Psychic Love Seguir história

maleficent Anne P.

Um grande teste de sobrevivência está chegando na U.A. e Tōka ira fazer par com seu crush encrenqueiro, Kirishima. Imprevisível e impulsivo, mal sabia ela o que lhe vinha pela frente.


Fanfiction Anime/Mangá Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#ação #romance #personagem-original #kirishima #bnha
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Capítulo Único

Notas Iniciais:

História escrita junto da Emi chan, a personagem Tōka não me pertence. Para conhecer mais do trabalho da Emi e ver a ficha da Tōka: https://www.deviantart.com/watergirl93/gallery/66471531/Boku-no-Hero


  Eles estavam saindo de seus dormitórios em direção à sala de aula. Conversavam alto e chamavam a atenção do restante das salas da UA.
  Kirishima era o que mais chamava atenção, junto de Kaminari e Mineta. Bakugou ia logo atrás, com sua cara irritada, seguido por Midoriya, Uraraka, Iida e Todoroki, que conversavam sobre o exercício passado no dia anterior. Bem mais atrás, no fundo do grupo, estava Aizawa Tōka, lendo um livro cujo o tema era: como agir em situações de perigo.
  A garota de cabelos negros não era solitária, somente gostava de tranquilidade quando lia. Evitava chamar muita atenção, para não ser incomodada quando estava concentrada, já que, infelizmente, era bem conhecida por ser filha de Eraser Head.
Seus amigos a conheciam e respeitavam seu espaço, já sabiam quando poderiam conversar ao lado dela e quando deveriam deixá-la em seu próprio mundo.
  Entraram na sala e cada um sentou em seu lugar, mas isso não impediu que eles continuassem conversando.
  Antes do professor Aizawa entrar na sala, Iida pediu para todos fazerem silêncio. Fazendo assim, Tōka guardar o livro que lia e prestar atenção em seu pai, que entrava na sala.
— Como vocês já melhoraram suas habilidades e foram até o seu limite, a escola vai estar promovendo um teste de sobrevivência para avaliarmos até que nível vocês conseguem se virar em situações mais complicadas. Como heróis, às vezes vocês terão que resgatar pessoas perdidas em florestas e montanhas e terão que aprender a andar sobre esses terrenos sem que se percam e comprometam o resgate — explicou calmamente.
  Aizawa pegou seu saco de dormir e o começou a colocá-lo, enquanto explicava mais alguns detalhes aos seus alunos.
— O exercício de sobrevivência irá acontecer daqui 2 dias, vocês podem começar a se preparar. As únicas coisas que poderão levar são suprimentos, primeiro-socorros e seus uniformes. Vocês serão divididos em duplas, que vão ser escolhidas por sorteio. Caso alguém fique sem dupla, irá fazer par com alguém da 1-B. Isso é tudo por enquanto.
  Terminou de colocar seu saco de dormir e saiu da sala, se arrastando pelo chão como uma lagarta.
Iida fez o sorteio junto de Momo. Uraraka era par de Iida, Bakugou de Tokoyami, Mineta de Kaminari, Kirishima de Tōka…
  A garota olhou rapidamente para o rapaz com quem iria fazer dupla, ele também olhava pra si. Kirishima sorriu para ela e abanou a mão.
Para disfarçar o leve rubor em suas bochechas, Tōka pegou um livro qualquer em cima de sua carteira, abriu e começou a ler. Quem diria que iria fazer dupla com seu crush.
  Após as duplas serem formadas, a aula de inglês com Present Mic começou, seguido pela hora de almoço.
  O dia passou rápido e quando Tōka se deu conta, já estava na hora do treino diário com o seu pai.
  Enquanto os amigos iam em direção aos dormitórios, ela, mais atrás, desviou seu caminho para um dos campos de treinamento da UA.
  Ninguém percebeu quando a estudante mudou seu curso, mas Kirishima viu. Ele seguiu Tōka com os olhos até que ela virasse um prédio.
  Curioso, seguiu-a a distância. Uma distância segura para que ela não o notasse. Isso era errado. Ele tinha ciência disso, contudo, a curiosidade era maior, muito maior. Por que ela não estava indo para o dormitório como os outros?
  Viu-a entrar em um prédio mais afastado dos dormitórios. A seguiu pelo olhar através das portas de vidro, e foi então que Tōka entrou pelo elevador e desceu até o subterrâneo.
  Parou ali por um instante, deveria parar por ali e voltar ao dormitório, deixar Tōka lidar com seus problemas sem se intrometer. Contudo, uma parte – enorme – sua queria segui-la e descobrir mais sobre a parceira de classe que era tão quieta e misteriosa, como se guardasse inúmeros segredos.
  Quando se deu conta, seu corpo se moveu sozinho. Ao contrário da garota, pegou as escadas e desceu até o primeiro andar do subterrâneo.
  Abriu um pouco a porta do andar e olhou pela fresta, à procura de alguém. Não podia correr o risco de ser visto ali.
