A lenda Seguir história

insaneboo Boo Alouca

Gaara some de repente de uma festa e Lee se oferece para procurá-lo. Mas encontrar o Kazekage numa praia deserta, de repente acaba parecendo uma ótima oportunidade...


Fanfiction Impróprio para crianças menores de 13 anos. © O Universo e seus personagens pertencem a Masashi Kishimoto. História feita de fã pra fã, sem fins lucrativos.

#Romance #GaaLee #Gaara/RockLee #FanficsNaruto
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A Lua e o Mar

N/A: Olá queridos, turupom? Sua autora vos fala. Essa é uma songfic da música "A lenda" (aqui vocês notam o quão criativa eu sou para títulos, não é mesmo?) da extinta dupla Sandy e Júnior. É minha segunda experiência com projetos do tipo, então, perdoem os erros de quem está começando.

Essa foi uma entrega que me comprometi a fazer para o desafio do brega de 2017, da página e grupo do Facebook, FNS - Fanfics Naruto Shippers.

Sintam-se mais do que a vontade para dar uma procurada e conferir o trabalho deles.

Éh isto amores.

Boa leitura e beijos de luz!


****


“Bem lá no Céu, uma Lua existe

Vivendo só, no seu mundo triste

O seu olhar, sobre a Terra lançou

Veio procurando por amor...”


—Eu acertei! Graças a Kami, ele está aqui... E está bem...

O jovem mestre em taijutsu suspirou aliviado, ao se deparar com a figura segura do quinto Kazekage, sentado nas areias à beira mar, de uma das praias mais isoladas do País das Ondas.


Isoladas usualmente, mas naquele horário, já podia-se dizer desertas.


“Bom, talvez isso o tenha feito se sentir em casa...”, o rapaz pensou e tentou tomar a coragem de percorrer os metros que faltavam para extinguir a distância entre eles.


No entanto, percebeu que seus pés hesitaram em realizar qualquer movimento. A visão do ruivo ali, realizando exatamente o que previu que deveria estar fazendo, acabou por lhe roubar um sorriso e alguns segundos de contemplação.


“A Lua... Sabia que ele estaria em algum lugar que tivesse uma bela vista da Lua”, comemorava seu acerto internamente.


Ao longo do tempo em que se conheciam, não pode deixar de reparar a veneração especial que Gaara tinha pelo astro. Ele era capaz de passar horas, parado, apenas observando-a, sem dizer uma única palavra.


Com aquela sua típica expressão, quase indecifrável.


“Quase”, porque a essa altura da convivência, Lee já começava a aprender a desvendar ao menos algumas coisas, na famosa postura do altivo líder de Sunagakure.


Inclusive, já se arriscava a tecer teorias.


Em sua opinião, Gaara gostava da Lua, porque ela era uma boa metáfora de si mesmo.


Além, do fato de que Gaara podia muito bem se encaixar na descrição "alvo como a Lua", é de conhecimento geral a questão das crateras lunares; mesmo assim quando olhamos o satélite imponente nos céus, quase não se nota isso. Não que ignoremos por completo o fato de estarem lá, porém a beleza e o devaneador tom poético que a Lua exala, costuma nos distrair dessas "cicatrizes" em sua superfície.


Assim como quem olha para o jovem Kazekage, sem conhecê-lo bem ou fazer a menor ideia do peso de sua história, não consegue prever o que sua armadura esconde.


Figurativa e literalmente.


Mas não era como se Lee achasse, que Gaara fazia essa alusão conscientemente.


E essas não eram as únicas semelhanças que via entre eles. Teria evoluído ainda mais seus pensamentos sobre isso, porém a voz grave do homem que até então observava, chamou sua atenção e o tirou de seus devaneios.


—Eu posso senti-lo aí.


Ah sim... Por uns segundos quase se esqueceu de que ele era muito bom com habilidades sensoriais.


Correu um pouco até seu lado, só então reparando no quanto havia se esforçado até encontrá-lo. O cansaço lhe obrigou a se atinar disso.

Talvez não devesse ter aberto alguns portões, apenas para se tornar mais rápido. No entanto, não se arrependia, muito pelo contrário, faria novamente e faria até mais, pois a menor menção de chegar tarde para ser útil em ajudar Gaara, em qualquer situação que aparentemente demandasse essa necessidade, parecia uma ideia terrível demais para conceber.


