A teoria do caos Seguir história

ayzu-saki Ayzu Saki

Alguns eventos moldam as pessoas. Acontecimentos que transformam o caminho de alguém totalmente, por terem um profundo impacto no que são e poderiam ser. Nem sempre você reconhece esse evento até que ele bata na sua cara. Em algum universo Izuku Midoriya se tornaria o herói número um com um poder herdado. Em outro, ele criaria seu próprio poder. -Você não pode ser um herói sem uma quirk, Deku! -Quer apostar como posso, Kacchan?


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

#bnha #todoroki #izuku #teoriadocaos #shinsou #SupportCourse #Hatsume #Dekubowl #VigilanteDeku #Class-A #GeneralClass #Class-B #dadzawa #dadmight
18
5526 VISUALIZAÇÕES
Em progresso
tempo de leitura
AA Compartilhar

Capítulo I – O homem que trabalha com lixo

Notas inicias

Agradeçam a Clara por essa fic. Ela me pressionou até sair, então vai para ela. 

Milly, como sempre também <3

Então, basicamente é Izuku não recebe uma quirk, ainda assim se torna um herói. Ou mais ou menos isso. 

...........................................................................


“O bater das asas de uma borboleta pode provocar um tufão do outro lado do mundo.”

Teoria do Caos - Edward Lorenz

Existem alguns eventos na vida que te marcam e mudam para sempre. Que moldam uma pessoa, e assim podem desencadear acontecimentos inesperados. Um pequeno acontecimento, uma mudança de nada, pode causar um impacto que abala os alicerces do conhecido.

Izuku Midoriya entendia bem disso.

Ele entendia desde que um osso extra colocou uma pedra no caminho do seu grande sonho, o excluiu dos demais e tornou sua vida bem mais difícil. Ou como ao estender uma mão para alguém acabou o fazendo perder quem considerava um amigo.

Nem sempre você entende o impacto do grande evento, até que ele bata bem na sua cara.

Por isso Izuku não sabia que ao chegar em casa naquele novembro aos seus dez anos e se deparar com um homem desconhecido tomando chá com sua mãe seria um desses eventos.

-Tadaima. Oka-san?

Sua mãe o olhou com um sorriso nervoso no rosto, mas não parecia ter um perigo eminente – e isso dizia muito da sua vida nos últimos tempos quando conseguia reconhecer uma presença nociva de longe. -, ainda assim não relaxou.

-Okaeri, Izu-kun. Venha cumprimentar seu otou-san.

O homem-agora-não-tão-desconhecido o fitou, deixando a xícara na mesinha e vindo na sua direção. O sorriso no rosto lhe dando um aspecto juvenil, mesmo com os olhos vermelhos que lhe lembravam Kacchan. Olhos que ele aprendera a associar com perigo já há algum tempo.

-Izuku!

As sardas eram iguais as suas, o cabelo a mesma bagunça, apenas de uma cor diferente. Era como ver a si mesmo com outras cores. Agora entendia porque sua oka-san tinha problemas em o fitar algumas vezes. O sorriso jovial o fez relaxar ainda mais, embora ainda estivesse tenso com a surpresa quando o homem o abraçou sem aviso.

-Você está tão grande!

O homem-agora-não-tão-desconhecido, Hisashi Midoriya o largou, o analisando. Os dois se avaliando para ser mais preciso. Se medindo cuidadosamente.

Izuku era um garoto inteligente. Muito inteligente. Por isso ele percebeu que por trás do sorriso luminoso, dos olhos suaves, havia algo a mais.

Ele percebeu ali, ainda na soleira da porta, com sua mãe de pé no sofá os fitando de forma incerta, três coisas vitais sobre o pai que não lembrava:

Primeiro, Hisashi Midoriya era um homem perigoso.

Dois, ele era completamente devotado a família.

Terceiro, ele era mais parecido com seu pai do que havia imaginado.

............................................................

Ao que parecia a visita não era permanente. Era apenas isso: uma visita. Izuku buscou dentro de si algum sentimento em relação a isso, mas não conseguia. Afinal, naquele ponto, Hisashi Midoriya era apenas um estranho que viera jantar com eles. Que passara a noite perguntando sobre a escola, sonhos, mirando o filho enquanto ele tentando elaborar meias-verdades sobre sua inexistente vida social.

Ninguém precisava saber que ao invés de ir ao parque brincar com ‘amigos’ ele passava a maior parte do tempo fora de casa assistindo lutas de heróis, ou fugindo das ‘brincadeiras’ dos outros garotos da vizinhança. ‘A caça ao quirkless deku’, por exemplo, era um jogo ao qual era peça vital, mas que não gostava muito de se envolver se possível.

