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dakho 𝒅𝒂𝒌𝒉𝒐 🏳️‍🌈

Luhan estava com o bolso apertado e não achou tão ruim assim ser papai Noel de shopping, ainda mais quando um garotinho engraçado pediu um namorado pro pai bonitão dele como presente de Natal. lubaek/baekhan | baek!papai | otp é otp comemorativo


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

#natal #exo #baekhyun #luhan #lubaek #baekhan #ano-novo
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As vantagens de ser um Papai Noel.

Baekhyun já havia conversado com Kyungsoo a respeito dos esforcinhos que ele tinha que fazer pra vida correr bem, só não achou que, depois da branquinha de pai coruja, o filho faria esforcinhos demais. Oras, ele começou a fazer a tarefa de casa da pré-escola, até recebeu um parabéns da professora por fazer o "B" mais perfeito da turma, e também parou de deixar suas roupinhas sujas pelo apartamento ao chegar em casa só porque queria logo vestir a fantasia do Batman que ganhou de dia das crianças, mas uma exceção quase fez Baekhyun surtar de dentro pra fora.
Era sexta, início de dezembro, e Kyungsoo só sabia reclamar daquele tanto de roupas que tinha que usar só porque o papa Byun brincara com ele antes de saírem de casa, dizendo que ele mais parecia era com o boneco da Michelin, aquela marca de pneus de carros, só faltavam os pneuzinhos na barriga mesmo. E, af — Soo aprendera aquela palavra na escolinha com uma menininha ocidental que se mudou com pais para a Coreia naquele ano, ele até que gostava de ter uma barriguinha gordinha e fofinha! Aquilo queria dizer que ele era magrelão? Ele não queria! Queria comer Mc Donald's até ficar cheinho como o menininho Minseok do ano seguinte da escola, que sempre o convidava para jogar bola quando podia, dizendo que eles dois poderiam ser uma dupla de atacante e arti... arti... arti o quê mesmo? Poxa vida, o Soo só tinha quatro aninhos, não sabia de muitas coisas, muito menos das palavrinhas difíceis que o Kim citava quando estavam jogando bola.
Mas Kyungsoo estava vestido daquele jeito por um bom motivo, ah se era! Na primeira sexta de tooooodo dezembro, no shopping center perto da casona dele no alto do prédio de um bairro que o papai Baek assegurava ser bem monitorado e seguro, o papai Noel chegava. O menino já tinha percebido, mas era segredo: todo ano, era um papai Noel diferente lá no shopping! Quando perguntou pro appa Baek sobre aquilo, deixou-o orgulhoso de verdade. Queria dizer que o filho era observador! Seria um garoto brilhante e inteligente no futuro! Mas a desculpa que o jovem pai arrumou foi a mais esfarrapada possível, até porque não podia deixar o filho esperando por uma explicação feito maçã que espera meses até crescer, apodrecer, cair do pé e virar adubo.

— É que os papais-Noéis trabalham muito todo ano recolhendo desejos das crianças boas do muuuundo todo, então eles tiram uma folga até voltar a trabalhar de novo, entende? Tipo quando você fica de férias da escola, mas as férias dos papais-Noéis são maiores porque eles trabalham muuuuito muito.

