Cachecol Seguir história

tiatatu Tatu Albuquerque

Hanabi está chateada por todos terem ganhado um Cachecol no festival Rinne e ela não, mesmo tendo acabado de ser resgatada de um sequestro. Esperando pela lembrança de Hinata, o mimo acaba vindo de onde ela menos espera.


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

#universo-original #fns #konohana #naruto
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Cheiro de Amaciante

Ah, como era bom acordar, abrir os olhos e enxergar tudo à sua frente e redor.

Desde que Hinata havia conseguido seus olhos de volta e lhes reimplantado, Hanabi dava valor a cada visão que tinha, já que, enquanto estava sob o poder de Toneri, até mesmo do incômodo dos raios de sol em suas vistas pela manhã tinha saudade.

Levantava até mais animada, sentindo o cheiro de casa, o frio da madeira sob seus pés e claro, podendo ver seu reflexo no espelho. Aliás, seu rosto ainda continuava sendo uma de suas visões favoritas.

Nunca antes tinha dado tanto valor às pequenas coisas quanto depois de voltar pra casa e Natsu, sua babá, não reclamava disso, aliás, era muito bom que sua menina elogiasse o desjejum que fazia para ela.

— Nunca comi algo tão bom na vida! - dizia sobre o Tamagoyaki que comia, a vendo rir com gosto.

Eram bons 2 dias desde que ela havia retornado e Natsu sabia que não duraria muito tempo, mas aproveitaria o quanto durasse.

Não era só da comida e do lar que sentia falta, mas também sentia saudades da família – algo que não era comum, apesar de ter começado a acontecer depois da morte de Neji –, e por isso sentiu falta de Hinata.

Olhou melhor para a casa e até mesmo usou seu Byakugan para tentar achá-la, o que lhe fez ganhar, à toa, uma sutil dor de cabeça pelo esforço que não deveria estar fazendo ainda.

Natsu negou com a cabeça. Ela nunca deixava de ser a espoleta quase inconsequente que sempre fazia o que queria apesar das recomendações para não fazer.

— Natsu-san, onde a nee-chan? - perguntou curiosa, terminando seu prato.

— Hinata-sama acordou cedo e foi ver Hiashi-sama no hospital com aquele garoto... - riu vendo que mesmo após a guerra e tudo mais ela continuava tratando Naruto com receio.

E não podia dizer que também lidava bem com o recente namorico de sua irmã com Naruto.

Estava muito feliz por ela finalmente ter conseguido declarar seus sentimentos e estar com quem amava, mas dizer que ele a merecia nunca! Ele sempre seria muito pouco para sua amada irmã, mas desde que a amasse como ela merecia e esperava, poderia engolir.

O que não engolia de forma alguma era ter sido deixada de lado. Isso era imperdoável!

Até dois dias, estava sob o poder de um lunático que lhe arrancado os olhos e por pouco não destruira a terra, sem contar o genjutsu em que pôs sua irmã – o que, aliás, a fazia ter um pouco de simpatia pelo cunhado, lembrando que ele havia surrado Toneri como ele merecia. Merecia um pouco mais de mimos!

Agradeceu pela comida e antes que Natsu olhasse para trás ela já não estava, apesar de ainda precisar de repouso...

Fazer o que quiser, apesar de todas as recomendações para não fazer... Não podia esperar menos de Hyuuga Hanabi!

...

“Nada de esforços e caminhadas, muito menos usar o Byakugan enquanto não estiver recuperada.” Recomendações inúteis apenas.

Já estava muito bem para gastar seu precioso tempo em casa, sozinha, abandonada... Para alguém que adorava falar do quanto era autossuficiente apesar da idade, Hanabi era ótima em fazer drama.

Não havia mal em querer um pouco mais de carinho, havia? Ainda mais com tantas pessoas alegres e sorridentes com a chegada do festival Rinne.

Tantos amigos e apaixonados trocando presentes... Isso já estava começando a lhe incomodar.

Já lhe bastava ter servido de testemunha do empenho de Hinata em fazer o tal cachecol que daria a Naruto. Aliás, aqui fica um bom espaço para as reclamações dela ao saber que a irmã havia passado a excursão de resgate inteira tentando terminar o bendito presente e também ter voltado a fazer um novo quase que assim que chegadas da lua.

Por mais que quisesse aproveitar mais do convívio familiar e não quisesse chatear Hinata, devia dizer que não engoliria aquilo tão cedo, mas ao menos havia ganhado mais um argumento para barganhar a atenção dela com Naruto, apesar de não estar funcionando muito.

Voltando às pessoas que estava vendo pela rua, era desconfortável ver que todo mundo ganhava um presente, menos ela.

