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kikyo Kikyo Uchiha

Hinata é uma jovem mãe solteira, que buscava desesperadamente por um emprego. O que ela não sabia, é que o homem que veio a ser seu chefe, é o mesmo que um dia marcou sua vida para sempre.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

#Naruto #Naruhina #FNH #Revolução Naruhina
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AURORA DOS DIAS ESCUROS

PRÓLOGO





Só existem dois dias importantes na nossa vida.

O dia em que a gente nasce;

E o dia em que a gente descobre o porquê que a gente nasceu.

Eu nunca fui infeliz. Por mais que a pressão sobre mim sempre fosse quase insuportável e as cobranças intermináveis, algo em mim me puxava pra frente.

Sempre ansiei por algo que nunca entendi bem o que era.

Até aquele dia. Meu sonho me puxou até ali.

Eu também costumava achar que sabia de tudo. Sempre autossuficiente, nunca esperei que do nada minha vida fosse virar completamente de cabeça para baixo.

Um inferno.

Minha vida tinha tudo para virar exatamente um inferno.

Eu via tanta gente por aí implorando por uma nova chance, tantos doentes terminais que ansiavam desesperadamente por um corpo saudável, uma possível cura ou quem sabe até mesmo um milagre e me sentia estranha por desejar o contrário.

Quando eu vi aquele bebê sorrindo pra mim pela primeira vez, sem dentes e completamente babado, entendi que eu estava sendo extremamente injusta. Eu não podia vacilar. É engraçado e estranho, naquele momento, entendi exatamente por que eu estava viva. Por ele.

E eu sei que sou tão boba. Ainda estou crescendo.

No fundo, tudo que temos em comum é o fato de estarmos desesperados por um milagre. Todos os dias da minha vida, eu estive esperando pelo meu.

Ele foi o meu milagre.

E aquele homem também foi a minha ruína. E ao mesmo tempo, a minha salvação.

Até mesmo agora, é possível sentir o gosto dele vivo em meus lábios. Seus toques, de repente me parecem tão quentes e vivos em meu corpo...

Eu me chamo Hinata Hyūga e o que vou lhes contar é a história da minha vida.








​Bristol, 11 de julho de 2011 – 1825 dias antes.


Abri as janelas e saudei o sol em silêncio.

Molhei cuidadosamente as orquídeas no pé da minha pequena sacada. Pousei o regador no cantinho mesmo, por que estou com preguiça de descer até a área de serviço. A energia das flores é tão delicada e ao mesmo tempo sensual. Faz eu me sentir bem. Quase completa.

Me jogo na cama e sei que meu telefone está perdido entre as cobertas, mas não dou a mínima. Agora, é a hora sagrada. A hora em que sou eu, meu notebook e a paz.

Hora de montar meu setlist.

Papai me definia como uma rebelde sem causa exatamente por eu ser totalmente diferente do que ele idealizou. É engraçado. Basicamente, eu costumava ser a princesinha da família. Costumava.

As coisas sempre foram impostas à mim, de fato. Não que eu não ame minha família, pelo contrário; eles são tudo que eu tenho. Papai. Hanabi. Neji.

O fato é que Hiashi Hyūga nunca foi o mais compreensivo da família. Creio que, depois que mamãe faleceu, ele meio que perdeu o rumo. Se tornou mais duro. Exigente. Eu não o culpo; no lugar dele, eu tomaria rumos piores.

Posso sentir o cheiro de almíscar e alecrim dominar totalmente o quarto e isso é extremamente gratificante.

Se estivesse em casa, eu já poderia ouvir sua voz gritando “Apague já essas macumbas fedorentas!” ou “Corta esse cabelo, você está parecendo uma mendiga!”.

Mas é claro que ele não está em casa.

Afinal, tempo é dinheiro. E dinheiro, sempre será o maior patrimônio dos Hyūga.

Às vezes, eu quase me sinto triste por não corresponder às expectativas do papai, do vovô e de todos daquela empresa. Mas não há nada que eu possa fazer. Bom, talvez muitos estejam se perguntando o que há de errado comigo e eu serei breve na explicação: nada.

