Dualidade Seguir história

not_psycho ehhhh nop

" Eu realmente não estava entendendo nada, em um instante ele estava lá e no outro não estava. Olhei novamente o papel em minha mão, apenas agora havia percebido a borboleta prensada na cera azul. Por um momento, uma sensação de pânico quase que familiar me atingiu como um soco" Agnes era uma adolescente anti-social comum até aquele dia, não tinhas muitas expectativas sobre o futuro, ela apenas queria ter uma vida longa e entediante como todos os adultos que conhecera até hoje, mas... As coisas não ocorrem como esperado.


Aventura Todo o público.

#Original #romance #Aventura
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Capítulo I — prólogo



Dualidade – capítulo I

Agnes, esse é o meu nome.

Em algum lugar que se encontra entre o mundo dos sonhos e o mundo real eu pude escuta-lo, mesmo que de maneira distante. Essa palavra de cinco letras, ao qual me chamam, foi o suficiente para que eu despertasse, mesmo que lenta e preguiçosamente.

Senti meus olhos pesados, o que apenas dificultou meu trabalho de abri-los. Assim que meus olhos estavam o suficientemente abertos para que eu enxergasse algo avistei uma mesa, bem bagunçada por sinal, coberta de livros de diversas cores e tamanhos e materiais de arte dos mais diversos tipos. Permaneci confusa olhando aquilo pelo que poderiam ser segundos ou horas, isso prosseguiu até eu escutar meu nome ser chamado novamente, desta vez mais alto e de maneira mais... Impaciente?

Olhei em volta tentando entender o que estava acontecendo. Vi na porta do meu, recém-reconhecido, quarto minha mãe me olhando com uma expressão que assustaria até o mais bravo dos homens.

—Agnes, se você não sair dessa cama agora, eu mesma te tiro daí pelos cabelos! – sentei na cama, ainda um tanto atordoada, me espreguiçando em quanto bocejava.

—Que horas são? — minha mãe suspirou impaciente já entrando no meu quarto e arrumando minha pseudo bagunça.

—Tarde, agora levante-se e vá se arrumar para a escola — deitei de volta na cama resmungando baixinho, antes mesmo que pudesse dizer qualquer coisa ouvi minha mãe novamente dirigir a palavra a mim — nem adianta me pedir para faltar, você vai e ponto — suspirei me levantando de má vontade e fui em direção ao banheiro me aprontar para a escola.

(...)

Sabe, existem motivos para eu não gostar da escola. Diga-se de passagem, eu não sou o tipo de pessoa que você vê o tempo todo andando pela rua. Meu cabelo é naturalmente castanho, porém com o tempo àquela cor tão normal começou a me incomodar de tal forma que eu não tive alternativa a não ser mudá-lo drasticamente... Então eu o deixei completamente branco. A cor peculiar do meu cabelo já tira de mim o rótulo de "comum", e as roupas pretas, os fones de ouvidos sempre presentes, a timidez infinita e a palidez quase doentia são apenas complementos que contribuem mais ainda para ganhar o rótulo de estranha.

Ao chegar à escola, após pegar um ônibus mais que lotado, fui direto para minha sala, como sempre faço. Eu sempre era uma das primeiras a chegar, isso porque minha mãe é simplesmente louca com horários. O “tarde” dela era mais cedo do que o de qualquer ser humano relativamente normal.

Sentei-me no meu lugar de sempre, a terceira cadeira da fileira mais longe da mesa do professor, esta era colada na parede, que para meu azar não tinha janelas. Aos poucos as pessoas foram chegando e, como sempre, me ignorando. Apesar da minha aparência chamativa eu sou praticamente invisível na minha escola. Se eu estou na sala, mesmo que as pessoas me vejam, elas apenas agem como se não estivesse ninguém ali e ,cá entre nós, isso não se aplica só aos alunos.

Após algum tempo a maioria dos alunos da sala já havia chegado, assim como o professor, todos apenas fingindo que eu não existia como de costume, só mais um dos comum da minha tediosa vida de adolescente invisível.

Ao notar que a aula começaria e breve aprecei-me em pegar meu livro, não da escola, obviamente, e sim um lindo e cheiroso exemplar de “Jeremy Fink e o sentido da vida”. Eu estava o relendo pela terceira vez este ano, esse livro é simplesmente perfeito! A cada vez que eu o lia ele aderia um sentido diferente a sua estória.

Após ler dezenas de paginas olhei em volta apenas para conferir o estado da sala, e percebi que o professor não era o mesmo de sempre, estranhei, mas no fim apenas dei de ombro e voltei a ler. Não e como se eu me importasse de qualquer maneira.

Ao fim de sua aula ao invés de me ignorar como todos faziam, ele me chamou alegando que precisava “falar” comigo. Okay, vamos apenas disser que eu estou literalmente tremendo de medo, ninguém nunca precisa falar comigo, eu sou invisível! Basicamente um fantasma! O que raios alguém iria querer falar com um fantasma?!