Aquele cansaço não era nada, perto do quanto sentiria muito, caso isso acontecesse.


Começou a tentar regularizar a respiração para retomar o fôlego, enquanto comentava com seu esfuziante jeito disparado, ainda sem fechar por completo, o sorriso que abrira logo que o vira.


—Até que enfim te achei... Por que saiu desse jeito, o que deu em você? Seu irmão ficou desesperado e...


O ruivo não o deixara terminar, falando por cima, ao mesmo tempo em que balançava a cabeça numa negativa de irritação contida. Chegara até mesmo a suspirar e revirar os olhos, mas Lee não notou isso porque não o estava encarando. Fitava os próprios pés enquanto apoiava as mãos nos joelhos, no processo de se recompor. Isso junto com o escuro da noite, acabaram o privando de ver tais reações.


Não era do feitio de Gaara ser dado a explicitar-se tanto, porém encontrava-se realmente cansado, aquela noite. Talvez tanto quantoLee.


Entretanto, não fisicamente.


—É como se ele não me conhecesse. Por favor, me diz que ele não alarmou todo mundo...


—Não. Épor isso que estou aqui. Não o deixei fazer um escândalo, eu prometi que te levaria de volta são e salvo. Eu sabia que te acharia. —Lee começou a responder, deixando sua alegria confiante transbordar em sua fala e sentando-se ao seu lado. Contudo, não podia deixar de chamar atenção para um detalhe. —Mas, Gaara, você bem que podia tê-lo avisado, antes de simplesmente sumir da festa, não é? Você já foi sequestrado uma vez, quase te perdemos.Tudo bem que não é mais um jinchuuriki, porém ainda é o Kazekage, ele teve suas razões para ficar preocupado.


E de repente parou de falar no meio da frase. Reparou que o outro não o estava dando sua total atenção. Ao invés disso, estava dispersando um pouco de areia pra cima, com a dádiva de sua liberação de magnetismo, e executando uma pequena sequência de selos que direcionou os grãos ao vento, lhe obedecendo e seguindo o rumo que ele queria.


—O que está fazendo?

O ninja de grossas sobrancelhas, agora franzidas em curiosidade, questionou, julgando isso subitamente mais importante do que continuar com seu sermão.


—Estou corrigindo meu erro e avisando-o agora. Você está certo, foi imprudente da minha parte, não devia ter... —Gaara ponderava tentando parecer calmo, porém dessa vez, foi Lee quem não o deixou prosseguir.


Ajeitou-se de forma a ficar de frente pra ele, tão rápido e alarmado, que o Kage chegou a se sobressaltar com o movimento imprevisto.


—Você está bem!? O que aconteceu? É muito grave? —Questionou tomando a liberdade de segurar seu rosto entre as mãos com avidez e até real desespero, podia-se dizer.


O analisava correndo os olhos minuciosamente por cada pedaço seu, a procura de algo que pudesse estar errado. Suas emoções envolvidas no ato o fazendo esquecer, que aquele era justamente, o homem conhecido por ter uma defesa absoluta.


Estava verdadeiramente preocupado.


Lee julgava conhecer Gaara bem. Afinal, não foi pouco o tempo que gastara o analisando. Admirava-o muito como shinobi, até passara a se orgulhar de tê-lo tido como um oponente marcante, apesar do fim quase trágico que seus primeiros encontros em combate tomaram. Conhecia sua postura e seu modo de ação, o suficiente para saber que mesmo seusimpulsos, são sempre embasados dealgo significativo.


Apesar de sua postura na maioria das vezes, não deixar transparecer aos não íntimos, o quão forte é a voz do seu lado emocional, ainda que tome alguma decisão baseada nisso, Gaara é extremamente inteligente e não deixaria de pensar numa estratégia enquanto age.


Aquele não era um homem de atos aleatórios. Mesmo quando perdido na escuridão de seus demônios, ele precisava acreditar numa tese que embasasse sua loucura. Ele acreditava realmente no discurso frio e insano que reproduzia quando mais novo e da mesma forma o largou de imediato, quando encontrou algo que fizesse mais sentido.


