Out Of Control Seguir história

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Alex e Michael. Dois opostos. Duas pessoa completamente diferentes. Alex era um garoto carente que sofria bullying, e além de não ter amigos, era zoado pela escola inteira. Em casa, a situação não era simples e ficou ainda mais complicada quando uma certa pessoa chamada Michael, decidiu investigar a vida do garoto.


Ficção adolescente Para maiores de 18 apenas.

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Em progresso - Novo capítulo Todas as Quintas-feiras
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Bullying

A enorme sala de aula estava lotada pelos alunos bagunceiros que tentavam de todo modo fazer uma guerra de bolinha de papel, apenas algumas pessoas estavam de fora da brincadeira. O barulho era evidente dentro da sala, o que chamou atenção do professor que estava dando aula ao lado. Ele entrou na sala, seus olhos cinzas fitaram todos os alunos de forma ardente.

O castigo era inevitável, quando eles finalmente perceberam a presença do professor na porta, o silêncio se fez presente. O professor imediatamente começou a dar-lhes um sermão um tanto longo, falando sobre o comportamento em sala de aula e as responsabilidades sobre suas próprias ações. Só mais um sermão que todos estavam cansados de ouvir, era só mais um adulto falando besteiras.

Depois de terem que arrumar a sala, colocando as carteiras em fileira e recolhendo as bolinhas de papel, os alunos voltaram ao seu devido lugar. O professor mau humorado ficou em silêncio durante um minuto, e então falou as seguintes palavras.

– Vocês iram fazer um trabalho extra. Esse trabalho não é individual, é em dupla, dupla de dois. Ouviram? Não é dupla de três ou de quatro. – Os alunos, um tanto indignados, tentaram interromper o professor, mas o mesmo continuou firme e sem hesitação. – E eu vou escolher as duplas, elas serão definitivas e eu não vou troca-las, então não venham reclamar.

As duplas foram decididas e aparentemente a maioria dos alunos não estava nada contente com a sua dupla. O assunto logo foi encerrado com a entrado de outro professor, mas este era o responsável pela sala. O professor de história chamado Oliver, sendo um dos professores mais legal da escola, deu um desconto para seus alunos, deixando aula livre, já que estes pareciam aborrecidos pelo trabalho surpresa de seu colega de trabalho.

A sala foi conversando em  um tom mais baixo, para não levarem outra bronca. Cada canto da sala tinha um grupinho instalado, do lado direito eram os cachorrinhos do professor, do lado esquerdo eram as meninas, que conversavam sobre quem eram os garotos mais bonitos da escola. No meio da sala, eram algumas pessoas estudando ou viciadas no celular e no fundo da sala, era o grupo dos meninos, que eram conhecidos como bagunceiros.

Por fim, tinha o menino isolado de toda a classe. Ele não tinha nada realmente interessante para fazer, as notas não eram tão boas, era completamente ruim em esportes. Alex não tinha nada de especial, era apenas um garoto "normal". Mas existe mesmo alguma definição certa para a palavra 'normal'? Ou isso tem haver com o que a pessoa acha normal? Realmente sem sentido. Tanto a pergunta quanto a resposta.

O sinal tocou indicando o intervalo e como sempre, o refeitório já estava lotado. Pessoas andando de para cá, um correria sem fim. Alex, que comia seu lanche em um canto sozinho, chamou a atenção de um grupo de garotos que estava a poucos metros dele. Como alguém tão neutro como Alex poderia chamar qualquer tipo de atenção? 

Alex, mesmo não olhando diretamente para essa pessoa, podia sentir que estava sendo observado. Parecia um sexto sentido que avisava quando alguma coisa ruim iria acontecer. Ele tentou ignorar, mas estava sendo difícil. Não gostava de chamar atenção, não gostava de conversar, não gostava de qualquer coisa relacionada ao contato social.

O menino de cabelos castanhos e de alta estatura apareceu na sua frente e por reflexo  se encolheu. Não tinha feito absolutamente nada, então por que isso estava acontecendo com ele? Seu dia já não tinha começado bem quando soube que seria a dupla de Michael, o “encrenqueiro” do colégio ou como muitos dizem por ai, ele seria o famoso bad boy que comanda a escola inteira.

