Resiliência Seguir história

ineedyoukook Nezumi Miguel

Jeongguk é um psicólogo pediatra que tem ganhado reconhecimento pela sua eficiência. Aos 28 anos, adora o que faz, mesmo que seguir seus sonhos o deixe comumente solitário. Jimin é um consultor de marketing, pai de um garotinho de cinco anos que não entende bem a situação de sua mãe adoecida e internada. Com 29 anos, cria sozinho o filho que teve ainda muito novo, e se dá conta de que precisa de ajuda. Então ele decide procurar um bom psicólogo pediatra, e acaba chegando a Jeongguk. E Jeon aos poucos torna-se um ponto de resiliência não só para o pequeno Jaehwa, como também para o Park um ano mais velho que a si. Jikook • 18+ • Fluffy


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

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A Primeira Consulta



Jeongguk.

Eram exatamente 07:15 quando o despertador tocou, fazendo com que o médico resmungasse com um pouco de preguiça antes de se mover para pegar o celular e desligar aquela música calma, porém irritante. Não que não quisesse ir trabalhar, adorava seu ofício, mas estava frio, então uma parte de si queria poder ficar naquela cama quentinha até mais tarde. Mas não tinha jeito, então se levantou e foi se arrumar.

Depois de realizar sua higiene matinal, vestiu as roupas claras que sempre usava para trabalhar; havia percebido que tons mais claros interferiam na eficácia com que conseguia lidar com as crianças mais difíceis, então aderiu a eles. Vestiu sua calça jeans e a camisa social branca, calçou seus tênis brancos e por fim deixou seu quarto, indo até a cozinha para comer algo e beber um pouco de café antes de, por fim, sair de casa.

Poucos minutos depois estava em seu carro, em direção a seu consultório - que não ficava muito longe de casa. Pouco depois das 08:00 estava estacionando o carro em sua vaga de estacionamento, assim desceu do veículo e foi para o elevador, subindo até o sétimo andar e adentrando sua sala. Sua primeira sessão era dali a meia hora, então depois de vestir seu jaleco branco decorado com alguns pins coloridos, sentou-se em sua cadeira e se pôs a ver quem iria atender naquele dia.

Ser pediatra e psicólogo era de fato algo que satisfazia Jeon Jeongguk. Havia se formado aos 25 anos, e três anos depois estava com a carreira bem sucedida. Tinha muito pelo que agradecer a seus pais por lhe dar toda essa estrutura e apoiar seu sonho de seguir a mesma linha profissional que a maioria de sua família. Sempre gostara de lidar com crianças, mas duvidava de que fosse ter a sua própria, então cuidar de outras pareceu a perfeita solução - e acabou sendo mesmo.

Obviamente ainda não era nenhum médico extremamente procurado, mas sua eficiência fazia com que seus clientes confiassem em si e o indicassem para outras pessoas. E sendo o único pediatra da família atualmente, com frequência tinha seus familiares falando de si, então aos poucos estava construindo sua rede profissional, ganhava relativamente bem e não tinha motivos para reclamar de nada.

Enquanto pensava sobre isso, Jeongguk observava seus horários daquele dia, e acabou percebendo que atenderia uma nova criança ainda na parte da manhã, logo antes de seu almoço. Sempre ficava feliz quando recebia clientes novos, mas ao mesmo tempo, sentia o nervosismo e a ansiedade lhe preenchendo também - afinal, não se perdoava quando falhava com algum dos pequenos.

Foi pensando nisso que se levantou de sua cadeira para poder preparar a sala para a primeira consulta do dia. Era uma criança que já atendia há alguns meses, uma garotinha de nove anos com um grau um pouco alto de autismo. Já sabia o que precisava fazer para atendê-la naquela sessão, então só precisava deixar tudo pronto antes que sua mãe viesse trazê-la.

♦︎♦︎♦︎

A sessão da garota autista era sempre um pouco mais longa que o normal. Geralmente atendia por, no máximo, cinquenta minutos, mas ela sempre lhe tomava quase uma hora e vinte. Era sempre difícil se aproximar e fazê-la se abrir e interagir consigo, e demorava para que ela aceitasse as atividades que lhe propunha. E só quando ela estava entretida com os brinquedos era que conseguia examiná-la; batimentos cardíacos, pulmões, ouvidos, e tudo o mais. Já estava acostumado, e ganhara a confiança da garotinha e de seus pais justamente pela eficiência com que lidava com a pequena.

Olhou em seu celular e notou uma chamada perdida do pai de seu próximo paciente. Retornou imediatamente, recebendo a notícia de que o pequeno de sete anos estava com catapora, e não poderia ir na consulta de hoje. Pelo telefone, Jeongguk acalmou o pai e o orientou sobre como cuidar do filho, e remarcou a consulta para dali a duas semanas.