Kyungsoo já estava até imaginando como seria a cara do papai-Noel daquele ano. Será que ganharia presente? Ele só começou a fazer tarefa de casa depois do segundo trimestre de aulas, mas foi porque achava que o papai Baek não ligava, poxa! Quando ele chamou-lhe a atenção sobre as notas abaixo de C na escolinha, o Soo melhorou! Até deixou de sujar a sua fantasia do Batman tooooda semana, porque o appa Baek tinha dito que custava dinheiro mandar ela pra lavanderia, e ele não queria que seu pai gastasse dinheiro toda semana só pra limpar a roupinha que ele nem precisava realmente usar.
Mas Kyungsoo nem sabia o que pediria de presente, mesmo. Sabia que tinha melhorado bastante depois dos feriadinhos da metade do ano, então ganharia o presentinho, mas tinha que pensar em alguma coisa ainda, e só faltavam alguns quarteirões até o estacionamento-caverna do shopping! Ainda bem que o papai Baek estava dirigindo devagarzinho por causa do gelo na rua, mas mesmo assim ainda não tinha tempo suficiente.
E, enquanto o homem dirigia, o filho prestou um pouco mais de atenção nele, primeiro com a intenção de ver como é que se girava o volante nas mãos, porque já fazia um boooom tempo que o Soo estava de olho naquela buzinona alta... mas, depois, percebeu o quão mais caídos os olhos do papai estavam comparados a mesma época do ano anterior. Poxa, ele parecia tristinho mesmo, e Kyungsoo não gostava nada disso. Quer dizer, já houveram os momentos de sua vida nos quais ficou tristinho e cabisbaixo, mas o Baek sempre o animava com aquelas palavras esquisitas, o sorrisão quadrado que fez a coleguinha ocidental do Soo comentar com ele que achava uma "gracinha", e presentinhos. Espera. O papai Baek lhe dava presentinhos quando estava triste. Nossa! Ah, o Soo nunca teve uma ideia melhor do que aquela! Até imaginou uma luzinha explodindo logo acima de sua cabeça como nos desenhos animados que assistia quando pensou que, já que não tinha ideia de qual presentinho pediria pro papai-Noel, e o papai Baek precisasse de coisas pra ficar feliz de novo, não custava nada fazer um esforcinho a mais e pedir um presentinho pra ele, não é?
Não custava mesmo, com certeza custava menos do que custou para o próprio Baekhyun admitir pra si mesmo que estava mal pra caramba por causa de mulher. Porra, mano, até o Junmyeon concordou que Taeyeon foi cuzona ao largar do Byun só porque ele terminou o estágio final da faculdade e agora não trabalharia mais no prédio de marketing do campus, então não se veriam mais com tanta frequência. Porra, mano, ele queria apresentá-la pro filho. Queria que Kyungsoo conhecesse aquela gracinha de moça; como ele costumava chamar a coleguinha ocidental. Estava triste de verdade, e pensando em visitar um psicólogo pra fazer aquela obsessão por um futuro perfeito ao lado da mulher por quem estava apaixonado. Quer dizer, ao lado da expectativa que criou da mulher, porque uma pessoa que larga do namorado de quase dois anos depois de recusar todos os pedidos dele pra ela conhecer seu filho e do coitado terminar finalmente uma das fases mais importantes da vida com certeza não é desejável. Não mesmo. É lógico que Baekhyun estava contente. Ele saía do trabalho ótimo que conseguiu de mãos beijadas, buscava o filho na escolinha cara e ele tinha condições de pagar com tranquilidade e jantava todos os dias conversando com ele e descobrindo o quão gênio uma criança de quatro anos podia ser ao deduzir tantas coisinhas sobre as menininhas do jardim de infância. Era uma vida dos sonhos! Mas não pra um cara de vinte e cinco anos. Qual é?! Mesmo que o Byun estivesse grato por já chegar no trabalho sendo recepcionado por uma equipe boa e vários "bom dia, chefe!", por ter um garoto saudável e inteligente que, quando queria, tirava notas muito boas no pré, por ganhar um saláriozão da porra e ter um apartamentozinho top em um bairro seguro, achou que conquistaria aquilo com uns, não sei, trinta anos? Ainda faltavam cinco! Ele avançou cinco anos na estrada do sucesso e não tem mais objetivos, fora ter alguém pra dar uns beijos, e aquilo o frustrava demais! Talvez não estivesse triste só por causa do fora que levou da Taeyeon quase um ano atrás, e sim porque se sentia fútil! Caramba, ele era o editor chefe de política de um dos jornais mais famosos de toda a Seul, por que era tão encalhado?! Até saía com os amigos, mas era tão fodidamente sem jeito pra começar algo. Pra começar, é claro, porque, quando criava certo nível de intimidade com alguém, era perfeito. Sohye que o diga. Ela era a mãe de Kyungsoo, e foi muito competente aos, dezessete anos, dizer que não queria ficar com Baekhyun, não, viu meninas, porque tinha medo do que um relacionamento com um homem mais velho poderia desencadear. Eles nem se gostavam de verdade, ela só era a melhor amiga de uma garota popular do penúltimo ano do ensino médio que foi arrastada pra uma festa da universalidade de Baekhyun e, boom, saiu o Kyungsoo nove meses depois. Eles resolveram tudo certinho, nos papéis e tudo o mais, tinham certo respeito um pelo outro. Sohye respeitava Baekhyun por ser tão compreensivo e concordar com aquela loucura toda, e Baekhyun, bem, ele achava a garota uma baita guerreira, carregando um bebê aos dezessete anos e tendo coragem o suficiente pra procurá-lo sem a intenção de mandar prendê-lo ou coisa assim. Ele tinha condições, ela ainda nem tinha terminado a escola, era uma escolha cega para os dois. Só existia aquela opção, e o Byun aceitou sem pensar duas vezes. Era a sua criança, caralho, o culpado foi ele por ter perdido a cabeça e gozado dentro dela, a menina não tinha culpa de nada. Bem, talvez tivesse por sugerir que eles fizessem sem camisinha só porque era mais gostoso e nenhum deles tinha DST, mas Baekhyun ficou com Kyungsoo mesmo assim. Ele recebia pensão, uma fixa, pra não ficar um absurdo pros pais da Sohye, mas ajudava pra caramba! E ela nunca demonstrou interesse algum em ver o Soo, só ligava de meses em meses pra perguntar se estava tudo bem e se ele estava saudável, ainda batia um papo com o Baekhyun. Na última vez que conversaram, ela pediu umas dicas sobre a universidade de Seul, porque tinha dito que passou no curso de Cinema lá, no top 10 do vestibular! Ele ficou todo orgulhoso e falou que tudo lá era muito de boa e tranquilo, mas que era pra ela transar de camisinha. Ela riu, assim como o Kyungsoo fez subitamente no carro, assustando o papai Byun, que diminuiu a velocidade pra entrar no estacionamento do shopping e apertar aquele botão pra pegar o cartão.