E acho que no fundo, é isso que deixa papai chateado.

Sou completamente apaixonada por música. Se ela não existisse, eu não existiria. Enquanto algumas pessoas acreditam em Deus, eu acredito na música. Alguns rezam, eu aumento o volume. E é assim que a vida segue.

Depois que mamãe partiu desse mundo, à quatro anos, eu passei a ter mais da minha própria companhia. Finalmente tive a oportunidade de poder me autoconhecer. De compreender que as minhas vontades são minhas e de mais ninguém.

Mas a Hinata que mamãe, papai, vovô e toda a família Hyūga idealizaram era brilhante. Ela tinha classe, finesse e nunca abria a boca. Nunca. Eu costumava saber usar 30 tipos de talheres diferentes. Meu quarto? Parecia mais um quarto de hotel, cheio de frufrus e cor-de-rosa. Jeans? Jamais. A herdeira das empresas não poderia jamais ousar usar algo tão despojado. Eu me sentia um homem, já que vivia coberta em linho.

Aos poucos, eu fui me desviando desse caminho. No começo, papai tentou me frear. Ele cortou minha mesada. Eu não liguei, já que nunca podia comprar o que eu queria mesmo. Mas somente quando apareci com um pequeno dread, ele me chamou pra conversar.

No fim, eles descobriram o óbvio. Eu nunca poderia corresponder àquelas expectativas. Nem em um milhão de anos eu poderia assumir a empresa.

No fim, meu primo Neji foi designado para futuramente tomar o lugar que eu deveria assumir. Não preciso nem dizer o quanto vibrei com isso, né?

Aos poucos, a mesada voltou. Eu fiz mais um dread aqui e ali, e uma tatuagem. Comecei a sair mais com Neji, que me entende totalmente. Às vezes chego a pensar que somos almas gêmeas. Ele me apoia em tudo, como ninguém.

Eu sou movida pelo frio na barriga e pela pupila dilatada. Ser um fantoche, cortado e moldado nunca me caberia. Eu nasci pra ser o que eu quiser e esse mundo do papai não é o que eu quero. Não nego que isso pode vir a mudar, mas agora, não é. E é triste ver que isso deixa meu pai tão infeliz. Mas acontece. Vida que segue.

Apesar da música alta, incrivelmente consigo notar duas batidas na porta.

Entra! — dou meu melhor grito.

Neji entra com um sorriso despreocupado.

— Atrapalho? — ele engasga, devido à fumaça dos incensos.

— Neji! — sorrio, tirando meus headphones — O que faz aqui?

Ele fecha a porta, se jogando na poltrona à minha frente. Afrouxa a gravata e ri.

— Não sou mais bem-vindo aqui?

— Idiota. — rio, voltando meus olhos para o notebook. Preciso definitivamente terminar isso.

— Montando mais um set?

— Ahã... Tenho que terminar logo, me chamaram pra tocar na Dallas.

— É melhor cancelar, porque você não vai tocar hoje.

— Como é? — arqueio minha sobrancelha, desafiando-o. Ele ri, cruzando os braços.

— E não vai tocar por um bom tempo, Hinatinha. — ele tira de dentro do terno um pacote plástico e arremessa-o pra mim, que pego-o no ar. Dentro do pacotinho, há dois... ingressos? — Em duas horas, nós estaremos voando diretamente para a Alemanha.

— Neji...? — eu sorrio, excitada. Retiro os ingressos de dentro do plástico, avaliando-os. — Meu Deus. Caralho. Caralho. — Meus olhos se arregalam e eu começo a rir desesperadamente — Você comprou ingressos pro Antaris?

— Sim. — ri, sentando-se ao meu lado. Ele abaixa a tela do notebook, e olha fixamente dentro dos meus olhos. — E, é melhor terminar esse set rapidinho, por que em algumas horas você vai tocar no palco alternativo do Antaris Projekt.

Meu queixo cai e eu grito. Eu o abraço, em êxtase.

O Antaris Projekt é simplesmente um dos maiores festivais de música trance do mundo. É o maior da Alemanha. Estou incrédula.