Levantei-me receosa e o segui pra fora. Assim que sai pela porta ele fechou-a e tirou a carranca do rosto colocando um sorriso em seu lugar, ele parecia mais novo agora, e amigável também, porém ele apenas ficou me olhando, e eu o olhando de volta, sem entender o que se passava.

[Nota A.: estranho~]

—Haaam... — ele continuou sem ter reação, alguma apenas me olhando com aquele sorriso de "bobo alegre". — então... Pra que me chamou? — ele pareceu confuso mais continuou rindo até que pareceu dar-se conta da situação bizarra, ele deu uma risada branda o que me deixou minimamente mais calma... minimamente.

— A claro queira perdoar-me, tenho uma coisa para a senhorita Moor — por um momento estranhei a maneira como me chamou, afinal ninguém me chamava pelo sobrenome. Ele retirou de sua bolsa um papel dobrado em três partes formando uma carta que ,estranhamente, estava selada com cera azul — a senhorita deve mantê-la em segredo, exceto de seu responsável é claro. — disse de forma rápida gesticulando com as mãos como se estivesse falando algo óbvio — Cuide bem dela, sim? Ela é muito importante. — de repente meu professor pareceu de certa forma... Ehhh... Como posso dizer...? Louco? — Como você irá perceber, não foi eu que a escrevi. — ele endireitou a postura ainda com um sorriso no rosto, ele não para não? — Agora tenho que ir, tenho outras cartas para entregar. — ele sorriu, de novo, e fingiu tirar um chapéu imaginário — até senhorita, e se cuide.

Eu realmente não estava entendendo nada, em um instante ele estava lá e no outro não estava. Olhei novamente o papel em minha mão, apenas agora havia percebido a borboleta prensada na cera azul.

Por um momento, uma sensação de pânico quase que familiar me atingiu como um soco.

(...)

Após chegar à casa chamei pela minha mãe, afinal, segundo meu professor maluco eu só poderia contar sobra a carta para ela. Ao me dar conta de que ela não estava em lugar algum da casa subia as escadas com pressa. Cheguei ao quarto joguei a mochila na cama e, ainda com a carta na mão, me joguei ao lado da mochila com as mãos tremendo. Por algum motivo aquela carta me fazia entrar em pânico. O que eram aquelas sensações estranhas? Por que um maldito pedaço de papel me deixava tão atordoada e desorientada? Passou-se alguma tempo, então ouvi a porta abrindo no andar de baixo, então corri até lá.

Eu não disse nada à minha mãe, apenas a mostrei a carta, o que a fez me olhar estranho, mas ela pegou a carta mesmo assim. Ao ver o selo o olhar de minha mãe pareceu brilhar e ela abriu a carta rapidamente, após passar os olhos rapidamente por todo o conteúdo da carta, ela soltou um gritinho animado.

— Empacote tudo que é seu, e separe o mais importante em uma bolsa. Querida, você esta de mudança. — ela disse isso e simplesmente sumiu escadaria acima, me deixando plantada no andar de baixo, sem entender absolutamente nada.

— Como assim? Empacotar minhas coisas? Do que você esta falando — subi atrás dela falando algo o suficiente para que me ouvisse, procurei por ela e rapidamente a encontrei, em meu quarto, tirando meus queridos livros da prateleira e jogando-os dentro de caixas, o que me fez ter um mini ataque cardíaco pela falta de cuidados.

— Você vai se mudar pra uma nova escola, não é ótimo? — ela sorriu mais do que deveria ser humanamente possível— Se aprece, tem de sair o mais rápido possível — disse descendo para a prateleira de baixo e continuando o trabalho — No caminho eu explico tudo.

suspirei frustrada e comecei a ajuda-la. O que mais eu poderia fazer, não é mesmo?

(...)

A manhã seguinte é apenas um borrão pra mim, um borrão com caixas de papelão e gritos, muitos gritos.

Acordei no banco da frente da mini van da mãe sem entender muito bem o que estava acontecendo. Meu celular dizia que eram nove e meia da manhã, e dos meus fones de ouvido soava uma musica qualquer de ‘Icon For Hide’.

— Finalmente acordou? Creio que queira saber por que de repente você vai mudar de escola — concordei com a cabeça coçando o olhos ainda meio desorientada — Bem, você de agora em diante estudara na ‘Academia Elementum’. — pude ouvi-la suspirar, eu não a olhava, apesar de tudo ainda estava com sono de mais para perceber o clima estranho — Tenha em mente que não é uma escola comum, você ira aprender matérias comuns é claro, porém o grande foco desta escola é a sua afinidade.

— Okay, mas o que raios é afinidade? — perguntei me endireitando no banco. Sou só eu, ou todo mundo está ficando doido?

— Certo, eu irei te explicar tudo, mas preste bastante atenção, isso é importante — a olhei pelo canto do olho e por um momento ela pareceu desconfortável e de certa forma rígida, não parecia a mamãe de sempre — a muito tempo atrás, o mundo era dividido em clãs, estes porém não eram unidos por sangue, mas sim por suas afinidades. Existem cinco clãs: o do fogo, o da água, o da terra, o do ar e por ultimo, mas não menos importante, o clã da noite.

