Uma Canção de Lobos e Centauros Seguir história

jenniffersamara Jenniffer Samara

Enquanto seu coração rui pela dor da separação, Ginevra entra a serviço da Senhora Danielle, - uma viúva que governa com mãos de ferro suas terras - obrigada pelo Protetor de Montrel, afim de afastá-la de William, seu herdeiro e detentor do amor de Ginevra. Mas o prenúncio de uma guerra iminente trará revelações que mudarão o destino dos amantes desafortunados.


Fantasia Medieval Para maiores de 18 apenas.

#fantasia #medieval #asoiaf #ficção-histórica
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Prólogo

O peito de William subia e descia freneticamente, acompanhando o ritmo do coração de Ginevra. Era lindo de se ver, ali, nu como viera ao mundo dos homens. Os braços fortes e desenhados, cabelos negros e emaranhados, lábios cheios e ávidos para beijá-la quando acordasse, então ela mergulharia nos belos olhos azuis do amado. Olhos de mares, da cor da vasta imensidão azul que ela só ouvira falar.

Sentia-se uma pequena boneca frágil quando estava no colchão de penas junto ao corpo dele, um colchão que ambos carregaram num dia de lua nova para os restos da Torre Partida. Nenhum guarda viu duas sombras enamoradas andando pelas almeias do castelo, mas a aventura quase fizera o irmão de William, Theodore, descobrir o passeio noturno com a serviçal da cozinha.

Mas todo o perigo valia a pena ao lado de William Rothory. Se houvesse um homem melhor do que ele em Noialfere, seria difícil dizer, mas duvidava que algum rapaz tão doce pousara os pés na face fria desta terra. Mesmo que temesse sofrer alguma punição por se deitar com o herdeiro de Montrel, Talla, a cozinheira tinha aliviado seu coração:

— Os cavaleiros, os grandes e pequenos lordes, até mesmo os reis deitam-se com plebeias como nós. Ao apagar das velas, somos tão doces e desejadas como qualquer rainha, pense nisso, garota. Mas precisa ser forte para aguentar o outro dia querida, pois nem sempre eles voltam para a escuridão das nossas pernas.

Talla deu um suspiro triste. Talvez algum cavaleiro ou grande lorde tenha quebrado em mil pedaços seu coração ou miserável esperança de ter uma vida melhor. Em toda Noialfere, a esperança de uma mulher ter uma vida melhor era casando-se com um bom partido. Desde a plebe até a nobreza, nenhuma mulher tinha autonomia sobre sua vida, se ela não pertencesse ao pai, pertenceria ao esposo. Na falta de ambos, ela pertencia ao senhor das terras em que vivia, o que dava liberdade para os homens a serviço de alguma casa fazerem o que bem quiserem.

Soube da triste história de uma moça que fora deflorada por um cavaleiro de Gwaiana, boato que chegara até os Rothory, mas nada fora feito. A moça foi arrasada e obrigada a seguir com a vida. Podia vê-la andando pelo castelo, sempre com o olhar baixo e carregando grandes baldes de água para os cavalos, não ousava olhar para nenhum homem, tinha medo de que pudessem fazer a barbárie novamente..

“O amor não é para o deleite dos grandes lordes, apenas o dever. Deveríamos ser gratos por isso”

Crescera em praça Thorne ouvindo isso de seu pai, um velho beberrão que vivia nos bordéis, enquanto sua mãe chorava com Pipar nos braços e Ginevra ajudava a mãe nos deveres das mulheres. Era engraçado ouvir seu pai falar de amor quando ele mesmo não nutria amor nem por si mesmo, nem pela mulher que havia desposado. Por conta das noites regadas a bebidas e brigas por causa de meretrizes, o perdera tão cedo. Podia se lembrar do sorriso amarelado do pai, o cheiro de cerveja que não saía da boca e da barba sebosa. Era um homem gentil, pelo menos para os outros, sua mãe sofrera com ele. Assim que o pai faleceu, sua mãe sumiu com Pipar e não deixara sequer um bilhete para Ginevra. Após algum tempo sozinha, decidiu ir para Montrel.

Lembrar de seu pai e Praça Thorne era dolorido e quando notou, William estava de olhos abertos, apoiando-se em seu braço.

— Está distante, minha senhora. — ele lhe mostrou um sorriso terno e aquilo lhe acendia o calor no coração.

— Não me chame assim ‘nhor. Não sou uma senhora, sou apenas sua Ginevra.

— Ginevra da praça Thorne. — ele soltou um risinho.

— Pare de me provocar. — empurrou-o de volta ao colchão e lhe deu um beijo suave. Sentiu as mãos dele vasculharem seu corpo, descobrindo cada canto. Ele deitou-a carinhosamente por baixo dele, tomou um de seus seios e levou-o a boca, chupando e mordiscando, fazendo-a arfar. Levou dois dedos aos lábios e fez com que deslizassem para dentro de si e fechou os olhos. Estava flutuando num céu escuro e ricamente estrelado, sentia o gosto de pêssegos nos lábios, o cheiro de grama e uma brisa quente roçar seu corpo nu. Abriu a boca e os dedos de William trouxeram a umidade de seu sexo à boca.

— Eu a amo.— no seu íntimo ela o amava mais do que tudo, mas apenas limitou-se a sorrir docemente.