— Como você...?

— Um amigo meu está organizando as apresentações e comentou comigo que havia um espaço vago. Eles estão desesperados, Hina. Ele te quer lá. É o teu momento de arrebentar.

— Meu Deus. — eu o aperto ainda mais forte, a ponto de chorar. É verdade que estou bem conhecida como DJ, mas só em Bristol. Eu estava pensando em tentar alguma coisa em Londres, mas... isso é totalmente fora do contexto. É o Antaris, caralho! — Você é inacreditável.

— Bristol já está ficando pequena pra você, mocinha... — ele sussurra, acariciando meus cabelos — arrume suas coisas. Voamos em uma hora.

— Mas e papai? Você deveria estar na empresa.

— Sou maior de idade e você também. E essa é a hora perfeita para eu fazer uso das minhas horas extras.

— Você é louco! Caralho, eu te amo!

E é exatamente por isso que eu e meu primo nos damos tão bem.

Neji abraça todas as minhas ideias malucas. É como um irmão. Quando eu decidi começar a tocar, ele que me apoiou. No fundo, ele não é mais que um louco que partilha das mesmas paixões que eu.
Algo me diz que isso vai mudar minha vida de uma maneira imensurável.

Pela primeira vez, vou tocar para milhares de pessoas, no verão e num festival enorme. Não tem como ficar melhor.

Antaris, aqui vou eu.




Rhinow, Estado de Berlin, Alemanha. – Algumas horas depois e 1825 dias antes.




Neji me puxa, arrastando-me pela mão. Nós estamos com duas mochilas enormes. A viagem foi tranquila, mas foi preciso pegar um trem para poder chegar aqui e isso definitivamente acabou conosco.

Nós nos despedimos somente de Hanabi, afinal, ela era a única que estava em casa. E nem estamos tão longe assim, vai. A Alemanha fica praticamente do lado de Bristol, lógico. Papai nem precisa saber que saímos de casa.

Mas quando cruzo os enormes portões do aeroporto desativado de Otto-Lilienthal e sinto finalmente a grama aos meus pés, minhas energias são renovadas imediatamente.
Olho direito ao meu redor. O campo é imenso. Haviam barracas até onde a minha vista poderia ver.

Ao longe, sete palcos cercavam o perímetro. O Palco Céu, o maior deles, é a estrela principal. O Palco Alternativo, do lado oposto, é onde eu vou tocar, daqui a pouco.

O sol está se pondo e eu rezo para que ainda haja um lugar vago para armarmos a nossa barraca.

Aqui, posso ver todo tipo de pessoa. Hippies. Veganos esquisitos. Homens barbudos e tatuados. Moças bonitas e gente de todas as etnias. Mochileiros. Pessoas de todas as partes do mundo viajaram só para estar aqui. Para estar nessa rave.

Está absurdamente quente e eu preciso de água.

Passamos ao lado de uma enorme tenda. Lá dentro, pude ver pessoas sentadas no chão, de pernas cruzadas. Elas balbuciavam em coro algo como “OM”. Todos parecem imersos em uma realidade alternativa... Ah! É o Espaço de Meditação! Deus, quero fazer tanta coisa!

— Acho que podemos ficar aqui.

Neji para e eu avalio o pequeno pedaço remanescente de terra.

— Serve. — tiro a mochila das costas e me espreguiço — Vai, vamos nos instalar aqui.

Em quinze minutos, já temos um abrigo de bom tamanho. Joguei minhas coisas pra dentro, mas Neji não me acompanhou.

— Pode se trocar. Já volto.

— Onde vai? — a música começava a ficar cada vez mais alta.

— Vou me encontrar com Lee.

Ah. Lee é o tal colega que pediu para que eu me apresentasse.

— Trás mais água.

— Tudo bem. Não faça nenhuma besteira.