Amigo de todos os alunos, super popular. Não havia uma só pessoa que não conhecesse o nome Michael Miller. Os garotos queriam ser igual a ele, bonito, esperto e bom nos esportes. As meninas se jogavam em cima dele, por onde ele passava, arrancava suspiros apaixonados. Quem não desejaria ter uma vida assim? Ele era simplesmente DEMAIS. 

Como se já não bastasse que seu avô fosse o diretor do colégio, o seu pai era CEO de uma impressa de seguros, o que significava que sua família era podre de rica e o que provavelmente resultou em um garoto mimado e metido. Michael infernizava a vida de Alex desde que o mesmo entrará na escola. 

...

Por intermédio de certas pessoas, um dia, Alex derrubou seu suco de uva na camisa de Michael. Naquele momento, todos ficaram em silêncio por que nunca havia acontecido uma situação como aquela com Michael. Ele obviamente ficou bravo e olhou para o menino baixinho á sua frente, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, Alex o interrompe abruptamente.

– M-me desculpe... E-eu, eu não quis fazer isso... M-me desculpe, por favor... – O garoto falou tão rápido e tão desajeitado que Michael quase não pode entender o que ele disse. Michael diria que estava tudo bem e só que prestasse mais atenção da próxima vez, mas ele não disse isso. 

Michael ficou realmente irritado, isso era realmente raro, quase nunca isso acontecia. Ele empurrou Alex, que caiu no chão facilmente, e foi realmente grosso com ele. Michael poderia ser educado quando queria, mas quando queria ofender alguém, bom não queira saber, ele pega bem pesado.

...

No refeitório, Alex permanecia calado, esperando alguma reação de Michael. Não tinha coragem de falar, muito menos com tantas pessoas olhando. Alex foi ficando mais nervoso ainda, quando você pensa que ele atingiu o limite do nervosismo, ele piora de um jeito inimaginável.

– O que está fazendo aqui, Lixo? – Falou com segurança, quando mais humilhava Alex, mais satisfação tinha. Nunca perdia uma oportunidade de zoar com a cara do garoto.

– ... – Não tinha coragem de falar, as palavras simplesmente fugiam da sua mente, a língua travava e a garganta ficava seca. Não consegui formular uma simples frase.

– Nossa, estão sentindo esse cheiro de podre? Acho que está vindo de você. – Apontou para Alex, que já entendia a onde ele queria chegar com isso.

– Acho que precisa tomar um banho, por que não me deixa te ajudar com isso? – Um sorriso irônico ficou estampado em seu rosto, enfim, ele deu o sinal para um de seus amigos, que estava atrás do jovem albino, derrubar um balde de água nele.

Logo o refeitório estava repleto de risadas, alguns alunos filmaram o acontecimento revendo de novo a mesma cena se repetir diversas vezes. O grupo de amigos de Michael comemoravam por mais uma “pegadinha” feita com sucesso. Eles sabiam exatamente que estavam fazendo bullying. Tudo volta algum dia, mesmo não sendo pela mesma moeda.    

Olharam na direção da mesa em que o garoto estava e viram-no levantar e sair correndo para fora do refeitório. Aquilo tinha virado uma rotina, pegar no pé do bolsista, comemorar e ver ele correndo para algum outro canto da escola, provavelmente o mais distante possível. As garotas já estavam em cima de Michael, elogiando-o e falando como ele era legal e descolado.

Elas pareciam cegas, desde quando colocar uma pessoa em uma posição de inferioridade era legal? São só garotas, á flor da pele, com seus hormônios nas alturas. Elas apenas querem sexo. 

No banheiro masculino, podia-se ouvir um choro quase inaudível dentro de umas das cabines. O jovem rapaz tentava controlar seu choro, ele sabia que chorar não resolveria nada, mas ele não conseguia evitar. Tirou do seu bolso esquerdo uma pequena lâmina que sempre trazia consigo em casos de emergência, arregaçou as mangas das várias blusas de frio que tinha e começou a se cortar.

