Aquele Que Observa Seguir história

cephex Zen o

Sai era um bom observador da natureza humana, mais por não entender certas coisas do que realmente por interesse na vida alheia. No entanto, apenas observar não era mais suficiente quando aquele garoto de olhos azuis como o céu parecia querer quebrar sua teoria de que relações interpessoais eram desnecessárias.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

#naruto #sai #sainaru #narusai #menção-sasunarusasu
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Cartucho 1 - Aquele que estava presente.

Sai sempre gostou de observar as pessoas. Ele não era um cara muito bom em relações interpessoais, por isso gostava de gastar seu tempo livre (como Naruto dizia) “espiando a vida das pessoas”. Mas, mesmo não sendo alguém muito bom em fazer amizades ele podia ver claramente que quase nunca esse tipo de coisa dava certo, era bem estranho na verdade e sempre se perguntava o porquê das pessoas ainda quererem manter aquele hábito.

Houve um tempo em que quis fazer parte daquilo, se envolver, ter amigos e buscar a famosa felicidade que via pelas revistas e jornais por aí, contudo era uma memória tão antiga que nem mesmo lembrava do motivo. Apesar disso, gostava de olhar os outros tentando com afinco e não conseguindo.

Certa vez, uma dupla de amigos quase o fez pensar que sua teoria era falha. Eles eram mais jovens que ele alguns anos, não mais que cinco. O primeiro, um moreno muito bonito e um tanto parecido consigo, irônico e fechado em seu próprio casulo. O outro ele considerava o oposto do primeiro. Era um garoto loiro, de olhos azuis tão brilhantes que nunca conseguiu retratar com suas tintas uma cor tão bonita, ele sempre estava com um sorriso largo no rosto e disposto à ajudar o próximo, não importando quem fosse.

Na época — já há uns bons anos — ele lembrava de ter pensado que o garoto loiro seria o primeiro a ruir. Ele sabia tanto por observação, quanto por experiência que era sempre esse tipo de pessoa que saia machucada. Seus corações, sempre tão abertos, em algum momento não aguentariam a rejeição que sempre se submetiam a suportar por alguém, e ruiam como castelos de areia. Sempre restando um corpo sem vida para trás.

Os dois meninos eram novatos na agência na qual Sai trabalhava há quase dez anos. Haviam entrado com um grupo grande do qual o observador sempre via não restarem mais de cinco ao final de poucos anos, fossem por mortes, desistências ou quando algum operário resolvia passar para o lado inimigo, e que Deus ajudasse a pobre alma se fosse o último caso. A agência era bastante severa com aquele tipo de ocorrência.

Eles ficaram em um grupo de três, sem contar com o instrutor. Era sempre assim: três alunos e alguém para guiar o caminho e apontar a direção certa, ao menos a direção que a organização achava ser a certa. O instrutor era o Hatake, um homem bastante jovem e muito conhecido na agência pelo bom trabalho que fazia. Precisou abandonar o trabalho em campo por ter se queimado do lado de fora.

As vezes ser bom demais no que você gosta nem sempre é o melhor caminho.

A terceira integrante do grupo era uma garota, tinha olhos verdes bonitos e cabelos que Sai não conseguia considerar adequados para o trabalho em campo. Mais tarde descobriu que ela na verdade ficaria na parte mais afastada do trabalho em campo: especialista em socorros de urgência e ciências da informação ela sempre estava escondida atrás de um computador ou na enfermaria remendando os colegas que viviam machucados. Principalmente o loiro.

O grupo era interessante, Sai adimitia. Principalmente quando Sakura, a companheira de equipe deles, desenvolveu uma paixaozinha pelo moreno.

Os três eram adolescentes e como tais estavam sempre fazendo besteiras, a garota constantemente tentava chamar a atenção do seu amor platônico para si, fazendo favores dos quais ele claramente apenas se aproveitava.

Os dois garotos vinham de famílias conhecidas na agência. Sasuke tinha o irmão mais velho envolvido em um escândalo no qual era acusado de cometer uma chacina. Nunca se teve provas concretas, no entanto a mídia havia descoberto esse pequeno deslize dos Uchiha, já possuidora de uma fama não muito boa por causa de um parente mais antigo o irmão mais velho de Sasuke teve seu nome jogado na lama.

