(2018) Tempo perdido Seguir história

alicealamo Alice Alamo

Não era dessa forma que me imaginei “pai”, não havia sido assim, distante, que eu tinha sonhado aproveitar os primeiros anos da sua vida, Sarada. Para ser sincero com você, ter filhos nunca foi uma das minhas prioridades na vida, você já deve saber dos erros que cometi ao longo da minha juventude, deve ser capaz de entender que alguém tão cercado de ódio não podia considerar estabelecer um vínculo tão forte de amor com outra pessoa, uma ainda que lhe seria dependente. Mas, mesmo assim, quando a ideia de ser pai me vinha à mente, eu me imaginava um bom pai.


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

#paternidade #sarada #sasuke #sasuke&sarada #naruto #tiposdepai
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Capítulo Único

Fic feita para o desafio #tiposdepai

Pai escolhido: pai mestre dos magos



Minha pequena Sarada,

Não era dessa forma que me imaginei “pai”, não havia sido assim, distante, que eu tinha sonhado aproveitar os primeiros anos da sua vida, Sarada. Para ser sincero com você, ter filhos nunca foi uma das minhas prioridades na vida, você já deve saber dos erros que cometi ao longo da minha juventude, deve ser capaz de entender que alguém tão cercado de ódio não podia considerar estabelecer um vínculo tão forte de amor com outra pessoa, uma ainda que lhe seria dependente. Mas, mesmo assim, quando a ideia de ser pai me vinha à mente, eu me imaginava um bom pai.

O meu pai, Fugaku, era rígido, mas presente, sério, mas carinhoso comigo e Itachi. E eu sonhava até mesmo ser melhor que ele, não cometer os mesmos erros dele. A ironia é que consegui ser pior… Imaginei que seria eu a acordar de madrugada quando você chorasse, que andaria com você pela casa e velaria por seu sono como Itachi fez comigo várias e várias vezes. E não me incomodaria com isso, porque você estaria nos meus braços, porque o meu coração se sentiria completo enquanto você adormecia tranquila. Itachi com certeza se envergonha de mim por saber que não fiz nada disso...

Certa vez, me peguei imaginando quais seriam as primeiras palavras que meu filho, ou filha, falaria, e parte do meu orgulho na época me fez ter certeza que seria algo como “otou-san” dito de forma embaralhada e quase irreconhecível, mas era certo de que suas primeiras palavras seriam para mim. E por que não seriam? Na minha cabeça, seria eu a passar mais tempo com você, a andar pela casa com você nos meus braços pelo simples fato de não conseguir te deixar solta correndo, a te ajudar a dar os primeiros passos e sorrir quando começasse a andar me seguindo por todo canto como eu fazia com Itachi.

Para mim, na pior das hipóteses, eu diria apenas de vez em quando “hoje não, Sarada, talvez amanhã”. A ideia de repetir a frase que Itachi me falava quando estava ocupado demais com os problemas do clã e da vila me dava calafrios, era inconcebível aceitar que eu não pudesse ter tempo para alguém que tanto amava. E doeu, ainda dói, ter ciência de que fiz algo bem pior, de que nem ao menos estive ao seu lado para dizer isso e deixei essa obrigação para sua mãe.

É vergonhoso. Saber que errei, admitir e ter os meus próprios sonhos destruídos é mais vergonhoso do que pode imaginar, mas minha vergonha com certeza não chega nem perto da sua dor pela minha ausência. Eu sei, eu entendo, crescer sem um pai era a última coisa que justo alguém como eu poderia desejar para outra pessoa, ainda mais para a minha própria filha.

Quando você entrou na academia, foi um choque, talvez o pior de todos. Aquele era um marco importante para mim, atravessar com você aquelas portas pela primeira vez tinha um significado especial, e eu perdi. Assim como seus primeiros treinos de arremesso de kunais, os jutsus que não pude te ensinar, as histórias do clã que cresci ouvindo e não te contei. Eu não só nos neguei esses momentos como também os preenchi com a lembrança de uma lacuna na sua vida.

