Laços de Amor Seguir história

tiatatu Tatu Albuquerque

Um conselheiro tutelar que em tão pouco tempo no cargo já descobriu que o conselho não é um recanto de super heróis, mas que, mesmo assim, nunca perde a esperança de um dia melhor. Um canto assustado, um menino de olhos perdidos, sem carinho, sem amor... Um amor que Lee estava disposto a dar.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

#Naruhina #KonoHana #FNS #GaaLee
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Em progresso - Novo capítulo Todas as Terças-feiras
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Lalalalalala...

Abrigo de menores Dr. Profº Senju Hashirama, um prédio tão belo por fora… Quem passa aqui pela frente, não imagina que ele é quase o inferno por dentro, um inferno que, em 26 anos de vida, eu, Rock Lee, nunca achei que ia temer tanto. Quando eu me candidatei ao cargo de conselheiro tutelar, eu não achei que essa ia ser uma tarefa tão difícil, viu? Mas é, é uma tarefa árdua. Crianças chegam a todo momento e, advinha só, esse lugar não tem espaço pra todas elas. Crianças também fogem todas as noites, crianças mais velhas, as que não são adotadas por serem consideradas velhas ou problemáticas, e é isso que eu estou fazendo aqui hoje, recebendo mais uma vez a notícia de uma fuga.

— De novo, Sai? Quem foi dessa vez? - ele procurou um papel na mesa e me entregou. - Uzumaki Naruto, Sarutobi Konohamaru, Hyuuga Hinata e Hyuuga Hanabi… - disse os últimos nomes com pesar, elas eram irmãs do meu melhor amigo, que faleceu há quatro anos e elas vieram pra cá, infelizmente, acabaram se envolvendo com as piores companhias. Ciente do meu desânimo, Sai tocou meu ombro.

— Sei que você tem um carinho grande por essas meninas, Lee, mas elas já não são as garotas que chegaram aqui, dessa vez elas não voltam! - é, eu sei! Elas estavam tão carentes, tão assustadas… Era óbvio que elas iriam fugir de vez uma hora ou outra, Hinata, se não me engano, faz 18 anos hoje, idade limite pra permanecer aqui, ela nunca ia se separar de Hanabi, aqueles dois marginais souberam bem quem atacar. Penso no quanto Neji não ficaria triste por isso, mas agora já foi! - Pelo menos são 4 camas vagas! - a fala do cuidador pode parecer triste, frio ou horrível, mas infelizmente é normal que vejamos as coisas assim. Suspirei pesado, não tenho tempo pra me lamentar, tenho que continuar o trabalho e Sai também. - A Tenten ligou, você e o Shikamaru foram chamados, mais uma denúncia de maus tratos… - nada mais normal, nada novo sob o sol.

— Até outro dia! - me despedi dele e fui pra saída do abrigo, o Chouji, motorista do conselho, já tava me esperando.

— O Shikamaru disse que a gente pega ele pelo caminho! - assenti e entrei na Van, olhando pra cidade, o belo dia de sol contrasta com a realidade das ruas, onde vemos mendigos, usuários de droga buscando o sustento de seus vícios, pessoas que passam por elas amedrontadas, temendo serem atacadas pelos ladrões dessa região. A única coisa diferente que eu vejo agora são as duas meninas que eu citei quase agora, com armas nas mãos, assaltando junto dos tais namorados que arranjaram no abrigo. Por que eu não as resgato? Hinata é legalmente adulta agora e, se eu tentar retirar a irmã dela, provavelmente ela vai me matar.

