Teoria do caos Seguir história

yura-neves1530676328 Yura SugaLip�dio

Park Jimin sempre deu uma estrela de presente para as pessoas que considerava especiais assim, quando olhasse para a estrela escolhida, ele se lembraria da pessoa presenteada. Um dia, por causa de um simples despertador estragado, todas as estrelas passaram a lhe lembrar Jeon Jungkook.


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#romance #lgbt #bts #jungkook #jimin #jikook #kookmin #YuraSugaLipidio
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Azar ou destino?

Eu estava em choque.

Não acreditava que aquilo estava acontecendo comigo.

Por que comigo?

Por que não qualquer outra pessoa?

Encarei o papel desdobrado em minhas mãos e reli aquele nome, apenas para ter certeza do meu azar.

“Jeon Jungkook”.

Suspirei pesadamente, mas mantendo a voz baixa para não chamar atenção do resto da classe, e guardei o papelzinho no bolso do casaco que vestia.

Bem… Você deve estar boiando nessa estória então, vamos para o começo de tudo.

Vamos para quando eu conheci Jeon Jungkook.

XXXXXXXX

Eu já estava na faculdade de letras haviam dois anos quando surgiu uma oportunidade única de fazer um curso sobre poesia estrangeira em Busan.

Mesmo que eu não soubesse muito de inglês, era mais do que óbvio que não deixaria a oportunidade passar. Meus autores prediletos eram estrangeiros e eu simplesmente precisava daquele curso na minha vida.

Sonho em ser poeta desde os meus dez anos e, desde então, me esforcei muito para me tornar o melhor no que fazia. Claro que ainda precisava crescer, mas eu admito que era muito bom com palavras - Falo das escritas. Quando se trata de conversar eu, normalmente, sou um desastre.

Com isso em mente, me inscrevi para a prova que poderia - Ou não. - me dar a vaga no curso e estudei feito um louco durante três longos meses.

Foram três meses sem sair com meus amigos, sem dormir até meio-dia nos fins de semana, sem seriados no netflix, sem aproveitar a vida, sem sequer visitar meus pais, apenas trancado no quarto estudando e indo para a faculdade nos dias de semana.

Pois é, foi um inferno, mas dei o meu melhor e aprendi muita coisa, fiz valer a pena.

Minha única companhia durante aqueles três meses foram as estrelas.

Parece uma besteira, mas eu costumo presentear as pessoas mais importantes e queridas da minha vida com uma estrela.

Não que eu possa pegar um foguete ou dar um super pulo para arrancar a estrela do céu e entregar para a pessoa escolhida - Até porque isso, provavelmente, não daria muito certo. - Eu apenas escolho uma estrela que considero parecida com a pessoa em questão e, desde então, toda vez que eu olho para a mesma eu pensaria naquela pessoa.

Existe presente melhor do que o tempo?

Muita gente presenteia seus amigos e familiares com coisas caras e bonitas, mas eu gostaria de ser presenteado com uma estrela algum dia. Saber que alguém usaria parte do seu tempo - Que, este sim, é impagável, precioso. - para pensar em mim toda vez que olhasse para aquela estrela, me faria a pessoa mais feliz do mundo.

Minha lista de pessoas especiais não era muito grande, mas, com toda a certeza do universo, era especial.

Meu pai - Falecido há dez anos. - era a Betelgeuse, uma estrela supergigante vermelha, uma das maiores conhecidas e fica na constelação de orion. Meu pai costumava ser um homem intenso e vivia arrumando briga com os vizinhos, mas era uma boa pessoa. Ele insistia que devia ser o exemplo para mim e, por isso, sempre me dava broncas que levavam horas, por motivos bobos - Como esquecer de lavar a louça do almoço.

Ele era um amigo incrível, mas também sabia ser um inimigo terrível.

Alguns astrônomos acreditam que a Betelgeuse pode sofrer uma explosão supernova aproximadamente nos próximos mil anos… Isso é tão meu pai.

