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yria Yria Rivers

[fanfic halsey] Todos os conhecem, todos os observam — os holofotes focam as suas tristezas, as suas alegrias, os seus desgostos. A dor dentro dos peitos das pessoas que estão no topo do mundo, que os retraem, os puxam para dentro de um buraco sem fundo, têm poucos braços estendidos e preparados para os ajudar a viver. Para Ashley, tornar-se reconhecida pelo seu trabalho era um objetivo, mas com o dinheiro e as drogas a aparecem nas suas mãos, a sua vida tornou-se espiral decrescente. Ela sempre se viu como uma rapariga com mente astuta e firme, alguém que não era facilmente influenciável... Porém, quando se viu apaixonada e o ouviu a retribuir, tudo mudou. Não era real. Não podia ser real com tantas gargalhadas e sorrisos dormentes, com tantos passos inebriados e pupilas dilatas. Pensaram que era amor. Não era. Ashley deveria saber que ambos eram demasiado quebrados para conseguir estar juntos sem se magoarem. Deveria saber que era uma armadilha adocicada com espinhos. E ela sabia. Mas deixou-se cair na mesma.


Fanfiction Celebridades Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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É tudo cor de laranja

As mechas azul turquesa de Ashley esvoaçavam com o vento leve que levantara com a chegada do outono. Ainda estava quente o suficiente para apanhar banhos de sol como Patricia fazia naquele momento, mas a praia já estava vazia e as pessoas começavam a voltar aos seus trabalhos habituais.
- Merda! - Patricia deu um salto da espreguiçadeira onde estava deitada, tirando os óculos de sol da cara. A irmã praguejava e arrancava mais uma folha do seu bloco de desenhos para a areia, mais frustrada a cada tentativa falhada. - Até um miúdo de cinco anos consegue fazer isto, mas eu só consigo fazer merda! - Explodiu, com fios coloridos de cabelo a cair-lhe para a frente dos olhos.
O céu estava cor de laranja. Ashley não via mais nada a não ser aquela cor vibrante a tornar-se cada vez mais densa conforme o tempo passava; era tão forte que quando fechava os olhos continuava a vê-la. Os seus sentidos não distinguiam outra cor enquanto o sol descia no céu e pousava no mar. Não havia o leve cor de rosa a extinguir-se no azul celeste, nem o vermelho sanguinário a irradiar do sol. Ela podia comparar-se àquela imagem, confrontar as suas emoções com a pobreza de cores no céu, mas chegava a ser absurdo, já que até aquela cor transmitia mais vida que ela própria.
- Se continuares a gritar e a rasgar tudo o que tentas fazer não vais a lado nenhum. - Advertiu Patty. - A tua inspiração vai e volta. Hoje não estás nos teus dias, relaxa e vais ver que amanhã estás melhor. - Aconselhou, com a voz calma e relaxada.
Ashley revirou os olhos, ignorando a irmã mais velha. Patricia era modelo, estava ali de férias para se bronzear e passar o tempo no ginásio, nunca tivera de lidar com brancas, falhas de inspiração, frustrações que enlouquecem. Já Ash só queria ser uma artista, queria tirar partido e aproveitar a natureza à sua volta; o pôr do sol visto das traseiras de sua casa era lindo para isso, mas depois de mais de vinte anos a vê-lo todos os dias, já não havia nenhuma particularidade que conseguisse acrescentar aos desenhos.
Ali era tudo cor de laranja. Desejava ver algo novo, estar em sítios diferentes…
- Estou a dar em doida… - Baixou a cabeça, esfregando as mãos no couro cabeludo onde as raízes negras já se começavam a notar.
Sabia que as pessoas não compreendiam, mas as suas quebras de inspiração eram mais longas do que gostaria, faziam-na sentir como se parte de si desaparecesse para uma dimensão que ela não sabia se alguma vez conseguiria alcançar. Doía-lhe por dentro, porque, por mais que tentasse nunca conseguiria fazer aquilo que estava planeado na sua mente. Deixava-se horas sem dormir, desperta até de madrugada, à espera que o franzim na sua cabeça e nos seus dedos voltasse. Por vezes acontecia voltar nos dias em que estava tão cansada que nem se conseguia levantar da cama; mesmo assim, para ter a certeza de que voltava, tinha que pegar num bloco e desenhar o que via da sua janela. A inspiração vinha-lhe sempre nas alturas menos convenientes.
