Proxima b Seguir história

alisonoliveira Alison Oliveira

O ano é 2078. Depois de décadas de estagnação, a exploração espacial está a pleno vapor e os seres humanos começam a dar seus primeiros passos além do Sistema Solar. Até então, nada além de rochas, água e algumas plantas foram encontradas pelos exploradores. Porém, a misteriosa explosão de uma nave em missão de reconhecimento de um planeta distante coloca um personagem inesperado em uma situação de desespero, onde as suas certezas e o seu senso de realidade serão postos à prova.


Ficção científica Todo o público.

#universo #espaço #Alienígenas #exoplanetas #Exploração-espacial
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Em progresso - Novo capítulo Todos os Domingos
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Queda

    O barulho de metal rangendo e amassando era ensurdecedor. Pela pequena abertura de cerca de um metro ele só via um degradê, que ia de um vermelho vivo a um marrom barroso e salpicado de laranja. O ambiente claustrofóbico pressionava suas têmporas. A cabine era minúscula, não mais do que três metros quadrados preenchidos com toda sorte de equipamentos, fios, telas e controles. Havia pouco espaço para o que não fosse importante, e movimentar-se não era. Mas tudo isso era tolerável perto do bipe. Um som fraco e constante, mas de um agudo hipnótico, que parecia se instalar no fundo do cérebro e dali correr pela espinha rumo a todos os cantos do corpo, deixando-o em sinal de alerta, como um felino prestes a saltar sobre a sua caça. Pronto para o impacto iminente.

Tudo havia se desenrolado depressa demais para o seu cérebro processar. Os últimos 10 minutos perdiam-se no torpor, tudo o que fazia era automático. Respirar. Pilotar. Pensar. Uma corrente contínua de ações intuitivas e sem julgamentos. Movido por apenas um único objetivo: sobreviver.

Duas horas atrás estava na sua cabine, aproveitando suas 48 horas de folga do jeito que sempre fazia: dormindo. Ainda não tinha se acostumado a contar os dias dessa forma. Na sua cabeça vivia em um tempo corrente e ininterrupto, com pequenas pausas para cochilos que aliviavam o cansaço do seu corpo e confundiam a sua mente. Afinal, como saber se é dia ou noite, se o sol não nasce, não se põe ou quando se quer existe um sol?

A ordem de serviço havia chegado. A Heimdall tinha sofrido uma avaria no sistema de orientação enquanto fazia um voo de reconhecimento por Proxima b, um pequeno planeta orbitando uma anã vermelha a 4,243 anos luz da Terra. Embora chato, o trabalho era rápido, apenas trocar o módulo com problema por um novo. Feito isso, podia voltar a dormir em seu compartimento. A manutenção completa poderia esperar o novato chegar de Titã.

Estava embalando o módulo antigo quando o alarme soou. Alto e inconfundível. Não precisava ter olhado pela escotilha e visto as labaredas que consumiam a estação, o som característico do alarme de falha catastrófica já denunciava a tragédia. Instintivamente selou o compartimento e fechou a escotilha. Quando liberou o painel de controle e ativou lançamento de emergência para a última coordenada na memória, as labaredas alcançaram a nave. Um segundo a mais, teria explodido junto com a plataforma. Enquanto se afastava, pode acompanhar o espetáculo grotesco de fogo e luz da destruição da Asgard, a adrenalina o impedia de lamentar a morte daqueles que foram a sua família nos últimos 6 meses. Tudo que podia fazer era observar paralisado enquanto tudo explodia em um mar de destroços. Foram 2 minutos de silêncio mórbido e angustiante até a entrada na atmosfera.

O bipe parou. O alívio era tão grande que se pegou sorrindo. Um sorriso nervoso. Os rangidos foram cessando gradativamente até serem substituídos pelo chiados dos freios de pouso e pelo baque suave da nave no solo macio. As luzes vermelhas se tornaram verdes e o silêncio reinou dentro da cápsula. Tudo o que ouvia era o suave som do vento do lado de fora.

Havia pousado.

30 de Setembro de 2018 às 16:08 2 Denunciar Insira 2
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Karimy Karimy
Oie! Caramba, a história mal começou e já estou gostando bastante. Espero que as atualizações não demorem muito!
6 de Outubro de 2018 às 11:42

  • Alison Oliveira Alison Oliveira
    Oi, Karimy! Fico feliz que tenha gostado! Teremos um capítulo novo todos os domingos. Prometo. :) 6 de Outubro de 2018 às 15:02
~

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