— Passa a bolsa, tá afim de levar um tiro? - fechei o vidro e fingi não ver que as meninas que praticamente vi crescer se perderam, aliás, hoje em dia, tudo o que eu mais faço é fingir que não vejo algo, por mais que me doa. Eu entrei no conselho tutelar achando que nós éramos como super heróis, que salvam todas as crianças e todas elas acabam felizes, mudam de vida e logo são adotadas e então suas vidas de tormento acabam, mas bem, não é assim. Todo super herói tem um inimigo e o nosso é a burocracia! São tantos trâmites, tanta papelada que até o poder familiar de uma criança ser destituído, ela “já fica velha” e ninguém quer criança velha. Por velha, entenda 5 anos, crianças maiores que 5 anos dificilmente são adotadas, principalmente se elas tiverem um passado conturbado, problemas de saúde ou de ordem psicológica, e já tiverem passado por muitos abrigos. Ah, também tem outro problema: muitas vezes as famílias pegam as crianças de volta, ou um parente empurra pro outro, como se os pequenos fossem brinquedos. Outro arqui-inimigo dos nossos planos é a burocracia da adoção, sabemos que ela é necessária, mas ela é lenta e falha. São tantos documentos, tantos pedidos, tantas exigências, tanta demora, que desmotiva muita gente a adotar. Eu mesmo estou na filha há três anos, mas sigo firme, sigo pleno e sigo confiante que, quando chegar a minha vez e do Gaara, seremos os pais ideais pra criança ideal! Logo chegamos até onde o Shikamaru estava nos esperando, fumando como sempre, na frente do prédio onde fica a sala-sede do conselho, acabando com minhas narinas com esse cheiro de tabaco insuportável e me jogando a pasta com os dados do caso.

— Bom dia pra você também…

— Lee, trabalhamos no conselho tutelar, nunca é um bom dia! - é, ele tem razão, mas não custa ser otimista, não é?

— Um dia será, Shika! - e eu tenho essa esperança. - Qual é o caso?

— Esse menino, o Metal Lee! O pai já deu ele pra adoção umas três vezes, ele já chegou a ser adotado, mas no período de adaptação a família devolveu, já que ele tem asma e bastante traumas… - mas tão pequeno? Ele só tem 5 anos, pelo o que diz aqui…

— Tão novinho e já sofreu tanto? - meu parceiro suspirou pesado, procurando na pasta os antecedentes dele, me deixando chocado.

— A mãe sempre o pega de volta e ele sempre retorna marcado, espancado, sendo jogado quase que pelos cabelos na frente do abrigo. É que você só tem um mês no conselho, mas a cada dois meses nós somos chamados pra salvá-lo, não é, Chouji? - sem tirar os olhos do trânsito, nosso motorista confirmou.

— É a primeira vez do Shikamaru no caso também, hoje não teve escapatória! - como assim? Até um conselheiro foge do garoto? Mas também, né? Estamos falando do Shikamaru, não é o conselheiro mais empenhado que temos.

— Nem me fale, Chouji, pior que dessa vez parece que é mais grave… - antes que eu perguntasse qual era o agravante, o Chouji estacionou a Van e a luz do giroflex da viatura de polícia irritou meus grandes olhos. Do lado de fora, eu vi uma pequena multidão, as pessoas assistiam atentas à prisão de um homem e o momento em que o corpo de uma mulher era coberto pelo saco preto. - É, dessa vez ele matou a esposa! - é pior do que eu podia imaginar.

— Me solta, eu só tava me defendendo! - é, eles sempre se defendem… Deixamos a Van, chegamos perto e iríamos ser barrados antes de passar da fita de isolamento, mas então mostramos os distintivos. - Conselho Tutelar!

— Ah, vocês chegaram! - sem olhar muito pra gente, o policial levantou a fita e deixou a gente passar, mas eu já tô acostumado com esse descaso, afinal, estamos cercado dele todos os dias, assim como essa casa parece cercada de lixo.

— Que fedor! - apertei meu nariz com os dedos, essa casa é um verdadeiro chiqueiro, lixo pra todos os lados, sangue… E olha que nem passamos da sala. - Como uma criança vive aqui?

— Ela não vive, conselheiro, ela sobrevive! - só mesmo o Kakashi pra ter esse tipo de comentário horrível.

— Bom dia, Kakashi, qual a situação? Onde está o menino? - verdade ainda não vi nenhuma criança… O delegado Hatake, suspirou pesado.