Era parte de sua política de trabalho cobrar por consultas canceladas em cima da hora, e o próprio pai ao telefone garantiu que o dinheiro seria transferido ainda hoje para sua conta. Tranquilizando-o sobre isso e alegando que não havia pressa, Jeon se despediu e suspirou. Teria um horário livre antes do novo paciente que receberia antes do almoço.

Mas uma hora não era, nem de longe, muito tempo de horário vago. Até porque não era exatamente um horário vago, visto que Jeon sempre aproveitava todo o tempo que conseguia encontrar para trabalhar em cima dos cronogramas de seus pequenos pacientes. Estudava seu desenvolvimento, planejava o que faria nas próximas consultas, confirmava por mensagem os próximos atendimentos e respondia às mensagens de pais preocupados demais para esperar até o verem pessoalmente novamente.

Ser médico significava uma rotina cheia e cansativa. Mas Jeongguk não se importava; amando o que fazia, com as crianças e por elas, a pediatria era sempre satisfatória, apesar de cansativa.

Assim, logo seu relógio marcava 11:02 quando ouviu o suave som da campainha, que era alto o suficiente para lhe avisar da chegada de alguém, mas baixo o suficiente para não incomodar quaisquer outras pessoas que pudessem estar ali consigo. Levantou-se e foi até a porta, abrindo-a e encontrando um homem um pouco mais baixo que a si mesmo, com cabelos castanhos e um sorriso cansado, porém simplesmente maravilhoso, desses que estreitam os olhos em duas meias luas.

Logo atrás daquele homem, escondido parcialmente e lhe espiando, estava o garotinho de cinco anos que seria seu novo paciente. Seus cabelos eram mais escuros que os do pai, mas o narizinho dizia claramente que era filho daquele homem.

— Bom dia! Sejam bem vindos. — Cumprimentou educadamente, sorrindo para aqueles dois.

— Bom dia! — A voz melódica daquele outro homem acariciou os ouvidos de Jeongguk. — Diga olá para o médico, Jaehwa. — Orientou o filho, fazendo Jeon sorrir e agachar ali mesmo, para olhar melhor para o pequeno e permitir que ele também lhe olhasse.

— Olá, Jaehwa. Eu sou o Jeongguk. Tudo bem? — Ditou calmamente, recebendo um tímido aceno como resposta. — Vamos entrar, então?

Recebendo mais uma positivação receosa, o médico se levantou e convidou o homem à sua frente para entrar com a criança no consultório. Jaehwa ainda estava grudado às pernas do pai, mas assim que viu o tapete emborrachado em várias cores, repleto de todos os tipos de brinquedos que adorava, o menino rapidamente se desvencilhou da mão do pai que afagava seus cabelos e foi se sentar ali para mexer em todos aqueles itens.

Notando o filho entretido pelos brinquedos, o pai sorriu, antes de se voltar para o médico que também sorria para o pequeno. Jeongguk notou os olhos em si e voltou sua atenção para o outro, convidando-o para se sentar na cadeira em frente à sua própria, indo sentar-se também.

— Nós não conversamos pessoalmente, não foi? — Indagou, verificando suas anotações prévias. — Foi o Taehyung quem entrou em contato comigo.

Taehyung era, de longe, um dos melhores amigos de Jeongguk. Haviam se conhecido na faculdade de medicina, mas o mais velho se formara dois anos antes de si, em uma área bastante distinta da sua própria.

— Isso… Peço desculpas por não ter sequer ligado eu mesmo. Sou Park Jimin. — O homem à sua frente disse com a voz extremamente cansada, embora ainda melódica e doce de se ouvir.

— Não se preocupe. — Jeon assegurou, sorrindo suavemente. — Taehyung é um grande amigo. Quando me disse que me indicaria a um amigo dele, eu não faria menos do que recebê-lo.

— Obrigado… Foi ideia dele, trazer o Jaehwa. Ele é o médico que mais tem feito pela minha esposa, e ele vem acompanhando o modo como Jaehwa está lidando com toda essa situação. — Park foi explicando, e Jeongguk estava se atentando a cada palavra, pegando uma caneta e se preparando para começar a anotar.

— Entendo. Pode me dizer mais sobre essa situação da mãe dele?. — Pediu educadamente, como sempre fazia, era seu procedimento padrão.

