Apenas Não Me Deixe Seguir história

rk Raíssa Kreppel

— Não me deixe — sussurrou o pedido próximo a orelha esquerda de Hyukjae. — Só peço isso — continuou ao unir as pálpebras, sentindo os músculos suavizarem, dando inclusive alguns espasmos. — Não vou — franziu as sobrancelhas. [EUNHAE][DRAMA]


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

#drama #yaoi #fanfic #superjunior #suju #donghae #hyukjae #eunhae #eunhyuk #super-junior #série-apenas #apenas-não-me-deixe #donghae-eunhyuk #donghae-hyukjae
Conto
0
4735 VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Capítulo Único

O ar estava escasso.

Quanto mais ele tentava pôr oxigênio dentro dos pulmões, mais se tornava difícil em aspirar. Ainda que pusesse força de vontade e puxasse com tudo que tinha, agarrando-se naquela vontade de poder respirar bem quando, na verdade, sabia que estava um completo caos.

As mãos tremiam. O coração disparado fazia que a região do peito doesse, pois, além da palpitação que sofria, ele também colocava força ao respirar, enlouquecido para o mínimo de ar se fazer presente.

Os músculos começaram a tencionar, provocando dores ao longo do corpo frágil de Donghae. Sentia-se perdido enquanto sentado no sofá confortável de casa. Caminhou até a janela, abrindo-a e sentindo o ar fresco bater contra o rosto, fazendo-o quase relaxar.

No entanto, ele sabia.

Sabia que precisava sair para pensar, para se livrar daquela sensação de impotência. Verdade fosse dita, Donghae necessitava de algumas palavras acolhedoras, precisava de Hyukjae... só que, logo ele se barrava, colocando um pensamento completamente absurdo se jogasse aquelas palavras ao vento.

“Não posso atrapalhá-lo. Ele está trabalhando, não é justo”, abriu a boca para puxar o ar, que, não entrava de forma alguma pelas narinas. “Preciso sair”, repetiu o pensamento. Os olhos eventualmente se fechavam, mas isto não era devido ao sono e, sim, pela falta de oxigênio.

Numa atitude impensada, o castanho apenas capturou um casaco que estava pendurado no suporte ao lado da porta, saindo logo depois.

“Hyukkie”, apelou pela memória que dispunha do moreno pela manhã. “Queria que você estivesse aqui”, revelou para si, achando-se egoísta demais por deseja-lo alguns instantes. “Esqueça, Donghae!”.


[...]


Já era tarde quando Hyukjae chegou em casa, chamando Donghae de forma afobada enquanto ignorava o sentimento de ser imprudente ao incitá-lo naquele tom.

O, até então, moreno estava eufórico para contar algumas novidades ao namorado, como por exemplo a nem tão esperada promoção que ganhara no trabalho — tudo bem que havia a influência de Jongwoon, porém o dinheirinho extra ajudaria os pombinhos.

No entanto, novamente não obteve resposta do castanho. Um vinco se formou entre as sobrancelhas, deixando-o desassossegado. Não que precisasse se preocupar sempre, mas quando se detinha o nível de proteção que possuía com Donghae, ele se tornava excessivamente protetor.

— Donghae?

Silêncio.

Um biquinho se formou nos lábios à medida que o moreno adentrava o apartamento que vivia. As vistas procuravam qualquer sinal que denunciasse Donghae. Na sala, nada. Cozinha, nada. Restou-lhe somente o quarto de ambos, um escritoriozinho e o banheiro.

— Hae? — tornou a chamar. — Neném?

Assim que sua busca pelo amado terminou, pois não havia sequer sinal de Donghae no apartamento; Hyukjae se permitiu a entrar num desespero sem igual. Trilhões de pensamentos rondavam a cabeça, faziam-no ponderar que alguma coisa muito errada acontecera.

Depressa a destra puxou o celular que estava guardadinho no bolso da calça jeans, destravando o celular em uma velocidade além do normal para que pudesse enviar uma mensagem ao namorado.

Hyukjae: Querido, cadê você?

Enviou a mensagem.

Ele esperava que fosse rapidamente respondido, mas estava completamente enganado. Após cinco minutos aguardando qualquer sinal de vida de Donghae — cujo nem visualizara a mensagem —, Hyukjae levou os dedos da sestra até os cabelos para puxá-los. Voltou a mexer furiosamente pelo celular, procurando Heechul na lista de conversas recentes.