Não era algo que se contava ao pai que havia acabado de conhecer, quando nem sua mãe sabia.

E ainda assim, de alguma forma, ele sentia que não era tão fácil assim enganar aquele homem quanto era de apaziguar sua adorada e inocente oka-san.

-Então, no que otou-san trabalha?

Sua mãe que ria baixo de alguma coisa que seu pai falara parou de rir, olhando dele para seu pai um pouco alarmada. Tentou não ficar mais nervoso com isso, olhando a reação do homem com a pergunta, pronto para recuar e pedir desculpas se necessário. Apesar da pergunta ser bem inocente ao seu ver.

Os filhos geralmente sabiam no que os pais trabalhavam certo? Ainda mais um trabalho que permitia a ele enviar uma quantia suficiente na conta da sua mãe todo mês para ela nem mesmo precisar trabalhar nos últimos dez anos.

Seu pai não parecia aborrecido ou alarmado com a pergunta. Ao contrário, podia notar certa diversão nos olhos vermelhos.

-Ah, Izuku, eu trabalho com lixo.

Certo, não esperava por isso.

-Li..xo?

Sua voz soou cética, e o homem sorriu mais.

-É. Seu otou-san é o responsável por remover o lixo do Japão que passa desapercebido.

-Então, por que não está no Japão?

O homem deu uma pequena risada, os dois se encarando sem piscar.

-Porque de vez em quando o lixo do Japão acaba indo parar em outros países, e então otou-san tem que ir cuidar desse lixo lá. Pega mal para o Japão sujar outros países, certo?

-Certo... – concordou incerto. – Eu não sabia que...lixo, podia ser uma renda tão grande.

Por alguma razão sua mãe se engasgou com o chá com isso, seu pai dando batidinhas nas costas dela rindo.

Estranho.

-Onde há pessoas, há lixo Izuku.

Geralmente conseguia perceber quando alguém mentia, era observador assim. Seu pai não parecia estar mentindo.

E ainda assim aquilo não fazia nenhum sentido.

Deu de ombros e continuou a comer.

No fim da noite, sua mãe foi dormir e os dois ficaram de lavar a louça. Sabia que era uma desculpa da sua oka-san para os dois terem um momento pai e filho. Por alguma razão a pegara olhando para os dois com uma expressão entre incrédula e divertida em vários momentos da noite.

-Sua mãe me disse que quer ser um herói.

A voz baixa interrompeu o silêncio dos dois enquanto enxugava o que seu pai lhe entregava. Quase derrubou o prato ao ouvir isso.

Era o que esperava e temia. Durante toda a noite o assunto ‘quirk’ não havia sido levantado. Mesmo que estivesse se roendo de curiosidade para analisar a dele, nenhum dos três levantou o assunto. E falar sobre ser herói sempre deixava sua mãe triste, e os olhares de remorso e pena dela sempre o deixavam desconfortável.

Outro motivo era algo que havia acontecido anos atrás, logo que havia recebido o maldito diagnóstico – como se fosse uma doença – sobre sua falta de quirk. Algumas crianças na escola, que sabiam sobre a ausência do seu pai começaram a comentar que ele havia deixado sua mãe por ‘o filho ser um inútil quirkless’. Por meses isso se tornou o insulto mais frequente, embora estranhamente Kacchan nunca tivesse o usado.

Ele nunca comentou isso com sua mãe, ela nunca poderia saber. Ignorou isso, como tentava ignorar qualquer palavra desencorajadora que recebia, e ainda assim...sempre havia ficado essa dúvida. Será que era verdade?

-Izuku?

-Hum...Ah, Sim! – Juntou sua coragem, mesmo que seus olhos ainda estivessem no prato, já há muito enxuto, na sua mão. – Quero ser um herói.

Ele esperou várias respostas a isso. O ‘me desculpe’ de tantos anos atrás da sua mãe, ‘você não pode ser um herói, é um inútil’ que ouvia praticamente todos os dias de todo mundo, ou ‘pare de sonhar deku!’ que já estava acostumado.

Por isso o que veio foi tão inesperado.

-Por quê?

Quase derrubou o prato novamente, e dessa vez seu pai pegou com reflexos rápidos – rápidos demais -, sem comentar sobre seu deslize.

-Como?

- Por que quer ser um herói?

Seu tom era neutro, não conseguia identificar ceticismo, escárnio ou pena na pergunta.

-Eu quero...ajudar as pessoas!

-Bem, não precisa ser um herói para isso. – Seu pai fechou a torneira e enxugou as mãos, começando a preparar um chá para os dois. – Médicos ajudam pessoas. Enfermeiros, policiais, bombeiros. Pessoas que cuidam do lixo. Por que um herói?

