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panku Nonaka Panku

"O amor, pra mim, tem olhos castanhos, voz terna, cabelo cor de rosa, o mais lindo sorriso, o mais carinhoso toque, o abraço de conforto sob medida. Amor, pra mim, tem o nome dele." || Tamon x Nao || (mar 12, 2017)


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#jrock #romance #yaoi #REALies #Arlequin
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Igarashi Nao. Vinte e quatro anos, um e sessenta e cinco de altura, formado em gastronomia, no entanto, nas horas vagas, faz cursinhos, como por exemplo o de inglês, que começou recentemente. Costuma acordar muito cedo, cuidar do jardim, preparar o café da manhã para dois e me chama quando tudo está pronto, de um jeito que lembra muito minha mãe. Um grito de longe, três ameaças vindas do cômodo ao lado e no quarto, carinho. Muito carinho. Confesso que não é sempre que me sinto disposto a levantar às cinco da manhã para vê-lo andando de um lado pra outro, mas dessa vez, algo me levou a fazer isso. O quê? Eu não sei, mas fiz de bom grado, sem permitir ser reparado por ele e até agora não me arrependi.

Mas voltando ao que interessa...

A pele, as mãos, o jeito de caminhar, tudo nele tem um certo encanto... Uma coisa que eu lembro já ter visto em algum momento, mas quando, onde...?

O café já estava servido. Ele revisava, prato por prato, verificando sabe-se lá o que. Talvez eu tenha esquecido de dizer que ele é perfeccionista. Da distância em que estava, não via nada de errado e por isso decidi me aproximar um pouco mais.

– Ai, seu idiota!! Me assustou! O que foi?

– Bom dia. Eu dormi muito bem e você? – rebati, fingindo estar chateado. Por pouco tempo, fração de segundos, mas fora o suficiente para ver um bico formar-se nos lábios dele e, sem querer ri. Segurei o rosto dele e o enchi de beijos. – Desculpa...

– Tá, agora sai daqui. O café não está pronto.

Ele se afastou rápido demais, voltando a reposicionar a omelete no prato. Não havia porquê interrompê-lo em uma tarefa como aquela, conhecendo sua inconstância. Mas não poderia deixá-lo em paz sem antes perturbar um pouco mais. Não seria eu se isso acontecesse.

O abracei e acomodei meu rosto na curva de seu pescoço, respirando profundamente, de modo que toda a sua concentração se esvaísse. Ele deu um passo para frente, as costas à mesa, um selar breve na bochecha e me olhou nos olhos. Os dele sorriam. Castanho, naquele instante, se tornou a cor mais linda entre todas. Brilhavam. Eles me diziam tudo, mesmo sem dizer nada.

A distância desapareceu de repente. Nossos lábios se tocaram, sem interrupções, as línguas deslizavam uma a outra, buscando mais e mais contato, as mãos, quietas, firmavam-se em seu quadril, em meus ombros. Um pedido mudo para que não fossemos embora, um convite harmonioso para aproveitarmos um pouco mais.

Ele deu fim ao beijo com relutância, pousou a palma das mãos em meu torax e permameceu de olhos fechados ao findar o ósculo.

Os lábios, entreabertos, vermelhos e ligeiramente inchados, deixavam escapar um ou outro suspiro.

Me tentavam.

E os meus, a essa altura, já sentiam a saudade que só os dele causavam.

O beijo dele sempre superaria qualquer outro que tivesse provado, as minhas espectativas e o anterior. Não havia dúvida quanto a isso.

– Eu te odeio tanto, Tamon...

Um sussurro. As palavras que nem o mais ignorante ser na face da terra consideraria verdade, tanto que sempre que as ouvia, conseguia perceber o jeito de agir a gritar o contrário. Eu, definitivamente, amo ouvir, pois é automático. Um sorriso meu, arrancado tão facilmente. A carícia que ofereci a ele parecia não ser o suficiente para retribuir a uma demonstração tão pura quanto aquela.

– Eu sei.

