As crônicas de Chen. Seguir história

ghyun GHyun .

Ser um gato não é uma tarefa fácil! Nós, gatos de rua ou domésticos, temos uma vida mega difícil, aliás, quem disse que acordar era uma tarefa fácil? Mas digo isso por experiência própria. Quem me vê dormindo boa parte da tarde acha que minha vida é uma mordomia, mas não é!


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

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Inimigos de um gato mimado.

Ser um gato não é uma tarefa fácil!

Nós, gatos de rua ou domésticos, temos uma vida mega difícil, aliás, quem disse que acordar é uma tarefa fácil? Mas digo isso por experiência própria.

Quem me vê dormindo boa parte da tarde acha que minha vida é uma mordomia, mas não é!

Eu tenho que acordar cedo! Sabe o quão horrível é isso? Mas, tudo bem, a recompensa vem logo em seguida como uma bela tigela de leite e petiscos.

Todos os dias acordo cedo para ver meu dono acordar e, confesso, adoro quando ele me faz carícias enquanto está sonolento.

Kim Junmyeon é o nome do meu dono, ele tem de acordar cedo todos os dias porque é dono de uma empresa e vive reclamando que, sem ele, ela teria falido.

Eu até entendo a necessidade de se ter um trabalho, mas é necessário se estressar tanto por alguns pedaços de papéis que chamam de dinheiro?

Bem, vamos voltar o foco para o meu dono.

Ele tem vinte e nove anos, eu sei porque era o número no bolo que o namorado dele trouxe no último aniversário. Gosta de organização e limpeza, fica irritado quando eu, “sem querer”, entro sujo no apartamento, e fica desesperado quando sumo por algumas horas.

Pode falar, ele não viveria sem mim, não é? Sou demais!


Subi na cama dele e andei nela enquanto me esfregava em seu corpo e ronronava para acordá-lo. Jun deu um resmungo e virou-se, quase me esmagando, mas fui mais esperto e corri para a cabeça dele e esfreguei meu rabo em seu rosto.

— Chen... — deu outro resmungo e tirou minha cauda da cara. — Bom dia, seu gatinho manhoso.

Manhoso? Eu quero é o meu leite e petiscos!

Miei para ele, dizendo para acordar porque eu estava morrendo de fome, mesmo sabendo que humanos não entendem o que os animais falam.

Jun abriu aqueles olhos escuros tão diferentes do meu e me observou andar para lá e para cá, até eu parar de frente ao seu rosto e ficar o encarando.

Ele me puxou para perto e me abraçou, acariciando meu corpo. Eu já estava quase adormecendo com as carícias que ele me fazia quando o alarme tocou alto, fazendo-me pular de susto e eriçar.

Eu odeio aquele negócio que ele chama de alarme! Odeio! Odeio! Um dia ainda irei me vingar daquilo! Ah, se vou!

Jun desligou o alarme e sentou na cama, aproximou sua mão com cautela da minha cabeça e me fez carinho.

— Calma, seu gato medroso, é só o alarme. — ele levantou-se e me pegou no colo. Jun sabe o quanto eu me assusto com o alarme e insiste em usar, às vezes me pergunto se ele realmente me ama. — Você deve estar faminto, não está? Eu estou.

Jun me colocou em cima do balcão quando chegamos na cozinha, acariciou minhas orelhas e me deu um beijo no topo da cabeça, e desceu com as mãos fazendo cócegas até perto do meu rabo.

Eu amo essa carícia que ele faz!

O humano lavou as mãos e abriu a geladeira para pegar o leite, e pude ver a vasilha com a carne da janta. Ah... eu irei colocar minhas mãos nessa carne e é hoje!

Quando digo mãos, é por um motivo que irei explicar daqui a pouco.

Jun pegou minha vasilha de leite e a encheu, e a colocou perto de mim. Pegou minha vasilha de ração e água e as limpou antes de enchê-las.

