Por Trás da Seriedade Seguir história

lillybelmount Lilly Belmount

O que é um amor puro e verdadeiro? É ser sincero ao estar ao lado de quem se ama profundamente? É mudar por ele na esperança de tornar o seu mundo mais colorido? Amar é arriscar tudo para fazer alguém feliz. Jared e Cindy, com certeza, se amam. Mas será que isso é o bastante? Para descobrir, eles terão que ultrapassar muitos obstáculos. Juntos, eles descobrirão que estar ao lado de quem se ama pode ser uma grande aventura para se autodescobrir e que o amor tudo pode superar.


Romance Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#cindy #jared #casal #romance
1
5320 VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo Todos os Domingos
tempo de leitura
AA Compartilhar

Capítulo 1

A noite tão desejada pela banda The Fallen finalmente havia chegado. Há algumas semanas haviam planejado dar uma festa que poderia se tornar épica ou o que chegaria perto disso. Queriam, acima de tudo, aproveitar o tempo livre que tinham antes de retornarem aos shows. A agenda tão lotada não lhes permitia tanto tempo livre. Uma única oportunidade de realizarem suas festas lendárias se aproximava. Eles estavam esperançosos de que novas pessoas pudessem comparecer. Precisavam de “gente nova” em suas festas.

Mais cedo, naquele mesmo dia, os rapazes foram até o colégio Bennington High School para entregar os impressos para aquela noite triunfante. A cada jovem que saía era uma nova esperança. Dentre eles, a garota tão esperada poderia aparecer. Esperaram pacientemente até que o último aluno saísse do colégio, mas, infelizmente, a garota não estivera na escola.

Não tendo mais o que fazer, Jared guardou o último folheto em seu bolso e se pôs a caminhar de volta para o carro. Um fio de esperança nasceu nele ao ouvir risadas femininas se aproximarem.

Lá estava ela, linda e sorridente, acompanhada de sua amiga. Um sorriso doce que fazia com que ele tentasse ao menos retribuir. Jared sentia borboletas fazendo festa em seu estômago. Aquela sensação que o dominava era tão desconhecida e estranha...

Contemplava-a em cada detalhe. O seu cabelo loiro que dançava entre o vento, o sorriso doce que iluminava o seu rosto delicado. Tudo era perfeito nela. Tinha de contar com a sua presença. Ela poderia fazer a diferença numa de suas festas.

Evan apenas observava perto de uma árvore, achando graça da cena.

— Esperando alguém? — perguntou Julie a Jared.

— Preciso falar com a sua amiga! — exclamou Jared, com um sorriso enigmático.

Ele se aproximou da outra garota. Puxou-a para um canto, segurando delicadamente em sua mão. Ela sorria nervosa para ele.

— Ficaria muito feliz se pudesse comparecer a festa que darei hoje à noite. Será bom ter pessoas novas por perto. Te espero lá — despediu-se dela dando-lhe um beijo no rosto.

A garota não sabia como reagir. Ora olhava para o par de olhos azuis que se distanciava, ora para sua amiga. Não imaginava que ele poderia querer ter um momento com ela. Seus pés haviam sido enterrados na terra de alguma maneira. Desconhecia tal comportamento de Jared para com as pessoas, não era daquela forma que ela ouvia falar de um astro do rock. Muito menos dele. Algo diferente estava acontecendo. Olhou para sua mão, relembrando o toque. Calmo e suave. Uma aproximação arriscada, mas que lhe fizera se sentir bem. Guardaria para sempre aquele momento na memória.

A noite seria um desafio muito grande para ambos. Ela teria de enfrentar os seus pais para conseguir permissão para ir e ele teria que ser forte o suficiente para não mostrar o seu eu de verdade.

— Que cara é essa, maninho? — perguntou Evan, divertido. — Parece que ganhou na loteria.

— Não exatamente. Só fiquei feliz por conseguirmos entregar todos os impressos. Mais uma festa entrará na nossa lista como a mais lendária.

Evan respirou profundamente.

— Espero que seja exatamente como diz.

— Podemos ir para casa? Temos muitas coisas para organizar antes do anoitecer. Teremos um bando de adolescentes para alimentar essa noite.

Evan começou a dirigir em direção ao mercado. Precisavam garantir os comes e bebes da noite.

Enquanto isso, Jared não parava de pensar no quanto aquela noite poderia mudar sua vida para sempre. Talvez ganhasse mais algum motivo para tentar se libertar. Faria o impossível para tudo ser especial e inesquecível.

***

A música soava alta demais no bairro de Keaton. De onde quer que viesse, o som conseguia chamar a atenção de todos que por ali circulavam. O bairro todo parecia se comunicar com o evento de forma intensa e agitada demais. Carros e mais carros paravam diante da casa iluminada e movimentada. Uma movimentação que não era tão esperada pelos anfitriões, pois esperavam apenas uma determinada quantidade de pessoas, mas não faziam questão de estragar a diversão de quem ali se encontrava. Não eram de estragar a comemoração e alegria das pessoas. Só queriam curtir o melhor momento de suas vidas enquanto podiam.

As garotas esperavam ansiosamente por um dos anfitriões. Um rapaz que sabia encantar e seduzir como ninguém. Seus belos olhos azuis pareciam penetrar na alma diante de uma comunhão intensa e duradoura. Tinha uma voz que causava arrepios quando falava bem próximo aos ouvidos. Alguém que era sedutor sem fazer o mínimo de esforço. Tinha o seu jeito único de prender a atenção da mulherada. Independente de qual fosse a idade, todas se sentiam atraídas por ele. Um magnetismo que não havia explicação alguma, apenas devia ser sentido.

Havia bastantes jovens se entregando ao doce som da melodia que preenchia o ambiente. Não eram músicas que desrespeitassem regras ou crenças, mas permitiam que cada um deles sonhasse com um mundo paralelo, um lugar melhor para se viver sem ser reprimido, sem leis, sem regras e sem ditadores.