  Era um lugar grande, com mini-salas separadas por paredes falsas. Pela porta aberta de uma das salas, pode ver que parecia um pequeno dojo, com um piso de madeira avermelhada e um quadro na parede branca, nele havia a imagem de uma das posições de kung fu.
  Foi então que a viu, saindo de uma das portas do ao lado do elevador. Tōka vestia a roupa azul de treino e andava em direção a uma das salas. Entrou e fechou a porta.
  Correu até lá na ponta dos pés e parou de frente para a porta, evitando fazer barulho. Viu que ela não estava fechada, somente encostada. Podia ver por uma brecha a maior parte da sala. De pé, alguns passos a sua frente, estava Tōka de costas para si, e em sua frente estava o professor Aizawa.
  Eles não trocaram nenhuma palavra, pareciam se comunicar pelo olhar. De repente, Tōka avançou sobre ele, tentando acertar-lhe um chute na face, mas ele se defendeu usando os braços, logo em seguida jogando a perna dela para o lado em um impulso.
  Eles ficaram ali. Ela avançando sobre o pai com chutes e socos, sem usar uma técnica de luta específica, e ele desviava ou se protegia, raramente avançando sobre ela. Kirishima observava a luta de pai e filha; sorriu de alegria ao ver Tōka conseguir acertar a perna do pai com um chute, depois de tantas tentativas falhas. Eraser Head tremeu por alguns segundos pelo impacto, pareceu que iria se ajoelhar no chão, contudo, continuou de pé.
  Quando Tōka se afastou um pouco, com a respiração ofegante, ele partiu para o ataque. O ruivo viu como ele era rápido e que a garota mal tinha tempo de desviar de um golpe antes que o próximo já viesse em sua direção. Ele parou somente quando a acertou na barriga e ela demorou um tempo para se levantar.
— Vamos terminar por hoje, amanhã treinaremos mais.
— Não! — Tirou o cabelo sobre os olhos e olhou com determinação para o pai. — O senhor me disse que tenho que praticar mais, que ainda não consigo lutar corpo a corpo com alguém. Eu sinto que do jeito que eu estou agora, apanharia até do Kaminari.
— Não é questão de perder ou ganhar, Tōka. Você está exausta e precisa descansar. Amanhã continuamos.
— Não. Eu consigo.
  Ele olhou por algum tempo a determinação nos olhos de sua filha e suspirou. Olhando para aqueles olhos azuis e determinados, acabou se lembrando um pouco da mãe dela, inconscientemente.
  Encostou-se na parede falsa da sala e soltou outro suspiro, pegando o colírio em seu bolso e pingando nos olhos.
— É importante que saiba se defender corpo a corpo. Não pode depender apenas do Erasure e da Telecinese. Mas, você está exausta, precisa de descanso. Mais um golpe e eu posso acabar lhe machucando e eu não quero machucar a minha filha… e tenho certeza que Kirishima interferiria caso eu chegasse perto disso.
  O ruivo ficou vermelho instantaneamente ao escutar seu nome sendo citado.
  Aizawa-sensei sabia que eu estava aqui todo esse tempo? - pensou.
  Tōka olhou na direção da porta e andou rapidamente até ela, a abrindo, revelando o ruivo que estivera ali todo aquele tempo observando seu treinamento com seu pai.
— O que faz aqui? — perguntou diretamente. Estava vermelha, tanto pelo esforço físico quanto pela raiva e vergonha de ter o garoto que gostava a observando as escondidas.
— Err… eu estava indo para o dormitório, quando vi você desviando do caminho, então eu fiquei curioso… e te segui. — a última frase não passou de um sussurro. Estava tão envergonhado que sua voz ia diminuindo gradativamente.
— Kirishima.
— Sim, Aizawa-sensei?
— Volte com Tōka para os dormitórios. E não faça isso novamente. — o moreno saiu da sala e começou a andar em direção ao elevador. — E, Tōka, amanhã tentaremos novamente, não exagere nos treinamentos.
  Ele pegou o elevador, deixando os dois ali sozinhos, envergonhados.
  Tōka pegou suas coisas e andou em passos rápidos para o elevador, o ruivo, ainda constrangido, a seguiu.
  Parecia que o tempo passava tão devagar enquanto o elevador subia para o térreo. Quando as portas se abriram e a garota começou a andar para a saída, em direção ao dormitório, Kirishima se atreveu a perguntar:
— Então… que prédio é esse?
— O dormitório dos professores.
  Ele olhou admirado para o prédio que saia, só então percebendo como ele lembrava vagamente aos dormitórios estudantis.
  Seguiram caladamente até os dormitórios, ambos presos em seus pensamentos, constrangidos pelo que havia acontecido mais cedo. Mas, Tōka, tinha seus pensamentos voltados principalmente para seu treinamento com seu pai. Não podia falhar, era sua meta ficar tão boa quanto ele e nada ficaria no seu caminho. Nada.
  Ao chegarem nos dormitórios, o ruivo seguiu em direção aos seus amigos, tendo direito a um Mineta fazendo perguntas estranhas ao chegar junto de uma garota. Já a garota, foi até seu quarto pegar seus pertences para tomar um banho, estava exausta.

