H.350 Seguir história

tiatatu Tatu Albuquerque

"Mana, vem me buscar!" dizia a carta que também tinha um endereço e era assinada pelo que parecia ser um código e mesmo assim Hinata foi até lá, se deparando com uma realidade assustadora. Sua família não era sua, sua vida não era sua, e ao ver a ficha de H.350, descobriu que não era apenas aquela desconhecida que tinha um número de série. Fanfic feita para o Desafio Norte e Sul do Inkspired.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

#violência #universoalternativo #IrmãsHyuuga #naruhina #konohana #sci-fi #fantasticoink #biopunk #fns
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Capítulo Único


H.350.


Foi uma sensação indescritível a de encarar aquela ficha e ver aquele número de série, mais ainda que a de quase ser colocada naquele tubo ao qual estourou de uma forma que não lembrava.


Continuou a ler e viu várias das informações sobre si, mas não eram as que sabia de sua vida e sim as que não sabia que lhe chamavam atenção. Ali dizia que ela era uma cobaia, que seu nome não era Hinata, como sempre havia acreditado, e sim aquele número de série, ao lado de dados como tipo sanguíneo, suas digitais e o que devia ser seu código genético.


Naquele dossiê sobre si(?), haviam 21 fotos, o mesmo número de aniversários que acreditava ter, que mostravam seu crescimento(?). Notou se tratar da mesma criança que ela via nas fotos familiares, mas não parecia ela. Talvez porque, agora, ela não tinha nem mais certeza de que aquilo era real.


Aliás… A própria dúvida poderia ser? Não, que não fosse… Lembrava que sabia rezar à alguma religião e o fez, pedindo que não fosse realidade.


Se duvida, basta ver a sua boca! - a voz daquela garota atrás de si parecia mais irritante do que da primeira vez que havia ouvido, mas também parecia emanar confiança no que dizia e por isso teve medo de que ela estivesse certa.


Ela apontou para a mesa branca, assim como era tudo naquele quarto de confinamento em que foi posta antes de serem tingidos sangue daqueles homens que ela, agora, já não sabia como e nem porque havia matado.


Temerosa, pegou o espelho que estava sobre ela, enquanto aquela desconhecida limpava o sangue seco sob as unhas grandes que possuía. O posicionou à altura de seu rosto, vendo os olhos tão exóticos que sempre possuiu e que achou tratar apenas de uma raridade biológica e que agora lhe diziam que eram obra daquele laboratório que havia invadido e não sabia mais o porquê.


Levou as mãos ao lábio inferior e o puxou para baixo, expondo sua gengiva, chorando amarga quando viu aquela mesma numeração brilhando num cantinho da mucosa que revestia seu maxilar. Era real… E doloroso!


Encarou os olhos que oscilava entre o cristalino e o lilás claro. Como nunca desconfiou de nada? Como nunca pensou que havia algo errado? Como caralhos acreditou a vida toda que era normal?


Revoltada, jogou o espelho na parede que havia sujado de sangue e ele estilhaçou, virando pó tamanha era a força que ela usou e não sabia como. Aliás, ela nem sequer sabia se sabia de algo ainda.


Era humana? Provou do líquido vermelho no chão e depois do que saía de sua testa para saber se tinham o mesmo gosto, visando ter certeza que aquele não era falso como todo o restante de sua vida.


Grunhiu irritada e confusa, com seus cabelos se soltando daquele coque mal feito. Só então notou que não estava mais com as roupas com as quais havia entrado naquele prédio e sim com uma camisa em tom nude e calça cinza similares às que vestia a garota que, olhando melhor, notou ter olhos iguais aos seus.


Não sabia se ficava curiosa ou se tinha medo daquela menina e jogou algo nela apenas para ter certeza que ela era real.


— Ei! - reclamou pegando o caco de vidro com maestria, como se tivesse sido treinada para aquilo.


Os olhos dela brilharam ao fazer isso? Aquilo devia ser uma alucinação, não era possível, mas… Até isso era atestado naqueles papéis.


Sentiu os joelhos deixarem de sustentar seu corpo e por isso se escorou na banca, olhando para a garota que sorria apesar da tensa situação. Talvez ela estivesse acostumada com mortes, sangue e destruição por participar daquilo com frequência e isso lhe assustou.


— O que é você? - perguntou confusa e temerosa pela resposta.


A garota ajeitou a mecha de cabelo que estava em seu rosto e a atrapalhava na busca por papéis específicos numa pilha deles, fazendo sinal para que ela esperasse.


Riu quando achou o que buscava, tentando não sujar a pasta que abria com cuidado, aparentemente tentando não rasgar nada do que pegava.


— Olha! - disse animada, segurando papéis semelhantes aos que havia lhe entregado entre os dedos e a palma da mão direita, apontando para algumas das informações. - Eu sou a H.351 e aqui diz que eu sou uma outra versão de você! - Hinata pegou os papéis, boquiaberta e surpresa.


Olhou para a série de fotos dela, 18 ao todo. Ela parecia muito consigo, apesar de claramente ser outra, fora as informações que diziam que tinham DNA semelhante extraído de uma outra amostra da mesma pessoa.


Focou na 7ª imagem que parecia mexer consigo. Levou as mãos ao rosto, na altura dos olhos, os fechando e vendo rápidos flashes de lembranças. Viu vagas imagens daquele mesmo rosto, porém ameaçador, no que parecia ser um confronto.


Negou com a cabeça, acabando com as visões antes que elas mostrassem quem foi a vencedora, bastava as primeiras para se sentir em alerta. O sorriso largo e contente era muito diferente do maligno que viu nos flashes, por isso estreitou seus olhos desconfiada, pensando em como se defender em caso de um ataque.


— Por que está aqui? Por que está me contando tudo isso? - questionou já em posição de guarda ao ver Hanabi deixando a cadeira.


Deu um lento passo para trás com a aproximação dela, que pulou em seu colo, ainda sorrindo quando a abraçou.


— Porque aí diz que você é minha irmã! - respondeu mantendo o riso largo, olhando em seus olhos. - Eu não sei o que fizeram com a gente, mas, se a gente é irmã, a gente tem que ficar junta como uma família, não é? Por isso eu trouxe você pra cá, porque eu quero ir lá pra fora com você! - ela parecia esperançosa e sonhadora demais para seu gosto.


Aquele relatório dizia que H.351… Não, ela não merecia ser chamada por um número de série e sim por um nome… Bem, depois pensaria em como chamá-la, mas, voltando, aquele relatório dizia que sua irmã sintética(?) era quase que uma máquina de matar e por isso se perguntou se de fato era segura levá-la consigo. Se bem que a sua própria ficha dizia o mesmo.


Aliás, era difícil acreditar que aquela garota com jeito brincalhão e sorridente era tão perigosa quanto aquele relatório dizia. Por algum motivo, tinha mais sobre sua suposta irmã que sobre si e talvez isso tivesse a ver com sua vida lá fora.


