E os namoradinhos? Seguir história

scoupsofmilk ~ neila

Quando seu filho único diz que vai ter seu primeiro encontro, você tem três opções. Primeira, tentar evitar o inevitável. Segunda, insistir em fazer com que o pobre garoto experimente todas as roupas que tem no seu guarda roupa. E terceira, as duas opções anteriores. {t w o s h o t | mingyu + minghao | chan + ?? | gyuhao!family au | plot: boocetinha}


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#soonseokchan #gyuhao #seventeen
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É menino ou menina?

— E os namoradinhos?— brincou Mingyu, ao olhar por cima do jornal que tinha em mãos e franzir o cenho para o filho.


A perguntinha irritante e insistente de final de ano — que só não conseguia ser pior que a piada do 'é pavê ou pacumê?' — conseguiu fazer com que Chan, que estava sentadinho na escada, encarando o nada com cotovelo nas pernas e queixo apoiado na mão, finalmente lhe desse um pouco de atenção. O garoto não pareceu contente, mas também não estava triste. Só pensativo, quem sabe, um pouco preocupado, e isso fora o suficiente para Minghao azucrinar os seus ouvidos com coisas sobre diálogo pipipi popopo.


Tudo bem que o menino também havia conversado o mínimo possível durante o almoço, e menos ainda enquanto lavavam a louça, mas isso não era motivo o suficiente para que Minghao o encurralasse, o acusando injustamente de não dar a devida atenção aos problemas de Chan. Blasfêmia, o nome disso. Ele estava sempre o auxiliando nas mais diversas situações, só não havia conseguido lembrar de algo a tempo de evitar que Minghao chegasse a conclusão de que tinha razão.


Normalmente, o jovem Kim iria rir por causa da polêmica pergunta de tia, mas não dessa vez. Para Chan, a pergunta tinha sido pra valer, mesmo que não fosse nem um pouquinho. Era a sua temível deixa. Os olhos dele se arregalaram um pouco. Sua boca abriu brevemente, mas nenhuma palavra saiu de seus lábios. Não porque temia que o mais velho já soubesse de tudo, e que só estivesse sendo sorrateiro, — por que isso era algo impossível, fora de cogitação — e sim porque estava mesmo era assustado por ter clamado por sinal e ter sido atendido tão rapidamente. Agora, estava travando a quarta guerra mundial internamente ao pensar seriamente no que responder.


Como Mingyu tinha um telefone, uma escrivaninha e um sofá ao alcance das mãos, Chan caminhou, como se estivesse indo em direção a colheita, até a parte de trás da poltrona cinza para usá-la como escudo, só por precaução. Não se sentia corajoso, e se fosse esperar por isso, nunca que enfrentaria seus problemas. Às vezes, Chan era muito covarde, e se não fosse por Soonyoung, nunca teriam avançado... e nem estaria nessa situação maldita.


— Me convidaram para um encontro — revelou, um pouco receoso. Começou a se explicar, mas seu pai já havia perdido o fio da meada faz tempo.


Mingyu congelou momentaneamente e sua feição incrédula poderia ser considerada digna de uma cena de novela mexicana. Só faltou aquele close dramático e a trilha sonora pra dar um suspense. Chan esperou diversas reações depois do choque: estrangulamento, cárcere de privado em torres no meio do nada, sermão maior que o de Jesus Cristo, mas, inesperadamente, o que veio foi uma daquelas revelações sem graça de pegadinhas, com a típica frase “Sorria, você está sendo filmado”, que faz todo mundo querer dar um tiro no piadista, porém, ficar um pouco mais tranquilo por não ser sério.


— Eu tô brincando — e riu fracamente.


Esse era o momento perfeito para contornar a situação, mentindo obviamente, mas já havia passado da hora de contar para seus pais e ele já tinha ido longe demais. Antes mesmo de soltar o temido "Mas eu não estou", o pai do garoto sacou que a parada era séria. Não tinha para onde escapar. Não conseguiu disfarçar nem um pouquinho e, inconscientemente, lamentou com seu olhar de cãozinho choramingão, fazendo o coração de Mingyu palpitar de um jeito, que só Deus na causa.


Se você nunca viu o desespero de um pai, Mingyu desesperado é uma primeira opção boa para se ver — mas só no caso de você estar pensando em contar para seu pai que está namorando.


O mais velho não soube o que dizer, só permitiu que o desespero aumentasse mais e mais. Como que, uma coisa como aquela, poderia ser verdade? Não tinha cabimento ou sentido. Nunca vira o filho sair com qualquer outra pessoa que não fosse Seungkwan ou Hansol, seus únicos dois amigos que, ainda por cima, namoravam um ao outro. Como caralhos Kim Chan está namorando?