Evan e Trevor caminhavam dentre os convidados prestando atenção a tudo o que acontecia. Algumas pessoas os paravam para conversar, mas sempre conseguiam dar um jeito de escapar. Muitos queriam detalhes sobre os seus novos trabalhos, porém nenhum deles tinha permissão de dizer. Desejavam apenas curtir aquela festa maravilhosa.

Jared estava mais sério do que antes. Mesmo com a festa acontecendo, nada parecia ser capaz de tirá-lo daquela máscara de seriedade. Algo o preocupava, mas ninguém parecia notar. Ele andava de um lado para o outro, provavelmente à procura de um rosto conhecido. Na verdade, ele não conhecia a maioria daquelas pessoas, que estavam apenas à procura de diversão e de algo para alegrar o fim de semana.

O que era preciso para que Jared sorrisse? Alguém deveria ser capaz de fazê-lo. Ou talvez alguém, cuja presença ele tanto desejava, ainda não estivesse por ali. Admitia para si mesmo que ela nunca havia comparecido a uma de suas festas. Já deveria estar acostumado. Sempre era rejeitado pelas pessoas que ele desejava ter por perto.

Uma garota ruiva e baixinha passou perto dele, mandando-lhe um beijo apaixonado acompanhado de um suspiro profundo do qual ele foi capaz de sentir medo. Fora totalmente reprimida pelo o olhar do rapaz. Se ela estivesse com as amigas ao seu lado, provavelmente estariam achando que ele era malvado e que as suas intenções eram a de magoar as pessoas mesmo sem conhecê-las. Mas o que ele poderia fazer?

Infelizmente nada. Nenhuma delas fazia o seu tipo, nem mesmo a sua namorada. Talvez ela servisse apenas como uma desculpa para não ser assediado a todo o momento. Ele não gostava de ser perseguido por tantas pessoas com as mesmas intenções, pensamentos e atitudes. Nenhuma das garotas que estavam em sua casa lhe interessava, fugiam dos seus ideais e das suas vontades. Todas juntas pareciam fúteis demais.

Mistérios envolviam a vida de Jared. Nunca ousara contar o porquê de toda aquela seriedade que lhe preenchia a vida de forma intensa. Preferia que fosse daquele jeito, sem demonstrações de afeto, amor ou carinho. Não haveria riscos de se machucar. Ter certos sentimentos aflorados o assustava. Ninguém o entenderia, não da forma que ele desejaria. Gostaria de ter a devida oportunidade de contar qual era o grande mistério que atrapalhava a sua vida. Durante todos aqueles anos, sofria por ter um segredo.

Decidido, caminhou até a mesa de bebidas e se serviu de cerveja. A bebida o ajudaria a ter bons pensamentos antes que acabasse ficando louco.

Um único copo pareceu ter sido pouco para ele. Então, tomou mais dois copos seguidos sem ser interrompido.

Durante aquela festa, muitas novidades poderiam surgir.

Antes mesmo que ele pudesse pegar a sua guitarra, que estava bem próxima dele, Mellody chegou. Os murmúrios foram altos o suficiente para lhe deixar alerta.

Ela andava em sua direção, confiante no vestido vermelho que definia ainda mais as suas curvas estonteantes. Ela sempre acabava colocando todas as outras garotas no chão, destruindo os seus sonhos mais belos e preciosos. Conseguia tudo o que desejava com muita facilidade. Ao se aproximar ainda mais de Jared, ela o puxou para um beijo bem demorado.

Ele tentava recuar, mas ela sabia como dominá-lo por completo. Segurava-o com vontade em seus braços.

Mellody gostava de mostrar a todas aquelas garotas a quem Jared pertencia. Tudo tinha de ser do seu jeito. Namorar Jared Colleman exigia muito esforço e confiança, e Mellody parecia possuir as qualificações necessárias para não ser tirada de seu posto com tanta facilidade.

— Como você está, meu amor? — perguntou Mellody, ao interromper o beijo.

Jared passou a mão pelos cabelos, pousando uma delas em sua cintura.

— Estou bem — respondeu ele, friamente.

— Não parece. Está com cara de preocupado. Não gosto de te ver assim, meu gostoso.

— Relaxa, Mell. Isso não tem nada a ver com nenhuma outra garota, se é nisso que está pensando.

— Eu sei, amor. Não consigo imaginar a minha vida sem você.

Jared ia responder, mas preferiu guardar o comentário para si mesmo. Acabaria causando uma grande confusão com a garota e não era o que ele desejava. Não naquela noite. Queria apenas pensar na sua diversão e na dos seus convidados, de tocar sem parar enquanto a sua mente o transportava para qualquer outro lugar onde Mellody não estivesse. Longe de todo aquele caos, no qual vivia todos os dias.

— Preciso chamar os rapazes para tocar.

Quando Jared ia saindo para ir em direção aos companheiros, Mellody o segurou pelo braço com força.

— O que é agora? — perguntou ele, irritado.

— Só preciso te fazer uma pergunta.

— Não pode esperar para depois? — rebateu ele.

— Poderia, mas preciso da resposta agora — murmurou ela, manhosa.

— Rápido — ordenou ele.

— Por que você nunca me chamou de "amor"?

— Ah, qual é? — disse Jared, irônico. — Mellody, você sabe muito bem o motivo. Não precisa de explicação. Certas coisas não precisam ser pedidas, Mellody, mas conquistadas. Infelizmente, você não conseguiu conquistar esse direito. Tem que ser uma conquista diária.

— Poxa, pelo menos uma vez, eu queria te ouvir me chamar de amor. Uma única vez. Até parece que não somos um casal como as outras pessoas — resmungou Mellody, mimada.

Jared não gostava do comportamento da namorada. Não aceitava a forma como ela lidava com as pessoas e nem de como ela se sentia maior do que era. Estava sempre disposta a humilhar os outros. Aquilo era errado. Insuportável. Desumano.

— Tudo bem, meu "amor" — disse ele, frio, dando ênfase na palavra "amor".

