De Mãos Dadas Seguir história

undertherain under therain

Depois de anos, Kyungsoo iria sair da cadeira de rodas e reaprender a andar, mas ele só tinha uma condição; Jongin teria de ajudá-lo, de mãos dadas. Kaisoo | AU/UA | Fluffy


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

#fluffy #exo #kaisoo #de-mãos-dadas
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Pela Gelatina Da Cantina

   Relacionamentos que começam em um quarto de hospital tendem a ser eternos — afinal, são neles em que a maioria dos relacionamentos entre mãe e filho começam —, mas amizades que começam em um quarto de hospital tendem a ser complicadas. Bem complicadas.

   Já que foi em um quarto de hospital que eu conheci Do Kyungsoo, meu melhor — e único — amigo.

   Eu tinha só dez anos quando descobriram um tumor em estado avançado. Fiz a cirurgia para retirá-lo, por sorte, ele nunca voltou nos últimos sete anos. Porém, não era sobre isso que eu ia falar.

   Depois de uma sessão de radioterapia, um dia depois de ter raspado o pouco que tinha restado do meu cabelo, minha tia — quem me criou a vida inteira — me deixou sozinho no quarto compartilhado — que na época, já não era mais exatamente compartilhado, já que minha antiga companheira, Soojung, já tinha batido as botas — pra ir trabalhar. Eu estava refletindo melancolicamente sobre a saudade que eu sentia do meu cabelo quando a porta do quarto se abriu. Achei que fosse o doutor Choi, só que eu não ouvi passos antes da porta se fechar. Talvez a enfermeira nova tivesse aberto o quarto errado de novo.

   — Oi… — Foi quase como um sussurro, tímido, mas foi o suficiente para que eu me virasse.

   Até tentei disfarçar o choro com as mãos, só não adiantou nada, porque ele pareceu perceber mesmo assim. Tinha um cobertor sobre as pernas, segurando as rodas da cadeira com um pouco de força.

   — Oi — Respondi, em um fio de voz.

   Naquele dia, Kyungsoo se tornou meu colega de quarto, me fez esquecer do cabelo conversando e me deu a coisa que eu mais precisava: Companhia.

   Descobri naquela tarde, que Kyungsoo tinha perdido uma das pernas, do joelho para baixo, em um acidente. O mesmo acidente que tirou dele os seus pais, o deixando órfão. Que ele ia precisar de terapia e que agora, o hospital era sua casa.

   Como o meu tumor nunca mais ameaçou voltar a dar as caras, a dose de medicamentos abaixou o suficiente para que meus cabelos voltassem a crescer. Depois que minha tia voltou para seu país natal, em outro continente, o hospital também se tornou a minha casa.

   A nossa casa.



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   — Soo, mas isso é ótimo! — Dei um salto na cama, eufórico.

   Ele não parecia compartilhar da minha euforia.

   — É… Ótimo — Sorriu amarelo.

   — Você vai poder voltar a correr! — O consolei, entusiasmado e pareceu não surtir efeito algum — Quer dizer, na descida da rampa você já corre, mas você entendeu onde eu quero chegar.

   Dessa vez, o baixinho riu, me exibindo seu sorriso de coração. Apesar disso, ele continuou desanimado.

   Poxa, era uma prótese robótica, cara.

   — O que foi, Kysoo? — Sentei na cama, o encarando.

   Kyungsoo brincava com os dedos, inquieto.

   — Por que você não está feliz? Você vai voltar a andar! — Continuei, tentando animá-lo, sem sucesso. Ele subiu seu olhar na minha direção.

   — É que… — Começou, mas sua voz sumiu antes do fim da frase.

   — Que…? — Incentivei.

   O Do me fitou, buscando algo em mim. Talvez segurança. Devolvi tentando transmitir coragem. Naquela troca silenciosa de olhares, ele soltou um suspiro pesado.

   — Eu estou com medo — Pude ler em seus lábios, já que sua voz se fez ausente.

   — Com medo? Do que você tem medo, Kyung? — Desci da minha cama pra ir para a dele, já que assim ficava mais perto de sua cadeira.

   — Eu tenho… — Kyungsoo torceu os lábios gordinhos — De cair.

