Mãe Seguir história

satsukimari Mari Satsuki

Nem mesmo a mulher mais poderosa do mundo é capaz de discernir por completo em meio às dores do parto, nem mesmo uma mulher que viu a morte diante de seus olhos, que viu pessoas padecerem em sua frente é tão forte para lidar com o medo da perda de seu filho. Porém, até a mulher mais fraca se torna forte diante do choro daquele que gerou em seu ventre, e instantaneamente se torna o ser mais poderoso do mundo se isso for necessário para cessar a aflição daquele que é fruto de seu ventre de amor.


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

#gincanafns #querobiscoitofns #fns #boruto #naruhina #hinata #naruto #fanfic
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32 semanas de gestação.

Fortes dores e um medo de que algo de errado estivesse acontecendo com seu bebê. Seria possível? Ainda restavam oito semanas até a data provável do parto, praticamente dois meses e Hinata sabia que seu filho ainda precisava aguentar mais um pouco, pois seu desenvolvimento ainda não estava completo. Boruto precisava esperar, ainda não era hora.

As dores aumentavam cada vez mais, e considerando que as características eram semelhantes a contrações, ela se assustou e um forte medo de que algo estivesse errado com seu filho lhe assombrou imediatamente.

– NARUTO! – Seu grito era frígido, aflito, impaciente. Nem mesmo quando Naruto se encontrava próximo à perdição, prestes a entregar seu coração a Obito após a morte de Neji em seus braços, Hinata dirigiu-se ao marido daquela maneira.

Sentiu-se um pouco incomodada pela manhã. Naruto, sendo o marido carinhoso e atencioso de sempre, prontificou-se para preparar o café da manhã da esposa, mesmo não sendo tão habilidoso com isso, tudo para que ela pudesse descansar.

Vasculhou os armários e suspirou derrotado quando se viu de mãos completamente atadas quanto ao que faria. Havia comida, havia muita comida, das melhores variedades inclusive, mas de que adiantava os ovos se não havia frigideira para a omelete, e naquela situação Naruto se assemelhava muito a frigideira.

Suspirou derrotado e decepcionado consigo mesmo, pois era o herói da grande guerra ninja e sequer sabia grelhar um peixe para alimentar sua esposa. Mas, não queria decepcioná-la ou oferecer-lhe trabalho, então improvisou da maneira que pode.

Vasculhou o armário buscando ao fundo a pequena caixa com alguns sachês de chá instantâneo, desses que só teria o trabalho em aquecer a água, e isso sabia fazer com maestria. Preparou uma frigideira e limitou-se apenas o que sabia: ovos fritos.

Aqueceu um pouco de leite o dispôs e uma tigela, deixando ao seu lado a caixa de cerais favorita do casal, o de chocolate. Preencheu um copo com um suco de laranja feito por Hinata no dia anterior e uma xícara com o chá, e finalizou dispondo os três ovos fritos em um prato.

Aquele sem dúvida algum era um desjejum muito singelo se comparado às fartas refeições preparadas por Hinata, mas isso não fez com que Naruto se sentisse inferior ou incapaz de fazer algo no mesmo nível que a esposa, tudo que sentiu ao ver o resultado de seu esforço foi uma imensa satisfação.

Entretanto, nem mesmo teve a felicidade de surpreendê-la com a refeição que havia preparado com tanto afinco. Um grito afoito de Hinata ecoou por toda a casa, e por não conhecer aquele tom de voz vindo da esposa, e por sentir o desespero em cada nota entoada pelo seu grito desesperado, Naruto correu de imediato até o quarto, encontrando uma Hinata apavorada, enquanto um liquido escorria por entre suas pernas.

– Acho que nosso fi-filho... – Ela pausou suas palavras e liberou um urro de dor. Uma das mãos estava apoiada na parede, e a outra segurando a barriga, como se a criança pudesse sair dali a qualquer momento. – Acho que ele vai nascer!