Mellody, animada em ouvir o que sempre desejou, pulou no colo de Jared e começou a enchê-lo de beijos, dos quais ele tentava se esquivar. Detestava quando ela se "apoderava" dele. Não precisava de tudo aquilo. Preferia quando estavam brigados, assim cada um ficava em seu canto e não existia encheção de saco. Ela apenas se importava em gastar todo o dinheiro que possuía para esquecer toda a briga e nada mais. E ele se tornava independente durante semanas, livre para pensar e fazer o que mais desejava. Um alívio que era bem vindo sempre.

Era muito para uma pessoa só.

— Te amo, Jay. Nunca vou te abandonar.

Jared sentiu um arrepio estranho percorrer todo o seu corpo. Aquilo não poderia estar acontecendo. Mellody não poderia estar se declarando para ele. Tudo o que ele mais detestava era aquele tipo de declaração. Ele não merecia e não gostava de demonstrações de afeto.

Largou Mellody e partiu para o quintal dos fundos. Precisava arejar os pensamentos. Todas aquelas maluquices que ela havia dito o deixaram confuso.

Por sorte, não havia tantas pessoas para compartilhar o lugar. Teria um minuto de paz antes de começar a tocar.

Adorava sentir o vento da noite tocar seu rosto, fazendo uma sensação de calmaria se espalhava por seu corpo. Gostava de olhar para as árvores cobertas por pequenas lâmpadas. Um pequeno toque decorativo que o fazia se lembrar de casa e de sua mãe. Do lar que um dia decidira abandonar para seguir os seus sonhos.

Só não esperava que o seu irmão pudesse seguir os mesmos caminhos que ele.

Detestava quando sentia que tudo em seu mundo iria dar errado, de que não poderia contar com as pessoas que sempre desejou. Tudo estava errado. Jared se sentia sufocado nessas situações.

Olhou para a casa do vizinho e notou que as luzes ainda estavam acesas, embora eles normalmente dormissem mais cedo ou saíssem de casa nos fins de semana. A vida deles era diferente da que Jared levava. Tantos pensamentos o confundiam. Sua vontade era de simplesmente voltar no tempo e fazer algumas escolhas diferentes e ter pessoas especiais na sua vida como sempre deveria ter tido.

Queria que aquela garota estivesse ali, mesmo que fosse para não lhe dizer nada, mas ao mesmo tempo para lhe dizer tudo. Em seu coração, a chama da esperança ainda ardia fortemente. Não poderia desistir tão fácil. Não foi assim que a vida lhe ensinara. Se desejava tanto algo bom na sua vida, deveria lutar sem parar até conquistá-la. Aprendera com a escola da vida.

Infelizmente, não poderia tomar decisões precipitadas em relação à Mellody. Sua vida pertencia a ela de algum modo e ele se detestava por esse fato caótico. Ela usava este fato para que Jared nunca terminasse com ela. Mas devia haver alguma saída. Detestava-se pelo simples fato de ter compartilhado o seu maior segredo a ponto de ela conseguir ouvir. Deveria ter prestado atenção nas pessoas que se aproximavam quando conversava a respeito. Sua vida, desde então, havia se tornado um inferno. Se pudesse, não hesitaria em deletar a namorada da sua vida

Gostaria que tivesse sido diferente, para que não tivesse tantos problemas. Mas, se assim fosse, ele não teria conhecido outras pessoas que mudaram a sua vida para melhor.

Continuou por ali até que um de seus parceiros e melhor amigo de banda foi lhe chamar.

— Jay, está tudo bem?

Jared foi despertado de seus pensamentos, olhou rapidamente para Trevor e respondeu:

— Gostaria de dizer que sim, mas infelizmente não estou.

— Deixa eu adivinhar... O problema é a Mell?

— Sempre! Sinto que ela me suga demais. Não consigo ter um único momento livre. Se ela me vê conversando com outras garotas, logo vem o ataque de ciúmes.

— Por que não termina com ela? Jared, do que adianta ficar com alguém durante tanto tempo, se ela te sufoca? Você está se acabando com esse relacionamento. Tem de se libertar do que te faz mal.

Jared respirou fundo, fitando o amigo firmemente.

— Só preciso do motivo certo. Sei como a Mellody vai reagir diante do termino do namoro e ela sabe de muitas coisas que poderiam acabar com a banda.

Trevor riu inocentemente. Não fazia ideia do quanto seu amigo sofria com a pressão de Mellody.

— Eu sei que ela é louca. Agora, vamos deixá-la pra lá. Precisamos tocar para as pessoas. Afinal, foi para isso que elas vieram. Vamos dar diversão a elas e permitir que sonhem um pouco mais com as nossas belas músicas compostas por você.

Jared se virou completamente para Trevor, dando-lhe uns tapinhas no ombro.

— Ainda bem que te tenho como bom amigo. Sempre me ajuda dando conselhos sábios.

Trevor começou a gargalhar sem parar.

— Nunca mais fale desse jeito comigo. Jay, você fica parecendo uma menina. Isso é assustador demais.

— Tudo bem. — Jared se rendeu. — Vamos arrasar agora.

Jared e Trevor caminharam para o hall de entrada e assumiram as suas posições no palco improvisado. O trio começou a tocar a melodia de sua música mais conhecida. Logo, os convidados começaram se mover, maravilhados, no ritmo daquela música inebriante.

Os olhos de Jared brilhavam de pura alegria e êxtase. A sensação de estar no palco o acalmava. Era um lugar sagrado, onde ele poderia ser quem realmente era e não seria reprimido.

O amor pela arte sempre falava mais alto. Desde criança, Jared sempre havia seguido o seu sonho. Todas as composições de novas músicas eram bem pensadas. Ele pensava nas pessoas, queriam que elas ouvissem a sua música, se inspirassem e levassem algo para a vida, pois valia a pena repassar as mensagens que lhe fizeram chegar até aquele ponto da história musical.