⊱⋅ ──────────── ⋅⊰

  Depois de 2 dias havia finalmente chegado o dia do teste. Cada um se preparou da maneira que achou mais adequada: Iida focou-se em estudar mapas e artigos sobre florestas; Momo leu sobre objetos que poderia produzir, que seriam úteis durante o teste; Sero e Kaminari se preocuparam mais com suprimentos que iriam comprar.
  Foram guiados por Midnight para uma vasta floresta que ficava atrás da UA. Na entrada dela, estavam Eraser Head, Ectoplasm e Vlad King, junto da turma 1-B.
— Bom dia — falou Aizawa-sensei de modo preguiçoso.
  Todos responderam com um animado “Bom dia”, menos Bakugou, que tinha um olhar zangado enquanto fitava uma árvore.
— Irei explicar à vocês as regras do teste. Primeiramente, vocês tem que estar cientes de que estarão sendo avaliados constantemente pela equipe da UA e também, que a nota irá contar no final do semestre. Haverá câmeras espalhadas por toda a floresta e caso façam algo inadequado ou aconteça algo grave, nós professores iremos interferir e, dependendo do ocorrido, a dupla pode ser desclassificada. Agora, as regras:

1– Está proibido contato com outras duplas. Caso esbarre com alguma dupla, está proibido que se juntem e formem um quarteto. Se desobedecerem isso, resultará em desclassificação;
2– Estão espalhados pela floresta vários cartazes de pessoas desaparecidas, esses cartazes irão representar as pessoas que vocês vão “resgatar”, estão escondidos nos lugares mais inusitados e há um total de 3 cartazes para cada dupla, sendo que a dupla pode pegar mais de 3 cartazes, ou seja, está permitido pegar os cartazes da dupla adversária;
3– Está autorizado o uso de suas individualidades para encontrar os cartazes;
4– Vocês estarão sendo avaliados não somente pelo número de pessoas que conseguem resgatar, mas também pelo tempo que conseguem se manter na floresta. Devido a isso, só podem carregar com vocês suprimentos e primeiro-socorros. Vocês passarão, aproximadamente, 7 horas dentro dessa floresta e só poderão retornar a esse local depois que escutarem a sirene que indicará o término do tempo;
5– A floresta é grande, mas tem uma área delimitada que está marcada por um muro, caso cheguem ao extremo do terreno, está proibido que o ultrapassem.   Contudo, fiquem tranquilos. O terreno é grande o suficiente para vocês andarem sem que se esbarrem consecutivamente com outras duplas.
— Perguntas? — perguntou Vlad King.
  Todos os alunos ficaram em silêncio, era impressionante que até Iida não tinha uma dúvida.
— Pois bem, os clones do Ectoplasm irão levar cada dupla à uma entrada diferente. Bom teste pessoal — desejou Midnight.