— Aqui parece uma bat-caverna, papai!

E parecia mesmo! Com aquela fofura toda, Baekhyun resolveu parar de divagar e prestar atenção na felicidade do filho que, automaticamente, era também a sua própria, então disfarçou um pouco da sua tristeza-frustração com toda aquela aura infantil que estava extremamente animada só pra ver um papai-noel novo, que deixaria com o pai o dever de comprar o presente, comer os biscoitos e beber o leite que as crianças deixam em cima da mesa antes de dormirem na véspera do Natal, só pra falar que o bom velhinho passou por lá sim senhor, e que as crianças que diziam que ele não existia estavam erradas. Não que o Byun achasse muito saudável enganar o Soo — lembrava muito bem de como se sentiu quando descobriu que papai Noel não existia, que nada era real, eram só a mamãe e o papai Byun comprando presentinhos e o fazendo escrever folhas e mais folhas de cartas bonitas do pra pedir pro tal velhinho (que nem real era) o que queria de Natal — mas ele criou sua própria versão do papai Noel, e Baekhyun apostava tudo o que tinha que, quando a hora chegasse e o menino descobrisse a verdade, ele encontraria uma razão filosófica inteligente pra tudo aquilo, assim como quando ficou com medo do Homem-do-Saco e o papai teve que contar que o bichão não existia não, que era só pra por medo. Um menino de três aninhos virou pro pai e disse que valeu a pena sentir medo, porque aprendeu que não era permitido sair na rua sozinho. Baekhyun se impressionou pra caramba.
Assim que o pai achou um lugar pra estacionar, Kyungsoo apertou o botão que destravava seu cinto de segurança da cadeira especial para crianças no banco de trás e pulou do carro. Baekhyun quase morreu de susto, Jesus Cristo! Achou que o filho tinha caído e a porta abriu, fazendo-o cair no chão, mas, ora bolas, que imaginação fértil é essa na qual uma criança de cinco anos com menos de trinta quilos ter força o suficiente pra cair na porta e fazer a trava arrebentar?! Se perguntarem, o Byun nunca imaginou coisas impossíveis e malucas em momentos impróprios por causa dessa criatividade fértil não favorável, não mesmo, em. Shhhh!