Haviam sido anos de luta que fizeram a diferença na vida de cada membro da banda. Jamais desistiram diante de alguma dificuldade. Caso tivessem desistido na primeira vez em que duvidaram de seus talentos, não teriam tanto sucesso.

Todas aquelas luzes que piscavam intensamente os transformavam por completo no palco. Eram pessoas com o espírito mais leve.

***

Jared sempre havia se mostrado um cara muito sério no colégio. Tão sério, que algumas pessoas preferiam não conversar com ele, temendo que ele pudesse ser arrogante e, principalmente, ignorante. Afinal, era melhor serem precavidos, até mesmo porque não conheciam a história de vida daquelas pessoas.

Até mesmo segredos obscuros poderiam ser guardados a sete chaves. Uma história que não se tratava de domínio público e que em hipótese alguma deveria ser citada sem permissão. Ser discreto funcionava muito bem com Jared. Sua vida seguia do jeito que sempre quisera, tinha conquistado muitos objetivos, sonhos e metas. Muitas pessoas não compreendiam o porquê de ele agir dessa forma. Mas precisava ser assim para que algumas pessoas o respeitassem. A seriedade não o atrapalhava em quase nada.

Já havia se passado alguns meses desde que ele terminara o ensino superior. Havia sido obrigado por sua mãe a cursar uma boa faculdade. Dentre muitas que ele podia escolher, optou pela Edwin. A distância era o problema, porque ele gostava de ficar em Londres, onde havia pessoas que o prendiam na realidade.

Quando podia, visitava a mãe em Los Angeles, mas sua agenda como cantor era muito cheia. Precisava conciliar todas as suas tarefas, mesmo que isso lhe exigisse viajar todos os dias em horários completamente diferentes. Sempre que podia, saía com algumas garotas – daquelas que só se interessavam pela sua posição social e pelo que ele representava – apenas por diversão. Mas sempre colocava a banda, que era essencial para a sua vida, em primeiro lugar. Independentemente de quem fosse a garota, ela sempre seria colocada em última opção. Só seria uma prioridade se ela valesse a pena e o fizesse se sentir diferente a todo e qualquer momento.

***

Cindy sempre haiva sido uma típica fã da banda The Fallen. E, como toda fã, ela sempre foi muito apaixonada por Jared Colleman. Um amor que crescera de forma inexplicável, mas forte e intenso. Nunca tivera coragem de lhe dirigir a palavra quando estudavam no mesmo colégio. Falar com ele era mais difícil do que ela poderia imaginar. Quando reunia forças para se aproximar dele, sempre havia muitas garotas à sua volta, então, ela desistia e ia para casa decepcionada consigo mesma e lamentava, mesmo sabendo que ele estava tão perto.

Saber que ele morava perto dela havia se tornado o motivo de suas alegrias. Da sua alegria constante, aliás. Mas o fato de ela ser vizinha dele tornava a vida de Cindy um pouco complicada. Sempre havia alguém interessado em passar um bom tempo conversando com ela do lado de fora, o que a irritava demais, até mesmo porque, muitas vezes, ela não conhecia a pessoa. Chegara a conversar com os seus pais a respeito de sua transferência para outro colégio, mas eles não quiseram lhe dar ouvidos. Insistiam em dizer que aquele colégio era fundamental para a vida dela. Só que eles não conseguiam imaginar o abuso que Cindy sofria dessas pessoas.

Mas, mesmo que uma parte dela desejasse sair daquele colégio, outra queria permanecer, pois apreciava a presença de Jared, mesmo que eles não frequentassem os mesmos círculos sociais. Com ele por perto, ela podia sonhar. Raramente se falavam, apenas trocavam olhares desconcertantes que eram capazes de lhe tirar o ar. Toda vez que o via, Cindy ficava com as pernas moles e por pouco não conseguia sair de onde estava. Esses eram alguns dos poucos momentos que a alegravam.

***

Era fim de semana. Momento perfeito para dar uma grande festa. Toda a vizinhança comentava sobre a grande festa dos rapazes da banda The Fallen. Era uma oportunidade que Cindy não poderia perder.

Havia passado o dia inteiro procurando algo que pudesse agradar a ela mesma e aos convidados dele. Estes momentos de procura eram raros, mas ela estava empolgada com a ideia da festa. Seria a primeira vez em que estaria numa festa dada por ele.

Cindy, de seu quarto, conseguia ouvir a música. Seu coração disparava ao se imaginar indo para a festa. Sua vontade era muito grande, mas precisava de coragem para ir até a casa de Jared, mesmo eles sendo vizinhos. Ela não era insegura, mas quando pensava nele, parecia mudar completamente. Talvez fossem apenas os seus sonhos ainda de infância falando alto.

Sentada em sua cama, com o notebook apoiado sobre as pernas, Cindy visualizava alguma fotos que Roberta havia lhe enviado havia alguns dias. Fotos do dia em que foram ao show do The Fallen.

Ah, como elas se divertiram naquele show!

Demorou alguns dias para que elas conseguissem voltar a andar normalmente, pois Haviam pulado tanto que seus músculos haviam ficado doloridos demais.

Após organizar as fotos, ela largou o computador e foi para a sala de estar, onde procurou por sua mãe, mas não a encontrou. Então, tentou ver se ela estava na cozinha e, dessa vez, acertou.

Viu a mãe cantarolar, indo de um lado para o outro, e decidiu sentar perto da bancada, apenas observando em silêncio. Momentos como aquele eram raros naquela casa. Uma alegria que Brenda, sua mãe, sempre continha dentro de si, porque não era o tipo de pessoa que gostava de sempre demonstrar seus sentimentos. Brenda terminava de preparar o jantar e, até então, não tinha visto que a filha estava esperando por ela.

Quando a viu ali, retirou uma mecha de cabelo da frente do rosto e perguntou.

— Algum problema, querida?

— Nenhum... — mentiu Cindy. — Só estava te observando mesmo.

Brenda a encarou estranhamente.

