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Essa gente

Se me salta pra cá, prometo, mato. Essa gente - é de matar, comer até os ossos em dentro, por dentro fora e espichado fundo todo. Auto, olho nos dentes do pisca-as-voltas, esses cílios sem final adequado, sem profundidade, mas aí tem, eles êm tudo, êns, meu senhor. Coisa toda doida, doida, doida. Pois saltas por aí e aqui, e vejo: esse medo? Vejo olhos dentuços de tão medrinhosos, acabados, assumido ergo, mato o senhor também, traçadalho: junto deles és?: Não quero a tua dita feita afastada, mentes, tanto! Sinto que é, é nada. Não, sim, não? Não, sim, sim? Que é! É azul de ar quente das ventas, fugis, esses quentes de ti, tudo. Fugi, ora, dá-nos a cacetada a fora da cuca, sái, sálta fora, esbarra de olhar-me, já esbarra, tira essa gente já - é de matar, tudo, eles, tudo; é de matar profundo, matar feito, deixo que fiques, por razão motivada, vejo que os teus bolsos não largam nada no chão, nem nada trazes consigo, nem alma, ora! Ora, ora, ora, ora, curvadismo, o odor que cai, essas paredes, senhor, prega nelas. Não o deixo, saber não podes, vês: vês: não posso contar... A parede para se eu contar-te, eu contar vou tudo mesmo, mesmo, que as paredes param, não quero esse medo que metem em mim, não tenho medo, recuso delas - gritam! Não só gritam, não quero que parem paradonas assim, de som só, sós também não esbarram de descascar, escamar, verterem-se-me nos olhos, na dor, no peito, no som, na nuca. Nunca! Sái já, já, só o senhor aqui vê, fica quieto, ele fica. Não, tenho pelo de garradar nos copos de remédio, não, não é? Chamam de dedo tudo o que toca sem corpo o copo, sem desejo o copo. Não há senão coração - é dedo, dedo, curva e fragmento, dedo dói ferimento. Pode, pode isso, o senhor deixa? Que quero é abocanhar, qual desdentado, à vez sou, lembro de ter sido, foi hoje, dormia-me, e não-dente, esses dedos, arranco com um só olhado de lamina branca abarcativa, nem creio, mas vou. Posso te ver aí, sái, sái, ora'í, dacór, 'r, 'r. Faze esse desdente parar, seu doutor, meu doutor, nosso deus morreu ontem, ou fez sentido só pra eles, que falam. Tacada neles, senhor, óra, aqui mesmo é aqui mesmo, sem tudo, cai pra lá. Estou, pode dar tudo. Peso na cuca, pesa, pesa tudo, não deixa eles, essa gente... Eticetarariamente, mente, mente. Promessaram-me uma nova. Que fogo é esse, seu, seu fogo durante todo o braço; acabou, não olha, não, que acabou, vais ver e é de ficar como me dizem. Que é!, eu sou dito de doido - antes de chamarem, não era não, ora, que sei, podia até tomar café nas ruas todas, andarilho afastado, mas louco, nunca, inteligente na nuca, ponta de agulha pro pensar abastadalhado, sal na faca e tudo pr'essas coisas. Sabes, sabes, criacionaram regra, ditamento, tudo, creio ser isso de ser que é, de me chamarem; chamar acaba com tudo, público pra chamado acaba com tudo, abocanha igual todo o vazio e todo o cheio de coisamento. Vê ali, o ele querendo partir pra dentro de esse aqui. Sei que é o lugar, é aí, aó mesmo que ele quer, não deixa não, sim, não, acaba com isso, que quero um cafezonho, aquilo do bom preto grão, que sei, que séi! E sabes, que queimaram o grão pra preto se ele mesmo entornar, pra deliciariar todo o todo da gente que vê, da gente que queima! Óra, sei. Ah, essa coisa da parede me não pode assustar mais que isso, não é, só susto, creio apagados, esses fogos apagados, para a parede de assustar tudo o que há andando dentro do meu estirado sistemático interno de fazer movimentos desentendidos, saltos. Será o chão pulando, se não, dedos, ferimentos, já desentendo tudo, disseram apenas, vim pra cá, só não traz aquela gente junto, doutor, que me acabo, me acabanto neles de bater forte em tudo, aos dedos, vão parar de ver, não dá, não vai dar nadinha disso, acho, fogem antes, mas me pega, o senhor me pega antes que não posso, dá-me chutão daqueles apontados na traseira, que acalmam com um gelado corrido, remediar, paliar, palir, pá, pá, pá! De graça nem fico, caio, já, naquele instante. Acho que sim, nem lembro; alias, e o céu? Não sabes, que é, não sabes, não, não, não esse, das cristandantes, o azulão, ora! Ora, também não sabes, como é, como é, por saberes que vim para cá, e não o sabes, o do céu, quero mais saber se quiseres contar, mas não tens nada. Nada! Calma aqueles ali, diz forte, não precisam vir - olha, o doutor apenas fica aqui, gosta ele de ouvir tudo, tenho o tudo. Essa gente, nem quero mais, me tensiono, caio, quebro tudo; o senhor, só, não aguenta, sei, sái sái, não te quero pra cá, parede que cai, que é! Solta! Não era...

2 de Julho de 2018 às 15:16 2 Denunciar Insira 2
Fim

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uanine oliveira uanine oliveira
Adorei a profundida da escrita, cativou uma sensação de adrenalina no peito em cada vírgula <3
12 de Julho de 2018 às 07:10
LS Liri Silva
Nossa.
3 de Julho de 2018 às 13:20
~