Dias antes, no outro lado do rio Han, Luhan comemorava seu aniversário de vinte e três anos num bar de estrangeiros qualquer, sentado no balcão e bebendo uma cerveja artesanal forte demais. Preferia um simples soju que vendia nas lojas de conveniência das esquinas, sério, que porra de cerveja era aquela?
Em primeiro lugar, não era nem pra ele estar gastando dinheiro, porque o estágio de um período que conseguiu em uma loja de roupas de departamento não pagava o suficiente nem pra ele comprar umas besteirinhas no final do mês, depois de pagar as contas básicas e colocar comida na mesa pequena do apartamento espremido em que vivia.
Ele não tinha se formado em moda pra aquilo, claro que não! Achou que, por ser um bom aluno na faculdade, já sairia graduado e com um emprego legal como stylish ou até figurinista de programa de televisão não tão conhecida, mas que pagasse mais do que aquela miséria que ele recebia na realidade. Ah, cara, até uns trabalhos como modelo ele aceitaria, se possível; faria de tudo pra não ter que voltar pra China, onde os pais (e ele) nasceram e moravam. Gostava de Seul pra caramba, tinha orgulho de dizer que tinha nacionalidade coreana e sabia falar hangul sem nem demonstrar sotaque! Mas nada disso adiantaria se ele continuasse sendo atendente da Levi's durante a manhã e fazendo uns bicos aleatórios pela capital de tarde. Queria um futuro. Um futuro decente! Não tinha nada contra atendentes de lojas daquele jeito, mas não era o tipo de vida que queria pra si. Queria ser grande! Morar do outro lado do rio Han! Viajar duas vezes por ano pro ocidente e acabar o cursinho de inglês, para o qual nunca teve coragem de retornar quando acabou o ensino médio e teve que parar de estudar a língua pra pagar a faculdade.
E, olha, do jeito que ele estava, precisava economizar pra continuar tirando cópias do próprio currículo, e não gastar as economias restantes em cerveja e batata frita com Yifan e Yixing.
Eles eram amigos bons, que conheceu logo que se mudou pra Coreia, porque entrou em um clube de estrangeiros buscando por chineses assim como garimpeiros buscam por ouro. Estava perdidinho da Silva — nem sabia pra onde olhar! Era como um menino da adendo visitando uma cidade grande pela primeira vez, mesmo que morasse em Beijing antes de ir pra Seul. Não que se comparasse! Seul nunca dormia; era funcional, fantástica! Era bonita, sem poluição e sem internet com restrições, como o governo chinês impunha em seus cidadãos.
Por causa daquela cerveja amarga demais, acabou entrando numa fria naquele dia. Poxa, nem no aniversário passaria impune das zoações alheias? Dá um tempo, vida! Não era porque Luhan não acreditava em Deus que tu tinha direito de foder com a vida do jovem, caramba!
Mas era verdade. Não acreditava em Deus mesmo, não tinha receio nenhum de admitir; era um direito seu de pensar, no final de contas. Mas toda essa ignorância, perante a época de fim de ano, se tornava ainda pior. Não acreditar passava para repudiar em instantes só de ver as luzinhas de Natal pra comemorar o nascimento de Jesus. Jesus é o caralho, ele pensava, ao invés de gastar dinheiro com essa decoração fajuta, me deem um emprego!
E não é que esse "pedido" funcionou? Quer dizer, não totalmente, mas, de certo modo, se concluiu, porque lá estava ele, tempos depois, sentado numa poltrona vermelha cheio de enchimento na barriga e com uma barba falsa que coçava, pegando criancinhas no colo e recolhendo cartinhas escritas com as letras mais rabiscadas possíveis. Pô, naquela época Luhan não escrevia mal assim não. Elas tinham parkinson ou o quê?!
No entanto, apesar de não gostar nadica de nada do tal do Natal, nem de trocarem um emprego dele por luzinhas pro aniversário de Jesus, Luhan não era cruel. Não era como os vilões de filmes que colocavam na cabeça dos pobres bebês que magia não existia e o caralho a quatro, que elas tinham era que aprender física e matemática pra conseguir um trabalho e comprar comida que não seja Nutella, ou terão cólicas intestinais. Cara, as crianças nem sabiam o que era um intestino, qual era a finalidade daquilo? Que deixassem as bichinhas viverem as ilusões delas, poxa, que mal faria? Nenhum! Deixem-nas acreditar que intestinos não existem e que dia vinte e cinco era aniversário de Jesus, que porra. Eu, em.
Além de escrever com letras esquisitas e mal-treinadas, cheias de rabiscos, as crianças também pediam umas coisas impossíveis. Uma menininha ocidental sentou no colo de Luhan e falou pra ele que queria um pônei branco de crina cor-de-rosa, outro moleque falou que queria ser amigo do Ben10. O que ele ganharia sendo amigo de um menino que vira uns vinte milhões de extraterrestres diferentes? A morte? É, talvez. Mas o que mais impressionou o chinês foi que, de noite, um pouco antes do seu horário de ir embora pra jantar, tomar um banho e dormir, um garotinho de olhos grandes chegou saltitante e começou um diálogo estranho quando foi perguntado sobre o que queria ganhar de Natal.

