O Mundo de Aura Seguir história

yukilopez2301 Val�ria Oliveira

Hinata Hyuuga, uma linda e doce garota que curiosamente veio ao mundo com uma marca de nascença em forma de flor de lótus. Tem grande amor por plantas e animais, sem saber que seu destino é mais grandioso do que imagina. Aos dezessete anos é expulsa da escola devido à uma armação, e perde a família em um incêndio misterioso. Descobre que possui poderes relacionados à natureza, além da existência de um mundo fantástico, recheado de mitologia, misticismo e magia. Enquanto tenta proteger este mundo de um mal que o aflige, vai em busca de segredos sobre sua origem, além de acertar as contas com o seu passado e com quem um dia julgou amar.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

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A marca da lótus


Desde pequena Hinata Hyuuga tinha verdadeira paixão por plantas e animais. Seu avô paterno, Hagoromo Hyuuga, foi quem lhe influenciara nisso, pois tinha um dom incomum de lidar com ervas e bichos. Dom esse herdado pela menina, que aprendeu a amar a natureza e tudo o que existia nela.


A família Hyuuga morava em uma casinha pobre no subúrbio da cidade de Tóquio, um lugar quase marginalizado. O velho Hagoromo tinha apenas um filho, Hiashi, que trabalhava em uma fábrica de pescados como operário. Seu filho mais velho, Neji, o ajudava na fábrica mesmo sendo tão novo, e diferente da irmã, não era amante de plantas e bichos. Ainda tinham uma irmã mais nova, Hanabi, que nascera cega e paralítica, porém super inteligente e curiosa. A mãe dos garotos morrera após o parto de Hanabi, por isso Hinata mal se lembrava dela.


Hinata tinha quase todas as características dos Hyuuga. Possuía cabelos negro azulados, porém curtos, olhos de incomum cor perolada e pele alva. Contudo, o que a diferenciava do pai e dos irmãos era o fato de ter nascido com uma curiosa marca de nascença no ombro, em forma de flor de lótus. Seu avô possuía uma marca igual e no mesmo lugar, e não era à toa que dava preferência à Hinata, afinal, fazia tudo por ela, dava-lhe conselhos e a queria muito bem. Contava à ela e aos outros netos histórias sobre seres encantados e espíritos benevolentes, o que fez nascer em Hinata o fascínio por esses seres; tanto, que metade dos livros que ela já lera eram só sobre eles.


No entanto, nem tudo eram flores. Quando fez oito anos Hinata descobrira que seu avô estava doente, e essa doença pouco a pouco o levava à sepultura. O velho vivia pálido e fraco, mal comia, e não era raro ver ele tossindo até lhe faltar o ar. A menina morria de medo de perdê-lo, por isso mal saía de perto dele, lhe trazendo e fazendo tudo o que ele carecia. Neji e Hanabi também ajudavam, mesmo que não fossem tão apegados ao avô quanto a irmã.


Certa tarde o velho piorou, estava ficando cada vez mais difícil para ele respirar. Sentindo a morte chegando, ele chamou Hinata para junto de si, pois queria estar perto dela quando se fosse. A menina entrou no quarto do velho e não segurou as lágrimas quando o viu tão fraco e pálido em sua cama.


- Hinata, minha doce menina - ele disse ao vê-la entrar no aposento com um copo de água em suas mãozinhas trêmulas - Fico feliz em ainda poder vê-la.


- Ojii-chan, não se esforce - pediu ela cuidadosa, pondo o copo na mesinha de cabeceira e enxugando as lágrimas - O senhor precisa descansar.


- O meu descanso final está próximo minha pequena. Mas não posso ir antes de lhe dar um último presente - disse com dificuldade, tossindo. Suas tristes palavras fizeram Hinata chorar ainda mais enquanto ela lhe dava água para beber.


- Não diga isso ojii-chan, o senhor vai ficar bom.


