O Colecionador Seguir história

kalinebogard Kaline Bogard

Tsume, uma mulher forte e decidida engravida do segundo filho. Ela acredita que pode levar a vida normal de sempre, assim como fez quando gestava Hana, sua primogênita. Mas a vida segue por caminhos inesperados, num momento de desespero terá que fazer uma escolha arriscada. E com consequências para todos. Principalmente para o filhotinho ainda não nascido. O colecionador coloca um preço a ser pago. E ele não faz renegociações. --- * Naruto é um anime e não me pertence. Feito de fã para fãs sem fins lucrativos. * As imagens usadas nessa fanfic não me pertencem. Foram retiradas do Google e editadas para servir de capa. Deixo os créditos aos devidos artistas. * Não foi betada, nem será.


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

#fantasia #yaoi #slash #naruto #homossexualidade #hinata #Shino #ino #kiba #universo-alternativo #boys-love #linguagem-imprópria #shinokiba
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Uma escolha e suas consequências

Tsume se arrependia de poucas coisas na vida. Era uma mulher intensa, que tomava decisões sempre visando o melhor. Se elas davam certo ou não, era outra questão. Mas seu lema pessoal era nunca se arrepender.

Exceto, claro, quando as consequências ruins envolviam outras pessoas... ou pior, envolviam a pequena criatura que não nasceu ainda.

Sim, ela estava no sétimo mês de gestação. Sentia-se perfeitamente capaz de continuar com as atividades do dia a dia, da mesma forma que fazia quando estava grávida de Hana, sua primogênita. Período que viveu tão bem quanto qualquer outra Inuzuka durante os nove meses de duração de uma gravidez normal.

Sua imprudência ignorava um fato primordial.

A segunda gestação não era “normal”.

Dentre todas as possibilidades possíveis, um shifter engravidar de um humano era das mais raras! E ali estava ela, carregando um mestiço no ventre, quando o clã sequer podia se lembrar do último meio-sangue que viveu entre eles.

Deveria ter sido mais prudente, ao invés de sair para a floresta com o barrigão para treinar os ninken da família.

Hana cansou de falar. Seus amigos deram conselhos. Porém Tsume era mulher forte e geniosa. Jamais deixaria de seguir a rotina a que estava acostumada para ter precaução com algo que era mais do que natural para a sua espécie: gerar vida nova.

Tal decisão pareceu acertada a medida que os meses passaram e ela entrou no sétimo. Continuou indo para a floresta e adestrar os animais. Até que, naquela manhã, os deuses resolveram castigar sua arrogância. Ela sentiu a primeira dor, reconhecida pela experiência como contração do parto. E o líquido que escorreu por suas pernas, sujando-lhe a calça a fez gelar de medo. O bebê resolveu vir ao mundo antes do previsto.

Não saberia dizer se por efeito da mistura de sangue humano com sangue lupino, mas o processo foi mais rápido do que se lembrava. Precisou sentar-se no chão, encostada em uma árvore, com tanta dor que não conseguiria voltar para casa.

Ordenou aos grandes cães que fossem buscar por ajuda, mas temia que não regressassem a tempo.

As dores que sentia eram horríveis, a fez temer pelo pior, pela segurança do filhotinho. Suor frio e abundante encharcou sua pele e as roupas que vestia. Oscilava no limiar da inconsciência quando notou a presença se materializando no ar. Um homem... ou um rapaz...? A imagem imprecisa e vaga trazia dúvidas... alguém vestindo um longo casaco de gola alta e óculos escuros, tão diáfano que parecia irreal, uma ilusão.

— Posso ajudá-la. Se quiser pagar o preço.

Essa foi a oferta que soou direto em sua cabeça. A dor e o receio de perder o filhote agiram como anestésicos, confundindo-lhe a mente. Foi incapaz de dar voz à resposta, ainda que seu coração respondesse por ela. Claro que queria ajuda para salvar a criança.

Claro que pagaria qualquer preço.

A próxima recordação que Tsume tinha, dizia respeito à filha se ajoelhando ao seu lado, emocionada a pegar o bebezinho recém-nascido aconchegado contra o peito da mãe. O nascimento do pequenino seria para sempre permeado pelo mistério, a cicatriz de cesariana que marcou o ventre de Tsume foi outro inexplicável acontecimento.