Patricia levantou-se e pegou numa das folhas amassadas, indo sentar-se na ponta da espreguiçadeira da sua irmã; tinha vestido um casaco fino para a proteger da aragem fresca do anoitecer.
Ashley ficou a observá-la. Ela era tão linda. Nunca se admirara do sucesso que a sua irmã fizera assim que chegara às agências de modelo. O seu cabelo curto pelos ombros ajudava-a a tornar-se num camaleão durante as suas caminhadas pela passerelle, a sua pele morena e perfeita sem a ajuda de maquilhagem era de invejar, o seu corpo magro e trabalhado era deslumbrante. Patty era exatamente como as raparigas que apareciam nas revistas — já que era uma delas. Meninas matavam-se diariamente por não se parecerem a si, mas Patricia também passava dias infernais e esgotantes para ser como era. Saber da vida e das dificuldades da sua irmã fazia a inveja de Ash evaporar-se.
- Ashley, isto está lind—! - A mais velha ia elogiar o seu trabalho, mas foi interrompida.
- Está igual aos outros! - Ashley tirou-lhe a folha para a voltar a mandar para longe. - Estou farta deste sítio… - Admitiu.
Patty não a contradisse, permaneceu calada a fitá-la. Já trabalhava fora de casa havia longos, por mais que tentasse estar sempre em contacto com todos e até decidisse passar as suas férias na sua casa de família, ao contrário de muitas das suas colegas, ela não sabia lidar com a sua irmã quando ela estava insegura ou menos feliz. Desde pequena que Ashley tinha uma personalidade forte e difícil, não era toda a gente que a conseguia controlar e ajudar quando precisava. Aquele era um dos casos em que ela precisava de dizer a coisa certa, colocar-lhe um sorriso na cara e levantar-lhe o queixo, mas as palavras não apareciam e a sua língua estava presa. A verdade era que não a conhecia.
A mais nova fitava-a de volta, hesitante, mas quando Patricia não disse nada, ela ganhou coragem.
- Mana… Posso ir contigo para Shannara?
A rapariga de cabelo castanho pestanejou algumas vezes antes de falar, surpresa.
- O quê?!
- Quando voltares para Shannara, achas que posso ir contigo? - Havia esperança em Ashley, mas a sua irmã estava demasiado estupidificada para vir dali uma resposta positiva. A vontade de lhe fazer aquela pergunta vinha de há algum tempo, mas só agora é que se sentia próxima o suficiente a si para a fazer.
- Ash…
- Vai-me fazer bem sair daqui! - Continuou, antes de ouvir a negação. - Estar estagnada neste cidade é um pecado para a minha inspiração... - Agarrou nas mãos da irmã, observando os seus grandes olhos castanhos mel. - Prometo não fazer asneira.
- Não. - A resposta foi curta e dura, não era o que a de cabelo turquesa esperava ouvir depois da sua súplica.
Sabia bem o que é que a irmã pensava de si: era a chata da irmã mais nova que se metia sempre em problemas por ter sido mais mimada. Mesmo que isso seja verdade, é assim tão complicado deixar-me viver num dos quartos da mansão em que ela vive?, perguntava-se a si própria. Patricia fechou os olhos durante uns segundos enquanto abanava a cabeça. - Não posso, Ash. Não é porque não quero, é porque aquele mundo não é para ti. Tu sabes o que é que aconteceu da última vez… - A rapariga levantou-se com as mãos em punhos, cortando a palavra à irmã.
- Isso é passado! Não vai acontecer nada de mal se voltar! - Retorquiu. - Eu não preciso de estar nesse mundo: no teu mundo! Eu só quero mudar de cidade, explorar o estrangeiro. Sabes que a mãe não me vai deixar até provar que, pelo menos, sobrevivo se estiver contigo. - Ela era maior de idade, tinha nascido há vinte e dois anos e poucos meses atrás, mas toda a sua família tinha que se meter na sua vida por conta dos erros do passado. Procuravam controlá-la e assegurar que nada de mal lhe acontecia, por isso, ela não podia sair de Allanon sem uma companhia em que eles confiassem.
- Não, Ashley. - Abanou a cabeça. - E não vou discutir mais este assunto!