Naruto estava com medo, preocupado, ansioso. Desejava ver o filho, mas não naquelas circunstâncias. Era um completo leigo em relação a nascimentos, mas durante todo o acompanhamento realizado por Shizune, diversas dúvidas foram esclarecidas, inclusive que uma gestação dura 40 semanas, e ele sabia que ainda restavam oito.

Praticamente dois meses.

Ainda era muito cedo, e ver a esposa gemendo em agonia lhe preocupou ainda mais.

Não perdeu tempo fazendo perguntas ou tentando entender o que estava acontecendo. Parou por alguns segundos para que pudesse recolher energia natural e então sorriu para Hinata.

– Ele está bem, consigo sentir sua força vital forte. – Mesmo em meio às dores, Hinata suspirou aliviada ao ouvir as palavras do marido. – Mas não vamos perder tempo, temos que leva-la imediatamente ao hospital. – E antes que, Hinata em meio a suas dores, pudesse contestar algo, ele apenas a pegou em seu colo e rumou imediatamente em direção ao hospital.

Chegaram imediatamente e então Naruto procurou por Shizune, deixando a esposa em seus cuidados para que pudesse voltar até sua casa buscar os pertences de Hinata e do bebê que aparentemente estava prestes a nascer, e ele torcia que, se caso isso acontecesse mesmo, que tudo corresse bem e que a criança pudesse nascer com a saúde perfeita.

Levou menos tempo do que acreditava para que pudesse retornar, e quando finalmente pode estar ao lado da esposa novamente, ela parecia aflita e Shizune não possuía a melhor das expressões.

– O que aconteceu, está tudo bem? – Naruto perguntou afoito.

– Em partes, sim... – Shizune suspirou pesadamente. – A bolsa de Hinata estourou antecipadamente e teremos que fazer uma cesárea de emergência, pois o bebê não está posicionado para um parto normal.

– E isso será arriscado? – Ele perguntou preocupado. – Será uma cirurgia, não é?

– Sim, é uma cirurgia. Em partes, existe sim um risco, mas ele é mínimo. Então com isso não tem porque se preocupar.

– Então qual é o motivo da cara de vocês?

– Bem... – Shizune parecia um pouco tensa para falar, mas então encheu os pulmões de ar e prosseguiu. – O que preocupa Hinata é que o bebê precisará ficar um tempo maior no hospital até que ele se desenvolva completamente.

– Como assim? – Naruto perguntou assustado. – Ele não está bem? Há algo de errado com a saúde dele?

– Não há nada de errado com a saúde dele, Naruto. – Shizune disse de maneira firme, de forma a tranquiliza-lo. – Mas esse tipo de procedimento é necessário para que a criança atinja a força necessária para ir para casa, força essa que deveria ser adquirida dentro da Hinata pelas próximas oito semanas.

– Eles vão ficar bem? – Naruto se aproximou mais da esposa, segurando sua mão enquanto dirigia-se a Shizune. – Não tem risco nenhum mesmo?

– Tudo bem, querido. – Hinata apertou a mão de Naruto de uma forma carinhosa, mas que ao mesmo tempo chamasse sua atenção. E então ele percebeu que sua expressão sôfrega pelas dores não estava mais ali. O que justificava aquilo era a medicação que se fazia presente em sua intravenosa. – Não era dessa forma que imaginava as coisas, mas tenho esperança que nosso garoto ficará bem e logo poderá estar conosco em nossa casa.

**

Uma certa sonolência lhe tomava pouco a pouco. Havia dito que não gostaria de ser sedada, mas os efeitos da medicação de certa forma deixavam-na um pouco tonta. Contudo, Hinata se manteve firme, pois não queria perder um minuto sequer do nascimento de seu primeiro filho.

Não conseguia formar muito bem as palavras, desejava perguntar se estava tudo bem, se havia algo de errado, mas as palavras não saíam, e tudo que conseguia fazer era observar certa agitação e um nervosismo estampado na expressão de cada envolvido naquele parto.

Momentos depois, Shizune sorriu um pouco aliviada, e então pronunciou as palavras que Hinata tanto desejava ouvir:

– Ele finalmente nasceu! – E mesmo que fraca e sonolenta, permitiu-se chorar emocionada com a notícia.