Minha mãe é uma mulher calorosa e, por isso, a estrela dela é Sírius. Os gregos associavam essa estrela ao calor do verão e me pareceu uma boa escolha. Ela também pode ser vista de qualquer ponto da Terra e eu gostaria de me lembrar da minha mãe sempre, independente do lugar que estivesse.

Alpha Eridani - Também conhecida como Achernar. - é meu melhor amigo, Kim Taehyung. Taehyung é uma pessoa interessante e, provavelmente, é por isso que o escolhi como melhor amigo. Ele é exageradamente agitado. Sempre está correndo, falando, fazendo alguma coisa ou me enchendo o saco. Alpha Eridani é uma estrela que gira muito rápido, e por isso o seu raio do equador é, no mínimo, cinquenta por cento maior que o raio dos pólos.

Enfim, eu poderia passar o dia falando das estrelas que já dei de presente para as pessoas mais amadas da minha vida e as quais gostaria de dar para alguém, mas acho que isso não seria tão interessante.

Vamos voltar para a prova para a qual eu estudei feito um condenado.

No dia do teste eu já havia roído todas as minhas unhas e não podia estar mais nervoso, mas também não podia estar mais preparado.

Não pensei que tiraria uma nota mais alta que oito e meio ou algo assim, mas acabou que passei em primeiro lugar ao acertar noventa e seis por cento das questões.

Eu não podia estar mais esperançoso e feliz.

Se terminasse aquele curso, oportunidades incríveis apareceriam na minha vida e eu mal podia esperar.

Animado, comprei uma passagem de avião para Busan. Usei boa parte do meu dinheiro para isso. Comprei um pacote em promoção que incluia a passagem de ida, de volta e o hotel onde eu me hospedaria por dois dias, apenas para marcar presença ou algo do tipo que o curso exigia, depois me prepararia para a mudança.

Estava animado.

Estava surtando.

Mas claro que a vida nunca é como planejamos.

Meu despertador não tocou naquela manhã.

Isso poderia ter acontecido com qualquer outra pessoa. Poderia ter acontecido em qualquer outro dia.

Mas aconteceu comigo e aconteceu naquele dia.

Eu corri em disparada para o aeroporto. Estava em cima da hora.

Peguei um taxi e implorei para que o motorista acelerasse, mas o universo parecia estar contra mim porque todos os sinais ficavam vermelhos bem quando íamos passar e o trânsito também não ajudava muito.

Era uma sexta-feira e estávamos num feriado que incluiria a segunda e a terça, então muita gente estava indo para o aeroporto viajar, o que resultava em um engarrafamento dos infernos.

Assim que cheguei, paguei o taxista numa velocidade que nem eu sabia que conseguia atingir, pedi para que ele ficasse com o troco - Que nem sei quanto era, pois não prestei atenção em quanto devia para o motorista ou no valor das notas que tirei da minha carteira. - e corri em direção a sala de embarque, com uma mochila pesada pendurada nas costas.

Pelo menos não teria que despachar as malas.

Confesso que empurrei algumas pessoas e caí umas duas vezes devido ao chão molhado do aeroporto, mas o desespero não me permitiu sentir vergonha ou dor.

Quando cheguei para embarcar fui informado que o avião já estava taxiando e que eu o havia perdido por dois minutos de atraso.

Fiz de tudo para conseguir uma passagem para o próximo vôo. Foram mais de duas horas ligando para a empresa que havia me vendido o pacote de avião e hotel para tentar conseguir viajar, só não liguei para Deus porque não tinha o número, mas nada adiantou.

Eu havia perdido aquela oportunidade.

Me senti um verdadeiro perdedor.

Com isso em mente, fui até o banheiro do aeroporto e me permiti chorar como um bebê.

Não fiz um escândalo ou algo do tipo, apenas deixei a tristeza sair do meu corpo aos poucos enquanto tentava aceitar a ideia de que havia perdido aquilo que mais desejava no momento.