Era difícil crer que também era uma espécie de cobaia produzida para uma razão que ainda não conhecia quando sequer vivia ali, achava. Enquanto H.351 parecia ter vivido a vida toda sozinha naquele prédio, Hinata tinha uma família, isso é, se realmente tinha.


Tinha sua mãe, e tinha um irmão, que agora morava com um namorado, afilhado de sua mãe, e nunca havia ouvido falar de nenhuma irmã, porém devia assumir que ela parecia mais consigo que o restante de sua suposta família.


Mas, se H.351 era de fato sua irmã, porque ela vivia ali e não consigo? Aliás… O que era “ali”?


Que lugar é esse? - perguntou e a garota estranhou.


— Aqui é a “Nova Gênesis”, não lembra, mana? - negou ao questionamento dela, que franziu o cenho. - Eu te mandei a carta pra você vir até aqui, como você não sabe? - indagou indignada e Hinata nem sequer lembrava de carta alguma.


— Que carta? Como eu vim parar aqui? - suas confusas questões intrigaram a jovem que sentou preguiçosa, se apoiando no encosto da cadeira, pensativa.


— Eles devem ter te dado o soro… - olhou-a estranhando aquele termo e verificou seus braços para ver se havia marcas de picada ali.


Tocou o pescoço e sentiu um relevo semelhante ao que procurava e engoliu seco, enquanto H.351, tediosa, continuou a falar, abrindo os braços, mostrando bem o lugar.


— Aqui é a nossa casa, mas eu não quero mais morar aqui, eu quero ser como você e viver lá fora… - riu nervosa com a informação de que aquilo era uma casa quando mais parecia um hospício misturado com laboratório, mas, aparentemente, ela não ligava ou, talvez, por isso quisesse tanto sair dali. - Quando eu descobri que você era minha irmã, eu tentei te trazer pra cá, porque só você pode me levar, mas você ficou meio doidinha e eles te pegaram, por isso eu vim aqui pegar você… - disse olhando para o grupo assassinado e Hinata voltou a se sentir desconfortável com aquela cena monstruosa. - Mas acho que você não precisa de ajuda pra lidar com eles… - aquilo nos olhos dela era orgulho? - Você conseguiu matar mais que eu. Acho que é por isso que você foi embora mais rápido! - mais uma vez, pulou em seus braços. - Você é incrível, mana! - era tudo muito chocante e acontecia muito rápido.


Afastou-se dela, a segurando pelos ombros, contendo a euforia e o aparente vício em abraços dela, tentando recapitular tudo, a encarando.


— Então você quer dizer que nós duas somos irmãs, criadas em um laboratório, que você me trouxe aqui por uma carta, me pegaram e, quando você veio me salvar, você encontrou toda essa bagunça aqui? - H.351 assentiu e ela até mesmo se arrepiou ao ver nos olhos dela que ela não mentia e, por mais que ela estivesse mais animada do que era apropriado, ela não parecia estar louca.


Pensando que ela novamente duvidava de suas palavras, a garota se aproximou, ficando na ponta dos pés para que seus olhos ficassem na altura dos dela.


— Olha! - Hinata gritou baixo ao ver os olhos cristalinos da irmã escurecendo um pouco, com suas pupilas ganhando um conjunto de círculos.


Viu no reflexo do olhar dela que o seu próprio ganhou a mesma imagem antes de sua visão deixar se focar no agora e, aparentemente, passar a focar em cenas passadas, como se aquela estranha garota acessasse suas memórias(?).


xXx


Se viu em meio à água de um tubo similar ao que havia destruído e viu a própria H.351 nas mesmas condições à sua frente. Viu que haviam outras pessoas ali, fossem outras cobaias ou aqueles que deviam ser os pesquisadores, mas não viu mais rostos.


Logo passou a ver as duas em um quarto olhando para o vidro onde estavam algumas pessoas de jaleco branco com pranchetas na mão. A garota lhe abraçava, dizendo que não queria fazer algo antes que uma voz feminina, que ela jurava conhecer muito bem, dissesse algum tipo de comando, fazendo com que a própria Hinata deixasse de ver aquela pequena garota como sendo sua irmãzinha e passando a vê-la como uma ameaça a quem atacou com potente soco que foi segurado.


Vendo por aquela ótica, apesar do sorriso provocativo ao embate, os olhos daquela menina deixavam claro que ela não estava em seu normal, assim como ela própria não devia estar para dar um soco tão forte altura do peito dela aponto de ouvir estalos de ossos.


Viu quando ela foi arremessada, após isso, contra a parede que foi destruída e jurou que ela estava morta, até vê-la mexer com a cabeça, indicando que ainda vivia, reclamando de dor.


— H.351, regenerar! - disse a mulher que talvez fosse a responsável por tudo ali e, quase como mágica, viu quando, do olho da irmã, saíram finos fios brilhantes que envolveram seu tórax, o recompondo.


Antes que pudesse piscar, ela já havia sumido e o que parecia ser um sensor de presença indicou que ela estava atrás de si, por isso virou, vendo-a saltar com um soco armado para lhe atacar.


Pôs os braços frente ao rosto para se proteger e sentiu o impacto de quando foi golpeada. Estava bem, tirando algumas dores e machucados em sua pele, mas estava em um buraco no chão, tão forte havia sido a pancada.


A mesma frase anterior foi dita, agora com ela, e sentiu os efeitos da regeneração em si, assim como algo lhe fez levantar e correr.


Trocou socos e chutes com ela e até mesmo viu partes de seu corpo se alterando, como se ele inteiro fosse uma arma com a qual podia machucá-la, mas, assim como era com ela também era com a outra, que a atacou ferozmente e ela podia jurar que ela não estava em seu juízo perfeito.


Tão grande era o esforço de seus olhos para governá-la, as veias que os irrigavam apareciam inchadas em seu rosto, e, provavelmente, isso acontecia consigo e eles deviam ser o “centro de controle” que aqueles do outro lado do vidro tinham em seu corpo para convencê-la a lutar com a garota que lhe acertou um chute voador.


Caiu no chão, levando a mão direita ao queixo e estalando seu maxilar que por um momento se deslocou, o fazendo voltar ao lugar e encarando-a. Talvez não fosse para estar doendo, mas assim era e, pelo visto, teria que prosseguir mesmo assim e precisava dar um basta em sua oponente.


Se eram como a mesma pessoa, apesar das físicas diferenças, ela saberia das fraquezas e pontos cegos da garota a quem golpeou no pescoço, causando algum tipo de abismo entre o que ela era e quem ela era.


— Eu não aguento mais, mana! - disse nesse lapso, antes que voltasse a ser dominada por aqueles olhos malditos que deviam ser a razão para não responderem por seus atos.