— Ah, eu quero um namorado!

Quantos anos aquela criança tinha? Quatro, cinco? No máximo isso! O que ganharia namorando naquela idade?! Ou melhor: por quê raios ele sabia o que era namorar?! E por que já disse logo namorado, e não namorada, sendo que vivia em um país super preconceituoso?! Os olhos de Luhan quase ficaram do tamanho dos do moleque, mas se controlou. Tinha que atuar. Era o papai Noel agora, não o Luhan que beijava os amigos de vez em quando porque não tinha mais ninguém pra ficar.

— Um namorado? — Perguntou com voz rouca, forçando-a. — Por que você quer namorar, Kyungsoo?

— Não é pra mim não, Noel, é pro papai! De Natal, eu quero um namorado pro papai!

E, olha, super compensou perguntar aquilo. Luhan soube quando colocou os olhos no homem para o qual o menino apontava.
Que homão da porra!
Ele era mais baixo que si, provavelmente, mas não muita coisa. Estava usando um suéter marrom com camisa social branca por baixo e uma calça de moletom um pouco mais escura que o suéter. Por cima de tudo, um sobretudo jeans. Tudo bem, não era muito dentro dos padrões de moda e tendências atuais, parecia mais com um ícone de novela americana dos anos noventa, mas que estava bonito, estava. Que tipo de pai usava Vans Old School?! Deus amado, só faltou o coitado do Noel ter um treco ali mesmo com o tal do Do no colo.

— É que ele tá muito sozinho, papai Noel, sabe? E sempre cozinha pra mim. Appa precisa de alguém pra cozinhar pra ele também!

— Soo! — Repreendeu o tal appa de nome desconhecido, todo vermelho.

Mesmo pra um ateu, a vontade de chamar todos os santos não existentes ali no meio do salão de eventos do shopping era enorme. Luhan ia morrer e não esqueceria a cara daquele homem com a faixa vermelha abaixo dos olhos e em cima do nariz.
Que viado.

— Vejamos... você foi bem na escola esse ano? — O papai Noel perguntou.

— Passei de ano! Agora to no pré 2 lá na escolinha!

— E você obedeceu o seu appa?

— Uhum!

— Arrumou o quarto?

— Anh... um pouco.

Ufa. Não queria falar que arrumaria um namorado pro cara, porque, mesmo que ele fosse gato pra caralho, não sabia de nada, né. Vai que...

— Vou ver o que faço por você, Kyungsoo.

Queria ver era o pai dele pelado na sua cama, isso sim.