Mesmo quando louco, Gaara é coerente.


E Lee não tinha o menor receio de estar exagerando em suas impressões. Apesar de saber, que seus sentimentos pelo rapaz dificilmente o permitiriam enxergar algum defeito nele.


Logo muito lhe assustava, por ser completamente inédito, que o ruivo parecesse não ter um motivo específico para ter abandonado no meio, a festa de comemoração da posse do novo Mizukage.


"Então o mar, frio e sem carinho

Também cansou de ficar sozinho

Sentiu na pele aquele brilho tocar

E pela lua foi se apaixonar"


—Está tudo bem. Aprecio a preocupação, mas já pode parar.

Gaara sentenciou desvencilhando as calejadas mãos do outro de si.


E apesar de sua habitual seriedade, havia uma nuance em seu tom de quem julga o exagero de sua companhia e na forma como deliberadamente fugia o olhar dele, que fez com que Lee estremecesse e sua preocupação aumentasse exponencialmente, mesmo que já tivesse constatado que não estava machucado.


—Gaara... —Ele começou receoso, depois de engolir em seco. Os grandes olhos já se franzindo em certo pesar. —Você está bravo... —Precisou de uma pequena pausa para tomar coragem terminar de verbalizar seu medo. —Comigo?


Finalmente conseguiu a atenção absoluta do Kazekage.


O mais baixo se virou pra ele num gesto abrupto, de quem se surpreendera com a questão.


—De onde tirou isso? —Rebateu exasperado, mas não deu tempo suficiente para que Lee pudesse responder, arrematou. —Olha, se não se importa, eu não gostaria de falar nisso. Ao menos não por enquanto.

Tomou o cuidado de fazer com que sua voz explicitasse, o quanto sua decisão não era negociável.


Mas Rock Lee não é alguém de desistir tão fácil. Na verdade, ele simplesmente não é de desistir. Persistência era obviamente, o elemento mais notório de sua personalidade. Ainda que não incomodar ou machucar o homem ao seu lado, sempre estivesse em suas prioridades.

E apesar de nunca ter dito, Gaara sabia disso e admirava esse esforço, mais do que a maioria das seletas coisas as quais dignava sua real atenção.


Lee só precisava sentir que ambos estavam seguros ali.


Fisicamente eemocionalmente.


—Mas então tem alguma coisa por trás disso, tem algo te incomodando... Não tem?


Silêncio. O outro se recusou a responder. Ao invés disso, apenas franziu um pouco mais o cenho, com irritação. O que Lee entendeu como um alerta.


É, não tinha jeito, tinha que esperar a boa vontade do momento dele.


E isso não lhe era problema algum. Gaara era dono de toda sua paciência.


—Tudo bem... Não se apresse, tome seu tempo. Mas eu vou ficar aqui do seu lado... Vou esperar...


Não o deixaria, a menos que isso fosse estritamente necessário.Nunca deixava sem um motivo irremediável.


Gaara não disse nem esboçou nada, o que Lee compreendeu como uma afirmação. Aquele não era um homem que precisava de muitas palavras para se expressar, se você soubesse entendê-lo.


Aquilo com certeza era um sim, porque se fosse um não, ele teria sido bem mais veemente.


Então Lee se ajeitou em sua posição e tentou imitar a postura do outro.


Tentou apenas ficar ali da maneira que ele queria e talvez até precisasse. Em silêncio.


Sentia vontade de tocá-lo, mas se conteve. Até ter certeza sobre o que ele pensava e sentia, não arriscaria ser invasivo.


Gaara não era dono apenas de sua paciência, como também de seu máximo cuidado. Porque Lee sabia exatamente até onde iam suas forças e onde morava cada uma de suas fragilidades.


Entretanto, mesmo com o esforço de fazer o que achavaser o certo da ocasião, Lee também tinha seus limites e Gaara podia notar isso claramente, ao olhá-lo de soslaio e perceber sua dificuldade em se manter contido.


Era de conhecimento geral e notório, toda a imperatividade e agitação do jovem mestre em Taijutsu de Konoha. E ele estar tentando com tanto afinco, domar os ímpetos de sua personalidade por sua causa, tinha de ser reconhecido e admirado. Era uma grande prova de comprometimento e carinho.


