Amparo Seguir história

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Após meses na prisão de segurança máxima de Konoha, Sasuke é liberto com o aval de Kakashi, por causa das preocupações do time 7 com seu bem-estar. Todavia, com a Vila da Folha em processo de reconstrução, o único lugar vago para lhe abrigar era o novo apartamento do companheiro de equipe, Naruto, e tal convivência daria ao Uchiha a certeza de que os laços que tanto quis romper no passado, na verdade, sempre estiveram ali. E agora estavam ainda mais fortes, sendo seu amparo.


Fanfiction Anime/Mangá Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#un #narusasu #sasunaru #romance #sns #naruto
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Capítulo Único - Amparo

Notas: Fanfic dedicada à ratinha chantagista da Alice <3 


Naruto, Sakura e Kakashi estavam reunidos no gabinete do Rokudaime, esperando pela vinda do último integrante do original time 7. Assim que a porta se abriu e um anbu trouxe Sasuke consigo, o jovem Uchiha franziu o cenho em desagrado.

- Por que estamos aqui? – Sasuke foi o primeiro a falar.

- Seu mau humor continua o mesmo, Teme – Naruto resmungou de modo infantil, ainda que conservasse um sorriso no rosto.

Contudo, o olhar estreito que o Uchiha lhe dirigiu foi o suficiente para o loiro engolir a seco e desviar o olhar para o chão.

- Bem, Sasuke – Kakashi tomou a palavra – consegui sua liberdade condicional, mas ainda terá que permanecer dentro dos limites de Konoha por alguns meses, até que os Kages voltem a confiar em você – ele remexeu a mão, como se aquele detalhe não fosse importante – terá supervisão ANBU 24 horas, mas estará livre.

- Livre – sorriu debochado.

Com aquelas condições preferia ficar preso, pelo menos daquela forma não teria que encarar Naruto e Sakura a todo momento. Não queria ter que corresponder diariamente às expectativas deles. Não queria mesmo.

- Sasuke-kun, você poderá circular pela Vila... permanecer preso não irá adiantar nada agora – Sakura disse num fio de voz – Sabemos que você não tem tratamento correto lá.

- E qual deveria ser o tratamento para um nukenin, Sakura? – ele retrucou ríspido, a olhando por sobre o ombro.

As sobrancelhas rosas se franziram e Sakura sustentou seu olhar determinada.

- Será que você não percebe que nos machuca ver você lá?!

Era a primeira vez que ela o confrontava dessa forma, e Sasuke não soube reconhecer o porquê, ainda que a perscrutasse com o olhar.

- Isso não importa – Kakashi falou, chamando a atenção do pupilo de volta para si – Eu sou o Hokage e estou consentindo sua liberdade condicional, quer você queira, quer não – adicionou assim que viu o mais novo abrir a boca inconformado – Você irá morar junto a Naruto até que algum apartamento de seu agrado seja disponibilizado.

Sasuke bufou irritado, porém analisou a figura do jinchuuriki ao seu lado. O loiro não teve a reação que esperava, não tinha gritado, comemorado ou falado alguma bobagem qualquer; ao invés disso, o amigo manteve o olhar fixo no chão como se conversasse internamente consigo ou com Kurama – o que, na verdade, tinha grandes chances de ser real.

- Por que não posso ficar sozinho? Estarei sob vigilância de qualquer forma – Sasuke se dirigiu a Kakashi.

- O distrito Uchiha foi destruído durante a invasão do Pain – Naruto murmurou tristonho – Sinto muito, ‘ttebayo.

Sasuke cerrou os olhos e soltou um suspiro longo.

- Aquele lugar não passava de lembranças tortuosas.

- Sasuke-kun... – Sakura chiou baixinho, mas ele a ignorou.

- A Vila está em reconstrução – Kakashi falou mais brando – não temos um apartamento vago para você, por isso ficar com Naruto é a melhor opção visto que Sakura ainda mora com os pais.

Sasuke enrijeceu os músculos, desconfortável com a ínfima possibilidade de morar com a companheira de time.

- E você? Você mora sozinho – ele ainda tentou uma última opção.

- Qual o problema com o meu apartamento? – Naruto perguntou incomodado.

Sasuke o ignorou, mantendo os olhos fixos no tutor à frente.

- Estou morando na Torre desde que me tornei Hokage. Repassei meu antigo apartamento à uma família que já o ocupou. Sinto muito, terá que permanecer com Naruto.

Sasuke grunhiu incomodado, e isso foi um estímulo a mais para Naruto repetir sua pergunta de modo infantil.

- Qual o problema com o meu apartamento, ‘ttebayo?!

Sasuke o encarou irritado.

- Você! Você e esse seu olhar – rosnou.

- Sasuke! – Sakura repreendeu inconformada, olhando para Naruto que permanecia sério.

- Tudo bem, Sakura-chan, eu já conheço o mal-húmor desse Teme maldito – ele olhava amargurado para Sasuke, ainda que se dirigisse a ela com carinho.

- Sasuke – Kakashi chamou de novo e dessa vez seu tom era severo – Acompanhe Naruto até o apartamento dele. Sakura irá com alguns anbus mais tarde para o selar.

O Uchiha arqueou uma sobrancelha ao fitar a jovem Haruno.

- Preciso fazer um atestado médico de que está em condições para receber o selo.

- Hum.

- Bem, já que resolvemos isso, estão dispensados – Kakashi disse, indicando a porta da sala, displicente.

Sasuke arqueou uma sobrancelha intrigado com o mais velho, mas por fim voltou a fitar o Uzumaki e deu de ombros ao caminhar em direção à porta, sabendo que logo seria seguido pelo loiro.

A caminhada pela Torre e pela Vila foi desconfortável, os cidadãos olhavam para Sasuke ressabiados mesmo que Naruto, o tão aclamado herói da guerra, estivesse ao seu lado. O Uchiha sentia a desconfiança da população e se irritava com isso, não porque era alvo daquelas besteiras, mas porque era como se não fosse digno de ter Naruto ao seu lado. Aquelas mesmas pessoas foram as que rejeitaram, maltrataram e discriminaram o jinchuuriki no passado! Eram todos hipócritas, e isso fazia o ódio de Sasuke retornar aos poucos porque, no fim, Itachi havia se sacrificado por aquela Vila ingrata e podre.

- Se você continuar a olhá-los assim, eles continuarão a achá-lo um traidor – Naruto falou, se aproximando mais de si.

- Eles não me importam.

- Claro, como se a sua carranca não tivesse nada a ver com eles.

Sasuke o olhou de esguelha. Naruto estava se comportando de modo estranho consigo desde as últimas vezes que se viram no hospital, e tal fato deixava o ex-vingador curioso para saber qual era o problema dele.

- Compramos roupas para você – Naruto falou antes que conseguisse questioná-lo qualquer coisa – roupas pretas e azuis escuras, como gosta. Sakura-chan me ajudou a escolher – ele confessou com um sorriso gentil.

E aquele detalhe não passou despercebido pelo Uchiha.

- Vocês estão juntos?

- O que?! – Naruto o olhou sobressaltado e gritou de modo exagerado – NÃO!

- Foi uma pergunta simples, não precisa fazer escândalo, Dobe – reclamou.

- Que absurdo, ‘ttebayo! – Naruto apressou seus passos, resmungando impropérios que não escapavam aos ouvidos do moreno.

- Absurdo – Sasuke debochou com seu sorriso ladino característico – Você vivia correndo atrás dela, Dobe.

- Eu não... – as bochechas adquiriram um tom vermelho singelo – Ela não... – suspirou.

Não precisava dizer que Sakura só tinha olhos para Sasuke. Qualquer um sabia daquilo e, ainda assim, relembrar daquela negativa lhe doía um pouco, mesmo que a dor fosse mais branda agora. Afinal, era só mais uma rejeição para adicionar ao seu histórico.

Sasuke pareceu entender seu sentimento quando ficou quieto e permaneceram assim pelo restante do caminho. Chegaram ao prédio do Uzumaki no centro da Vila e subiram para o segundo andar.