Entretanto, a tensão voltou a tomar os presentes. Hinata não estava habituada com nascimentos, tão pouco havia presenciado algum em sua vida, mas sabia que as crianças costumam chorar após o parto, e ela não conseguiu ouvir o choro de seu filho.

Todos se juntaram em torno de Shizune que levou o bebe para algum lugar longe da visão de Hinata, fizeram coisas que ela não conseguia ver. Estava assustada, preocupada, pois não conseguia se mover devido os efeitos da anestesia e sentia-se fraca demais para gritar. Pouco a pouco era tomada pelo medo, e então seu coração acelerava cada vez mais, o ar começava a lhe faltar e a sonolência parecia desmoronar sobre sua mente tão rápido quanto uma avalanche, mas ela precisava se manter forte e manter-se de olhos abertos até que finalmente soubesse que o filho estava bem.

E então veio, o choro que Hinata tanto ansiava por ouvir. Era um choro baixo, fraquinho e com pouca entoação, mas ainda era um choro que sinalizava que seu filho estava ali, e estava bem.

– P-por favor... – Hinata esforçou se ao máximo para que conseguisse proferir tais palavras. – Deixem que eu veja... o meu filho.

– Tudo bem... – Shizune lhe sorriu de maneira pequena, mas atendeu seu desejo. Embrulhou o pequeno bebê eu uma manta que o aguardava e então levou-o para que Hinata finalmente pudesse conhecer o filho.

Era pequeno demais, e seu corpinho estava pálido. O choro já havia cessado e ela conseguia ouvir sua respiração fraca. Analisou calmamente cada detalhe do pequeno garoto e mais algumas lágrimas caíram por seu rosto. Os fios loiros de Naruto estavam ali, porém mais comportados, como os dela, juntamente com as características marcas em seu rosto que também eram de seu pai. Estava curiosa quanto à cor dos olhos do bebê, se este havia herdado os olhos perolados como os Hyuuga ou se sua íris também era azul como a de seu pai.

Estava radiante e emocionada, há tanto sonhava em conhecer aquele rostinho pequenino, fruto de seu amor, parte de si, que gerou e sentiu crescer durante tanto tempo. Porém, ver sua expressão pálida e enfraquecida, sentir sua respiração despertou uma preocupação maternal que lhe destruiu completamente por dentro. Havia algo de errado com seu bebê? Ele ficaria bem? O que seria necessário para que pudesse cuidar dele? O que ela poderia fazer? Eram tantas perguntas e tantos medos, que Hinata mal conseguiu se expressar.

E antes de raciocinar e digerir toda aquela imensidão de medos e inseguranças, seu filho foi levado para longe. Quis gritar, chorar, chamar por ele, mas confiava em Shizune e sabia que ela não o faria se não houvesse necessidade, e então o medo tomou-lhe novamente. Sabia que havia algo de errado e ela não poderia estar ao lado dele. Novas lágrimas caíram e essas não eram de alegria, eram de receio, medo. Sentiu seu coração acelerar e viu a movimentação agitada de algumas pessoas, e tudo que conseguiu ouvir antes de adormecer foi:

– Ela está tendo uma hemorragia!

**

Quando finalmente conseguiu abrir os olhos, mesmo que com dificuldade, Naruto adormecia em uma poltrona reclinável ao lado de seu leito. Perguntou-se por quanto tempo o marido estava ali, e suspirou aliviada e feliz por ter sua companhia. Olhou para o lado e não encontrou nenhum sinal do filho, e então o desespero novamente lhe tomou por completo.

– N-naruto... – A voz ainda era fraca, mas o medo proporcionado pelo instinto protetor materno lhe dava força e entoação suficiente para chamar a atenção do marido adormecido ao seu lado, que acordou sem muita dificuldade. – O-onde está o nosso bebê?