Perdi suas primeiras palavras, seus primeiros passos, cada marco importante de sua vida escapou entre os meus dedos. Manter a vila segura, a paz que Naruto tanto queria assegurar, não alivia essa culpa, acho que nada pode mesmo justificar o que te fiz. E eu me arrependo; toda vez que te encontro, eu me arrependo ainda mais. Voltar para a vila chega a ser como receber um novo fôlego e me sentir sendo sufocado novamente porque sei que é temporário, que, mesmo depois de tanto tempo longe, passarei apenas alguns dias ao seu lado antes de partir mais uma vez.

Eu não sei quando isso terminará, quando vou poder voltar de fato e te ensinar tudo o que sempre sonhei em passar para você, mas sei que talvez já seja tarde, que você já não me reconheça como seu pai ou que me rejeite. E eu entendo, a pior parte é entender esse sentimento de traição que você possa estar sentindo em relação a mim e não ter argumentos o suficiente para que me perdoe. Mas é justamente por entender como você se sente que eu quero que você saiba que, não importa quanto tempo passe, não importa o que você faça ou o que decida ser, não importa se não puder mais me esperar, mesmo se seu coração não conseguir mais não me odiar e me expulsar da sua vida; não importa o que decida ou que caminho siga, saiba que eu sempre vou te amar e lamentar o nosso tempo perdido.

Voltarei para você em uma semana e, dessa vez, espero que definitivamente.

Amo você,

Sasuke.

20 de Agosto de 2018 às 23:14 4 Denunciar Insira 11
Fim

Conheça o autor

Alice Alamo 23 anos, escritora de tudo aquilo em que puder me arriscar <3

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Nossa, que história honesta ao se tratar do Sasuke, acredito na veracidade de cada palavra aqui, ainda mais tratando-se do seu orgulho, meio que fere ele não poder ser o melhor em algo. E, ao se comparar com o Fugaku e o Itachi, eu quis abraçar ele e a Sarada e falar que tudo vai ficar bem. Meio que vejo meu pai nessas palavras e acaba machucando, ela me fez lembrar de todas as vezes que, com vergonha, ele acabava me afastando mais, sabe? Lembro uma vez quando criança ele me disse num encontro qualquer no bairro que eu morava que ia me visitar no domingo, era dia dos pais e minha família materna não gostava dele, sabe, aí teve o almoço que eu convenci minha avó a fazer para ele e ela não apareceu. Foi tão difícil, a visita do aconteceu em abril do outro ano. Então meio que eu sei como é para a Sarada e o sentimento do próprio Sasuke nessa história. Pelo menos o Sasuke enxerga a ausência que faz na vida de sua filha e tenta remediar. Essa história é linda e ao mesmo tempo triste. E o uso do pai mestre dos magos está perfeito, assim com a narrativa com tanta atenção aos detalhes do sentimento do Sasuke. Ahhh, queria te dar um abraço! Beijinhos. 😘
4 de Setembro de 2018 às 00:44

  • Alice Alamo Alice Alamo
    Olá! Nossa, eu sinto muito por isso, de verdade, eu só posso imaginar o quão difícil isso tudo foi =/. Fico feliz que a história tenha agradado e se encaixado no tema <3 Muito obrigada pelo esforço de vocês nos desafios ;) 16 de Setembro de 2018 às 21:43
One Nightmare One Nightmare
E DEPOIS VOCÊS RECLAMAM SOBRE A MINHA FIC ESTÁ TRISTE! Mano, tá fofinho mas dá uma vontade de chorar no cantinho, pqp ;-; Se eu fosse o Sasuke, metia o loco e voltava pra vila! Fo**-** a missão, eu quero minha filha! U.U Mano, dá vontade de imprimir suas fics e colar na cara *0*
23 de Agosto de 2018 às 07:05

  • Alice Alamo Alice Alamo
    Olá!! hahahaha fics tristes fazem parte da vida! Ah, mas pelo menos ta fofinho então! Se eu fosse o Sasuke, eu não teria nem saído da vila para começar hahaha. Muito obrigada pelo comentário e por todo o carinho!! Beijoss <3 16 de Setembro de 2018 às 21:31
~