Liguei para Taehyung e chorei mais ainda quando falava ao telefone. Meu melhor amigo estava dormindo e foi acordado pela minha ligação. Mesmo estando morrendo de sono ele insistiu em ir me buscar no aeroporto, mas eu o pedi algum tempo sozinho, precisava de um tempo para refletir.

Ele não me questionou. Disse que me daria quanto tempo eu precisasse e eu o avisei que, quando estivesse melhor, o ligaria para ir me buscar e então iria para sua casa passar o feriado todo comendo sorvete e assistindo alguma besteira qualquer no netflix em baixo das cobertas, apenas aproveitando a minha depressão.

Sai do banheiro e encarei meu reflexo no enorme espelho.

Eu estava horrível.

Cabelos loiros bagunçados, rosto inchado e vermelho, lápis de olho marrom derretido pelas lágrimas e lábios machucados por meus próprios dentes.

Funguei uma última vez antes de começar a me ajeitar para sair daquele lugar. Talvez comer alguma coisa me ajudasse a melhorar - Já que eu havia saído de casa sem me alimentar.

Penteei os cabelos, com meus dedos pequenos, para longe do rosto, usei a água gelada da torneira para acalmar minha pele e retirar a pouca maquiagem destruída e assoei o nariz algumas vezes. Quando me vi com uma aparência um pouco melhor, me retirei do banheiro.

Caminhei de cabeça baixa, claramente abatido, com a mochila em minhas costas.

Aquele peso todo me parecia tão inútil agora…

Qualquer um que me visse naquele momento saberia que eu estava completamente destruído por dentro.

Eu não conseguia parar de pensar no quanto era azarado. Me esforcei durante três meses inteiros para que aquilo desse certo, tirei uma ótima nota no teste e agora, por causa de um maldito despertador, eu tinha perdido aquela oportunidade tão importante.

Era o cúmulo mesmo.

Eu fitava meus pés, desinteressado, enquanto fazia meu caminho até a cafeteria mais próxima. Comida de aeroporto era cara e eu só estava rezando para que tivesse dinheiro dentro da carteira - Já que, para piorar essa desgraça toda, eu havia deixado o cartão em casa quando saí as pressas.

Sou um desastre mesmo…

Me sentei em uma cadeira de madeira, na frente de uma mesa redonda, quando cheguei na cafeteria e peguei o cardápio posto em cima da superfície.

Estava realmente com muita fome e só havia percebido isso depois que todo aquele nervosismo passou e se transformou em tristeza.

Suspirei ao tirar minha carteira do bolso e perceber que só tinha uma nota de dez o que, num aeroporto, não é muita coisa.

Passei meus olhos pelo cardápio e vi que não haviam muitas opções.

Suspirei novamente e levantei minha mão direita para chamar a atenção da atendente.

A moça veio até mim com uma expressão alegre em seu rosto e eu realmente não estava com ânimo para retribuir aquele belo sorriso.

-O que deseja, senhor? - Perguntou ela, se preparando para anotar meu pedido num bloquinho que tinha em mãos.

-Um muffin de chocolate e um café pequeno. - Pedi.

A garota anotou tudo em seu bloquinho e confirmou com a cabeça antes de se retirar, indo em direção ao interior da cafeteria.

Meu dia estava realmente uma merda.

Pus-me a analisar o cardápio novamente quando percebi que meu celular estava com pouca bateria e que eu teria que desligá-lo para poder ligar para Taehyung mais tarde.

Meu melhor amigo estava sendo um anjo naquele momento. Se tivesse que voltar para casa de táxi eu entraria em depressão. Ninguém merece ter que pegar um táxi depois de passar por toda essa frustração, sem falar que não tinha dinheiro para a corrida.

Estava distraído vendo os sabores de suco e salivando quando senti uma pressão em meu ombro.

Alguém havia me cutucado.

Eu não estava com o menor ânimo para conversar, só queria ficar sozinho e foi por isso que ignorei. Aquele toque foi tão suave que eu tive esperança de que não fosse nada importante. Talvez fosse apenas coisa da minha cabeça… Mas não era e eu soube disso quando senti o mesmo toque no meu ombro pela segunda vez.