— Você nunca foi de fazer isso, garota. Pode começar a falar.

— Estava no meu quarto, ouvindo a música... — Brenda a interrompeu, sorrindo.

— Não me diga que você quer ir a essa festa na casa do nosso vizinho?

— Não sei. Não tenho certeza.

— Por quê? — indagou Brenda, curiosa.

— Sei lá. Se eu tivesse alguém para ir comigo, quem sabe?

Brenda ficou séria.

— Que horas você voltaria?

— Cedo.

Brenda, no entanto, nada mais falou. Cindy entendeu como uma resposta negativa, afinal, sua mãe não a deixava sair muito. Se fosse por Cindy, ela já teria pegado estrada. Teria ido conhecer o mundo como ele realmente era, pois achava que lhe faria bem. Um novo olhar se abriria e sensações novas seriam despertadas.

Decidida, Cindy voltou para o seu quarto e por ali ficou vagando em estado de reflexão. Nunca se sentira tão ansiosa em toda a sua vida. Esperava que a mãe mudasse de ideia de repente. Precisava aproveitar sua juventude. Ouvir aquelas músicas fazia com que Cindy saísse rodopiando pelo seu quarto, animada.

Rodopiou tanto que acabou caindo de tanta tontura e esperou que a vertigem passasse. Depois foi até a janela e se pôs a observar a movimentação na casa ao lado. Todos pareciam tão felizes e livres de si mesmos.

O dia havia sido cheio de surpresas, afinal Jared a havia convidado pessoalmente. Seu coração disparava ao pensar no toque das mãos, da sensação de estar frente a frente com ele, contemplando os seus belos olhos azuis.

Não demorou para que o jantar ficasse pronto e Brenda a chamasse, desprendendo-a de seus devaneios. Até então, Cindy já havia desistido de qualquer chance de ir para aquela festa. Não conquistaria a sua liberdade tão cedo. Razões sensatas e concretas se apoderaram dela. Não teria com quem conversar por ali, ficar em casa era a sua única solução.

Na hora do jantar, conversava aos sussurros com sua mãe:

— Sinceramente, não sei o que faço a seu respeito, minha filha.

— O que? Como assim? — perguntou Cindy, desentendida.

— Você está crescendo e devo admitir que está na hora de eu permitir que aproveite um pouco mais a sua vida. Vá a essa festa!

— Não sei se devo ir, mãe! — exclamou Cindy, insegura.

— Claro que deve, Cindy. Você é jovem, aproveite. Aliás, ele é um gato. Quem sabe rola alguma coisa — apoiava a mãe, animadamente.

— Mãe, é impossível. Ele tem namorada. E, segundo, eu gosto dele como cantor e antigo colega da escola. Simples assim — explicou Cindy.

— Aham... Eu sei muito bem como é. Meu amor, eu já tive a sua idade. Sei o quanto você quer ir a essa festa.

— Mãe, não vai dar certo.

— Tente, garota — incentivou Brenda.

— Não sei. — Cindy estava confusa olhando para seu celular, onde havia uma foto dele, de um show que ela havia ido. — Posso tentar, mas se der errado...

Brenda a interrompeu:

— Nada vai dar errado, querida.

— Você diz isso porque é a minha mãe.

— Eu, hein! Mas que garota travessa! Você nunca vai saber se não tentar.

— Travessa? EU? Nunca! — Ela riu. — Vou tomar um banho. Preciso me aprontar.

Brenda, às vezes, surpreendia a própria filha. O tipo de pessoa que nunca deveria ser desafiada. Havia muito mais a ser esperado daquela mulher do que um mágico com seus belos truques e efeitos.

Ao sair do banho, Cindy se sentia um tanto diferente. Não conseguia acreditar de onde havia tirado coragem de ir mesmo à festa. Tinha medo de que as pessoas pudessem começar a criticá-la.

Ela só queria ver Jared. Era o que importava, queria ter a oportunidade de conversar com ele, olhando em seus belos olhos azuis como o céu.

Parou diante do espelho e ali ficou encarando o seu reflexo, tentando se convencer de que algo especial estava para vir.

Cindy colocou sua melhor roupa, um pouco de maquiagem e arrumou o cabelo de modo impecável, como se estivesse fazendo parte de um conto de fadas. Seu rosto doce e suave refletia a sua alegria por estar diante da sua liberdade, de todos os pensamentos que um dia tivera.

Assim que terminou de se aprontar, desceu para a sala, onde estava sua mãe, distraída, vendo o filme com seu pai. Ela olhou aquela cena, encantada. Imaginava-se um dia constituindo a sua própria família, mas tinha que estar realmente pronta para as novas responsabilidades e os novos desafios.

Os pais ficaram surpresos ao ver a produção da garota. Cindy ficava encantadora quando se dedicava a mudar o visual. Sua beleza natural sempre atraía muitos olhares.

— Gostaram? — perguntou Cindy, sorrindo e entrando na sala, parando apenas para que seus pais a observassem melhor.

— Filhinha, é você? — George, pai de Cindy, estava surpreso com o que via. — Nossa! Agora eu sei que tenho duas mulheres em casa. Meu bebê está crescendo e se tornando uma mulher — disse ele, levantando-se para abraçá-la. — Por favor, não venha me arrumar um genro — brincou ele.

— Não se preocupe, pai. Só vou a uma festa e nada mais.

— Assim espero. Confio em você.

— Eu não seria tão imprudente.

George sorriu, aliviado.

— Eu te entendo, meu amor. A questão é que as pessoas, muitas vezes, quando estão em festas, permitem que a sua vida saia dos eixos. E sua mãe e eu prezamos pela sua segurança. Lembre-se sempre disso.

— Vou ficar bem... — Cindy despediu-se.

— Está linda, filha — elogiou Brenda. — Divirta-se.

Cindy nada disse, apenas deu um beijo em seus pais e saiu em direção à porta.