- Você arrumou esse chiqueiro pelo menos? – Sasuke questionou ácido, lembrando-se do antigo apartamento que o amigo mantinha na infância.

- Sakura-chan me ajudou – Naruto sorriu constrangido ao assentir e coçar o pescoço.

O jinchuuriki entrou primeiro, estendendo os braços de modo convidativo com um sorriso resplandecente. E o moreno notou que era a primeira vez que ele lhe sorria daquela forma verdadeira após o hospital. Ainda incerto, Sasuke observou minuciosamente o local, era pequeno, mas a sala tinha um sofá de dois lugares e um puf laranja no canto da parede direita, a TV era sustentada pelo rack da sala e à esquerda havia a bancada da cozinha estreita, com dois bancos.

- O banheiro é a primeira porta do corredor. Não tenho dois quartos, então eu vou dormir no futon e você pode ficar com a cama. É a última porta...

- Não – Sasuke o cortou, mais brando – O apartamento é seu. Eu vou ficar no futon.

- Teme – Naruto fechou os olhos, respirando fundo para não começarem uma discussão logo de início.

- Eu não preciso da sua pena, Naruto – Sasuke estava irritado com todo aquele excesso de cuidado de seu antigo time. Por acaso haviam se esquecido que ele era um nukenin e que vivia nas piores condições possíveis há menos de cinco meses?

Os olhos azuis tremularam.

- Pena? Você acha que temos pena de você?! – ele perguntou desapontado – Sakura-chan, Kakashi-sensei e eu nos importamos com você. É diferente. O que sentimos não é pena, é confiança, preocupação, trabalho em equipe... – Naruto se aproximou de Sasuke e tocou seu ombro de modo amigável – Somos uma família, Teme. Você ainda não entendeu que não abandonamos uns aos outros?

Sasuke saiu de seu enlace bruscamente e ao ver a expressão abatida do loiro, lhe deu as costas. Era por momentos como aquele que não queria ter de encarar os amigos! A volta a Konoha, a convivência conjunta, tudo era muito recente para si. Não iria fingir que poderiam ser os mesmos de quando eram crianças, era irreal e ingênuo. No entanto, brigar com Naruto não estava em seus planos, já havia perdido para o jinchuuriki, e mesmo assim o discurso de amizade não o havia convencido... ao menos, não por completo.

- Preciso de um banho – mudou de assunto, ainda que continuasse com o tom irritado.

Naruto suspirou cansado.

- É, achamos que iria precisar. Há uma muda de roupas no banheiro – disse ao passar pelo moreno, indo à cozinha – Vou preparar o almoço para nós.

Sasuke passou a mão pelo cabelo. Aquele zelo demasiado por parte de seus colegas era frustrante porque não se achava digno de tais preocupações, não quando tinha causado tanto sofrimento a eles. Grunhiu irritado e caminhou para o banheiro, seria melhor que se banhasse e aceitasse de uma vez que o time 7 não o abandonaria, mesmo que em seu interior quisesse distância.

Dentro do cômodo estreito, observou as peças de roupas sobre o vaso sanitário com atenção, como Naruto havia dito, a blusa era azul escura e a calça preta. Deveria lembrar de agradecer a Sakura depois por não haver nada laranja ali. Abriu as torneiras do ofurô e retirou suas roupas gastas enquanto o esperava encher, entrou na água quente minutos depois e aproveitou aquele momento para meditar.

Enquanto isso, Naruto fervia o macarrão ao passo que tentava organizar os pensamentos caóticos.

- Você gosta dele, não gosta? – Sakura questionou da porta do quarto, o fazendo se sobressaltar.

- NANI?!

- Fale baixo, idiota – Sakura franziu o cenho irritada, em seguida se aproximou de Sasuke, que apesar de ainda dormir, se remexeu na maca. Ela sentia os olhos do amigo queimarem suas costas, mas continuou a ignorá-lo enquanto incidia chakra no Uchiha desacordado por suas têmporas, o fazendo relaxar novamente.

- Eu perguntei se você gosta dele. É uma pergunta simples, Naruto – Sakura sorriu ao olhá-lo – Na Guerra você estava disposto a morrer por ele – Sakura voltou a olhar para o Uchiha adormecido, fazendo um carinho nas madeixas escuras – A sua determinação... – riu, um riso bobo, suave... quase alegre – Teve um momento que eu me culpei por lhe dar o fardo de trazer o Sasuke de volta. Eu errei ao fazê-lo me prometer aquilo, mas quando eu vi as proporções da loucura de Sasuke, eu soube que não poderia perder você também – o tom dela começou a minguar, a voz tremulou e os olhos umedeceram – Eu tentei fazer com que parasse, tentei libertá-lo da sua promessa porque achava que estava fazendo aquilo por mim, mas a verdade é que foi por ele. Sempre foi ele, não é?

- Sakura-chan, não... Ele é meu amigo...

- Você quase morreu por uma amizade, Naruto – Sakura retrucou com deboche, apesar de melancólica, sabia que precisava ser firme com o amigo – Amigos não se comportam assim. Você deveria saber disso.

- Você também tentou pará-lo.

- Eu o amo. Eu sei o que sinto, assumo meus sentimentos – o carinho em Sasuke cessou assim que ela fitou o amigo na maca ao lado – Já você parece escondê-los de si próprio.

Os olhos dele estavam arregalados. Naruto ainda tinha um olho roxo, mas apesar de inchado, o azul-céu estava ali, mostrando-se perdido. A bochecha tinha um curativo, a boca estava rachada e com cortes sangrentos e o braço esquerdo estava quebrado e engessado como mais um sinal daquele sentimento.

Como ela e ele nunca tinham reparado naquilo?

- Sakura-chan... eu... – Naruto desviou o olhar sem saber ao certo o que dizer. Nunca havia sido confrontado daquela forma e por isso não sabia o que pensar diante das acusações da amiga – Me desculpe.

A médica-nin riu baixinho e o fitou terna.

- Por que está se desculpando? Olhe para ele – indicou com a cabeça – É lindo mesmo dormindo – sorriu.

- Ele... Ele...

- Ele está aqui, por sua causa. Obrigada por manter sua promessa, idiota! – Sakura socou seu ombro de modo fraco, e Naruto se limitou a sorrir de volta ao ouvir o tratamento conhecido.

- Ele vai ficar bem? – Naruto perguntou após alguns segundos de silêncio entre eles.

- Não se preocupe, terão tempo para conversar depois. O chakra de Kurama ajudou na sua recuperação, mas Sasuke não possui uma Bijuu. Vai ficar internado mais tempo do que você, depois disso vão prendê-lo.

- Como sabe disso? – ele questionou.

- Não é difícil de imaginar. Sasuke atacou uma cúpula de Kages, matou um conselheiro, desertou da própria aldeia, vinculou-se à Akatsuki e ainda tentou governar o mundo – ela uniu as mãos sobre as coxas, pensativa.

- Vão...?

- Assassiná-lo? Não – sorriu tranquila – Kakashi jamais deixaria. Além disso, os Kages confiam em você. No entanto, ele tem que ser punido...

- O que acham que vão fazer com ele?

- Sinceramente? – ela suspirou – Vão prendê-lo num primeiro momento e depois vão dá-lo alguma punição que o irrite... talvez tenha o chakra selado, o que o iria impossibilitar de usar o Sharingan – deu de ombros – ou seria sentenciado a trabalho voluntário, consegue imaginar Sasuke ajudando na reconstrução de Konoha ou sendo instrutor na Academia Ninja para novos gennins? – ela voltou a sorrir divertida.

- Sakura-chan, por que, como?

Os olhos esmeraldinos focaram nos azuis. Ela viu a expressão de Naruto ir de ansiosa para culpada, em seguida se tornou magoada e depois determinada.

- Eu sempre quis alcançá-lo, mas você sempre esteve lá. Ao lado dele. De qualquer maneira, estavam destinados a isso, vocês têm uma conexão de outras vidas, afinal – Sakura tocou sua mão direita, mostrando a tatuagem do Sol na palma.