A surpresa fez com que ela não conseguisse se defender de um golpe que a acertou em cheio no peito, a arremessando também contra a outra parede e Hinata cuspiu sangue, fraca demais para levantar e nem mesmo após a regeneração ela se levantou, como se, no vão entre sua personalidade e o comando de seus olhos, ela pudesse se recusar a continuar para não machucar mais sua irmã que, pelo que viu depois que aquela poeira toda abaixou, permanecia em posição de guarda, indicando que estava preparada para o próximo embate.


Ao que parecia, compreenderam aquilo como uma desistência de sua parte e como uma falha, sua e de seu sistema.


— H.350, reative seu Byakugan agora! - aquele nome era totalmente desconhecido até então.


A mulher parecia dizer aquilo na esperança de uma reação, por isso repetiu, em vão. Hinata não queria mais machucar sua irmã e esperava que fosse bom notarem que era forte o suficiente para controlar a si própria e seguir seus instintos, mas, pelo contrário, ouviu um lamentoso suspiro.


— É uma pena… - disse uma voz masculina que vinha do mesmo alto-falante que a outra e que ela sentia que estava decepcionada consigo. - Eu realmente pensei que a rebeldia dela fosse controlável…


— Mas, doutor, eu creio que… - a mulher falou enquanto ela agonizava de dor, tentando intervir em sua defesa.


— Descarte a cobaia H.350! - disse firme, a interrompendo e chocando, visto pelo suspiro repentino dela.


— Mas, doutor, ela é uma dos melhores resultados e os laços entre ela e a H.351 são importantes demais, isso pode comprometer…


— Isso pode comprometer a reputação de tudo o que produzimos durante esses anos. - ralhou e, pelo vidro, Hinata viu a mulher parada, incapaz de prosseguir sua fala. - É a segunda vez que ela é reprovada nesse teste por mostrar rebeldia e preocupações com H.351…


— Isso é normal, elas são irmãs e… - ele estalou a língua contra os dentes repetidamente em negativa.


— Isso é um fracasso que eu não quero que acabe contaminando a cobaia perfeita! - o olhar orgulhoso que aquele homem dirigia à outra menina contrastava com a rejeição que ela sentia quando os olhos dele pousavam sobre si.


Aos poucos perdia parte da noção do que acontecia ao seu redor. Tudo parecia muito lento à ela e por isso piscou vagarosamente, sentindo sono e exaustão, permanecendo de olhos fechados e com a respiração ofegante, apenas ouvindo tudo o que continuavam a dizer, talvez esquecendo que elas ouviam tudo.


— Apague as memórias de H.351 sobre H.350 e descarte a falha! - ordenou mais uma vez e ela ouviu o grunhir revoltado da outra doutora que continuava protestando.


—  Doutor, ela é sua… - tentou apelar mas foi cortada novamente.


— Ela é uma cobaia com meu DNA. Se for para considerar uma delas como minha, que seja a melhor! - notou que ele voltava a olhar pelo vidro e, se estivesse de olhos abertos, veria mais do orgulho que ele tinha no olhar ao dirigí-lo à H.351, mas pôde sentir, mais uma vez, o desprezo consigo. - Eu não quero estar atrelado à essa falha! - mais uma vez, a mulher ficou muda, o que gerou um sorriso satisfeito dele. - Descarte e reutilize o que der na cyber-série! - continuou, mas, ao abrir rapidamente os olhos, mesmo que não conseguisse ver o rosto dela, Hinata a notou descontente e até penosa, provavelmente pelo destino que aquele tal  doutor havia lhe dado.


— Hi…


— Descarte-a! - ordenou mais uma vez, tomando um tom furioso. - Mais um sinal de insubordinação e sua participação nas pesquisas será encerrada! - concluiu mais rígido que das outras vezes e ela desistiu.


Engoliu seu orgulho. Reverenciou a ele, tentando controlar sua raiva, fosse pela vida da menina, fosse pelo tempo que havia perdido trabalhando naquela que ela jurava - e desejava provar -, ser sua melhor obra desde a concepção naquele laboratório.


Olhou para o doutor e ele já havia voltado as atenções à H.351, ordenando que ela fosse contida antes que se jogasse aos pés de H.350, não desejando que as duas partilhassem do mesmo ambiente, assim como ordenou que outros a pegassem e tirassem dali.


— Já sabe o que fazer. A cobaia H.350 a partir de agora é considerada um fracasso. Livre-se dela! - ordenou e, mesmo contra sua vontade, ela acatou sua ordem.


— Sim, senhor! - assentiu e ele se foi antes que ela saísse de lá, entrando ela pessoalmente na sala e se aproximando.


— Calma! Vai tudo ficar bem. - não conseguiu ver o rosto dela, mas sua voz emanava calma.


Foi a última coisa que conseguiu sentir antes de se deixar levar pelo sono.


xXx


Acordou em outro setor, ouvindo o barulho de serras cirúrgicas. As placas ao seu redor diziam que ali era a área de descarte e, logo ao passar pela primeira sala com porta aberta, viu pessoas de roupas esterilizadas e mascaradas trabalhando na separação dos membros de outros “fracassos”.


Se sentiu agoniada com o cheiro de morte que aquele ambiente tinha e sentiu medo por lembrar ouvir “doutor” dizer que também seria descartada, ou seja, teria o mesmo destino daquelas pessoas que, após serem esquartejadas cirurgicamente, passavam ao controle de outras pessoas na mesma sala, que as colocavam em partes de corpos mecânicos.


Não sabia o que aquilo queria dizer, mas, felizmente, quem lhe levava não entrou ali e nem na sala que dizia “eutanásia”, apenas seguiu e lhe colocou em um carro, espetou-lhe algo doloroso e calmante. Fechou os olhos e foi como se tudo voltasse ao início, como se sua vida tivesse começado das visões seguintes.


Acordou em uma cama que reconheceu como sendo a que possuía até os dias atuais e viu ameaçadoras presas. Negou com a cabeça e pensou que havia tido uma alucinação de sonolência, já que, depois disso, viu que era só um menininho vestido de pijama estampado por patinhas.


Tinha algo que lhe dizia que ele era seu irmão, por isso sorriu para ele, que acenou para que ela fosse com ele para algum lugar e lhe ofereceu biscoitos.


— Hinata, vamo’ brincar! - chamou puxando-a pela mão e levando rumo à sala, não a da outra memória, mas a de uma casa, onde os dois subiram e pularam no sofá.


Não era mais tão pequena ao ponto de ser bonitinho que ela fizesse aquilo, já devia ter uns 10 anos, mas era divertido, mesmo que sentisse um pouco de incômodo no peito e não parecia se lembrar de onde ele veio, mas, relacionando com o que havia antes, certamente vinha da luta com a garota que não estava ali com eles.