— Atendemos um chamado, a vizinha ligou denunciando uma briga, que ouviu o choro do menino. Foi na janela, viu o pai batendo nele com um cinto, a mãe ainda tentou pará-lo, mas então o infeliz apertou o pescoço dela com o cinto e espancou a coitada até a morte! - meu estômago ainda revira quando escuto esse tipo de relato, ainda mais pela forma com a qual ele é contado, como se não fosse nada, como se fosse normal algo assim.

— Tá, mas e o menino? - ainda tenho que me acostumar com a frieza do Shikamaru, nem parece que tem um filho quase desse tamanho, não se compadece…

— Isso é tarefa pra vocês, provavelmente ele está perdido no meio desse monte de lixo! - acredite, isso foi uma piada! Neguei com a cabeça, espero não pegar sarna entrando nesse lugar fétido e escuro, tem restos de comida, sacos de lixo, até detritos… Acho que o cheiro de cigarro do Shikamaru é mais confortável.

— Acha que ele está no quarto? - faz sentido, pelo menos aqui só tem um quarto, fica mais fácil procurar.

— Acho que…

— Lalalalala… - o que foi isso?

— Escutou? - ele assentiu e então escutamos de novo.

— Lalalala… - seguimos a voz até o quarto, quanto mais perto chegamos de um armário que aqui há, mais alto o canto fica. - Lalalalala… - abrimos a porta e lá estava ele, com as roupas rasgadas, os olhos assustados, irritados pelas lágrimas e pela luz do sol, as bochechas vermelhas de tanto chorar, o rosto sujo, os bracinhos e a barriga marcados por hematomas e marcas de cinto, com as mãos tapando os ouvidos, como se ele não quisesse ouvir as brigas que provavelmente estavam acontecendo aqui. Me doeu o coração ver ele assim e olha que eu já vi cenas piores, mas é que, meu Deus, como alguém consegue fazer mal pra um bebê desses? Esse menino parece tão precioso.

— Ei, amiguinho… - ele se afastou, se encolheu, tentando se proteger quando o Shikamaru chegou perto, acho que foi pelo cheiro de cigarro, deve trazer más lembranças a ele.

— Deixa que eu faço isso, Shika, pode ir dizer que achamos o menino! - ele assentiu e foi saindo, com o Metal olhando por debaixo do braço. Coitado, ele me parece tão assustado. Por instinto, levantei a mão pra fazer carinho nele, mas ele se encolheu mais ainda.

— Não me bate, moço… - se meu coração já estava mole, agora ele derreteu! Fiz carinho nos cabelos negros dele e ele me olhou assustado.

— Calma, amiguinho, eu não vou te fazer mal, eu vim te proteger, eu tô aqui pra cuidar de você! - ele chorou, não de susto, mas de emoção. Abri os braços, sorrindo calmo pra ele e acho que ele se sentiu seguro, por isso se jogou nos meus braços, me abraçando, e eu o abracei de volta, com o carinho que acho que ele nunca recebeu.

— Obrigado! - ele sussurrou e eu me senti bem como nunca antes. Pela primeira vez desde que iniciei os trabalhos no conselho tutelar, eu vi que esse trabalho vale realmente a pena e, sentindo o abraço do Metal, acho que é a primeira vez que ele sente que viver vale a pena.

26 de Fevereiro de 2018 às 02:34 5 Denunciar Insira 5
Leia o próximo capítulo "Amor pra quem anseia"

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Nany Lopes Nany Lopes
nem chorei, só fiquei tremendo
26 de Fevereiro de 2018 às 07:26

  • Tatu Albuquerque Tatu Albuquerque
    Huahahahahhahahahajajaja espero que tenha gostado! 3 de Março de 2018 às 04:34
Hasashi Rafaela Hasashi Rafaela
QUE COISA MAIS LINDA, QUE AMOR, QUE DENGO QUE NENÊ. AAAAAAh, miga, parabéns!
25 de Fevereiro de 2018 às 20:49

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