- Queria eu ter seu pensamento otimista minha pequena. - Suspirou. - Vá até aquela gaveta de baixo e pegue uma caixa de madeira minha filha.


Ela o obedeceu. Entregou a caixa de madeira tosca ao velho e de lá ele tirou um colar muito bonito; era uma flor de lótus folheada a ouro com pérolas cor de rosa e alguns brilhantes. A menina ficou extasiada quando o viu.


- Quero que guarde este colar com todo o coração minha pequena - pediu ele fracamente enquanto o punha no pescoçinho dela - A lótus sempre acompanhará você, por toda a sua vida, guiando o seu destino. Nunca se separe deste colar. Prometa... que sempre... amará a natureza... que nunca... deixará quem você é de lado... - Sua voz já era um fio, as feições já adquiriam a palidez da morte e mal conseguia respirar.


- Ojii-chan, não se esforce.


- Prometa... minha pequena... onegai...


Entre lágrimas, a menina prometeu cumprir a promessa. O velho então sorriu e falou:


- Arigatou... minha pequena... que Aura... a proteja - e com um suspiro final ele morreu. Hinata soltou um grito angustioso de dor quando viu que ele não reagia mais. Neji veio às pressas quando ouviu o grito, e ao ver a irmã abraçada ao avô chorando desesperada, compreendeu tudo e também caiu no choro.


O funeral durou até quase o dia amanhecer. Hinata, abraçada à cintura do pai, não conseguia parar de chorar; era doloroso demais ver seu avô querido naquele caixão, morto, porém com uma profunda expressão de paz. Quando finalmente conseguiu se acalmar, o sol já raiava no horizonte, e ela se encontrava no jardim fitando o amuleto, o vento soprando em seus cabelos. Olhou uma última vez para o horizonte antes de dizer:


- Eu prometo ojii-chan. Eu sempre amarei a natureza, tanto quanto o senhor a amou.


*****


- Ojii-chan!


Hinata acordou bruscamente depois de mais um pesadelo. Suava frio e respirava ruidosamente. Ao olhar as horas em seu despertador, constatou que já se passavam das seis e meia da manhã. Suspirou e passou a olhar para o teto.


Desde que Hagoromo morrera a menina passara a ter terríveis pesadelos. Não raro ela acordava gritando no meio da noite e seu irmão vinha acudi-la e confortá-la. Era horrível demais, cada pesadelo era pior do que o outro, com morte e sangue. Via pessoas que nunca vira na vida sendo brutalmente assassinadas, via fadas, elfos, dragões e outros seres batalhando, e o pior, com a sua família sendo morta. Seu quarto continha livros sobre mitologias diversas, e toda vez que acordava, ia lê-los para tentar se acalmar e tentar compreender o que sonhara. Muitas coisas já não eram mais as mesmas, porém o que não mudou foi o amor dela pelo que era natural. Ainda mantinha vivo o jardim que seu avô cultivara com tanto carinho, com a promessa que fizera ainda firme.


Vendo que dava a hora para ir ao colégio a morena se levantou e foi cuidar de sua higiene matinal. Olhando-se no espelho, percebeu o quanto o tempo passara. Não era mais uma menina de oito anos, e sim uma quase mulher de dezessete; seus cabelos, antes curtos, agora eram longos e lisos, e seu corpo esculpido e definido era escondido através de roupas largas e folgadas. Hinata era extremamente tímida, não gostava de roupas tão revelativas e de chamar a atenção.

Antes de vestir a blusa moletom rosa, fitou sua marca de nascença com uma expressão calma e sem vida. Há muito ela não doía mais, porém quando a olhava parecia que ela ia latejar. Pôs o colar de lótus no pescoço e tocou o amuleto lembrando-se das palavras do avô, que aquela flor guiaria o seu destino. Não entendia por quê era a única dos irmãos que a possuía, e sempre que perguntava isso ao pai, ele mostrava-se reticente, não querendo tocar no assunto. De algum modo ela sentia que aquela marca encerrava algum mistério. Terminou de se vestir e desceu para tomar café.