Naruto fitou atônito a tatuagem que Hagoramo havia lhe concedido.

- Mas, Indra se casou também, ele teve descendentes, você poderia ser a reencarnação da esposa dele.

Sakura sorriu.

- Eu posso acreditar nisso. Eu o amo, senti isso desde a primeira vez que o vi. No entanto, os casamentos da época de Indra eram alianças políticas, Naruto. Ninguém se casava por amor.

Ele desviou o olhar, mais uma vez envergonhado e sem saber como agir.

- Talvez eu sempre esteja aqui para ajudá-los a ficarem juntos ou, ao menos, para impedir que se matem – o sorriso continuava ali, embora menor.

E Naruto se sentiu mal por ela. Sentia como se a estivesse traindo e desrespeitando seus sentimentos.

- Não se preocupe comigo, eu sou uma mulher forte, shannaro! – ela se virou para ele com o olhar determinado e depois se inclinou para beijá-lo na testa – Você precisa pensar um pouco em você também. Seu altruísmo quase lhe custou sua vida.

O jinchuuriki a viu sair do quarto intrigado com suas palavras, em seguida fitou o amigo na maca ao lado e se deitou para observá-lo o restante do dia. Era mesmo apaixonado por Sasuke?

A resposta era que sim. Os dias seguintes àquele foram difíceis e só serviram para confirmar as suspeitas de Sakura. Por estarem no mesmo quarto, faziam todas as atividades juntos e viam-se a todo momento. Sasuke às vezes se irritava com seu olhar e chegava a puxar uma cortina entre as macas, porém momentos depois uma enfermeira ou Sakura vinham checá-los e abriam a cortina liberando sua visão. Naruto lembrava-se de ficar ansioso quando elas apareciam na porta, ávido para vê-lo novamente.

- Sonhando acordado? – Sakura falou atrás de si.

- SAKURA-CHAN! ‘TTEBAYO! – Naruto saltou para trás, assustado.

Ela riu baixinho e depois o olhou divertida.

- Passou vinte minutos ao lado dele e já está assim? – zombou.

- Sakura-chan! – prendeu a respiração, sentindo-se corar enquanto olhava para o corredor amedrontado.

Não queria que Sasuke soubesse daquilo. Muito menos daquela forma.

- Naruto, não me diga que ainda não o contou! – Sakura falou indignada ao colocar as mãos na cintura – Naruto!

- Shiii! Sakura-chan, por favor... – Naruto remexeu as mão desesperado enquanto olhava para o corredor, esperançoso de que o outro morador não aparecesse àquela hora.

Sakura suspirou e assentiu.

- Certo, eu não vou te delatar. Mas você deveria contar a ele! Sasuke é inteligente, vai perceber em algum momento – ela disse convicta e Naruto se sentiu acuado.

Ela era sua melhor amiga, o conhecia como mais ninguém e por isso sabia que ela tinha razão. Contudo, se imaginar se declarando para Sasuke era constrangedor e soava inadequado, ainda mais considerando todo o histórico que tinham.

Entretanto, no fundo, o que não queria era que ele o rejeitasse mais uma vez, como vinha fazendo desde que voltaram a Konoha.

- O que eu vou perceber em algum momento? – a voz rouca soou e Naruto o olhou por sobre o ombro, sobressaltado.

- Que o Naruto não sabe cozinhar – Sakura respondeu pelo loiro ao vê-lo surpreso – Ele fez lámen. De novo – sorriu para Sasuke e ele desviou o olhar para a porção do macarrão.

- É isso que você chama de comida, Dobe? – Sasuke resmungou.

– Acalme-se – Sakura sussurrou ao empurrar Naruto para frente e piscar divertida – Ne, Sasuke-kun, vamos ao quarto? Você prefere privacidade, certo?

O ex-vingador ainda fitava o macarrão com desdém quando concordou com a médica-nin e a seguiu pelo corredor até o quarto. Naruto os observou se afastarem com o cenho franzido, mesmo que os dias ao lado de Sakura lhe fizessem acreditar que ela aceitava e respeitava seus sentimentos, a pontada de ciúmes que sentia ao vê-los se trancando em seu quarto estava presente ali. Resmungou inconformado com a sensação quando seu lado racional falou mais alto, afinal, eram Sakura e Sasuke ali... ela jamais o trairia tentando algo com Sasuke, e ele sequer tinha qualquer inclinação para com ela.

Pare de pensar besteiras, Pirralho. O rosnado de Kurama em sua cabeça o fez suspirar.

Eu não sei o que fazer, ‘ttebayo! Naruto reclamou para a Bijuu que lhe deu às costas, desinteressada. Hey, Kurama, você pode me ajudar!

No entanto, a raposa não lhe deu atenção e ainda o expulsou do mundo interno. Naruto coçou o pescoço, mais uma vez perdido, e voltou a focar no lámen. A última coisa que queria era dar mais um motivo a Sasuke para querer se distanciar de si e por causa disso se dedicou ao preparo da refeição com medo e ansiedade.

Ora ou outra espiava a porta fechada pelo corredor e tentava concentrar suas habilidades ninjas para ouvir o que falavam e também para identificar a aproximação dos corpos, mas tudo que conseguia ouvir era um chiado suave dos passos de Sakura e perceber a distância de aproximadamente um metro entre eles. Estava curioso para saber como estava sendo a consulta e também sobre o que falavam, mas achou que se aproximar ou tentar alguma técnica ninja propriamente dita estava fora de cogitação... ao menos, Tsunade o reprovaria se soubesse que havia voltado a ouvir conversas atrás das portas.

Dentro do quarto, a atmosfera era de certa forma agradável. Sasuke ainda estava ranzinza, mas já estava habituado a Sakura lhe tratando daquela maneira terna conhecida e por isso era acostumando aos cuidados da médica-nin. Diferente do que pensava, ela não tateou seus músculos ou se aproximou sem pudores, apenas recolheu uma amostra de sangue de seu braço, a qual seria analisada depois, e fez um check-up com suas mãos concentradas de chakra. Ao final da sessão, sinalizou para que ele se levantasse e reproduziu os sinais do selo aprendido com Kakashi, depois tocou seus pulsos e em instantes dois kanjis apareceram ao passo que sua respiração pesava e ele se sentia terrivelmente mais fraco.

- Eles suprimem a circulação de chakra, agora você tem apenas o suficiente para sobreviver. Aconselho a tentar retomar as atividades físicas aos poucos e não exagerar! Não o quero internado mais uma vez, shannaro! – ditou convicta.

- Hum – Sasuke assentiu languido.

- Certo, terminamos por aqui. Almoce com Naruto, mas procure se alimentar de modo saudável nos próximos dias.

Sasuke resmungou mais um de seus monossílabos, indicando que seguiria seu conselho, enquanto a via recolher seus pertences na pequena mochila que trouxera consigo. Sakura se dirigiu até a porta, mas antes de tocar a maçaneta se virou para o companheiro de time e franziu as sobrancelhas de modo irritado.

- Por favor, não o magoe, Sasuke-kun... Naruto já foi muito machucado.

- Do que está falando?

- Você é tão inteligente para certas coisas, que me esqueço do quão ingênuo é para outras – ela voltou a se aproximar e afagou sua bochecha, ainda que sua carranca deixasse explícito seu desagrado.

- Sakura – repreendeu afastando a mão dela de si e a vendo assentir rapidamente.

- Não diga “Sakura” para mim desse jeito! – reclamou com um bico infantil.

Sasuke revirou os olhos, sem paciência para o drama da Haruno, e em seguida caminhou até a porta. Saiu do quarto com Sakura logo atrás e, ainda que seus membros formigassem, não se permitiu demonstrar o quão cansado estava pelo selo. Sentia como se tivesse acabado uma série de treinamentos com Naruto e a última vez que se lembrava de estar daquele modo foi no dia em que despertou no hospital. Naruto estava lá e começou a gritar escandalosamente e por causa disso não demorou muito tempo para que o quarto estivesse repleto de enfermeiros tentando impedi-lo de continuar a socar o outro shinobi.