-Am… Com licença… - Uma voz masculina disse, logo atrás de mim.

Fechei os olhos por alguns segundos, para tentar manter a calma.

Será que uma homem deprimido não tem o direito de ficar quieto, na dele?

Me virei e encontrei meu olhar com o do rapaz atrás de mim.

Era um homem alto, cabelos escuros que lhe caíam sobre a testa, idade próxima a minha, nariz reto, lábios finos e rosados e queixo levemente quadrado com a mandíbula bem definida.

Era bonito… Muito bonito.

-Am… Oi. - Péssimo jeito de se começar uma conversa, mas era tudo o que eu conseguia fazer. Não sou muito sociável. Não que seja completamente excluído, eu tenho os meus amigos e até saio de casa vez ou outra - Por que Taehyung insiste. - mas não conheço pessoas novas sempre e, por isso, esse tipo de coisa é um pouco complicada para mim.

O moreno sorriu largo e aquilo foi encantador. Seus dentes o faziam parecer um coelhinho e aquilo era, no mínimo, muito fofo. Era um sorriso diferente. Sempre gostei mais das belezas diferentes do que das comuns. Qual é a graça de algo que todos têm? Um sorriso de coelhinho era, com certeza, algo bem diferente. Eu até diria que nunca havia visto um sorriso assim.

Encantador.

-Oi. - Disse o garoto, ainda sorrindo. - É que todas as mesas estão ocupadas, posso me sentar com você? - Perguntou.

-Oh, claro.

-Obrigado. - Agradeceu, sorrindo ainda mais largo. Ele parecia ser muito mais extrovertido do que eu, era meu completo oposto.

O moreno sentou-se na cadeira posicionada à minha frente e pegou o segundo cardápio que havia ali, em cima da mesa, logo após colocar sua mochila no colo.

O silêncio tomou conta do ambiente.

Por algum motivo, de repente, tudo a nossa volta ficou em total silêncio e aquilo era meio desconfortável para mim.

Levemente constrangido, peguei meu celular e pensei em ver algum vídeo no Youtube ou ouvir alguma música do BigBang, como eu quase sempre fazia nos momentos de tédio, mas me lembrei que a bateria estava acabando e eu teria que economizar para poder ligar para Taehyung mais tarde.

Não queria ir para a casa do meu melhor amigo agora. Não queria acabar chorando, feito uma criança, na frente dele. Ele já estava fazendo de mais indo me buscar.

Suspirei baixinho quando desliguei novamente o aparelho em minhas mãos e o guardei na mochila pesada que havia deixado ao lado da minha cadeira.

Tédio total.

Bem, eu era um aspirante a poeta, óbvio que coisas bonitas chamam a minha atenção e daquela vez não foi diferente.

Pus-me a analisar os traços do garoto à minha frente, que ainda lia o cardápio, com atenção. Não fiz por querer, foi instinto. É assim que eu funciono: Vejo uma coisa bonita e quero ficar olhando até memorizá-la para sempre.

Prestei atenção em cada fio de cabelo negro que cobria sua testa, como uma pequena cachoeira escura, nas suas sobrancelhas escuras, nos olhos profundos como a noite, no nariz reto, na boca rosada e fina, na pele uniforme, no queixo quadrado e na mandíbula definida. Era mesmo um homem muito bonito.

-Am… Está tudo bem? - Ele me perguntou.

-Sim. - Respondi franzindo as sobrancelhas, estranhando a pergunta repentina. - Estou bem sim. Por que?

-É que você estava olhando para mim…

Merda.

Eu odeio esse meu instinto de poeta.

Corei fortemente, sentindo minha face esquentar, e desviei o olhar.

Por que eu nunca consigo ser discreto?

-N-Não. - Falei rápido, olhando para minhas mãos pequenas, postas em cima da mesa. - Eu estava olhando um ponto atrás de você. - Menti.