Na cozinha, encontrou seu irmão Neji preparando um pouco de chá. Ele era mais alto que Hinata, teria seus vinte e poucos anos e tinha cabelos castanhos que desciam até a cintura. Vestia um macacão de operário azul, e assim que viu a irmã entrar na cozinha, sorriu e disse:


- Ohayo maninha, dormiu bem?


- Ohayo Nii-san, não muito bem - respondeu enquanto se servia de leite quente. O irmão a fitou preocupado.


- Ainda está tendo aqueles pesadelos?


- Hai. Já estou acostumada, mas cada um é pior do que o outro - disse isso e sorveu um gole de leite tristemente.


- Devia ir à um psicólogo, talvez ajudasse - sugeriu o moreno.


- Não, não vai adiantar. É como se esses sonhos fossem um tipo de aviso, ou uma premonição - pousou a caneca na mesa pensativa - Estranho, não é?


Neji evitou encará-la quando ela falou aquilo. Apenas balançou a cabeça, tomou seu chá e após lhe fazer um carinho saiu para o trabalho. Hinata terminou seu leite com torradas, pegou seu material e foi ao quarto da irmã se despedir, mas ela não estava lá. "Deve ter ido fazer fisioterapia com o otou-san", pensou, e trancou a casa antes de sair. Vislumbrou todo o jardim e percebeu que uma das rosas estava murcha; pegou o regador perto da torneira e molhou a planta. Rumou para a escola, mas se tivesse se voltado, teria visto a rosa ganhar vida no mesmo instante.


Hinata estudava na Konoha High School, um colégio que admitia garotos ricos e bolsistas. Cursava lá o segundo ano, e detestava aquele lugar mais do que tudo. Não pelo ambiente, mas sim pelos alunos. Não havia dia nem hora para ela ser provocada por eles, parecia uma maldição. Os populares se achavam no direito de provocar os bolsistas, de humilhá-los devido à sua condição humilde, e não era raro um bolsista ir parar na diretoria devido confusões com alunos ricos. Lá eles eram privilegiados enquanto os bolsistas se davam mal.


Porém, antes de tomar totalmente o rumo da escola, Hinata passou na loja de Haku, um rapaz que trabalhava com especiarias e ervas, sendo sua loja a mais visitada da cidade. Ela o conhecia há mais ou menos um ano, gostava de ir lá por que aprendia com ele a usar as especiarias para diversos fins, e não apenas para a cozinha. Chegou em frente a loja dele, pintada de branco e vermelho, cujo letreiro dizia "Bazaar Spices" e entrou, fazendo um sininho tocar em algum lugar.


- Haku-san? Você está aí?


Ele apareceu detrás do balcão. Se não fosse Hinata, outra pessoa o confundiria com uma mulher devido a sua bela e delicada aparência. Tinha longos cabelos negros e olhos amendoados, e usava um quimono cor de rosa. Ao ver a Hyuuga, esboçou um sorriso encantador.


- Ohayo Hinata-chan, como está? - perguntou simpático.


- Mais ou menos - respondeu um pouco desanimada.


- Me deixe adivinhar, aqueles pesadelos ainda a atormentam - ele saiu de detrás do balcão e fitou-a longamente. Conhecia Hinata muito bem, sabia tudo sobre ela, e ela confiava nele cegamente.


- É. Desde que o ojii-chan morreu eu venho tendo esses pesadelos, sinto como se fosse um aviso.


Haku ficou pensativo por um instante e falou:


- Acho que sei como ajudar - dirigiu-se para uma prateleira e de lá tirou dois frascos com ervas. Misturou-as em uma cuia e se pôs a pisá-las enquanto a morena sentia o cheiro.


- Açafrão e sândalo, não é?


- Açafrão é para lhe dar energia nas horas árduas e sândalo é para aliviar memórias dolorosas - explicou o moreno terminando o que fazia - Misture essa pasta com chá e você dormirá sem ter pesadelo algum.