Tá tudo bem Alex, tá tudo bem. Tudo vai ficar bem...

A lâmina deslizava sobre sua pele a marcando, Alex achava bonito seus pulsos cobertos de sangue. Ele começou a sorrir, ele se orgulhava disso, estava se destruindo e era exatamente isso que queria. Ele se odiava. A sua voz era irritante, sua personalidade era péssima e para fechar com chave de ouro, ele se achava gordo. Por mais que fosse magrelo, ele sempre achava que estava muito gordo, o espelho lhe dizia isso.

Seu sorriso foi se transformando em risos e lentamente se converteu para lágrimas, sempre quando se cortava era como se sua mente entrasse em colapso. Não sabia o que sentir, não sabia como agir, mas um sentimento sempre o dominava. Todas as noites o sentimento de vazio invadia o seu peito. Era maior que a dor, maior que o medo.

Ele ficou no banheiro até as aulas acabarem, não teria coragem de voltar para a sala de aula todo molhado e com o professor questionando o que tinha acontecido. Ele não estava afim de mentir, então era melhor evitar perguntas e principalmente Michael. 

O sinal bateu novamente, mas desta vez indicando o término de todas as aulas daquele dia e no mesmo instante os corredores do colégio ficaram lotados de alunos. O desespero para chegar em casa era impressionante, ninguém gosta de escolas.

Alex saiu do banheiro até ter certeza de que todos os alunos tinham ido embora e foi direto para sua sala pegar suas coisas. Não encontrou seu material onde tinha deixado, mas viu a mensagem que estava escrita na losa. "Algumas coisas devem ficar onde pertencem" e do lado estava uma seta apontando para a lata de lixo.

Já fizeram isso várias vezes com ele, isso era rotineiro. Na verdade, hoje até que foi leve, por que eles já fizeram muito pior. Pegou seu material do lixo, só de imaginar aquilo sujo dentro da sua mochila, o deixava desconfortável. Alex limpou o máximo que podia, e saiu da sala. Do lado de fora, estava a última pessoa que ele queria ver. 

Michael estava escorado na entrada do colégio.

– A gente vai fazer o trabalho na sua casa. Pra mim não dá pra fazer em outros dias, então tem que ser hoje. – Michael encarou Alex enquanto esperava uma resposta do menino magrelo. Várias coisas se passaram na cabeça do albino naquele momento, talvez não tinha processado toda a informação dita.

– N-na minha c-casa, hoje? – Falou ainda meio confuso com as palavras de Michael. Alex já não sabia mais o que fazer, além de ter que conviver com esse ser na escola, agora tinha que o aturar em casa também.

– Sim, na sua casa. Vamos, estamos desperdiçando o tempo em que poderíamos estar fazendo o trabalho. – Michael começara a andar sem esperar por sua dupla, virando em uma esquina qualquer.

Alex conseguiu acompanhar seu colega de classe, tomando a frente e lhe mostrando o caminho para sua casa. O ar frio da tarde estava mais forte do que de manhã, e com a roupa totalmente molhada,  Alex espirrou diversas vezes durante o caminho até em casa. 

Eles andaram por longos minutos e parecia que nunca iriam chegar à casa do garoto, até que entraram na zona pobre da cidade. Podia-se perceber logo de cara pois as casas que antes eram grandes e bonitas se transformaram em casas pequenas e mau pintadas. Também se via isso pelas calçadas e ruas mal cuidadas.

Finalmente pararam em frente a uma casa velha com pintura desbotada, Alex destrancou a porta e entrou acompanhando Michael até a sala de estar. Ele estava com os olhos atentos, observando tudo a sua volta, não deixando faltar nenhum mínimo detalhe. Foram até a cozinha, onde Alex abriu alguns armários, retirando alguns ingredientes básicos.

– Eu vou fazer alguns sanduíches para a gente comer... – Com o silêncio incômodo no ar, Alex estava ficando muito ansioso. Queria acabar logo com aquilo, não queria ficar perto do garoto que já lhe fez chorar incontáveis vezes.