Hyukjae: Heechul!
Heechul: Juro que não enterrei ninguém e pus a culpa em você.

Obteve uma resposta segundos depois, sendo recebido com alguma piadinha idiota. Rolou os olhos.

Hyukjae: Se eu não estivesse tão angustiado, eu riria.
Heechul: O que houve?

A pergunta do amigo o fez gelar, pois nem ele saberia explicar.

Hyukjae: Hae não está em casa. Não deixou bilhete e nem atende o telefone.
Heechul: Falando assim você parece aqueles namorados psicopatas. Ele deve ter saído um pouco?
Hyukjae: A essa hora da noite?

Indagou, indignado. O moreno sabia que o castanho não seria tão imprudente ao sair sem nem deixar algum recadinho. Ou seria?

E se...

Balançou a cabeça, abandonando aquela dúvida que passara pelos pensamentos.

Heechul: Certeza que o procurou na casa inteira?
Hyukjae: Sim! Eu não sou idiota ao ponto de não saber procura-lo.
Heechul: Há controvérsias.
Hyukjae: Vou te mostrar a controvérsia.
Heechul: Morrendo de medo (emoji com óculos de grau).

Quando ia responde-lo de alguma forma não muito educada, ele escutou o barulho da porta principal se abrindo. Os olhos se arregalaram, largando o celular sobre a cama ao mesmo tempo que corria em direção a sala, vendo o namorado paradinho ao lado da cômoda.

— Donghae! — exclamou, assustando o companheiro, que, naquele momento, passou a deter os olhos igualmente arregalados.

— H-hyukkie — gaguejou, provocando que o vinco entre as sobrancelhas do moreno aumentasse. — C-chegou c-cedo — ofereceu um sorriso torto.

Naquele momento, não havia como produzir qualquer expressão concreta. Donghae estava tão confuso, tão perdido que sequer sabia como se portar na frente do outro. A cabeça detinha uma pressão interna — não que fosse algum problema preocupante pela parte física — à medida que tentava se adaptar.

“Eu sou tão inútil. Não faz sentido Hyukjae continuar comigo, não faz sentido”, pensava o castanho. “Até ‘pra respirar eu sou incompetente”.

— Onde você ‘tava? — questionou, caminhando até o menor.

“Estava tentando respirar”, respondeu mentalmente. “Eu não consigo ficar sozinho, não consigo entender”, os olhos arderam, porém logo o menor tratou de não deixar transparecer.

— Lugar nenhum — deu de ombros, tentando escapar dos braços quentinhos do outro.

“Desculpe. Desculpe. Desculpe”, repetia desesperadamente. “Sou tão idiota! Eu não deveria trata-lo assim!”, o peito doía em demasia. “Preciso de você!”, gritou dentro da própria cabeça ao passo que tentava não sucumbir aos pesadelos instalados.

— Estamos em Seoul e não dentro do desenho “coragem, o cão covarde” — resmungou, tirando o casaco grosso que este usava enquanto fazia aspas com a mão livre. — Sério, aconteceu alguma coisa?

“Eu...”, respirou fundo. “Eu não consigo respirar. Não consigo, tudo dói”, o coração se acelerou, procurando uma maneira de respirar fundo sem que demonstrasse para o maior.

— Não — voltou a responder. — Só queria sair um pouquinho.

— E não podia responder a minha mensagem? — fez uma careta ao perceber que, sim, seu namorado poderia ser imprudente. — Desde quando faz caminhadas noturnas? Não que eu esteja te controlando, mas isto não é do seu feitio — voltou resmungar, pendurando o casaco no pequeno armário que ficava perto da cômoda.

“Você não entende, não é?”, procurou amparo naquele que julgava ser seu porto seguro. “Estou sufocado. Não, não consigo pensar sem que você esteja perto. Sinto-me só, não aguento isso!”, e quanto mais acreditava que era insuficiente na vida do namorado, mais o peito ficava dolorido.

— O esqueci — soltou. — Desculpe — encolheu-se ao vislumbrar o olhar indignado do maior sobre si. — Eu ‘tô bem, não ‘tô?