— Claro. — Jimin molhou os lábios cheinhos e tomou fôlego. — Minha esposa sofreu um aneurisma há alguns meses. Foi tudo muito rápido, quando a ambulância chegou ela já estava desacordada, agora ela está em coma. — Era notável que o próprio Park estava bastante abalado com aquela situação. — Foi pouco depois do aniversário de Jaehwa. Ele não entende por que a mãe não acorda, por que ela não pode sair do hospital ou por que não pode voltar para casa. Ele fica triste, frustrado, fica com raiva, chora, sente saudades. Eu fico em casa o dia todo, ajustei meu trabalho para poder ficar com ele, e minha irmã olha ele por mim quando preciso realmente sair. E então Taehyung disse que talvez você pudesse ajudá-lo…

Jeongguk anotava rapidamente em seu pequeno caderno, todos os detalhes que considerava importantes para aquele primeiro momento. Precisava se manter o mais imparcial possível agora, por mais difícil que fosse, isso era essencial para a eficiência de seu atendimento, tanto na primeira quanto nas próximas consultas.

Quando Park pareceu ter terminado sua introdução, Jeon enfim voltou seu olhar para ele. Ele parecia tão cansado, tão abalado, que o médico desejou que continuasse trazendo seu filho, para que ele mesmo pudesse melhorar de alguma forma. Parecia ser o pai mais abatido que já recebera em seu consultório.

— Eu vou fazer o possível para ajudar o Jaehwa, você tem a minha palavra. — Disse com a voz suave, como se falar alto demais pudesse perturbar ainda mais aquele homem. Viu-o sorrir fraco e lhe sorriu de volta. — Eu vou vê-lo agora.

Com o consentimento de Jimin, Jeongguk se levantou e foi até o colorido tapete, em que o pequeno Jaehwa estava sentado e totalmente entretido com a coleção de dinossauros que estava ali a seu dispor.

— Ei, Jaehwa. — Falou baixo, recebendo os grandes e receosos olhos sobre si enquanto se sentava de frente para ele. — Tudo bem com você?

O garotinho continuou lhe encarando, agora com um pouco mais de curiosidade. Jeongguk esperou com paciência que ele se sentisse confortável para lhe dar uma resposta, e esta acabou vindo como um pequeno aceno com a cabeça.

— Que bom. Você se importa se a gente parar um pouco de brincar, para eu poder examinar você?

Um pequeno bico se formou nos lábios do garotinho, e ele pareceu refletir por um momento antes de deixar os dois dinossauros que segurava sobre o tapete.

Sorrindo, Jeon se levantou e viu Jaehwa fazer o mesmo. Então pegou-o em seus braços e o sentou sobre a cama forrada por um plástico todo desenhado de formas e cores variadas. Esperou que ele se ajustasse e começou o procedimento padrão; examinou os olhos, o nariz, os ouvidos. Usou um palitinho cor de rosa com sabor de tutti-frutti para examinar a garganta, e deixou-o ficar com ele na boca depois. Checou os batimentos cardíacos e pulmões. E enquanto fazia cada uma dessas coisas, foi tentando conversar um pouco mais com ele.

— E então, você já está indo na escola? — Viu-o assentir. — Está gostando? — Outro aceno. — Do que mais gosta na escola?

— Colorir… — A voz tímida do pequeno enfim se fez presente. — E… a Sra. Kim.

Jeongguk sorriu ao ouvir a voz fina baixa do garoto. Havia crianças que demoravam muito mais do que aquilo para lhe dirigir a palavra.

— A Sra. Kim é sua professora? — Perguntou e ele positivou com a cabeça. — E o que você gosta de colorir? — Ele apontou para o tapete, e Jeongguk acompanhou a direção de seu dedinho, que indicava os dinossauros. — Oh, os dinossauros? — E o garoto assentiu de novo. — Então você gosta muito de dinossauros.

— Gosto.

Assim, enquanto conversavam daquele jeito lento e cuidadoso, não demorou e Jeongguk logo havia terminado aquele primeiro contato. Pegou Jaehwa em seus braços de novo e o colocou de volta no tapete, alegando que agora conversaria de novo com seu pai e voltando a se sentar em sua cadeira.

— Me conte um pouco sobre a rotina dele. — Pediu a Jimin, já fazendo algumas anotações em seu caderno.

— Bom… Ele vai para a escola de manhã. Eu o deixo lá às sete e quarenta, e o busco às onze e meia. Depois do almoço, ele sempre dorme um pouco. Depois fica vendo algo na televisão, desenhando ou brincando com algo perto de mim enquanto trabalho. À tarde, sempre tiro um tempo para fazer as atividades da escola com ele, e em dias alternados eu o deixo com a minha irmã à noite para ir ver a mãe dele. Ele costuma ir dormir às nove.

