Quando você voltar Seguir história

xhasashi Hasashi Rafaela

Saudade. Palavra com diversos significados que poderiam ser explicados em um dicionário. Porém, para Jotaro, ela significava a ausência de alguém que lhe foi tão importante por um longo período. O que ele não poderia imaginar, é que seu dia estava prestes a mudar e uma surpresa agradável o esperava. [Jotaro x Kakyoin]


Fanfiction Anime/Mangá Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#JotaKak #Kakyoin-Noriaki #Jotaro-Joestar-Kujo #jojo's-bizarre-adventure #jojo #JoJo-no-Kimyou-na-Bouken
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1. Eu nem sei se você existiu...

Notas da autora: Essa fanfic também é de autoria da LittleFox 

~

Jotaro tamborilava os dedos na mesa, estava impaciente e ansioso, mas seu rosto jamais demonstraria tais sentimentos. Logo pela manhã recebeu um papel pequeno, um bilhete. Não sabia ao certo quem havia enviado, e isso era motivo o suficiente para estar preocupado e em alerta.

Quem mais saberia que ele estava ali? Red Hot havia sido derrotado e, apesar das suspeitas que pairavam sobre a cidade, não fazia sentido um ataque nesse momento.

Yare Yare daze…”

Reclamou para si mesmo, saindo de onde estava e indo direção a porta.

Fazia exatamente uma semana desde sua ida a Morioh, e sentia uma sensação estranha, daquelas que pela primeira vez em sua vida não conseguiria explicar. Seu único momento de paz, era quando olhava para a foto que sempre guardava em sua carteira; seu avô e seus amigos unidos, sorrindo, como se o perigo não estivesse próximo. Entretanto, o ponto fixo que observava, era o mesmo de sempre: Os cabelos vermelhos, que combinavam tão bem com a roupa verde que vestia, e então, sentia saudades; das noites que passavam juntos no quarto de hotel, do primeiro beijo a primeira vez. O romance que mantinha em silêncio por causa do medo de perdê-lo ou por acreditar piamente que Dio poderia causar algum mal.

E nesse momento, sorria de maneira amarga pensando na ironia do seu destino: Escondendo ou não, ele havia morrido e o deixado sozinho.

Yare Yare, Kakyoin.- Sorria de canto, relembrando da paixão adolescente que ainda permanecia dentro dele.

“Me encontre às 18:00 próximo ao mar, vá sozinho.”

Amassava o maldito papel, pensando nas diversas maneiras de bater no desgraçado que o tirou do seu único dia de folga para situações que não estava afim de enfrentar. Seu star platinum sempre alerta, visualizando o ambiente e tentando encontrar algum possível inimigo.

Mesmo com seu esforços, não havia nada e nem ninguém.

Continuou caminhando despreocupadamente até o lugar indicado, o sol já começava a se pôr no horizonte, deixando o céu em tons alaranjados, vermelhos e bonitos. Jotaro sentou em um banco de frente para o mar, seu Stand já estava pronto para qualquer ataque, e então...passou a ouvir passos atrás de si.

Olhou para o relógio em seu pulso e suspirou, o maldito era pontual.

– Branco? Esperava algo diferente de você. - Ainda que não mostrasse nenhum tipo de reação, sentiu seu coração acelerar.. – Mas não ficou ruim.

A voz continuava a mesma, um pouco mais grave que antes, só podia estar ficando louco. Não era possível. Por mais que no fundo sentisse o contrário, sabia que Kakyoin não poderia estar vivo. Enquanto isso, o ruído dos cascalhos continuava ficando cada vez mais próximo, evidenciando que alguém se aproximava.

A primeira coisa que passou por sua mente foi que algum usuário de Stand estava brincando com sua mente.

– Que tipo de brincadeira é essa? - Perguntou, já mostrando o seu Star Platinum.

– Sou eu, Jotaro. Não é nenhuma brincadeira. – O ruivo respondeu tranquilo. – Não sou nenhum Stand inimigo e nem alguém querendo te afetar de alguma forma.

Estava confiante demais, como ele sempre foi em seus momentos mais íntimos

Yare Yare….- Passou as mãos pela própria nuca, respirando fundo e tentando absorver a informação que havia sido jogada em sua cara sem nenhum tipo de aviso prévio. – Eu sabia que a morte não combinava com você também. – Suspirou, ainda de controlando para não olhar para trás. - Só gostaria de entender porque mentiu para mim todos esses anos…

– A fundação speedwagon recolheu meu corpo naquele dia, como você ressuscitou seu avô a partir do sangue do Dio, acreditaram que seria... aceitável...tentar me reviver. – Kakyoin respirou fundo. – Eles demoraram aproximadamente dez dias para que meu corpo reagisse. Quando não haviam mais feridas, fiquei em coma por um ano até finalmente acordar. Precisei fazer fisioterapia e mais alguns tratamentos para andar, me comunicar novamente e além de tudo, perdi a minha memória. Foram dois anos dentro da fundação tentando me manter vivo e compreender quem eu era.