-Ah, tá. - Disse ele. - Me desculpe então.

-T-Tudo bem.

O moreno tornou a olhar para o cardápio e eu levei meus olhos castanhos para os próprios pés, ainda sentindo o rosto quente. De repente, meus sapatos pareciam tão interessantes...

-Será que o suco de maracujá é bom? - A pergunta saiu baixinha por entre seus lábios e eu não sabia se ela havia sido feita para mim, mas achei melhor não ignorar.

-Não sei. - Respondi.

-Eu odeio quando é muito azedo… - Disse ele, sem tirar os olhos do cardápio.

-Senhor. - Quem me chamou foi a garçonete, a mesma que havia anotado meus pedidos anteriormente. Ela sorria largo, a postura perfeita, como uma modelo, e, em mãos, uma bandeja com um Muffin e uma xícara pequena preenchida com café. - Seu pedido. - Disse ela.

-Obrigado. - Agradeci e a depositar a bandeja na minha frente.

O cheiro de chocolate do Muffin e do café adentrou minhas narinas e eu me senti salivar.

Estava realmente com muita fome.

-Vou querer um suco de maracujá. - Disse o moreno e a garçonete logo anotou seu pedido.

-Sim, senhor. - Disse ela. - Está anotado. - E saiu em direção a cafeteria.

Mordi o primeiro pedaço do Muffin e senti o gosto do chocolate tomar conta da minha língua. Aquilo estava maravilhoso…

Bem, com aquele preço devia até ter ouro dentro!

-Ela gostou de você. - Levantei o olhar para encarar o garoto à minha frente.

-Quem? - Perguntei.

-A moça. - Disse ele. - A garçonete.

Meu rosto esquentou e eu sorri sem graça, desviando o olhar.

Aquilo não era verdade… Era?

-Aish..  Claro que não. - Ele sorriu e eu tive que levantar os olhos para ver aqueles dentinhos adoráveis.

Parecia que quanto mais eu o olhava mais lindo e peculiar ele ficava.

-Gostou sim. Quem trabalha sorrindo daquele jeito às seis da manhã? - Ri baixinho. De fato, era muita boa vontade.

-Acho que eu não reparei nisso. - Falei, ainda sorrindo sem graça.

-Ela é bonita. - Disse ele, olhando para a moça disfarçadamente.

A mulher havia saído de dentro da cafeteria e agora atendia um casal um tanto distante de nós.

Ela era alta e usava um salto preto muito elegante, o uniforme lhe caia bem, o rosto era delicado e os ossos da bochecha eram bem definidos, os olhos escuros e brilhantes e o cabelo se encontrava preso num rabo de cavalo.

-É bonita sim. - Concordei ao analisar melhor a aparência da mulher. - Mas acho que não faz meu tipo. - Completei, desviando o olhar da menina.

-”Seu tipo”? - Ele perguntou, com deboche, arqueando uma das sobrancelhas escuras. - E qual é o seu tipo? Garotas feias? - E soou cheio de humor.

Dei de ombros.

-Acho que não sei. - confessei. Eu nunca havia me dado muito bem com garotas. Como eu disse anteriormente: Não sou muito sociável. Meu primeiro beijo aconteceu quando eu tinha meus quinze anos e foi com uma menina num jogo de verdade ou desafio. A garota beijava mal, babava de mais fora da minha boca, batia nossos dentes de maneira desagradável, tinha gosto de bebida alcoólica e seu aparelho ficava raspando contra a minha língua. Foi estranho. Claro que tiveram outros beijos depois deste - Ainda bem, caso contrário eu ficaria traumatizado. - mas, normalmente, eles aconteciam porque Taehyung me apresentava alguma amiga sua numa festa. Nada de mais. Eu nunca guardava o contato da menina, mesmo que esta insistisse, pois nunca sentia um interesse em sair com a mesma novamente.

Talvez fosse por isso que eu estivesse solteiro, mas eu preferia assim.

