Surpresa! Seguir história

valdieblack Valdie Black

É o aniversário do Doutor. Clara e Missy resolvem dar uma festa de aniversário surpresa. Todos acabam fazendo mais do que o que planejaram.


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Para maiores de 18 apenas.

#fanfiction #comédia #doctor who #clara/doctor/missy
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Surpresa!

Depois de ter prometido que tomaria conta da Missy, o Doutor ficou na Terra vigiando o cofre onde ela estava presa. No começo ele odiou a ideia, lembrou-se de como sua terceira regeneração sofreu quando teve que ficar tempo demais em um só lugar, mas Clara o ajudou a passar despercebido entre os humanos (mais ou menos) e também a fazer Missy entender o que ela havia feito de errado.


O Doutor sabia que não era exatamente culpa da Missy ela ser daquela forma, em Gallifrey não havia espaço para compaixão ou amor ou qualquer outro sentimento tipicamente humano. Ele mesmo teve dificuldade em entender esses conceitos e não poderia ensiná-los à Missy sozinho. Felizmente, Clara e Missy se deram muito bem (até demais), e nem tinha como ser diferente pois as duas possuíam temperamentos semelhantes e se entendiam melhor até do que o Doutor as entendia às vezes.


- Do que você está rindo?


O Doutor tomou um susto, não tinha visto que Missy entrara em sua sala.


- A resposta que um aluno deu nesse teste foi tremendamente estúpida.


Ele mostrou a prova que corrigia. Na verdade, sorria porque pensava nas duas mas não queria que Missy soubesse disso. A Senhora do Tempo sentou-se em cima da sua escrivaninha.


- É isso que você faz o dia inteiro? Lê essas bobagens de humanos? - Missy analisou os objetos ao seu redor, nunca tinha estado ali antes.


- Eu também preparo aulas que ninguém presta atenção. O que você está fazendo fora do cofre?


- Clara me deixou sair pra dar uma volta. - respondeu, olhando para o porta-retrato com a foto da Susan. - Não me diga que você está chateado com isso.


- Não, só fiquei surpreso.


- Seu rosto é engraçado quando você está surpreso. - disse, segurando o queixo dele e levantando sua cabeça. - Acho que tenho sido uma boa garota ultimamente, não?


O Doutor tirou a mão dela de seu rosto e beijou-lhe os dedos.


- Sim, você tem sido. Obrigado.


Missy enrubesceu.


- Clara fez você gostar de contato físico, Doutor.


- Mesmo? Não reparei.


Ele beijou as costas da mão dela. Um ato desses seria considerado absurdamente indecente em Gallifrey, mas há séculos não estava mais naquele planeta e já tinha se livrado de certos costumes ao mesmo tempo que adquirira outros.


- Está bem, chega. - ela disse, soltando-se dele. - Vim aqui falar sobre algo sério.


O Doutor arqueou um sobrancelha, intrigado.


- Algo sério? Você?


- Sim, quero saber o que você vai querer de aniversário.


- Ah, essa é fácil. Nada.


Ele voltou a atenção para o teste que corrigia, dando o assunto por encerrado.


- Não seja chato. Você não gostou do último presente que eu te dei, então preciso que escolha alguma coisa.


O Doutor sentiu um calafrio na espinha. O último presente que Missy lhe deu foi um exército de cybermen.


- Missy, honestamente, eu não quero nada. Já estou velho demais pra essas coisas.


- Você não está velho! Só têm 2.999 anos. Eu com essa idade ainda nem tinha filhos.


Ele sorriu, lembrando-se dessa época. Missy mudara muito mas ainda continuava esperta e rápida como era naqueles tempos em Gallifrey.


- Você tinha uma barba ridícula!


Missy ofendeu-se.


- Eu era lindo! Uma das minhas melhores regenerações. Na verdade, todas as minhas regenerações foram as melhores.


- Prefiro a atual regeneração.


- Claro que prefere. Aliás, você devia ser uma fêmea também na próxima. Faz maravilhas para a pele!


- Missy, não quero ser grosso, mas eu estou um pouco ocupado aqui.


Ela deu um muxoxo, impaciente.


- Certo, vou brincar em outro lugar.


- Obrigado.


  O Doutor voltou a sorrir consigo mesmo quando Missy saiu. Era um alívio ter sua amiga de volta, mesmo naquelas circunstâncias. Missy era o único ser vivo naquele universo que sabia pelo que ele tinha passado na vida, uma das poucas sobreviventes da Guerra do Tempo e a única da espécie deles que realmente o entendia. Estaria perdido sem ela.


********


Clara gostava de tomar banhos longos. Não sabia de onde vinha a água daquele chuveiro, o Doutor tentou lhe explicar um pouco da tecnologia da TARDIS mas ela não tinha todo esse conhecimento de Senhor do Tempo e não acompanhou a explicação.


