The Rabbit Seguir história

psycho_diva Psycho Diva

"Quase nunca mantinha interesse em coisas banais, mas quanto mais arriscado, perigoso, quanto mais negativo, lhe chamaria a atenção. E por esse defeito, ele estava agora do lado de fora de sua casa, caminhando para dentro da pequena floresta que rodeava o lugar."


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos. © Essa história está postada no perfil Psycho_Diva no Social Spirit, portanto não é plágio!

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Capítulo único

   


   O vento frio que adentrava pela janela aberta, fez Koichi levantar, perguntando-se quando havia aberto-a. Ao ficar de frente com a grande janela de madeira, pôde avistar algo entre as árvores que rodavam sua casa. Fez seus pelos se eriçarem ao ver algo se movendo rápido entre elas.

   O garoto de cabelos róseos e pele clara, alto e magro, com certeza tinha vários defeitos e qualidades. Mas o "defeito" mais considerável era sua curiosidade. Quase nunca mantinha interesse em coisas banais, mas quanto mais arriscado, perigoso, quanto mais negativo, lhe chamaria a atenção. E por esse defeito, ele estava agora do lado de fora de sua casa, caminhando para dentro da pequena floresta que rodeava o lugar.
Mais um barulho entre as árvores o fez olhar para a direção ao seu lado, onde pode avistar com muita clareza um ser.


–– Um homem com cabeça de coelho...?


   O sorriso se formou nos lábios pequenos, fazendo-o iniciar uma corrida atrás daquele indivíduo, que corria o mais rápido possível, mas o ser logo percebeu que estava sendo perseguido por alguém, parando por alguns segundos para analisar o que poderia ser, e logo, voltou a correr, se embrenhando entre as árvores.
Koichi continuava seguindo-o, e seu fôlego já estava acabando, mas deu um breve sorriso ao ver o coelho parado ao lado de um tronco.

   O rosado parou de correr, caminhando devagar para não assustar o animal, que continuava olhando para ele, parado também. O rosto do coelho era cravejado de diamantes, o que fez o interesse de Koichi aumentar mais ainda.


–– Fique calmo... Não vou machucar você...


   Koichi se aproximou, vendo o coelho andar lentamente para trás da árvore. Correu para o lugar onde o coelho havia se escondido, escorregando em um buraco. O rosado sentiu um nó na garganta enquanto estava em queda livre, não conseguindo assimilar nada do que estava acontecendo. Olhou para baixo, vendo o chão já perto de si. Fechou os olhos, preparando o forte impacto que iria sofrer, mas foi amortecido por algo fofo.


–– Folhas? Mas... Não tinha folhas quando olhei...


   Se levantou, limpando a roupa, antes branca, mas agora com um tom marrom pela terra, olhando em volta.


–– Coelho...?


   Koichi chamou, olhando em volta da pequena sala redonda de teto alto onde se encontrava. Não havia nada ali, a não ser uma pequena porta que não passava sequer sua mão. Se ajoelhou e abriu a pequena porta sem nenhuma dificuldade. Ótimo, e agora, como passaria por ali?


–– Como vou subir por aquele buraco?


   Koichi suspirou voltando sua atenção ao lugar da sua queda que já não existia mais, no lugar dela se encontrava uma pequena mesa de centro e sob ela um líquido rosa, dentro de um frasco delicado, com o bilhete "drink me".

Sem pensar muito, Koichi pegou o pequeno frasco e o abriu, engolindo de uma vez o líquido amargo, sentindo uma dor em suas costas, e logo foi sufocado por suas roupas. Olhou para cima, vendo a antes pequena mesa, se tornar gigante em seus olhos.

   "Eu encolhi?" pensou, ainda chocado. Saiu do meio de suas roupas gigantes para o novo corpo, abrindo a porta e entrando. A alguns metros, outra porta, e outra, e a última. Ao abrir esta, viu que não possuía mais nenhuma porta, e sim, uma enorme janela, onde não conseguiria passar nunca no tamanho que estava.
Olhou em volta, vendo um pequeno bolinho no canto daquela sala. Andou até lá, olhando o papel no qual dizia "eat me". Mais uma vez, sem receios, o rosado deu uma mordida no bolo, saboreando o sabor e aroma de morango que tinha no mesmo. Outra pontada em suas costas, e estava no tamanho normal. Sorriu,indo até a janela e sentindo um arrepio ao ver que a mesma tinha mais que 4 metros de altura. Subiu na janela, suspirando. Não demorou e lançou seu corpo, logo sentindo o impacto de seus pés no chão. Olhou para cima, vendo que a janela estava perto do chão.