Ele sorri e sai, contornando as inúmeras barracas. Eu ajeito uma manta com uma mandala sobre a nossa tenda, para que ele saiba diferenciar a nossa barraca. Fecho o zíper de dentro e trato de tirar toda a minha roupa, com exceção da calcinha. Visto a parte de cima do meu biquíni e um shortinho pequeno. Meus cabelos, que estão presos, são soltos. Sei que não estou um arraso, mas acho que melhorou. Pra fechar, reaplico o rexona, por que desodorante nunca é demais. Depois de um trato na tenda, ela até que ficou confortável. Ajeito umas almofadas aqui e ali e estendo um cobertor pelo chão. Está ótimo. Sequer iremos dormir mesmo.

Abro o zíper e saio, podendo ver a primeira queima de fogos da noite. O céu está completamente em chamas. Fecho a tenda, caminhando para fora. Tudo aqui é maravilhoso. Me sinto como uma criancinha, chegando pela primeira vez na Disney.

Já fui em outras raves antes, mas isso aqui... é imensuravelmente diferente. Me sinto inquieta, como se estivesse perto do que estive buscando por toda a minha vida.

Um pigarro baixinho chama a minha atenção. Me viro, fitando um senhor sentado em cima de um tronco caído, no chão. Ele é barbudo e tem os cabelos compridos, fazendo eu me lembrar do meu avô. Seu corpo está suado e ele parece exausto, fazendo-me deduzir que está aqui desde de manhã.

— É bonito, né menina? — ele ri baixinho.

— Muito... — falo, admirando tudo ao meu redor. Há uma tenda enorme á direita, e pela gritaria, tenho a certeza de que um grupo de jovens enche a cara neste momento. Ao voltar meu olhar para o senhor, percebo uma fina cascata de lágrimas se formar em seu rosto, apesar do mesmo ainda sustentar um sorriso singelo. — Está tudo bem?

— Tá sim. — ele olha envolta, admirando a paisagem. Uma brisa gelada cruza o lugar, aliviando o calor em meu corpo. Sentei-me ao seu lado, interessada no que aquele senhor poderia me dizer. As folhas nos carvalhos chacoalharam e eu fechei os olhos por alguns instantes, simplesmente aproveitando aquela vibração tão gostosa.

— Dizem que um dia isso tudo vai acabar... — ele parece imerso em seus próprios pensamentos.

— Isso tudo o que?

— Isso tudo. — ele sorri, maneando com a cabeça para que eu olhe ao redor. Seus olhos fixam no céu e eu rio baixinho.

— E é por isso que tá chorando?

— Não... — ri, negando — tô chorando por que acho bonito.

Ele puxa uma pequena mala — que eu não tinha notado pela escuridão —, detrás de si e começa a mexer na mesma. Posso ver que ele mexe em alguns plásticos, o que me intriga. Dentro dos plastiquinhos, haviam folhas e alguns materiais esquisitos, até que algo me atrai.

— O que é esse aqui? — aponto para um dos plásticos. Há uma folha muito verde dentro dele.

— Isso aqui? — ele o ergue em sua mão, sorrindo. — Peyote.

— Sério?!

— Sim... — riu — Já experimentou?

— Não...

Peyote é um pequeno cacto encontrado apenas no sudoeste dos Estados Unidos. Me surpreende ele ter isso. Tem sido usado por séculos pelos efeitos psicodélicos experimentados quando ingerido.

— Pode resultar em uma viagem intensa e profunda em busca do autoconhecimento. — falou, olhando fixamente em meus olhos. — Cê quer, menina? É isso que você está procurando?

Eu abaixei a cabeça e ri. Ah, como eu queria saber o que tanto procuro...

— Ainda não sei o que estou procurando.

— Isso é uma planta enteógena. Sagrada. — ele pousa o plastiquinho em minhas mãos delicadamente — O barato dessa viagem psicodélica é transcender a consciência. Entrar em comunhão com o divino. Mas ó... — ele chama a minha atenção, pois estou viajando na folhinha em minhas mãos. — Todo cuidado é pouco, hein? Porque... sabedoria demais enjoa.

Ele sorriu, o que me acalentou, de certa forma. Esse cara deve ter vivido tanto.

— Obrigada. — agradeci, assentindo com a cabeça.

— Quer um docinho pra acompanhar?

