Dezenove de Janeiro Seguir história

insaneboo Boo Alouca

Porque você é a minha defesa absoluta. A força onisciente e onipresente que me acompanha desde sempre. Desde que eu dei o meu primeiro suspiro. E você o seu último. Finalmente aprendi a reconhecer a sua aura. Você pode ter visto tudo o que houve, porém meu agradecimento a respeito é novidade.


Fanfiction Impróprio para crianças menores de 13 anos. © O Universo e seus personagens pertencem a Masashi Kishimoto. História feita de fã pra fã, sem fins lucrativos.

#Gaara #FanficsNaruto #Aniversário #SemShipper
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Capítulo único

N/A: Olá queridos, sua autora vos fala. Essa é uma oneshot de homenagem ao nosso bolinho Gaara, feita para o aniversário dele do ano de 2018. Queria ter feito mais, porém foi o que consegui na ocasião. É sucinto, mas é de coração. Aproveitem, boa leitura, beijos de luz. 

Ps: Créditos da capa, vão para a linda, maravilhosa e gentil @fellurian, que apareceu na minha vida graças a indescritível fake tuor do grupo e página Mean Kunoichis do Facebook. Deem uma procurada lá pelo fake "Gaara do Deserto". É da titia aqui, sintam-se a vontade para adicionar e interagir com o personagem. 

Nany, eu sei que já te agradeci horrores no whatsapp, mas como você já notou, eu sou a louca da gratidão então, né... Te amo <3    


***


Eu estou sentado de frente a sua lápide. Tenho um caderno e uma caneta nas mãos. Porém já estou aqui há horas, o frio absurdo do deserto ameaça me congelar, mesmo com todo o meu preparo, e só agora comecei a rabiscar algo.

Mas eu imagino que não precise te dizer isso. Acho que você já sabe. Eu acho que você sabe de todas as pequenas e grandes coisas que há para se saber sobre mim.

Porque você é a minha defesa absoluta. A força onisciente e onipresente que me acompanha desde sempre.

Desde que eu dei o meu primeiro suspiro. E você o seu último.

Eu demorei pra começar a escrever, porque tudo o que me vinha à mente, parecia muito inútil de se dizer. Afinal, por que eu te contaria a história da minha vida? Não é como se você a tivesse perdido. Você estava lá, em cada momento, bom ou ruim. Você está aqui agora, eu sei. Eu sinto.

Finalmente aprendi a reconhecer a sua aura.

Por fim, acabei achando que é por aqui que devo começar.

Porque você pode ter visto tudo o que houve, porém meu agradecimento a respeito é novidade.

Meu agradecimento, meus sentimentos... Eu não sei se você recebe isso em nossa ligação. Então é sobre eles que vou te falar.

Eu sinto muito, pelos incontáveis erros que cometi, procurando um propósito que justificasse minha existência, quando eu estava terrivelmente enganado na forma de honrar seu sacrifício. Eu sinto muito por não ter visto a verdade por trás dos olhos do Yashamaru naquele dia. O homem me criou e eu não consegui discernir a mentira em sua fala.

Eu realmente sinto muito, por ter passado tanto tempo sentindo falta, procurando e me vingando por algo que eu já tinha.

Porque você estava lá, todos os dias, cada segundo, cada instante. Quando eu estava triste, com raiva, quebrado, sufocando, quando perdi minha fé... Em todas as vezes que eu podia, devia, ter morrido.

Você sempre salvava a minha vida. E agora, depois de ter finalmente recebido a verdade, entendo que mesmo com a minha falta de segurança sobre o que estou dizendo, mesmo que eu não possa dizer tudo isso olhando pra você, eu não podia deixar de vir aqui hoje e te expressar o quanto importa pra mim, saber que eu na verdade nunca estive sozinho e que nunca precisarei estar.

Você não salvou apenas meu corpo da morte. Você salvou meu espírito, porque a menção da sua existência foi o que passou, direta ou indiretamente em meus pensamentos, todas as vezes que me senti evoluir. Eu jamais imaginei que receberia nenhum tipo de benção vinda do meu pai, mas até isso, você conseguiu me conceder. Inclusive, é por esse momento, que estou aqui hoje, tentando fechar algum tipo de ciclo com você também.

Mãe, tem tantas perguntas que eu gostaria de te fazer... É tão dolorido saber que não importa quantas cartas eu escreva, você nunca vai poder responder.

Mas talvez seja melhor assim. Talvez eu não devesse mais remoer o passado. O futuro requisita mais a minha atenção. E é bom saber que vai estar comigo, que vai me ajudar a cria-lo bem, para que a nova geração jamais tenha que enfrentar o que passamos. Para que nenhuma mãe tenha que se afastar de sua família, para que nenhuma criança conheça a solidão, a dor, o ódio...

