Todas as Estrelas Seguir história

valdieblack Valdie Black

"Tínhamos um pacto, eu e ele, íamos ver todas as estrelas do universo. Mas ele estava ocupado demais queimando-as, acho nunca viu nada." - 12º Doutor. O Doutor e Missy refletem sobre sua amizade desastrosa em seus momentos finais.


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Impróprio para crianças menores de 13 anos. © Doctor Who não me pertence, fanfic escrita sem fins lucrativos.

#doctor&master #sci-fi #drama #fanfiction #doctor who
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Todas as Estrelas

Era uma noite silenciosa em Gallifrey. Duas camas estavam vazias, eles eram os únicos que não dormiam. Não era a primeira vez que quebravam as regras e não seria a última, sabiam disso, ainda não tinham discutido o assunto mas não estavam dispostos a passarem o resto de suas vidas seguindo todas aquelas normas ridículas dos Senhores do Tempo. A vida inteira era muita coisa para eles.


- ”Doutor”?


- Sim.


- Você não pode ser o “Doutor”!


- Por que não?


- Porque... porque... é muito legal! Esse tem que ser o meu nome.


Ele riu-se do comentário do amigo.


- Desculpe, eu falei primeiro. Além do mais ele combina mais comigo. É uma palavra para “curador” e “sábio”.


O outro soltou um riso de escárnio.


- Duas coisas que você não é! O pior aluno da Academia, reprovado em quase todos os testes.


- Os testes são injustos.


Ele encolheu-se, envergonhado. Estavam sentados nos degraus da escada da Academia, o vento frio parecia incomodar apenas um deles. O Doutor observava o amigo espalhando-se pela escada, como se fosse dono de tudo.


- Certo... Doutor. E qual vai ser o meu nome? Ah, já sei! - interrompeu, quando o amigo abriu a boca pra falar. Ele deu um sorriso presunçoso. - “Mestre”.


- ”Mestre”?


- Algum problema? - perguntou irritado. Olhou para o Doutor, preparado para discutir.


- Hum... nenhum. “Mestre”... é... grandioso, acho.


Ele relaxou após ouvir a resposta positiva.


- Mestre. É bem mais legal do que “Senhor do Tempo”. Aqueles velhos caquéticos...


O Doutor fez careta. Também detestava os Senhores do Tempo. Eram sempre tão exigentes com ele.


- Temos que planejar isso direito, Doutor, não vamos conseguir fugir tão fácil assim. Pode levar anos.


- Tudo bem... - o Doutor não queria dizer mas estava satisfeito por ter alguém com quem compartilhar isso pois estava morrendo de medo de fazer tudo sozinho. -... vamos conseguir, juntos.


- Você consegue imaginar? Todo o tempo e espaço, tudo que existiu e existirá... - os olhos do Mestre brilhavam de desejo, ele olhava para o céu estrelado enquanto falava.


- Sim... - ele sorriu para o Mestre, que não reparou.


- Todas as estrelas do universo.


- Mal posso esperar.


   O Mestre ainda olhava para o céu. O Doutor sentiu que não era feliz assim fazia muito tempo, criando nomes falsos com seu melhor amigo, estava cheio de esperança para o futuro.


********


Podiam lhe chamar de idiota, ingênuo, louco ou o que fosse mas o fato é que sempre acreditaria no Mestre. Não podia ser composto apenas por maldade, não ele, seu melhor amigo. A pessoa mais parecida com o Doutor em todo o universo. Seu primeiro companheiro de viagem. Viagem esta que ficou apenas em seus sonhos, mas nem por isso deixou de existir.


Mesmo ali, deitado, prestes a morrer. Abandonado e sozinho. Achava que ainda havia tempo para Missy mudar de ideia, voltar para ajudá-lo ou apenas ficar ao seu lado enquanto morria. Era só isso que ele queria. Um amigo, uma mão para segurar, mas no fim das contas ele tinha que fazer tudo sozinho. Detestava ficar sozinho.