   Koichi riu baixo, pensando em como tudo isso estava acontecendo. Olhou para si, vendo que estava com outra roupa. Uma meia-calça negra, short da mesma cor, corpete negro com laços vermelhos e uma capa vermelha também. Alisou a roupa, sentindo uma tontura ao ser arremessado no chão.


–– Desculpe. Estou... – o tal coelho parou, olhando no relógio de bolso. –– Muito atrasado.


–– Você! Como eu saio daqui? Pode me ajudar?


–– Não, eu estou muito atrasado mesmo... – o coelho disse, sem muito interesse, retirando uma cenoura do bolso e dando uma mordida, escorando-se na árvore.


–– Se tem tempo para descansar, pelo menos me ajude! – Koichi o olhou, indignado, mas o coelho apenas fez continuar no mesmo lugar. –– Qual seu nome?


–– Tsu. – o coelho o olhou e riu, guardando a cenoura e olhando mais uma vez para o relógio. –– Muuuito atrasado.


   Nisso, Tsu, o coelho, voltou ao seu destino, sem mesmo dar tempo de Koichi observar por que caminho havia ido. O rosado suspirou, começando a andar por entre as árvores, sem deixar de perceber as plantas e flores curiosas, mas uma lhe chamou mais a atenção, fazendo-o se abaixar até a mesma e a cheirar. Um doce aroma floral tomou conta de seu olfato. Olhou novamente para a flor, e em cima dela, havia um pequeno elfo, com asas finas e cabelos negros. Koichi levantou, caindo de costas pelo susto. O pequeno elfo voou até a frente do rosto de Koichi, o olhando sério mas logo abrindo um largo sorriso e acenando para ele.


–– Oi... – Koichi sorriu, erguendo a palma da mão e vendo o pequeno se sentar nela. –– Qual seu nome, pequeno?


   O elfo apontou para a própria boca e fez um sinal negativo com a cabeça, olhando o rosado, que entendera.


–– Você não fala... Que pena. Preciso de ajuda! Estou perdido aqui. Pode me ajudar a voltar par casa?


   O pequeno elfo assentiu, alçando voo e chamando Koichi para segui-lo.

O elfo dava piruetas no ar, voava em volta de Koichi e vez ou outra sentava em seu ombro. O pequeno sorria sempre e guiava o rosado para o caminho onde encontraria a saída, e finalmente, poderia voltar para casa.
   Num certo instante, o elfo fez uma expressão de susto e apontou para frente, onde estava o lobo. Não era um lobo qualquer, era um lobo humano. Orelhas, garras, cauda e dentes afiados se faziam presente no corpo totalmente humano, de olhos amarelos.

   O elfo começou a voar rápido, mostrando que Koichi devia correr, e assim, o fez. Correu muito, sem olhar para trás, apenas a fim de fugir das garras nitidamente afiadas do tal lobo.
A medida que achou que havia conseguido despista-lo, Koichi parou de correr, olhando em volta e não achando seu amigo elfo. Olhava para cima, para ver se conseguiria avistar o pequeno.


–– Ai! – o rosado resmungou, ao sentir que havia batido sua canela.


   Tinha apenas uma cama no meio de uma clareira, o fazendo olhar confuso para ela.

–– Bom, já que esta aqui, vou me sentar.


   Koichi se sentou e uma sensação de conforto tomou conta de si. A cama era macia e sentiu um sono invadir seu ser.


–– Alguém lhe deu permissão para se sentar ai, mocinho? – uma breve risada soou, fazendo Koichi levantar e olhar em volta, mas não avistou nada. –– Bobinho, pode ficar!


   Um homem mais baixo que si saiu dentre as árvores, sorrindo. Tinha um chapéu negro que tinha um laço do mesmo tecido de sua camisa negra em poás brancos. Em cima dela, um terno preto e fechado na frente. O cabelo parecia uma espécie de juba de leão negra e os olhos eram de um verde intenso que poderia ser confundido com olhos animalescos à noite.


–– Quem é você? – Koichi o olhou, achando semelhança no homem.


–– Quem sou eu? Quem eu sou? Quem é você? E quem são eles? – o homem riu alto, andando até a cama e se sentando nela, olhando para cima.


