Relatos e Histórias das Terras de Longe Seguir história

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Bruno Coutinho


Esta obra é um conjunto de textos: de relatos, histórias e lendas de um país que eu nunca visitei: chamemos-lhe apenas "Terras de Longe".


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Introdução

Esta obra é um conjunto de textos: de relatos, histórias e lendas de um país que eu nunca visitei: chamemos-lhe apenas "Terras de Longe". Este país é situado algures entre a costa de Portugal e a dos Estados Unidos. Ninguém sabe a localização exata, talvez porque ninguém até ontem esteve em contacto com as pessoas que nele habitavam. Ele é coberto por um nevoeiro denso que permite aos habitantes ver pouco mais  que 20 km para lá da costa. E é como uma cápsula do tempo: pouco evoluíram desde o tempo dos reis, a avaliar pelos relatos aqui escritos. Ali, onde o feudalismo impera, ainda existem reis e duques e barões e cavaleiros e princesas. Parece algo saído de um filme ou uma ficção, eu sei, mas na realidade nunca saberemos se tal o é, pelo menos por enquanto. Isto leva-me a explicar uma das dúvidas que possa ter quem ler isto: se é um país assim tão isolado como consegui ter acesso a estes textos que apresento agora? E a resposta é complexa...

Eu sou filho de profissão. O meu pai é um homem rico e influente que não tenciono identificar, para evitar invasões de privacidade e possíveis represálias. Como tal vivo uma vida que consiste em deboche e festas, mulheres e álcool e drogas. Tecnicamente, sou estudante do ensino superior... Há cerca de dez anos.

Ontem estava numa festa em casa de um colega, numa destas tertúlias estudantis noturnas que são ideais para notívagos experientes como eu. Estes marcos de prazer no seio da noite têm tudo o que qualquer jovem deseja: mulheres (que apenas o são há pouco tempo), álcool, canabinóides e outros alucinogénicos, e se a procura assim o ditar, ainda é possível desenterrar quem oriente branca ou castanha ou até coisas mais pesadas. A música, geralmente eletrónica, mescla-se numa harmonia débil com os risos de quem já consumiu um destes venenos e com os gemidos que vêm dos quartos. Basicamente, após uma festa destas, o anfitrião deve por protocolo, manter a casa em quarentena por cerca de uma semana.

A noite estava quente e o interior da casa mais quente ainda, por muito que o ar condicionado tentasse contrastar. Com a visão turva da mistura de álcool e cannabis detetei, por entre o fumo que as chaminés humanas cuspiam, um homem do lado de fora da janela. A sua cara de curiosidade era intrigante, visto que naquele local só se via caras de desaprovação de transeuntes, quando alguém se dava sequer ao trabalho de espreitar a janela da casa que lhes bloqueava a corrida para o sono.

Desta vez, decidi ir atrás dele. De perto, ainda dentro de casa, parecia uma ilusão dos meus sentidos. A sua roupa era bem antiga, talvez da nobreza ou de algum cargo de poder. Trazia consigo um livro de capa de couro, estragada e desbotada, mesmo como os livros antigos. Decidi sair para falar com ele.

À medida que as palavras eram proferidas por ele, a minha vontade de rir aumentava, até que não aguentei mais. Dizia chamar-se Irineu Cura e ser um físico (vulgo médico) de um sítio chamado Vale-Além. Quando perguntei onde ficava isso ele respondeu que era no Reino de Fortaleza. Como qualquer pessoa sã ao ouvir barbaridades deste género, ri-me. Aí a porta da casa do meu colega abriu-se e uma das recém-mulheres com uma amiga saíam agora. Ao voltar-me de novo para o charlatão do reino distante ele já não estava. No seu lugar apenas estava o livro de couro, estragado e desbotado  que ele guardava. Dentro deste livro estavam as histórias que eu vou escrever aqui.

Poderia ir com este livro a uma editora e realmente vendê-lo como se tivesse sido eu a escrevê-lo, como ficção ou algum documentário escrito que apenas os céticos e os conspiradores acreditariam... Mas sinceramente, não sinto necessidade disso. Ao invés dessa escolha inteligente, escolhi a opção menos trabalhosa e menos compensatória de escrevê-las neste site, com o objetivo de partilhar com alguém estas histórias. A ordem em que as vou escrever é a ordem que elas aparecem no livro, tentarei alterar poucas coisas ou nenhumas se possível.

Espero conseguir intrigar as pessoas, ou no mínimo sacar um riso delas quando constatarem a falta de verosimilhança presente nestas histórias que muito pouco ou nada devem ser "baseadas em factos reais".

Então, mantenham-se atentos, porque à medida que vou traduzindo irei postá-las aqui. E se por acaso o senhor Irineu Cura, ou alguém que o conheça descobrir estes textos, agora quem os tem sou eu.

Espero que gostem...


Z

12 de Setembro de 2018 às 13:18 0 Denunciar Insira 0
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