Depois de comerem, eles subiram as escadas e foram direto para o quarto, que estava impecável. Tudo arrumado em seu devido lugar, o chão estava limpo e o cheiro de perfume estava presente no quarto. Alex foi até sua escrivaninha e pegou algumas coisas que iriam precisar para fazer o trabalho como canetas, folhas e também um notebook.

O trabalho era simples, você só precisava comparar algumas impressas. Se aquela impressa tinha um boa renda, como era o modo de serviço deles, o que os trabalhadores tinham, etc. Um trabalho simples, porém complicado e muito detalhado. Infelizmente esse trabalho demoraria algum tempo, já que precisava de muitas informações.

Podia não parecer, mas Michael tinha uma grande inteligência. Ele tentava disfarçar colocando respostas erradas nas provas e não fazendo a maioria das lições de casa e dos exercícios passados em aula. Michael queria ter amigos e ele sabia muito bem que não conseguiria fazer isso, sendo o Nerd da classe. 

Porém Alex, de alguma forma sabia disso e resolveu não comentar sobre o assunto. Um dia, quando estava voltando do intervalo, viu o caderno de Michael sem querer. Ele tinha resolvido uma questão que o professor tinha passado para casa, mas aquela era uma questão que envolvia muitas contas e uma excelente lógica, além de resolve-la em tão pouco tempo. Isso fora no mínimo, impressionante.

Sua cabeça não conseguia compreender por que ele escondia toda a sua inteligência. Quando Michael entrou na sala, ele arrancou o papel que havia feito a conta e jogou no lixo, como se não fosse nada. Alex ficou triste com aquilo, ficou triste por Michael...

– Acho que já deu por hoje, semana que vem a gente continua. Segunda, pode ser? – Disse Michael, vendo o por do sol pela janela. Eles tinham ficado algumas horas fazendo o bendito do trabalho, e mesmo que não parecesse, tudo tinha ocorrido bem. Para a sorte de Alex.

– S-sim. – Falou sem muitas palavras.

– Onde é o banheiro? – Olhou para o jovem a dua frente esperando uma resposta, o que veio a demorar alguns segundos. Ele apontou para a porta a esquerda e continuou arrumando as coisas do trabalho que já tinham terminado.

Michael foi até a porta indicada, mas virou do outro lado e entrou na porta da direita. Era um quarto simples, tinha um pouco de pó, como se alguém só viesse limpar uma vez a cada dois meses. O quarto parecia abandonado, não tinha nenhum objeto pessoal. Ele foi ao lado da cama que tinha uma pequena cômoda e abriu a gaveta. 

Ele pegou o conteúdo e saiu do quarto, com um sorriso irônico. Escondeu debaixo de sua camisa e pegou sua mochila, então Alex acompanhou Michael até a saída. Ele perguntou se ele sabia o caminho de volta, mas Michael disse que tinha gravado o lugar de onde veio, então sem se despedir, ele foi embora.

Desde que tinha começado a andar, sentiu alguém o perseguindo. Ele sabia que alguém está atrás dele, mas resolveu ignorar e seguir seu caminho. Talvez a loucura estivesse dominando sua cabeça, ao ponto de fazer ele ficar paranoico.

Queria chegar em casa o mais rápido possível. Tinha que pensar em como realizaria seu plano, apesar de todas as coisas já estarem programadas. A imagem do garoto baixinho sendo humilhado, não saía da sua cabeça. Michael já fizera o garoto chorar muitas vezes, mas nunca se sentia satisfeito. 

Parecia que a sensação de vê-lo chorar, preenchia o vazio em seu peito, mas isso era apenas temporário. Ele odiava o garoto por não conseguir tirar aquele vazio em seu peito, então tudo relacionado a Alex, o irritava. Desde a voz até quando uma pessoa comentava algo sobre ele.

– Sim, consegui. Você já fez o que te pedi? Ótimo, tudo está como planejado. Quando eu chegar em casa, a gente conversa melhor. Vamos ver como ele irá reagir... – A chamada foi encerrada, e mais uma vez, o sorriso irônico de Michael seguia em seu rosto. 

        

27 de Abril de 2018 às 05:34 0 Denunciar Insira 0
Continua… Novo capítulo Todas as Quintas-feiras.

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