Enquanto tomava meu leite, ele fez cócegas nas minhas costas antes de ir arrumar seu café da manhã.

Terminei de tomar o leite enquanto ele começava a comer e, confesso, adoro pedir a comida dele.

Desci do balcão e fiquei andando entre suas pernas, mas ele não me deu atenção. Esfreguei minha cabeça em uma das pernas e nada... eu teria de ir para o último plano que sempre dava certo.

Fiquei de pé nas patas traseiras e apoiei as dianteiras em uma das pernas dele, mas sem usar minhas garras. Esperei um pouco para ver se ele me daria atenção e, como não me deu, cravei de leve as garras em sua pele.

Jun deu um grito de susto e até mesmo deu um pulo da cadeira e, FINALMENTE, me deu atenção.

— O que você quer, pestinha?

Eu quero o que ele está comendo! É difícil de entender isso?

O vi pegar um pedaço de algo e logo o jogou no chão. Larguei a perna dele e fui ver o que era... odeio esse humano!

Eu tenho cara de quem come casca de pão? Eu tenho?

Olhei com raiva para ele, mas o idiota não percebeu.

Larguei a casca no chão e voltei a perturbá-lo. Não irei desistir enquanto não ganhar algo melhor.

— O que você quer? — finalmente ele viu a casca no chão. — Sério, Chen? Você nem comeu o que eu dei! — ele me pegou no colo para eu poder ver o que tinha na mesa. — Viu? Você sabe o que eu como toda manhã e insiste em pedir.

Respirei fundo ao ver que não tinha nada de bom e desci de seu colo.

Dessa vez você venceu, humano!

Sai de perto com o rabo para cima, indicando que eu estava ignorando sua existência no momento.

Comi um pouco da minha ração e bebi água antes de ir fazer minhas necessidades na caixa de areia.

Fui para a cama dele e adormeci até ele me acordar para se despedir, e voltei a dormir.

Agora ele só irá voltar para casa no final da tarde e eu aproveito para ficar bem à vontade.

Por segurança, espero uma hora para me transformar, vai que ele resolve voltar para casa porque esqueceu algo?

Bem, o meu segredo é: eu posso me transformar em humano!

Eu não sei o motivo disso acontecer, mas só acontece. E, não, o Jun não sabe.

Transformei-me em humano e me espreguicei na cama. Rolei de um lado ao outro e peguei o travesseiro que ele usava para cheirá-lo.

Eu já estava com saudades do meu humano.

Ah!

Sentei-me na cama ao me lembrar da compra que o Jun havia feito no dia anterior e corri até o guarda-roupas dele. Quase cai no caminho porque não estou acostumado a andar em duas patas... digo, pernas.

Procurei pela roupa que ele havia comprado e só as achei pelo cheiro de loja que tinham. O cheiro do amaciante que ele usa é diferente, bem melhor.

Vesti a roupa e me olhei no espelho.

Cara, eu sou lindo demais!

Jun até que tem bom gosto para roupas, mas prefiro ficar pelado mesmo. Ser gato tem suas vantagens.

Tirei a roupa e a joguei no guarda-roupas. Claro que elas não estavam jogadas antes, mas vou fazer o quê? Não sei arrumar.

Fui até a cozinha e abri a geladeira.

Lembram que eu tinha dito que iria colocar minhas mãos na carne? Bem, aqui estou abrindo a vasilha de carne. Tirei um belo pedaço e comi, depois guardei a vasilha pro Jun não estranhar tanto, e peguei um copo de leite para beber.

Ah, como amo leite!

Bem, hora de dar uma volta senão morro de tédio.

Larguei o copo sujo na pia e peguei a chave extra que o humano deixa no apartamento e abri a porta, olhei para ver se não tinha ninguém no corredor e sai, fechando a porta atrás de mim, mas sem trancá-la.

Transformei-me em gato e fui para as escadas.

Em forma de gato, eu não posso andar de elevador e nem quero arriscar em ser visto por alguém, além de que detesto andar naquele negócio. Quando o Jun pega o elevador comigo, eu fico grudado no pescoço dele.