O Uzumaki não tinha muitas informações disponíveis para aqueles que eram novos na profissão, mas seu nome tinha história: ele era de uma família conhecida por fornecer material às forças armadas em épocas de guerra e seriam um dos maiores nomes do país se não tivessem sido dizimados durante um ataque terrorista há alguns anos atrás. Graças a isso ninguém mais lembrava deles.

No entanto o loirinho não tinha olhos em cima dele — não unicamente os de Sai — não apenas por causa de encestrais há muito enterrados, mas sim por causa de seus pais. Minato, pai do garoto, foi um dos espiões mais notáveis da agência e morreu em combate. A mulher também estava envolvida naquilo, mas era uma das herdeiras da companhia e teria sido um nome reconhecido se não houvesse sido capturada por uma organização rival. Seu paredeiro nunca foi encontrado.

Aquela informação era quase impossível de ser obtida e Sai tinha conhecimento que nem mesmo o filho do casal mais prestigiado da história daquela empresa tinha conhecimento de tantos fatos sobre isso quanto ele. Era um privilégio que poucos tinham.

Os dois, Uchiha e Uzumaki, no início não pareciam mais que pivetes brincando de serem adultos e aquilo irritava Sai em alguns momentos, mas não o suficiente para que parasse seu estudo de campo. Eles competiam entre si mais que qualquer dupla de inimigos já conhecida dentro ou fora da agência, no início era algo estranho e desnecessário. Já estava claro para os espectadores e observadores do Uzumaki que ele não seria uma versão melhorada de seus pais, já que o garoto Uchiha estva sempre à sua frente: notas melhores, habilidades melhores, missões executadas de forma perfeita.

O Uchiha era uma máquina que não nascia na empresa há anos, enquanto o Uzumaki estava mais para seu saco de pancadas pessoal.

Foi difícil, devagar e progressivo.

O loiro não tinha o talento inato dos Uchihas, nem mesmo havia sido treinado desde a mais tenra idade para se tornar uma máquina de matar. Um protótipo de perfeição. Não, Naruto precisou de muita força de vontade, muitas noites de insônia e de dias de fome para começar sua evolução.

Sai parecia ser o único a perceber as noites em claro que o garoto passava tentando aprender a atirar com um fuzil semi-automático, dos cafés da manhã que perdia ao chegar no horário errado por estar treinando. Sai, o observador escondido, era o único a ver sua evolução e acompanhá-la desde sempre.

Ele viu quando o garoto fez sua primeira sequência de disparos perfeita, montando a arma antes disso com uma habilidade incrível e rapidez memorável, mas o seu mestre não percebeu de primeira, ou seus companheiros de time. Eles estavam mais ocupados olhando para o garoto Uchiha, o menino instável que poderia desabar à qualquer momento.

Eles também não estavam presentes na primeira missão perfeita do loiro, executada em pouco tempo e sozinho. Sai viu isso, ele estava lá quando o menino praticamente implorou uma missão para o chefe que cedeu à contragosto. Sai também foi o único a desconfiar da armadilha que o homem o meteu, era uma missão suicida, nem mesmo os agentes mais capazes seriam colocados naquilo às escuras, o risco era alto demais.

Mas ele mandou o garoto. Madara era lógico e apático. Ele não dava atenção às vidas ou aos sentimentos envolvidos. Ele queria resultados e se Naruto estava tão disposto à uma missão solo ele lhe daria uma.

O garoto voltou quase uma semana depois. Ele tinha machucados por todo o corpo e ninguém sabia exatamente como havia sido sua missão — já que não lhe deram apoio extra-campo suficiente — mas ele voltou com uma missão cumprida perfeitamente. O brilho de seus olhos não havia sumido, Sai notou, mas seu sorriso parecia menor.

Para os companheiros de equipe ele havia saído para um treinamento intensivo.

Quando os outros três começaram a notar as diferenças, Sai já sabia que não havia mais volta. Kakashi foi o primeiro, sendo o treinador deles era praticamente sua obrigação fazê-lo, mesmo que muito tempo depois. Ele percebeu o problema de Sasuke antes, no entanto.