— Você ainda não disse o que é afinidade. — pronunciei a palavra com certa estranheza e ela riu.

— Certo, mas antes você tem que entender outras coisas. — ela limpou a garganta —Continuando, cada clã controlava um elemento, os quatro primeiros correspondem ao seu nome, claro, e o clã da noite, não era muito grande, era o clã dos dominadores de luz e dominadores de sombras, o único clã a ter mais de um domínio.

— Espera, não são foças opostas? Eles não deveriam estar em clãs separados?

— Não querida, entenda. Luz e sobras são complementares, você só sabe a que a luz existe por que as sombras existem se você não tivesse consciência que existem sombras, você não saberia que a luz existe. É como... — ela deu uma pausa focando no transito por um momento — como a vida e a morte, você só sabe que esta viva por que a morte existe.

— Como no livro que eu estou lendo diz: “vida é um estado que não é a morte”.

—Exatamente, entendeu agora oque quis dizer sobre luz e sombra?— concordei com a cabeça pela segunda vez — agora você precisa entender oque é um ligado. Todos nos estamos ligados à natureza em muitos níveis diferentes, eu, por exemplo, não tenho a menor afinidade com a natureza, você por outro lado esta sempre em arvores ou fazendo um piquenique. Você tem uma ligação muito forte com a natureza, você já deve ter percebido — pensando agora era verdade, eu adorava ler ao ar livre, fosse debaixo das estrelas ou em um piquenique no parque. — seu avô também era um ligado, ele era do clã do fogo, ele não era o mais forte sabe, mas ele fazia teatros com o fogo das velas quando a luz acabava. Era lindo... — os olhos da minha mãe se iluminavam sempre que ela falava do vovô, ela parecia outra pessoa quando falava dele. — e você filha, é uma ligada. Eu não sei como vai funcionar exatamente, mas eu sei que você vai se dar bem.

— Eu espero que sim — suspirei tentando assimilar tudo oque ela havia me dito — mãe, tem mais alguma coisa que você possa me falar sobre os ligados e essas coisas?

— Tem uma historia, seu avô costumava me contar. — ela se endireitou no banco animando — há muito tempo atrás, quando o mundo ainda era dividido em clãs o mundo venerava uma deusa. Seu nome era Luna, esta mulher tinha cabelos tão brancos como a neve, seus olhos porem nunca foram vistos, pois estavam sempre cobertos por um véu, sua pele era clara como leite, suas unhas eram naturalmente pretas e seus trajes ,sempre longos e exuberantes, eram da mesma cor. A deusa vivia entre os humanos e sua beleza era inegável. Mas nem so da beleza vinha a fama da deusa, ela tinha um poder nunca antes visto, ela controlava dois elementos: luz e sombras. Um dia, a deusa se apaixonou por um mortal. A deusa foi criticada até o fim de seus dias por seu amor, segundo seus seguidores a deusa deveria se manter pura pela eternidade, a deusa porem não concordava e queria viver sua vida com seu amor, apesar de ser uma deusa ele ainda era mortal, sabe? — ela engoliu em seco apertando o volante entre os dedos — Em uma trágica noite a deusa tentou fugir com seu amado, porem a fuga não foi exitosa, eles foram pegos e mortos por traição... A deusa porem prometeu renascer em uma época onde o amor não fosse errado e que ela pudesse escolher viver com a pessoa que ama sem ser descriminada.

— Nossa... essa história é linda, e bem triste também. Eu leria um livro sobre essa deusa. — minha mãe riu e concordou.

— Era minha historia favorita quando era pequena. — fiquei em silencio o resto da viagem. Em algum momento eu dormi, e tive belos sonhos com moças de cabelos brancos e roupas pretas.

19 de Março de 2018 às 11:19 1 Denunciar Insira 2
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ehhhh nop Just fucking ignores me

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Karimy Karimy
Olá, tudo bem? Bom, é só o comecinho, mas gostei bastante. A Agnes parece ser mesmo uma garota muito tranquila e, apesar da cor peculiar para um pessoa tímida, consegui imaginar ela exatamente do jeitinho que você escreveu, é muito gostoso ler uma história e pensar: cara, eu odeio esse personagem, ou, no meu caso com a Agner: caramba, podíamos ser amigas! haha! Toda essa história de elementos e ligação com a natureza foi bastante interessante, além dessa semelhança entre ela e a deusa, apesar de, diferente da deusa, os cabelos e unhas dela são da cor que são por ela pintar, mas ainda assim as semelhanças dizem muitas coisas e eu espero estar certa. Só me ficou uma dúvida: a Agner já conhecia toda essa história antes ou é a primeira vez que a mãe dela toca sobre esse assunto com ela? Porque ela não pareceu muito surpresa com toda essa loucura que parece ser de outro mundo ao mesmo tempo que também não pareceu inteirada no assunto. Aguardo o próximo capítulo! Bjs!
13 de Agosto de 2018 às 20:35
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