Elevadores não são do bem!

No saguão do prédio, as pessoas sempre olham para mim enquanto passo.

Eu sei que sou lindo, mas não precisam ficar olhando tanto.

Uma garotinha veio correndo na minha direção, de início eu me assustei, mas fiquei parado para ela me acariciar. Ronronei enquanto andava entre suas pernas e, na hora que ela se abaixou para me pegar no colo, passei meu rabo em seu rosto e sai andando.

Uma coisa que eu adoro são as portas automáticas, elas sempre abrem quando algo vai passar por elas. Gosto de me sentir o dono do pedaço, só não gosto quando elas quase prendem meu rabo.

No prédio que meu humano mora, eles permitem animais, ou seja, também permitem cães. Malditos cães! Mas tem um cão em especial que eu odeio e ele me odeia também.

Todo dia, no horário em que vou dar minha fugida, como agora, ele sempre está me esperando na saída do prédio. Às vezes, chego a pensar que a dona dele faz isso de propósito, vai ver ela odeia o meu humano.

Para a minha sorte, o cachorro é da raça Pinscher, ou seja, parece um rato.

Pulei no muro que cerca todo o terreno do prédio e procurei pelo rato, digo, cão. Encontrei-o perto da garagem, distraído, e pulei em suas costas, cravando minhas garras em sua pele, mas nada que o machucasse. Eu não queria arranjar problemas para o meu dono.

O cão ficou louco de raiva e quase conseguiu me morder.

Corri em direção do portão da garagem que se abria para um carro passar e pulei no capô do veículo para não ser atropelado, e fui para a calçada.

Esperei para ver se aquele projeto de rato iria me seguir e o vi surgir correndo após o carro passar.

Disparei a correr pela calçada com ele no meu encalço e, quando virei à esquina, parei ao ver que a ajuda estava vindo.


“Por que eu deveria me preocupar?

Por que eu deveria me importar?

Posso não ter um centavo

Mas tenho a experiência das ruas”


Fiquei olhando da minha ajuda para o cão se aproximando. Queria saber se minha morte iria vir primeiro que minha salvação.

Finalmente minha ajuda parou de cantarolar e apressou o passo.

— Bom dia. — Baekhyun me disse ao parar do meu lado e ficar em posição de ataque. — Quando vai parar de arranjar encrenca?

Revirei os olhos.

— Quando vai parar de me deixar apreensivo? Achei que minha morte fosse chegar primeiro.

Baek deu um sorriso.

— Eu nunca deixaria a morte chegar primeiro. Além disso, você podia pular no muro.

— Que graça teria? Gosto de rir na cara do perigo.

Ele me lançou um olhar que eu sabia o que significava.

“Um gato doméstico e mimado nunca sabe o que é perigo de verdade.”

O projeto de rato parou de correr ao ver que eu tinha ajuda e ficou latindo, nos provocando, mas sabíamos que logo ele sairia correndo com medo.

— Então, falta quanto tempo para ele chegar? — perguntei, já com medo da ajuda extra não chegar.

— Logo, estou sentindo o cheiro dele, você não?

Farejei o ar e consegui sentir o cheiro de Chanyeol.

— Agora, sim.

Sentei-me, despreocupado, e comecei a me lamber. Baekhyun apenas se sentou para esperar, sabíamos que o cachorro não faria nada.

Logo ouvimos o projeto de rato sair correndo e chorando.

Olhei para trás, para cima, e vi o labrador.

— Oi, Chany.

Chanyeol levantou uma sobrancelha. Eu queria conseguir me expressar que nem os cães, fazer caras e bocas, mas sou apenas um gato. Um lindo gato!

— Se metendo em encrenca de novo, Chen?

— Sempre!

Baekhyun pulou nas costas do cão e ficou pendurado.

— Por que demorou?

— Consegui um abrigo melhor, mas era mais longe. Desculpe.