Talvez Minghao já soubesse há tempos e só lhe deu uma lição sendo cúmplice. Ou então, tivesse razão quando enchia o saco sobre o, quase nulo, diálogo entre pai e filho deles dois.


Quase ficou de pé, pulando como se o chão estivesse queimando. Tantos mas escapando de sua boca. Os pensamentos do homem viajaram para bem longe. Ele tentou, inutilmente, imaginar quem seria o ser responsável por puxar seu filhinho, seu bebezinho, para o lado negro da força.


— Minghao — berrou —, vem ouvir o absurdo que saiu da boca do seu filho.


O chinês surgiu mais rápido que o Flash porque, quando o coreano berra pelos cantos, algo de bom não é. A primeira coisa que chamou sua atenção, fora a enorme figura de Mingyu cobrindo a boca com as mãos. O homem estava a ponto de chorar, mas dele não saiu um ai. Chan continuou atrás da poltrona, acuado, tadinho. Com os braços cruzados, Minghao se voltou para o marido, exigindo, com apenas um olhar, saber logo o motivo do drama. Só o que conseguiu, de quem deveria ser o mais maduro, fora um dedo apontado para o mais novo dos três.


— Me convidaram para um encontro hoje — repetiu, só que agora mais confiante. Minghao era o pai fácil de lidar. Nem precisava de sorte para conseguir total apoio vindo dele.


— Que maravilha! — O chinês deu pulinhos, em excitação, e abraçou o marido de lado. Viu só? Já era meio caminho andado. — É menino ou menina? — quis saber.


Ok! Essa pergunta os levava a uma situação um tanto complicada. Chan não se sentiu preparado para explicar no momento, mas as surpresas viriam logo e ele não viu outra alternativa a não ser segurar nas mãos de Deus e ir. Sabe-se lá para onde.


— Menino, mas tem...


— Nós três vamos escolher o que você vai usar — propôs Minghao. Um desfile de moda masculina, com todas as possíveis combinações perfeitas para um primeiro encontro, tomou forma na cabeça dele. De longe, de perto ou de lado, era o mais empolgado com tudo isso.


— Não! — Chan e Mingyu se opuseram. Minghao levou uma das mão ao peito. Se sentiu ofendido ao ter sua oferta de ajuda em moda rejeitada por duas pessoas, e ao mesmo tempo. Logo ele, o mais bem vestido da casa.


Mas não tinha nada a ver com bom gosto. Chan conhecia bem seu pai, ele o faria vestir e tirar diversas peças para, só no fim, escolher uma simples peças das que ele já tinha experimentado. Já Mingyu, só achou que era um tremendo absurdo seu marido levar a situação na tranquilidade. Algum marmanjo estava a ponto de corromper o bebê deles — se é que já não havia feito — e Minghao cagou, lindamente, pra isso.


— Ah tá! Quem manda aqui sou eu — deu de ombros. — Os dois, passem na minha frente. — Apontou para a escada e continuou assim até que seu filho e marido estivessem a caminho do andar de cima. Assim que chegaram no quarto, Mingyu se sentou na cama com os braços cruzados e um biquinho inconformado nos lábios. Minghao sorriu com a bobice do marido e deu um selinho nele, que só não desmanchou a careta emburrada por pura pirraça.


O chinês abriu as portas do guarda-roupas do filho e, sem pudor algum, retirou todas as peças, antes dobradas e organizadas nos cabides, jogando-as em cima da cama — e de Mingyu também —, em pares já montados por si.


O primeiro conjunto, escolhido a dedo para ser experimentado, era uma jaqueta e calça jeans com um sapato azul. Chan foi até o banheiro para se trocar, pois tinha muita vergonha de que vissem sua nudez, e quando voltou, teve que ouvir vários longas críticas, vindas do próprio aspirante a estilista e, logo após, novas peças foram jogadas em sua cara, literalmente.


Chan se trocou rapidamente e voltou para o quarto com um macacão jeans e uma camisa listrada. Minghao solta um own enquanto colocou uma bandana em sua cabeça, mas o obrigou a se trocar porque, segundo ele, parecia infantil demais para a ocasião.


Depois de experimentar o que, para ele, pareceu ser mais de cem conjuntos de roupas, Chan começou a se perguntar de onde que elas haviam brotado. Já estavam no meio da tarde e Minghao não havia dado sinal de uma peça que definitivamente escolheria para que o filho usasse. O garoto quase concordou com qualquer coisa que saísse da boca de Mingyu, só para escapar dessa sessão de tortura, mas o coreano mais velho era barrado sempre que abria a boca para tentar opinar.