No outro sofá, um outro menino os observava, se divertindo com um besouro numa mão, enquanto, com a outra, acariciava o que parecia ser um cachorrinho. Parou de pular ao olhar para o cão e, com seus olhos, passar a vê-lo como um código genético.


Viu placas misturadas aos ossos e demais órgãos dele e pensou que não devia se deixar levar pela expressão dócil que ele fez antes de latir, mostrando a língua.


— Hinata, você tá assustando o Akamaru… - repreendeu Kiba, pulando e dando uma cambalhota, parando à sua frente e a segurando antes que ela passasse a ver todos como uma ameaça. - Shino! - chamou pelo outro menino.


Viu uma espécie de numeração no inseto nas mãos de Shino e, antes que pudesse reagir, foi abatida por uma picada dele em seu pescoço.


— Calma, vamos recomeçar. - foi tudo o que ouviu antes de adormecer de novo.


xXx


Empurrou H.351 por não querer partir para a próxima lembrança, virando e se apoiando na bancada com as mãos, respirando ofegante, não por cansaço, mas pelo choque. Teve o ombro tocado e, assustada, desviou-se dela, preferindo não ter proximidades enquanto tudo aquilo não se encaixasse em sua cabeça.


“O que é tudo isso?” - se perguntou mentalmente e, por mais que fosse doloroso, achou melhor crer em sua “nova” irmã.


— Viu que eu não tô mentindo? - perguntou esperançosa, comemorando com pulinhos o aceno positivo dela.


Era tudo tão absurdo mas parecia tão real a ponto de não conseguir duvidar ao mesmo tempo que não conseguia ter certeza de nada.


— Eu… Eu não sei de mais nada! - declarou sem sentir mais segurança nem em dizer seu nome.


Foi abraçada e retribuiu, beijando a testa da irmã, que parecia arrependida de algo.


— Me desculpa, mana, eu não queria ter machucado você… - chiou para que ela se calasse.


Ela falava demais e isso era irritante, ainda mais naquela situação. Devia ser algum tipo de falha e… Negou com a cabeça, pensando que falava como Doutor. O assunto lembrou-a de que não queria continuar a chamar a garota agarrada a si pelo número de série. Não iria tratá-la como animal, como achava que faziam ali.


Por falar naquele lugar, não queria continuar mais um segundo no “Nova Gênesis” e não cogitava a ideia de deixá-la. Era mais certo que ela era sua irmã e, pelo o que havia entendido, era a única família que podia confiar ter e não ficaria sem ela.


A abraçou mais forte, sentindo mais segurança, olhando ao redor para tentar formular um bom plano de fuga.


— Calma, está bem? J-já passou, não foi sua culpa. Agora a gente precisa ir pra fora! - disse finalmente pensando em algo.


Não iria ser fácil saírem dali, muito menos vestindo uniforme, por isso a levou até onde estavam os mortos.


H.351 estranhou quando a viu despir um dos homens, após procurar um que tivesse um tamanho mais parecido com o seu próprio, mas já que Hinata lhe indicou que devia fazer o mesmo, a imitou.


Ao tirar a calça, olhou para trás e viu um dos homens acordar, por isso chamou pela irmã mais nova.


— H… - ao notar que a chamaria pelo número de série, preferiu lutar no lugar dela, vendo suas veias e nervos brilharem azulados quando socou-o, logo segurando sua cabeça e a girando, quebrando seu pescoço no processo.


— Você tá bem? - questionou a garota e ela assentiu, mesmo passando nervoso.


— Estou, H.3… - ela ainda precisava de um nome e era melhor dar logo. - O que acha de eu te chamar de Hanabi? - perguntou até mesmo para aliviar a tensão e ela assentiu risonha, pulando como os fogos de artifício que seu novo nome dizia respeito.


— É um nome bonito igual ao seu! - respondeu, curiosa com a vida da outra. - Como é lá fora? - perguntou interessada e, prendendo melhor a calça azul escura do uniforme dos guardas, Hinata lhe respondeu.


— Animado, bonito, barulhento e violento. Parece você! - Hanabi riu, mas ainda assim queria saber mais.


— A gente tem mais irmãos? - negou, afinal, já não podia confiar muito na família que tinha. - Você tem um namorado? - ela se perguntou a si mesmo se tinha, e, como no máximo tinha um ou outro paquera, negou enquanto vestia a camisa. - Eu também tenho… - parou e a olhou com estranheza.


— Hã? - era difícil acreditar que ela tivesse um relacionamento naquela condição.


Hanabi riu, ajeitando o cabelo no boné do uniforme.


— O doutor deixou o K.127 me namorar, ele disse que isso é muito bom… - aquilo não pareceu bom aos olhos de Hinata e não pela relação em si, mas pelo interesse de Doutor nele.


Se o mesmo homem de suas lembranças fazia gosto de um namoro entre duas cobaias, com certeza havia uma segunda e macabra intenção por trás.


— E o que vocês fazem? - perguntou um pouco curiosa e tentando obter mais alguma informação para embasar sua teoria. - Digo, acho que não tem como vocês se divertirem aqui…


— Acho que não como você, mas a gente se diverte sim, dá pra passar o tempo com ele. Ele me diz coisas bonitas, sempre me dá a sobremesa dele escondido, me defende dos guardas… - brincalhona e até um pouco pervertida, ela se aproximou, dando a entender que lhe contaria um segredo. - Quando a gente quer se divertir mais, a gente se acasala! - conteve um grito de choque com o relato dela, que riu, fazendo sinais para que ela se calasse.


Era chocante tanto por ela fazer algo desse tipo quanto por ela se referir a sexo como acasalamento, evidenciando ainda mais o tratamento animalesco que recebia.


Ia falar algo, mas ela voltou a pôr o indicador frente a boca, indicando que não deveria dizer nada, voltando ao tom confidencial.


— Ele ouviu dizer que não é bom que o doutor saiba, porque o doutor queria muito algo que a gente só pode dar se acasalar e o K.127 tem medo do que isso pode querer dizer! - Hinata engoliu seco e com medo de ter entendido aquilo de forma correta, negando com a cabeça.


Pelo visto, seu cunhado parecia compreender e saber melhor das coisas ali e isso lhe foi muito interessante.


— Onde ele está? É bom reunir a família toda, não? - perguntou verificando se a arma do guarda morto ainda estava carregada, o que lhe fez questionar quando havia passado a entender de armas.


— Podemos levar ele também? - perguntou festejando quando sua irmã assentiu, apontando pra frente. - Ele ‘tá na outra sala! - Hinata assentiu, processando a informação.


Talvez precisassem de mais gente para conseguir fugir e, se o namoradinho de sua irmã tinha acesso ao “doutor”, talvez ele fosse uma boa escolha. Lembrou que ela falou de alguma carta e talvez ele tivesse alguma ligação com isso, por isso perguntou:


— Como você me enviou a carta?