— Hum. Tem lugar para mais um?

— Para você? Claro!

— Ei! — chamei, entediado. Se eu deixasse, eles iam ficar nisso o dia todo. — Não quero atrapalhar a conversa, mas o que vamos fazer hoje?

— O que fazemos todos os dias, meu amigo. — Baek disse.

— Dominar o mundo? — Chany perguntou.

— Dormir, cão, dormir!

— Mas eu já dormi! Quero brincar! Vamos brincar!

Antes que Baekhyun pudesse responder, Chanyeol começou a correr loucamente.

Argh, mereço esse cão!

Aposto que os humanos que nos viram acharam que ele estava sendo atacado pelo Baek e que eu estava perseguindo eles para ajudar o gato.

Bem, nós brincamos, dormimos, roubamos comida de uma casa na hora que deu fome — eu e o Baekhyun roubamos, Chany nunca conseguiria entrar sem fazer barulho, além de que não consegue pular uma janela.

Pouco mais de uma hora antes do Junmyeon chegar, voltei para casa. Transformei-me em humano para poder abrir a porta e a tranquei após entrar. Voltei na forma de gato logo em que deixei a chave no lugar em que estava antes.

Aproveitei que tinha um tempo antes do meu dono chegar e tirei um cochilo. Brincar com o Chanyeol é cansativo.


Eu não ouvi o barulho da porta se abrindo quando o Jun chegou, e só fui acordar quando ele ficou tocando no meu narizinho, mas o ignorei. Porém, ele continuou a me cutucar e, num certo momento, deixou o dedo tampando minhas narinas por mais tempo, daí eu tive que acordar ou ele me matava por falta de ar.

— Ainda dormindo, meu dorminhoco? — ronronei e virei de barriga para cima para ele fazer cócegas. Depois de me acariciar, ele me pegou no colo e ficou fazendo carinho na minha cabeça. — Comprei algo que você gosta. — ele me deixou em cima do balcão da cozinha e pegou uma forminha de isopor da sacola de supermercado, e me mostrou o conteúdo. Oba! Peixe! — Quem é o meu gatão que vai comer peixe hoje? — Eu! Eu sou o gatão! Ah.. aposto que se ele soubesse o que andei aprontando, nunca iria me dar esse mimo. — Vamos arrumar o jantar, Chen? — Vamos! Tudo pelo peixe! — Sehun vem jantar aqui hoje, você deve estar com saudades dele, não? — Droga. Na verdade, não estou, não, humano. — Ele disse que tem um presente para mim que vai me ajudar no café da manhã. Ah! Acho que ele vai trazer algo para você também. — Ok. Hoje serei bonzinho com o Sehun só porque ele vai dar presente para o meu humano e para mim!

Fiquei observando Junmyeon arrumar o jantar por alguns minutos até o tédio tomar conta do meu ser.

Fui para a sala tirar um cochilo no sofá, mas, na hora que relaxei, ele ligou o liquidificador e eu assustei e dei um belo pulo. Ouvi-o rir do berro que dei.

Irritado, fui para o quarto e dormi em sua cama.


Não sei quanto tempo depois, ouvi a porta do quarto abrir e logo senti o colchão afundar perto de mim. Pelo cheiro, não era meu dono.

— Chen, vamos comer? — era Sehun. Ele me cutucou ao ver que não me mexi. — Chen, comida! Vem comer! — continuei imóvel. Assim, eu gosto dele, mas me deixe dormir! — Amor, acho que o Chen morreu. — ele disse num tom de voz meio sério e meio em dúvida.

Ouvi o barulho de um prato bater contra a mesa e logo senti o cheiro do meu humano.

— Chen! — Junmyeon chamou, seu tom de voz era de preocupação.

Resolvi mexer minhas orelhas para mostrar que estava vivo e só com preguiça de responder.

— Ah, ele está vivo, amor. — ouvi os passos do meu humano no quarto e senti minha cabeça ser acariciada. — Que susto você deu, Chen.