  Tōka e Kirishima foram guiados por um clone, até ficarem um pouco mais distantes da entrada principal. Eles pararam frente a um pequeno portal – comparado ao principal, que era bem grande. A garota percebeu que existia aproximadamente 8 metros de um portal ao outro, podendo ver mais ao longe a dupla de Midoriya e Momo, em frente ao portal deles.
— Após o começo do teste, esse portal vai se fechar e vocês só poderão retornar pelo principal — avisou Ectoplasm.
  Kirishima concordou com um leve balançar de cabeça, enquanto Tōka, mantinha seu olhar fixo na floresta a frente. Estava empenhada em conseguir uma ótima pontuação.
  Ao soar da sirene, muitos correram em direção a mata, Kirishima foi um deles, contudo, ao perceber que sua parceira não estava ao seu lado, parou e olhou para trás, vendo a andar calmamente em direção a floresta enquanto, atrás de si, fechava-se o portal.
  Ele a olhou, estranhando seu comportamento, mas logo ela parou ao seu lado e olhou fixamente para a floresta.
— Err… então, vamos procurar os cartazes?
— Silêncio. Preciso me concentrar. — a morena fechou seus olhos e concentrou-se no máximo em sua habilidade de Telecinese. — Sentido espacial — falou baixo o nome de sua habilidade. Ao abrir os olhos, Tōka sabia a localização de todos os cartazes num raio de 150 metros.
— Vamos. Tem um cartaz em baixo de uma árvore caída à alguns metros. — começou a andar em direção a localização do cartaz.
  O ruivo ficou um tempo parado, boquiaberto com as habilidades de sua parceira.      Nunca imaginaria que a filha do Aizawa-sensei, uma garota tão quieta e séria, teria um truque nas mangas.
— Como você fez isso? — correu para acompanhá-la.
— Uso a Telecinese para fazer uma varredura no local e assim tenho uma noção espacial de onde os objetos se encontram — explicou simplesmente enquanto andavam.
— Humm, isso deve ser muito legal. Eu vivo perdendo as coisas, seria mais prático ter uma individualidade legal igual a sua. Achar as coisas que eu quero de maneira rápida.
— Não é assim que funciona, preciso me concentrar e usar muito, e de maneira desnecessária. E me dá dor de cabeça.
— Entendi. — ficaram um tempo em silêncio, andando pela floresta. — Então… você não é de conversar muito. — não foi uma pergunta.
— Prefiro conversar apenas quando acho necessário.
  Passaram o percurso em silêncio. Kirishima se perguntava como não havia notado Tōka antes. Claro, ela era quieta e reservada, raramente falava na aula. Mas ela tinha uma individualidade tão legal. Questionava-se se a garota sempre teve essa aura misteriosa ao seu redor.
  Quando chegaram próximo a uma pequena clareira, com alguns troncos podres e pedras espalhados pelo chão, a garota andou até um específico. Ele possuía musgo e alguns cogumelos em seu tronco, parecia nem ter sido mexido. Contudo, Tōka tirou debaixo dele um dos cartazes que deviam procurar.
  Se dependesse de Kirishima, certamente teria deixado aquele tronco passar despercebido.

