Os Pequenos Dilemas do Dever Seguir história

valdieblack Valdie Black

Leia Organa está em uma missão para a Nova República, ela rapidamente descobre que as coisas não são tão simples quanto pensa.


Fanfiction Filmes Para maiores de 18 apenas. © Star Wars não me pertence, fanfic escrita sem fins lucrativos.

#drama #fanfiction #star-wars #leia-organa-han-solo #nova-república
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Os Pequenos Dilemas do Dever

Era um trabalho solitário às vezes, mas Leia gostava do seu trabalho. Olhando pela janela de seu quarto para a vida de Coruscant ela se lembrou de quando seu pai adotivo a trouxe para o planeta pela primeira vez. Na época o lugar era dominado pelo Império e Bail Organa não a levou para um edifício elegante ou mostrou as luzes bonitas que ela via agora. Não. O que ela viu foram cenas chocantes de pobreza, pessoas passando fome, torturas públicas, escravidão... Leia tinha apenas dez anos mas ela não desviou o olhar, não queria fingir que aquilo não existia como as outras pessoas faziam.


Por causa da criação que seu pai lhe dera, Leia sempre foi muito séria para sua idade e não formava amizades com muita facilidade. Pensou que era melhor assim, até que um dia Bail lhe disse:


- Minha querida, a vida de toda rebelião está no amor de seu povo. Sem amor não há pelo que lutar. Eu amo Alderaan e a liberdade, mas se não tivesse você e sua mãe nunca conseguiria reunir forças para lutar.


Agora o Império não existia mais. Alderaan não existia mais. Bail e Breha Organa não existiam mais.


- Alteza, a nave já está pronta para viagem. - anunciou um de seus guardas, fazendo-a retornar ao presente.


- Obrigada, eu já estou indo.


Ele fez uma leve mesura antes de se retirar. Leia não gostava de ainda ser chamada de “Alteza” agora que já não era mais uma mas o dia que passassem a considerar Alderaan como um planeta destruído seria um dia triste para todos.


Tinha acabado de sair do quarto quando deu de cara com o androide dourado protocolar, C-3PO.


- Alteza, é uma honra ter sido escolhido pela senhorita para acompanhá-la nesta viagem importante, mas peço que reconsidere esta decisão...


- Sei que não gosta de voar, C-3PO, mas você é meu androide protocolar de confiança. Preciso que venha comigo.


- Mas, Alteza...


- Pensei que já tínhamos discutido esse assunto.


O androide mexeu os braços como se fosse contestar, mas depois aquietou-se.


- Está bem, Alteza. - disse por fim.


Leia caminhou até o elevador que a levaria para a parte mais alta do prédio. C-3PO tinha se encaixado bem em Coruscant com os outros androides. Se tudo desse certo, ele seria o centro da Nova República e estava sempre cheio de representantes de outros sistemas e suas línguas diferentes. Sabia que ele não iria querer sair de lá mas precisava de um rosto conhecido ao seu lado, mesmo que fosse um robô.


- Alteza, talvez seja de bom tom nos despedirmos do capitão Solo e do menino Luke antes de irmos. Soube que ambos estão aqui hoje. - sugeriu o androide.


- Não temos tempo. Podemos vê-los depois que voltarmos.


- Oh... entendo...


Leia adoraria se despedir do seu irmão, mas era provável que Han Solo estivesse com ele. Não falava com o ex-contrabandista desde a última briga que tiveram e não queria mudar isso agora. A verdade é que sabia que seu relacionamento com ele estava chegando ao fim.


Gostava muito de Han mas ele não compreendia seus deveres para com a Nova República. Era muito passional e teimoso, qualidades que ela nunca apreciou nos homens. De alguma forma eles ficaram juntos durante a guerra, ele foi uma boa companhia em Endor e ajudou bastante na consolidação da Nova República mas o fato é que eles eram muito diferentes enquanto pessoas e se Leia fosse ser prática, como sempre o era, teria que admitir a si mesma que aquele relacionamento estava fadado ao fracasso.


Talvez Han também já tivesse percebido ou talvez não, mas seja como for o término deles não seria agradável para nenhum dos dois. Ele agiria de forma exagerada, chamando-a de vários nomes e fazendo várias piadinhas de escárnio. Ela tentaria fazê-lo voltar à razão, mas seria impossível. Finalmente, os dois nunca mais se falariam, a não ser que fossem obrigados.


- R2-D2 deve estar com eles. - comentou C-3PO. Leia esqueceu-se de que ainda estava conversando com o androide. - Espero que ele não esteja arrumando problemas.


- Hum...


  Não sabia o que Han e Luke iam fazer na sua ausência. Provavelmente continuar com seus trabalhos, como deveriam.


********


Foi uma viagem cansativa até a Orla Média. C-3PO estava muito agitado, Leia pensou que Han teria odiado as reclamações do androide.