Decidiu que moraria na TARDIS – por que não? Já passava a maior parte do seu tempo ali – o Doutor gostou da ideia. Ficava mais perto dele e da Missy. No começo ela teve medo quando a Missy voltou para suas vidas, mas com o tempo passou a gostar daquela mulher estranha que sabia tanto sobre Gallifrey e o Doutor.


Clara cantava uma de suas músicas favoritas enquanto lavava os cabelos (“If You Leave Me Now” da banda Chicago) quando alguém arrastou as cortinas.


- Clama, sou só eu! - Missy gritou, sobrepondo-se aos gritos assustados da outra. - Quero falar com você sobre o que vamos dar ao Doutor de aniversário.


- Você não podia ter me esperado terminar?!


- Eu esperei, mas você demora muito e essa música é irritante.


- Você estava dentro do banheiro esse tempo todo?!


- Por que você está assim? Desculpe, estava falando da música não da sua voz. Você canta bem.


Clara suspirou, não tinha como vencer aquela discussão. Missy e o Doutor ainda não aprenderam a respeitar certos costumes humanos e provavelmente nunca aprenderiam. Ela fechou o chuveiro.


- Ele falou o que queria de aniversário?


- Esse é o problema, ele disse que não queria nada.


- Então não precisamos nos preocupar com isso.


Missy trazia consigo o roupão com as iniciais “C.O.” gravadas e o entregou para a humana.


- Clara, o aniversário de 3.000 anos é muito marcante na vida de um Senhor do Tempo, não podemos deixá-lo passar assim como se não fosse nada.


- Isso é verdade ou é mais uma daquelas vezes que você diz “esse é o costume dos Senhores do Tempo” só pra me obrigar a fazer algo? - perguntou enquanto enxugava-se.


- Não sei do que você está falando, me carregar nos braços até a cama é um costume dos Senhores do Tempo.


- O Doutor disse que não era.


- Não mude de assunto. O aniversário dele é amanhã, temos que decidir agora.


Clara pensou naquilo, vestindo o roupão.


- Bem, então por que não fazemos uma festa surpresa de aniversário pra ele? Tecnicamente não é um presente. - sugeriu.


- E quem vamos convidar? Aquele homem não têm amigos, só nós duas.


- Hum... ele gosta bastante daquela aluna dele, a Bill. Também podemos chamar o Nardole, ele tem medo de você mas acho que não vai se importar de vir.


Missy fez careta.


- Certo... é a festa dele então acho que devemos chamar os humanos de estimação. Pelo menos o Nardole não é completamente humano.


- Por que você odeia tanto os humanos?


Ela encolheu os ombros.


- Eu gosto de você... um pouco. - acrescentou, orgulhosa. - Mas a maioria tem um cheiro estranho.


- Pensei que você não gostava de nós porque “roubamos” seu melhor amigo de você.


- Tanto faz, Clara.


- Eu também não gostava de você, sabe...


- O que foi muito sem noção da sua parte. Sinceramente, Clara, nunca fiz nada contra você.


- Você tentou me matar!


Missy pareceu perturbada com aquilo.


- Sim, foi um acidente... os Senhores do Tempo não são tão “quebráveis” quanto vocês, eu me esqueço disso.


- Sei...


- Ei, eu senti sua falta quando você morreu de verdade! - confessou. - Por isso ajudei o Doutor a recuperar seus batimentos cardíacos, não foi? E até hoje você não me agradeceu!


Clara lhe deu um abraço, pegando-a desprevenida.


- Obrigada, Missy.


Missy teve vontade de abraçá-la também, mas não sabia como. Nunca tinha sido abraçada antes, pelo menos não daquela forma. Clara era diferente dos outros, ela tinha o corpo de uma humana mas o espírito de um Senhor do Tempo. Missy a envolveu em seus braços gentilmente.


- Você não tem um cheiro estranho. - foi o único elogio que conseguiu pensar.


********


A festa foi um sucesso, o Doutor não gostou da ideia mas depois que Clara lhe ofereceu algumas bebidas que ela chamou de “poções de encorajamento” ele ficou mais afável. Toda vez que fazia aniversário sentia-se velho demais para a Clara mas ela não se importava.


Tarde da noite, ele admirava sua Garota Impossível dormindo na cama. Estava muito cansada, mas continuava linda.


- Como é que eles fazem isso? - Missy perguntou do outro lado do quarto. - Simplesmente “desligam”?


- Não me diga que você não dorme, Missy. - o Doutor respondeu, deitado ao lado de Clara. - Até eu durmo, às vezes.


- Você deve estar muito cansado então, Doutor. A última vez que eu dormi foi quando fui eleita primeiro-ministro. Pensei que aquela campanha nunca ia ter fim!


- Estou sim, Missy, estou muito cansado.


Ela aproximou-se da cama. Era grande o bastante para os três, Missy achou que o Doutor tinha feito aquilo de propósito.


- É tão engraçado, você e a Clara.


O Doutor arrumava o travesseiro que Clara estava usando para encostar a cabeça.


- Como assim? - ele perguntou.


- Você age como se ela fosse feita de porcelana.