- Arigatou - agradeceu ela com um sorriso enquanto ele punha a pasta dentro de uma latinha redonda. Hinata então se despediu e correu para a escola.


Lá chegando, já deu de cara com alguns populares, que lhe olharam de cima a baixo com desprezo. Baixou os olhos para não vê-los, mas não tapou os ouvidos para não escutar os comentários maldosos que eles diziam.


- Olha lá a esquisita.


- Ele é tão ignorante e suja, não sei por que estuda aqui.


- Parece uma aberração, olha as roupas que ela usa?


- Já viu a cor dos olhos dela, que horror.


- É uma pobre coitada, nem vale a pena mexer com ela.


A garota escutava aquilo e sentia a mágoa crescer em seu coração. Desde que entrou naquela escola era assim, e ela nada podia fazer para mudar aquela situação lastimável. Nunca dera motivos para eles lhe atormentarem, e isso só acontecia porque ela não pertencia à classe dos bem nascidos. Ela por sua vez não ligava para o dinheiro, pois aprendera desde cedo a ter humildade acima de tudo. Atravessou o pátio para chegar ao corredor onde se localizavam os armários, e mal se aproximou do seu, teve seus livros derrubados por dois moleques que passaram correndo perto dela de propósito. Alguns alunos ficaram dando risadinhas, e a única que não achou a menor graça foi Sakura, a melhor amiga da morena.


- Tudo bem Hina? - ela perguntou, ajudando-a a recolher os livros.


- Hai, não se preocupe. Já estou acostumada com isso - respondeu com um olhar triste.


- Eles são idiotas, acham que só por que tem dinheiro podem fazer o que querem - ela disse e fitou os alunos ainda rindo com raiva - De gente assim eu quero é distância.


Sakura Haruno tinha a idade de Hinata, sendo apenas quatro meses mais velha. Como ela, pertencia à classe dos menos favorecidos, e se conheciam desde o primeiro ano. Defendia a Hyuuga como um lobo defende sua presa de outros lobos, e quando a morena uma vez perguntou-lhe porque fazia isso, ela lhe respondera que a achava uma garota especial e que merecia ser respeitada assim como todo mundo. Sakura tinha cabelos curtos, cor de rosa naturais, olhos verde-esmeralda e um belo corpo, escondido através de macacões e roupas jardineira. Assim como a morena possuía uma marca de nascença em forma de lótus, a rosada possuía também uma marca, mas na testa, em forma de losango e de cor roxa.


- E aqueles pesadelos, pararam ou ainda continuam?


- Continuam, mas Haku-san me fez uma pasta para tomar com chá, disse que vai me ajudar a dormir melhor - disse, guardando alguns livros e pegando outros no armário.


- É aquele rapaz que parece uma mulher, dono de uma loja de especiarias? - perguntou interessada.


- Hai, se quiser te levo até lá depois da aula.


- Boa ideia, vou sim - a rosada aceitou.


Aproximaram-se da porta da sala e toparam com a menina mais metida e escrota da escola, Shion, o pior pesadelo de Hinata. Atormentava a Hyuuga sempre, fazia a vida dela ser impossível naquela escola, a xingava e agredia sem motivo algum. Todos os populares davam razão à ela em humilhar Hinata, e era também a queridinha da escola. Possuía cabelos loiros claros, olhos de uma estranha cor lavanda pálido, pele branca e um corpo regular que ela fazia questão de expôr com roupas atrevidas. Quando viu Hinata, lhe dirigiu logo uma zombaria.


- Ora se não é a aberração Hyuuga - disse com deboche, sua voz era arrastada e enjoada - Ainda se atreve a pisar aqui?


- C-com l-licença - a menina tentou passar, mas a loira impediu.


- Calminha aí Hyuuga. Pelo visto você esqueceu que me deve desculpas por ter tropeçado nos meus pés semana passada.