Baekhyun se considerava um cara saudável, considerava mesmo! Não tinha nenhuma doença sem cura, pegava uns resfriados por causa do frio de bimestres em bimestres mas, poxa, era super normal! Ainda mais em uma cidade chuvosa e instável como Seul. Às duas da tarde o sol raiava e queimava as retinas de qualquer ser vivo com olhos sem óculos de sol e, às cinco, chovia granizo, fazendo os mesmos seres humanos que, horas antes, usavam óculos de sol, correr para protegerem seus carros das pedras de gelo que eram potentes o suficiente para riscarem sua pintura.
Com vinte e cinco anos, o que o senhor Byun não tinha de doença, ele tinha de dinheiro. Não chegava a ostentar como outros jovens adultos fariam caso tivessem um puta poupanção da porra daqueles, mas isso era porque a quantidade de wons seus guardados no banco não eram nem 10% da quantidade de preocupação que ele tinha com o filho, e esta lhe ocupava todo e qualquer tempo restante, até mesmo quando não precisava.
Saúde é uma palavra de vários significados. Muito mais do que riqueza, por exemplo, já que, enquanto algumas pessoas são ricas de beleza, outras — cujas são a maior parte da sociedade atual — são ricas de saúde. Porém, enquanto alguém como Baekhyun pode achar que têm um corpo totalmente saudável, pode estar muito errado quando é pego por si mesmo pensando se a irmã de sua cunhada não tinha se esquecido de comprar os leites sem lactose, porque Kyungsoo era intolerante. Essa até seria uma boa desculpa para ficar pensando no filho se:

1- Ele não estivesse num belo luau de ano novo em Jeju e;

2- ELE MESMO NÃO TIVESSE COMPRADO A PORCARIA DOS LEITES ANTES MESMO DE ESCOLHER ALGUÉM DECENTE COMO BABÁ.

Como eu estava dizendo, queridos leitores, saúde tem vários significados, incluindo saúde física e mental, duas coisas totalmente diferentes. Baekhyun achava que era saudável, mas não sabia que sua saúde, quando distante do pequeno Do, era apenas física.

Luhan, no entanto, estava saudável pra porra. Embora a pergunta "como foi que eu vim parar em uma festa de gente rica em Jeju?!" ainda rondasse sua cabeça, aquilo não lhe incomodava nadica de nada. Se incomodasse, a primeira frase deste parágrafo sequer faria sentido! Quem, em sã consciência, reclama por ter ganhado uma viagem de luxo de apenas alguns dias para uma ilha distante da cidade grande para ver os fogos de artifício e a virada do ano do ponto de vista de um camarote caro e bonito? Ninguém! Nem mesmo Baekhyun que queria ter ficado com o filho desgostou do ambiente quando chegou lá, então por quê raios Luhan desgostaria? Por nenhum, senhoras e senhores.

Ele nunca nem tinha ouvido falar de Moscow Mule, mas que não ficou com medo na hora de pedir, não ficou mesmo! O treco era servido em uma caneca de alumínio dourada e tinha uma espuma densa por cima que cheirava a gengibre, logo, era bom. Luhan tinha certeza que era bom, cara, porque dava dó de tomar de tão bonito que era, então pegou, bebeu, gostou e até falou pro barman o esperar porque voltaria lá para pegar outro antes de sair.

Baekhyun, pensando no Soo — preocupando-se atoa, porque, enquanto o pai perdia uma festa de arromba pra pensar no filho, o pequeno Do brincava de assustar o Sehun até fazer ele fingir que morreu do coração por cansaço de tantos sustos que levou — praticamente se escondeu da festa.
Era uma estrutura grande o local todo, perto do hotel onde estava hospedado lá na própria Jeju, suspenso e adentrando um pouco de uma montanha, com vista para o mar cheio de navios preparados para soltar os fogos de Ano Novo em algumas horas, mas o Byun escolheu uma cerca longe do povão pra se esconder e beber da sua champanhe cara, olhando o céu que, apesar de limpo, não tinha tantas estrelas assim, afinal, mesmo que o local da festa não fosse nada iluminado — só por umas luzes negras e algumas quentes alaranjadas perto do balcão do bar, que deixavam o ambiente mais propenso a ter casais se beijando (e fazendo sabe-se lá o quê mais) pelos cantos — os navios com a equipe correndo pra lá e pra cá pra ajeitar os fogos e o temporizador estavam com todas os postes acesos; doía os olhos só de olhar diretamente para o mar.
Luhan, por outro lado, estava lá no bar, cercado de pessoas, batendo um papo com o barman, que dizia que o chinês, se fosse realmente como descrevia, tinha um jeito pra ser barman também, só faltavam os braços fortes que se encheriam de tendinite de tanto que misturaria uma coqueteleira. Ele estava pensando se daria mesmo um barman legal (oras, precisava de dinheiro!) enquanto procurava por um banheiro só pra conferir se o sobretudo que usava estava mesmo combinando com a camisa pérola ou era só impressão de quando saiu do quarto de hotel quando trombou com algo. Era uma pessoa. Oh não. Lá se foi a chance de Luhan fazer alguns amigos ricos e quem sabe implorar disfarçadamente por um emprego.