Ao ver que estava havendo uma grande movimentação de pessoas de seu colégio na festa ao lado, quase desistiu. Afinal, ela estava se sentindo um peixe fora d’água. Era apenas uma festa e não uma palestra. Ali, ela não seria obrigada a falar com todos, exceto se alguém fosse até ela. Lembrando-se da conversa com a mãe, ela seguiu em frente.

O seu caminhar exalava tranquilidade e suavidade, parecia flutuar. Seu coração disparava a cada passo, o ar entrava com dificuldade em seus pulmões. A noite mais perfeita de sua vida estava apenas começando.

Entrando na casa, ela percebeu que Jared cantava a sua música de maior sucesso. Era uma das favoritas de Cindy, que não estava nem um pouco interessada em saber quem estava por ali, queria apenas curtir a festa. Podia olhá-lo sem que ninguém a repreendesse, o que poderia ser bom, já que fora sozinha.

A casa realmente estava cheia e andar parecia impossível. Ficar parada, apenas olhando-o cantar parecia o melhor.

Jared estava deslumbrante. Seu visual não era bem elaborado, pois vestia algo simples, mas que valorizava a sua beleza natural. Ele usava uma calça jeans clara, com uma camisa preta com gola em "v", complementando com uma jaqueta de couro preta. Ele se movia com graça, hipnotizando-a cada vez mais.

Aos poucos, a casa foi ficando vazia, porque, pelo que parecia, a maioria das pessoas decidiu ir tomar um ar, já que se agitaram e pularam demais com o show dos rapazes. Havia alguns que estavam fumando cigarros, mas isso não a incomodava. Não pretendia dar atenção alguma àquelas pessoas desconhecidas.

Enquanto Jared cantava, Cindy pôde sentir sua pele queimar com os olhares dele em sua direção. Podia jurar para si mesma que vira um sorriso tímido preencher seus lábios.

Era raro ver Jared Colleman sorrir. Seus olhos azuis se tornaram mais intensos, impossíveis de não serem contemplados. Só em vê-lo um pouco mais animado, já valia a pena ter saído de casa. Jared Colleman se tornava outra pessoa aos olhos de Cindy. Ela via além do que as pessoas estavam acostumadas.

— Espero que estejam curtindo! — disse Jared, antes de sair do palco improvisado. — Vamos fazer uma pequena pausa e, daqui a pouco, retornaremos com muita música boa para todos.

Cindy percebeu que parecia que a festa tinha começado há um bom tempo. Copos vermelhos estavam jogados por toda parte.

As pessoas exageravam naquelas ocasiões. Não parecia exatamente com o que ela pensava e via acontecer nos filmes. Algumas pessoas a encaravam de um modo como nunca antes ela havia visto, mas não a intimidava. Seu único foco era a diversão e nada mais.

Infelizmente, ela não havia visto exatamente para onde Jared havia ido. Então, desprendida de qualquer pessoa, ela decidiu ir para o jardim dos fundos. Ali, as pessoas conversavam tranquilamente, sem se preocuparem com quem estava ao seu redor.

Havia livre um banco de estilo francês, com arabescos realmente belos, no qual decidiu se sentar, aproveitando a música leve que tocava, fechando os olhos. A luz do luar era maravilhosa, um espetáculo à parte.

Ela sonhava com o dia em que encontraria a sua alma gêmea, e imaginava que, quando isso acontecesse, seria capaz de tocar as estrelas sem sair da terra; contemplava o céu estrelado, com um doce sorriso estampado em seu rosto.

***

De longe, Jared apenas observava. Evan aproximou-se, assustando-o.

— Qual é o problema?

— Nenhum — murmurou Jared, sem tirar os olhos de Cindy.

— Vou fingir que acredito. Vai lá falar com a garota.

— Deixe-a aproveitar o momento.

— Ah, claro! Se você não for, vai ter alguém que não perderá a chance.

Jared deu de ombros.

***

Uma mão tocou levemente o ombro da garota, assustando-a.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou Peter, surpreso.

Cindy o olhou, estranhamente.

— E você? — indagou ela, cruzando os braços.

— Preciso mudar um pouco a minha rotina. Sempre a mesma coisa, uma hora cansa, sabe?

Cindy revirou os olhos, sem graça. Peter poderia ser uma boa pessoa quando queria, mas sempre a cercava e a sufocava. Desejava-a de forma intensa, mas ela sempre havia deixado claro quais eram as suas intenções.

— Sei como é, Peter...

Ao perceber de repente onde Jared estava, ela não conseguiu terminar de falar. Ele estava perto da mesa das bebidas.

Era o momento perfeito. Precisava se aproximar dele. Mas, infelizmente, quando ela começou a caminhar, Peter a acompanhou. Entretanto, mesmo depois de ter conseguido se aproximar bastante, faltando apenas alguns passos para chegar até Jared, a namorada dele apareceu.

Aquela situação, sim, deixaria qualquer um embaraçado.

Mellody beijou-o com voracidade, fazendo com que Cindy se contorcesse com vontade de vomitar. Então, ela voltou a dar atenção a Peter, pois precisava de uma desculpa antes que Mellody decidisse arrumar confusão.

Ao interromper o beijo, Mellody encarou Cindy, furiosa.

— O que essa garota está fazendo aqui?

— Quem? — procurava Jared.

— A Cindy! — rosnou ela.

— Pare com isso, Mell. Ela está no canto dela, não falou com ninguém desde que chegou. Aliás, ela está conversando de boa com o Peter.

— Está defendo ela por quê?

— Só estou dizendo o que vejo — resmungou Jared.

***

Inicialmente, a presença de Cindy não havia sido notada. Quanto mais invisível estivesse, melhor. Gostava de ser invisível em determinados lugares. Assim não poderia se sentir menosprezada.

Na tentativa de evitar que uma briga começasse, Jared fez com que Mellody lhe desse atenção, levando-a para beber alguma coisa, para que, assim, esquecesse a presença de Cindy.

Depois, Jared voltou a cantar. Então, seus ouvidos logo foram preenchidos pela voz masculina e inconfundível. Ela se movia lentamente, deixando seu corpo ser guiado pela música.