-Você vai pegar um voô? - O moreno perguntou, mudando de assunto.

Entristeci meu olhar na mesma hora. Não queria me lembrar daquilo.

-Não… Eu perdi meu vôo.

-Oh… Sinto muito. - Disse ele. - Você parece mal. Ia para muito longe?

-Não. Só que era muito importante mesmo.

-Importante como?

E foi aí que nossa conversa se tornou realmente interessante.

Eu lhe contei toda a história do meu vôo perdido e do meu azar, desde o começo de tudo aquilo. Falei sobre os três meses trancado no quarto, estudando, falei sobre Taehyung insistindo em me levar à mil e uma baladas e eu negando todas as vezes, falei sobre o apoio que os professores da faculdade me deram e sobre o despertador maldito que não havia tocado naquela manhã.

Confesso que quase chorei ao me lembrar de tudo aquilo. Era horrível pensar no quanto me esforcei e que havia perdido o vôo por apenas dois minutos de atraso, mas as reações de Jungkook faziam eu me sentir um pouco melhor.

Ele tinha um rosto interessante e eu senti vontade de conhecer todas as suas expressões.

Ele ria quando eu falava das tentativas do meu melhor amigo de me tirar de casa e confirmava com a cabeça quando falava sobre meus estudos, eram reações interessantes.

No meio da nossa conversa - Meu desabafo. - a garçonete chegou com o suco de maracujá e ele fez uma careta ao provar o primeiro gole.

Deve ter sido a careta mais bonita que eu já vi em toda a minha vida.

Será que ele sabia que ficava lindo fazendo careta?

O moreno me arrancou algumas risadas quando chamou a garçonete e exigiu mais açúcar na bebida amarelada. Ele parecia realmente frustrado com aquele pequeno detalhe. Foi interessante e engraçado.

No fim da história seus olhos entristecem. Ele pareceu ficar tão triste quanto eu quando recebi a notícia de que o avião já estava taxiando.

-Que pena… - Disse ele. - Mas você não devia ficar triste por algo que já passou. Talvez não fosse para ser assim.

Suspirei baixinho e abaixei o olhar, fitando meus pés debaixo da mesa. Estava desanimado e triste.

Ele estava certo, eu não devia me sentir assim, mas não conseguia evitar. Me esforcei tanto para nada e agora me sentia vazio.

-Eu sei. - Afirmei. - Só me sinto muito triste mesmo… Não consigo controlar.

Ele levou uma das mãos até o queixo, pensativo, e eu me pus a analisar aquela expressão que eu acabara de conhecer.

Também era bonita, assim como todas as outras

-Vamos até o parque. - Disse ele, e não foi uma pergunta.

-O que? - Perguntei.

-Tem um parque perto daqui. - Falou animadamente, já se preparando para sair da mesa. - Podemos ir até lá e dar uma volta.

-O-O que? - Eu estava em choque. É muito estranho você encontrar alguém que não conhece e, do nada, a pessoa querer sair com você, isso tudo às seis da manhã! - V-Você não tem um vôo para pegar? - Perguntei.

-Eu acabei de desembarcar. Vou estudar aqui em Seul. - Disse alegre. - Oh, meu nome é Jeon Jungkook, e o seu?

-Sou Park Jimin.

XXXXXXXX

Aquele dia foi tão maravilhoso que eu tive que ligar para Taehyung avisando-o que não precisaria da sua carona, pois havia encontrado alguém que estava me distraindo. Claro que meu melhor amigo ficou enciumado e exigiu saber tudo sobre o rapaz, o que me fez rir.

Rir.

Se me perguntassem naquela manhã se eu riria naquele dia eu acharia a possibilidade ridícula, mas Jungkook me fez rir como nunca. Ele era engraçado e tínhamos muitas coisas em comum e, o que não tínhamos, dávamos um jeito de conversar sobre mesmo assim.