Ele a penetrou, sentindo cada espasmo que o corpo de Ginevra produzia. Seus corpos chocavam um contra o outro numa harmonia animalesca. Trouxe-o para perto de si, as unhas procuravam a pele do homem que amava, agarrando-se desesperadamente ao amante, quando encontrou os belos olhos azuis dilatados de excitação e por fim seus lábios secos encontraram a umidade num beijo avassalador, não havia nada o que dizer, apenas queria estar com ele. Sentiu a semente dele invadir seu ventre, o calor que exalava de seu corpo a deixou confortavelmente entorpecida até que caíram num sono profundo.

A alvorada adentrava a Torre Partida quando acordou sozinha, enrolada em um lençol. William partira para seu quarto no castelo, onde diziam que Vladich, o Construtor, construíra o castelo acima de um lago fumegante, por isso o castelo era tão aquecido, mesmo quando os ventos gélidos sopravam do sul. Mas lendas macabras diziam que Estóico, o Terrível, matara tantos homens sob seu teto, que sangue escorria das paredes, aquecendo todos os quartos aonde dormia sua descendência.

Era bom ter William para si durante algumas noites, quando este escapava de seu quarto noite adentro, vinha vê-la e desfrutar de seu corpo de donzela. Após fazerem amor perante aos deuses, ele contava-lhe histórias fantásticas, coisas que nunca imaginaria saber ou sequer um dia ouvir. William tinha um conhecimento grandioso acerca dos tempos que foram e da época que viviam, ele fazia questão de lhe contar sobre tudo que um dia aprendeu em Vila Velha. A conquista dos skarianos, a chegada de Ulisses, O Grande, os dragões vindo do Oriente, os magos de Asvenrnon e o Império de Voldrakum, o Maldito. Mas adorava ouvir as histórias do Sul, a era dos heróis carregavam suas histórias favoritas. Os antigos reis do inverno e seus machados afiados.

— Deve me achar uma garotinha boba, ‘nhor. Nunca soube disso, apenas de canções.

— Não é uma garotinha, muito menos boba, Ginevra. Mas suponho que deva ser algo novo para você. — ele beijou-a na testa, e pegou em suas mãos.

— Queria ver um Rei do Inverno. Seu pai poderia ser um. — ele soltou um risinho e apertou suas bochechas.

— Não pode. Meu pai é fiel à coroa. Desde Luthen, o Sábio. Há apenas um rei, Roland Arthuro.

— Um dia será rei? — olhou-o nos olhos e viu William sorrir da maneira mais doce que tinha visto.

— Se eu for, você será minha rainha.

As palavras daquela noite ficaram na sua cabeça, mas não ousava nutrir qualquer esperança que fosse. Ginevra não era Lilian de Seixo Quebrado e WIlliam não era o Rei. E mesmo se fosse, haveria centenas de donzelas querendo casarem com ele e ele se enjoaria da companhia de uma mera serviçal. Era difícil imaginar William sendo um fidalgo inescrupuloso ou até mesmo Rei. Ali, com ela, ele era apenas William. Não era William Rothory, herdeiro de Montrel, apenas o homem que a beijava suavemente.

“Eu o fiz um homem”

Não ousava lhe contar que ele derramou seu sangue de donzela sobre aquele colchão. O que ele faria? Contaria a mãe? Pediria ao pai para dá-la a algum cavalheiro para proteger a honra e não acontecer igual a pobre moça que vira com os baldes? Ninguém ousaria zombar da garota que dormiu com o herdeiro de seu suserano, mas William nunca seria seu, por mais que o amasse, que doesse seu coração. Seus senhores não permitiriam, sua família...

— Ginevra da Praça Thorne. — a voz grave fez Ginevra arrepiar-se, estava apenas coberta com um lençol e sem nada para se proteger. Seria algum cavaleiro metido a besta querendo reivindicá-la para si, como um prêmio ganhado em alguma justa. Ergueu o rosto e virou-o para contemplar quem era o dono da voz, quase deixou o lençol cair, quando viu Lorde Rothory à sua frente.

— ‘Nhor, me desculpe. Não deveria estar assim na frente do ‘nhor. — Pôs-se a ajoelhar imediatamente, ainda segurando o lençol que cobria seu corpo.

— Vista-se. Por favor. — Lorde Thomas Rothory não olhava para ela, manteve os os olhos baixos a todo o momento enquanto estava em lençóis. — Precisamos conversar sobre seu futuro e de William.

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1 de Setembro de 2018 às 04:20 4 Denunciar Insira 7
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Karimy Karimy
Estava indo dar uma olhadinha pra ver se tem atualização em "A Dama da Noite" e acabei parando aqui kkkkkkk A história parece interessante!
15 de Setembro de 2018 às 08:02

  • Jenniffer Samara Jenniffer Samara
    Obrigada Karimy, eu estou devendo capítulo novo por estar sem computador. Mas irei resolver o quanto antes esse problema <3 15 de Setembro de 2018 às 12:54
Bruna Oprach Bruna Oprach
Já estou aguardando ansiosamente o resto desta história que já começou maravilhosa. <3
31 de Agosto de 2018 às 23:45

  • Jenniffer Samara Jenniffer Samara
    Ah obrigada raposinha <3 logo terá mais capítulos para o seu deleite. 1 de Setembro de 2018 às 00:23
~

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