– Oh, você acordou... – Naruto abriu os olhos aos poucos, e então sorriu para a esposa. Notando sua aflição e preocupação, levantou-se e se colocou ao seu lado. Segurou uma de suas mãos de maneira firme na tentativa de acalmá-la. – Escute, tudo vai ficar bem, ok? Nosso filho nasceu com alguns problemas de saúde devido à prematuridade, por isso vai precisar ficar alguns dias na UTI neonatal, mas a Shizune garantiu que ele vai ficar bem e... – Naruto não sequer conseguiu continuar, tudo que fora capaz de fazer foi acolher a esposa em seus braços quando ela caiu em prantos.

– Ei, não chore... – Ele disse em sussurros, enquanto acariciava seus cabelos durante um abraço reconfortante. – Sei que isso pode parecer assustador demais, eu fiquei em choque quando soube, mas lembre-se que ele é nosso filho, então vai conseguir passar por isso. – Direcionou um olhar reconfortante para Hinata, que se acalmou um pouco. – Shizune pediu para que avisasse quando você acordasse para amamentar o bebê. Então espere apenas alguns minutos, tudo bem? – Hinata assentiu e então Naruto depositou um beijo carinhoso em sua testa, deixando o quarto em seguida.

Retornou pouquíssimos minutos depois ao lado da médica e de uma enfermeira que carregava uma cadeira de rodas.

– Isso é mesmo necessário? – Hinata perguntou assustada. – Pensei que tivesse sido uma cirurgia simples...

– Não foi tão simples quanto imaginamos que seria, Hinata. – Shizune respondeu de maneira séria. – Após o parto você teve uma forte hemorragia e isso complicou um pouco sua situação, por isso devemos ter todo o cuidado do mundo também com você durante alguns dias.

– É por isso que meu filho está mal? É minha culpa? – O medo lhe tomava cada vez mais. Não suportaria a ideia de que a saúde de seu filho estivesse comprometida por sua causa.

– Claro que não Hinata, não pense isso! – Shizune a tranquilizou. – O que aconteceu com você é uma situação muito atípica, mas ainda pode acontecer. Felizmente eu tenho uma excelente equipe de trabalho e com isso não tivemos dificuldades e dar nosso melhor pela sua vida e do seu bebê. – A mulher abriu um sorriso vitorioso. – Agora eu preciso levá-la para alimentar o seu filho. Queremos observar como ele se porta diante de você e como isso pode influenciar no desenvolvimento dele nos próximos dias.

– Tudo bem. – Hinata abriu um sorriso pequeno e assentiu.

Foi à vez de Naruto de fazer sua parte. Delicadamente, colocou a esposa em seus braços e essa gemeu um pouco devido à dor do pós-cirúrgico. Delicadamente, colocou-a na cadeira de rodas e essa foi guiada pela enfermeira até a UTI neonatal do hospital de Konoha. Naquele instante, a entrada de Naruto acabou sendo barrada e esse ficou apreensivo por poder observar tudo apenas de um vidro.

Do lado de fora, sentiu seu coração partir-se em mil pedaços quando viu a expressão de angústia no rosto de Hinata quando o pequeno Boruto lhe foi entregue. Sua cor ainda era empalidecida quando pode vê-lo pela primeira vez, e naquele momento alguns tubos estavam ligados em suas narinas para tratar sua dificuldade respiratória provocada pela prematuridade. Mesmo com a garantia de Shizune que aquilo seria temporário, ainda havia preocupação e medo por parte daquele pai que, não suportaria perder alguém em sua preciosa família. Mordeu o lábio inferior com demasiada força enquanto segurava as lágrimas que pareciam gritar em seu interior para sair. Sentiu-se um completo inútil por não saber como ajudar as duas pessoas que mais amava no mundo.

Hinata tinha certo medo de segurar o bebê em seu colo. Era tão pequeno, parecia tão frágil e enfraquecido, como se qualquer movimento errado pudesse quebrá-lo em mil pedacinhos. Suas mãos tremeram quando a enfermeira retirou-o da incubadora e o entregou para ela. Estava receosa quando aquilo, mas Shizune a tranquilizou.