Havia uma centelha no olhar de Ashley que fez Patricia desconfiar que a irmã não iria desistir do assunto. Quando, após uma semana do seu pedido, ela não disse mais nada, Patty fez as malas para voltar para Shannara, desconfiada e à espera de uma nova suplica que não chegou. Do pouco que conhecia da irmã, sabia que Ashley costumava ser cabeça dura e nunca desistia até conseguir o que queria, era estranho ela comportar-se como se nada tivesse acontecido, nem mesmo dizer nada aos pais na tentativa de os convencer a ir. Mesmo assim, Patty também nunca perguntou se já desistira da ideia, com medo que ela tentasse a voltar e, desta vez, conseguisse vencer.
A sua desconfiança estava certa. Ash estava a arder por dentro com vontade de sair daquela cidade claustrofóbica. Enquanto em Allanon as pessoas só sabiam ser felizes a preto e branco, na monotonia do quotidiano, Shannara era diferente. Shannara tinha vida, cor, liberdade; tudo o que Ashley procurava para poder explorar a vida à sua volta.
- Mãe, eu vou! - Voltou a dizer, frisando bem as palavras para que Amelia compreendesse que não havia volta a dar. - Tenho o meu dinheiro, sou maior de idade. Vou estar com a Patty, não há nada que me possa acontecer!
Amelia juntou as mãos uma na outra e pousou a cabeça em cima delas, respirando fundo para ganhar paciência. A filha já sabia o que ela ia dizer — ia voltar a repetir os perigos do lado negro que existia na cidade, aquilo que a tinha destroçado da última vez, fazendo-a sair com o rabo entre as pernas de volta à sua cidade natal. Ash sabia melhor do que ninguém desse lado negro. Existiam vários perigos. Claro que uma cidade de famosos ricos e poderosos e uma periferia pobre com pessoas a rastejar por comida, não seria a cidade mais segura, mas era aquela que ela queria.
- Não, não. Não precisas de voltar a gastar as tuas palavras. A minha mala está pronta. Já contratei alguém para me vir buscar os cavaletes e coisas que não consigo levar agora comigo. - A teimosia era algo que corria nas veias de Ashley, era um defeito que ela gostava de transformar em elogio ao chamar-lhe perseverança.
- E tu, Roland, não dizes nada? Vais deixar a tua filha sair de casa para voltar para aquele lugar? - Perguntou ao marido.
As lágrimas enchiam-lhe os olhos, mas não lhe caiam. Estava incrédula e preocupada, sabia que a filha não iria mudar de ideias, mas também não a podia prender. A sua decisão de sair de casa iria avante e ela não tinha nenhuma opção a não ser deixá-la ir.
- Não sei… desde que ela esteja com a irmã e que dê notícias… não vejo problemas. - Admitiu Roland com um encolher de ombros.
- A Patricia nem sequer tem tempo para ela, quanto mais para a irmã! - Amelia estava determinada em arranjar pretextos para não deixar a filha mais nova ir embora, mas Ashley não ia deixar que isso acontecesse. Assim, respirou fundo para não se enervar e levantou-se. Colocou a cadeira onde estivera sentada no lugar e pôs a mala às costas. - Precisas de ligar ao—!
- Vou chegar atrasada ao comboio, ele parte daqui a vinte minutos. - Interrompeu a mãe e virou-se para o pai. - Importas-me de levar?
Roland abanou a cabeça e levantou-se, fitando a mulher quando pegou na chave do carro. Com ele era tudo fácil. Embora ainda estivesse reticente, o seu pai raramente conseguia dizer que não quando os argumentos falhavam. Normalmente, os problemas e os obstáculos só surgiam quando se falava de Patty e da sua mãe.
- Vou ficar bem, eu ligo. - Prometeu. Aproximou-se da mulher de olhos verdes e beijou-lhe a testa em jeito de despedida.
Ashley só descansou em frente à mansão da irmã, em Shannara. Esta, estava situada num local semelhante ao que vivera durante toda a sua vida: era uma casa de praia, com vista privilegiada para as águas turquesa do mar, no entanto, enquanto em Allanon todos podiam ir até à praia, ali a zona era privada dos inquilinos e vizinhos. Assim, Patty poderia viver num ambiente conhecido, que a ajudava a viver afastada de Allanon, (coisa que Ash nunca entenderia, já que ela queria era ver sítios diferentes, para poder viver novas aventuras), e ter a sua privacidade, longe de fotógrafos intrometidos.