---

A primeira visita aconteceu um ano depois. Exatamente no dia sete de julho, dia do aniversário de Inuzuka Kiba, nome que recebeu o menino nascido da união entre uma shifter e um humano, resultado de uma única noite de impulso.

Era noite e Tsume estava sentada no quarto do filho, encantada pela vitalidade e força que sentia do bebê. As marcas do Clã já dominavam as bochechas gorduchas, os olhos de íris animalesca desvendavam o mundo com tamanha curiosidade que Tsume nunca viu antes.

Ninava o filho de um lado para o outro, para que adormecesse, quando notou pela janela. Um vislumbre, rápido demais para ser levado como algo mais do que uma ilusão d’ótica criada pela noite, não fossem as circunstancias estranhas do pouco que Tsume se lembrava do momento que deu a luz. Reconheceria os trajes em qualquer lugar.

Não conseguiu sair do quarto do filho aquela noite. Nem em várias que se seguiram. Mas nada de inexplicável aconteceu, além de tal breve visita.

Visita. Assim que começou a chamar aquilo. Uma vez por ano, sempre no dia sete de julho, Tsume flagrava algum tipo de sinal ou prova de que a indistinta criatura viera visitar seu filho. Nunca deixava provas irrefutáveis, mas a mulher sabia que ele estava lá fora, no limite da cerca de madeira que marcava o perímetro do terreno da casa. A espreita.

Kiba cresceu como a estrela do Clã. Era o único mestiço entre eles, herdando características de ambas as espécies, tanto pontos fortes quanto fracos. Conseguia se curar de ferimentos tão rápido quanto os meninos-shifter (isso o salvou de vários castigos, pois os joelhos ralados sumiam antes que a mãe descobrisse). Tinha os sentidos ampliados: visão, audição, olfato, sexto sentido... justamente como a parte sobrenatural da família. E era imune a maioria de suas fraquezas: não se afetava com prata, nem com acônito. A lua cheia não influenciava suas ações, nem instigava a parte mais animal de sua mente.

Por outro lado, não era tão forte ou rápido quanto os meninos de sua idade, herdou isso da parte humana, sem dúvidas. Também não se transformava em lobo, e era o que doía mais. Enquanto os amiguinhos corriam livres pelo campo banhados pela luz da lua, Kiba só assistia, cheio de tristeza e inveja.

Seu cheiro também era diferente. Não cheirava como shifter, nem como humano, então ficou decidido por senso comum que aquele era o cheiro de um mestiço.

O que levava a outro ponto interessante: não se encaixava em nenhuma das premissas das castas: não tinha traços Alpha, nem Beta ou Ômega. Tornou-se apenas o “meio-sangue”, “mestiço”.

Enquanto crescia, aprendeu a lidar bem com as diferenças, adaptou-se às fraquezas e aos pontos fortes.

Ano após ano, crescia saudável, cheio de vida e energia. Era o centro das atenções onde quer que chegasse e adorava que prestassem atenção nele. Principalmente quando tinham contato com outra espécie shifter, que vinha para reuniões ou algum encontro entre os Conselhos. Um meio-sangue era raro até entre raças como os coelhos e macacos, reprodutores natos que geravam filhotes em profusão.

Eventualmente, Kiba também percebeu a figura fantasmagórica que vinha visitá-lo em seu aniversário. Sua mãe contou a história, mesmo que ela própria não soubesse de todas as lacunas. Tsume se viu presa em um momento de agonia e forte magia veio ajudá-la. Haveria um preço, mas ninguém sabia qual.

Kiba não conseguiu segurar a curiosidade, claro. Tentou contato por duas vezes, mas a imagem translúcida parecia feita de sonho. Um olhar direto para o misterioso homem (às vezes parecia um garoto, Kiba não tinha certeza) e era como se ele nunca tivesse estado ali!

Tentou adivinhar a natureza daquela pessoa. Não era um shifter, com certeza. Nem um elfo. Anão nem pensar (mesmo na forma de menino, já parecia bem alto). Humano...? Não. Kiba nunca teve contato com certas criaturas: humanos, vampiros, trolls, leprechaun... mas ouvia histórias. Sabia que não podia categorizar seu desconhecido visitante como algo assim ordinário.