Naruto tinha a incrível capacidade de lhe irritar e gritar independente do momento e lugar, como ali na cozinha. Ele e Sakura falavam animados sobre a “comida” que o loiro havia preparado, sobre como aquilo era nostálgico já que o time 7 estava reunido junto para comer, uma vez que Kakashi sempre estava atrasado. E mesmo que não quisesse admitir, foi impossível não curvar os lábios num meio sorriso ao ver Sakura socar o amigo por uma bobagem dita sem pensar, trazendo ao Uchiha aquele sentimento familiar que lhe rondava desde que havia acordado no hospital.

Konoha não era mais seu lar há muito tempo, mas eles de certa forma eram.

Quando os dois irritantes à frente notaram seu sorriso e começaram a zombar de si, Sasuke fez o possível para ignorá-los, algo que não foi muito difícil considerando sua convivência com o Taka. No entanto, Sakura e Naruto pareciam conhecê-lo melhor, ela era muito permissiva consigo e Naruto era irritante o suficiente para o moreno achar que Sakura deveria socá-lo mais vezes, e isso fazia a dinâmica do time 7 voltar aos poucos ao que era antes, mesmo que ele acreditasse ser impossível.

No fundo, ficar ali com Naruto não parecia mais tão ruim quanto havia imaginado.

- Você lava a louça, Teme!

Exceto naquele momento.

[...]

Quando Kakashi propôs a Naruto que dividisse seu apartamento com Sasuke, o Uzumaki jamais pensou que teriam problemas como aquele. Após uma discussão acerca da bagunça no apartamento, Sasuke e ele haviam parado no hospital machucados por consequência dos ânimos exaltados. Naruto havia quebrado o braço esquerdo e tinha um olho roxo ao passo que Sasuke tinha um corte profundo e sangrento no abdômen.

Sakura ficou extremamente irritada ao encontrá-los sendo atendidos por enfermeiras na recepção do hospital. Xingou e bateu nos dois sem delicadeza, e Naruto chegou a ver o sharingan de Sasuke ativar quando ele reprimiu sua vontade de continuar aqueles golpes numa batalha agora com a outra integrante de time. Ao invés do que era esperado e seguro, a médica-nin não se mostrou amedrontada pelas íris rubras e chegou a lembrá-lo de que Sasuke estava selado e que ela era a médica que cuidaria deles.

Durante a consulta, Naruto observou que o atendimento direcionado a si era muito mais afetuoso em relação ao de Sasuke. Contudo, o aspirante a Hokage não sabia identificar o motivo para aquele tratamento, se era um modo de Sakura vingar a si própria por seus sentimentos não correspondidos ou se era por ele – e, ironicamente, pelo mesmo motivo.

Claro que ainda era muito surreal admitir tais sentimentos em voz alta, fosse para si mesmo, fosse para o amigo. No entanto, as pessoas próximas já começavam a notar suas atitudes diante do Uchiha e passavam a provocá-lo por isso, como Kakashi. O jounin não o questionou de modo aberto como Sakura, ele apenas ficou ao seu lado numa tarde qualquer com aquele sorriso coberto e malicioso, como se soubesse de tudo; e já cansado de guardar aquele sentimento sufocante para si, desabafou com o sensei até ouvi-lo rir com deboche e dizer que eles – os dois – eram pior que os enredos mirabolantes de Icha Icha. Naruto não sabia se ficava ofendido ou grato com a comparação, mas no momento seguinte, o sensei já não estava mais lá para pôr em prática sua decisão. E ali na sala do hospital, Kakashi permanecia ao lado de Sasuke, lendo o Icha Icha, com o mesmo sorrisinho malicioso que fazia as bochechas de Naruto corarem a cada vez que a íris castanha repousava em si.

Em meio ao clima constrangedor da sala, Sasuke tentava ignorar o amigo loiro enquanto Sakura finalizava seu curativo e assim que se viu livre, pulou da maca e começou a se vestir apressado pedindo a Kakashi que o acompanhasse. Naruto tentou refutar sua decisão ao vê-lo se afastar, buscando conversar e resolver a discussão, mas Sasuke o ignorou por completo e o sensei deu de ombros, seguindo o pupilo com aura assassina pelos corredores do hospital.

Sakura, por sua vez, suspirou pesarosa e em seguida sorriu encorajadora para o amigo.

- Vocês precisam de tempo e tudo ficará bem. Conseguiu trazê-lo de volta a Konoha; manter uma boa convivência não é um desafio tão difícil comparado a isso.

- Ele não para de reclamar, ‘ttebayo! – Naruto retrucou indignado.

- E você nunca o ouve! Sasuke gosta de limpeza, Naruto! Vocês precisam entrar em consenso para que isso dê certo. Eu não estarei sempre disponível para cuidar dos ferimentos idiotas que vocês dois se causam!

- Foi ele quem começou!

- Tenho certeza que ele não te atacaria se você não merecesse! Ele está com o selo, Naruto! Enquanto você está aqui reclamando, ele provavelmente está na farmácia comunitária pedindo um analgésico!

O loiro piscou ao compreender a fala da amiga. Apesar do braço quebrado e engessado novamente, ainda tinha Kurama e podia se recuperar rápido, já Sasuke deveria estar num estado mais crítico. Pulou da maca apressado a fim de ir atrás do amigo, mas foi impedido pelo agarre firme de Sakura em seu braço direito.

- Não vá agora. Ele está estressado. Se você for, vão discutir e é capaz que ele te magoe.

Os olhos azuis fitaram os verdes e por fim piscou compreensivo, fitou o chão desconcertado e depois voltou a olhá-la.

- Eu não sei como contar a ele...

- Você saberá quando estiver pronto – disse séria, depois lhe deu um soco fraco no ombro – Não se preocupe com isso agora, só não me apareçam aqui de novo em menos de um mês se não os deixarei ainda mais machucados, shannaro! Agora saia daqui, Naruto, eu tenho outros pacientes para atender.

- Tudo bem, ‘ttebayo!

Caminhou rapidamente para fora do consultório de Sakura risonho, embora ainda repensasse o que ela havia lhe dito. A reflexão sobre si, Sasuke e sobre eles, o acompanhou durante a caminhada solitária de volta para casa. Os sentimentos ainda estavam a flor da pele, mas como havia pensado, o outro não havia voltado ao apartamento, mas a bagunça – aumentada pela briga – continuava ali e por isso resolveu começar a organizar o espaço. Sakura tinha razão, se estava dividindo o apartamento com o moreno, tinha que dividir as tarefas e as regras também. Então esse seria o primeiro passo: organização.

Sasuke retornou no final da tarde e arqueou uma sobrancelha ao ver o apartamento completamente limpo, assim como Naruto dormindo no sofá de modo desajeitado. Passou por ele sem se importar em acordá-lo e rumou para o banheiro, abriu o frasco de analgésico que Kakashi havia lhe dado e tomou o segundo comprimido do dia, em seguida encheu o ofurô para se banhar. A água quente em contato com a ferida recém adquirida causou um arrepio, mas decidiu ignorar a pulsação dormente e descansou a cabeça no encosto do ofurô.

A tarde ao lado do tutor foi basicamente: ele exigindo um apartamento só para si e Kakashi o ludibriando sobre não poder providenciar aquilo no momento. Sasuke sabia que a Vila ainda estava em reconstrução, mas quando resolveu duvidar das intenções do mais velho, o Rokudaime fez questão de levá-lo a uma das áreas em obras e dizer em alto e bom tom que a partir daquele dia Sasuke iria auxiliar nas reconstruções. O xingou descaradamente na frente dos habitantes, mas o sorriso malicioso de Kakashi continuou ali, debochando de si e por fim realmente ajudou os aldeões. Como ainda estava ferido, embora praticamente sem chances de ter o ferimento aberto, evitou os trabalhos mais pesados, mas ainda assim carregou os sacos e carriolas de um lado para o outro, ajudando a quem lhe pedisse favores. Tudo sob os olhos vivazes e debochados do tutor.

