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Ops, o certo é hyung?

Chanwoo estava entediado; tão entediado que no curto período de tempo que estava naquela sala de prática, já tinha cochilado treze vezes, acordando, apenas, com as altas notas que Yunhyeong soltava para aborrecer o mais novo em tentativas de devolver todas as impaciências e importunações que o Jung o causou nos últimos anos.

O rapaz alto se mostrou deveras introvertido nos primeiros meses com os novos colegas de grupo, assim como os mais velhos estavam retraídos perante a convivência com um adolescente no qual pouco sabiam sobre. Porém, pelo bem do grupo, laços de amizades foram feitos e não tardou para os membros veteranos da empresa se revelarem como família para Chanwoo, assim como este se mostrou como a última peça do quebra-cabeça da vida dos seis meninos — e, claro, o Jung denunciou quem realmente era ao encher a paciência dos meninos do Team B.

Na saleta, ao perceber as intenções vingativas de seu hyung, o maknae se cansou da situação e pegou seu celular do bolso, impondo em sua cabeça que foi alucinação ver a bateria acabar minutos atrás. Mas, infelizmente, o aparelho não ligou e não havia sinal de carregador no local.

Frustrado, começou a encarar o Song que estava no sofá a sua frente mexendo em seu invejado telefone móvel. Ou jogando, já que segurava o objeto na horizontal e os cliques que distribuía na tela eram rápidos e precisos. Contudo, é chato jogar sozinho, certo? Correto.

Pensando nisso, Chanwoo se sentou então defronte a sua vítima; no chão, com as pernas cruzadas e apoiando o rosto numa mão sem cessar o contato visual — que mais parecia um assassinato visual.

Ficou ali dois, três, quatro, cinco e seis minutos, todos sem receber atenção de Yunhyeong. Sabia que o outro vocalista notou sua presença e que não levantou o olhar por pura birra — ou talvez porque o jogo era mais importante do que seu amado amigo. Enraivecido por ter sido ignorado, soltou um alto ‘’Hyung!’’, finalmente ganhando os olhos do mencionado por meio segundo.

— Eu quero jogar também! — esbravejou o castanho mais alto cruzando os braços.

— Nem vem, semana passada você acabou com minha bateria e eu fiquei no tédio depois. — Negou o nascido em 1995 pouco dando atenção.

— Mas subi três níveis... — bufou indignado por não ter seu mérito reconhecido e revirou os olhos.

— Jogue no seu.

— ‘Tô sem carga.

— E quer acabar com a minha? Ah, vai dormir. — Mostrou um sorriso ladino perverso.

— Você não deixa!

Virou a cara para o lado oposto de Yunhyeong tentando parecer brabo, mas o máximo que conseguiu transparecer foi um ato fofo com as bochechas infladas e um saliente bico em seus lábios. Tendo a tentativa falha de se mostrar irritado, ouviu a risada alheia do Song, que segurava dentro de si uma forte vontade de apertar o outro. Para ele, Chanwoo é um rapaz agradável de se conviver, embora se comportasse como uma criança mimada às vezes. De forma um pouco torta, é meigo e natural; sua sinceridade é notável, assim como seu amor por aqueles que o rodeiam e pelo o que faz. De fato, é uma pessoa admirável na opinião do menor bochechudo.

O Jung, percebendo que a possível birra não o ajudou, voltou a sua posição de antes, só que encarando mais de perto sua presa. Consultou o relógio do lado oposto de onde estava e constou estarem esperando há exatos quarenta naquela sala abafada. Os outros membros se arrumaram primeiro e saíram na frente, deixando os dois atrasados para trás, que sempre enrolavam para se vestir. No fim, o próprio líder decidiu dar essa boa puxada de orelha como castigo — não que fosse mudar muita coisa no futuro.

Chanwoo, ainda sem receber atenção, sentou-se ao lado do mais velho, observando-o jogar mais de perto e, opa, uma lâmpada brilhante surge acima de sua cabeça, sinal de que teve uma ótima ideia.

Com feição afetuosa, vagarosamente pediu com uma doce voz: — Deixe-me jogar também, oppa.

E era uma vez um joguinho de celular.

Yunhyeong deixou o aparelho cair em suas pernas, perplexo. Sentiu sua garganta secar e tossiu algumas vezes, não tardando a cobrir o rosto como uma desculpa de reprimir a tosse enquanto tentava tapar suas bochechas avermelhadas. Abriu e fechou a boca algumas vezes e tudo o que conseguiu falar, saiu gaguejado. Sentiu-se um tremendo idiota. Afinal, foi só um erro.

— Cha... Chanwoo, é hyung. — Corrigiu o olhando e rapidamente desviando o foco do companheiro de grupo para algo interessante, como seu tênis preto da marca adidas.

Bingo.

— Mas quando as fãs te chamam de oppa, você sempre faz tudo que elas pedem. — Como o bom ator que era, logo mostrou uma cara inocente com o lábio inferior levemente posto acima do superior.

O Song mordeu a boca, inquieto.

— Não é... Bem assim. — Voltava a se embolar nas palavras. — Sabe, é hyung... Oppa é errado e... Eu sou mais velho, sacou? Hyung... É, hyung! — Rolou as pupilas para todos os lados possíveis, não parando no rosto do maior. — Não oppa, oppa não é para você.

Chanwoo sorriu perverso. Então aí está: Song Yunhyeong tem o fetiche de ser chamado de oppa. E isso não diz respeito aos fãs. O dongsaeng anotou mentalmente de usar a jogada novamente.

O mais novo se acomodou melhor no sofá e pousou a cabeça no ombro de outrem, passando um dos braços por sua cintura e apertando delicadamente a pele, não demorando a acariciar o local, causando arrepios em seu hyung, agora oppa.

— Além disso, todas as fãs que te chamam de oppa te amam e eu também, poxa. Mas hyung é tão normal. Eu chamo todos assim. Eu gosto de você, oppa.

É aquele ditado: soltou a bomba e saiu correndo. E neste caso, literalmente foi o que aconteceu.

Assim que o gamer oficial do iKON terminou de falar, ouviu uma buzina avisando que a van havia chegado e aproveitou que o membro ao seu lado estava disperso para apanhar seu celular. O pegou tão depressa que nem seu dono percebeu, dando-se conta quando viu o mais novo dar-lhe a língua e correr para fora.

Yunhyeong ainda estava estático e surpreso. A boca entreaberta, o coração acelerado e os olhos arregalados junto com o rosto avermelhado denunciavam-no.

Com cócegas no interior de seu estômago, levantou-se trêmulo ao ouvir os incontáveis sinais do carro o apressando e pegou um post-it que estava ao lado do computador, deixando uma mensagem e depositando no celular esquecido do que antes o fazia companhia.

— Eu também gosto de você, Chanwoo. — Suspirou pesadamente lendo o que tinha escrito.

Só que ele não sabia que Jung Chanwoo ainda estava atrás da porta.

18 de Julho de 2018 às 23:46 0 Denunciar Insira 1
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