– E depois? - Jotaro apertou as mãos em sua calça, ficou imaginando o que ele não passou por todos aqueles anos.

– Fiquei um tempo em observação, terminei o colegial e fiz uma graduação. – Suspirou. - Todos esses anos, Jotaro...todos eles eu...eu quis voltar. Mas nós achamos melhor esperar tudo entrar nos eixos.

Arqueou a sobrancelha, desacreditado, rindo debochado ao olhar em seu rosto e perguntar:

— Achamos?

— Sr. Joseph e eu.

— Então o velho está envolvido nisso? Tsc, é a cara dele. – Jojo riu sem humor. Franziu as pálpebras sutilmente, piscando os olhos vagaroso sentindo que devia ter imaginado antes.

– Você não vai olhar pra mim? - Kakyoin estava preocupado, não sabia como iria reagir ao olhar para o rosto. Jotaro se levantou então, e virou-se em direção a figura que estava atrás de si.

Encarou por alguns momentos as feições agora maduras dele, percebeu que a cicatriz em seus olhos já não estavam tão avermelhadas como antes; ele havia mantido a cor verde tão típica de suas roupas e o mesmo corte de cabelo.

– Agora você usa óculos? – Ainda que estivesse receoso, se aproximou do homem parado em sua frente.

– A idade me fez precisar. – Kakyoin mordeu os lábios, sorrindo em seguida.

Era estranho vê-lo após todos aqueles anos, treze para ser exato; os dois mudaram muito, passaram por situações difíceis e complicadas até chegarem onde estão. E por mais que negasse a si mesmo, Jotaro tinha medo dos sentimentos do Noriaki terem mudado também.

– O velho sabe? – Jotaro questionou. Era algo que queria saber a muito tempo.

– Sobre o que... nós tivemos? – Era estranho lembrar das coisas que haviam passado juntos, de todos os momentos íntimos que compartilharam e que ainda não havia esquecido. Eu...tive que contar. – Respondeu, quase em um sussurro. – Eu tinha... sonhos...chamava o seu nome durante a noite várias vezes. Era constrangedor. – Kakyoin desviou o olhar, como um garoto inseguro do colégio. E talvez fosse.

Hm.– foi o que ele respondeu, ajeitando o chapéu em sua cabeça. Poucas foram as vezes que Kakyoin o vira sem ele.– E como ele reagiu?

— A reação dele foi surpreendente. – Aquela frase fez com que Jotaro erguesse as sobrancelhas em curiosidade. – Foi melhor do que eu imaginei.

— Se ele não reagiu mal, por que esconderam de mim? – Soltou, de uma vez. Não queria parecer preocupado ou nervoso, mas era assim que se sentia por dentro.

— É complicado. – O ruivo respirou fundo, tentando não tocar no assunto novamente.

— Tenho certeza de que tenho capacidade de entender. – Jotaro manteve a pose firme, piscando os olhos pausadamente e umedecendo seus lábios com a língua.

– Nós tivemos medo de que o Dio se aproveitasse do meu corpo. Por isso fiquei por todo esse tempo sob os olhares da fundação. Além disso, sabemos que você seria o primeiro que Dio procuraria para se vingar.

Jotaro aquiesceu. Era uma explicação plausível, porém, mesmo assim, seu peito se apertou, era difícil ter a certeza de que em todos os anos que se passaram Kakyoin estava vivo. Todos os dias que se perderam, os meses que passou tentando em vão superar sua morte.

— Você está vivo. – Foi a única coisa que conseguiu dizer.

— Estou.

Yare yare - Disse, balançando a cabeça para os lados sorrindo.

– Você e suas manias. - Kakyoin deu um passo a mais, tentando conter sua mão que queria ir em direção ao rosto que tanto se lembrou por todos aqueles anos. – Algumas coisas nunca mudam.

– E você gostaria que elas mudassem? - Sorriu de canto, da maneira que só ele sabia. Nunca conseguiria decifrar se era de felicidade ou malícia

— Nem um pouco. – Levantou as mãos para cima, sorrindo em seguida para ele.

– Você ainda não me disse a razão de ter vindo até aqui. - Direto, como sempre era.

O silêncio pairou no ambiente, Jotaro o encarava atentamente, ansioso; poucas pessoas eram capazes de decifrá-lo, mas Kakyoin sabia muito bem quanta expectativa o olhar dele carregava.

— Eu não aguentava mais estar longe. – Fechou os olhos, respirando fundo em busca de acalmar seu coração acelerado.

– Depois de todos esses anos? - As palavras dele doíam, mesmo sabendo que Jojo não era obrigado a perdoá-lo por conta de toda situação difícil que se encontravam.