- Pelos Céus! Essa foi uma longa jornada! - disparou assim que aterrissaram no sistema de Scraceev. - Pelo menos a nave era mais segura do que a Millennium Falcon.


Leia reparou na comissão de recepção que os aguardava. Um jovem humano bastante alto, loiro e de olhos azuis sorriu para ela.


- Bem-vindos! Acredito que tiveram boa viagem.


- Tivemos sim, obrigada. - disse Leia antes que C-3PO pudesse falar. - Talvez você pudesse nos mostrar um lugar para descansarmos antes da reunião.


- O Rei Rams tem aposentos reservados para todos vocês em seu palácio.


- Perfeito então.


Leia, C-3PO e a tripulação da nave seguiram o rapaz pela área de pouso. Leia observou o tamanho gigantesco do palácio do Rei Rams, ela também observou como o planeta em si não parecia tão rico quanto o palácio. Era poluído e escuro, não havia muitas naves sobrevoando-os e de modo geral Leia não sentiu uma boa vibração naquele lugar. Uma mistura de experiência prévia com os poderes Jedi que herdara do seu pai biológico. Mas Mon Mothma já tinha lhe avisado que aquele era um ambiente hostil e ela aceitou a viagem mesmo assim.


O quarto que lhe deram era talvez o melhor quarto que tivera na vida, não ganhara nada rico assim nem em Alderaan. Depois de levar o rosto teve pena de usar a toalha com bordado de ouro, só aquela peça poderia alimentar uma família inteira e todas as suas gerações futuras. Han com certeza teria raiva daquele lugar, sempre teve raiva de gente rica.


Até ela sentia uma aversão, agradeceu pela reunião ser naquele dia mesmo pois não iria aguentar passar dias ali. Assim que trocou de roupa alguém veio bater em sua porta.


- Alteza, eu gostaria de ter uma palavra com a senhorita antes da reunião.


Era C-3PO. Acreditando que se tratava de algo sobre a viagem de volta ela o deixou entrar no quarto e fechou a porta novamente.


- Alteza, normalmente eu não me intrometo em assuntos da República além do necessário, mas eu não recomendaria fazer aliança com o Rei Rams.


Leia arregalou os olhos.


- C-3PO, precisamos do apoio dos sistemas com maioria de votos no Senado se quisermos instaurar a Nova República com Mon Mothma na liderança. O Rei Rams prometeu aliar-se a nós se ficarmos do seu lado.


- Sei disso, Alteza, sei disso. Mas andei conversando com os androides do palácio e descobri que o Rei Rams se tornou Rei com a ajuda do Imperador.


Leia franziu o cenho.


- Não estou entendendo.


- A Monarquia de Scraceev era eleita pelo povo, como as de outros sistemas também são, mas quando o Imperador assumiu ele fez um acordo com Rams e mudou o tipo de monarquia de Scraceev. Por isso ele tem tantos inimigos agora.


- Não deixe as famílias contrárias a Rams lhe influenciarem. O que aconteceu foi que o Imperador mudou a forma de governo do planeta, Rams era o Rei quando isso aconteceu mas juntos vamos trazer o sistema antigo de volta.


- A senhorita não está entendendo, Alteza. Rams não quer o retorno da antiga Monarquia, ele deseja que Mon Mothma mantenha o mesmo acordo que ele tinha com o Imperador. Isto é, que o deixe livre para aplicar as leis que deseja sem perder seus direitos no Senado.


- Isso é inaceitável! Se o povo de Scraceev desejar manter esta forma de governo então não há o que se fazer, Mon Mothma não vai interferir nos assuntos de cada sistema planetário, mas não podemos manter os mesmos acordos ou negócios que o Imperador tinha. A República tem leis universais que não podem ser ignoradas pelos planetas participantes dela.


- Essa é a questão, Alteza. O povo de Scraceev não quer esta forma de governo. Estão passando por uma Guerra Civil que é abafada pelo Rei Rams. Muitos estão aproveitando a instabilidade da Nova República para saírem do planeta e se refugiarem em outros lugares.


Leia não soube como reagir. Mon Mothma não tinha lhe dito nada daquilo. Tudo que ela sabia era que Rams tinha muitos clãs contrários a ele e até ouviu certas acusações de ditadura mas não sabia que era um fato e que as coisas tinham chegado àquilo.


- C-3PO... você tem certeza disso?


- Afirmativo, Alteza.


Alguém bateu à porta de novo. Era o humano que os recebeu, devia levá-los para a sala de reunião. Leia segui-o pelos corredores do palácio com C-3PO ao seu lado, sua mente frenética, procurando uma saída para aquela situação. Lembrou de algo que seu pai adotivo dissera-lhe certa vez:


- Muitas vezes tenho dúvidas sobre o que era o certo a se fazer, proteger Alderaan ou a Rebelião. Esses pequenos dilemas do dever me deixam louco. Sei que a Rebelião é importante para o futuro da galáxia, mas dentre as duas eu escolho proteger Alderaan e não me arrependo. Minha família sempre estará em primeiro lugar.