A rapariga sorriu, com as mãos a apertar as alças da mala de campismo que trazia às costas. Patty ia ter um ataque quando a visse. A sua irmã tinha deixado bastante claro que não a queria por perto, mas a mais nova não lhe dava muitas hipóteses, trazia um sorriso de orelha a orelha só de pensar na cara que a irmã faria.
Ela ainda estava atrás do portão, mas depois da campainha ressoar pela casa, a porta da frente abriu-se, mostrando a cara de um rapaz que lhe era desconhecido. O último empregado era um ruivo alto e bem musculado, mas agora quem lhe abria a porta era homem de pele morena com olhos castanhos, que ela não conhecia, mas que poderia muito bem ser um colega de trabalho de Patty.
- Oh… eu quase te confundi com o empregado! - Disse ela, ainda a fitá-lo.
- Eu sou o empregado. - Afirmou, não lhe abrindo o portão. - Quem é a senhora?
Ashley juntou as sobrancelhas, era sabido por todos que a irmã andava sempre a trocar de empregado, cada um mais bonito que outro, mas todos eram encontrados na rua, a pedir nos bairros mais pobres. Ela dava-lhes abrigo e salário até eles organizarem a vida e poderem sair de sua casa.
- Pode apresentar-se? - Pediu, uma vez mais.
- Ashley?! - Patty estava à porta. Envergava um robe de seda, que só usava depois de sair da cama, e apertou-o melhor à sua volta; não havia mais nada entre ela e o seu corpo, o que fez Ashley fitar de novo o rapaz à sua frente, para garantir que ele estava totalmente vestido. - O que é que estás aqui a fazer?!
- Tu tens três quartos sem ninguém, Patty, não te ia deixar sozinha. - O rapaz deu dois passos para trás quando ela conseguiu abrir o portão e adentrou pela propriedade, mandando a mala para o chão com um suspiro aliviado.
Patricia grunhiu, frustrada, e a irmã soltou uma risada baixa, enquanto apontava para a mala e para a entrada, fazendo entender ao empregado para que levasse tudo até um quarto.
- Este parece um robot. - Comentou, vendo o moreno subir a mala praticamente ao arrastão. - Lindo, mas um robot. É assim que gostas deles?
- O que é que estás aqui a fazer? - Repetiu, ignorando a provocação da irmã. - Disseste aos pais? Tu tens a noção de que vou ter que lhes ligar, certo?
Os ombros de Ashley baixaram-se, assim como a sua cabeça. Era triste e humilhante sentir-se uma criança, quando já era uma adulta que podia fazer o que quisesse da sua vida.
- Sim, Patricia. Os pais sabem que estou aqui. Não, não estão de acordo, mas mesmo assim, eu vim! - Respondeu a todas as suas questões só de uma vez, já sem o seu sorriso provocador.
- Patricia? - Uma voz suave interrompeu a discussão, desviando a atenção das duas para o rapaz loiro que descia as escadas.
Com a luz que entrava pelas janelas e atravessava a divisão até o iluminar totalmente, ele parecia um anjo. Cabelo dourado, olhos claros, lábios vermelhos e pele angelical. Ashley podia desenhá-lo de todas as cores e mais algumas, ficaria magnifico. Uma obra prima. Traços dramáticos, olhar profundo — parecia ser só mais um rapaz cliché de desenhar, saído direto da alta sociedade de Shanaara, mas com Ash e a sua mente brilhante, ela poderia torná-lo em arte. Tinha acabado de chegar e já sentia os dedos dormentes, a pedir um pincel ou um lápis de carvão para fazer um esboço. Isso era só um sinal de como era bom estar num sítio novo, para variar a rotina aborrecida que costumava ter.
O mais irónico da situação era que ela conhecia o rapaz da televisão— James Kelly, Jamie para as fãs, um famoso cantor que aparecia em todas as revistas para miúdas dos sete aos catorze.
- Oh Patty… Desculpa, acho que ele não é adequado para a tua faixa étaria…
24 de Setembro de 2018 às 20:23 0 Denunciar Insira 0
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