Alguns dos garotos lhes serviram uns drinques. Peter não a abandonava de jeito nenhum e, na tentativa de se esquivar dele, Cindy andava de um lado para o outro. Ora ficava na sala, ora ia para fora da casa. Sempre em constante movimento.

A quantidade de bebida que ela havia ingerido já lhe causava uma grande vertigem. Tudo o que ela olhava parecia girar. Não sabia se eram as suas pernas que estavam leves ou se o chão que flutuava.

***

Ela estava bebendo demais. Jared, do palco, observava tudo, nervoso. Ele estava ficando preocupado.

Ele a via tentando ser forte, resistindo diante das bebidas que lhe ofereciam. Mesmo de longe, conseguiu ler os lábios da garota pedindo por água. Mas ninguém se importou em ajudá-la. Por um momento, ele quis sair do palco para ir ajudá-la, mas Mellody poderia acabar fazendo cena e estragar tudo.

***

Cambaleando de um lado para o outro, à procura de água, Cindy esbarrou em Mellody, derramando cerveja em sua roupa.

— Mas que merda, garota! — reclamou ela. — É cega, por acaso?

— Desculpa, não enxerguei a vaca na minha frente.

Depois de alguns segundos foi que ela descobriu que havia dito aquilo:

"Não era para ter dito isso", pensou Cindy.

A festa parou no mesmo instante. Todos pareceram notar a discussão entre as garotas. Uma movimentação fora do comum para a ocasião.

Evan e Jared saíram do palco, seguindo em direção às garotas. Jared estava começando a se enfurecer. Não gostava quando atrapalhavam seu ensaio.

Muitas pessoas já haviam se aglomerado em torno das duas garotas para verem no que daria aquela confusão. No fundo, todos provavelmente torciam para que elas saíssem no tapa. Para arrumar confusão, as pessoas sempre pareciam estar em sã consciência.

A raiva crescia em Jared rapidamente.

***

Mellody estava muito nervosa. Suas mãos chegavam a tremer na tentativa de se controlar, mas não por muito tempo. Tinha de liberar toda aquela energia acumulada ou ficaria louca. Havia muitas coisas que deixavam Mellody enfurecida: mas as mais importantes eram ter qualquer garota perto de Jared e ter a sua noite interrompida. Tentava não fazer mal a nenhuma outra garota, mas, de vez em quando, era necessário deixar que a máscara caísse. Já não havia mais nada que pudesse fazer quanto à sua imagem.

Nervosa como estava, Mellody não iria permitir que alguém estragasse a sua noite. Antes mesmo que os rapazes pudessem se aproximar, ela deu um tapa em Cindy, fazendo-a cair.

Jared empurrou todos à sua frente e correu para ajudar Cindy a levantar. Por um momento, ela se esqueceu do que estava acontecendo e se concentrou em se recuperar do tapa que havia levado. Segundos pareceram se tornar longos minutos.

Jared a trouxe para perto de seu corpo, pois queria ter certeza de que Mellody nada mais pudesse fazer contra Cindy. O perfume que ele usava era forte. Cindy gostava do cheiro. Um aroma diferente do que seu pai e irmão usavam.

Ainda no chão, Jared a olhava preocupado, como se existisse apenas eles ali na casa. Ver aquela cena melosa só fez com que a raiva de Mellody crescesse ainda mais.

— Jay! — gritou Mellody, furiosa. — O que você está fazendo com essa garota?

Mellody queria continuar a briga, mas Evan a impediu:

— Merda! Para com isso, Mell... Não está vendo que ela está bêbada? Não tem condições de se defender. Pensa um pouco — disse ele, segurando os pulsos dela com força.

— Para com isso você! — ela berrou, empurrando-o. — Não está vendo que essa garota só atrapalha a nossa vida? Eu sabia que nada de bom poderia vir dela. Sempre a tentação, o diabo a atazanar tudo o que conquistei com muito sacrifício.

— Mell, vai embora já! Saia da minha casa! Não aguento mais te ouvir falar desse jeito com as pessoas! — Jared respirou fundo. — ACABOU! Está tudo acabado.

Todos os convidados se entreolharam, assustados e indignados com a possibilidade do grande namoro de Jared Colleman e Mellody Strancer estar acabado só por causa de uma garota qualquer.

Ser firme e rude era fácil para Jared e ele não podia aceitar que sua vizinha — a primeira com quem tivera contato — fosse machucada por uma patricinha mimada, que por anos ele designou como namorada. Não haveria palavras suficientes para descrever o quão incomodado ele havia ficado. Mellody não precisava ser tão rígida, mas sua insegurança gritava sempre que o via com qualquer outra garota.

— Evan!

Jared falou baixo com o irmão que já havia entendido o recado e, aos poucos, a casa foi ficando vazia.

— Um dia, Jared, você vai se arrepender de me largar — praguejou ela. — Eu o farei enxergar o grande erro que está cometendo.

Jared fez um sinal para que Trevor cuidasse de Cindy, enquanto ele ia falar com Mellody.

— Como é que você pode ser tão má, hein? Será que não pensa nas consequências dos seus atos? Não pense você que serei bonzinho daqui pra frente. Agora você irá conhecer o meu pior lado.

Mellody ficou altiva.

— Cuidado, Jay, com as pessoas com quem você se relaciona. Elas não duram para sempre.

Ela lhe deu as costas e se foi.

Trevor fez um sinal para que Jared se aproximasse o mais rápido possível, pois Cindy estava ficando cada vez mais agitada em seus braços. Jared correu e a segurou.

— Preciso ir pra casa! — disse ela, tentando se soltar.

— Você não pode — murmurou Jared, prontamente.

— Jared, acho melhor ela passar a noite aqui ou em outro lugar, mas que seja longe dos pais dela...

— Porque os pais dela vão querer matá-la e depois a nós — concluiu Jared.