Sai sempre soube que havia algo errado no garoto. Ele nunca estava realmente competindo com Naruto para ter o melhor desempenho, ele competia com as notas altíssimas de seu irmão deserdado. Naruto sempre tentava chamar a atenção dele, fosse por meio de brigas nas quais eles mais pareciam se divertir do que realmente brigar, ou fosse pelo seu desempenho, e por mais que o Uchiha realmente gostasse de Naruto — ele não adimitia isso no entanto — o moreno tinha os olhos focados em seu irmão. Única e exclusivamente.

O primeiro deslize do Uchiha foi uma burrice incrível e se não fosse por Naruto, estariam todos mortos ao final dela.

Eles estavam em uma missão conjunta, era a primeira que faziam sem o Hatake e Sai estava adorando ver como eles se saíam, discutindo à todo instante. Seria simples, apenas capturar um homem acusado de algumas infrações e interrogá-lo, mas ao que parece, esse não era o plano de Sasuke. Ele havia descoberto algo sobre seu irmão, o homem o tirou do sério e fez algumas insinuações. O nome dele era Orochimaru e Sai tinha algum conhecimento sobre ele. Sasuke estava prestes à matá-lo quando Naruto o impediu.

— Se mantenha em posição soldado — o loiro ditou, era a primeira vez que eles o viam sério daquela forma. Sai incluso. — Sakura reporte. Peça o transporte.

Daquela vez Sai não estava presente, apenas pôde ouvir os áudios posteriormente. Ainda eram falas que o intrigavam.

— Quem você pensa que é? — Sasuke perguntava, sua voz visivelmente alterada — você não pode me interromper assim, eu estava no meio de uma investigação!

— Não é investigação quando você deixa sua vida pessoal interferir.

Naruto não parecia normal, não para Sai que o acompanhou por tanto tempo, mas o garoto havia crescido.

Orochimaru não contava com isso; a organização também não.

— Se seu pai tivesse alguém assim para impedi-lo desse mesmo jeito quando era jovem talvez ainda estivesse vivo, — o preso disse, o veneno despejado pela suas falas era palpável — você não acha, Namikaze?

— Por quê você fala como se não estivesse em situação semelhante? — o Uzumaki questionou, sua voz tão natural como sempre — Tsunade, Jiraya e Hiruzen seriam os seus Naruto's?

— Ora seu...

— Pena que não se pode falar muito quando se está sendo torturado — o loiro interrompeu — ou envenenado… ou estrangulado. Você não acha?

— Como você sabe… — o homem começou, se interrompendo em seguida — de onde você tirou tudo isso?

— Pessoas falam com a pressão correta. Kabuto é um deles.

— Não entendi — Orochimaru era conhecido como serpente na agência, mas Sai podia notar um riso nervoso em sua fala — quem é esse?

— Danzou disse a mesma coisa no começo — uma risada, mas a emoção não estava presente. Apenas a voz de Naruto era ouvida além do silêncio. — Yamato, Anko, Juugo e não menos importante: Kimimaru. Todos eles lembravam de pouca coisa e desconversavam. Encontrar o ponto fraco deles foi difícil, mas depois que começaram a falar foi... rápido demais.

Um farfalhar foi ouvido no áudio, logo depois um mix de vozes soou:

— Eu vi quando ele fez os experimentos com a loira peituda...

— Ela estava grávida…

— Karin implorou para que ele parasse.

— Jiraya foi logo depois, ele era mais esperto do que o esperado.

As vozes diziam ocorrências que culpavam o prisioneiro de muitas coisas. Assassinatos, conspiração, atentados. O homem surtou, as gravações foram pegas como provas e a partir daquele dia Sasuke nunca mais foi o mesmo. Não com Naruto. Ele o olhava torto, mal se falavam. Isso pelo que Sai contara durou duas semanas, e então eles apenas ficavam mais e mais grudados.

Sai desconfiou de um relacionamento amoroso, Sakura achou que eles escondiam namoradas dela.

Foi aí que ele sumiu. Junto com o moremo Orochimaru, que fugiu da cadeia. Não foram vistos por dois anos.

Nesse meio tempo os outros dois receberam uma promoção. Naruto fazia missões cada vez mais longe, cada vez mais secretas. Sakura era médica na empresa, a melhor de todas e a mais reclusa também. Eram eremitas, experientes e bons em esconder o que sentiam. Sai sabia que eles acabariam assim, todos eles, mas se sentia abandonado por não poder mais observá-los. Não tão de perto quanto antes.