- Você fez ela tropeçar sua loira oxigenada - vociferou Sakura e Shion a mirou com um olhar gélido.


- Lave sua boca quando for me dirigir a palavra sua testuda horrorosa, ou vou te fazer engolir os dentes - ameaçou, mas a rosada não se intimidou.


- Quero ver você tentar - desafiou, e antes que as duas se atracassem, Hinata se meteu entre elas e falou:


- Não Sakura-chan, não brigue por minha causa - voltou-se para Shion e se curvou - Gomem por ter tropeçado em você Shion.


- Hinata - a rosada fez uma expressão frustrada enquanto Shion cruzava os braços e sorria.


- Não é que você é obediente Hyuuga? Infelizmente... - Num único movimento, deu uma rasteira na garota, que se estabacou no chão com tudo - Desculpas vindas de uma imbecil não me satisfazem. Quem sabe agora você aprende.


- Sua... - Sakura ia avançar, mas foi impedida por um rapaz alto e loiro, de olhos azuis e pele bronzeada com marcas nas bochechas.


- Vai devagar Haruno - disse ele com um olhar sério segurando seu braço.


- Uzumaki? - desviou-se dele e o fitou irritada - O que faz aqui?


- Eu estudo aqui, esqueceu? - postou-se ao lado de Shion e passou um braço por sua cintura - Vamos entrar gatinha?


- É claro meu Naru-kun. Até mais - passaram por Hinata ainda no chão com olhares presunçosos, e entraram na sala. A morena se levantou com os olhos úmidos de lágrimas.


- Hinata...


- Não se preocupe comigo - ela falou firme, enxugando as lágrimas - Eu estou bem - e entrou. A rosada a acompanhou cabisbaixa.


Hinata se sentava perto da janela, o que lhe dava uma visão perfeita do jardim. Sempre que estava melancólica olhava para lá e sentia uma imensa paz, algo que a reconfortava. Mesmo que estivesse longe dava para sentir o perfume das flores chegando até ela, ouvir o barulho do vento nas folhagens e o trinar dos pássaros. Quando estava lá era como se todos os problemas do mundo sumissem; sentia-se relaxada e calma, como se nada nem ninguém pudesse perturbá-la.


De súbito, algo lhe chamou a atenção. Era uma mulher ruiva, vestida com uma longa capa vermelha, andava pelo jardim como se estivesse à procura de algo. Quando olhou para cima e viu Hinata, ela pôs a mão no coração e se inclinou numa leve reverência. A menina franziu a testa e se aproximou da janela para vê-la melhor, mas ao fazer isso, chamou a atenção do professor.


- Senhorita Hyuuga, está prestando atenção na aula ou pensando na vida?


Ela voltou seu olhar e percebeu que todos a fitavam, alguns até com deboche. Corou e baixou a cabeça, respondendo:


- Gomen sensei, sinto muito.


- Muito bem então. O filósofo francês Michel Foucault caracterizou a atividade filosófica como...


Voltou a olhar pela janela, mas a mulher não se encontrava mais lá.


No intervalo ela foi até o jardim com Sakura para juntas apreciarem a beleza das flores. Não iam mais à cantinha para lanchar por que o pouco dinheiro que tinham sempre era tomado pelos valentões, por isso se isolavam no jardim. Ali perto havia uma fonte de mármore, e era lá que sempre se sentavam, ouvindo os sons da natureza.


- Eu sempre fico impressionada com esse lugar, aqui é lindo - comentou a rosada abrangendo com o olhar toda a extensão do jardim. Hinata concordou.


- É verdade. Me lembra muito o jardim de casa - comentou, dando um leve suspiro. Tirou de dentro das vestes o seu amuleto e o fitou saudosa. - Sabe, uma vez meu ojii-chan me disse que não há nada mais bonito que as belezas naturais. Aprendi muito com ele.


- E eu aprendi o pouco que sabia com você - disse a rosada e bateu com os olhos no amuleto - É bonito.