No fundo, sabia que essa medida era uma forma de Kakashi forçar à população que Sasuke era um homem redimido agora, que ajudaria a reconstruir Konoha do zero e por isso podiam confiar nele. E ainda que quisesse xingar cada um dos presentes, ele se manteve quieto e obedeceu aos chamados que foram feitos, sabendo que os Kages também seriam informados do seu bom comportamento e que quanto mais rápido tivesse a confiança deles, mais rápido o maldito selo seria tirado de si.

Durante a luta contra Naruto, havia tentado usar o sharingan, mas seus olhos arderam como se usasse o mangekyou e por alguns instantes sua visão turvou, o que acabou ocasionado o corte em sua barriga por desviar de mal jeito. Havia caído no chão no mesmo instante por tropeçar num dos potes de lámen de Naruto e logo em seguida a ira assassina ressurgiu, porém antes que voltasse a atacar o Uzumaki, Kakashi se materializou na janela do apartamento e os obrigou a irem ao hospital para Sakura estancar aquele sangramento. Não quis, mas ambos shinobis o arrastaram até ali e agora, com uma fina cicatriz, ele reconhecia o avanço da companheira de time. Não só em suas habilidades ninjas, mas no modo como o tratava. Sakura estava sendo bruta consigo e foi permissiva demais com o idiota ao seu lado no consultório, demonstrando sua preferência de modo descarado. Relembrou a fala anterior dela e se sentiu incomodado com o sentimento que aquilo lhe causava. Sakura estava protegendo Naruto de si!

Como se ele precisasse de alguma proteção.

Bufou irritado lavando o rosto e o cabelo, tentando ignorar o desconforto que vinha daquele fato. Sakura queria manter Naruto longe de si pelo bem-estar do amigo quando, na verdade, era ele quem precisava se manter longe deles e de seus desejos incansáveis de redenção, os quais jamais viria a alcançar. Suspirou inconformado e continuou a se lavar, tocou a nova cicatriz por alguns instantes e decidiu usá-la como um novo lembrete de que deveria procurar um lugar propriamente seu o mais rápido possível.

Sua reflexão foi cortada quando ouviu batidas suaves na porta do banheiro e reconheceu a assinatura de chakra de Naruto do lado de fora. Permaneceu em silêncio, esperando que aquilo bastasse para o outro se afastar, mas como esperado de Naruto – alguém que gostava de contrariá-lo – as batidas voltaram a soar, mais insistentes.

- Teme?

- O que foi, Dobe? – respondeu em um grunhido.

- Precisamos conversar...

Sasuke suspirou e decidiu ouvi-lo, sabendo que dessa forma se livraria com maior facilidade dele e que também poderiam colocar regras e evitar maiores conflitos como o da tarde.

- Estou saindo.

Se trocou ainda no banheiro e depois seguiu pelo corredor, vendo Naruto sentado no sofá com a cabeça baixa.

- O que você quer, Dobe?

- Não quero brigar com você – suspirou – Não quero mais brigar com você.

O Uchiha se manteve quieto enquanto perscrutava o loiro diante de si. Naruto elevou a cabeça quando não ouviu uma resposta, e o Uchiha notou os olhos azuis transmitirem-no culpa; uma que Sasuke não queria ter contato ou se sentir responsável.

- Desculpe pelo corte – ele apontou para nada em especial, e o ex-nukenin sorriu debochado em seguida.

- Tsc. Olhe para si mesmo, está com um olho roxo e um braço quebrado.

Naruto franziu as sobrancelhas mas não o respondeu com a típica implicância, ao invés disso se levantou e se aproximou olhando fixamente em seus olhos. Há tempos Naruto vinha superando suas expectativas, mas aquela expressão perdida o deixou desconfiado, ao menos, um pouco.

- Teme, não importa o quanto você tente, eu não vou me afastar ou abandonar você. Eu sei que foi pedir a Kakashi para arranjar outro lugar, mas pelo que sei ainda não há nenhum apartamento disponível a não ser aqui. Prometo que posso seguir regras para manter uma boa convivência entre nós... mas não vamos mais brigar. Eu não quero mais brigar com você, ‘ttebayo.

- Por que? – Sasuke semicerrou o olhar. Não via problema algum em continuar socando o Usuratonkachi.

- Porque você é meu amigo, ‘ttebayo.

- E o que isso significa?! – rosnou irritado por aquele assunto inacabado sempre voltar à tona.

- Significa que eu não vou deixar você se afundar em solidão de novo! Você não vai sair desse apartamento sem que eu tenha certeza de que não irá enlouquecer de novo ou então terá que passar por cima de mim, ‘ttebayo!

- Dobe...

- Somos irmãos de outras vidas! – Naruto gritou, cortando a fala de Sasuke – Eu estou aqui para quebrar com o ódio do seu coração! Então se eu tiver que ter o meu outro olho roxo e o meu outro braço quebrado para que você não se sinta mais sozinho, eu vou!

- Naruto...

- Estamos juntos nessa, Teme.

E ali estava o apelido. Aquele apelido que carregava uma certa preocupação e também um certo afeto dirigidos a ele. O olhar preocupado e determinado também estava ali e era por isso que Sasuke se sentia quase encurralado! Naruto conseguia trazer sentimentos como carência à tona e mostrar que tudo estava ali para si... que mesmo tendo sido um nekenin, os abandonado, jurado matá-los e destruí-los, ainda era recebido com o melhor de Konoha.

- Por que ainda está aqui? – sussurrou, irritado e perdido.

- Porque eu sempre cumpro minhas promessas. Esse é o meu jeito ninja de ser, ‘ttebayo! – ele sorriu resplandecente e elevou o polegar, naquela pose ridícula tão conhecida.

- Seu jeito ninja quase custou sua vida – resmungou, desviando o olhar para o apartamento ao refletir sobre a briga de mais cedo.

- Mas eu ainda estou aqui.

- Dobe... – Sasuke suspirou, pedindo paciência para falar aquilo de um modo que o idiota à frente entendesse.

- Me escuta pelo menos uma vez, Teme – Naruto o interrompeu de novo – Eu ainda estou aqui e vou continuar estando, porque eu não posso ser um Hokage se eu sequer puder salvar o meu amigo bastardo do ódio e da solidão. Eu estarei aqui para iluminar essa escuridão que há em você, como temos marcado – e quando terminou de falar, Naruto tocou a mão esquerda de Sasuke de modo sutil, virando a palma para cima e fitando a meia lua que havia ali, a qual contrastava com o pequeno sol na sua própria palma – Eu estou aqui, quer você queira, quer não.

- Tsc. Usuratonkachi – Sasuke resmungou, desviando o olhar inconformado.

Naruto o viu se distanciar de si em direção ao quarto. E assim que se viu sozinho na sala, voltou a fitar sorridente a palma e o símbolo do sol que havia ali. Sasuke havia finalmente entendido sua mensagem, ao menos, em partes e por enquanto isso bastava.

[...]

Após aquela conversa, os dias se seguiram mais tranquilos. Tanto Naruto quanto Sasuke passaram a conviver em mais harmonia quando estabeleciam limites e os respeitavam, ainda que algumas brigas acontecessem de vez em quando, como era esperado se tratando deles.

Naruto ficou responsável por cozinhar os almoços – e agora se esforçava para não fazer apenas lámen – e Sasuke o jantar; e quem cozinhava ficava isento de lavar a louça. Outras tarefas relacionadas a limpeza e a atividades individuais também passaram por um processo de revezamento em que sempre incluíam um ao outro, como os treinos conjuntos ou a ajuda na reconstrução da Vila. A rotina à dois foi se moldando à personalidade complementar deles de um modo que até mesmo o Uchiha precisou reconhecer como natural e sincronizada, ao ponto de Kakashi e Sakura estarem sempre os visitando à passeio, para conversarem como simples colegas de time, enquanto que no passado fariam visitas para verificar se não haviam se matado.