— Não, obrigada. — eu ri e levantei, sem desgrudar os olhos do bendito Peyote. Neji vai pirar com isso. — Muito obrigada. Até mais!

Coloquei o plástico no bolso do short e voltei pra minha barraca. Neji já estava lá, me esperando. Ele também havia trocado de roupa. Sem camisa, ele havia amarrado a blusa na cabeça, o que havia deixado-o com cara de idiota.

— Onde esteve?

— Fui dar uma volta. — dei de ombros — Vamos?

— Vamos. Está nervosa?

— Não. — menti. Estou muito.

— Vem. — ele me pegou pela mão — Ainda dá pra gente curtir antes da hora de você entrar.

— Pera, quero te mostrar uma coisa. — eu freei bruscamente, fazendo-o parar. Puxei o plastiquinho no bolso da calça, mostrando-o. Eu estendi à ele o Peyote que aquele senhor havia me dado mais cedo. Neji riu, tomando-o.

— Mas o que é isso?

— Peyote.

— Mentira!

— É sério.

— Onde conseguiu?

— Com um amigo. — dei de ombros.

— Tu é incrível. — sorriu, abrindo o plástico. Ele me questionou com o olhar e eu apenas assenti. De algum modo, estou muito ansiosa para usar isso.

— Eu quero muito usar isso com você. Quero que façamos essa viagem juntos.

— Você sabe que o efeito disso é monstruoso, né?

— Eu sei me controlar. Domino bem a badtrip.

— Eu sei que sim. — ele tirou a folha do plástico, rasgando-a ao meio.

— Neji... quer mesmo fazer isso?

Ele pousou uma das metades da folha em meus dedos.

— Claro que sim. Nós vamos fazer isso juntos. — ele segurou a outra metade em frente à boca. Eu sorri, assentindo. — 1, 2, 3.

No três, pousei o pequeno papelote em minha língua. Não demorou muito para que eu sentisse o amargo em minha boca. Ele me passou uma garrafinha de água que eu aceitei sem pestanejar.

Respirei fundo e nós começamos a caminhar juntos até o Palco Alternativo. Eu ria de nervoso. Nesse momento, amaldiçoo meus dreads. Eles esquentam demais.

Quando chegamos à pista, senti o instinto tomar conta de mim. Andamos até o meio da multidão, buscando os colegas do meu primo. Foi complicado, mas nós encontramos.

Neji me apresentou muita gente. Mesmo. Mas só consegui gravar o nome de duas meninas chamadas Tenten e Ino.

Comecei a interagir e logo meus quadris passaram a se mexer instantaneamente, acompanhando o grave da música.

Não demorou muito para finalmente os efeitos da droga começarem a me afetar. Senti meus braços adormecerem, mas continuei dançando e me acostumando com a sensação, eu sentia como se conseguisse esticar meus braços absurdamente longe.

Já dropei antes, então já sei como fazer para não cair numa badtrip. Comecei a viajar, pensando em coisas boas. Lembrei da minha mãe e de coisas banais da minha infância. A música penetrava fundo no meu ser e eu quase senti como se meu corpo tivesse vida própria. Eu ria e sorria, em êxtase.

De repente, foi como se eu estivesse pisando em veludo. O céu tomou uma tonalidade lilás e eu arregalei os olhos. Meu tato ficou apurado, eu andava e mil pensamentos rodeavam minha mente. Eu conseguia absorver a energia de tudo e todos. Quando virei, Neji estava envolto em um halo de luz absurdamente brilhante. Exatamente como um anjo. Eu o abracei, sentindo-me ser sugada por seus braços.

— Eu te amo muito. — falei, rindo sem parar. Minha risada parecia amplificada junto à música, como em um cd. Subitamente, senti vontade de ouvir a música ainda mais alta e de repente, foi como se ela tivesse se expandido dentro da minha cabeça.

As estrelas no céu pareciam ainda mais brilhantes. Eu podia ver claramente as nuances de uma aurora boreau se formarem acima de nossas cabeças. Arrebatador.

— Prometa pra mim que sempre vai seguir esse seu sonho.

— Neji... — eu ri, levantando meus braços pro céu. Eu sentia como se pudesse tocar as nuvens.