Soltei um miado para ele como se estivesse respondendo.

Qual é a dificuldade de entender que eu só quero dormir?

Junmyeon subiu na cama e ficou ajoelhado atrás de mim, e tentou me puxar, mas agarrei-me no lençol e resmunguei.

— Dorminhoco, não quer comer?

Não!

Ouvi meu dono bufar depois de algumas tentativas de me fazer desgrudar do lençol e resolvi ser legal com ele. Soltei-me e deixei que me pegasse no colo. Quando me abraçou, ronronei e me escondi em sua jaqueta.

Quando foi que ele trocou de roupa e eu não vi? Talvez tenha deixado a roupa no banheiro e trocado depois que vim pro quarto. Hum... suspeito.

— Ownt! Ele está com vergonha. — Jun disse e eu o encarei, e acho que ele percebeu. — O que foi, manhoso? — ronronei de novo e me esfreguei em seu peito e subi para seu ombro. Sem querer, acabei fincando minhas garras nele. — Chen, cuidado! Isso machuca!

Desculpa! Me desculpa, Jun! Foi sem querer!

Jun me colocou de volta na cama e corri nela, demonstrando que queria brincar. Ele bateu a mão contra o colchão, fingindo que iria me pegar, e abanei meu rabo. Deixei que ele tocasse na minha cabeça e corri para os travesseiros e me escondi debaixo deles.

— Oh! Cadê o Chen? Chenzinhoo! Cadê você, baby? — ele se aproximou dos travesseiros e acabei abanando o rabo. — Olha, tem uma cobrinha preta e peluda debaixo dos travesseiros. — o senti passar a mão pelo meu rabo. Pulei de debaixo dos travesseiros e corri uma volta na cama antes de pular no peito dele e ronronar enquanto esfregava minha cabeça.

— Parece que ele te ama muito.

— Às vezes, me pergunto quem me ama mais, ele ou você. — Jun começou a rir de algo e olhei para Sehun, ele estava fazendo um bico nos lábios. — Estou brincando, amor. É impossível de saber quem me ama mais, mas eu os amo do mesmo jeito! Meus dois homens! — queria saber qual seria a reação dele ao saber que entendo o que ele está falando e sobre o fato de eu ser um metamorfo, mas tudo bem.

— Assim eu fico com ciúmes! — Sehun ajoelhou na cama e beijou o MEU humano. Sem pensar duas vezes, bati na cara dele e fiz birra. Sehun me olhou, assustado. — Eu queria que ele me amasse do mesmo jeito que te ama.

— Se você não tivesse levado ele para ser castrado, quem sabe te amaria.

Fato número um: Quando eu era filhote, Sehun me deu ao Jun.
Observação: Eu era um filhote muito fofo e lindo... hoje sou maravilhoso!

Fato número dois: Sehun me levou para ser castrado. ÓDIO!

Fato número três: Não posso esquecer de me vingar do meu inimigo número um, o alarme do Jun!

Fato número quatro: Junmyeon é um humano de sorte por ter um gato maravilhoso chamado Chen, ou seja, euzinho aqui.

Fiquei me esfregando no Jun enquanto ele conversava algo tedioso com o Sehun até eu ser colocado de volta na cama.

— Vem, vamos comer. — Jun chamou após descerem da cama e segurou uma mão do namorado. Por raiva de ser deixado de lado, virei-me e deitei de novo. — Argh! Chen! — Desculpe, Jun, não desiste de mim e continue me amando. — Deixa ele, quando der fome ele vem comer.

Ouvi passos dos dois e um estalo que parecia um tapa. Olhei para trás para ver o que tinha acontecido e vi Sehun com a mão na bunda do meu dono.

Por que ele bateria no meu humano? O que foi que o Jun fez? E o idiota do Jun ainda sorri para ele depois de ganhar o tapa? O que é que está acontecendo?