A prova dessa boa convivência foi uma noite particularmente gelada. Naruto estava dormindo tranquilo quando seus sentidos ninjas o despertaram alerta, o sono logo foi esquecido quando ouviu Sasuke resmungar palavras desconexas e sentiu seu chakra desregulado, se fazendo notar em picos. O Uzumaki se remexeu na cama a fim de ver o estado do amigo no futon e assim que pensou em acordá-lo, o próprio Uchiha se sentou num rompante.

Ainda sob a luz parcial do luar, pôde observar sua respiração ofegante, assim como a fina camada de suor que escorria pelas têmporas de Sasuke, grudando seu cabelo à face. Não disse nada naquele momento, apenas encarou o outro que decidiu ignorá-lo e sair do quarto com pressa, segundos depois, o jinchuuriki ouviu a porta do banheiro ser aberta e encostada.

Naruto se sentou na cama e apoiou as costas na cabeceira, refletindo sobre o que acabara de presenciar. Lembrava-se vagamente de raras missões do time 7 em que Sasuke acordava daquela mesma maneira, mas era sempre Kakashi quem falava com ele, quem o acalmava e passava conselhos, por isso não sabia muito bem o que fazer para acalmá-lo. Sasuke jamais clamaria por ajuda e também não lhe contaria o que havia acabado de sonhar, mas Naruto queria que ele o fizesse... queria que Sasuke o visse como alguém confiável que estaria ali para ele, como um amparo.

Havia lhe dito aquilo anteriormente, então por que ele não se abria?

Pelo que conhecia do companheiro, ele não gostava de demonstrar seus sentimentos, muito menos suas fraquezas, ainda que Naruto pudesse entendê-las de certa forma. Afinal, já havia perdido o sono e sentia a garganta se fechar ao tentar imaginar especificadamente com o que Sasuke tinha tido um pesadelo; no passado era óbvio que sonhava com sua família, seu clã, mas agora Naruto se questionava se ele também sonhava consigo, com Sakura e com Kakashi, com a morte deles ou algo similar a isso.

Fitou o teto do quarto esperando buscar ali alguma resposta, uma vez que conversar com Kurama estava fora de cogitação. A raposa não gostava de Sasuke e cada vez que eles discutiam, ele rosnava em sua mente o fazendo ignorá-la muitas vezes nos últimos dias, ainda que o considerasse seu amigo.

Suspirou ao perceber que não teria ajuda e que ficar ali não adiantaria nada, assim jogou as cobertas para o lado e caminhou até o banheiro. Não se importou de pisar leve ou ocultar o chakra porque sabia que Sasuke era um exímio ninja e o notaria ali à espreita de qualquer forma.

A porta estava ligeiramente aberta, deixando uma fresta pela qual a luz artificial e amarelada do banheiro iluminava o corredor. Naruto se aproximou devagar, receoso de invadir o espaço de Sasuke mais do que já estava fazendo, a convivência o havia ensinado que não deveria pressionar tanto o moreno, mas ainda era difícil abandonar o hábito de querer intervir e ajudá-lo a qualquer custo.

Rente à porta, pôde ouvir os soluços baixos do Uchiha e ao se inclinar curioso, o viu chorando em silêncio com as mãos segurando firmemente a pia e o olhar estava fixo no reflexo do espelho.

- Eu sei que está ai.

- Teme...

- Não ouse entrar.

Naruto o ignorou por completo assim que ouviu a voz cadenciada. Antes que Sasuke o expulsasse do cômodo, porém, os braços de Naruto circundaram a cintura estreita e se fecharam em torno de si ao passo que a cabeça descansava em suas costas. O Uzumaki sentiu todo o corpo do moreno se enrijecer ao passo que sua postura ficou ereta e a respiração se prendeu.

- Eu disse para não entrar – rosnou impaciente.

- E desde quando eu te escuto, Teme? Você não é a Sakura-chan, ‘ttebayo.

Sasuke gemeu inconformado, mas após isso, se manteve quieto. Mesmo que racionalmente desejasse ficar sozinho, o aperto entorno de si o dava segurança para descarregar um pouco da emoção contida, e foi assim que as lágrimas continuaram a cair, silenciosas e doloridas. Contudo, quando a mão direita de Naruto, àquela com o símbolo do sol, se arrastou pelo seu tronco e o tocou a região de seu coração, o ex-vingador suspirou resignado e cerrou os olhos, assim como levou sua mão direita a de Naruto e a apertou por cima.

Não falaram, não se moveram, não pensaram em nada que não fosse no calor um do outro ou na cumplicidade que aquele momento lhes proporcionava.

Depois de algum tempo, o qual não souberam quantificar, o Uchiha se afastou. Assim que se viu mais calmo, deixou a mão de Naruto e em seguida se virou para fitar o loiro, que afrouxou o aperto apenas o suficiente para que ele rodasse no próprio eixo. Naruto mantinha o rosto atento ao seu, os olhos azuis buscavam os rastros das lágrimas derramadas, mas o rosto estava limpo de modo que somente a ponta do nariz e os olhos avermelhados denunciavam o choro recente.

- Noite ruim? – ele sorriu constrangido, tentando aliviar a tensão do momento.

Sasuke fechou os olhos e assentiu. As imagens ainda estavam vívidas, a morte de seus pais, de Itachi, ele banhado no sangue deles. Doía. Nunca iria parar de doer, e mesmo vivendo diversas vezes o mesmo sonho, Sasuke nunca sabia como se portar com propriedade nos instantes seguintes. Sentia-se novamente um garotinho desamparado, órfão, desalojado, e por isso, aquela era a primeira vez que se sentia grato por estar no apartamento de Naruto, com ele. Nos braços dele.

Naruto viu os sentimentos nebulosos do outro passarem como flashes por seus olhos ébrios. O Rinnengan brilhava com a luz fraca da cômodo, atraindo Naruto para aquele vórtice interminável sem cuidado ou garantia de que seu coração sairia machucado de novo.

- Teme... – Naruto tentou falar, mas o outro negou com um movimento de cabeça sutil e em seguida encostou suas testas.

- Dobe...

Foi impossível para o Uzumaki não cerrar os olhos e aproveitar aquela sensação calorosa que se alastrava em seu peito. Sasuke estava angustiado e isso definitivamente não era bom, no entanto, ter os braços dele envoltos em si, num abraço mal feito, era um deleite que gostaria de gravar para sempre em sua memória, tanto que chegou a invejar o ex-nukenin em seu íntimo pelo Sharingan.

Abriu um pouco os olhos para contemplar a expressão pacífica dele e se surpreendeu quando o viu fazer o mesmo. Olharam-se por instantes intermináveis até que Naruto sentiu suas bochechas esquentarem ao ter consciência da distância que separava suas bocas, e Sasuke pareceu notar também quando deu um passo para trás, livrando-se de seu agarre.

- Obrigado.

Era a primeira vez que ele agradecia genuinamente as ações de Naruto, o que não passou despercebido para o Uzumaki que sorriu radiante e satisfeito.

- Oe, Teme, é isso o que os amigos fazem!

Sasuke não apresentou uma reação imediata à fala, apenas continuou o olhando enquanto refletia suas palavras.

- Vamos voltar a dormir, ‘ttebayo? Kakashi-sensei disse que precisamos estar no campo de treinamento às 7h00.

Sasuke assentiu, mesmo sabendo que o dito cujo provavelmente se atrasaria e que eles começariam os treinos sozinhos.

Com o clima entre eles dissolvido, seguiram para o quarto tranquilos, já que Sasuke não se sentia mais angustiado e nervoso, e Naruto não estava mais preocupado com o companheiro. O ex-vingador se deitou no futon vendo o amigo se deitar na cama e permaneceram um olhando para o outro até que o sono fosse mais forte e levasse algum deles. Sasuke foi o primeiro a dormir e Naruto ainda teve alguns segundos para refletir sobre a beleza etérea do Uchiha que ficava ainda mais bonito quando estava dormindo.