— Me prometa que não vai desistir. — ele envolveu meu rosto com as mãos, fazendo-me encará-lo. Neji me pedia isso, quase como se ansiasse pela resposta.

De repente, o medo de tocar o espaço me assolou. Eu fiquei assustada com o pensamento dos meus braços poderem encostar em alguma estrela. Eu abaixei minhas mãos, tentando desesperadamente colocá-las em meus bolsos.

Neji ainda aguardava a minha resposta, me encarando como quem sofria. De repente, foi como se ele estivesse derretendo. Seu rosto começou a se desfazer e eu o toquei, desesperada. Eu via seus músculos e seus tendões. Sua pele virou completamente do avesso e eu gritei.

— Neji! Neji!

— Me prometa...

Eu respirei fundo, me concentrando em não entrar em uma badtrip. Não posso me permitir entrar nessa. Concentrei minha mente na tarefa de tentar acelerar o tempo e voltei a dançar, tentando me afastar de Neji a todo custo. No meio da multidão, voltei a me concentrar em sentir o calor humano. Eu esbarrava em tantas pessoas, sorrindo. Quando abri meus olhos, pude fitar um homem me olhando.

Ele era lindo e alto. Seus ombros eram largos e ele estava sem camisa. O peitoral bem trabalhado era bem bronzeado, mas o que me chamou a atenção foram deus olhos.

Um olhar penetrante. Tão azul que eu poderia jurar que estava olhando diretamente em duas safiras. Eu sabia que não era ilusão. Aquele homem estava mesmo ali, me fuzilando com seu olhar. O olhar dele me passava calor. Estava quente. Queimando. Pegando fogo. Senti o chão sumir sob meus pés e me aproximei, rindo. Ele sorriu e só ali percebi que ele chupava um pirulito.

Um caleidoscópio se formou ao nosso redor, deixando toda e qualquer pessoa fora daquele contexto. Era como se só existisse eu, aquele cara e a música. Sequer havia chão sob meus pés. Não havia mais nada. Paredes de lava foram erguidas ao nosso redor, mas não me importei. Ele ergueu o pirulito em direção a minha boca e eu não demorei em chupá-lo. O doce em minha língua extinguiu todo resquício do amargo, fazendo-me voltar parcialmente ao mundo real.

Eu nunca havia sentido nada parecido, quero agarrar este estranho aqui mesmo. É como se nada mais fizesse sentido. Me pergunto se ele sente o mesmo. E se sente, por que apenas me olha? Por que me olha como se estivesse hipnotizado?

— Eu quero você. — falei, fixando meu olhar no seu.

Ele deu um passo à frente, mas fui puxada. Não era um delírio.

Neji me puxou de volta, para o canto. Aquele olhar me fez querer ficar.

— Está na hora.

— Hora de que? — falei, procurando por aquele homem desesperadamente. Não tinha mais ninguém.

Aquilo havia sido apenas um fruto da minha imaginação? Não. Não pode ser. Ainda posso sentir o gosto do pirulito em meus lábios.

— De você tocar. Quem está procurando?

Porra, é mesmo. Viajei tanto assim?

— Ninguém. — sorri, tentando parecer um pouco mais normal. — Vou subir. — o abracei forte — Me deseje sorte.

Ele me abraçou de volta, beijando o topo da minha cabeça.

— Boa sorte, minha princesa. Amo você.

Aquela frase ecoou por alguns segundos na minha cabeça. No fim, eu sorri, me afastando. Meus pés se moviam por vontade própria. Dei a volta na multidão, caminhando até o palco. Subi a escadinha aos fundos, podendo ouvir a música parar por alguns instantes.

Ainda estou mal pelo efeito da planta, mas sei que posso dominar isso. Se eu me concentrar na realidade, nada vai acontecer.

Eu subi no palco e alcancei meu pen drive no bolso do short. Pluguei-o no notebook, tremendo de ansiedade. Eu podia sentir os olhares queimando sobre mim. Quando a batida começou a invadir o lugar, a multidão berrou em resposta, ensandecida. Enquanto eu mixava a música, as pessoas pulavam e gritavam, me colocando em um transe incrível. A energia passou a fluir em todo o meu corpo, fazendo-me procurar por Neji, em meio aos milhares de rostos.