–– Eu me chamo Koichi...


–– Koichi! Que belo nome. Se eu tivesse um gato com olhos de morcego eu daria esse nome a ele! – o homem riu novamente, olhando para cima. –– Me chamo Zu. Zu de Zuuuu. Zu!


–– Você é bem parecido com o lobo... E com o elfo... – Koichi o olhava, desconfiado.


–– Calúnia! O lobo e o elfo que devem parecer comigo!


–– É a mesma coisa.


–– A mesma coisa é: Eu pareço com o lobo e o elfo. E não foi o que eu disse, bichano com olhos de morcego!


–– Meu nome é Koichi.


–– Koichi, gato com olhos de morcego, é tudo a mesma coisa!


   Koichi abriu a boca para responder, mas decidiu por não fazer. Não adiantava falar com o homem de chapéu, certamente era louco.


–– Pode me ajudar a ir para casa? – Koichi o olhou, suspirando.


–– Eu? Eu só posso te oferecer água! Ou um chá, você quer?


–– Eu quero ir para casa!


–– Ah... Isso eu não tenho não... Mas fale com o lobo, ele conhece tudo nesta humilde floresta!


–– Aquele lobo? Com cara de que vai devorar o primeiro que aparecer? – o rosado olhou incrédulo para o homem, que parecia querer leva-lo para a morte.


–– Não, não, pequeno gatocego! – Zu começou a rir alto, olhando para seus dedos. –– O lobo não é o que parece, aliás, não se deixe enganar por aparências. – Zu o olhou sério, mas logo abrindo o seu sorriso único. –– E ah! Elfos tem medo de qualquer coisa! E o lobo é o único que pode te levar ao Sr. Coelho que irá lhe levar para casa.


–– E onde eu vou achar esse lobo?


–– Ele vai aparecer. Não o deixe pegar essa cesta! Gatocego, se cuide! – mais uma risada alta e Zu adentrou a floresta, deixando uma cesta que surgira no colo de Koichi.


   O rosado tentou abrir a cesta, mas não conseguiu. Suspirou e saiu da clareira, andando novamente. Avistou o pequeno elfo se aproximar, sentando em seu ombro.


–– Por onde andou, pequeno? – Koichi sorriu para o elfo, que sorriu de volta e fez vários gestos com as mãos. –– Eu encontrei um homem chamado Zu. Ele disse que o lobo é confiável... Mas quem não parecia confiável mesmo era ele, que cara estra-


–– Então Zu anda falando bem de mim? Fico feliz, odiaria ficar mau falado entre as carnes novas.


   Koichi sentiu seu corpo paralisar ao ver o lobo a menos de um metro de distância. A criatura tinha aparência incrivelmente humana, e sim, parecia Zu. Parecia o Elfo.


–– Porque são... Tão parecidos? – a voz do rosado saiu um pouco trêmula pelo nervosismo.


–– Vou reformular sua pergunta. Porque você é tão diferente e... lindo? – o lobo riu, olhando sedutoramente para o rosado, que sentiu suas pernas bambearem. –– Zu mandou você me procurar, certo. Diga-me o que quer que eu faça por você, Carneirinho? Se é que entende o porque desse apelido. – o lobo lambeu os lábios, com o mesmo sorriso de antes.


–– O Coelho. Eu preciso acha-lo para voltar para minha casa. – Koichi apertou a cesta em mãos ao sentir o lobo se aproximar mais de si.


–– Pensei que estivesse me procurando. – o lobo riu, soprando no pescoço do rosado, que arrepiou o corpo todo. –– O que tem nessa cesta, Carneirinho?


–– Eu não sei... Mas Zu disse para não dar a você.


–– Ah, claro. – riu, se pondo de frente para Koichi, que passou a analisar melhor a feição do lobo.


–– Suas orelhas são tão grandes... – o rosado olhou-as, vendo-as mexer quase sincronizadamente.


–– É para ouvir melhor sua doce voz, Carneirinho. – o lobo sorriu, olhando nos olhos do outro que o olhava de foma intensa, analisando todo o rosto.


–– Seus olhos também... São enormes... – Koichi passou a admirar os olhos amarelos, sorrindo de leve.


–– Para ver o quão lindo você é...


–– Sua boca... Lábios grandes, também...


–– Esses são para... – o lobo se aproximou da boca de Koichi, vendo-o já entreabrir os lábios.