Ele ainda estava de olhos fechados... Mas algo em mim diz que ele já conhecia todos os efeitos de qualquer ato seu em mim. E se ele não souber, talvez eu deva agradecer, pois é sério, não tem um preço fixo para isso. E mesmo se houver, é impagável.

Ele sorriu ladino e puxou uma cadeira.

– Tá estranho demais... O que quer?

Eu sei o que ele está pensando e vou falar mais sobre o que está acontecendo. Moramos juntos há quase três anos, durante a semana nos vemos pouco, nos fins de semana, princialmente em domingos, como esse, temos o dia inteiro juntos. E é nos domingos que transamos com mais frequência. Pois é, ele acha que o que eu quero é sexo. Mas a verdade é: contanto que não me acorde, a qualquer momento estou disposto a fazer. Só que agora, não é esse o motivo da atenção que ele está recebendo, eu garanto, só não tenho como provar.

Ele agradeceu o alimento e começou a comer, deixando de esperar a resposta para aquela sua dúvida.

– Nao... – sentei ao seu lado e fiz o mesmo que ele antes de prosseguir. ― Namorados fazem essa coisa de beijar sem motivo aparente, sabe?

– Eu sei. E namorados também bajulam seus parceiros pra conseguir o que querem quando surge oportunidade. – retrucou de boca cheia.

– Você, às vezes, me assusta com essas respostas.

– Não aja como se nunca tivesse feito isso comigo, seu sem vergonha idiota.

– Tudo bem, me desculpe, não vou fazer mais.

Ri. Ele continuou a se alimentar em silêncio e emburrado. Tenho certeza que ele não estava tão bravo quanto fazia parecer. Provavelmente quisesse dizer que ele não gosta desse tipo de atitude e as intenções por trás dela, que um simples pedido resolveria. Quase certeza.

– O que pretende fazer hoje?

– Vou almoçar com o Akino e, talvez, fazer compras com ele mais tarde.

Akino é o apelido do Satanás criado exclusivamente para perturbar nosso namoro de todas as formas mais improváveis. Eles sempre se encontram e almoçam juntos e só de ouvir o nome desse cara o sangue ferve. O odeio com todas as minhas forças e garanto, não sou tão ciumento a ponto de me sentir assim em relação aos outros amigos do Nao. O meu problema é com ele e só. Nao nunca percebeu, mas eu sim. Quando ele tem chance, o elogia, acaricia, mas os olhares dele são intensos demais, como se a qualquer momento fosse devorá-lo. Eles se conhecem há um ano, foram colegas em um curso de desenho e sua aparição rendeu em uma briga séria que por pouco não nos separou. A primeira e única assim. Me causa arrepios imaginar um replay dela em escala maior e é só por isso que o trato como qualquer outro, mesmo que ele não mereça. Tenho certeza que Nao não faz isso para me irritar e como acordei desse jeito, bobo e estranho, o que menos quero é que "meu ciúme" atrapalhe.

– E você?

– Vou ficar em casa mesmo. Mas se quiser, posso fazer as compras e você fica mais tempo com ele.

Ele franziu o cenho e semicerrou os olhos, bebericou o chá, assentindo em seguida.

No lugar dele também estranharia mas, agora, parando pra pensar, eu não tenho direito algum de dizer a ele o que deve ou não fazer. Além do mais, Ritsu, um outro amigo dele, poderia estar junto e cuidar dele por mim.

A ideia de deixá-lo ir me perturbou. Quando imaginaria que faria isso, afinal?

– Se importa se eu for pro quarto agora?

Minha voz fraquejou. No fundo, queria que ele dissesse que sim, pois estando ou não sozinho, pensaria no pior, mas com ele por perto não seria tão ruim. Ele negou, em silêncio. Então segurei a caneca de café e parei ao seu lado, deixando um selar demorado em sua testa.

– Antes de sair deixe a lista das compras, por favor.

– Você está bem, Tamon?

Assenti e baguncei seu cabelo, antes de voltar ao quarto. E como previsto, ali as teorias do que poderia acontecer começaram a aparecer desenfreadas.