Seu último pensamento foi como era grato por ter aquela chance de estar tão próximo a Sasuke ao ponto de vê-lo daquela forma aberta e tranquila.

Na manhã seguinte, Naruto foi o primeiro a se levantar, fez sua higiene matinal e depois correu para a cozinhar preparar o desjejum de ambos. Estava mais animado que o normal, o abraço ainda estava nítido em sua mente e só a lembrança o fazia corar! Porém, sua animação foi por água a baixo assim que viu Sasuke se aproximar com sua expressão estoica e indiferente de sempre, como se camuflasse qualquer vestigio da noite anterior ou do que ela teria significado para si.

No primeiro momento, o Uzumaki não soube como se comportar diante daquilo e novamente a tensão entre os dois foi sentida. Toda a harmonia resultante da boa convivência pareceu ser abalada e Naruto se sentiu confuso e com um gosto amargo na boca, que nada tinha a ver com o chá preto que havia peparado.

- Bom dia, Teme – tentou sorrir, embora fosse um sorriso falso.

Os olhos negros o fitaram por segundos, os quais o jinchuuriki considerou angustiantes, e depois foi respondido com um manear de cabeça sutil. Sasuke comeu em silêncio e o loiro tentou analisar em qual ponto havia errado para que estivessem distantes mais uma vez. Refletiu durante a alimentação e caminhada para o campo de treinamento, não obtendo uma resposta concreta em nenhum momento... a não ser Kurama rosnando que Sasuke era um delinquente e uma fraqueza que só o atrapalhava.

Esperaram algum minutos pela vinda do Hatake e de Sakura, mas nenhum dos dois apareceu, assim como Sasuke havia previsto. Ambos estavam sós no campo de treinamento, o que deixava o ex-nukenin de certa forma aliviado porque preferia treinar apenas com Naruto, de modo que nenhum dos outros dois integrantes pudessem intervir e atrapalhar suas batalhas.

- Eles não vem, Dobe – alertou o Uzumaki que continuava a olhar o horizonte esperançoso.

Naruto fez um bico revoltado após a quarta repetição daquela fala, não queria acreditar que nem ao menos a amiga iria aparecer, mas antes que decidisse esperar mais quinze minutos, um chute de Sasuke na sua costela o fez reconsiderar.

- Lute logo comigo – disse impaciente, já se aproximando com sua kusanagi em mãos.

Naruto se levantou rapidamente do chão e sacou uma kunai para se defender dos golpes certeiros do companheiro. Ao passo que as investidas se tornavam mais brutas e rápidas, ele sorria com a sensação de estar mais uma vez treinando com Sasuke. Já não precisava se provar um ninja à altura do Uchiha, mas gostava de equilibrar o combate até estarem ofegantes e com os membros dormentes, por isso se defendeu e atacou com afinco durante toda a manhã.

Pararam apenas por volta do meio dia para almoçar, sentando-se gramado enquanto esperavam pelo retorno do clone de Naruto que havia ido ao Ichiraku buscar porções de lámen. O jinchuuriki tirou a jaqueta suada e observou Sasuke fazer o mesmo com sua blusa negra. Ele já havia adquirido novas peças por sua própria conta, mas aquela blusa em especial era a que Naruto havia escolhido junto a Sakura. Sorriu com a lembrança no mesmo instante em que os olhos negros pousaram em si para lhe observarem curiosos.

Por instantes, Naruto considerou o outro ao seu lado. O treino havia sido um bálsamo para Sasuke já que até mesmo a postura altiva conhecida estava relaxada e a boca não era mais uma linha fina, ao invés disso apresentava uma sutil curvatura num dos cantos dos lábios. E olhar para ele fez Naruto concluir que talvez Sasuke não gostasse de mostrar suas fraquezas tanto quanto na noite anterior, mas que de algum modo, ali no campo de treinamento, ainda selado, ele conseguiu se provar o mesmo shinobi habilidoso de sempre para si mesmo.

- O que foi, Dobe?

A questão fez Naruto sorrir radiante. Sasuke realmente estava ali, em Konoha, com eles. Sakura tinha razão, ele o trouxera de volta e tudo iria ficar bem.

- Há tempos não treinávamos assim, ‘ttebayo – disse, usando a jaqueta para limpar o suor do rosto.

Sasuke sorriu ladino ao concordar com um meneio de cabeça.

- Há tempos eu não socava essa sua cara, Usuratonkachi.

- Oe! – Naruto o empurrou com um braço. E Sasuke revidou com outro empurrão, continuando a lutinha infantil.

Em algum momento, que não souberam identificar como ou porquê, Naruto havia se sentado sobre o quadril de Sasuke, enquanto o Uchiha estava deitado no chão. As risadas altas de Naruto foram diminuindo assim que passou a assimilar a posição em que estava e o olhar negro que lhe era dirigido. Piscou algumas vezes, incerto entre sair dali ou permanecer e ver até que ponto iam... afinal, Sasuke ainda não o expulsara de cima de si.

- Teme...

- Dobe?

Naruto percebeu pelo timbre rouco e debochado que não era uma simples pergunta, mas uma provocação. Sasuke o estava desafiando para saber o que iria fazer dali em diante.

Você saberá quando estiver pronto. Sakura havia lhe dito aquilo e agora ele entendia o significado de suas palavras. Ele queria que Sasuke finalmente soubesse de seu sentimento para com ele, então se inclinou sobre o moreno e afastou a franja negra que ameaçava cair sobre o olho púrpura. Respirou fundo, olhando para o rosto alvo e reuniu coragem dentro de si.

- Você é bem bonito, sabia? – falou ao passo que afagava a bochecha dele.

- Tsc. Essa é sua melhor cantada? – respondeu desdenhoso e divertido.

- Você tem uma ideia melhor?! – resmungou contrariado.

- Como sempre.

Naruto se surpreendeu quando Sasuke elevou sua cabeça ao mesmo tempo que segurava seu rosto e o puxava para baixo selando os lábios num movimento rápido. Os olhos azuis se arregalaram à primeira vista, mas conforme o contato se prolongava, cerrou o olhar para aproveitar a sensação.

Já haviam se beijado antes, mas era diferente daquela vez. O aspirante a Hokage se sentia quente em cima do outro, com as mãos ásperas dele percorrendo seu corpo desnudo enquanto as suas própias faziam carinho no ombro e na nuca do Uchiha. O toque das línguas era calmo, quase terno, contrastando com a pulsação forte de ambos os corações.

Naruto aprofundou o beijo, apesar de manter o ritmo lento e sentiu a respiração pesada do parceiro em sua bochecha. Sasuke gemeu contido ao sentir a língua do loiro provocá-lo num movimento lento pela boca, e como resposta sugou o lábio inferior do outro para enfim soltá-lo e o olhar convencido.

- Teme, eu...

- Kakashi me falou – riu, despretencioso.

- Nani?!

– Além disso, você não é bom em esconder suas emoções – Sasuke falou enquanto se sentava, e apesar de Naruto se mover para ficar mais confortável, ele ainda permaneceu sobre seu quadril – Era por isso que eu não queria morar com você.

- Você acabou de me beijar!

Sasuke suspirou, passando a mão pelo cabelo nervoso.

- É, eu beijei. Mas até quando vamos permanecer assim? Qual a sua garantia de que eu não vou machucá-lo no fim? Sakura disse para eu não magoá-lo, mas você dificulta o processo... tsc.

Naruto abriu a boca pronto para refutá-lo quando o som de tigelas se estilhaçando chamou a atenção dos dois. O clone havia retornado e deixado as sacolas caírem quando viu seu “eu original” sentado sobre Sasuke.

- O que está acontecendo aqui, ‘’ttebayo?!

Sasuke rolou os olhos com tédio enquanto Naruto pulou de seu colo assustado e fez o selo para que o clone sumisse, em seguida olhou constrangido para o companheiro como se pedisse desculpa.