— Desculpe!

A pessoa, para os não clichês de plantão, era, sim, o papai Baek. E ele quase sentiu um quê de familiaridade quando uniu seus olhos aos felinos do homem que trombara consigo. Eles eram como os olhos de algum gato, ou um vampiro de Crepúsculo — só faltavam mudar de mel pra castanho escuro pra vermelho. Eram como alguns que já havia visto anteriormente, e, pela expressão do dono deles, analisada pelo cérebro de jornalista do Byun, o cara o reconheceu também, porque viu surpresa refletida naquelas orbes escuras e pequenas com uma pálpebra dupla de dar inveja.

— Tudo bem. — Baekhyun deu aquele típico sorriso de "fica de boa, cara" e achou que o homem ia dizer de onde se conheciam ou pelo menos dizer um "e aí, Baek! Quanto tempo!" só pra fazer o pobre do Byun se lembrar de onde conhecia o sujeito bonito, ou seguir pra onde ele estava indo antes, né, mas, ao invés disso, veio a tal pergunta:

— O seu filho conseguiu um namorado pra você de Natal?

E aí ele lembrou. Lembrou da falta de rugas no bom velhinho do shopping, no quanto ficou constrangido com a risadinha que o papai noel deu e do quanto as mãos dele pareciam fortes e sofisticadas para um senhor. Oras, quando virou de costas e levou Kyungsoo para comer o McLanche Feliz dele, sentiu mesmo a nuca queimar e a orelha ficar vermelha. Seria o olhar daquele papai Noel pesando em si?

Pesando ele não sabia bem, mas que Luhan estava mesmo observando a beleza do tal "papai Baek", ele estava.

— É sério?! — O Byun soltou uma gargalhada alta que foi abafada pela música americana das caixas de som. — Você foi papai Noel do shopping?!

— Para a minha infelicidade e frustração de uma faculdade e uma pós realizadas. — Brincou o chinês, com um fundo de realidade, porque, fala sério, o que ele menos esperava depois de ter se formado em uma boa faculdade de moda era ter um salário miserável e trabalhar em coisas que não gostava nem um pouco. — Sou Luhan. Ou papai Noel, para os mais íntimos.

— Byun Baekhyun. Ou papai Baek, para os mais íntimos. — Ele não pôde evitar continuar a piada. Era impossível! Rachou o bico quando interpretou sua própria frase com outro sentido, pensando que não seria tão ruim assim ser um sugar daddy, embora não fosse um dos seus maiores fetiches.

Não era uma coisa raríssima para Baekhyun socializar. É lógico que, com um filho pequeno, suas possibilidades de sair pra gandaia diminuíam bastante, e seu desgosto pela maior parte das baladas de Seul diminuía tudo isso mais ainda, mas ele tinha um círculo de amigos legal e fazia uns colegas quando andava pelas ruas de Hongdae. Mas era raro ele gostar tanto de alguém quanto estava curtindo seu papo com o papai Noel do shopping, que disse pro seu filho que arrumaria para si um namorado de presente de Natal.
Ele era formado, uma pessoa intelectual e inteligente, chinês assim como seu melhor amigo, Yixing, e muito bonito. Não que isso influenciasse em algo, mas essa característica, quando misturada com as taças de champanhe que tomou, sim.