Ele parecia interessado. Realmente interessado. Nunca ninguém havia ficado interessado.

Izuku o seguiu na cozinha, os olhos arregalados e um pouco úmidos, a voz tentando ficar firme.

-Eu quero salvar as pessoas. – Respondeu, tentando colocar em ordem o que pensava, ainda chocado com essa reviravolta. – Mesmo...mesmo quando eu não estou lá, entende? Quero que só de pensar que posso chegar, que eu existo, possa deixar as pessoas tranquilas. Eu quero...eu quero salvar as pessoas com um sorriso.

Talvez tenha uma pose no final por acidente, se a risada do seu pai significou alguma coisa. E nem era uma risada de escárnio!

-Um fã do All Might, sua mãe me falou mesmo. E...– Ele apontou para sua blusa, com a estampa do herói. – Bem. Salvar as pessoas com um sorriso, hum? Ser um símbolo.

Assentiu rapidamente, porque seu pai realmente parecia interessado. De verdade, com uma expressão calculista nos olhos vermelhos.

E de repente se sentiu inseguro com esse olhar. Desinflando. As frases que ouvia diariamente se repetindo na sua mente e desviou os olhos para as mãos, brincando com a barra da camisa.

-Izuku?

-Eu sei que parece bobo. – Seus olhos arderam, e achava um milagre não ter chorado naquela noite ainda. Devia ser um recorde. – Porque eu não tenho quirk, mas...

-Izuku. – A voz mais severa o fez o fitar de canto.

Seu pai tinha uma expressão ainda mais analítica no rosto, os olhos, notou, fitando as marcas de queimadura em seu braço que não tinha tido tempo de tratar ainda. Engoliu em seco, se sentindo um inseto sendo avaliado de forma tão intensa.

-Izuku, você sabe o que significa o surgimento das quirks?

-Hum?

E novamente seu pai o tirava do eixo na noite. O olhou confuso, e o homem riu, a mão em seu cabelo.

-Significa que elas não existiam antes. E ainda assim, a humanidade sobreviveu. Existiram heróis antes, você sabe?

-Oh...

O homem riu de algo na sua expressão.

-Você é esperto, mas também é bem bobo.

Fez um muxoxo e seu pai limpou seu rosto com o pano de prato. Ao que parece chorar era inevitável.

-Parece que esqueceram do que os heróis são feitos. – A voz dele soou mais ausente, como se falasse consigo mesmo também. – Além de um poder brilhante, e fama. Tem muita gente salvando milhões por aí que nunca vão ser reconhecidos...E então eles ficam julgando quem tem ou não algum poder, se esse poder é de herói ou não. Eles criam os vilões. Eles fabricam o próprio lixo.

-Otou-san?

-Ah, desculpe Izuku! Seu velho estava só pensando. Então garoto, você quer ser um herói, quer ajudar as pessoas. Ser um símbolo. Qual o plano?

-Plano?

-É, plano. – Seu pai bagunçou seu cabelo e se voltou a preparar o chá. – Não é só dizer sabe? Você tem cabeça, uma cabeça muita boa. Tem que usá-la. Eu não vou mentir para você, Izuku, você está em uma grande desvantagem nessa sociedade. Não me olhe assim, não precisa chorar!

Assentiu, limpando o rosto.

- O que quero dizer é que, você pode ser um herói Izuku. Não vai ser fácil, mas pode fazer acontecer. Agora, vamos tomar nosso chá, e depois dar uma olhada nesses ferimentos que vem escondendo a noite inteira, e ter uma conversa sobre isso. Ah, está chorando de novo?

-Não estou.... – Soluços.

Você pode ser um herói, Izuku.

Foi a primeira vez que alguém lhe disse isso.

-Claro que não está. Uma torneira abriu na sua cara. Tem certeza que essa não é sua quirk?

Riu entre os soluços, limpando o rosto como conseguia, seu pai ainda esfregando sua cara com o pano de prato sem jeito.

-Pode... – soluço. - Me mostrar – mais soluço e catarro - Sua quirk depois?

...........................

Seu pai saiu cedo no outro dia, antes mesmo que levantasse. Não sabia se havia sido sonho ou não, quando o notou ao pé da sua cama, uma mão em seu cabelo.

Ou se imaginou as palavras dele.

-Não deixe que ninguém diga que não consegue, nem eu, nem sua mãe, nem ninguém. Eu quero ver no que vai se tornar, Izuku.

Izuku nunca mais veria seu pai.

...........................

