sonho que eu já havia tido até então, e uma das coisas que mais me intrigava era o fato de estar sonhando com cervos, ou melhor com um cervo, aquele bicho cheio de chifres, não sou nenhum especialista mas acredito que não seja um animal tipico aqui do Brasil, pois são típicos de locais frios, ao menos nos filmes, sempre aparecem e locais frios, enfim, até então eram apenas sonhos, a recorrência bem como o realismo que envolvia esse sonho com o tempo já começava a me incomodar, apesar de ser um animal simpático, aliás adoro bichos em geral, me relaciono melhor com eles do que com humanos, e o que pode ser um agravante é o fato de morar ao lado de uma grande reserva natural aqui no Rio de Janeiro, um pedaço da mata atlântica na verdade, e tem uma grande diversidade de animais, aqui bem ao lado da minha casa, tem cobra, jacaré, macacos, micos, mas não tem cervos, infelizmente não tem. E existe esse grande muro que separa minha casa dessa reserva, mas vez ou outra passam alguns animais pra cá, mas um detalhe, é que nesse sonho não há muro separando minha propriedade dessa mata, e no sonho estou deitado em minha cama, meu quarto é esse mesmo que usei para ilustrar a foto da capa, tem essa porta de correr que se abre para o jardim, bem no sonho estou sempre deitado como nessa foto também, abro os olhos e dou de cara com o cervo em pé na porta entreaberta e ele é muito grande, com chifres grandes torcidos e majestosos que se confundiam com os galhos da árvore que surgia atrás dele, assim que o avisto ele sai correndo, ou melhor saltando, aqueles saltos longos típicos da especie, vou rapidamente até a porta a vejo a floresta, que em nada se assemelha com reserva, é uma floresta densa com muita neblina, eu sentia na pele a umidade daquela neblina gélida que tomava todo meu quarto, podia sentir o cheiro da mata, ele já distante olhava para trás parado, como se me aguardasse, instintivamente segui pela mata, sentindo as folhas e o mato molhados de orvalho tocando minha pele, a grama muito suave entre meus dedos, parecia um tapete de tão macia, eu adentrava cada vez mais a floresta de encontro a ele, mas por mais que eu caminhasse a largas passadas parecia sempre tão distante, um cheiro floral inebriante me tomava os sentidos, eu avistava apenas a silhueta do animal agora, que estranhamente começava a se modificar a medida que eu me aproximava, ao mesmo tempo um estranho cansaço me tomava, uma sonolência na verdade, uma dificuldade em manter os olhos abertos, os olhos pesavam, como quando estamos com muito sono mas forçamos para ficar acordados, com vista já turva eu via uma silhueta meio humana, ele agora se apresentava de pé como um homem, mas com cascos, da cintura pra cima se assemelhava a um homem, com enormes chifres de cervo, a minha visão estava cada vez mais embaçada, tentava inutilmente manter os olhos abertos, até que tomado por uma sonolência incontrolável me entreguei e me vi caindo para trás, a sensação era aquela de quando caímos no sonho, aquele solavanco, e foi como se tivesse realmente caído em minha cama, de olhos ainda fechados eu podia sentir o travesseiro sobre minha cabeça, uma sensação boa, reconfortante devo dizer, uma paz, uma tranqüilidade, quando então vou despertando e vagarosamente abrindo os olhos, dou de cara com a criatura, meio homem meio cervo, e está posta em cima de mim, como se observasse meu sono todo aquele tempo, com o rosto bem próximo ao meu, tão perto que pude ver seus grandes olhos amarelos, foi muito rápido, foram milésimos de segundos acredito, pois assim que vi instintivamente fechei os olhos, no susto, eu fiquei gelado, e com medo, torcendo para ser só mais um sonho lúcido, foi meu único impulso, e fiquei ali repetindo mentalmente de olhos ainda fechados e bem cerrados... é apenas um sonho... é apenas um sonho... é apenas um sonho... respirei fundo, tomei coragem e abri novamente os olhos bem devagar... e não havia mais nada, era um sonho pensei, respirei aliviado e me sentei a beira da cama para me recuperar do susto, foi quando notei que meu lençol estava cheio de terra, percebi também a porta entreaberta, e para piorar haviam pegadas, que não eram humanas, eram marcas de casco, como de cavalo, eram as pegadas dele, por todo quarto e em cima da cama, após o ocorrido os sonhos pararam, mas a sensação de não estar sozinho permanece até hoje, e não apenas me acostumei a ela como agora faz parte de mim, não tenho mais medo... 