— O K.127 me ajudou. Ele ouviu o doutor dizer que ‘tava furioso porque descobriu que não te descartaram e que a doutora sabia onde você ‘tava, por isso eu escrevi pra você, pra você vir me buscar, e ele botou no bolso dela! - teve total certeza de que precisava da ajuda de seu cunhado, até mesmo para saber quem eram os doutores, mas, antes disso, precisava ir embora.


— É difícil sair daqui? - perguntou e Hanabi, após verificar a pistola que pegou do chão, assentiu.


— Tem um monte deles e tem o T.140C… O T.140C é perigoso! - não fazia ideia do que era aquilo mas descobriria pelo caminho.


Prontas, se entreolharam como se perguntassem qual seria o plano para passar pela porta e olharam juntas para os mortos, assentindo ao compreender o que fariam. Arrastaram o corpo de um deles até a porta, colocando a palma da mão no sensor que a destrancaria, batendo na palma uma da outra em comemoração pelo plano dar certo.


Não recriminou-a ao ver que, com as unhas que descobriu serem altamente cortantes, ela arrancou a mão do homem. Talvez fossem precisar dela para acessar a outra porta e assim foi.


Ao entrarem no quarto onde Hanabi assegurou estar K.127, o viram lutando ao lado de um rapaz loiro que também parecia ter sido atraído até ali, imobilizando os últimos dos guardas que tentavam lhes conter.


— K.127, vem! - disse a mais nova chamando a atenção dele, que bateu a cabeça de um dos homens na de outro enquanto o outro cara dava uma joelhada que, aparentemente, fez quebrar o pescoço de seu oponente.


— Naruto, vamos! - Naruto? Espera…


— Você não é o amigo do Kiba? - perguntou o reconhecendo como um amigo de seu irmão(?) com quem flertava há pouco tempo.


— Ou, se preferir, N.110 e eu estou tão surpreso quanto você! - rebateu e, ao que parecia, os “doutores” não se interessavam apenas nos namoros de sua irmã.


Parou um minuto e levou as mãos à cabeça, tonta e confusa com esse tanto de informações.


De trás para frente, viu cenas suas em festas com Naruto, passando por simples esbarrões com ele no que devia ser sua escola, até chegar numa visão dos dois como crianças, num corredor, fugindo de guardas antes de serem separados, com ele escapando pelo o que parecia ser um duto de ventilação e ela sendo capturada.


Sacudiu a cabeça e olhou para ele, que, surpreso, pareceu ter as mesmas visões, mas foram retirados dali pelos outros dois.


— Péssima hora pra lembrança e apresentação! - reclamou K.127 e só então Hinata viu um dos guardas caídos se aproximar de um botão na parede lateral do quarto e acioná-lo.


Luzes vermelhas começaram a piscar junto do soar de uma sirene estridente e o som de passos do que deviam ser novos grupamentos de contenção.


Hanabi abraçou a irmã, segurando a mão de K.127, buscando proteção, mas o problema não eram elas e sim os dois que ainda estavam de uniforme, porém já não dava tempo para disfarces.


Não sabia que tipo de mutação os rapazes tinham, mas admirou ver lentes caindo dos olhos de seu cunhado, os tornando azuis mais escuros que os de seu irmão(?). Hanabi a abraçou protetora ao ver que agora ele poderia usar aquilo.


— Prende a respiração! - alertou e assim que o fizeram, uma poeira quente levantou, derretendo parte das lâmpadas e, aparentemente, cegando alguns dos homens que vieram até eles, que estavam protegidos por uma espécie de manto avermelhado que Naruto não soube como, mas fez.


Quando a proteção se dissipou, tal como a nuvem de poeira, se depararam com homens usando óculos e roupas mais resistentes. Talvez eles soubessem e, ao pensar nisso, Hinata olhou para as câmeras nas paredes e até pôde sentir um olhar de repulsa sobre si.


— Estamos sendo observados! - deduziu não perdendo a chance de mostrar o dedo médio em insulto a “Doutor”.


— Quando estava aqui, você era mais educada… - debochou enquanto o grupamento de segurança se aproximava com cassetetes de um material diferente…


Aquilo era energia? Por sorte, o solado das botas que havia roubados eram de borracha, mas não podia dizer o mesmo dos chinelos dos rapazes que mesmo assim não se intimidaram.


Como saída, Hanabi olhou para o teto, apontando para os sensores de incêndio. Entendendo o plano dela, K.127, demonstrando mais uma vez ter habilidades com fogo, fez com que uma pequena chama acionasse o dispositivo de irrigação sobre os guardas.


— Derrubem eles! - pediu e assim fizeram.


Naruto, apesar de perdido, golpeou o máximo de guardas com a lixeira, enquanto as duas irmãs giravam em sintonia, deixando rastros de destruição no chão reforçado. Hinata não fazia ideia de desde quando passou a lutar tão bem, mas correu e subiu pela parede, sentindo as pernas pesadas como chumbo, girando no ar e acertando os homens que acabavam caindo, sendo afetados pelas armas(?).


Foi até divertido correr pelas paredes para se livrar do choque, mas não desejavam ter que repetir. Hinata era capaz de se rever nessa situação outras vezes e se perguntava se a dominavam mesmo que, pelo o que parecia, achassem que ela havia sido descartada.


— Pensa rápido! - disse Naruto ao notar que mais homens vinham e até atiravam(?).


Assustador, essa era a única palavra que podia descrever tudo aquilo. Precisou de calma. sua irmã disse que havia matado um grupamento inteiro sozinha, então precisava fazer isso de novo. Por mais que odiasse violência, era isso ou ser pega e, comparando essa opção, até a morte parecia melhor.


Respirou fundo e parou. Talvez precisasse se sentir ameaçada para que conseguisse seguir seu plano e, ao ver no espelho do corredor lateral que seus olhos brilhavam mais ainda, como nas lembranças, e, quando viu, fogo(?) azul saiu de suas mãos e, se fizesse mais força, eles até tomava forma de leões.


Vendo o que havia acontecido, até mesmo os outros pararam de correr, deixando o que devia ser seus sistemas operá-los com cautela. Não podiam correr o risco de que isso permitisse que Doutor, que assistia tudo de sua sala, pudesse lhes controlar e o fato dele não ter tentado isso ainda não se encaixava na mente de K.127.


“O que será que ele quer?” - se perguntou estreitando os olhos.


Por seu bom comportamento, tinha mais liberdade ali, o que lhe dava conhecimento sobre o lugar. Puxou sua namorada evitando que o dardo tranquilizante lançado na direção dela a atingisse.


— Também estranhou não darem tiros? - perguntou ela, recebendo um aceno positivo.