Rapidamente, me virei e me preparei para atacar. Calculei milimetricamente a distância e a posição da mão do Sehun, e corri e pulei para atacá-lo.

Eu só não tinha previsto uma coisa... que ele poderia tirar a mão na hora.

Acabei cravando minhas unhas e meus dentes no traseiro do meu amável humano.

— AI! — Jun olhou bravo para mim. — CHEN! Por que fez isso? — eu só queria te proteger, humano. Ele continuou olhando bravo e acabei me abaixando, arrependido. — Pede desculpas! — miei, e o vi fazer uma cara de espanto e se agachar. — Às vezes, acho que você entende o que eu falo.

Jun me fez carinho e, ao ver que ele não estava mais bravo comigo, levantei, me esfreguei na perna dele, e sai andando como se nada tivesse acontecido.

Fui até a mesa que eles jantariam e sentei-me numa cadeira, não que eu fosse comer na mesa. Jun me viu na cadeira e mandou-me descer, mas apenas lambi minha pata, desinteressado.

Sehun sentou-se na cadeira ao meu lado após colocar uma panela na mesa e olhei para ele. Quando Jun colocou os pratos na mesa e Sehun ia servi-los, pulei na mesa e deitei no prato dele.

— Sério, Chen? — Sehun perguntou. Sim, sério, humano... se bem que eu quase não cabia no prato. — Eu não quero te comer. — mal sabe ele que seria canibalismo isso. — Amor, pega outro prato para mim, por favor?

— O que o Chen fez?

— Ele resolveu fazer o meu prato de cama.

Jun apareceu com outro prato para ele e olhou bravo para mim. Ops! Hora de me comportar.

— Ele deve estar com fome, vou trazer o peixe dele.

Quando meu humano sumiu de vista, tentei deitar no novo prato, mas o humano foi mais rápido.

— Dessa vez, não, gatinho. — Sehun acariciou minha cabeça, me pegou no colo e deixou-me no sofá. — Fique aqui.

Tudo bem, irei te obedecer, mas por pouco tempo, somente o necessário para eu ganhar o meu peixe.

Fato número cinco: sou um gato de sorte, tenho um dono que é ótimo na cozinha. Amo quando ele prepara algo para mim.

Jun apareceu de novo com minha vasilha de comida — não a de ração — e a deixou no chão para mim. Fiquei encarando-o enquanto se sentava e ele percebeu e apontou para a vasilha.

— Não vai comer? — dei um miado. — Se não comer, eu como.

Oh, não toque na minha comida!

Corri para a vasilha e cheirei a comida... que mais parecia um banquete. Acho que vou preferir que o Sehun venha aqui todo dia, sempre que ele vem, meu jantar é um banquete.

Quando terminei de comer, me senti uma bola. Eu não sou de comer muito, mas quando o Jun faz comida para mim, não resisto e como até quase explodir.

Fui para a minha cama na sala e fiquei observando os dois jantarem, até que adormeci.


Acordei ao ouvir um gemido, mas não dei atenção e voltei a cochilar. Só que o maldito gemido continuou e foi piorando. Resolvi acordar para ver o que era e encontrei os dois humanos deitados no sofá. A calça do meu humano estava aberta e Sehun, que estava por cima dele, estava com uma mão por dentro do pano, e o Jun continuava gemendo.

Ambos se beijavam e, meio que do nada, o Jun também colocou uma mão dentro da calça do Sehun... sério mesmo que eles vão fazer isso na minha frente?

Possesso — tanto por estarem fazendo isso na minha frente quanto por ciúmes, resolvi acabar com a brincadeira dos dois.

Levantei-me e espreguicei-me antes de correr até eles e entrar no meio de seus corpos, e comecei a dar tapas no Sehun. Só não usei as minhas garras porque não queria machucá-lo.

Sehun levantou-se, assustado, e se distanciou um pouco.