E pensar nisso o amoleceu. Amaldiçoou a si mesmo por falhar e ser incapaz de afastá-lo em definitivo, por ser incapaz de resistir ao seu jeito tão peculiar e que parecia ter sido feito exclusivamente para encaixar-se ao seu.


Antes que começasse a mergulhar em devaneios ressentidos por seus azares, resolveu puxar assunto com o companheiro inquieto ao lado, que já não sabia mais se olhava para a Lua ou para o mar. Esperava que ao menos tirá-lo do silêncio, pudesse amenizar as coisas.


Mas ainda não queria falar daquele assunto, então...


—No que estava pensando?

Tentavasoar brando, porém acabou preso ao seu velho misto de seriedade e indiferença.


Já que não queria falar do que realmente o angustiava, achou melhor matar sua curiosidade.


—Hã? —Lee devolveu desentendido.


—Não correu tanto até aqui, apenas pra ficar parado todo aquele tempo, há metros de distância, quando finalmente me encontrou. No que estava pensando?

Gaara explicou contendo-se de suspirar ou revirar os olhos com impaciência, porque reconheceu que de fato, não havia sido suficientemente claro.


—Ah, sim... Eu...

E quando se viu precisando responder aquilo, sendo que a resposta era uma impressão tão íntima e talvez até romântica, o jovem com cabelo de tigela sentiu seu rosto inteiro ruborizar sem que pudesse fazer qualquer coisa para impedir.


Gaguejava e não conseguia verbalizar uma frase coerente.


Gaara não resistiu em se deixar dar uma risada curta. Não era fácil deixar o Lee constrangido. Ainda que não devesse, a verdade era que se orgulhava de ser o detentor de tantas nuances especiais dele.


O usuário das tão características vestes verdes, era claramente maior do que o outro ao seu lado, no entanto, se encolheu de tal forma em sua posição, que quase se igualaram em altura.


Apesar de curioso, Gaara se compadeceu e tentou aliviar.


—Tudo bem, não precisa dizer se for muito pessoal.


Mas ver aquele belo homem, desvanecer sua rigidez e lhe conceder a dádiva de um pequeno e espontâneo riso que raramente daria a qualquer outra pessoa, assim tão fácil, deu a Lee a coragem que precisava.


"Bom, talvez essa seja mesmo uma boa introdução para o que realmente quero dizer. E esse é um belo lugar também... É perfeito, vou tentar!".Mesmo que permanecesse com certo nervoso, como se borboletas voassem em seu estômago, sentiu seu ânimo e suas energias renovarem.


Lee por mais frenético que fosse em seus pensamentos e percepções, jamais ficava desestimulado por muito tempo. Se antes achava que era melhor descobrir com o que Gaara estava incomodado primeiro, vê-lo sorrir e julgar através disso, que de fato não era consigo, o fez mudar de ideia num piscar de olhos.


—Eu estava te vendo olhar pra Lua.Estava pensando nessa sua mania e em como eu acho que vocês se parecem.


Disse pausado e encarando as próprias mãos entrelaçadas. Esperava a reação de Gaara para suspirar de alívio em definitivo.


E ela se deu por uma encarada totalmente interessada. O ruivo inclusive, tomou a liberdade de erguer o rosto de Lee, forçando-o a olhá-lo. Odiava falar com quem não lhe encarava nos olhos.


—Em que sentido? No astronômico ou no poético?


"Droga Gaara, por que você sempre tem que querer racionalizar tudo?". Lee não pôde evitar de pensar, mediante a pergunta dele, sentindo-se ruborizar mais uma vez ao ver-se sem outra saída, além de ser logo muito claro sobre suas impressões a respeito do homem tão jovem, porém já tão vivido, que o encarava ansioso por suas explicações.


Tal homem não aceitaria menos do que isso e Lee não tinha a menor força para desapontá-lo.