Ele passou a mão pelos cabelos, preocupado, pensando no que poderia fazer e acabou se lembrando do hotel onde ele costumava passar noites quando queria ficar sozinho. Mas seria complicado ir até lá com Cindy naquele estado. Ela estava tão bêbada, que parecia que havia tomado toda a adega. Mas teria de correr o risco.

— Vou levá-la para aquele hotel no centro da cidade.

— Tudo bem... Mas o que eu digo se os pais dela vierem procurá-la?

— Ah, sei lá... — Pareceu pensativo. — Inventa qualquer coisa. Confio na sua criatividade.

Evan jogou a chave para o irmão.

Trevor aproveitou para ir para casa, pois precisava apagar aquela noite de sua mente. Pelo menos, alguma parte dela.

Jared não disse nada, simplesmente saiu de casa, preocupado com Cindy. Temia que ela pudesse acabar desmaiando de uma hora para outra. Ele percebeu que ela era muito leve para a sua estatura, enquanto a carregava até o carro e a colocava no banco de trás – fazendo de tudo para que ela ficasse confortável. Então, entrou e ajeitou o retrovisor para que pudesse ficar de olho na garota.

Deu partida no carro e, enquanto seguia para o hotel, olhava-a, de vez em quando.

Queria entender o motivo de ela ter comparecido à festa. Tantas vezes a convidara, mas ela nunca comparecera. Ele não sabia se havia sido por medo ou se porque seus pais não permitiam. Não conseguia entender o porquê da mudança. Mas, no fundo, estava contente por ela ter aceitado o seu convite.

De repente, ele se viu tendo lembranças do dia em que se conheceram.

Eu havia acabado de me mudar para Londres. Era um dia muito frio, o mais frio que já presenciei durante os meus shows. Eu não conhecia ninguém, embora quase todo mundo me conhecesse, de forma que caminhar em direção à minha nova casa se tornava complicado demais. Felizmente, faltava pouca coisa para que eu pudesse concluir a mudança.

Naquele dia, estava com um pouco de dificuldade para encontrar a chave da casa e quase me desesperei, procurando ao redor das plantas. Notei quando saiu uma garota loira com um belo sorriso estampado em seu rosto delicado, segurando algo, vindo em direção a mim. Quase morri do coração, pensei que ela fosse me matar de longe ou que fosse uma daquelas fãs malucas. Sim, eu já sofri muito com as fãs desse tipo, mas mesmo assim, não conseguia me acostumar. Mas ela vinha calmamente, e eu consegui respirar aliviado.

Ela se mostrava muito delicada, simples e tranquila. Eu me perguntava se a conhecia de algum lugar, pois seu rosto me era familiar.

— Posso ajudá-lo? — perguntou ela, sorridente.

— Não sei... Talvez... Sabe onde tem um chaveiro? Eu acho que perdi a chave principal.

— Tem a chave extra? — insistiu ela.

— Deve estar com o meu irmão.

— Deu sorte. — Ela sorriu tímida.

— Sorte? — perguntei, espantando.

— É que a corretora da casa trocou a fechadura e deixou essa chave comigo, para que eu pudesse te entregar — Ela estendeu uma das suas mãos.

— Poderia abrir pra mim? É que, como pode ver, estou um pouco ocupado — disse ele, indicando as sacolas e as caixas que segurava.

Ela apenas assentiu com a cabeça, entrou na minha frente, colocou um pote em cima da mesa de centro e voltou rapidamente para me ajudar com as coisas.

Ela era muito linda. Havia um ar de simplicidade nela que me encantava. Se é que assim eu poderia dizer. E, além disso, era muito simpática.

— Cindy. — Ela se apresentou sem que eu pretendesse lhe perguntar.

— Acho que não preciso me apresentar — Ela apenas riu, já indo em direção à porta. — O que tem no pote?

— Uma torta — ela me respondeu, sorrindo.

— Não quer comer comigo, Cindy?

— Não, obrigado. Fica para uma próxima oportunidade.

Eu a vi sair de minha casa como se tivesse visto um monstro. É, eu precisava melhorar muito. Mas eu tinha muitos motivos para ser sério daquele jeito. Sabia que isso afastava as pessoas, mas não fazia ideia de que pudesse afastar aquela garota.

Passei dias e dias com aquela imagem na minha cabeça, principalmente quando estava sozinho. Vagava em meus pensamentos só para poder recordar daquele dia. Ela era muito diferente das outras. Seu jeito meigo tornava-a especial.

Tinha tudo para ser a garota por quem tanto procurei.

Depois daquele dia, Jared nunca mais falou com ela. Chegaram a estudar no mesmo colégio, mas raramente se esbarravam pelos corredores.

Ele já a convidara várias vezes para ser seu par em festas colegiais, mas ela nunca apareceu. Pensava que ela tinha medo dele, porque ele era muito sério e dificilmente sorria. Tinha em si uma seriedade que ninguém compreenderia, iriam achar que era um idiota.

Ele era não conseguia se libertar do passado que o assombrava. Não havia ninguém em que Jared pudesse confiar plenamente.

***

Aos poucos, Cindy começou a despertar, quando faltavam poucos quilômetros para chegarem ao hotel. Pelo retrovisor, ele observava a luta que era para Cindy se manter sentada.

— Tudo bem? — ele perguntou.

— Não!

— O que você está sentindo?

— Dor de cabeça... e vontade de vomitar.

— Tenta aguentar um pouco. Estamos chegando.

Ali mesmo, no banco, ela se ajeitou e ficou deitada. Tudo o que olhava parecia girar e as luzes da avenida deixavam ainda pior. Ela piscara algumas vezes para afastar a confusão de cores, mas manter os olhos fechados parecia o melhor a se fazer. A voz de Jared, pedindo para que ela se mantivesse calma dava-lhe a sensação de estar vivendo num sonho.


7 de Abril de 2018 às 04:34 0 Denunciar Insira 1
Continua… Novo capítulo Todos os Domingos.

Conheça o autor

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~