Paixões de Outra Vida Seguir história

lucas-marques1523473373 Lucas Marques

O amor é capaz de perdurar por toda uma eternidade, nem mesmo a morte é capaz de para-lo. Mas o que acontece quando um anjo exilado e um demônio traidor amam uma simples humana e por causa dela estão dispostos a quebrar o próprio tabu do ciclo da vida? As consequências não podem ser nada boas, principalmente para a pessoa amada.


Paranormal Todo o público.
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Uma recepção inesperada.

O pequeno charrete se contorcia em meio as estradas bifurcadas e estreitas que passavam pelo Moon Lake, quase sempre trombando em algumas poças formadas pela chuva de horas atrás, horas essas que me preparei sobre extremo cuidado para adentrar os portões do Castelo do Pico Lunar, lar da Condessa Azul, e onde fora contratada como uma mentora para os sobrinhos dela, sentir-me totalmente honrada a princípio, mas era muito inexperiente no ramo. Contudo o mensageiro que trouxe o recado ressaltou o quanto se fazia necessário que fosse a minha pessoa quem deveria assumir o cargo, o motivo, não faço a menor ideia.

Em meio as árvores, ao oeste de onde me encontrava, já era possível ver um enorme contorno de pedras negras que eram sutis devido a neblina que encobria a região, à medida que me aproximava do castelo a atmosfera se tornava mais gélida e sombria, cheguei a sentir um enorme calafrio passando por todo o meu corpo antes que chegasse ao meu destino. Verifiquei em meu relógio de bolso, e era por volta de umas dezessete da tarde quando fui solicitada a descer do charrete, e me deparei com os enormes portões que davam entrada através do jardim a residência da Condessa, desci vagarosamente, agradecendo ao dono do charrete, e recolhendo apenas uma pequena mala, e antes que ele tomasse seu rumo de volta a vila da Noite Crescente, agradeci novamente. Passei calmamente pelos portões entreabertos do jardim, seguindo um caminho em pedra que dava em um labirinto, ou que fora um, as folhas que deveriam formar as paredes estavam mortas e repletas de vinhas o que deixava várias aberturas, havia um corredor pelo qual tomei caminho que era seguido com gárgulas e estátuas de damas sem cabeça confeccionando todo o lugar, o que por sinal apenas tornava tudo um pouco mais fascinante. A medida que avançava entre os corredores do labirinto, em busca da possível saída cheguei ao que julguei ser o centro, tinha algo similar a uma estufa, única coisa que estava intacta por sinal, avancei em direção a ela calmamente na esperança de encontrar alguém, mas a estufa estava vazia, tendo apenas um enorme número de rosas brancas, então saí e apenas segui em frente. Não demorou muito mais para que eu achasse o fim do labirinto, dando uma entrada direta ao castelo, percebi não muito depois que havia outra entrada, que circulava o labirinto e que teria me poupado tempo. Lembrei-me do dono do charrete falar sobre isso, mas fiquei tão fascinada com o jardim que apenas esqueci, faltava apenas alguns poucos passos para a porta da frente do castelo, que continham uma série de pilares, disposto de uma maneira que eu não entendia, atrás desses pilares consegui perceber alguém, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, fui de maneira ab-rupta abordada pela pessoa que saiu de lá, enlaçando seu braço no meu cotovelo e me colocando contra o pilar logo na minha lateral. O movimento fora tão rápido que eu mal percebi quando derrubara minha mala. A figura estava olhando para o chão, ofegante, e cochichando alguma coisa, como se estivesse incrédulo, e precisasse me segurar pra ter certeza; Apenas quando olhou diretamente pra mim, com aqueles olhos azuis repletos de lágrimas e que consegui ouvir.

-Por que está aqui?

A pergunta foi seguida de um enorme som de trovão que ecoou não muito longe dali, trazendo consigo uma chuva suficientemente capaz de tornar aquela pergunta ainda mais marcante, o fato é que tentei me desvencilhar quase um segundo depois do jovem, e falhei. Ignorando meu incomodo ele questionou novamente.

-Por que está aqui?

A chuva caia sobre nós, mas ele apenas ignorava e continuava olhando profundamente nos meus olhos, quase como se olhasse minha alma e me impedisse de pensar em qualquer outra coisa, então apenas respondi.

-Estou aqui para servir a Condessa com minhas habilidades.

-Você estava morta, eu vi com meus próprios olhos, você não deveria estar aqui, mas...

Antes que ele pudesse continuar, recobrei meus sentindo e o chutei bem no meio das pernas. Ele me soltou de imediato e caiu no chão.

-Por que... por... qu..e fez isso?

-Não sei com quem pode ter me confundido, mas como pode ver estou viva, e não lhe dou o direito de me agarrar desse jeito, ainda mais em plena chuva, deveria ter um pouco mais de consideração com uma dama, deixarei isso passar, mas é bom que não se repita.

Comecei a caminhar em direção a porta quando alguma coisa segurou a manga do meu vestido e disse em meu ouvido.

-Você ainda vai se lembrar de mim.