- Ora, ela é muito frágil, Missy. Clara não gosta de admitir isso, mas nós precisamos saber que ela não é tão poderosa quanto nós e está sempre tendo que correr duas vezes mais rápido para nos alcançar.


Clara mexeu-se e abriu os olhos.


- Desculpe, eu acordei você? - o Doutor perguntou, agitando-se.


- Não, Doutor, eu ainda estou dormindo.


Missy riu da resposta sarcástica.


- Volte a dormir, você teve um dia longo. - ele disse, preocupado.


- Estou bem.


O Doutor e Clara trocaram olhares cheios de significado e ele a beijou na boca.


- Vocês fazem isso o tempo todo quando eu não estou por perto? - Missy quis saber.


- Você está com ciúmes? - os dois perguntaram ao mesmo tempo.


- Não! - respondeu depressa. - Só estou pensando... não é um pouco anti-higiênico? Quer dizer, eu já fiz isso... mas... sabem...


Ela não tinha ideia de como terminar aquela frase. Clara sentou-se na cama.


- Venha cá, fique ao meu lado. - convidou.


Missy fez o que ela pediu, sentando-se ao seu lado. Clara a surpreendeu novamente dando-lhe um beijo também.


- Você é muito atrevida não é, garota? - Missy comentou, sentiu o rosto esquentar.


- Nós já fizemos mais do que isso também. - disse Clara.


- O quê? Vocês fizeram... aquilo?


- Seu rosto é engraçado quando você está surpresa. - o Doutor provocou.


- O Doutor e eu já conversamos sobre isso, Missy. Se você quiser, pode se juntar a nós.


Missy olhou da Clara para o Doutor, sem acreditar naquilo.


- Um trio? Isso funciona?


- Podemos fazer funcionar. - disse Clara, otimista.


“Isso só pode ser coisa de humano”, Missy pensou. Ninguém em Gallifrey inventaria algo assim. No entanto, o Doutor não parecia estranhar.


- Está bem, eu aceito. Mas vocês vão ter que me levar junto quando forem numa aventura, estou cansada de ficar naquele cofre o dia inteiro sem ninguém pra conversar.


Clara voltou-se para o Doutor, esperando a resposta dele. Parecia hesitante.


- Certo. Mas nada de armas.


Missy ficou um pouco decepcionada, mas assentiu concordando.


- Devemos selar o acordo de alguma forma. - disse Clara. - E já que estamos acordados...


  O Doutor e Missy entenderam onde ela queria chegar.


********


No dia seguinte Clara acordou com o corpo todo dolorido, não que ela estivesse reclamando. Viu que Missy ainda dormia, mas o Doutor já não estava mais na cama. Ela vestiu seu pijama e foi procurá-lo pela TARDIS.


Assim que chegou na sala de controle viu que algo não estava certo. Tinha alguém desconhecido pilotando a TARDIS. Clara gritou:


- Quem é você?! O que está fazendo dentro da TARDIS?!


A mulher estranha ergueu a cabeça para vê-la e sorriu.


- Clara, você acordou! Brilhante!


- Não chegue perto de mim! - Clara deu alguns passos para trás quando a outra fez menção de se aproximar. - Escute aqui, eu posso não ter uma arma mas você não vai querer que eu meta a mão na sua cara. Sou muito forte.


- Eu me lembro...


- Quem é você?! Responda!


- Certo, calma... - ela ergueu as duas mãos no ar e afastou-se dos controles. - Clara, sou eu.


A mulher tinha cabelos loiros e feições delicadas. Clara não a reconheceu.


- Foi o Doutor quem a mandou?


- Clara, eu sou o Doutor. Sou eu. Eu regenerei ontem à noite.


Ela observou a estranha melhor e reparou que usava as mesmas roupas que o Doutor usou na festa de aniversário. Clara ainda não tinha certeza se acreditava nela.


- O que aconteceu?


- Ah... eu não tenho certeza, mas acho que as células do meu corpo não resistiram ao meu tempo de existência e... ações... então minha defesa biológica foi regenerar.


- Como assim?


- Bem... eu estava ficando velha, mas não diminui o ritmo das aventuras e a combinação desses dois fatores me desgastaram. A noite passada foi demais para o meu antigo corpo, digamos assim.


- Doutor, você...?


- Desculpe, mas... será que podemos me chamar de “Doutora” agora? É que eu sou um pouco conservadora.


- Doutora, você está me dizendo que o que fizemos na noite passada foi tão pesado que seu corpo não aguentou e regenerou?


A Doutora não respondeu, seu rosto ficou muito vermelho.


- Ei, você seguiu meu conselho. - disse Missy, entrando na sala. Ela analisou a Doutora dos pés à cabeça e deu um longo assovio. - Nada mau... o que foi que eu te falei? Faz maravilhas para a pele!

11 de Março de 2018 às 23:50 2 Denunciar Insira 3
Fim

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Allan Almeida Allan Almeida
gostei!
10 de Novembro de 2018 às 18:06

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