- Era o nosso almoço... – soltou um muxoxo.

- Não me importo com o almoço – Sasuke disse seco enquanto se levantava e fitava Naruto fixamente, como se sua frase tivesse um significado a mais. Uma mensagem oculta que ele queria que o loiro descobrisse.

O Uzumaki franziu o cenho com o pensamento, mas antes que elaborasse uma pergunta mais direta, Sasuke falou primeiro.

- Você não me respondeu. Qual a sua garantia?

- Eu não tenho... – depois coçou a nuca constrangido enquanto refletia por alguns segundos – Eu só quero que dê certo, entende? Se eu consegui te tirar do ódio que o preenchia, eu posso conseguir que você me ature mais um pouco, certo? – ele fitou Sasuke, confiante – Sakura-chan me apoiou desde que voltamos da Guerra, ela parece me entender, diz que está tudo bem e até brinca comigo sobre isso; Kakashi-sensei me ouviu e não me disse nada que valhesse a ajuda; Kurama só reclama de você... e eu só – ele desviou o olhar para as tigelas no chão – Eu sinto que nunca estive tão feliz. Isso basta para mim e para você?

- Usuratonkachi – Sasuke resmungou antes de puxá-lo pelo pescoço e voltar a selar os lábios, dessa vez num beijo caloroso.

Quando se separaram, Sasuke encostou suas testas e fechou os olhos para aproveitar a sensação que se apossava dele. Tudo que quis foi fugir de Naruto, dos laços que mantinha em Konoha, mesmo depois de ter aceitado que havia perdido para o companheiro; mas cada dia vivendo ao lado dele, morando sob o mesmo teto, o fazia notar o quanto Naruto havia amadurecido e o quão bom era estar ali para flagrá-lo lhe olhando descaradamente.

Sasuke normalmente não se importava em ser observado, mas se tratando de Naruto, ele adorava. Queria que o jinchuuriki continuasse daquela forma, que não mudasse o jeito como se comportava com as pessoas ao redor – fossem próximas ou não – e também que continuasse o olhando com aquela estima, como se fosse um objeto precioso.

Era bom, depois de tanto tempo, saber que tinha um porto-seguro. E que ele era Naruto.

- Estamos juntos agora, Teme? – Naruto perguntou ansioso.

- Sim, nós estamos – ele ditou, entrelaçando as mãos com os símbolos da lua e do sol de modo que se completassem, e quando o Uzumaki notou isso, o sorriso limpido se tornou ainda mais aberto e radiante – Imbecil.

- Bastardo – Naruto devolveu, rindo alegre e o abraçando forte – Isso quer dizer que você vai me dar comida na boca?

- Nem pensar, Dobe – Sasuke o empurrou, revoltado, e caminhou para fora do campo de treinamento com um sorriso ladino enquanto ouvia os gritos irritantes do melhor amigo e agora amante.

E a partir daquele momento, Sasuke soube que não poderia mais viver sem aquele sorriso idiota, os gritos escandalosos e Naruto em si, porque ele era seu amparo. 


Nota: Espero que tenham gostado <3 

12 de Julho de 2018 às 02:19 5 Denunciar Insira 17
Fim

Conheça o autor

Vany-chan 734 Fada do Fluffy e maluca dos angst. Luto pelo fim dos leitores fantasmas, por SasuSaku e por ShiIta, meus OTPs! "KakaSaku - Uma Chance para Nós" não será repostada aqui até ter sido devidamente betada, assim como "O Caminho que Trilhamos".

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Karol  Karambola Karol Karambola
Olha, vindo de você eu sabia que seria bom mas você me surpreendeu é muito com essa história. Eu achei muito legal a Sakura estar tão fiel ao mangá, ela realmente ama o Naruto e o Sasuke e eu acho que ela seria quem os apoiaria porque ela não é egoísta, ela os ama e mesmo que ela sinta a dor de um coração partido, ela é forte e é muito mais do que a "Sakura que ama o Sasuke" ela é ela, não precisa disputar o amor de ninguém. A relação dos dois foi construída de uma forma linda e natural, eu senti o coração acelerado na cena do banheiro e suspirei de amor na cena do beijo, eu amei muito. Tá leve, fiel, bem escrita e Veríssimo. Amei o seu Naruto (chocada estou) amei o Sasuke. Obs; Kakashi e Sakura faltou ao treino e nem te conto o que imaginei aqui (aquela carinha) Parabéns nenê
18 de Julho de 2018 às 13:31
Ariane Munhoz Ariane Munhoz
Oi, Van! Eu disse que cedo ou tarde apareceria por aqui e cá estou eu para dar minha colaboração na animação por um mundo com mais SNS (e ShiBa também. Sem pressão). Adorei o ponto que você escolheu para desenvolver a historia, em um pós-guerra onde Sasuke permanece em cativeiro como se precisasse ser aprovado pelas pessaos de Konoha. Foi bem legal ver a cumplicidade de Sakura e Naruto ali e ela abrindo caminho para ele. Sempre penso que Sakura e Hinata são mais do que isso, sabe? Mais que o apoio, a sombra. Elas são ninjas maravilhosas e eu acredito que qualquer uma delas teria a capacidade de se tornar Hokage sim! Adorei como você desenvolveu a história, como Naruto precisou de um empurrãozinho para entender os próprios sentimentos e como a rotina entre ele e Sasuke foi se assentando lentamente. A ideia de lacrar o chakra de Sasuke foi muito bacana! O desenvolvimento da história foi primordial, na minha opinião. A narrativa foi bem colocada e os momentos foram bem encaixados. O momento do pesadelo de Sasuke e daquele abraço me derreteram completamente! Mas nada melhor do que aquele beijo e o Kagr Bushin chocado kkk Acredito na capacidade deles de fazer tudo dar certo. Adorei a fic! Parabéns!
14 de Julho de 2018 às 06:20

  • Vany-chan 734 Vany-chan 734
    OLAAAR! Ain que comentário gostoso! Obrigada por ele <3 Eu amo canon divergencia e se eu nao mudo a historia antes do massacre, mudo no pós-guerra, é uma delicia mexer com as possibilidades disso: tipo selar o Sasukinho. Eu amo a Sakura (apesar de me irritar com ela às vezes rs) e eu acho que ela seria uma melhor amiga incrivel pro Naruto, e como o ajudou em the lastima pra entender os sentimentos envolvendo a Hina, aqui ela o ajudaria envolvendo o Sasuke. Vejo o time 7 muito como uma familia, então eles sao o proprio amparo sabe? Se tivesse acabado SNS em Naruto (obra), certeza que ela e a Hina ficariam felizes por eles estarem felizes juntos <3 São muito preciosas. Eu sempre prefiro mostrar o desenvolvimento dos romances a cenas do próprio romance, e aqui a rotina se fazia o principal! Ela mostrava manias e gostos entre eles, mesmo q eu nao tenha focado tanto nisso, o momento em que viveram juntos, ensinaram um ao outro sobre o parceiro, e eu amo isso! HAHAHA Como eu sou palhaça tinha que colocar o clone chocado, ainda mais pra cortar a aura do momento sem fazer parecer que o Sasukinho fosse um pé no saco hahaha Eu acredito que eles dariam certo, e quando brigassem, Kakashi e Sakura estariam ali para ouvi-los e ajuda-los hahaha Beijinhos <3 15 de Julho de 2018 às 00:21
Neeca Ashcar Neeca Ashcar
Faz tanto tempo que não me pego suspirando com esses dois como agora, que foi como se a paixão retornasse em cheio, história linda, narração impecável, parabéns! 😘
12 de Julho de 2018 às 09:52

  • Vany-chan 734 Vany-chan 734
    OLAAAR! Ah, muito obrigada por esse coment lindinho! Foi minha primeira SNS, mas eu to muito honrada que os fãs desse casal estejam aprovando de inicio <3 Beijinho e obrigada pelo coment! 15 de Julho de 2018 às 00:04
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