   — Por quê? Mas…

   — Eu não ando já faz sete anos, Nini — Me cortou — Eu tenho medo de ter esquecido…

   — Como você vai saber se não tentar? — Argumentei - Tente, vai dar certo.

   Kyungsoo sorriu travesso.

   — Só com uma condição.

   — Qual? — Franzi o cenho, curioso.

   — Você segura a minha mão?



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   A cena de um cara de dezoito anos buscando a mão do melhor amigo para andar, seria na visão de muitos, no mínimo, curiosa.

   Entretanto, para mim, assustava a beça.

   Afinal, eu não ia segurar a mão só do meu melhor amigo. Do Kyungsoo não era apenas meu melhor amigo. Segurar a mão de seu melhor amigo não deveria causar o friozinho na barriga que eu sentia ao tocar a mão de Kyungsoo.

   Com minha ajuda, ele deu seu primeiro passo. O sorriso que o acompanhou era uma das coisas mais preciosas do mundo. Eu não sabia o motivo exato, mas naquele momento, os lábios de Kyungsoo pareciam tão chamativos...

   — Não vai me deixar cair? — Ele perguntou, quando chegamos ao fim do corrimão, seu segundo apoio, me tirando dos meus devaneios.

  — Não vou não, ciborgue — Brinquei, recebendo uma ombrada por isso — Não vou te deixar cair, eu prometo.

   — Pela gelatina da cantina? — O baixinho arqueou uma das sobrancelhas.

   — Pela gelatina da cantina — Ri pela menção a nossa antiga brincadeira, que era mais como um juramento.

   Com isso, Kyungsoo sorriu. Ele fechou os olhos e dedo por dedo, soltou o corrimão. O Do deu uma leve desequilibrada, contudo, com meu auxílio, continuou de pé. Com muito cuidado, deu um passo. Depois mais um, dois, três, tinha andado até o outro lado da sala, ainda de olhos fechados, devagarzinho.

   Quando abriu os olhos, seu sorriso era magnífico.

   Droga, Kyungsoo, não permiti que você tivesse esse efeito sobre mim.

   Seu entusiasmo era inegável.

   “Eu falei que daria certo” me deu vontade de dizer, mas não disse.

   — Jongin, eu consegui! — Ele comemorou, como uma criança, o que me fez sorrir inconscientemente — Eu consegui! Agora você não vai precisar mais me carregar no colo!

   Assim que ouvi a última parte, meu sorriso se desfez. Eu nunca mais iria carregá-lo quando suas mãos estivessem doloridas de usar as rodas da cadeira? Nunca mais iria empurrar sua cadeira pelo refeitório? Pensar nisso fez minha boca amargar.

   Eu queria muito chorar naquele momento.

   — Nini? — Kyungsoo chamou, me olhando acanhado.

   Não me olhe assim, ladrão de corações.

   Eu vou te fazer um boletim de ocorrência.

   — Sim? — Engoli o choro, sem conseguir sorrir forçado.

   — Você… Me carrega mais uma vez? — Foi como se ele estivesse lendo meus pensamentos.

   E eu não tinha resposta.

   — Eu…

   — Nini — Disse, mais uma vez e meu deus, como eu amava ouvir meu apelido em sua voz — Me promete uma coisa?

   — O quê? — Foi tudo que consegui dizer.

   — Não solta minha mão nunca mais? — Ele me olhou nos olhos.

   Não me contive mais e desfiz nossa distância com um beijo. Um beijo com gosto de sorrisos. Gosto de sorrisos, porque Do Kyungsoo o retribuiu. Retribuiu o meu beijo com toda a felicidade que ele era capaz de ter.

   — Promete? — Sussurrou, apertando minha mão, quando meus lábios deixaram os seus.

   — Prometo — Selei nossos lábios novamente, dessa vez um selar discreto - Pela gelatina da cantina?

   Estendi o mindinho da mão livre para ele, que deu risada.

   — Pela gelatina da cantina — Soo sorriu, bobo, entrelaçando nossos mindinhos.

   Naquele momento, eu era o homem mais feliz do mundo.

8 de Junho de 2018 às 01:37 2 Denunciar Insira 7
Fim

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Anna Luisa Anna Luisa
Awn, socorrinho <3 <3 ficou muito bom, beijos :3
8 de Junho de 2018 às 16:09

~