   Num reflexo rápido, o lobo tirou a cesta das mãos do rosado e comemorou, rindo do outro.


–– Ei! – Koichi o olhou, indignado.


–– Carneirinhos sempre tão fáceis de enganar! – o lobo riu, abrindo a cesta e vendo-a vazia. –– Só pode estar de brincadeira, Zu! – gritou, jogando a cesta bem próximo de onde Koichi estava, saindo floresta adentro.

   Koichi olhou em volta, sentindo o cansaço fazendo todo o seu corpo doer. Estava com sede, e continuou andando, até que ouviu o barulho de uma cachoeira próximo de onde estava. O rosado sorriu e se pôs a correr, parando na beira da mesma e enchendo as mãos com água, sorvendo cada gota.


–– Olá.


Koichi se afogou com a água, tossindo, enquanto tentava ver o que era o ser a sua frente. Cabelos longos e loiros, cauda azul anil com escamas esverdeadas, como a cor dos olhos.


–– Sereia? – Koichi olhou para a criatura a sua frente, que sorria doce.


–– Eu sou um sereio. – o homem-peixe riu, jogando os longos fios loiros para trás. –– Me chamo Ki, prazer.


–– Meu nome é Koichi... Você é igual ao Zu, ao lobo e ao elfo, só que loiro.


–– Será? – Ki sorriu, mexendo graciosamente sua cauda na água. –– Koichi que é diferente. O que faz aqui nessas terras?


–– Eu cai num buraco... Não sei como faço para ir para casa... – Koichi suspirou, visivelmente abatido.


–– Não fique triste, pequeno Koichi. Eu vou cantar para você se alegrar.


   O homem-peixe sorriu, iniciando seu belo canto encantador. A voz era doce e qualquer ser que a ouvisse, ficaria hipnotizado. Koichi já estava entrando no transe da hipnose melodiosa, quando seus lábios foram tomados pelo homem-peixe, o puxando para de baixo da água.

   Antes de se deixar afundar completamente, Koichi ouve o barulho do relógio de bolso inconfundível, separando os lábios cheinhos dos seus, saindo rapidamente da água e procurando o coelho.


–– Droga! Para onde ele foi?! – O rosado olhava nervoso para todos os lados, ouvindo mais uma vez o riso do homem-peixe.


–– Ali naquele breu, é um atalho. Vai lhe levar até o coelho! – Ki sorria malicioso, apontando com a cauda o lugar que dissera.


–– E onde o coelho vai?


–– Para a toca! – Ki riu, mergulhando nas águas cristalinas da cachoeira.


   As movimentadas águas da cachoeira se acalmaram a medida que Koichi se afastava, indo em direção ao breu que a sereia havia lhe dito. Não devia confiar em ninguém, ao certo. Mas estava perdido em pensamentos como também sem saber para onde ir naquela floresta estranha e cheia de criaturas desconhecidas. A unica certeza que tinha, era de que tinha que achar de qualquer jeito o Coelho Tsu, o único que poderia o levar para sua casa.

   Ao entrar naquele caminho estreito de árvores gigantes, que não deixava passar praticamente nenhum raio solar, Koichi olhava para os lados, dando passos lentos e receosos. Não enxergava nem um metro a sua frente, e isso estava o angustiando.


–– Onde é a saída? – Koichi choramingou, ouvindo alguns barulhos entre as arvores. –– Que seja o coelho, o coelho, o coelho...! – sussurra para si mesmo, com medo do que poderia sair de entre aquelas árvores.


   Parou, ouvindo tudo ficar em silêncio. Parecia até que o vento parou de soprar e as aves de cantar, tudo estava quieto. Mas uma queimação forte em sua barriga o fez cair para trás, e logo, outra queimação em sua coxa. Gritou alto, vendo uma flecha na barriga e outra na coxa. Tentou olhar em volta, mas alguém foi mais rápido, o segurando pelo pescoço e o ameaçando com uma faca no local.


–– Fica quieta, princesinha. Vim lhe buscar a mando da Rainha Maior.


–– E-eu não sou... princesa... – Koichi tentava se desvincilhar dos braços do então homem que não conseguira ver o rosto, mas apenas sentia mais dor nos locais feridos.


–– E eu quero saber o que você é ou não? Vamos logo!


–– Caçador, deixa-a em paz. Por sua vida.


   A voz forte soou entre as árvores, revelando uma criatura curiosa. Cabeça e tronco humanos, sendo o resto corpo de um cavalo.