Alguns eventos moldam as pessoas. Acontecimentos que transformam o caminho de alguém totalmente, por terem um profundo impacto no que são e poderiam ser.

Em algum universo, um em que Hisashi Midoriya não receberia a oportunidade de ver a esposa e filho por uma última vez, Izuku Midoriya continuaria com seu sonho em ser herói, mesmo contra tudo, sem ninguém que acreditasse nele. Ele se tornaria um, eventualmente, ao receber finalmente uma quirk. Pois não podia existir um herói sem uma, certo?

Nesse, aos dez anos de idade o pequeno mundo de Izuku mudou totalmente de órbita, pelo simples fato de alguém acreditar nele.

Então, naquele dia, ao chegar na escola ele ignorou os insultos...

Não deixe que ninguém diga que não consegue.

... E se pôs a pensar...

Não é só dizer sabe?

...A mente nos heróis antigos. Que fabricavam seu próprio poder e desafiavam todos os contras.

Você tem cabeça, uma cabeça muita boa. Tem que usá-la.

Ele poderia fabricar seu próprio poder também certo? Só precisava de material para isso. E ele havia visto já uma fonte de material no lixão ao passar em Dagobah Municipal Beach Park pela manhã...

Otou-san trabalha com o lixo!

...Ele sempre fora bom em construir coisas. Era hora de testar isso. Aulas de autodefesa também, continuar suas análises...

Você está em uma grande desvantagem nessa sociedade.

...Transformar as desvantagens ao seu favor.

-Você não pode ser um herói sem uma quirk deku!

Um sorriso, aparentemente aprendido com maestria em apenas uma noite de convivência.

Você pode ser um herói, Izuku.

-Quer apostar como posso, Kacchan?

.................................................

29 de Setembro de 2018 às 00:53 5 Denunciar Insira 8
Leia o próximo capítulo Capítulo II – O menino que brinca com lixo

Comentar algo

Publique!
Red Cherry Red Cherry
QUE MARAVILHOSO EU AMEI
7 de Maio de 2019 às 09:57
Nathy Maki Nathy Maki
Eu não creio que acabei de ler assim que o próximo capítulo foi lançado huhheheh essa coisa coincidência tá virando um caso grave :v Todos sejamos gratos a Clara por livre e espontânea pressão já que agora teremos essa história maravilhosa e que promete muitas e muitas teorias <3 Eu sempre digo o quanto amo o seu jeito de envolver o leito com as palavras, porwue eu confesso que fiquei caidinha já nos primeiros parágrafos! Amo essa coisa de linhas do tempo paralelas e aquo nós vemos o pai dele dando o incentivo que no anime foi dado pelo All might. E o pai dele aparecendo??!! Eu to muito bolada pq aderi muito a sua outra fic dos cigarros e fico imaginando o momento que ele vai revelar que esse "lixo" com que ele mexe é na verdade um salvamento dos vilões pra formar a liga e vai se mostrar como all for one. Então... ah, bom, eu to teorizando demais já kkkkk vou esperar pra ver :3 Mal posso esperar pra ele deixar todo mundo de boca aberta usando o cérebro muito bom que ele tem! Beijinhos <3
10 de Outubro de 2018 às 14:20

  • Ayzu Saki Ayzu Saki
    Teoria e teorias e mais teorias haha 10 de Outubro de 2018 às 18:48
Crazy Clara Crazy Clara
Estou muitíssimo grata por ser uma das culpadas por essa maravilha. É um pequeno capítulo com lindas palavras, cara, aaai. Por partes. Você gosta de ficção científica, não é? Assim, estou me baseando em postagens e agora nessa história. Ela deu um sabor especial, Ayzu do céu, arrepiou tudo nesse final. Algo bem cabível dentro do próprio canon, já que ele passou a dar tudo e si para ser um herói quando All Might disse que ele poderia ser. Aí vem esse cara, pai, e fala para ele que pode. E vem cá, você é prol da teoria de que ele é o All For One, não é? Meus dedos estão coçando aqui, eu quis gritar o tempo todo que descrevia as ações dele. Mas ok, é o primeiro capítulo, não farei teorias, quero assistir e aproveitar. Você é soberba na arte de me prender na escrita. De novo, faça sempre. Muito obrigada por colocar em prática essa ideia linda <3
28 de Setembro de 2018 às 20:24

  • Ayzu Saki Ayzu Saki
    Eu vou despejar minhas maiores ambições de bnha nessa estória hahaha Sobre o pai dele, não sei o que comentar sem dar spoiler...mas amei escrever esse filho de mãe. Muito mesmo. 28 de Setembro de 2018 às 20:45
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 19 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!