- Arigatou. Meu ojii-chan me deu antes de morrer. Toda vez que o uso me sinto perto dele.


A morena pôs o amuleto de volta dentro das vestes e se sentou na beira da fonte. Seu olhar agora estava focado em um esquilo que comia uma noz meio escondido em uma roseira vermelha.


- Vou comprar algum lanche pra gente, quer?

- Sakura-chan, você vai lá só pra ser roubada? - Hinata disse desanimada.


- Não se preocupe. Eu volto em um instante - e se foi. Hinata se ergueu e esticou os braços para cima, se espreguiçando. Notou que algumas margaridas perto da fonte estavam secas, então com as mãos em concha pegou um pouco de água da fonte e as regou. Qual não foi o seu espanto em ver que no instante em que recebeu as primeiras gotas de água as flores ganharam vida! Ficou extática, muda, sem saber como reagir. Fitava as mãos molhadas e as flores de olhos arregalados.


- Como eu fiz isso?!


- O seu desejo de vê-la viva a despertou - disse uma voz suave. A menina imediatamente se virou e viu a mulher da capa vermelha parada ali. Levantou-se e a mirou assustada.


- Quem é você?


- Não tenha medo criança, eu só desejo o seu bem - falou para tranquilizá-la - Meu nome é Mei Terumi, e estou aqui por sua causa.


- Por minha causa? - indagou confusa.


- Hai. O seu dom aos poucos está despertando, e está chamando a atenção daqueles que o cobiçam - ela falou curta e pausadamente, Hinata ficava ainda mais confusa a cada minuto.


- Dom?


- Exatamente. Um dom que traz tanto a salvação quanto a destruição, e aos poucos ele desperta, mesmo que não possa compreendê-lo. Com o seu avô foi assim.


- Eu ainda não entendo. O que quer dizer com isso? Que dom é esse que você diz que tenho? E o quem tem a ver com o meu ojii-chan? - perguntou meio ressabiada. A mulher sorriu e respondeu:


- Você saberá quando estiver em Aura.


Ao ouvir aquele nome, um sentimento estranho se apoderou da garota. Não sabia o por quê, mas lhe trazia uma sensação de euforia e de saudade ao mesmo tempo, julgando já ter ouvido aquele nome antes, porém não conseguia se lembrar. Ouviu Sakura a chamar e virou-se para vê-la, mas no instante em que se voltou para a ruiva, esta havia desaparecido.


- Aqui, trouxe um sanduíche de queijo - a rosada se aproximou e lhe entregou um embrulho. Percebendo a expressão confusa da amiga, perguntou - Está tudo bem?


- O que é Aura? - Hinata perguntou de relance. Sakura quase derrubou seu sanduíche ao ouvir aquele nome, fitando a morena seriamente.


- Onde ouviu esse nome?


- Você vai achar que é loucura, mas uma mulher usando uma espécie de capa vermelha veio até mim e me falou coisas estranhas sobre eu ter um dom e ter alguém atrás dele - contou meio atordoada - Que coisa esquisita não é?


Sakura a viu apertar o embrulho do lanche entre as mãos com um olhar preocupado. "Se ela veio aqui", pensou, "significa que estão atrás da Hinata." Balançou a cabeça e falou:


- Essa mulher não devia estar falando coisa com coisa, não devia ficar tão preocupada.


- Sakura-chan, eu reguei algumas margaridas e elas criaram vida, como pode ter acontecido? - ela replicou. A rosada evitou encará-la quando mordeu seu sanduíche e respondeu:


- Não sei dizer. Talvez tenha apenas sido imaginação sua.


Hinata franziu a testa estranhando a atitude dela. Parecia estar fazendo pouco caso com aquilo, sem nem imaginar que ela escondia algo. Voltou a fitar as margaridas as quais deu vida, se perguntando o que estava acontecendo consigo mesma. Parecia estar sonhando.