- Pena... nenhuma estrela... esperava que houvesse estrelas...


   Disse suas últimas palavras antes de perder os sentidos. O céu ainda queimava em chamas.


********


Missy tinha que rir. Ela simplesmente tinha que rir. Toda sua vida, todas aquelas regenerações e batalhas foi para isso. Morrer sozinha no meio de uma floresta depois de ter defendido o Doutor. Não sabia dizer se a pior parte era ter morrido pelo seu pior inimigo ou se era o fato de ter sido morta por si mesma, melhor dizendo, uma parte de si mesma.


Felizmente ninguém estava ali para ver o seu final patético. O grande Mestre, a grande Mistress, morreu porque queria ficar ao lado do Doutor. Ninguém poderia saber que um dia ela tentou fazer o bem e falhou miseravelmente.


Garoto estúpido, o Doutor. Sempre entendeu tudo errado. Queria sair da Academia para se envolver nos problemas dos outros, ajudar os outros, mudar as coisas. Danem-se os outros! Um bando de ingratos, ratinhos imbecis os... humanos. Até o nome era nojento!


Tão mais divertido seria se ele deixasse de lado aquele complexo de herói. Tudo poderia ter sido deles, até a Terra, sua preciosa Terra. Ao invés disso ele a abandonou e fingiu que nunca tinham sido amigos, nunca tinham feito promessas e planos.


Missy se achava incrivelmente estúpida também. Pensava que o Doutor mudaria de ideia. Depois que a Guerra do Tempo acabou e os dois foram os únicos que sobraram de Gallifrey pensou que ele voltaria para ela. O Doutor sempre teve medo de ficar sozinho, não gostava dos seus próprios pensamentos.


No entanto, ele nunca voltou. Aquilo a enfureceu. Quer dizer que ele podia simplesmente explodir Gallifrey e ainda sair como herói?! Sempre que ela fazia algo assim era tida como vilã. Ele tinha que enxergar o quanto os dois eram parecidos, ela tinha que fazê-lo entender.


Missy precisava do seu amigo. Nunca precisou dele antes ou pelo menos nunca acreditou que precisava, mas era seu amigo. Desde o primeiro dia da Academia ela logo percebeu que o Doutor era diferente, ele não era do tipo que se curvava às regras e fazia tudo que lhe mandavam. Era seu igual e não havia ninguém mais como ele.


Havia apenas uma diferença entre os dois e ela só descobriu isso quando era tarde demais. O Doutor amava. Ele amava tudo e todos e Missy nunca entendeu como ele conseguia fazer aquilo. Amor era algo que ela reservava para si mesma, os outros não eram de confiança. Ora, nem ela mesma era de confiança!


Missy então parou de rir, ela percebeu. O Doutor era de confiança. O Doutor não a matou quando deveria ter matado, ele cuidou dela e ouviu tudo que ela tinha a dizer. O Doutor voltou para ela, finalmente, e Missy descobriu porque estava naquela situação patética. Ela amava o Doutor.


Depois de todos aqueles séculos de lutas, desacordos e fugas. Depois de viajar por todos os lugares possíveis e imagináveis. Missy não podia mais correr daquilo. Era por causa do Doutor que ela agora se lembrava de todas as vidas que tirou, todo o mal que causou, e sentia culpa.


Não era por piedade, nem porque ela tinha ficado “boazinha”. Missy não queria fazer o que ele fazia, tudo o que ela queria era lhe dizer que o amava apesar de tudo. Era seu único amigo e a única pessoa que acreditava nela.


   Missy não conseguia dizer aquilo, nem ali, sozinha. Ela simplesmente não conseguia dizer as palavras. Deitou-se no chão, sentindo a vida esvair-se de seu corpo. Sem regeneração daquela vez. Sem esperança, sem testemunha e sem recompensa. Sem estrelas.


11 de Março de 2018 às 20:14 0 Denunciar Insira 4
Fim

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