Os outros dois não entenderam muito a conversa paralela, mas só de ouvir o nome “doutor”, já sentiram que não era algo bom.


Lutar já não parecia um bom plano e por isso eles voltaram a correr. Não tinha janelas que pudessem ser quebradas facilmente e todas as saídas já deviam ter sido bloqueadas pelos guardas. Pareciam presos ali e era preocupante.


— Onde vamos? - questionou Naruto ao ver seu irmão(?) subir como macaco na direção de um duto superior na parede, se pendurando na grade de ventilação e puxando a outra, liberando a passagem.


— Você devia saber, já veio aqui! - fechou os olhos repentinamente e lembrou que foi por ali que havia fugido quando criança. - Vamos logo! - chamou com Hanabi pulando de onde estava e pegando em sua mão, sendo arremessada lá com cuidado.


Naruto fez menção a ajudar Hinata, mas ela ouviu passos pesados e viu a sombra do que pareciam ser mais uma criação do “Nova Gênesis”.


— É o T.140C! - deduziu K.127 e Hanabi fez menção de voltar.


Protetor, a conteve com um braço e, como esperado, a preocupação com Hinata havia afetado as reações dela e não poderia deixá-la lutar assim.


— Mana! - gritou preocupada.


Não era justo perder sua irmã de novo assim que tinha a chance de ser livre com ela, que pensou que não era justo que Hanabi perdesse a chance de ir embora e, obviamente, alguém teria que ficar para distrair o que descobriu ser um ciborgue.


Não tinham mais tempo nem para preocupações, por isso olhou para Naruto que não quis acreditar no que ela queria dizer com aquilo. Não se conheciam mais tão bem, mas ainda assim não queria deixá-la pra trás.


— H…


— Você e K.127, protejam ela e vão embora! - era uma ordem e, para impedir reclamações, ela até avançou contra ele que, como um gato assustado, pulou para trás. - Se vocês ficarem, ele vai pegar nós 4. - olhou para o duto e viu o cunhado fazendo grande esforço para conter Hanabi, com o braço ferido, e sorriu pesada. - Pelo menos aqueles dois ali merecem um tempo lá fora e precisam de alguém pra apresentar tudo… - olhou para o rapaz à sua frente. - Cuida dos dois! - mesmo resistente, entendia que ela tinha razão e que também não tinham tempo para discutir.


Era muito nobre o ato dela, mas nem para elogios tinha tempo.


— Te vejo lá fora! - disse puxando a bochecha dela, seguindo para o duto.


Hinata pegou a grade que estava no chão, se agarrou na ventilação, como havia visto K.127 fazer, e fechou o duto o mais rápido que conseguiu, sorrindo para a irmã.


— Não se preocupa, eu encontro vocês depois! - não tinha muita certeza disso, mas não queria preocupá-la.


Quando ela passou o dedo mínimo pela grade, lembrou que faziam esse tipo de promessa na infância. Riu e indicou que eles deveriam seguir, e, assim que eles se foram, jurando que pôde ver tudo em preto e branco e em câmera lenta no giro mortal que deu para voltar ao chão e também se livrar de um raio de energia desconhecida lançado por T.140C.


Se sentiu em um filme de ação ao cair abaixada, se apoiando em um dos joelhos e encarando o ser que parecia não ter olhos. Quando o espaço vago deu lugar à um sistema azul que mais parecia uma versão aprimorada do seu, engoliu seco, assim como teve breves lembranças.


Lembrou que o chamava de Toneri e também de vê-lo lutar com Naruto e então ser descartado, aliás, era ele quem havia visto ser esquartejado na ala de descarte. Era em algo assim que teria sido transformada?


— No que caralhos transformaram você? - perguntou rolando no chão quando ele tentou lhe golpear com um soco que parecia potencializado.


— Em uma versão melhor e bem sucedida do fracasso que eu era! - engoliu seco ao ouvir a voz robotizada que ele tinha. - Fraqueza, rebeldia e insubordinação resolvidos. Você também será melhorada!


Mais uma vez, assustador! Mais do que nunca viu que devia fazer de tudo para fugir, não queria correr riscos de virar um robô como aquele. Tentou fazer sua mão voltar a lançar aquele fogo estranho e, ao notar que podia exigir mais de seu sistema, o fez no máximo.


Enquanto alcançava o auge, tentava se esquivar dele, se aquecendo aos pulos.


— Eu tenho duas opções. Ir com você ou te matar e, se for pra ser assim… - sumiu da frente do ciborgue, surgindo atrás de T.140C num piscar de olhos, lhe acertando um chute voador. - Eu prefiro chutar sua bunda robótica! - um buraco surgiu onde ele foi arremessado e até o revestimento do peito esquerdo dele se soltou, revelando as luzes azuis, as placas e circuitos.


Aquilo era muito cansativo, mas não tinha como descansar, felizmente havia bebido da água que caiu dos sensores de incêndio. Correu até ele e o acertou no rosto, fazendo derreter a pele sintética que revestia o maxilar natural, ganhando um assustador sorriso cadavérico.


Em seguida, levou um soco no peito, usando o comando regenerar antes de cair no chão. Nesse meio tempo, T.140C já estava à sua frente, se abaixando e a ameaçando com uma perigosa lâmina no lugar de sua mão direita.


— Por que fazem isso? - perguntou cansada, tentando segurá-lo e desviar da serra.


— Você e o N.110 serão melhorados e assim que unirmos os genes da H.351 com o do K.127, ele também vai ter seu recomeço. - engoliu seco ao ver que não entendera errado antes.


— Ele quer que eles… Desgraçado! - usou mais de sua força para chutar a barriga de seu oponente, mas isso não pareceu problema.


— Temos grandes planos para H.351. - continuou explicando. - Ela devia se orgulhar de mesmo sendo um fracasso ter sido escolhida para ser a Cobaia Mãe! - o empurrou forte, fazendo com que a serra cortasse o braço esquerdo dele, demonstrando seu poder. - Precisamos da cobaia perfeita para conseguir avançar no projeto e dar início à nova raça de humanos perfeitos e melhorados! - não sabia o que ele queria dizer com aquilo, mas não ia deixar que ele continuasse a falar de sua irmã como se ela fosse um objeto.


— Eu não vou deixar que usem minha irmã como um animal reprodutor! - T.140C riu, negando com a cabeça.


— E quem disse que precisamos da sua permissão? - ela respondeu com um chute combinado, com toda a força que descobriu ter, o arremessando contra o teto.


— Eu tô dizendo! - sentiu que seus olhos doíam por esforço, mas valia a pena.


— Não seja estúpida! Essa é a única serventia que ela têm agora, produzir a nova geração melhorada que dará início ao mais poderoso exército da Terra! - exército ela não sabia, mas o soco mais poderoso da Terra, pelo o que havia visto, era o seu próprio e não pensou duas vezes antes de usá-lo contra aquele maldito ciborgue.