E, para Luhan, por mais incrível que pareça, a sensação que recebeu ao conversar com o gênio homão da porra e pai do ano que costumava se autotitular Byun Baekhyun foi de inspiração. Seus poros arrepiados por conta da bebida e da adrenalina de estar em um local totalmente desconhecido cercado por pessoas que nunca viu na vida eram o sinal mais indiscreto de que teria um 2018 bom, porque um dia leu em um livro sobre um ditado popular e um tanto quanto esquisito de que passar a virada beijando significava boa sorte em todo o ano seguinte, só precisava da confirmação do próprio Byun, que, enquanto conversavam, minutos antes da contagem regressiva, sorria aberto, se insinuando para o chinês fashionista. Sorriso aquele que fez Luhan querer pegar toda aquela inspiração e colocar em uma coleção nova inteira feita particularmente para aquele homem. Queria pegar um de seus cadernos de folhas A3, lápis grafite HB2 e pedir para Baekhyun continuar o que estava fazendo naturalmente, como se não houvesse um cara quase desconhecido desenhando uma silhueta parecida com a dele bem em sua frente, enquanto transferia o tom branco dos dentes compridos para um sobretudo que cairia muito bem com a camiseta bege no tom dos cabelos que balançavam com o vento vindo do mar ao mesmo tempo que ouvia todos ao seu redor gritarem o número dez.
Quando o sete soou, Luhan não prestava muita atenção na contagem regressiva em si, mas sim em como a boca bem desenhada de Baekhyun se mexia para pronunciar o coreano nativo e sofisticado. O mais velho não gritava, não queria chamar muita atenção naquele momento, pois a sua toda estava focada em um único ponto bem no centro das pupilas do cara que, embora tivesse dito ao seu filho que veria o que faria a respeito do pedido inusitado de Natal dele, poderia chamar de amigo, já. Se é que amigos têm essa vontade louca de beijar como ele estava tendo.
Já faltavam quatro segundos para dois mil e dezoito e Luhan estava caindo na real que talvez o Natal não fosse tão ruim assim. Que aquelas luzinhas piscantes insinuando felicidade total enquanto, na verdade, seu humor estava horrível, poderiam significar alguma coisa além de iluminar a casa pro bom velhinho não tropeçar em tudo quando fosse entregar os presentes das crianças. Poderia significar que havia uma luz no final do túnel, que sua vida estava decaindo só para tomar um impulso e começar a subir adoidado rumo à uma cobertura em Gangnam e uma casa de praia no ocidente, notícias nas revistas de moda e peças suas nas passarelas da Vogue. Poderia significar que Byun Baekhyun, por mais extraordinário que fosse, estava sim querendo beija-lo também, talvez não só para ter boa sorte do ano novo, mas porque o achou alguém legal e daria uma chance pra ele. Poderia significar que aquele fotógrafo faria parte da cobertura em Gangnam, casa na praia no ocidente, notícias nas revistas de moda e duas peças nas passarelas da Vogue.
No penúltimo segundo para a virada, não havia mais distância alguma entre a boca de Baekhyun e de Luhan. Eles tinham entendido que o ano seguinte seria bom em vários aspectos, inclusive no amor, porque Kyungsoo pediu um namorado pro papai Baek ao papai Noel, e mesmo que ele não tivesse ideia daquilo, o papai Noel poderia muito bem se tornar o papai Lu e virar o presente que pediu pra alegrar o appa.


No estalar dos fogos, com a taça de champanhe que eles passaram a compartilhar vazia em cima da mureta que os dividia do penhasco que revelava a areia branca da praia e, logo em seguida, o mar de Jeju, Baekhyun se separou do beijo intenso só pra espiar o céu brilhante e voltar a beijar, porque Luhan era muito mais bonito que um céu colorido por bolas de fogo com partículas lotadas de corante. E ele era seu presente de Natal, então não faria desfeita ao esforcinho que o filho fez ao pedi-lo.

30 de Junho de 2018 às 00:02 0 Denunciar Insira 2
Fim

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𝒅𝒂𝒌𝒉𝒐 🏳️‍🌈 beau swan versão fracassado e baekhyun stan. ouço j-rock no ônibus e escrevo umas coisas do exo. » protect and support trans folks «

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