“Ele não tem culpa”, abaixou a cabeça. “Eu tenho, ele não”.

— Que bicho te mordeu? — perguntou, impaciente. — Eu ‘tava preocupado pensando que alguma coisa séria havia acontecido e você age como se estivesse tudo bem — abriu os braços em uma tentativa de deixar transparecer sua frustração.

— Talvez esteja tudo bem — soltou, tomando rumo para o quarto.

— Sério?

— Seríssimo.

“Me perdoa, por favor. Por favor”, uma lágrima escorreu pela bochecha pálida quando estava de costas para Hyukjae.

— Tudo bem — falou, sentindo um gosto amargo tomar sua boca. Sem pensar duas vezes, o moreno pegou o casaco que pusera mais cedo no suporte, preparando-se para sair.

— Aonde você vai? — escutou a voz do castanho.

“Hyukjae!”, mordeu o lábio inferior, querendo gritar para que ele não o abandonasse novamente. “Me desculpa! Fica comigo, desculpa”.

— E isso importa? — voltou a pergunta para o outro, que se abraçou ao perceber a entonação que abandonara seus lábios. — Não acredito que estamos “discutindo”, de verdade — decepcionou-se.

— Nós não...

“Tente me entender”, falou mentalmente cansado. A pressão não o abandonava, deixando-o fadado ao desespero. “Tente me entender!”.

— Ah, pelo amor de Deus — esbravejou. — Primeiro eu chego em casa e me preocupo com você — calçou os sapatos. — Depois você começa a agir todo estranho e nega, qual é — fitou-o. — Quem era que ‘tava todo “decepcionado” por eu voltar a trabalhar? Quem ficava triste ao saber que eu precisava sair de casa? Quem ficava angustiado quando eu esquecia o telefone?

— Eu — abaixou a cabeça.

“Eu preciso de você”, as vistas voltaram a arder.

— Ainda bem que ao menos isso você responde direito — disse, raivoso.

“Não fique bravo comigo, não”, olhou-o, querendo se ajoelhar para pedir perdão. “Não me odeie”.

— Há necessidade disso tudo? — reclamou, devolvendo o contemplar fulo que possuía. — Eu só saí de casa!

— O problema, Donghae — chamou-o pelo nome. — Não é sair de casa, eu não me importo e você sabe muito bem disso — replicou. — O problema é que sequer deixou um bilhete para me avisar ou mandou mensagem, deixando-me preocupado — exibiu um semblante triste, pois não imaginava que a noite de ambos fosse terminar assim. — Ah, — suspirou — deixa ‘pra lá.

“Desculpe, Hyukkie, eu prometo não fazer mais isso, mas não vá embora”, tentou puxar o ar para dentro dos pulmões, fracassando miseravelmente.

O moreno abriu a porta para poder sair do apartamento.

— Amanhã nós conversamos — sussurrou, tomando a chave do carro em mãos. — Boa noite.

— H-hyukkie — esbugalhou os olhos, exibindo finalmente uma careta chorosa. — E-eu...

“Hyukjae!”.

A porta se fechou, interrompendo o castanho, que, então, guardaria seja o que fosse até o dia seguinte.

Os braços se apertaram em torno da própria cintura, enquanto se encostava na parede para enfim deslizar até o chão, encolhendo-se. As vistas ardiam à medida que a cabeça se escondia entre os joelhos, os soluços eram presos na garganta e os sentidos se disparavam.

“Qual era o meu problema afinal?”, tornou a refletir. Isto se houvesse algum problema. O que não era verdade.

Não custava nada dizer sobre o que acontecera antes que Hyukjae chegasse em casa. Por que simplesmente não falou que teve uma crise enquanto o namorado esteve fora? No final das contas não era vergonhoso, uma vez que o moreno sabia sobre as “quedas” — e incontáveis vezes ele se esquecia, tudo bem, ninguém era perfeito — que, tempos em tempos, começavam do nada.

Não havia um propósito com o intuito de começa-la, simplesmente acontecia. Fato. Contudo, por qual vontade que ele agiu da forma que agiu? Novamente uma pressão invisível começou a toma-lo, só que, antes que se permitisse sucumbir aos medos, sentiu os braços do namorado puxando-o para um abraço gostoso e caloroso.