–– C-centauro! – o caçador gritou, saindo correndo por entre as árvores, e logo, o relincho de um cavalo pode ser ouvido.


   Koichi olhava para o centauro, que se aproximava. O rosado estava debilitado, sentia muitas dores e não estava conseguindo se manter acordado.


–– Eu vou lhe levar para o Lobo. Ele pode curar esses ferimentos. Meu nome é Gen, fique tranquilo, não vou lhe machucar.


   O centauro sorriu, pegando Koichi nos braços e iniciando o seu galope rápido. Em outros tempos, Koichi apreciaria a vista, mas a dor não deixou, fazendo o garoto apagar nos braços do centauro.



[...]


–– Caçadores são perigosos quando tem meninos tão lindos andando por aí. – o lobo riu, retirando a primeira flecha, a da barriga, fazendo Koichi gemer de dor.


–– Quando eu apareci, aquele caçador saiu correndo igual uma criança assustada. Não precisei nem lutar. – o centauro riu, olhando o lobo prestar seus serviços médicos ao rosado.


–– Normal, eles são covardes conosco, apenas se sentem corajosos ao atacarem joias preciosas...– o lobo passou despudoramente as garras na coxa de Koichi, logo agarrando a flecha e a puxando devagar, fazendo o garoto se contorcer.


–– Então ele se confundiu de princesa. – o centauro disse, rindo, recebendo um olhar intenso de Koichi, que gemia baixo pela dor. –– Bom, eu vou indo. Foi um prazer lhe ajudar, princesa. Até mais Lobo! – a criatura saiu da clareira onde o lobo morava, indo embora.


–– Fique tranquilo, Carneirinho. Logo vai se sentir muito bem.


Koichi se espantou ao ver que o lobo estava desabotoando o short preto que usava, tirando-o.


–– E-ei! – Koichi tentou tirar as mãos do lobo de cima de si, sem sucesso.


–– Como quer que eu te cure assim, todo vestido?


   Koichi resmungou, voltando a deitar no chão, ainda observando o lobo, que agora tirava as suas meias, já rasgadas. Levantou a blusa, o olhando. O lobo se abaixou no chão, com o rosto próximo a ferida da barriga e lambeu a extensão do machucado, olhando para Koichi, que mordia o lábio para segurar um grito alto. A dor era muita, e estava com medo do que o lobo poderia fazer para si, mas não tinha outra escolha.


–– Esse aqui está pronto. Nem cicatriz ficou. Vá pensando em um bom jeito de me agradecer depois. – o lobo riu, pegando com as duas mãos a coxa com ferida na parte interna, erguendo-a um pouco e passando sua língua ali.


   Mais um gemido alto deixou a boca de Koichi, o que fez o lobo rir, logo passando o dedo na pele lisa, sem resquícios de qualquer ferimento.


–– Obrigado... – Koichi olhou para o lobo enquanto começava a colocar de volta sua roupa. –– Agora pode me ajudar a encontrar o coelho?


–– Claro, Carneirinho. Mas para isso tem uma condição. – o lobo sorriu pervertido, ajudando Koichi a arrumar o corpete negro de laços vermelhos.


–– Que condição?


–– Não é óbvio? Quero descobrir se carneirinhos são tão apetitosos como dizem. – o lobo riu, lambendo os lábios e se aproximando do corpo trêmulo de Koichi.


–– Como... vai saber disso? – o rosado o olhou, vendo-o dar um meio sorriso.


–– Deixe-me lhe mostrar, Carneirinho. – o lobo segurou a fina cintura de Koichi, juntando os corpos, e sem demora, selou os lábios do rosado, num beijo singelo, mas que logo tomou uma forma erótica, onde o o lobo acariciava cada centímetro do corpo à sua frente.


   Koichi não conseguiu resistir. Não por ter medo, não pela força que o lobo o segurava, mas sim por ter... Gostado. No fundo, sabia que tinha se sentido atraído pelo lobo, que tinha traços lindos na face. Assim como o Elfo, como o sereio, como o centauro, como o Zu...


–– E-eu...! Eu quero que... me diga porque todos aqui são iguais! – Koichi olhou para o lobo, que tinha o pervertido sorriso ainda maior.