Um suspiro longo o encheu do fôlego necessário para disparar:


—Eu não entendo a fundo sobre astronomia, mas acho que nos dois. A Lua está sempre ali, mas só a vemos para iluminar a escuridão, como se orquestrasse as estrelas ao lado e costuma inspirar as pessoas que a observam a pensar no amor, por isso está sempre envolvida em poesia. Isso me lembra o seu modo de trabalho como Kazekage e o que vem tentando pregar em seu ofício. Ao mesmo tempo, a Lua exerce um forte poder sobre a Terra. Ela controla as marés, não é isso? E se não me engano, tem alguma coisa a ver com polos magnéticos. Bem... Essa parte obviamente lembra sua kekkei genkai. E apesar disso tudo, a Lua me parece solitária. Ela não tem luz própria, ela reflete a luz do Sol e esse podia muito bem ser o que o Naruto representa pra você.


Gaara o soltou e virou o próprio rosto de lado, escondendo sua reação espontânea e imediata. Lee que apesar de todo o esforço, ainda não havia conseguido se livrar por completo da tensão e até mesmo de certa vergonha, sentiu tudo isso acentuar com esse simples gesto dele.


Era nesses momentos que confirmava a si mesmo, o quanto gostava de Gaara de uma maneira diferente da que gostava das outras pessoas.

De uma forma mais... Intensa.


Ele era a única pessoa que tinha o poder de deixá-lo tão nervoso, quase como se pisasse em ovos.


Mas isso não era sempre assim. Haviam momentos entre os dois em que todos os medos e inseguranças caiam por terra. No entanto, aquela era uma noite especial. Os dois tinham algo em mente para dizer, uma conclusão. Uma sugestão decisiva sobre o rumo que estavam tomando juntos. E era isso o que os estava deixando especialmente mais tensos do que o normal nessa ocasião.


Eles não imaginavam que iriam parar ali quando se decidiram por tais coisas, Gaara de forma alguma planejou atraí-lo quando simplesmente se exauriu da festa e a deixou. Os dois não faziam a menor ideia de que o outro também tinha engasgado, algo a falar. Porém já que por acaso ali estavam, começava a soar óbvio, que essa oportunidade devia ser aproveitada.


Principalmente, alguma atitude devia ser tomada, antes que aquela apreensão ansiosa os corroesse.


Entretanto, como num acordo silencioso e sintonizado entre seus subconscientes, acabaram decidindo protelar mais um pouco, divagando no assunto das metáforas que inegavelmente, já começavaa se tornar interessante pra ambos.


—Me desculpa, eu... Eu disse alguma coisa errada? Não que eu ainda te ache solitário... Quer dizer, não que eu tenha achado, mas...

Lee começou a tentar se justificar, tropeçando e se embolando ao perceber que só fazia conseguir piorar a impressão que achava estar passando.


—Não se desculpe, você tem razão, eu sou mesmo solitário. Mesmo depois que... As coisas mudaram.

Gaara se virou pra ele pondo o dedo indicador sobre seus lábios, o impedindo de continuar a se constranger na tentativa vã de se explicar.


E para a surpresa de Lee, parecia que ele ainda estava sorrindo.


Não era algo aberto, explícito. Era sutil, quase não perceptível na pouca iluminação a qual estavam submetidos, mas a maneira como seu olhar excepcionalmente casava com a curvatura em seus lábios, fazia parecer até que além de contente pelo que ouvira, ele estava comovido.


Pretendia não resistir à curiosidade e perguntar o que exatamente passava em sua mente que desencadeava tais reações. No entanto, Gaara acabou se adiantando e eliminando essa necessidade.


—Foi a melhor descrição que eu já ouvi na vida.


A maneira como sua voz acabou soando embargada, o fez parar por ali. Omitiu todo um discurso sobre os pensamentos que vagueavam profundos em seu interior.


Todos os rótulos, julgamentos, apresentações e definições a seu respeito que acumulou como passar dos anos. Desde o inicial o monstro da Areiaaos atuais elogios e reconhecimentos que seu statuse feitos como shinobi conceituado, trouxeram, porém que eram apenas estatísticas vazias.

Não havia carinho algum em dizerem, por exemplo, que ele era o Kage mais novo da história.


Tudo isso, tantos os maus como os bons nomes, nada que já lhe fora designado, jamais conseguiria expressar o que realmente era ou o que de fato importava sobre si, da forma tão assertiva e pura com que Lee o fizera naquele instante.