– Tudo bem, Hinata. – Ela sorriu, encorajando-a. – Você pode pegá-lo em seu colo. Quando conseguir amamentar, se sentirá mais segura.

Hinata assentiu e estendeu os braços para que seu pequeno filho fosse colocado ali. As mãos ainda tremiam, mas ao sentir o fraco calor emanado por aquele corpinho, que pareceu aconchegar-se um pouco mais em seus braços, o medo imediatamente sumiu, e no mesmo instante foi tomado por um instinto de proteção descomunal. Como se já houvesse feito aquilo diversas vezes, aconchegou-o mais em seu colo e assim o manteve. Com a ajuda da enfermeira, removeu a proteção do sutiã de amamentação que utilizava e com cuidado seguiu as orientações de Shizune.

– Aproxime-o o da auréola, leve sua boquinha até lá e deixe que ele a sinta, a natureza fará todo o trabalho. – A mulher orientou e assim Hinata o fez, observando com demasiada atenção os movimentos de seu filho.

Era como se o garotinho sentisse o cheiro se seu corpo, e mesmo tão pequeno, fraco e frágil, ainda possuía forças para buscar aquilo que desejava. Sua pequena boquinha se abriu e então ele abocanhou todo o mamilo de Hinata, e essa mordeu o lábio inferior quando sentiu a primeira sucção.

– Está doendo? – Shizune perguntou preocupada. Hinata apenas assentiu enquanto uma pequena lágrima caia de seus olhos. Aquilo era doloroso demais, porém, não era nada se comparado ao medo do que poderia acontecer com seu pequeno bebê.

– Se estiver insuportável, podemos recorrer à ordenha até que esteja pronta... – Mas Hinata a interrompeu.

– N-não... – Ela disse entre alguns gemidos de dor. – Eu consigo suportar! Quero fazer isso!

– Bom, se é o que diz... – Shizune suspirou aliviada. – Mas teremos que ficar atentos, caso apareça alguma ferida ou rachadura, tudo bem?

– Sim. – Hinata sorriu de maneira fraca enquanto observava o filho se alimentando. Era tão pequeno e gracioso que poderia passar horas e horas ali o observando daquela maneira.

Shizune apenas suspirou aliviada e então deixou Hinata aos cuidados da enfermeira. Retirando-se da UTI, encontrou de imediato um Naruto apreensivo que observava sua família com demasiada atenção.

– Está tudo bem, Naruto? – A mulher perguntou, chamando a atenção do Homem.

– Como poderia estar? – Ele respondeu com um fraco sorriso em seu rosto. – Meu filho não está com uma boa saúde, minha esposa quase morreu para dar a luz. Parece que meus medos começaram a surgir de uma única vez...

– Ei, não se preocupe! – A mulher acariciou seu ombro na tentativa de acalmá-lo. – Ambos estão bem e ficarão ainda melhores daqui para frente, só precisamos esperar um pouco mais...

– Não há nada que eu possa fazer? – Ele direcionou um olhar aflito e ansioso para a mulher. – Quer dizer, vocês usam chakra para curar os doentes, não é? E se eu der o meu chakra para ajudar os dois?

– Eu não sei... – Shizune pensou por alguns momentos. – Precisamos avaliar isso. Boruto está passando por uma terapia intensiva de fortalecimento físico com chakra para que possa se recuperar mais rápido, mas esse tipo de tratamento demanda uma quantidade muito grande e isso acaba sendo muito exaustivo para o médico. Se a Sakura estivesse aqui...

– Ela está com o Sasuke e sabe lá deus onde... – Naruto suspirou derrotado. – Será que a vovó não consegue fazer algo a respeito?

– Posso conversar com ela, mas desde a guerra as reservas de chakra da senhora Tsunade se tornaram escassas para trabalhos como esse, mas talvez ela possa fazer algo com a sua ajuda. – Shizune sorriu, dando a Naruto uma pontada de esperança.