Quando brigamos por causa dele, Nao o defendeu até o fim.

Inteligente, um bom amigo, atencioso, carinhoso, bonito, gentil, incrível e mais alguns adjetivos positivos que eu jamais veria nele. Pode ser paranóia, tanto quanto um fato, mas Akino não é uma boa pessoa.

Deixei de lado a caneca vazia, me deitei e fechei os olhos, me convencendo de que era bobagem e que eles apenas almoçariam...

~ ☆ ~

Não achei que conseguiria dormir até acordar. E o que me surpreendeu mais foi encontrar Nao dormindo em meus braços. O sono tranquilo como o de um bebê. A pele macia em contato com a minha. O relógio marcava o horário de almoço, mas ele estava ali, comigo. Evitei todo e qualquer tipo de movimento capaz de despertá-lo para guardar seu descanso. Fechei os olhos novamente, contente e ao mesmo tempo entristecido. Satisfeito, mas não por completo.

Isso tudo é pura contradição. Querer que ele siga sua vida normalmente, tenha com quem conversar alé de mim, não se desfaça dos vinculos de amizade conquistados, e tudo isso enquanto tento o proteger dos meus próprios medos. Pode até ser sem pensar, mas ele sabe quando e porquê me magoo. Quando comigo, faz o tempo correr sem pressa de chegar, mostrando um amanhã onde estaremos juntos, seguido de outro e mais um. Sempre ao meu lado, mesmo tendo opções além dessa, me fazendo lembrar de tudo o que passamos...

– Tamon...

– Sim...?

– Por que levantou tão cedo se estava com sono ainda?

A voz baixa, acompanhava a respiração calma e as duas alcançavam minha pele, a aquecendo.

– Eu queria te ver...

Riso soprado.

– Mesmo? Cinco da manhã?

– Pois é...

– Akino esteve aqui... Me convidou para um encontro porque achou que não estávamos juntos... Pois você não falou nada sobre o almoço, e...

– Eu disse que ele não prestava... O que você fez?

Tamon 1 x 0 Akino. Ele bufou e envolveu os braços em meu pescoço, fazendo cafuné. Se tivesse como expor um sentimento em um enorme letreiro de neon multicolor, eu faria. Alívio, é, e talvez, só talvez, felicidade...

– Mandei pro inferno.

– Bom, muito bom.

Ele riu. E passamos parte daquele dia na cama conversando sobre assuntos aleatórios, como o clima do fim da primavera, artigos estranhos dos jornais, filmes que deveríamos assistir alguma hora. Ao fim da tarde ele me convenceu a sair, me levou até um parque onde muitos iam para ver o pôr do sol. Segurou minha mão e então, de costas para a atração do momento nos sentamos sob uma cerejeira. Confesso que, à princípio, achei aquilo estranho... Muito estranho. Porque, normalmente, você sabe, casais, como nós, assistem o sol se pôr, se agarram, coisa do tipo... Que, aliás, nunca chegamos a fazer.

– Por que não olhamos pro outro lado?

– Clichê demais. – ele sorriu e apontou com o indicador uma árvore distante da que estávamos. Duas crianças corriam ao redor dela, ambas pequenininhas, tropeçando nos próprios pés, aparentavam ter no máximo uns quatro ou cinco anos. – Eles parecem ligar pro pôr do sol?

– Nem um pouco.

– Estão tristes?

– Também não...

– E é exatamente por isso que gosto de crianças. Elas não precisam se preocupar com romantismo... Na verdade, com nada.
Elas são puras... E olha ali! – apontou o topo daquela mesma árvore, rindo. Uma garota, mais precisamente uma adolescente, desenhava algo. Extremamente concentrada naquilo. – Talvez ela também, no fundo, queira ter alguém para ver o pôr do sol com ela, mas não precisa ficar olhando para desejar isso...