— E quando ele vê a mãe?

— Eu evito levá-lo… Ele sempre fica triste, ou bravo, pergunta por que ela não acorda para ir para casa conosco, chora.

Jeongguk apenas assentiu por hora, voltando a escrever mais um pouco. Estava calculando suas próximas palavras, projetando o roteiro de tratamento que usaria com Jaehwa para ajudá-lo o máximo possível a passar por isso, e também ajudar o pai com quem conversava.

— Você precisa ser muito forte e paciente agora, porque ele está aprendendo sobre a vida e sobre o mundo, aprendendo a assimilar tudo o que acontece, e a situação de sua mulher é bastante desgastante para ele, que não entende bem o que está acontecendo. — Ditou com calma e com a voz baixa, esperando que ele assimilasse suas palavras. — Nesse primeiro momento, vamos manter consultas semanais. Ele pode sair mais cedo para vir nesse horário, ou prefere deixar para o período da tarde?

— Acho que podemos tentar marcar de tarde… Como funciona o pagamento?

— Eu recebo por sessão. Você pode trazer o dinheiro em espécie ou transferir direto para a minha conta, e pode pagar tanto separadamente como todas as sessões do mês de uma vez só. Como for melhor para você.

— Certo…

— Por hora, notei apenas que ele está com o nariz um pouco congestionado. Tente um pouco de soro de manhã e antes de dormir e veremos se isso passa. E eu volto a avaliá-lo na semana que vem.

— Certo. Muito obrigado, Dr. Jeon. — Um pequeno sorriso nasceu nos lábios do Park novamente. — Já deixamos marcado o retorno?

— Podemos deixar sim. — Pegou sua agenda e começou a checar sua disponibilidade para a próxima semana. — Pode ser terça-feira, uma e meia?

— Pode sim, está ótimo. Muito obrigado mais uma vez.

— Não por isso. — Checou seu relógio de pulso e viu que ainda faltavam dez minutos de sessão. — Você disse que trabalha em casa, qual a sua profissão?

— Sou consultor de marketing. Às vezes preciso ir até a empresa dos meus clientes, ver tudo pessoalmente e acertar algumas coisas, nesses dias eu deixo Jaehwa com a tia.

— Entendo. Então a relação dele com a tia é boa?

— É sim. Ela mima Jaehwa bastante. — Soltou uma risada bem contida e suave, seus olhos se tornando pequenas meias luas por um breve instante. Jeongguk não pôde evitar pensar que aquele sorriso era realmente bonito.

— Isso é bom. Visto a situação, ter uma outra figura feminina em quem ele possa se apoiar é extremamente importante.

— Sim, eu também penso que sim… Minha irmã tem sido de grande ajuda. E minha mãe também, mesmo que ela more no interior.

— Você leva Jaehwa para vê-la com frequência?

— Costumávamos ir uma vez por mês, passar o fim de semana. Mas depois que a mãe dele foi internada, só voltamos lá mais duas vezes.

— Entendi. — Suspirou baixo, era realmente uma situação bastante delicada que pedia uma sequência firme de consultas e exigiria bastante de Jeongguk. — Bom, acho que por hora eu vou assimilar tudo isso, e na semana que vem terei o cronograma de acompanhamento de Jaehwa. Se precisar de algo nesse meio tempo, não hesite em me ligar, está bem?

— Sim… Muito, muito obrigado mesmo, Dr. Jeon. — Jimin levantou-se e o médico o espelhou, apertando a mão que ele havia estendido para si e notando que a mãozinha de Jaehwa era bastante similar à do pai.

— Eu quem agradeço pela confiança. — Disse sincero, vendo o sorriso que tanto achara bonito aparecer de novo no rosto de Jimin, antes que ele fosse até o filho para chamá-lo para irem para casa.

O pequeno bico voltou aos lábios do menino quando lhe foi dito que precisaria parar de brincar, fazendo Jeon sorrir divertido.

— Semana que vem você volta para brincar com eles. — Comentou, chamando a atenção do pequeno. — O que acha?

Com isso, Jaehwa apenas assentiu e colou-se às pernas do pai, que também sorria divertido, pela primeira vez desde que chegara ali.

Jeongguk estava tão encantado por aquele sorriso, que fez uma promessa silenciosa naquele momento; iria fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para vê-lo de novo e com mais frequência a partir dali.

9 de Setembro de 2018 às 16:53 0 Denunciar Insira 4
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Conheça o autor

Nezumi Miguel {a lost boy from Neverland} ; Sad genderfluid seeking for their place in this lonely world ; Ativista LGBT+ ; Writer of [ Jikook | Yoonmin ]

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