⊱⋅ ──────────── ⋅⊰

  Após passar 3 horas na floresta, Kirishima e Tōka possuíam 5 cartazes. Dos 10 cartazes que a garota havia localizado com seu Sentido Espacial naquele raio, tinha encontrado somente esses. Os outros 5 deviam ter sido pegos pelos outros alunos que faziam o teste.
  Eles pararam para comer um pouco do suprimentos que levavam e fizeram uma rápida pausa, antes de adentrar mais a floresta em busca de mais cartazes.
  Kirishima implorou à parceira que dessa vez deixasse-o responsável por procurar os cartazes, estava se sentindo inútil deixando todo o trabalho para Tōka. Ela não gostou disso. Quando estabelecia uma meta, fazia de tudo para alcançá-la e sua meta no momento era conseguir uma das melhores classificações nesse treino. Mas, após ver o garoto cabisbaixo por não fazer nada para ajudar, não pôde negar o pedido.
  Andaram por algum tempo e, com sorte, haviam conseguido seu sexto cartaz.
  Estavam mais adentro da floresta, provavelmente perto de sua extremidade. Quando encontraram uma pequena caverna. Ela era um pouco apertada, tanto que ambos tiveram de andar de cabeça abaixada.
— Tenho certeza que mais ao fundo tem mais um cartaz — disse o ruivo, ele andava na frente, guiando-a.
— Quanto mais vamos pro fundo mais a caverna fica mais estreita — reclamou Tōka, ao bater a cabeça no teto da caverna, tendo que se abaixar mais. — Vou usar a minha habilidade pra ver se realmente tem algo aqui.
— Não! — ele parou de súbito e virou em direção a parceira, batendo o pé com força no chão. — Somos uma dupla, se você usar sua habilidade eu não vou conseguir fazer nada o teste inteiro.
— Mas, se ficarmos aqui perdendo tempo, não vamos conseguir mais cartazes. — bateu o pé também, se aproximando mais do garoto. Estava irritada.
  Kirishima deu mais um passo em direção a garota, iria retrucar quando o chão abaixo deles se desfez. Logo os dois estavam em queda, sem saber o que lhes esperava.
  Num movimento rápido, o ruivo pegou a garota e a embrulhou em seus braços, ativou sua individualidade de endurecimento e aguardou o impacto.
  O som do corpo pesado caindo no chão ecoou por toda a caverna. Eles rolaram pelo chão um tanto íngreme, até que finalmente pareceram perto de uma rocha.
  Demorou um tempo para Tōka abrir os olhos e se dar conta do que havia acontecido. Ficou vermelha ao perceber que estava entre os braços do ruivo, com uma mão em sua cabeça a protegendo e a outra a abraçando forte. Ele a tinha protegido.
  Alguns segundos depois, ele abriu os olhos e olhou ao redor, encontrando a garota saindo de cima de si.
— Onde estamos? — perguntou, sentou-se na terra e olhou com mais atenção à caverna escura.
  Era diferente da anterior, essa era mais escura, seu teto estava metros de suas cabeças, ela era rochosa e era possível escutar mais ao longe o barulho de água.
— Parece alguma caverna subterrânea que passa embaixo da UA. — Tōka também olhou ao redor.
  Foi quando viu sangue no braço do ruivo.
— Kirishima, o que é isso no seu braço? — perguntou, pegando o braço do parceiro.
— Está tudo bem, devo ter ralado um pouco depois que batemos na pedra, logo depois de eu ter desativado o endurecimento. — avaliou melhor o machucado. — Vê? É apenas superficial.
  Ele se levantou e começou a andar ao redor, enquanto a garota continuou sentada no chão.
  Quando ela olhou para cima, viu o buraco pelo qual eles haviam caído. Estava muito acima de suas cabeças. Podia chegar até ele se usasse uma de suas habilidades de levitação. Contudo, sentia que não daria certo.
  Uma das coisas que bloqueava sua individualidade era o medo. Tōka estava com medo, e não era pouco.
  Foi esse medo que a impediu de fazer algo durante o ataque da liga dos vilões, o medo de perder seu pai naquele dia. Foi assustador. O medo de estar presa em uma caverna subterrânea e escura com Kirishima machucado – mesmo minimamente – era algo apavorante. Como voltariam?
  Tinha que controlar seu medo e dar um jeito de saírem dali.
— Acho que esses túneis podem levar a uma saída. — despertou de seus pensamentos ao escutar a fala do ruivo.
  Ele estava em pé em frente a uma bifurcação, olhava atentamente para os dois caminhos que tinha a sua frente. Analisando por qual lado deveriam seguir.