– Eu ficaria muito agradecido, Shizune. – Naruto lhe sorriu alegre e esperançoso com a possibilidade. Faria o possível para que pudesse ajudar sua esposa e filho.

**

Dois dias haviam se passado. As dores do pós-parto já eram menores, a energia se reconstitua aos poucos e a amamentação já se tornava algo menos doloroso, mesmo que nunca tivesse sido difícil para Hinata. Havia perdido muito sangue, por isso Shizune exigiu que passasse um tempo maior no hospital, e de certa forma isso não viria a ser um problema para Hinata, pois assim ela poderia passar um tempo maior com seu filho, mesmo que só pudesse vê-lo de longe na maior parte do tempo.

Sentia o desejo insaciável de tocá-lo, acaricia-lo, sussurrar para ele que tudo ficaria bem, que logo estaria em casa. Mas por medidas de segurança ela só tinha permissão de tocar o filho nos momentos que fosse amamenta-lo, pois era arriscado para uma criança com a saúde tão frágil ser exposto ao mundo externo daquela maneira.

E estar de mãos completamente atadas diante de uma situação como aquela lhe partia ainda mais o coração. Desejava estar ali por seu filho, poder fazer algo por sua saúde, ajudá-lo com sua recuperação e desenvolvimento. Desejava vê-lo assumindo sua coloração natural e chorar desesperadamente como todos caracterizam o choro de um bebê do sexo masculino. Não se importava em passar noites em claro alimentando-o e o ninando – mesmo que já estivesse perdendo suas noites – mas ela queria estar em casa, com seu pequeno bebê livre de tubos, medicamentos, podendo receber a luz do sol e não a iluminação de uma pequena incubadora que nutria seu pequeno corpinho que Hinata acreditava não ser capaz de nutrir.

Sentia culpa, por não ter conseguido carregar seu filho durante as 40 semanas que ele necessitava para ter uma boa saúde. Sentia-se culpada, por acreditar que em algum momento de sua gestação, acabou cometendo algum erro que no fim acarretou no nascimento prematuro e cercado de riscos de seu primeiro filho.

Entretanto, Naruto não deixaria que ela continuasse a pensar daquela maneira. Não havia um culpado para aquilo, infelizmente, um imprevisto levou aquilo tudo. Boruto nasceu quando precisou nascer e aquilo deveria servir apenas como uma experiência para aquele casal de primeira viagem. Não se culpariam por isso, Naruto insistiu com sua esposa, mas guardariam cada detalhe daquele conturbado nascimento e se orgulhariam imensamente de cada pequeno passo do crescimento do filho.

Boruto seria uma criança forte, afinal, ele era filho e um herói e de uma princesa, possuía o sangue de dois grandes ninjas, era visto como um futuro prodígio ainda no ventre de sua mãe, e passando por aquilo, ele fortaleceria a si, mas também fortaleceria seus pais.

E por um milagre, os desejos de Naruto foram atendidos, e graças ao seu chakra curativo vindo da Kurama – que não se importou em compartilhar seu poder com a criança – Boruto teve uma recuperação muito mais rápida e efetiva, e na metade do tempo previsto, estava em casa com sua família.

E então, Hinata finalmente pôde desfrutar do que poderia ser uma mãe de primeira viagem.

O garoto sentia muita fome, o que acarretava em mais e mais amamentações. Eventualmente seus seios criaram rachaduras e feridas, o que acabou levando-a a recorrer a ordenhas e mamadeiras até que finalmente pudesse amamentar novamente. As primeiras semanas foram mais difíceis, pois adaptar uma criança acostumada ao ceio materno a se alimentar em uma mamadeira poderia ser difícil, mas tratando-se de Boruto, era praticamente impossível. Foram dias de muito choro infantil, lágrimas de frustração e insistência. Até que finalmente o garoto conseguisse se adaptar um pouco ao substituto do seio de sua mãe, porém, no fim esse acabou sendo desnecessário, já que a recuperação de Hinata não foi demorada, o que tornou a situação bastante cômica para os pais, que sofriam dias antes com medo de não conseguirem alimentar o filho.