Mais explicações vieram, mas não prestei muita atenção. Não por falta de interesse, nem por desgostar de seu ponto de vista. Na realidade, ele estava certo e eu seria um imbecil caso não concordasse. E uma de suas frases poéticas foi o que ficou em minha mente... "Independentemente de tamanho, cor e qualquer coisa que o valha, tudo ao nosso redor depende da forma que vemos. A significância de cada objeto, pessoa, fenômeno, é dada por nós."

O que é o pôr do sol se comparado a presença e companhia de quem gostamos, ne?

Sinceramente, não tem como não gostar dele. Já é muito difícil tentar me imaginar sem ele e a cada vez que tento, dói...

– Tamon, trate de parar de me olhar desse jeito e prestar atenção no que eu estou dizendo, por favor? Obrigado!

– Desculpa...

– Se não estiver pensando em algo muito sério, sugiro que corra.

– Você é lindo, sabia?

Nao corado era a coisa mais fofa que um ser humano poderia um dia contemplar e o engraçado é que toda vez que eu o vejo assim ele tenta fingir estar irritado.

– Me elogiar não muda o fato de ter me deixado falando sozinho.

– E fica uma gracinha quando está irritado.

Ele se levantou e começou a caminhar para longe. Pra casa, supus. Ele, vez ou outra, olhou para os lados e de repente parou. Virou-se e colocou as mãos no quadril, repreendendo minha inércia com um olhar.

– Vai me deixar voltar sozinho também?

– Claro que não, Nao! Estou indo!

Se seu namorado for tão adorável e bravo quanto o meu, não o deixe voltar para casa sozinho, pois algum cara como o Akino pode aparecer e roubar seu lugar. Como não sou bom com conselhos, esse é o melhor que consigo dar, por favor, sigam-no. Esse é o tipo de conselho que serve para todos os tipos de situações, na minha opinião.

– Tamon, é sério, o que tá acontecendo contigo?

Pra começar, eu só quero passar o resto da minha vida ao seu lado, quero muito te beijar aqui e agora sem receber ameaças de morte. Quero te abraçar. Fazer promessas impossíveis e te ver rir de todas elas. Mostrar o quanto te amo, mesmo que ainda não saiba usar as palavras de forma adequada e precisa, se é que exista. Seria capaz de criar. Quero te fazer feliz, tanto quanto você me fez até agora e, é claro, quero que o resto exploda, mas fora tudo isso...

– Nada.

– E eu tenho mesmo que te obrigar a contar?

– Não vai precisar, mas não se preocupe.

~ ☆ ~

Bom... Nao não havia almoçado, passamos a tarde toda fora e já era noite. Não lembro se cheguei a comentar que Nao é perfeccionista, que cuida de mim e muitas vezes me trata como uma criança. Pois bem, a nossa alimentação é perfeita, porque ele fez um cursinho de nutrição. "Bobagens comestíveis não entram nessa casa" ele diz. E como não sei cozinhar, dependo muito dele nessas horas, pois desobedecer suas ordens é como pedir um vale-surra (ele diz isso também), e como ele conhece alguns colegas da empresa onde trabalho, incluindo meu patrão, cuida de mim mesmo quando está longe. Uma vez ele foi até lá para me entregar frutas e um buquê de couve-flor porque me deduraram! Aposto que você nunca namorou um cara que te daria um buquê de couve-flor. Ele realmente se preocupa e seu argumento quanto a isso é bem melhor que o de qualquer mãe.

"Você precisa se alimentar bem para viver mais e eu poder te amar por mais tempo".

Deve estar se perguntado se isso tem alguma relevância agora e mesmo se não estiver, eu respondo:

Sim.

E porquê?

Logo quando chegamos ele pediu duas pizzas, doce e salgada, refrigerante, duas porções de fritas e sorvete.

O que mais posso dizer sobre esse garoto?

– Tamon, está muito ocupado?

Ou ele quer conversar, ou me espancar por ter deixado a toalha molhada sobre os lençóis limpos da cama, ou ele quer atenção. A primeira e a última são as mais prováveis, então não tem perigo ir e verificar.

Ele estava na poltrona reclinável da sala, encarando o teto como se fosse algo muito estranho, os dedos de ambas as mãos entrelaçados sobre o peito. Como não estava muito longe, não demorei a atendê-lo.

