O chamado do oceano Seguir história

ayzu-saki Ayzu Saki

" E tudo começou em uma noite de tempestade, quando o mar ficou em fúria contra a terra. Naquela noite, algo foi roubado do oceano. E agora, treze anos depois, o oceano quer de volta aquele que lhe pertence." [Então, essa é uma novidade até para mim. Baseada em algumas fanarts, resolvi fazer de Ariel um rapaz. Eric não é um príncipe, e essa estória se passa nos anos 90. Resolvi colocar um bom mistério, juntar com romance, tragédia, uma ideia maluca e ver no que vai dar. Espero que gostem. ]


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#MaleAriel #tragédia #A-pequena-sereia #ariel #genderbend
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O presente do Oceano

Notas do Autor


Resolvi colocar para frente essa ideia maluca, e bagunçar com um clássico da disney. Por que eu posso, e por que não tenho juízo.

Amo mistérios. Amo o oceano - meu nome verdadeiro foi tirado de uma sereia de uma estória, então, é, eu gosto de sereia. E achei legal ver Ariel como um garoto. Gosto dos "ses", gosto de Stradbroke, gosto de tragédias e romances.

Deu nisso.


.....................

 “Guardava-se tanto,

Sigilosamente a sua espera,

Constante...

Até que últimas estrelas sumissem no azul profundo,

E os olhos pesados

Decaíssem e fechassem

As marés se acalmassem

E o céu se abrisse...”

(A sereia e o Navegante, por Clarice Ferreira)

Capítulo 1 - O presente do Oceano

13 anos atrás, ilha de Stradbrooke, Austrália

O tempo havia mudado bruscamente, e tudo em que Max pensava era que aquela era uma terrível hora para se estar no mar.

De repente ele lembrava do que o seu avô lhe dizia nessas situações, quando as ondas alcançavam àquela altura e velocidade, contra o mar revolto e o céu escurecido. Ele lembrava bem, como se fosse ontem mesmo de seu avô no farol da ilha, com ele em seu colo, fumando seu cachimbo e dizendo que rei Tritão devia estar enraivecido. Com o passar do tempo Max começara a desacreditar em seu avô e suas estórias fantásticas, mas ali, naquele momento, não era difícil não pensar que o oceano parecia enfurecido.

Estava ensopado das ondas que batiam na balsa com fúria. Com sorte todos os passageiros já haviam desembarcado no porto, e ele mesmo já estava chegando a ilha quando o temporal caíra. E mais sorte ainda de a Dolce Merinda ser uma embarcação tão dura quanto a cabeça de seu avô era quando a construiu.

Olhou em direção a ilha, e tudo o que cortava a cortina escura do temporal era a luz do farol, e aquilo o acalmava. Era como se seu avô o estivesse guiando. Mesmo que não fosse mais ele a cuidar do sinaleiro, ainda assim aquela luz sempre traria aquela sensação em si. Só precisava segui-la, e sempre chegaria em casa.

Os sinos tocavam enfurecidos do lado de fora, e havia perdido bastante coisa, as mesmas sendo levadas pelas ondas que lavavam o deque. Ainda assim, pensava que tudo ficaria bem.

Seus pensamentos, no entanto, foram interrompidos por uma onda bem maior que varreu o barco, e quase o virou. Caiu no chão, soltando o leme, a cabeça batendo na madeira fria, o desnorteando. E não soube ali, e nunca saberia ao certo, se foi o barulho do trovão ou a pancada forte que o fez alucinar quando ouviu um grito pavoroso. Um grito arrepiante de uma mulher, que fez seu coração acelerar.

Sangue esvaia de sua cabeça e praguejou. Ergueu-se mais do que depressa, recuperando o controle, e a chuva parecia ainda mais violenta.

Manteve-se firme, até chegar ao porto. O mar havia se acalmado estranhamente, a chuva apenas uma leve garoa. O tempo na ilha sempre fora louco.

Saltou do barco e quase beijou o chão. Puxou a âncora, e amarrou com várias voltas a velha embarcação, ao lado dos demais barcos que lutaram contra as ondas ali há pouco tempo. Pelo menos sabia que ninguém havia sido tão louco como ele de enfrentar essa tempestade.

Ele só queria ir para casa e tomar uma sopa quente. Era disso que precisava.

Ele nunca soube o que o fez olhar para trás quando caminhava em meio a chuva em direção a sua casa. Ele nunca saberia, qual fora aquela urgência de dar uma última olhada no Dolce Merinda, mas ele o fez. E no momento que colocou os olhos, foi quando viu algo estranho na proa. Em meio a um emaranhado de lodo que fora trazido pelas ondas que quase destruíram seu barco, havia algo que tinha uma cor vermelho vibrante movendo-se com violência, debatendo-se. Por um momento pensou que fosse um peixe gigante que vivia perto dos recifes da ilha.

Aproximou-se, curioso, saltando de volta ao barco. E foi quando ouviu um choro baixinho. Um choro infantil. Seus olhos arregalaram-se e correu ao emaranhado de lama e redes, tentando soltar o que quer que tivesse preso ali. Foi quando viu grandes olhos mar o encarando diretamente, debaixo de cabelos vermelhos sangue. Ele estava nu, ensopado, o olhando com medo.

E não devia ter mais de quatro anos de idade.

-Diabos! Como você veio parar aqui? – exclamou surpreso, e a criança se encolheu mais, quase voltando a se enroscar, debatendo-se. – Ei ei, não vou machucar você.

O corpo continuou se debatendo. Max o segurou com mais força, dessa vez tendo sucesso em o levantar, o arrancando das redes e o segurando pelas axilas.

E foi quando ele viu.

Sua boca se abriu, e levantou os olhos devagar para os da criança, que o fitava com olhos cheios de lágrimas e o corpo miúdo tremendo pelos soluços sentidos.

-Pelos mares... – murmurou. A cauda verde do garotinho se debatia no ar. Derrubando todas suas crenças. Abrindo as portas para um mistério que há muito havia deixado de acreditar.

Seu avô estivera certo

............

24 de Junho de 2018 às 19:27 0 Denunciar Insira 5
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