–– Não é meu trabalho lhe dizer isso. Agora que já sei como é um Carneirinho, mesmo que pela metade, posso lhe ajudar a achar o sr. Tsu. – Koichi suspirou, já sabendo que não teria respostas do lobo. –– Vamos, eu lhe ajudo. Mas já aviso que o caminho é bem longo... Não prefere ficar aqui comigo e se divertir muito?


–– Eu aguento o caminho que for! Só quero voltar para casa.


                                                                                     [...]




Três hora depois...


–– Eu não aguento mais. – Koichi disse, ofegante e cansado.


   O lobo apenas riu, pegando na mão do rosado e o incentivando a continuar a caminhada.


–– Não esta tão longe. Só deve subir essa pedra aqui e andar mais alguns minutos, Carneirinho.


   Koichi olhou para a pedra, suspirando e se apoiando nela. Quando subiu, olhou para baixo e se assustou, vendo que a pedra onde estava tinha aumentado a altura, vendo apenas o lobo minusculo la embaixo.


–– Como isso aconteceu? E como vai subir? – Koichi gritou para o lobo ouvir, preocupado.


–– Joga seu cabelo!


   Koichi olhou para seu cabelo, que estava mais comprido que da própria Rapunzel. Riu, ainda não acreditando que tudo aquilo estava acontecendo, jogando o cabelo penhasco abaixo.

Depois de alguns minutos, o lobo termina de subir pelos cabelos rosados, que logo voltaram ao normal, fazendo Koichi se sentir perdido.


–– Ali, a toca do coelho. Tem certeza que não quer ficar mais um pouco comigo, Carneirinho? Não fiz ainda todo o meu papel como Lobo Mau. – riu, mordendo o lábio.


–– Eu quero ir para casa, só isso.


–– Tudo bem, pode ir então. Foi um prazer lhe conhecer, Carneirinho. Até logo.


   O lobo acenou, descendo a mesma pedra por onde havia subido.
Koichi andou até a enorme árvore, vendo o mesmo homem com cabeça de coelho sentado na frente de sua toca.


–– Ah, você de novo?


–– Sr Tsu, eu preciso que me leve embora. Todos me disseram que você era o único que poderia me levar. – Koichi disse, ajoelhando-se no chão, quase implorando para que o coelho o levasse embora daquele lugar.


–– Me diga quem você encontrou desde que chegou aqui.


–– Você, um elfo que não fala, um homem louco que se chama Zu, o lobo, um sereio chamado Ki, Gen que é o centauro e... o caçador que tentou me matar.


–– Hm... Então passou em todos os requisitos... Ótimo. Posso lhe levar embora. Mas com uma condição: Não ficará com medo ou assustado na hora que ver... o que verá. Certo? – o coelho o olhou, tirando a cabeça gigante de coelho e mostrando a sua face.


   Era como todos. Tsu era igual a todos que Koichi encontrou, e isso o fez ter uma leve dor de cabeça.


–– Você era... eles?


–– Não. Todos nós somos um. Tenha bons sonhos, Koi-chan.


...


   Koichi acordou, sentando na cama e olhando em volta. Estava dia e em seu relógio na cabeceira da cama marcava nove horas da manhã. Fez questão de baixar sua roupa e olhar sua coxa e barriga, não vendo nada de incomum.


–– Aquela dor foi tão real...


   O rosado suspirou, levantando da cama e indo tomar um banho, voltando e escolhendo uma roupa. Daria uma volta e comeria alguma coisa em algum lugar, para esfriar a cabeça tão tumultuada pelo sonho maluco.
Depois de pronto, foi até a sua loja de bolos favorita. Fez seu pedido e procurou um lugar para sentar. Foi um pouco difícil, já que a loja estava cheia. Mas achou um lugar consideravelmente bom, se sentando ali e esperando seu pedido.


–– Posso me sentar com você?


   O homem sorriu ao receber o consentimento de Koichi, que assim que o olhou, sentiu todo seu corpo tremer. Era ele. Era o coelho Tsu, o lobo, o louco Zu, o centauro, o sereio, o elfo. Era ele.


–– Me chamo Tsuzuku, prazer. Desculpe sentar aqui, mas está realmente bem cheio. Qual seu nome?


–– Koichi... Prazer.


–– Belo nome. Se eu tivesse um gato com olhos de morcego, com certeza esse seria o nome dele. Carneirinho. – Tsuzuku piscou para Koichi, que sorriu largamente. –– Olá, de novo, Koi-chan. 

26 de Fevereiro de 2018 às 12:44 0 Denunciar Insira 1
Fim

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