— Chen! — Jun chamou enquanto me segurava para não atacar mais o namorado dele. — Mas que ciúme todo é esse? — você é o meu humano, idiota, e não quero vê-lo tocando outro homem que não seja eu!

Respirei fundo ao ver que o Sehun não se aproximaria mais e deitei-me onde era para a calça estar fechada... Foi um grande erro ter feito isso, acabei sentindo o órgão dele. Socorro!

— Acho que ele está com ciúmes por não estarmos dando atenção para ele.

Isso mesmo! Humano inteligente esse Sehun!

Ouvi o Jun suspirar e logo ele me tirou de onde eu estava.

Meu humano se aproximou do namorado e percebi que ele pretendia beijá-lo e, rapidamente, entrei na frente do beijo.

Jun deu uma risadinha soprada.

— Desculpe, amor, vamos ter que fazer outro dia. — e pode ter certeza de que irei atrapalhar!

— Tudo bem. — Sehun arrumou o cinto da calça. — Eu tenho que acordar cedo amanhã. Você vai lá em casa amanhã?

— Ah, desculpe, não vai dar. Terei de trazer trabalho para casa amanhã, mas irei assim que der, prometo.

— Sem problemas.

Junmyeon me colocou no chão e sentou-se após fechar a calça. Sehun inclinou-se para beijá-lo, mas parou ao ver que eu estava observando atentamente.

— Posso beijá-lo, Chen?

Dei as costas para eles e fui beber água, mas continuei vigiando-os.

Por fim, Sehun foi embora minutos depois e os segui até a garagem.

Quando voltamos para o apartamento e meu humano estava quase fechando a porta, ouvimos a voz de uma mulher o chamando.

Meu dono bufou, já sabendo quem era.

Eu sabia que o Jun estava bravo porque ouvi ele falando ao Sehun que iria tomar banho e se masturbar para se aliviar das provocações que eu interrompi, e agora aparece essa mulher para atrapalhar.

— Senhor Kim!

Meu dono esperou por ela.

— Sim?

— Eu queria te avisar que o seu gato atacou o meu cachorro essa manhã.

Falando no projeto de rato, ele veio atrás da dona e começou a latir pra mim. Qual é! Eu estou quieto no ombro do meu humano!

— Talvez deve ser porque seu cachorro o provocou?

— Não, não. Meu bebê estava brincando lá fora quando o seu gato o atacou. — mentirosa! Ele estava me esperando para me atacar e eu só fui mais esperto!

— Desculpe, mas não posso acreditar nisso. Eu tranquei o Chen no apartamento e não tinha como ele fugir. — cof cof, fugi sim.

— Mas ele estava lá fora! Ele saiu para a rua e quase fez o meu cachorro ser atropelado!

Junmyeon respirou fundo.

— Olhe, quando esse projeto de boneco de posto de gasolina parar de tremer, você vem falar comigo de novo, ok? — Jun também não gostava do cachorro e nem da dona dele, então ele chamava aquele projeto de rato de “boneco de posto de gasolina” porque ele fica tremendo toda hora... isso chega a irritar algumas horas. — Mas não posso acreditar no que está dizendo. Quando sai, deixei o Chen aqui e, quando voltei, ele ainda estava no apartamento, não tinha por onde ele fugir!

— Mas... — Jun fechou a porta na cara dela. Amo o meu humano! — Senhor Kim, irei fazer uma reclamação lá embaixo!

Jun a ignorou e mostrou o dedo do meio para a porta, que na verdade era para ser para a mulher. Já falei que amo o meu humano?

Comigo ainda no ombro, Junmyeon foi ao banheiro e me colocou em cima do balcão da pia e pegou a minha escovinha de dentes. Uma coisa que o Jun faz comigo todos os dias é escovar meus dentes antes de dormir. No começo eu odiava isso e ele me falava que era para meus dentes não apodrecerem ou pegarem bichos do mal, e depois que acostumei, passei a gostar e colaborar com ele.