*****


No fim das aulas as duas garotas foram para a loja de Haku, mas não sem antes darem de cara com Naruto Uzumaki. Hinata ficou corada com a aproximação e Sakura desconfiada.


- Você é Hinata Hyuuga não é? - ele perguntou simpático. Tanto tempo estudando juntos e só agora ele descobrira o nome dela.


- S-sou - ela respondeu em voz baixa.


- Bem, eu só queria convidar vocês duas para uma exposição na estufa da minha okaa-san, todos da escola vão lá - disse, e entregou-lhe um folheto - Ouvi falar que você gosta de plantas, talvez goste do que vai ter lá.


- E-está b-bem - disse nervosa. O loiro bateu com o dedo na testa em sinal de despedida e saiu. Sakura deu uma olhada no folheto.


- Vai ser nesse fim de semana. Só espero que não seja uma armadilha.


- Achei simpático ele nos convidar - Hinata guardou o panfleto dentro de um livro e ficou olhando o Uzumaki sumir ao longe.


- É, mas agora vamos antes que o Haku-san feche a loja - e se puseram a andar. Não perceberam que a mulher de capa as observava oculta por um frondoso álamo.


Haku recebeu as meninas com xícaras de chá preto e cookies de baunilha, conversando sobre diversos assuntos. Deveria ser impressão sua, mas Hinata jurou que Haku e Sakura já haviam se visto antes, pois conversavam sobre coisas que ela nunca tinha visto. Ficaram com ele até anoitecer, e quando percebeu estar perto de casa, Sakura se despediu da morena e seguiu seu caminho, sentindo ter alguém a espreitando. E não deu outra: ao sentir a presença atrás de si, suspirou e indagou, sem se virar:


- Por que só agora resolveu aparecer - voltou-se e fitou a mulher de vermelho à sua frente - Sacerdotisa de Aura?


Mei não esboçou nenhum gesto de surpresa, nem nada. Sakura continuou a olhá-la seriamente esperando uma resposta, o que não demorou.


- Você sabe bem o por quê... Rainha Sakura de Iarleen.


- Humpf - Sakura fechou a cara ao ser chamada daquele jeito - Não tenho direito a esse título desde a morte dos meus pais. E além do mais, Iarleen agora é uma cidade em ruínas.


- Sabe que pode recuperá-la.


- Recuperá-la? Acha que depois do que houve os habitantes de Iarleen ainda vão me aceitar como sua rainha? Para eles não passo de uma traidora - disse desgostosa. Mei a fitou com pena.


- Você é a única que pode salvar Iarleen das mãos daquele ser imundo, que se acha com direito ao trono de Aura. Basta apenas...


- Não - Sakura a interrompeu com altivez - Hinata está feliz sem precisar saber quem ela é de verdade. Mesmo que agora esteja despertando seus poderes, não quer dizer que vai aceitar a verdade sobre eles.


- Então prefere que ela fique aqui e coloque todos ao seu redor em perigo? - indagou Mei astuta. Sakura a encarava com raiva.


- Ela tem a mim para protegê-la. Não vou contar nada à ela até a hora chegar.


- Se Vossa Majestade assim deseja... - Mei pareceu reconsiderar - Respeitarei sua decisão. Mas será que o mestre de especiarias fará o mesmo?


- Fará - ela disse convicta - Gosta muito dela para lhe contar algo em que ela não acreditaria.


- Muito bem - a ruiva então concordou - Voltarei para o palácio, mas saiba que sempre estarei de olho Majestade.


- Eu digo o mesmo - rebateu a rosada. Mei fechou os olhos e sumiu em meio uma nuvem de poeira. Sakura seguiu seu caminho com pensamentos sombrios, imaginando como Hinata iria reagir em meio a tudo aquilo. Se adivinhasse o futuro, talvez não seria tão enérgica como naquele momento.

16 de Abril de 2018 às 13:50 0 Denunciar Insira 2
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