Boruto também sofria com as inúmeras crises de cólica. Shizune havia alertado os pais sobre o risco da introdução de fórmulas de leite para o bebê, considerando que devido à prematuridade, seu intestino ainda não estivesse adaptado o suficiente, mesmo que para receber o alimento adequado para sua idade, por isso os pais decidiram não arriscar, mantendo-o apenas com leite materno, mas isso não aliviou as dores do bebê – que poderiam até ser piores. – que não dormia praticamente nada durante a noite, chorando desesperadamente pelas dores que sentia. Hinata também chorava, pois lhe doía na mesma proporção ver o filho sofrer. Desejava poder trocar de lugar e sentir todas as suas dores, mas como aquilo era impossível, seguia o que havia aprendido sobre situações como aquela, medicando o filho e lhe dando carinho até que remédio finalmente fizesse efeito, e então ele adormecesse.

E quando isso finalmente acontecia, ela respirava aliviada, pois começaria seu momento de descanso. Tentaria se alimentar melhor, tomaria um bom banho, se possível dormiria um pouco, até que o filho chorasse devido à fome. E mesmo que, ainda estivesse escassa de energia, ela levantaria mais uma vez, cansada, porém feliz, aliviada, pois seu filho agora estava em seus braços, chorando como ela desejava ouvir, e acima de tudo, saudável e ao alcance de seus pais, que mesmo completamente tomados pelas olheiras das noites mal dormidas, consideravam aqueles os dias mais felizes de suas vidas. 

21 de Agosto de 2018 às 00:52 10 Denunciar Insira 5
Fim

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Tatu Albuquerque Tatu Albuquerque
Eu acho que eu precisava muito ler algo assim e não sabia até ler. Toda a situação da maternidade mostrada como ela é, sem demonização ou romantização, apenas a pura realidade, com o ônus e o bônus da situação. Eu tô me tremendo todinha com a leveza e a naturalidade que cê colocou aqui, com esse Naruto pai maduro ciente que, apesar dos próprios medos, a esposa e o filho precisam dele forte ali e eu tô impactada como isso se desenrolou. Devo dizer que fiquei meio aflita com as complicações do parto, mas fé no pai que o final é belo E COMO É BELO, EU TÔ SEM AR, MARIA
6 de Setembro de 2018 às 10:05

  • Tatu Albuquerque Tatu Albuquerque
    Maria* 6 de Setembro de 2018 às 10:07
  • Tatu Albuquerque Tatu Albuquerque
    Mariana*** 6 de Setembro de 2018 às 10:06
  • Mari Satsuki Mari Satsuki
    Nossa eu to muito grata e emocionada com seu comentário, você não tem noção! Eu tinha essa ideia não era de hoje, mas fiquei muito tempo bloqueada por não me achar preparada para escrever sobre por não ser mãe ainda, mas ai veio a gincana, o tema, a ideia voltou na minha mente e eu pensei "pq nao é?" eu conversei com amigas que passaram por isso, pesquisei um pouco, juntei também minha curta experiencia profissional com a minha paixão por materno/infantil e a fic saiu hahah. Tentei ao máximo ser fiel ao que o puerpério é, exageros nem romantizações mesmo, mostrando o real de uma mãe, tanto por fora quanto por dentro, ai eu chego aqui e me deparo com um comentário desse, eu quase que choro por saber que eu consegui passara mensagem que queria, por conseguir falar sobre o quão difícil e lindo é a maternidade como nós mulheres podemos ter tanta força em um momento tão delicado da vida. Miga, muito obrigado por ler, comentar e por todo carinho que você deixou aqui. Estou muito feliz que a mensagem que queria deixar com a fic tenha chegado a té você também ❤❤❤❤❤ 18 de Outubro de 2018 às 22:45
Políbio Manieri Políbio Manieri
OLHA ESSA PRECIOSIDADE! Ah nao! Fics de família moem a minha alma eu to sem forças! Amiga voce quer me matar me fala, eu nao sei quem tava mais desesperada a hinata ou eu, desde as contraçoes prematuras até a hemorragia que ela teve durante o parto. Eu adorei que voce teve a atençao de nao fazer do naruto um bobao histérico na hora das complicaçoes, ele agiu bem e precisava estar ali pra trazer o conforto necessário para a hinata nao desabar. Dessa vez foi a vez dele e eu fiquei muito feliz lendo isso! Amei também que voce quis narrar a maternidade conforme ela é, sem romantizaçoes mas com o peso significativo que o ato tem, com todas as suas dores e medos, ficou uma fic extremamente doce de se ler!
5 de Setembro de 2018 às 19:07