Quando Sasuke reapareceu foi em uma coletiva de imprensa na qual dois representantes de países da união falavam, era um atentado e ele teve sucesso. Após isso ele apenas aparecia em manchetes de jornais e quando cometia algum crime que ameaçava a paz. O Uchiha parecia procurar por algo, tentando chamar a atenção.

Então Sai finalmente recebeu uma nova ordem. Iria fazer parte de uma equipe, a primeira em nove anos e juntamente com Naruto e Sakura. Haviam também Yamato e Kakashi. A nova equipe dos dois parecia mais normal que o recomendado e o observador sabia disso. Eles novamente estavam encarregados de capturar Orochimaru e todos eles sabiam que Sasuke estaria junto dele.

Na reunião o clima foi pesado, Sakura não queria fazer parte de uma missão de campo e se encontrava irritada. Kakashi estava quieto demais até para os padrões da organização e Naruto, o garoto conhecido por seu sorriso largo e olhos azuis brilhantes, estava mais inexpressivo do que nunca. Era chato, Sai teve de adimitir. Preferia quando o Uchiha estava lá e todos tinham de separar ele do Uzumaki à cada dois minutos.

Quando encontrou o loiro no banheiro não pôde perder a chance, queria fazê-lo se abrir, voltar ao que era antes.

— Ao que parece eu vou ser o substituto do Sasuke não é? — perguntou ao loiro, o sorriso que havia treinado durante tanto tempo estampado na face branca — o Sasuke número dois.

— Se você quer saber, esse não é um título de se orgulhar — ditou, parecendo querer rir com o comentário — seria preferível ser você mesmo, é desnecessário se comparar com alguém tão… podre.

Sai não esperava. Nem por isso, nem pelas palmadinhas que recebeu no ombro quando o loiro saiu e muito menos pela cara de espanto de Sakura á porta do banheiro, como se tivesse ouvido tudo. Sakura ainda era apaixonada pelo Uchiha. Naruto parecia o odiar.

Não demorou muito para que o serviço de inteligência detectasse o procurado deles no mapa, e eles foram atrás disso.

Falharam.

Não uma, duas ou três vezes. Eles falharam em capturar Orochimaru durante dois anos inteiros, o tempo e a proximidade lhes dando mais intimidade que o necessário na vida de um agente Anbu. No entanto Sai ficou feliz por isso — apesar de não perceber tal sentimento em si mesmo—, assim pôde descobrir que Naruto não havia perdido seu sorriso, não com as pessoas que ele gostava. O brilho em seus olhos ainda estava ali. Sai apenas não sabia por quanto tempo.

Eles conheceram muita gente nesse meio tempo e se conheceram também. Viram Kakashi e Sakura entrarem em um relacionamento e saírem dele mais vezes do que algo considerado saudável, viram Yamato começar a beber por causa de um amor não correspondido e o viram trocar o álcool pelo cigarro.

Sai ainda estava ali, observando as intervenções de sua equipe e, pela primeira vez em sua vida, com alguém ao seu lado. Naruto se tornou “algo” para ele, não sabia exatamente o quê, nem como descrevê-lo da forma correta, mas ele não estava mais sozinho.

Pareciamdois malucos espiando a vida dos outros e palpitando, sem dar atenção à deles próprios. Principalmente quando Naruto resolveu palpitar os acontecimentos seguintes; se Sakura iria dar mais um fora em Kakashi, se Yamato iria contar quem era o seu grande amor, se Kakashi perceberia que Iruka não o queria apenas como amigo, se Sakura deixaria Kakashi viver sua vida sem sentir ciúmes de pessoas mortas… Aquela era a vida dos dois, que toda madrugada mal dormida passavam no quarto um do outro, conversando por horas sem fazer nada mais que isso. Sem bebidas, sem cigarro e sem distrações.

Quando Sai percebeu já estava desenhando os olhos de Naruto pela centésima vez, nenhuma delas com o tom de azul correto.

Infelizmente, aquilo não durou o tempo necessário.

5 de Setembro de 2018 às 00:09 1 Denunciar Insira 2
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sensacional Adorei
5 de Setembro de 2018 às 20:30
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