Olhei rapidamente para traz e tudo que encontrei foi a saída do labirinto, aquela pessoa havia desaparecido, apesar dessa confusão, estava sem tempo, então apenas entrei no castelo e o que vi me chocou em toda sua grandeza. O hall de entrada era incrivelmente fascinante, tendo um conjunto de quadros sombrios em sua parede esquerda, com um enorme tapete roxo em contraponto no chão, que era ressaltado pela lareira logo abaixo dos quadros, uma enorme escada dupla se estendia no final do hall com uma fonte revestida em pedras negras que estava localizada no centro da escada e bem acima dela estava um enorme corredor, na direita se localizava e alguns troféus de caça, como cabeças de alce, e também algumas mesas, entretanto foi do corredor acima das escadas que uma figura surgiu. Ela estava me olhando atentamente, quando disse.

-Vejo que chegou bem em minha propriedade Maya.

Fiz uma pequena reverência e lhe respondi.

-Deve agradecer ao transporte quanto a isso Condessa.

Fiquei me questionando se deveria falar do jovem de antes, ou perguntar como sabia meu nome, mas pensei que talvez fosse algo que não valeria o trabalho de perguntar, principalmente por não me trazer nenhum lucro.

-Gostaria de poder ajuda-la quanto a suas acomodações e apresentações visto que eu lhe chamei pessoalmente até aqui, mas creio que está muito tarde e você não está em condições para tais feitos, minha governanta, Cynthia, cuidará de você por hora, peço desculpas mas devo me retirar.

Ela tinha razão, afinal eu estava encharcada e exausta.

A Condessa saiu pelo mesmo corredor pelo qual entrara e que tinha uma atmosfera mais brilhante que qualquer coisa que eu havia visto no lugar. Peguei novamente meu relógio só para o ver marcar dezenove horas. Eu havia perdido duas horas no jardim tentando encontrar uma saída. E foi quando uma porta à direita se abriu, dela saiu uma mulher que eu julgara ter uns 40 anos, ela trajava vestes marrons que tinham apenas um único brilho em destaque localizando num broche em forma de lua, supus de imediato que era a tal Cynthia, ela me disse brevemente para segui-la. Ao contrário do que pensei não foi necessário muito para que se chegasse em meus aposentos, apenas passei por uma quase infinita escada circular que seguia por três salas até o fim que ficavam no topo, ao chegarmos a governanta me deu uma chave e disse algumas coisas, tais como:

-Para nossa convivência existem apenas três regras que devemos seguir, não subir as escadas do hall central que levam ao segundo andar onde fica a Condessa sem autorização necessária, não andar pelo castelo depois das vinte duas horas, e principalmente jamais se aproximar ou se aventurar no labirinto.

Pensei que já havia começado de maneira errada, então fiquei quieta e mais que nunca mantive a boca fechada. Antes que eu pudesse questiona-la, ela se foi, então abri a porta do meu quarto, e ele se mostrou bem mais do que esperava, um piso em madeira de Jacarandá, acompanhado de um tapete persa, tendo uma lareira de frente pra cama, tinha uma pequena escrivaninha e duas grandes janelas com vista para o abismo que jazia atrás do castelo, a chuva ainda caía forte do lado de fora dando um charme ainda mais especial ao quarto. Sentei-me na cama, e não percebi ao certo quando, mas dormi. Ao acordar novamente peguei meu relógio e vi que era quase meia-noite, meu estômago estava roncando, e eu não havia trazido nada comestível comigo. Minha cabeça dizia que eu não deveria sair, mas meu estômago dizia o contrário, e sinceramente eu sou alguém com o controle baixo quando se trata de comida, tentei fazer o meu melhor para resistir, mas quando me dei por mim já estava vasculhando o castelo como um cão farejando onde estaria a dispensa, encontrei-a não muito depois, sujando as roupas que ainda trajava da viagem com geleia, em meu caminho de volta passei por uma sala, com a porta entreaberta, ao que parecia era a biblioteca, sem pensar muito bem, entrei, e tinha apenas o simples objetivo de pegar um livro qualquer para passar o tempo. Dei apenas alguns passos quando um estalar de língua quase como em desaprovação surgiu atrás de mim seguido de uma voz sorrateira e calma.

-Se você fosse pega por qualquer outra pessoa agora, garanto que as consequências poderiam ser bastante desagradáveis senhorita. Mas fingirei que não vi isso.

Virei-me calmamente e respondi tentando não tremer:

-Eu ficaria grata e em dívida eterna, se fizesse isso.

A silhueta do homem encoberta pela noite se aproximou e disse em poucas palavras.

-Entretanto isso não saíra de graça.

Um leve sorriso se formou nos lábios da misteriosa silhueta envolta na escuridão da noite.

-Creio que não tenho muito o que eu possa oferecer, mas vá em frente, diga o seu preço.

Tentei parecer confiante e manter a pouca dignidade que ainda tinha com a ocasião, mas estava tão trêmula que tinha a impressão que havia falhado totalmente.

-Vejo que essa vida lhe deu uma língua tão afiada quanto o fio de uma espada, entretanto parece que o medo também se tornou seu amigo.