  • Mari Satsuki Mari Satsuki
    Miga eu não quero matar ninguém não, só deixar perto da morte hahahha brincadeiras a parte, eu fico muito feliz que tenha gostado da fic e que tenha atingido meu objetivo com a temática da história. Eu também amo qualquer coisa que fale sobre família e que seja fuffly, pode ate ter um draminha, mas finais felizes aquecem o coração demais. Eu investi muito nessa fic porque era um tema que sempre quis fazer mas tinha receio por não ser mãe, mas ai veio a gincana e o tema que me deu uma coragem para arriscar, pesquisei, conversei com algumas mulheres que passaram por isso, usei também das minhas experiencias profissionais, mesmo sendo meros meses de estágio hahah e eu consegui escrever, mesmo com medo, mas eu fui na coragem pq acreditei consegui representar da forma que desejava a força feminina em um momento tão delicado da vida dela. Ai eu entro aqui e vejo esses comentários, sério, eu fico emocionada mesmo ao perceber que atingi meu objetivo com a fic e que vocês viram da mesma forma que eu vi enquanto escrevia. Sou completamente apaixonada por neonatal e acho o puerpério maravilhoso como ele é, e esse momento precisa ser mostrado de verdade e valorizado como se merece. Enfim, fico muito feliz mesmo que tenha gostado, e agradeço muito pelo carinho que teve em comentar, eu to tão feliz que nem sei ❤❤❤❤ 18 de Outubro de 2018 às 22:33
HERA HERA
Essa fic mexeu muito comigo, como mãe foi como se eu revivesse cada momento da minha gestação e parto e isso me deixou muito emocionada. É muito bom ler sobre maternidade e se sentir representada dentro do ser mãe, muito obrigada por isso <3
5 de Setembro de 2018 às 15:04

  • Mari Satsuki Mari Satsuki
    Eu fico realmente muito feliz que tenha gostado, que tenha se sentido representada pela história ❤ Pesquisei muito, conversei com mães e colhi muito da minha experiencia profissional para retratar ao máximo a realidade do puerpério, e receber um comentária de uma mulher que passou por isso, relatando sentir-se tão representada me deixa verdadeiramente emocionada. Meu desejo era sim representar a força feminina nesse momento e eu fico muito alegre ao saber que consegui! Muito obrigada pelo carinho ❤❤❤ 18 de Outubro de 2018 às 22:22
Esteff Hwasa Esteff Hwasa
Mds q coisa mais linda,sempre fiquei imaginando como q foi esse momento do nascimento do boruto,a reação do Naruto,o sorriso da Hinata e sua fic me deixou bastante satisfeita ao relatar esse momento,apesar das diversidades. Sua escrita é sensível e objetiva,acompanho outros trabalhos seus e queria dizer q amo mt ❤❤
27 de Agosto de 2018 às 20:13

  • Mari Satsuki Mari Satsuki
    Eu fico imensamente feliz que tenha gostado ♥ Sempre quis escrever sobre esse momento na vida do casal, e ao mesmo tempo trazer um pouco da realidade feminina para a vida da Hinata em seu puerpério. Como não sou mãe, conversei com pessoas que passaram por isso justamente para tratar do tema com carinho e tornar tudo o mais real possível. Receber um feedback como esse me deixa muito feliz, de coração. Muito obrigada pelo carinho, viu? Um grande beijo ♥ 29 de Agosto de 2018 às 18:47
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