Leia não tinha família, exceto Luke. Sabia exatamente o que o Jedi diria. “Nunca faremos acordo com aqueles que ferem o livre arbítrio do próximo. Um Jedi deve proteger todos os seres.” ou qualquer outro discurso bonito e pouco prático.


Pensou em Han e no que ele diria. Estava acostumado a fazer negócios com seres não muito decentes, talvez lhe apoiasse se dissesse que fizera um acordo com um ditador em troca de apoio para a Nova República. De repente ela teve uma visão.


Estava Bespin e olhava para Han algemado ao seu lado. Ele tentava dar aquele sorriso torto mas não conseguia. Leia nunca esteve tão assustada em toda sua vida. E não estava assustada por ela, mas sim pelo fato de que nunca mais o veria e aquilo era insuportável.


- Eu te amo! - gritou, porque não aguentava mais guardar aquilo dentro de si.


- Eu sei. - foi sua resposta.


Viu seu amado morrer, ou foi o que pensou na época, tudo por causa das ações do Império. Viu seu pai biológico ser um peão das jogatinas do Imperador. Viu seu lar ser destruído. “Minha família sempre estará em primeiro lugar”, nunca mais o veria.


  As portas da sala de reunião se abriram revelando uma longa mesa diante dela. O Rei Rams estava sentado na outra ponta, estava sozinho. Ele levantou-se e abriu a boca para dizer qualquer coisa. Antes que o fizesse, Leia sacou sua arma laser e disparou dois tiros mirando em seu coração.


********

Leia tentou sentar-se na cama e conseguiu fazê-lo ainda que todos os seus músculos doessem.


- A senhorita precisa descansar, Alteza. - disse o androide hospitalar.


- Me chame de “Leia”.


Ela ignorou o pedido do androide e permaneceu sentada. Foi difícil sair do palácio do Rei Rams com toda a tripulação da nave, felizmente a segurança do lugar não era tão boa assim ou talvez Leia fosse apenas excelente em fugas.


Ouviu as portas do quarto deslizarem. Quando ergueu a cabeça viu que era Han Solo quem tinha entrado.


- Chego em Coruscant muito satisfeito... - começa a dizer. - … pensando que minha Leia voltou bem de viagem e descubro que não apenas ela matou um Chefe de Estado como também quase morreu tentando escapar.


Leia fechou a cara.


- Ele era um ditador, não um Chefe de Estado.


- Os irmãos Skywalker! Matando um ditador diferente toda semana.


Han sorria em êxtase. Leia não lhe respondeu. Luke tinha contado que fora Anakin quem matou o Imperador, mas parece que Han não sabia daquele detalhe.


- Ei, estou só brincando, princesa. Estou orgulhoso de você! Quer dizer, um pouco ofendido por você não ter me chamado pra festa, mas eu e Luke tivemos nossa própria festa.


- E o que foi que vocês fizeram?


- Pergunte ao seu irmão. Acho que ele se divertiu mais do que eu no fim das contas.


Han tinha um sorriso idiota no rosto, escondia alguma coisa dela. Leia desviou o olhar, não estava de bom humor.


- Ora vamos, princesa. Você fez a coisa certa. Agora os clãs vão se organizar e tudo volta ao normal... ou entram em guerra e tudo se acaba. Uma coisa ou outra. Seja como for Scraceev não vai ter tantas cadeiras assim no Senado, parece que até isso fazia parte do acordo que Rams tinha com o Imperador na época que ele ainda era Chanceller.


- Mon Mothma me enganou, Han. - falou, com mágoa na voz. - Ela sabia sobre ele.


Han sentou-se na cama também e passou a mão sobre seus ombros.


- Talvez ela não soubesse. - sussurrou.


- Ela sabia! Só pensou em manter o cargo dela na República. Essas pessoas, Han, elas não têm família nem se importam com ninguém.


- Por que você não tenta ser líder da Nova República? Você tem família e se importa com uma pessoa, o Luke.


Leia trocou olhares com ele. Sabia que era um teste.


-Você também é minha família, Han.


Ele sorriu. Não aquele sorriso idiota que dava, Leia pensou, um sorriso de verdade.


- Anime-se. Trouxe algo pra você.


Han tirou uma caixa do bolso. Leia teve uma surpresa ao abri-la.


- Han, isto é um anel de diamantes.


- Sim, mas só se você quiser.


Leia sorriu pela primeira vez desde Endor.


- Só se pudermos morar em Coruscant. - disse.


Ele fez careta.


- Certo, mas vamos ter que sair mais. Você precisa se divertir também.


- Uma vez saí e me diverti muito... quando você não estava por perto.


- O quê?!


  Leia deu-lhe um beijo nos lábios e encerrou o assunto.



15 de Abril de 2018 às 01:54 0 Denunciar Insira 2
Fim

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