  Se levantou e andou cautelosamente até ele, por um dos túneis sentia uma leve corrente de ar.
— Mas podem levar à um labirinto e vamos ficar perdidos.
— Você sente essa corrente de ar também, né? Se seguirmos por aqui, vamos ficar bem, confie. — deu uma piscadela para a garota, que corou em resposta.
  Eles começaram a andar lentamente pela galeria, Kirishima andava pouco a frente de Tōka, mantendo um sorriso no rosto e os braços atrás da cabeça de modo despreocupado, enquanto ela tinha os braços abraçados ao redor do corpo. Aos poucos, ela começava a se tranquilizar.
  Ela olhou para o braço do parceiro, ele já havia parado de sangrar e apenas havia um pequeno rastro de sangue seco pelo braço do ruivo.
  Ao notar o olhar de Tōka em seu braço, Kirishima se apressou em dizer para a garota que estava bem. Tinha visto seu olhar de medo e preocupação antes, e, por mais que seu braço estivesse doendo um pouco, continuaria a sorrir, pois não queria ver aquele olhar novamente em Tōka.
  Andaram por um longo tempo e àquela caverna escura não os ajudava a ter noção do tempo, parecia que andavam por horas ao mesmo tempo que podiam ter se passado poucos minutos.
  Quando a garota tropeçou em uma pedra e quase caiu no processo, Kirishima deu a ideia de pararem por um tempo e comerem o restante dos suprimentos.
  Depois de andarem por mais um tempo, escutaram vozes mais ao longe. Curiosos, seguiram até lá. Encontrando um clarão.
  Se esconderam atrás de uma grande rocha e observaram.
  Era o final daquele túnel, uma câmara na caverna era iluminada por várias luminárias presas nas paredes de pedra, haviam vários caixotes espalhados e objetos variados por toda a parte, mais afastado, tinha outro túnel, ao lado de um sofá velho.
  Um homem com forma de tubarão e uma tatuagem no braço direito, levava uma caixa de um lado para o outro enquanto outro, com cabelos azuis e olhos lilases, estava sentado no sofá e bebia uma latinha de cerveja.
— Você devia me ajudar ao invés de ficar aí parado — reclamou o homem com cabeça de tubarão.
— Eu estava te ajudando até agora pouco. Daqui à pouco o Toupeira chega com mais carga e mais trabalho, melhor descansar antes de pegar pesado. — bebeu mais de sua cerveja.
— Se você não fosse tão bom em esconder os rastros que o Toupeira deixá da polícia, você nem estaria aqui. É um inútil folgado.
— Pelo menos eu tenho uma serventia. O Toupeira cava os buracos que a gente usa pra esconder o que roubamos, eu consigo distrair a polícia e você só serve pra carregar as caixas.
  Kirishima se aproximou mais de Tōka e sussurrou:
— São ladrões. — a garota concordou com a cabeça.
— Eles que cavaram esses túneis. São pra esconder o que roubam.
— Vamos acabar com eles e levá-los para os professores. — apertou a mão em punho.
— Não. Nós não podemos lutar com vilões, são contra as regras. Vamos voltar e tentar voltar por aquele buraco que caímos, depois vamos contar para algum professor.
— Mas… — Kirishima foi interrompido por uma voz alta.
— A última encomenda chegou! — falou um homem com rosto de Toupeira, que havia entrado pelo outro túnel.
  Ele tinha em mãos um saco preto de lixo, o abriu e jogou no chão seu conteúdo. Jóias, relógios, carteiras e mais diversas coisas de valor.
— Ei! Andem logo com isso. Precisamos dar o fora com isso hoje. A polícia está começando a ficar chata, colocaram heróis para ajudar na investigação. Teremos que cair fora da cidade hoje mesmo.
  Os três bandidos começaram a discutir e reclamar sobre a polícia, quando Kirishima virou para Tōka e disse, determinado:
— Eles vão fugir se não fizermos nada. Somos heróis. Não podemos deixar esses ladrões fugirem bem na nossa frente. — Kirishima se levantou e foi na direção onde os 3 homens estavam.
— Kirishima, volte aqui. Kirishima! Kirishima! — gritou em voz baixa, mas ele a ignorou e continuou a ir em direção ao ladrões.
Ele parou em frente aos criminosos, chamando a atenção deles em sua direção.
— Desculpe. — ativou o endurecimento em seu braço direito e deu um soco no tubarão, o mandando longe. — Mas não posso deixar que fujam.
  Os outros dois foram pra cima de Kirishima, que rapidamente endureceu todo o corpo se esquivou dos ataques e revidou, mas, antes que se desse conta, o tubarão já estava sobre ele, o lançando longe.