Armou o soco e deu impulso, pulando para acertá-lo antes que ele caísse.


— Bem que eu te achava chato desde pequeno! - socou-o com tanta força que se viu subindo 4 lajes ao todo, indicando que havia atravessado 4 andares até chegar em um andar escuro.


Largou o ciborgue desativado e girou para ficar ali, pensando que talvez fosse o lugar em que os outros haviam chegado, mas se assustou ao ver os três imobilizados, novamente em tanques, com Hanabi pondo a mão no vidro, visivelmente preocupada apesar da máscara de respiração.


Olhou ao redor e viu Kurenai, sua mãe(?), mas não sentiu segurança apesar do sorriso dela.


— Estou orgulhosa de você, H.350! - mas que porra era aquilo?


Tinham mais pesquisadores ali e talvez até um deles fosse doutor… Era tudo armado? Antes que pudesse avançar contra eles, raivosa, foi segurada por Shino, namorado de seu irmão.


— Mas… - olhou ao redor e sentiu os olhos antes decepcionados com uma ponta de orgulho e isso estava longe de ser bom.


— No final, ela acabou sendo a cobaia perfeita… - disse “Doutor” e Kurenai sorriu.


— Agora que vocês viram que eu tinha razão e que elas precisavam estar em conjunto para funcionarem corretamente, espero que eu possa continuar com as pesquisas como decidi… - nunca havia ouvido sua mãe falar daquele jeito e por isso se assustou.


Ouviu o voo de um besouro, sentindo e gritando. mais de susto que de dor, quando foi picada, com o grito sufocado de sua irmã, que negou com a cabeça, temendo por si.


— Mamãe… - chamou perplexa e até decepcionada quando viu que havia sido a própria Kurenai arquitetado tudo aquilo.


Tudo rodava, mas tentou não ceder ao cansaço que parecia forçar suas pálpebras a fechar. Seus pensamentos estavam mais confusos do que nunca e tudo passava como flashes em sua cabeça, mas de trás para frente, como numa fita sendo rebobinada.


Cedeu ao sono que lhe abateu feroz. A última coisa que ouviu foi a voz de Kurenai.


— O teste final foi realizado com êxito! H.350 e H.351 resetadas com sucesso.


xXx


Acordou assustada, tonta e de sobressalto. Na janela, viu que já era dia, permanecendo assustada com todas as informações embaralhadas que passavam por sua cabeça dolorida.


Olhou ao redor, procurando por sua irmã e tudo o que viu foi Kurenai, se retraindo pela má sensação que sentiu, mesmo sem conseguir lembrar ao certo o que havia se passado.


Sua mãe sorriu, se aproximando calmamente, acariciando seus cabelos.


— Calma, filha, teve um pesadelo? - perguntou amorosa como sempre, vendo seu rosto confuso.


— O que aconteceu? Onde eu tô? O…


— Calma! - cortou-a, rindo calma, mas aparentemente em tom de bronca. - Você foi sem me avisar numa festinha com o seu namoradinho… Naruto, não é? Enfim, você chegou, bêbada, com cheiro de cigarros diferenciados e aparentemente teve o sonho mais louco e a ressaca mais forte da sua vida! - brincou, logo voltando ao tom sério e rancoroso, formando um bico em seus lábios, lhe oferecendo aspirinas e água. - Eu devia te dar uma boa bronca, mocinha, você e o Naruto burlaram minha confiança de novo, mas acho que essa dor de cabeça e o tombo horroroso que você teve no banheiro e te deu esse machucado já é castigo o suficiente! - Hinata a escutou com atenção e, apesar de tudo parecer fazer sentido, ainda era confuso.


Olhou bem para as pílulas e questionou se deveria realmente tomá-las, mas depois olhou para o quarto. Estava tudo no lugar e havia até uma foto sua com o rapaz citado por Kurenai. Sua cabeça doía e as visões estavam tão mais embaralhadas… Teria sido tudo um sonho conturbado? Alucinações causadas por drogas?


— Está tudo bem, Hina? - perguntou ao notá-la nervosa, tocando-a na testa para medir sua temperatura. - Está passando mal? - continuou, procurando alguma pomada nas gavetas da garota para ajudar no tratamento do machucado dela.


Hinata, ainda confusa e reclamando com grunhidos do ardor do medicamento, olhou para o pouco reflexo seu que a água naquele copo refletia. Estava tudo em ordem, mas era estranho ainda, por isso negou com a cabeça, se esforçando para lembrar o que havia de errado.


— Eu… - sussurrou voltando a se lembrar de rostos, olhando para a outra cama de solteiro que havia ali, procurando Hanabi. - C-cadê a minha irmã? - perguntou e Kurenai lhe olhou como se tivesse ouvido algo muito óbvio.


— Ora? Onde mais ela está? No quarto do Konohamaru, como desde que esse namorico dela com seu primo começou… - até isso se encaixava tão perfeitamente…


Fazia sentido, principalmente ao ver sua mãe achar, ao guardar a pomada, um baseado pela metade, marcado de batom, lhe olhando acusadora. De fato, aquilo devia ter lhe dado a brisa do século! Riu nervosa, gargalhando após compreender que tudo havia sido um sonho e Kurenai, contagiada, a imitou, mesmo sem entender.


— Você acredita que eu tive um sonho muito louco onde eu e a Hanabi éramos cobaias junto do Konohamaru e do Naruto? E também tinha um robô lutando com a gente...


— É, acredito sim… - disse ela cheirando o baseado recém confiscado, a deixando envergonhada. - Você precisa ficar longe das drogas, mocinha! - aconselhou mais uma vez antes de sair. - Onde foi que eu errei, senhor? - reclamava erguendo as mãos, clamando aos céus e Hinata riu, mais de suas ilusões que da mãe, que abriu a porta do quarto em frente.


Viu quando Hanabi e Konohamaru se cobriram com os lençóis da cama dele e Kurenai fechou a porta constrangida, vermelha, no mesmo instante em que se deu conta da situação, voltando às reclamações ao céu e então risadas também foram ouvidas da vozes dos outros dois, que também pareciam mais animados, concluindo que a noite havia sido louca para todos.


— Eu tenho que ouvir a minha mãe. Chega de drogas! - prometeu para si mesma, erguendo as mãos em desistência, se levantando e vendo a irmã voltar, só de roupas íntimas, para o quarto, rindo para ela. - Hanabi, você também teve um sonho estranho? - perguntou e ela parou por alguns instantes, pensativa.


Negou com a cabeça, sem sinal de confusão.


— Eu não sei, se tive, esqueci, mas tive uma noite muito confortável com o Kono… - é, os sonhos estranhos talvez tivessem ficado apenas consigo. - Por que? Sonhou com algo? - assentiu, mas já não se lembrava ao certo dele, por isso riu.