– Sim?

– Fica aqui comigo.

Assenti e me posicionei atrás da poltrona, massageando os ombros dele. Aí rebobinamos a fita da vida, na manhã desse mesmo dia e o encontramos insinuando que eu estava o adulando por querer transar com ele. Não é como se eu o culpasse por isso, mas quase tudo indica que ele talvez quisesse isso e estivesse sem jeito de pedir. Não sou tão bom nisso de traduzir as entrelinhas de nossas conversas como podem perceber e em minha defesa só posso dizer que me esforço.

– Eu te odeio tanto que chega a doer as costas.

– Quer que eu providencie os papéis do divórcio?

– Depois da massagem e o jantar.

– Como quiser.

– Simples assim?

– Quer brigar sobre isso? – ele negou e se levantou, me arrastando até o sofá. – Então como vamos chegar em um acordo?

– Vamos discutir mentalmente enquanto você me beija.

A última opção... Por acaso tem como negar um pedido como esse?

Me sentei e o coloquei em meu colo, seguindo aquela sua sugestão. Beijo, a maldita mão boba, o bendito consentimento e, como se tudo ao nosso redor, de elegantes detalhes, passassem a ser nada, ali estávamos. Ele sorria. Se despia. Em todo esse tempo de namoro, ele ainda se constrangia ao fazê-lo, provavelmente, por temer que algo nele não me agradasse. No entanto, vejo bem mais que o corpo... Se somos apenas imperfeições, por que ele me parece o contrário? Nem nos completamos, nem nos compreendemos, como costumam dizer (quanto às formas de amar, no sentido geral da palavra), somos seres, intenções, necessidades, desejos, somos homens. Os mesmos que erram e que, de vez em quando, fazem uma pra Deus ver. E nesse momento somos apenas desejo. Desejamos um ao outro, o prazer, a satisfação e, de qualquer forma, no desejo pode existir também o amor, mas não é em uma sensação momentânea que se encontra o verdadeiro e puro.

Papo meio broxante, eu sei, mas, sabe, se ele sonhar que estou contando tudo isso, pode esquecer que um dia me amou e comprar uma fazenda, onde plantará vários hectares de brócolis e abóbora (e muitas outras coisas que odeio) pra se vingar. Se eu contar os pormenores do que fizemos naquele sofá, ele vai me encher de buracos (pois ele também fez curso com armas e sei lá eu o que mais) e não termina aí, mas peço que entenda meu lado, ok?

E como já disse, tê-lo por perto não se compara a nada, beijá-lo é sempre inédito e não amar ele é algo que considero impossível, improvável. Por menor que seja o atrito entre nós e o tempo em que ele ocorra, consigo sentir o coração saltitar e, às vezes, tenho a vaga impressão de que ele para, como se sua calma me invadisse e suprisse todas as necessidades do meu organismo. Talvez pareça loucura, mas de qualquer forma afirmo: Conseguiria reconhecê-lo mesmo que com apenas um toque. Partindo do princício em que nada do que façamos possa ser reproduzido com extrema perfeição por alguém sem anos de estudos, não acho tão estranho. Normalmente, pessoas que se destacam por grandes feitos são os alvos para essa teoria do Nao. Mas quem estudaria durante anos o Nao, um cara de vinte e poucos anos com um jeito gracioso de tocar/pensar/amar, se para qualquer outra pessoa isso pode não ter o mesmo valor que tem pra mim?

Depois de tudo (o que fizemos naquele sofá), tomamos um banho quente e voltamos para a cama. Ficamos trocando olhares por algum tempo, segurávamos nossas mãos, sorríamos,... Se alguém visse assim, acabaria achando que somos retardados ou coisa parecida, mas e você? O que diria diante da cena em que dois caras que conversam por telepatia, troca de olhares, sorrisos,...?

– Acreditaria se eu dissesse que te odeio agora?

Ele perguntou, deslizando a ponta dos dedos em meu antebraço, seu rosto próximo do meu, nossas respirações se misturavam.