— Eu... - Titubeou um pouco, tamanho era o peso da ponta de remorso e do medo de sua explicação não ser suficiente. - Quis voltar. Só que... - Suspirou sôfrego, culpado e se sentindo fraco, sem muita coragem de prosseguir, soltando o ar de seus pulmões, tentando enfrentá-lo finalmente. - Eu tive medo. – Fechou os olhos, reunindo um resquício de coragem para prosseguir. – Tive medo de como você ia reagir.

— Eu reagiria como estou reagindo agora. – Fechou os olhos e deu um passo na direção de Kakyoin, erguendo a mão ainda hesitante até o rosto do ruivo.

– Pensei que você nunca me perdoaria por não ter contado. - Sentiu um arrepio percorrer seu corpo com o ato, era bom sentir o toque dele novamente.

— Eu não deveria. - apesar do pouco de rancor na voz, Jotaro chegou ainda mais perto.– Mas eu nunca esqueci os momentos que passamos juntos. E nunca irei.

— Nem eu. - Disse, o abraçando, finalmente. Suspirou o perfume que ele tinha, que se misturava tão bem com o cheiro de cigarro que Jojo exalava. — Eu senti a sua falta! - Desabafou em alívio por tê-lo novamente em seus braços, os fechando forte em seu corpo.

— Eu também senti a sua. – Suspirou colando suas testas e sussurrou: – Mais do que gostaria.

E então, finalmente após ter tanto medo de voltar, de não ser correspondido...Kakyoin o beijou. Sentiu os braços rodearam a sua cintura, tratou de apertar seus dedos sobre as costas do Joestar; queria sentir que era real, que não era um sonho ou que a sua cabeça estava brincando com seus sentimentos como fez outras vezes. Não, dessa vez estava acontecendo e era tão bom como se lembrava.

Jotaro o apertou mais entre seus braços querendo aproveitar aquele momento, que, para sua felicidade, não era mais uma ilusão de sua cabeça. E de fato, a boca de Kakyoin tinha o mesmo gosto de Coca-Cola e cereja, como antes.

— Você ainda fuma…- Separou-se dele, entre pequenos beijos.

– Velhos hábitos nunca morrem...– O apertou ainda mais entre seus braços, distribuindo pequenas mordidas no pescoço do ruivo. — E sua boca, ainda tem gosto de cereja. – Sussurrou, antes de tomar os lábios dele em outro beijo, dessa vez, mais intenso que o anterior.

Kakyoin suspirou, sentira tanta falta de Jotaro durante todo esse tempo que era difícil acreditar que finalmente estava em seus braços, provando de seus lábios novamente. Tinha medo de que no fim fosse mais um de seus sonhos, e acordar sozinho em um cama de hotel a quilômetros de distância dele. Felizmente, daquela vez era a mais pura realidade.

– Onde você está hospedado? - Jotaro perguntou, ofegante. Com o mesmo semblante calmo de sempre.

– Fiz o favor de ir para o mesmo hotel que você. – Falou, sorrindo de canto.

– Deveria ir para o mesmo quarto também, como nos velhos tempos. – Deu de ombros, mantendo o seu melhor semblante de tranquilidade.

— Eu não tenho objeções quanto a isso. – Kakyoin se aproximou, beijando o rosto que tanto amava com delicadeza.

— Então o que estamos esperando? - Jotaro desceu com sua mão até a do Noriaki, fechando seus dedos sobre os dele. Olhou para os dois daquela forma, e respirou fundo. – Nós não precisamos mais nos esconder.

– E nem devemos. – Respondeu, apertando as mãos do outro. Sentia-se aliviado por não precisar esconder o que sentia. Não mais.

— É bom tê-lo de volta. – Subiu os olhos até a face de Kakyoin, sorrindo levemente em uma das raras demonstrações de seus sentimentos.

— É bom estar de volta. – Respirou fundo, começando a caminhar para longe da orla.

Talvez as coisas não fossem como antes, já que ambos não são tão jovens como antes; porém, o sentimento que mantiveram um pelo outro, nunca foi esquecido e a morte não foi suficiente para separá-los.

Ainda que o Joestar não fosse das melhores pessoas para demonstrar o que sentia, ter o ruivo ao seu lado, já bastou qualquer sacrifício que havia feito um dia. De qualquer forma, suspirou aliviado e seguiu em frente, com ele ao seu lado.

Como passou a ser a partir daquele dia.

20 de Setembro de 2018 às 02:09 1 Denunciar Insira 3
Fim

Conheça o autor

Hasashi Rafaela Faço estágio de Scorpion nas horas vagas, principalmente quando Plano Terreno precisa de salvação. Tenho sangue Uzumaki e dou aula de como lidar com Senju Cretino, interessados chamar no probleminha. Apaixonada por Mortal Kombat e a mama da igreja HashiMito.

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Bruna Gomes🍒 Bruna Gomes🍒
AAAAA EU AMEI TANTO SOCORRO
18 de Setembro de 2019 às 16:41
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