À medida que os anos avançaram, acabou deduzindo que aquele era o preço: as visitas à distância, sempre no romper da noite. Talvez ele viesse para sempre, todos os anos. Quem sabe não absorvesse algo disso? Um pouco da energia de Kiba? Algo que só conseguia na presença dele?

Era uma teoria!

Mas a teoria se provou equívoca.

Na noite em que Kiba completou dezessete anos, a rotina seguiu como sempre. Um dia divertido, cheio de comemorações e diversões. Pelas leis do Clã, já podia se considerar um adulto, com todos os deveres e direitos. Iria escolher um caminho a seguir (obviamente seguiria como guerreiro e um dia se tornaria o líder dos Inuzuka). Os shifters comemoraram a passagem para a fase adulta com vinho de mel e muita carne assada. Músicas de homenagem e gratidão aos deuses e danças cerimoniais.

Foi um dia memorável, que Tsume, Hana e Kiba acreditaram que terminaria como todos os anos anteriores. Receberiam a visita silenciosa do homem que salvou a família de uma perda terrível, e a vida seguiria como sempre.

E foi. Até certa parte.

O homem veio, em sua aparição anual. Aquela que ficava à espreita no limiar da cerquinha de madeira, sem se aproximar mais do que isso.

A surpresa estava no dia seguinte, diferente das outras alvoradas, quando o sol nasceu e despertou a todos, certa intuição acometeu Tsume. Ela soube com toda a certeza do mundo que o preço fora cobrado.

Com lágrimas nos olhos e desespero no coração, entrou no quarto do filho caçula. Confirmou o que já desconfiava: o cômodo estava vazio.

16 de Maio de 2018 às 12:49 4 Denunciar Insira 2
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Políbio Manieri Políbio Manieri
Ai meus caralhos. Menina, agora que me toquei que nunca havia passado antes pelas suas histórias, porem parece que cheguei em boa hora. Eu to muito impressionada com a riqueza da narrativa e também deste universo, ainda não tinha lido fic que tratasse de lupinos e que familia melhor para se trabalhar do que essa??? Do jeito que foi descrito a figura misteriosa dava um nó no estômago cada vez que ele aparecia, como sombra ou miragem. Eu simplesmente adorei como foi abordado esse inicio e estou tremendamente curiosa para o proximo capitulo. O que será o colecionador? O que ele quer e por que ele quer? muito bom!
16 de Maio de 2018 às 15:49

  • Kaline Bogard Kaline Bogard
    Olá! Be welcome!! Pois é, eu adoooooro o universo shifter. Amo lobos! No começo eu queria colocar os Inuzuka como shifter cachorro, mas mudei de idea. Lobos são lindos demais! E esse cenário de fantasia... tipo, Naruto é um anime bem rico com esses detalhes, dai não resisti em tentar misturar mais pro lado sobrenatural! Minha intenção não é um plot muito elaborado, vou focar mais no humor e no fluffy! No próximo já trago mais personagens! Espero que continue gostado. Obrigada por aparecer por aqui! Esse ship é muito amorzinho ♥ 16 de Maio de 2018 às 18:07
Liah Campos Liah Campos
Wow! Estou gostando muito! Na verdade, através das suas histórias passei a amar esse shipp maravilhoso que é Shino X Kiba! Te acompanho desde o Nyah!, mas por ser muito tímida (até mesmo virtualmente), nunca deixei muitos comentários (uns dois ou três, eu acho). Mas vou passar a deixar, para demonstrar o meu carinho e felicidade pelas novas fics e capítulos postados ^.^ Ansiosa pelo próximo capítulo! Amo quando Shiba está no universo ABO *o*
16 de Maio de 2018 às 10:03

  • Kaline Bogard Kaline Bogard
    Olá!! Aos poucos estou trazendo as histórias pra cá também! Mas mais novas tão meio em dia com o Nyah, logo trago as mais antigas. Fico feliz que viu o encanto desse ship! Acho eles tão amorzinho juntos ♥ nossa. Muito mesmo. Aqui o universo ABO não terá assim tanta importancia, como você verá mais a frente (talvez logo no próximo), mas espero que continue gostando! Fico feliz que tenha deixado um comentário, dou muito valor ♥ abraços e até o proximo :D 16 de Maio de 2018 às 10:04
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