25 de Outubro de 2018 às 14:34 2 Denunciar Insira 1
Fim

Conheça o autor

Pedro Monteiro "Sou eu a dualidade em pessoa, estou sempre onde a luz e escuridão se encontram, sou eu quem faz fundir o clarão, e as sombras... Sou meio assim.... Feito a lua.... um lado é todo iluminado e exposto, mas tenho outro lado que é escuro e cheio de sombras" Designer de Interiores, Paisagista, Desenhista, por fim, artista, escritor nas horas vagas, fã de Edgar Allan Poe e Stephen King, gosto de escrever suspense e terror, mas passeio na fantasia e no romance.

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Karimy Karimy
Olá, autor! Tudo bem? Sou uma apaixonada por sci-fi, fantasia, horror e terror, então fiquei bastante empolgada com sua história, principalmente com a naturalidade do narrador. Gostei muito quando o personagem abriu os olhos e se deu conta de que não estava vivenciando apenas um sonho. Imagino como ele deve ter se sentido nesse momento. Além das perguntas que deve se fazer, entre elas, o que o bicho quer com ele. Sentindo-o sempre, imagino que não deve ter paz. Ia falar um pouco sobre a estrutura do conto, mas vou pular essa parte e deixar para o próximo tópico. Quero falar um pouco sobre o personagem primeiro. Ele me pareceu verídico, inclusive pelo próprio tom da narrativa, que demonstra uma pressa calma de quem teme e quer fugir desse sentimento. A besta também me pareceu sólida através do olhar do personagem, tanto pela simplicidade, quanto pelo mostrar lento e progressivo, respeitando, inclusive, os próprios medos do narrador. Agora, sim, falarei um pouco mais da estrutura. A sua escolha de contar tudo em um só parágrafo deixou o texto acelerado, ao mesmo passo que a escolha por caminhos curvos deu uma desacelerada no conto, o que foi muito importante para dar esse tom que a história adquiriu, que mostra, como já dito, o medo e a vontade de se livrar dele. A coragem por estar simplesmente contando e o receio de estar contando. No entanto, devo fazer umas observação sobre o uso da gramática. Em determinados momentos, a estrutura com poucos pontos começa a ficar um pouco cansativa. No começo, imaginei que fosse de propósito, mas depois percebi que isso causou um pouco de confusão em determinadas partes da história, principalmente quando apareciam advérbios. Com relação a vírgulas e acentos, também encontrei algumas coisas que poderiam ser revisadas caso pense necessário. Além disso, o texto não faz conexão direta com o título. São coisas pequenas, mas não estaria sendo eu se não apontasse na tentativa de colaborar com sua obra e crescimento. No mais, você fez um trabalho muito bom com este conto. Fiquei surpresa por chegar aqui e encontrar algo tão balanceado quanto a sucessão de fatos. O texto está muito leve, mas também pesado no sentido psicológico do narrador e tudo isso é refletido com naturalidade para o leitor. Parabéns. Bjs!
27 de Outubro de 2018 às 09:14

  • Pedro Monteiro Pedro Monteiro
    Muitíssimo obrigado! Fico muito feliz e vou revisar com bastante atenção, aos pontos que mencionou, tive realmente a intenção de dar um ritmo acelerado e aflito ao leitor, mas posso ter exagerado. 27 de Outubro de 2018 às 10:11
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