Via Shino entregando um embrulho à Kiba, que já havia dado um mordedor em formato de osso à Akamaru. Também tinha Ino, que basicamente derrubava Sai ao ganhar dele um presente.

Aproveitando a promoção da churrascaria, Chouji já reservava uma mesa pro que provavelmente seria um encontro entre ele e a tal Shinobi de Kumogakure que ele havia conhecido na guerra.

Aquilo era a irmã do Kazekage completamente vermelha entregando um presente ao Nara? Passou a andar mais rápido antes que aquele falcão que pairava sobre Konoha fosse uma forma encontrada pelo tal Uchiha de mostrar a pouca sensibilidade que tinha à Sakura.

Ah, droga! O que de tão interessante tinha em estar apaixonado para que as pessoas ficassem trocando agrados bem na sua frente e fingindo que ela não existia? Está bem, sequer era conhecida de forma próxima deles, mas pelo menos um “olá, Hanabi, está recuperada do incidente?” ela merecia não?

Murmurou até sua próxima geração, principalmente ao chegar no hospital e ver sua irmã entregando o novo Cachecol feito em tempo recorde ao Uzumaki... E ele já tinha um!

Aquilo era muito injusto!

De tão desanimada, desistiu de visitar seu pai. Não queria contaminá-lo com sua invej... Com sua indignação! Isso, era indignação!

Ela não queria aquilo, não, ela só estava indignada em não receber a atenção que merecia. Era isso apenas!

Bufou irritada e por um mísero segundo sentiu saudade de estar cega, pelo menos não veria tanta gente esfregando laços, fosse de paixão ou amizade, em sua cara.

Até mesmo Lee dava à Tenten um novo apetrecho, assim como dava ao sensei Gai o que parecia ser um apetrecho pra que ele conseguisse fazer flexões apesar da condição de cadeirante e o pior era isso: nem de amigos ganhava presentes.

Espera? Ficou ainda mais irritada ao notar que talvez não tivesse amigos para aquilo, o que só a irritava mais.

Quem conhecia? Sua irmã, seus parentes, seu pai... Eles não contavam! Pensou melhor... Tinha os amigos de sua irmã... Melhor refazer a lista!

Quem mais conhecia além do clã e dos amigos de sua irmã? Droga! Talvez se tivesse ido à academia quando mais nova, tivesse algum amigo mais próximo...

Se bem que tinha... Não, deixa pra lá!

Bizarro, falante, sonhador... Quase uma cópia de Naruto, só que de cabelos escuros e com aquele tão inseparável cachecol azul berrante que só de lembrar lhe fazia sentir o cheiro de amaciante de roupas. Não podia citar Konohamaru como amigo, podia?

Bem, se viam poucas vezes, quando, para passear mais, acompanhava Hinata nas visitas à Kurenai e Mirai. Ok, riam juntos, falavam sobre a família – mais precisamente sobre as perdas familiares –, sobre o que faziam entre um encontro e outro...

Ela falava do quanto admirava a irmã e do quanto adorava quando Hinata penteava seus cabelos e prendia seus lacinhos, assim como ele lhe falava do quão especial era aquele treco azul, que com o tempo achou charmoso, pra ele, afinal havia sido feito por sua falecida mãe, e do quanto adorava quando podia ter seus momentos de irmão mais novo com Naruto.

Às vezes até treinavam juntos, afinal ficava bem feliz de ver que ele gostava de ver seus avanços nas técnicas do clã, assim como ficava contente do sorriso dele ao lhe mostrar os avanços de suas técnicas, principalmente quando conseguiu dominar as tais pilhas ardentes dos Sarutobi.

Também havia ficado muito feliz ao voltar da lua e ter sido ele uma das primeiras pessoas a ver na terra... Fechou a cara assim que notou o sorriso bobo em seu rosto.

Era claro que não tinha nenhum motivo para sorrir, ainda mais porque, pensando nele, lembrou que nem mesmo ele havia lhe dado um presente.

Ficou ainda mais chateada com isso, primeiro sua irmã e agora ele... Estava sendo esquecida ou trocada por mais uma pessoa que considerava. Espera, não era ela que não o considerava amigo há pouco?

Negou com a cabeça, jamais assumiria isso, mas que estava chateada estava. Maldito moleque do cachecol azul.

Chegando na praça, sentou sobre o banco vazio e fechou os olhos para não ver mais casais, principalmente por Moegi estar presenteando Udon pouco mais a frente. De tão raivosa, desejou que os dois engasgassem numa das poças de catarro que ele era capaz de expelir! Seria muito bem feito por ficarem lhe fazendo vontade.

Poxa, seria demais pedir um pouco mais de atenção? Seria...