Ele me contou praticamente sua história de vida e eu fiz o mesmo. Não ficamos desconfortáveis perto um do outro nem nada parecido com isso, muito pelo contrário, estar com ele era mais confortável do que estar apenas com o meu reflexo ou a minha sombra. Ele me fazia feliz.

Trocamos telefones e prometemos de nos falar.

Saimos mais algumas vezes naquele feriado e foi maravilhoso. O assunto nunca acabava quando estávamos juntos e ele me parecia cada vez mais interessante - Por dentro e por fora.

Eu sempre queria ver mais de suas expressões bonitas e conhecer mais sobre suas preferências e ele parecia ter o mesmo interesse em mim, o que era bem agradável.

Foi uma total surpresa quando descobri que ele estava na mesma faculdade que eu e que fazíamos o mesmo curso - Porém, em turmas diferentes. Ele era dois anos mais novo.

Passamos a nos ver durante os intervalos e passamos horas conversando. Às vezes matamos uma ou duas aulas apenas para conversar, mas é claro que usávamos a desculpa de que eu o estava ajudando com a matéria - O que quase nunca era verdade.

Passaram-se dois messes e aquilo foi tempo o bastante para eu estar perdidamente apaixonado.

Taehyung teve que me aguentar falando de Jeon Jungkook todos os sábados, quando saiamos juntos para aproveitar a companhia um do outro, e eu não tenho ideia de como ele conseguiu, durante todo esse tempo, não chutar a minha cara para me fazer calar a boca.

Claro que dois meses era muito pouco tempo, então, mesmo que eu tivesse certeza dos meus sentimentos, resolvi deixar que mais tempo se passasse para que tudo se tornasse mais organizado e menos intenso dentro da minha cabeça.

Quase um ano se passou e nada havia mudado.

Eu ficava cada vez mais apaixonado por Jeon Jungkook.

Agora eu já conhecia todas as suas expressões.

O vi sorrir quando contava uma piada boba ou alguma história engraçada que passei junto de Taehyung - Eram várias. - O vi brabo quando brigamos por alguma coisa ridicula que eu nem me lembro mais. O vi chorar quando eu pedi desculpas e praticamente implorei para que ele me perdoasse - E isso foi apenas um dia depois da briga acontecer. - O vi surtar de alegria quando foi ao show da sua banda favorita.

E tudo foi perfeito.

Ele era sempre lindo e, aos meus olhos, ficavam cada vez mais belo.

Também dei a ele uma estrela, como fiz com todos aqueles que me importavam.

Sua estrela era o sol.

Belo, grande, intenso, único, importante e chamativo. Me pareceu a escolha perfeita.

O único problema era que, durante as noites, quando eu olhava para o céu, o sol não estava lá e aquilo me incomodava. O que me confortava era saber que, o Sol poderia não estar visível, mas estava brilhando em algum lugar e isso era tão Jeon Jungkook.

Não demorou para que todas estrelas me lembrassem ele.

Eu deveria lembrar da minha mãe, do meu pai, de Taehyung e enfim, mas todas as estrelas me lembravam Jeon Jungkook e foi nesse momento que eu soube que estava perdido.

E não queria me encontrar.

XXXXXXXX

Foi num dia qualquer que os professores da faculdade nos disseram que faríamos um trabalho com outra turma.

Pegaríamos o nome de uma pessoa - Seria um sorteio. - e teríamos que escrever uma carta para a mesma, mesmo que não a conhecêssemos.

O objetivo da brincadeira era ver a beleza em alguém completamente novo, enxergar algo de especial numa pessoa que você sequer conhece. Apenas um artista de verdade consegue fazer isso e eu estava ansioso para mostrar minhas habilidades com as palavras.

Fiquei ainda mais animado quando vi que a turma escolhida para fazer a brincadeira com a nossa fora a turma de Jeon Jungkook e minha animação se esvaiu quando fui pegar o papelzinho do sorteio e o nome que encontrei escrito ali era: Jeon Jungkook.

7 de Julho de 2018 às 23:06 0 Denunciar Insira 1
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