  Tōka não aguentou ficar ali parada, vendo-o apanhar. Estava irritada por ele não a ter escutado, por ver aqueles idiotas batendo na pessoa que gostava e, mais do que tudo, estava possessa de raiva por ter caído naquele buraco e perder tempo na prova que queria se destacar.
  Saiu de trás da rocha e lançou longe o de cabelos azuis que tentava segurar Kirishima, enquanto o tubarão se recuperava do chute que havia levado no estômago.
  O cara chamado de Toupeira, logo tentou a acertar com um cano de ferro. Mas Tōka foi mais rápida e usou sua habilidade de repulsão, jogando o objeto metálico longe e acertando um chute no rosto dele. Não foi o bastante para jogá-lo no chão, mas conseguiu atordoá-lo. Antes que ele voltasse aos seus sentidos, usou a telecinese para jogar caixas na direção de Toupeira, o jogando no chão com vários caixotes sobre si.
  Kirishima estava em uma luta tensa com o Tubarão, ele era forte e rápido, rapidamente conseguia se recuperar de seus golpes. Restava a Tōka lidar com os outros 2, cujo as suas individualidades eram desconhecidas.
  Ela desviou o olhar do Toupeira por poucos segundos para ver se o parceiro estava bem, quando voltou seu olhar na direção dos caixotes, o homem não estava mais lá. Havia um buraco no chão e, antes que pudesse pensar em algo, a terra debaixo de seus pés se partiu e ele saiu dela lhe dando um soco no queixo.
  A morena segurou um gemido de dor ao cair no chão. Seu rosto estava dolorido e sentia que o antebraço havia esfolado com a queda.
  Foi quando uma redoma de água se juntou ao redor de Tōka. Teve que prender a respiração para não se afogar em meio a água que surgiu ao seu redor, sufocando-a. Apareceu em seu campo de visão o rapaz que havia tacado longe, sua individualidade – pelo visto – era controlar a água.
  Usou o Erasure e conseguiu sair da redoma, quando a individualidade do garoto sobre a água parou. Deu alguns passos para trás quando se viu cercada pela direita e esquerda.
  Bateu as costas nas de Kirishima, que estava começando a se cansar da luta com o Tubarão. Independente de seu golpe, ele logo se recuperava e revidava; era durão. O ruivo estava ciente que logo seu endurecimento iria ceder, os dois tinham que acabar logo com essa luta.
— Esses dois tão começando a me irritar. A você também, Johny? — perguntou o de cabelos azuis ao tubarão.
— Não. Estou achando até divertido brincar com eles.
— Acabem logo com isso e vamos dar o fora daqui, se eles forem da polícia não vai demorar pra chegar reforço — falou o Toupeira, com sua voz fanha.
  O rapaz de cabelos azuis abriu a palma da mão e formou sobre ele uma esfera de água do tamanho de sua cabeça. Tōka esperou que ele lançasse em sua direção, atacando-os. Mas, ao invés disso, ele lançou a esfera de água em Johny.
  A pele do tubarão ao entrar em contato com a água teve uma reação instantânea. Seu corpo cresceu mais meio metro, os músculos de seu braço ficaram maiores e o sorriso mais sanguinário. Agora ele tinha quase o dobro do tamanho de Tōka, era tão intimidante que a garota teria se encolhido se não tivesse o corpo ainda borbulhando de raiva, queria dar logo o fora dali e encontrar seu pai.
— Algum plano? — perguntou Kirishima.
— Eu cuido do que controla a água com o Erasure. Distraía o grandão. Vou ter problemas em desmaiá-lo se ele ficar atrapalhando.
  Acenou rápido com a cabeça ao partir em direção ao homem grande.
  Tōka usou a telecinese e jogou o Toupeira próximo ao túnel, ele se protegeu do impacto com os braços e isso a dava pouco tempo para lidar com o rapaz de cabelos azuis antes que ele voltasse a interferir.
  Quando ele fez menção de usar sua individualidade para atacá-la, Tōka usou o Erasure, impedindo o de usar a água para combate.
  Foi pra cima dele com chutes e socos, conseguindo acertar vários deles. Quando o rapaz ficou distraído, usou a telecinese para desmontar uma caixa e com as madeiras – que possuíam pontas afiadas – prendeu o rapaz na parede. A madeira foi usada como prego nas extremidades da roupa dele, impedindo-o de se mexer.