Chan voltou para o banheiro para experimentar uma calça skinny preta e uma camisa xadrez. A calça contornava suas coxas fartas e bumbum, e o vermelho da camisa, parecia atiçar e deixar mais claro que neve qual o conceito estava sendo explorado ali. Ele estava sexy demais e Mingyu não conseguiu se conter. Minghao estava querendo dar seu filho de bandejas para uma ave de rapina necrófaga ou era só coisa da cabeça de um pai preocupado?


— Jesus tenha misericórdia, Minghao. Isso tá muito apertadinho — ralhou. O homem sentiu a pressão ir no inferno e voltar. O chinês deu de ombros, mas fez Chan trocar de roupa... novamente.


Nesse vai e vem cansativo, a cobaia de Minghao acabou experimentando todas as peças existentes em seu guarda-roupa. Não sobrando nenhuma outra opção, Minghao fora obrigado a voltar para as combinações para procurar algo, no mínimo, aceitável. Como esperado, fez o menino vestir o conjunto jeans do início. Cansado de tirar casaco e botar casaco, Chan já não conseguiu se vestir perfeitamente e o chinês teve que se ajoelhar para abotoar os botões da jaqueta dele. Mingyu somente admirou os dois, deixando alguns suspiros escaparem.


Pareciam ter voltado no tempo, quando os dois mais velhos estavam arrumando o filho para seu primeiro dia de aula. Seu pequeno estava tão assustado que ele precisou convencê-lo de que estava tudo bem, diversas vezes durante o banho e o café da manhã, até quando chegaram na escolinha e, felizmente, Chan viu que não tinha o por que temer. Ah, que tempo bom!


Eles só tinha de se preocupar com uma fobia boba de escola e não com um encontro, um namoro, algo mais sério e preocupante. Sempre dava para pesquisar sobre a índole de uma instituição de ensino, já a de uma pessoa, era mais complicado, qualquer informação poderia ser falsa. Um pouco de confiança e credulidade e eles estariam entregando seu bem mais precioso de mão beijadas a um marginal.


Chan cresceu bastante, já era quase um homem. Um incrível e maravilhoso homem. Mingyu não desistiria de evitar qualquer coisa que pudesse ser uma ameaça para ele. E pensar que tudo poderia ter sido mais fácil com o bom e velho diálogo. Sempre fora um pai presente e companheiro, mas não tinha o costume de aconselhar ou bater papo. Era muito sem assunto para isso. Mas eles poderiam ter conversado mais, isso é fato, um pouco de esforço e, boom!, uma terrível dor de cabeça sendo evitada. Agora já era um pouco tarde, quase impossível de evitar que seu bode se soltasse. Quem mandou deixar o nó folgado?


— Tsc, tsc, tsc — reprovou Mingyu. — Nem tem bunda. Tá parecendo um bicho-pau.


Minghao, ainda agachado, perdeu o equilíbrio e caiu de bunda no chão ao ouvir os resmungos do marido. Nunca havia amaldiçoado tanto alguém em pensamento, quanto havia feito com o poste qual havia se casado. Nem era verdade, Chan havia sido abençoado por curvas e abundância em certas partes do corpo. Qualquer roupa cairia perfeitamente bem nele, pois, mesmo que pouco, as saliências do corpo dele eram bastante perceptíveis.


Mas não precisava ser algo real se fosse só para fazer com que aqueles dois desistissem daquela besteira, o que, nem de longe, daria certo. Só Deus e Kim Minghao sabiam o quanto havia orado para que esse dia chegasse. Como Chan era filho único, Minghao queria sentir todas as emoções de ver seu neném passando por todas essas fases e nem Kim Mingyu, com seu maldito drama, estragaria o momento.


— Se ficar sabotando, eu vou te colocar de castigo — ameaçou e ignorou o ser reclamão. Um sorriso satisfeito surgiu em seus lábios, ao apreciar seu belo trabalho, e se intensificou mais quando ouviu a campainha soar.


Automaticamente lançou um olhar significativo para o filho sem nem perceber que o garoto estava inquieto ou que as mãos dele começaram a tremer. Era só o soar da campainha, mas Chan também poderia afirmar que era o som da morte — um duplo… ou triplo homicídio.


As pernas de Chan bambearam. Não era só necessidade de se sentar para descansar um pouco, era também o nervosismo por saber quem estava na porta. E agora sim, a casa iria cair.