Não entendeu nada ao sentir algo mais quentinho ao redor de seu pescoço, ainda mais sentindo que o tecido ia ainda mais longe e tinha aquele cheiro inconfundível de amaciante de roupas. Abriu os olhos e além da gastura do pano ocasionada pelo tempo, viu que era um cachecol azul que conhecia muito bem.

Olhou para o lado e também viu a figura que conhecia bem, emburrado, com as mãos no bolso como se não quisesse assumir o que havia feito. Vendo a gola desprotegida do casaco, sua teoria de que era o cachecol de Konohamaru que havia ido parar em seu pescoço se encaixou na realidade.

— Konohamaru-senpai? - perguntou para ter certeza que não era o recente retirar e recolocar de seus olhos que afetava suas boas vistas.

Konohamaru permaneceu quieto, como se lutasse para não falar mais nada e nem sequer precisava. Ela sabia muito bem o quanto àquilo era importante pra ele e talvez não ter ganho nada até ali tivesse sido recompensado com aquele gesto e por isso riu boba, enquanto ele estreitava os olhos, vendo os dois amigos que tanto lhe amolaram para que tivesse coragem de assumir seus sentimentos por ela, aproveitando a ocasião.

Pensou por dias em algo com o qual pudesse presenteá-la que tivesse o mesmo significado e valor que ela tinha pra si. Como não conseguiu nada, decidiu usar o que mais lhe tinha importância.

Hanabi virou o rosto pra ele, com os dois sentindo as bochechas mais quentes e virando para lados opostos, envergonhados. Segundos depois, voltaram a se encarar, sorrindo sem graça, com ela escondendo metade do rosto no cachecol recém recebido e ele coçando a nuca sem jeito.

— É pra você!/Obrigado! - disseram juntos, quase como sussurros, virando para frente após isso.

Quando as mãos dos dois se tocaram e ficaram unidas, vendo o céu azul da manhã, não sabiam e também não tinha importância, mas... Ele ficaria sem nada?

Hanabi não tinha nada para entregar a ele ali e sentiu vergonha, além de achar injusto, mas, esperta como era, logo pensou numa solução.

Ele estranhou muito quando ela pegou a engraçada kunai que havia posto um boneco e cortou um pedaço de seu amado cachecol. Aliás, por momentos longos engoliu seco, achando que isso significava que ela não havia aceitado os sentimentos que aquele pano representavam e ficou até chateado, fechando os olhos e repetindo, como um mantra, que não deveria chorar, afinal, era forte demais e não seria a rejeição de uma garota que o iria abalar.

Estranhou quando sentiu algo um pano em volta de seu pescoço e o cheiro do amaciante que usava nas roupas e ouviu a risada dela atrás de si, que havia amarrado ali o pedaço, como um lenço.

Não era recomendado fazer aquilo, principalmente tendo tantos fios jogados no chão agora... Negou com a cabeça. Fazendo o que queria apesar das recomendações para não fazer. Sempre Hyuuga Hanabi!

Por falar em Hyuuga Hanabi, ela mantinha a pose de que nada a abalava e nada importava, mas com as bochechas coradas mais charmosas de toda a vila.

— Não é justo que você fique sem nada, já que o sentido disso é dividir o que é importante, não é? - perguntou e ele riu sem jeito, voltando a coçar a nuca enquanto ela segurava seu braço, já indo rumo às barracas que ali estavam.

Riu ao notar que isso era um sutil pedido para que provassem das guloseimas servidas ali. Bem que sua tia lhe avisou que sua declaração não iria ficar apenas em um cachecol, mas não fazia mal, se sentia melhor estando com ela.

Já Hanabi, escondida dele, lógico, sorria contente. Era muito mais legal quando ela fazia vontade nos outros e não o contrário.

27 de Julho de 2018 às 01:15 4 Denunciar Insira 3
Fim

Conheça o autor

Tatu Albuquerque Mãe de Konohamaru, madrinha de Hanabi, adepta da Fé do Sagrado KonoHana. Você tem 5 minutos pra ouvir a palavra da minha igreja? Kaiten no cu e gritaria, kore!

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Blue Martell Blue Martell
Mas que ficzinha mais cuti-cuti! Adorei, essa aura adolescente é muito fofa e suave, gosto de ambientações assim. Parabéns!
26 de Julho de 2018 às 20:30

  • Tatu Albuquerque Tatu Albuquerque
    AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA FICO FELIZ QUE CÊ TENHA GOSTADO. OBRIGADA! 26 de Julho de 2018 às 20:39
brener Silva brener Silva
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa eu vou explodir isso é canon e ninguém me tira isso, eu tô vomitando arco-íris
26 de Julho de 2018 às 20:29

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