  Ao tê-lo imobilizado, Tōka voltou sua atenção para o Toupeira, que já não estava no mesmo lugar de antes, deixando um buraco no chão como antes.
  Se preparando dessa vez, começou a levitar com a ajuda de sua individualidade e quando ele veio pra cima de si, saindo novamente de dentro da terra, Tōka conseguiu desviar facilmente e usou ataques telecinéticos nele. Toupeira não soube como se defender, era como se levasse vários socos do ar. Não sabia de onde vinham e muito menos como desviar.
  Ao passo que ele se afastava, tentando desviar da habilidade da garota, Kirishima dava socos mais potentes em seu adversário. Mesmo que ele não estivesse o machucando, ele estava pelo menos o fazendo recuar.
  A situação tinha se invertido, agora os dois ladrões bateram costa com costa, encurralados pelos jovens.
— Confia em mim? — perguntou Tōka, voltando ao chão ao lado de Kirishima.
— Pode apostar — disse com um sorriso.
— Então prepare seu soco mais potente.
  Ela se concentrou o máximo que pôde. Lançou os dois homens na parede, em cima do outro que já estava preso.
— Agora, Kirishima! — o ruivo pegou impulso e começou a correr em direção a eles, já em posição para acertar o soco. No último momento, segundos antes do soco acertar seu alvo, Tōka usou sua habilidade; sua cartada final. — Condição Telecinética Aprimorada.
  O soco teve o triplo de sua força original, graças a habilidade de Tōka. Devido a isso, a parede se rachou e em seguida foi perfurada, dando lugar a um buraco. Os 3 homens caíram no chão da floresta desmaiados pelo soco do ruivo.
  O barulho do buraco que Kirishima havia feito no pé da pequena montanha, tinha sido alto. Enquanto ele ajudava Tōka a sair de dentro da caverna, alguns alunos já se aproximavam para ver o que era aquele barulho.
  Os professores chegaram em instantes. Questionaram o que havia acontecido e quando os dois contaram, levaram bronca por lutarem contra ladrões sem permissão.
  Enquanto escutava seu pai lhe passar sermão por sua atitude, Tōka viu Kirishima sorrir pra si. Em um ato de cumplicidade, deu um sorriso pequeno em resposta. O ruivo corou um pouco, o sorriso dela era tão bonito.
  Depois da polícia chegar e levar os ladrões, junto dos pertences roubados, a prova de sobrevivência tinha terminado.
  Foram computados o número de cartazes que cada dupla tinha conseguido. Os alunos foram avisados que, após avaliarem cuidadosamente as filmagens do teste, iriam receber suas notas na sala de aula.
  Mesmo levando advertência dos professores, Tōka e Kirishima ainda tiveram de ir até a sala do diretor. Onde levaram mais algumas advertências, mas, no fim, foram parabenizados por não ter deixado aqueles ladrões fugirem. Seria uma vergonha deixar que isso acontecesse bem debaixo da floresta particular da UA.
  Na volta para os dormitórios, os dois andavam lentamente, apreciando a presença um do outro.
  Foi quando Tōka parou de andar por alguns segundos para admirar a lua cheia, sorriu minimamente antes de voltar a olhar para o ruivo, que tinha novamente as bochechas coradas.
— Sabe eu estava pensando… se você não quer sair qualquer dia desses para, sei lá… tomar um sorvete, comer uma pizza…. — disse, enquanto olhava para cima, envergonhado.
  Ela arqueou uma das sobrancelhas e parou em frente ao garoto, fazendo-o parar também e olhar para si.
  Antes que Kirishima tivesse alguma reação, Tōka o puxou pela gravata e o beijou. Um simples selar de lábios que queria dizer muita coisa, muitos sentimentos guardados. O contato durou segundos, mas, para ambos, pareceram minutos.
— Quando eu realmente quero algo. Eu sou direta e faço de tudo para conseguir. Nada me para — falou, enquanto virava-se de costas para o garoto e continuava a andar em direção aos dormitórios.
  Ele ficou um tempo parado, boquiaberto com a reação da garota. Quando a ficha caiu, suas bochechas ficaram tão vermelhas quanto seu cabelo e correu atrás da garota.
— Espera! Isso é um sim?

16 de Agosto de 2018 às 00:44 0 Denunciar Insira 1
Fim

Conheça o autor

Anne P. 18 anos e escrevendo desde os 13. Começou como um hobby, mas hoje é uma maneira de lidar com meus problemas internos. Escrever é algo que me ajuda muito. Ampliou meus horizontes <3

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