— Pronto, está com os dentes limpinhos. — ele me acariciou atrás da orelha e abriu a torneira da banheira. — Preciso ficar sozinho agora, Chenzinho. — idiota, eu sei o que vai fazer. Para o meu azar, acabei me coçando. Maldita pulga! — Ei, ei! — ele começou a olhar o meu pelo e fez uma cara pensativa. — Como foi que pegou pulgas? Deve ser aquele cachorro chato daquela mulher feiosa. Você vai tomar banho, não quero dormir com um gato pulguento. — ele me botou para fora do banheiro e miei irritado. — Não adianta reclamar! E nem tente fugir na hora que eu for te pegar!

Bufei e fui para a sala ficar olhando pela janela. O apartamento era um pouco alto, mais ou menos no meio do prédio. Jun poderia ter escolhido um apartamento mais no alto, teria uma bela vista, mas ele não gosta de altura. Medroso!

Minutos mais tarde, Jun saiu do banheiro e foi para o quarto trocar de roupa, e depois veio até a sala para me pegar. Ele acha que está andando sem fazer barulho.

Quando tentou me pegar, saltei da janela e corri para o sofá. Ele foi atrás de mim, já sabendo que eu não facilitaria sua vida, e corri para outro lugar.

Ficamos brincando de pega-pega até ele conseguir me pegar e me levou ao banheiro e fechou a porta, já sabendo que eu fugiria se a deixasse aberta.

Assim, eu detesto o primeiro contato com a água, mas depois que me acostumo, não quero mais sair da banheira, além de que o Jun coloca água morna para me banhar.

Como já era noite, ele usou a toalha para tirar a água que pingava do meu pelo e depois usou o secador de cabelos, fazendo com que eu ficasse todo arrepiado, e ele riu.

— Você estava sujo, hein, mocinho. — olhei para ele e miei. Claro que eu estava sujo, fui para a rua hoje e fiquei com preguiça de me limpar. — Esse seu pelo preto engana bem, aliás, onde foi que conseguiu pulgas? Por onde andou para ficar tão sujo assim? — eu sempre tenho esse problema com as perguntas dele, Jun fica confuso de como eu consigo sair do apartamento, mas a minha sorte é que depois ele esquece. — Agora o meu filhote está limpinho. — depois que ele me escovou, me pegou no colo e fomos para o quarto.

Junmyeon acendeu a luminária, me deixou em cima da cama, e foi apagar as luzes do apartamento. Ele sentou na cama e pegou um livro que já fazia dias que estava lendo, e aproveitei para deitar em seu colo.

Mais tarde, senti ele me colocar na cama para poder se acomodar para dormir, e me puxou para mais perto para dormir abraçado comigo.

Fazíamos isso todas as noites, exceto quando estávamos bravos um com o outro, o que era difícil de acontecer.


De manhã, pouco antes do horário do Jun acordar, levantei-me e fui fazer minhas necessidades e tomar água. Voltei para o quarto e me esfreguei nele para acordá-lo. Quando ele foi tentar me pegar para me abraçar e virar para o lado, sai de perto e olhei para o alarme, estava quase na hora desse troço fazer barulho.

Pulei na mesinha em que o alarme fica e comecei a miar para acordar o meu humano que amo tanto, mas ele só resmungou e tampou o rosto com o travesseiro que sobrava.

Dessa vez não me assustei com o alarme, eu já estava preparado para o barulho.

Junmyeon resmungou de novo, olhou ao alarme para ver que horas eram e me viu do lado dele.

— Chen? O que você está fazendo ai? — miei e coloquei uma pata em cima do alarme. — Chen, não faça isso! — ele disse com tom de aviso. — Chen, não faça o que estou pensando que irá fazer! — desculpa, mas odeio esse troço. Bati no alarme até conseguir derrubá-lo e ele se despedaçou ao atingir o chão. Do que adianta ter um alarme caro se quebra por qualquer coisinha? — CHEN!

10 de Junho de 2018 às 18:46 0 Denunciar Insira 1
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