Para isso, eu sei que só devia me importar com o presente. Bem, estou tentando. Nele, hoje é dezenove de janeiro. É meu aniversário. É a data em que fazem exatos dezoito anos que nos vimos e tocamos pela primeira e última vez. E eu sequer consigo me lembrar.

Porém ao menos agora consigo entender.

E essa é razão pela qual, depois de todos os acontecimentos da última guerra, achei que esse dia fazia válido a iniciativa de vir aqui hoje. Porque eu nunca havia vindo antes, já que eu achava que você me odiava, assim como toda Sunagakure. Eu nem mesmo vim enterrar o meu próprio pai, cujo o corpo está jazendo aí ao lado de sua lápide. Eu não vim nem pela fictícia lápide do Yashamaru, já que afinal, não sobrou nada dele para enterrar.

Sei que nenhum de vocês está verdadeiramente aí. No entanto, meus irmãos me arrumaram uma folga porque não sabiam o que fazer ou me dar de presente, em vista de que eu sempre fugi dessa data, e acabei achando que se estava pensando em me desafogar de coisas que nunca disse, deveria dizer aonde nunca fui.

Não tente encontrar muito sentido em meus atos, eu mesmo não me preocupo mais tanto com isso. Eu pareço ter o dom para encontrar o sentido errado nas coisas, como você bem deve ter notado, então parei de tentar busca-lo com muito afinco. Ultimamente eu só faço o que acho que preciso.

A madrugada já vai acabar, preciso voltar antes do nascer do Sol. Sei que Kankuro e Temari ficam receosos sobre mim nessa data, tenho que estar lá quando acordarem e convencê-los de que estou bem.

Espero que eu realmente esteja quando sair daqui.

Porque espero sinceramente que me alivie em alguma coisa, enfim poder te agradecer.

E espero também que de alguma forma, isso possa libertar e acalentar seu espírito.

Obrigado por ter cumprido com excelência seu papel de mãe. Eu jamais, de qualquer outra forma, poderia ter tido algo melhor do que você foi. Do que você é. Então, se de alguma forma isso te preocupa, por favor, pare de pensar nisso. Porque mesmo não estando fisicamente aqui, você me ensinou tudo o que eu precisava saber.

Seu último ato já me disse tudo. Foi suficiente.

Podendo enfim olhar pra isso detendo a verdade, mal posso contabilizar tudo o que aprendi.

Em seu esforço aprendi sobre a coragem.

A sua morte pregou sobre a eternidade do amor.

Enquanto seu ar sumia, você lecionou sobre o infinito. E sobre o quão belo pode ser por si só, o simples ato de existir.

Você sempre será uma parte de mim, e dos meus irmãos. Nós sempre sentiremos a sua força e você nunca será esquecida, pois teremos orgulho de contar sobre sua história aos seus netos. E eu faço questão de trabalhar de forma a deixar o seu nome, no legado aldeia que usufruiu de seu sacrifício.

Felizmente, eu realmente me sinto melhor, depois de cuspir nessa folha, todas as palavras que me assombraram ao longo desses meses depois do selamento do meu pai na guerra. E esse devia ser o momento em que eu dobro essa carta, uso o magnetismo para fazê-la atravessar a areia e deixa-la em suas mãos e parto com um adeus.

A única parte disso que não será verdade, é que eu não te direi adeus.

Direi-te até logo. Eu sentirei seus passos, sua energia, me protegendo e me acompanhando de volta ao prédio. Eu seguirei minha vida sentindo o poder de seu fantasma e um dia, sentirei você me levar até seu lado, onde eu finalmente descobrirei sua voz e a resposta de todas as perguntas que agora nem mesmo adianta fazer.

Não se preocupe, eu não estou com pressa, ainda existem muitas coisas que eu preciso fazer e desejo descobrir por aqui. Não penso mais em você com tristeza ou qualquer tipo de pesar.

E agradeceria se puder me ensinar a fazer o que fez por mim, para que eu também possa servir como a defesa automática do próximo Kazekage.

No mais, eu só acrescentaria a essa carta, dizer o que consegui obter de meus irmãos ao perguntar sobre você. Eles também sentem muito sua falta, se sentem mal por nunca terem conseguido dizer adeus, acham que você se foi muito cedo. Essas coisas... Eu concordo.

Por enquanto é isso. Talvez eu volte aqui mais vezes. Talvez eu escreva outras cartas. Talvez eles escrevam as próximas...

Agora vamos pra casa. Vamos abraça-los sem precisar de uma desculpa pra isso.

Eu te amo mãe. Nós todos te amamos.

Nunca mais serei o mesmo depois de saber sobre você.

E essa é a melhor coisa que já me aconteceu na vida.

Hoje é meu aniversário. Obrigada por ter tornado isso possível.

— Gaara  

2 de Março de 2018 às 04:04 0 Denunciar Insira 1
Fim

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Boo Alouca Paciência... Autora em construção.

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