O que tampouco podia ser tido como uma novidade. Apesar de ter sido taxado como fracassadoboa parte de sua vida, se existe algo que não se pode negar sobre Rock Lee, é sua inteligência perspicaz e o quanto essa boa habilidade de observação e análise, o fazia ser assertivo em suas palavras.


Ainda que quase sempre ele cometesse o erro de falar demais, devido a sua demasiada empolgação.


Mas naquele dia Lee falou apenas o suficiente. E seu conhecimento sobre o ruivo lhe deixava claro, todas as informações que ele tentara inutilmente conter de sua fala.


Um se sentira emocionado por enfim encontrar alguém que verdadeiramente enxergasse sua essência, alguém que parecia deter de todo o amor que julgava precisar. Sem nenhum traço egoísmo, sem nenhum traço de raiva, sem o menor resquício do temor e do repúdio que sempre o revoltou ter direcionado a si.

Pelo contrário, aqueles grandes olhos apenas lhe passavam afeto, entrega, real admiração.


E o outro se sentia extremamente honrado e especial por ter alguém a quem enfimpodia entregar-se por inteiro e ser aceito com reciprocidade.


A percepção e a evolução disso, era o que vinha alimentando e aquecendo o desenvolvimento da relação que mantinham engatinhando como um bebê. Lentos e comemorando cada centímetro de avanço apesar de todos os receios.


Não havia nada de clichêou convencionalnesse casal. Eles se completam, mas essa união forma algo ainda mais peculiar do que suas personalidades em isolado.


Eles apenas sorriram um para o outro com uma cumplicidade iluminada, livre, leve e tão inocente que chegava a ser quase infantil.


Era tudo muito puro entre eles. Os sentimentos falavam por si só, muito melhor do que seus portadores.


Ao mesmo tempo em que tudo parecia intenso e instintivo, também era sem pressa e quase etéreo.


Apesar de todos os desafios que pudessem se envolver entre os dois, nada conseguia tirar a doçura e calma da descoberta.


—Se acha que o Naruto seria o meu Sol, o que você seria?

Gaara não resistiu à curiosidade em saber como ele se via ao seu redor.


Mas até que não se surpreendeu muito com sua resposta.


—Nunca parei pra pensar sobre isso. —O outro rebateu.


Lee era modesto demais para ter uma visão superestimada de si mesmo. Ser entusiasmado e otimista, não tinha nada a ver com ser convencido afinal.


E ele sempre olhava para o futuro, assim como seu admirado Sensei. Tarefa que podia tornar difícil, enxergar analiticamente o presente às vezes. Ou mesmo a si próprio.


Sem conseguir conter o fato de que se sentia bem e leve ao lado de tal companhia, o sempre tão distinto Kazekage, deixou suas costas tocarem a areia, deitando-se atipicamente despojado, o que fez Lee ter que mudar um pouco sua posição para poder continuar encarando-o.


O que os fez ficarem um tanto quantopróximos demais.


Novamente trocaram um minuto silencioso de sorrisos. Lee estava feliz por saber que tinha a confiança dele a ponto de que relaxasse ao seu lado e Gaara...

Bem, Gaara estava pensado na resposta que Lee não tinha.


E mais uma vez, antes que ele perguntasse, resolveu se adiantar e dizer:


—Pois eu acho que você seria o mar. —A expressão clara de “por que”, no rosto do parceiro de luar o fez continuar. —É sempre surpreendente, vasto, profundo.Também é poético.E como você bem disse, a Lua influência as marés.


Diferente de Lee, Gaara completou a metáfora sem um pingo de receio, rodeio ou constrangimento de suas palavras.


Lee costumava dizer que não há vergonha alguma na expressão dos sentimentos sinceros de alguém. Mas Gaara sempre seguia essa máxima mais naturalmente entre eles.


Entre o saber e prática perfeita, há mesmo uma considerável distância, o jovem de cabelos negros se via forçado a constatar nessas horas.


—Então é assim que você me vê? Você acha que me controla? Como se eu fosse um punhado de areia? —Questionou fazendo um bico e se fingindo de ofendido.


—Não.—O ruivo respondeu ainda muito seguro de suas palavras. —Eu acho que nós fazemos um belo trabalho quando estamos juntos.

2 de Março de 2018 às 05:25 0 Denunciar Insira 4
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