Por mais que eu não entendesse ao certo o que o levara a dizer “essa vida’’ ou “o medo se tornou seu amigo’’ apenas respondi.

-Não prolongue essa situação com palavras jogadas fora, apenas diga o que posso fazer para que não encha os ouvidos da Condessa ou qualquer outra pessoa com palavras em relação a mim?

Uma breve risada soou pela biblioteca segundos após eu ter falado, e ignorando tudo que eu disse ele continuou.

-Não sei o que os céus planejam, porém nunca é bom. Afinal você está aqui novamente, diferente, mas sinto que é você, com o mesmo cheiro de rosas, e com o mesmo olhar superior.

-Do que está falando? De quem está falando? Ou melhor, o que tudo isso tem a ver com eu estar aqui?

-Belas perguntas! Mas creio que não posso responde-las no momento. Então por que você não vem aqui novamente amanhã e tenta tirar as respostas de mim.

Antes que eu respondesse aquela silhueta se desvencilhou as poucos da escuridão e estava a poucos centímetros de mim, ele trajava vestimentas em vermelho com detalhes em uma cor que se aproximava do bege, em suas costas e mangas havia algo como um prolongamento do tecido, lembrava-me muito uma túnica, mas ao certo não conseguia descrever. Meu pensamento foi interrompido quando uma sensação fria apalpou minha bochecha.

-O que está fazendo?

-Somente encobrindo as provas de seus atos.

Como um vento que atravessa as árvores ele passou sua mão rapidamente da minha bochecha até minha boca, e a retirou um pouco depois.

-Você deveria pelo menos se limpar depois de comer.

Ele levantou o polegar que usara para ao que parecia me limpar, e mostrou o dedo sujo com geleia, então o levou a boca, e como se nada tivesse acontecido passou por mim em direção as enormes prateleiras com livros. Tudo o que ele disse foi:

-Você deveria ir embora daqui senhorita, nada de bom pode acontecer se ficar, mas caso fique, o meu preço é que me faça companhia.

Então sem pensar duas vezes e aproveitando a oportunidade saí da biblioteca.

Cheguei aos meus aposentos um tanto atônita, e definitivamente com teorias da conspiração se formando na minha cabeça, o homem na biblioteca não era o primeiro que falava como se me conhecesse, o garoto do labirinto também havia se mostrado de maneira similar. Eu havia escolhido ignorar por pensar ter sido um engano, mas com toda certeza existia alguma coisa ali e eu descobriria.

Pensei um pouco sobre a situação mas foi só a chuva de mais cedo cessar que fui em direção a pequena escrivaninha do quarto e comecei a procurar por algo como um espelho, e encontrei, mas estava em um baú ao lado que não tinha notado. O espelho não era muito grande, mas foi o suficiente para ver o quão ruim estava meu estado depois de comer feito uma porca, atentei-me a isso graças ao homem da biblioteca que por alguma razão decidi chamar de Abusado. Meus cabelos estavam ainda intactos da sujeira, presos apenas por uma fita listrada em formato rabo de cavalo, um pouco secos, e sem o brilho dourado que costumavam ter em seus melhores dias, o fato de serem encaracolados nas pontas só piorava o seu tratamento. Com as roupas a situação era ainda pior, encobertas com farinha que caíra em mim na dispensa, o vestido preto com alguns detalhes em um branco que eu escolhera julgado ser o mais aceitável havia se transformado em uma cor que eu não reconhecera. Troquei-me brevemente e coloquei as roupas sujas no baú onde encontrara o espelho. Já era quase duas da manhã quando consegui adormecer novamente, o que dessa vez se postergou até o amanhecer.

11 de Abril de 2018 às 21:20 1 Denunciar Insira 4
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Karimy Karimy
Olá, tudo bem? Gostei bastante da sua história. Achei a personagem intrigante e cativante logo de início, principalmente por sempre parecer que ela está mesmo narrando um acontecimento para uma roda de amigos que estão a ouvi-la ao redor de uma fogueira. haha! Só gostaria de fazer algumas observações com relação à gramática. Aconselho uma pequena revisão na construção frasal e de parágrafos, além de vírgulas; não é nada demais, mas que poderia acrescer muito à sua história, assim como um olhar mas atento aos itens a seguir: 1)Acentuação: "para-lo" em vez de "pará-lo"; "ajudá-la" em vez de "ajudá-la"; "questiona-la" em vez de "questioná-la". 2)Falta de vírgula em vocativos, como "Deve agradecer ao transporte quanto a isso Condessa" em vez de "Deve agradecer ao transporte quanto a isso, Condessa"; falta de vírgula em conjunção adversativa, como em "peço desculpas mas devo me retirar" em vez de "peço desculpas, mas devo me retirar". Caso precise, o Inkspired disponibiliza leitores betas e, para contratá-los, basta ir até "Serviços de Autopublicação" e fazer sua solicitação: você pode usar suas moedinhas do inks para isso! Bom, mas, como disse, sua história está muito boa, fluida e intrigante.
4 de Maio de 2019 às 14:13
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