– Claro.

– Como assim, seu infeliz?!

– "A linha dos nossos sentimentos é longa, no entanto o espaço ocupado por cada um deles é mínimo, e mesmo que um seja distinto ou esteja distante de outro, o espaço que os divide é insignificante. O amor e o ódio são próximos, quase como se andassem de mãos dadas, o que faz com que as pessoas confundam e não os compreendam. Podemos amar alguém, odiando o indivíduo e vice-versa."

– Porra! Você... Seu... Ai, eu te odeio! Tipo, muito. Pra caralho!

– Vinte e um de fevereiro de 2015, nosso terceiro encontro, você brigou comigo por estar segurando o guarda-chuva do jeito errado, enquanto explicava isso e lembro daquele soco. Sinto até hoje.

– Então, hoje à tarde, você estava prestando atenção também?

– Bem...

Hesitei. Não é sempre que presto atenção, mas veja bem, ele é muito lindo mesmo! Ele pode estar falando qualquer bobagem, mas quem está falando é ele, então eu fico meio "sei lá", sabe?

– Me desculpe...

Ele me empurrou e cruzou os braços, encarando o teto novamente.

– Eu te amo, Tamon.

Gente, é o seguinte:

Ele, toda vez que diz isso, atinge em cheio a parte mais sensível de mim. Raramente as palavras saem, e quando acontece, ele não está perto, não me olha, nem sorri, às vezes penso sobre isso... Mas não consigo ignorar o fato de que ele não se sente à vontade quando as diz. Mas eu sei... Sei que, mesmo sem elas, nosso relacionamento é completo. Também não costumo dizer, mas penso nisso desde o momento em que acordo até o último segundo desperto, às vezes até em sonho. Eu sinto e mesmo sem perceber demonstro tanto quanto ele, ou bem menos... Mas nunca é o suficiente, porque...

Pra mim, o amor é aquele que encanta nossos olhos com vislumbres de um explêndido futuro logo ao amanhecer; que durante os dias quentes e cheios de cores nos faz companhia e, nos frios, chuvosos e normalmente tristes, traz à tona momentos de paz que se perdem com o passar do tempo; em fins de tarde nos convence a contemplar a beleza onde ninguém jamais procuraria, mostra que tudo pode mudar como as cores do céu; ao anoitecer, engrandece os pormenores, nos acalma com as palavras certas e nos prepara para descansar e enfrentar o próximo dia. Sim, brigamos, nos desentendemos. Mas é bem como ele diz: O que não nos matou, há de nos dar forças.

Somos anticorpos, destinados a receber provações, agarrar-nos a elas até sermos totalmente imunizados e conseguirmos lidar com as que virão. Temos muito tempo, para perceber isso e quanto mais cedo melhor. Somos compensados pela insistência, a força de vontade, não hoje, nem amanhã, mas sim no agora,a cada segundo que passe...

O amor, pra mim, tem olhos castanhos, voz terna, cabelo cor de rosa, o mais lindo sorriso, o mais carinhoso toque, o abraço de conforto sob medida. Amor, pra mim, tem o nome dele.

Igarashi Nao...

Aquele que é um entre tantos e se faz único, que tem manias, problemas e defeitos, mas transforma isso em qualidades, que erra, admite, se redime, ama e sente. Quem eu amo.

Não é perfeito, nem espero que um dia se torne, pois ele é um maravilhoso namorado. O melhor que alguém poderia vir a ter. E contanto que esse alguém mereça e valorize, não me importaria em deixá-lo ir.

Mas enquanto for a minha vez, o amarei, respeitarei e retribuirei da melhor forma possível. E se chegou até aqui sem se apaixonar por ele, meus pêsames. Você é retardado, um otário. Desculpa. ~risos

16 de Setembro de 2018 às 01:25 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Nonaka Panku Oi, eu sou a Panku. Tenho 21 anos, sou universitária, escrevo uns clichêzão bárbaro de horrível, geralmente fanfics de visual kei. Não tenho talento, mas tento. Q

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