— Vai atender a porta — expulsou Mingyu do quarto.


— Não! — Os coreanos da casa se opuseram pela segunda vez no dia. Aqueles dois queriam adiar o momento. O mais velho principalmente, desejando impedir que o pretendente de seu filho entrasse em sua casa — e na vida deles também — através de suas mãos. Minghao nem conseguiu acreditar no que ouviu, por isso, fingiu-se de surdo.


— Deixa que eu vou — ofereceu-se Chan, da forma mais casual que seu desespero permitiu.


— Não, eu ainda tenho que arrumar seu cabelo — e começou a organizar as madeixas castanhas do filho.


O ding dong da campainha ecoou mais uma vez e Mingyu recebeu um olhar ameaçador o suficiente para fazê-lo sair dali.


— Tomara que essa peste desista — resmungou, enquanto saiu do quarto, e por pouco não recebeu uma sapatada na fuça.


Com zero disposição, Mingyu deu uma corridinha fingida, mas logo diminuiu o ritmo, e seu caminhar poderia ser comparado ao de uma tartaruga. Ao invés de seguir caminho, aproveitou o espelho da sala para treinar sua cara de durão. Grrr!, rosnou para o espelho com sua melhor/pior careta e se xingou ao ver o reflexo de seu braços magricelas. Deveria ter malhado mais. Ainda tinha muito o que melhorar, mas era o que tinha para hoje. Maldito Minghao e seu costume de fazê-lo desistir de musculação com frases de aceitação do corpo — mesmo que ele só estivesse fazendo isso só para conseguir proteger seus dois tesouros, e não por vaidade.


Em frente a porta, socou o ar como Sylvester Stallone em Rocky, um lutador. Não havia se preparado assim nem mesmo quando se meteu em sua primeira e única briga na adolescência. Se bem que briguinhas de criança não se comparava em nada com defender a honra de seu único herdeiro. Com mais algumas cerimônias, congelou a mão na maçaneta, orando para que o ser, que insistentemente continuou no outro lado da porta, desistisse de estar ali.


Obviamente, o ding dong continuou e Mingyu desconfiou que o futuro namorado de Chan era brasileiro. Ou meio brasileiro, porque, quando finalmente abriu a porta, se deparou com um rapaz com olhos que poderiam ser confundidos com um horário no relógio.


— Eu sou o Soonyoung, namorado do...


— Eu sei bem o que você é — interrompeu o garoto, grosseiramente. — Entra logo!


Soonyoung cambaleou para dentro da casa, assustado. O pai de Chan parecia bem mais assustador e bem mais alto do que ele havia descrito para Seokmin e ele... E por falar em Seokmin, foi nele que Soonyoung pensou quando pediu, com a voz alarmada, para que Mingyu não fechasse a porta.


Mingyu se assustou quando um outro rapaz apareceu, com um sorriso enorme e era uns centímetros mais alto que o primeiro. Mingyu observou o moreno da cabeça aos pés e encarou Soonyoung com cinismo. Não estava acreditando na cara de pau do rapaz de trazer um amigo para enfrentá-lo.


— Você é o...? — indagou, fechando a porta, mas antes, se certificou de que não tinha mais ninguém do lado de fora. Aquilo estava parecendo um complô e ele tinha certeza de que seria o alvo. Se fosse, seria mais fácil lidar com os dois que havia entrado na casa primeiro e, logo após, chamaria reforços para se livrar do restante.


— Prazer, eu sou o Seokmin — apresentou-se e Mingyu segurou sua mão estendida, apertando-a um pouco. O rapaz se livrou do aperto, com um pouco de dificuldade, e sorriu constrangido. — Sou namorado do seu filho e namorado do namorado dele.


O sol parecia ter caído bem na cabeça de Mingyu. Além de sentir a terra realmente girar, só conseguiu ver um forte clarão. Se ele havia morrido, nem de longe havia ido para o céu, pois aquilo era um inferno. Caso contrário, que fosse uma brincadeira, porque não era possível que um de seus piores pesadelos houvesse se multiplicado.


— Kim Chan, desce aqui — berrou. Seus os olhos saltaram para fora quando os dois visitantes deram um selinho de saudação. — Agora!

30 de Setembro de 2018 às 18:25 0 Denunciar Insira 2
Fim

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~ neila ꒰🍶꒱ 99 line, capricórnio, ficwriter, poliamor entusiasta, multifandom, multishipper, hades and hufflepuff ᶤ ⟆ ˚☂

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