— Sim, mas eu não lembro mais, só sei que foi muito louco! - contou risonha, procurando roupas para se banhar e tirar aquele cheiro de bebida que jurava sentir ainda em sua pele.


Se entreolharam e correram, disputando quem seria a primeira a chegar ao banheiro, se deparando com a porta fechada.


— Konohamaru! - reclamaram notando que o primo havia sido mais rápido, rindo.


Kurenai, do corredor, observou tudo sorridente e contente, se aproximando com o telefone da primogênita nas mãos.


— Hinata, o Shino passou aqui com o Kiba e me entregou isso. Ele disse que você esqueceu no banco do carro! - Hinata assentiu e, tal como o aparelho, também havia esquecido do acontecimento, mas, ao observar as loucas fotos suas numa festa bem estranha ao lado de Naruto, tudo fez mais sentido ainda.


Mostrou as imagens à irmã que riu, zombando de sua cara e a mãe das duas se afastou, voltando ao quarto, bem satisfeita com a harmonia do lar e com os resultados obtidos.

Sentou na cama e pegou o computador, revisando e enviando seu relatório.


Projeto Nova Gênesis

Fase de Teste Socioafetivo.


Abaixo as informações registradas nessa nova fase de teste, favor adicionar ao relatório da fase passada(força e fuga).


Identidades oficiais das cobaias:

H.350: Hyuuga Hinata.

H.351: Hyuuga Hanabi.

K.127: Sarutobi Konohamaru.

N.110: Uzumaki Naruto.


As cobaias testadas nessa fase tiveram aceitação de 98% à nova condição e a sociabilidade está em níveis de 90%, salvo cobaia H.351, com taxa de sociabilidade em 100%. Nenhum deles se recorda do que aconteceu, indicando que todas as memórias e laços produzidas neles ainda são válidas sem maior comprometimento psicológico.


A cobaia H.350 e a cobaia H.351 confiam no vínculo-parentesco irmão, assim como confiam no vínculo-parentesco primo entre elas e a cobaia K.127. Cobaia N.110 vínculo-afetivo amizade/namoro com as demais cobaias do teste. A aproximação romântica entre H.350 e a N.110 foi perfeita, assim como a aproximação entre H.351 e a K.127.


Eu, doutora Yuhi Kurenai, considero a fase de testes concluída.


Projeto Nova Gênesis 90% concluído.


Próximo teste a ser realizado: reprodução natural entre as cobaias.


Doutora Yuhi Kurenai.
Especialista em engenharia genética, gestora do projeto Nova Gênesis.

20 de Agosto de 2018 às 01:34 9 Denunciar Insira 3
Fim

Conheça o autor

Tatu Albuquerque Mãe de Konohamaru, madrinha de Hanabi, adepta da Fé do Sagrado KonoHana. Você tem 5 minutos pra ouvir a palavra da minha igreja? Kaiten no cu e gritaria, kore!

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Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Olá! Que história esplêndida temos aqui! Você desenvolveu muito bem o seu subgênero e a história foi muito bem desenvolvida. Um experimento biológico para desenvolver uma raça perfeita de humanos ayravez da reprodução de seres modificados geneticamente. Genial! Confesso que quando o Hiashi mandou que a Hinata fosse descartada foi muito marcante, lembrou muito a trama familiar deles no anime e acredito que isso foi um ponto positivos. A fuga deles foi algo que fez todo o clima da fic ficar tenso e deixar o leitor com aquela expectativa para saber se tudo realmente daria certo. O final foi um lindo plot twist hahaha. Eu realmente achei que eles seriam mantidos em cativeiro, mas na verdade fizeram eles esquecer de tudo e voltar a viver em sociedade, foi meio chocante até e me lembrou bastante a saga Divergente. Não tem nenhum erro ortográfico evidente e a leitura flui bem. Os personagens não ficaram ooc e você soube encaixá-los muito bem no subgênero. Parabéns por cumprir o desafio e obrigada por compartilhar a sua história com a gente, foi algo gostoso de ler. Até a próxima <3
4 de Outubro de 2018 às 14:40
Hikari Megure Hikari Megure
Woah... Mas oq foi ISSOOOOOO? EU AINDA TO LARGADA NO CHÃO PELO MÍSSIL QUE ME ATINGIU 😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍 Meu deus, que maravilha de fic Que encaixe perfeito dos acontecimentos, enredo fascinante, eu ainda to de boca aberta! Gostei mto mto mto É ficção que você quer? Tomeeee E o ápice foi a Kurenai... Meldels por essa não esperava! Enfim Obrigada por escrever e compartilhar essa maravilha com a gente! Cyaaa
11 de Setembro de 2018 às 04:48
Ariane Munhoz Ariane Munhoz
Oi preta! Como vai a esposa mais linda do mundo? Espero que bem! Me senti em um episodio de Black Mirror enquanto lia essa fic, pensando nos experimentos pelos quais Hinata e Hanabi haviam passado, nossa! Todo o desenvolvimento do cenario e a maneira como voce trabalhou os personagens e os relacionamentos entre eles foi simplesmente maravilhoso! Nao sei como voce conseguiu se segurar pra fazer uma one aqui, mas ta de parabéns! Amei demais a historia, preta! Amei meu ShiBa vivissimo ali nos bastidores sim! Hanabi pessoa mais sociável, sim ou claro? E esse plot twist de ser tudo uma festa? Muito Black Mirror e eu posso provar! Parabens por concluir o desafio com exito, meu amor! Te amo!
1 de Setembro de 2018 às 06:23
Tali Uchiha Tali Uchiha
Não nego que eu fiquei assustada haha. Gostei muito da história (nunca pensei que leria uma NaruHina na minha vida, wow), ela é de uma complexidade que me fez ler 2 vezes. Parabéns xuxu ^^
25 de Agosto de 2018 às 09:46

  • Tatu Albuquerque Tatu Albuquerque
    Nossa huhauahua fico feliz de ter sido a autora da primeira NH que cê leu auahuaha. Desculpa o susto e a trama complicada, eu tentei deixar mais simples possível. Beijinhos. P.S: já olhou o canto da sua boca hoje? huahuaha 28 de Agosto de 2018 às 20:02
Wolfinha -- Wolfinha --
Gente, eu nem sei o que eu faria nessa situação, que assustador... AMEEEEIII <3
23 de Agosto de 2018 às 17:28

CC C Clark Carbonera
Me lembrou bastante a série Maze Runner! Parabéns pela escrita, as cenas de luta foram muito bem ilustradas :)
23 de Agosto de 2018 às 10:42

  • Tatu Albuquerque Tatu Albuquerque
    Eu não conheço a série, mas creio que foi um elogio, então obrigada! Obrigada também, me esforcei bastante, que bom que agradou. Beijo! 28 de Agosto de 2018 às 20:04
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