— Shh — soprou contra os cabelos macios do mais novo. — Eu ‘tô aqui — o trouxe para perto. — Desculpa, neném — engoliu o bolo que crescia na garganta, querendo soltar algum choro esganiçado por ser tão estúpido com o ‘pequeno’ Donghae.

“Eu sou um otário”, Hyukjae se repreendeu. “Devia ter percebido desde o início. Como sou tão negligente?”, torturava-se, pois o ‘clique’ para entender o que se passava, devia-se as raras crises que menor tinha quando ficava muito tempo longe de si.

Coisa que Hyukjae só lembrou no momento que fechou a porta de casa, quase partindo para um lugarzinho qualquer. Achava-se um idiota, muito idiota. Há semanas que o mais novo apresentava alguns sinais, e nada dele perceber. Quão merda ele era?

— D-desc...

— Não — pôs as mãos nas bochechas do castanho, fomentando um biquinho encantador. — Não tem que pedir desculpa! Não, não.

— H-hyukkie — escondeu o rosto no peito do mais velho.

Por que não me falou? — indagou, prendendo-o tanto naquele abraço, aspirando que ele esquecesse daquela discussão estúpida, de minutos mais cedo, enquanto procurava a entender o que calhou naquela tarde que estava fora. — O que aconteceu?

— Não sei — respondeu enfim. — Eu só ‘tava me sentindo sozinho, queria que você voltasse logo... — iniciou. — Mas não queria te atrapalhar, não queria ser mais um peso — balbuciou, permitindo que as lágrimas corressem soltas pelas bochechas, mas secando-as assim que aterrissavam no tecido da camiseta do moreno.

— Sabe que isso nunca vai acontecer, não é? — frisou o “nunca”. — Eu amo você, Donghae — sussurrou. — Não é um peso, nunca será.

— Mas...

— Mas nada — cortou-o, afastando o rosto molhado da camisa. Selou levemente os lábios aos do outro, vendo-o fechar os olhos num modesto deleite. — Não vou te deixar! — falou. — Mas você precisa falar comigo, amor — manifestou, trazendo-o para perto. — Eu... — mordeu o lábio inferior. — Eu acabo me esquecendo, sei que não deveria, porém eu... eu...

Hyukkie — os dígitos se prenderam na barra da blusa que o mais velho vestia.

Desculpe — murmurinhou por fim. Constatando que, realmente, era um imbecil por não notar o óbvio. — Desculpe ter sido tão duro com você — beijou o maxilar do menor. — Eu fui muito estúpido, desculpe — os braços apertavam-no contra o peito.

“Tudo bem, já passou”, o menor pensou, encolhendo-se de encontro ao tórax do maior. Não era necessário palavras para evidenciar o que sentia, mas, apesar de perdoá-lo, Donghae estava magoado — não era surpresa se isto acontecesse.

O ar, que anteriormente era insuficiente dentro dos pulmões, voltava a entrar em pequenas quantidades. O coração se acalmou, suavizando aquela dor que outrora o agonizava. A mente acalentou-se quando sentiu o cheiro de Hyukjae, impedindo-lhe que qualquer sentimento ruim o envolvesse.

Não me deixe — sussurrou o pedido próximo a orelha esquerda de Hyukjae. — Só peço isso — continuou ao unir as pálpebras, sentindo os músculos suavizarem, dando inclusive alguns espasmos.

— Não vou — franziu as sobrancelhas, sendo tomado pela vergonha. Ainda não se conformava com a grosseria que tratara Donghae, ele, sim, tinha que ser esquecido pelo castanho.

Depois daquela mancada ele se questionava como o outro o aguentava, sempre bondoso. Não era justo.

Não vou, Donghae — acentuou, escondendo o rosto entre os fios rebeldes. Pondo uma promessa silenciosa que prestaria mais atenção nas ações do mais novo. Tentaria ajuda-lo no que pudesse, sendo, inclusive, paciente. — Não vou.

Um sorriso tristonho envolveu os lábios finos de Donghae, que se permitiu descansar depois daquela tarde pavorosa. Finalmente teria a paz que desejava, ao menos por enquanto. 

25 de Junho de 2018 às 17:55 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Raíssa Kreppel Ficwriter floppada. Ativista do só sei que nada sei. #SuperJunior.

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~