Em um minuto, ele estava lá. Sorrindo pra mim e me encorajando com o olhar, fazendo-me ficar ainda mais confiante. Eu acelerei a batida, tornando-a ainda mais aguda. Quando olhei novamente, Neji não estava mais lá.

E assim, pelo resto da noite, eu continuei a buscar por ele, mesmo sem nunca ter sucesso.

•••

​Quando eu finalmente saí do palco, cambaleei. O tal do Lee, amigo de Neji, veio falar comigo. Ele me elogiou tanto que fiquei sem graça. Os efeitos daquela droga estão cada vez mais fortes no meu sangue. Tudo que eu quero é encontrar Neji, quero saber se ele me viu e o que ele achou. Por que aquele viadinho tinha que sumir bem numa hora como essa?

Paro um pouco e respiro fundo.

Minhas extremidades estão completamente dormentes. Meus lábios estão formigando e tudo que eu quero é um pouco d'água. Caminho pra fora da pista, pra perto de algumas tendas vazias.

De repente, aquele olhar vem à minha mente. O par de olhos azuis me fuzila dentro do meu subconsciente.

Viro-me em direção à lua e sou surpreendida por uma risada rouca ao pé do ouvido.

Quando olho, encontro o mesmo olhar.

É ele. O homem do meu delírio.

Ele envolveu meu rosto com a mão, erguendo o meu queixo com o polegar. Só seu toque é o suficiente para me fazer arfar.

Mesmo sob a luz negra, consigo vê-lo claramente. Seu olhar queima sobre mim de maneira indecifrável.

— Fiquei com medo de não te encontrar de novo. — sussurrou, rindo baixinho. — Seu set foi incrível.

Eu ri e levei a mão até seu rosto. Fechei os olhos, simplesmente me maravilhando com o toque. A energia que ele exala é a mais gostosa que já senti. Ele roçou os lábios nos meus devagar, fazendo-me provar de seu hálito. Minha língua pediu passagem timidamente e ele logo cedeu. Seu gosto era amargo e mentolado, forte. Suas mãos me puxaram pela nuca com urgência, trazendo-me ainda mais para perto.

Seu gosto é como o pior dos venenos, pra mim.

De repente, já não há mais música. Neji pode esperar. Tudo que eu quero, neste momento, está bem na minha frente. Seus lábios descem por meu maxilar, me beijando e mordendo. Cada centímetro do meu ser vibra e formiga quando o toque dele encontra minha pele desnuda.

Puxo seu rosto de volta ao alcance dos meus lábios. Suas mãos cravam em meu bumbum e eu entrelaço as pernas ao redor de seu quadril. Ele arfa, mordendo meu lábio inferior. Seus calcanhares se viram e ele passa a me carregar para algum lugar. Não me importo. Eu vou pra qualquer lugar com ele. Nós ríamos como delinquentes. Me desvencilho de seus braços e desço. Ele passa a me puxar, guiando-me para dentro de um trailer. Nós não nos preocupamos em trancar a porta. Aquele lugar estava deserto. Todos estavam curtindo a rave, exceto por nós.

Nós estávamos curtindo um ao outro. E eu... eu estava entrando em comunhão com o divino.

No chão, haviam muitas cobertas e almofadas. Eu o empurrei, fazendo-o deitar. Suas pupilas se estreitaram, como as de um gato. Deitei sobre ele, beijando cada centímetro de seu abdomen. Vi seus olhos fecharem e de sua boca saíram sons desconexos. Ele também estava entorpecido.

Alcancei seus lábios mais uma vez, beijando-o com volúpia. Nossos lábios não brigavam; eles se encaixaram perfeitamente. Suas mãos passearam por minhas costas devagar e aos poucos o nó em meu biquíni foi desfeito. Ele me puxou para mais perto, forçando ainda mais o atrito entre nós dois. Gemi. Meus seios se chocavam contra seu peito, me fazendo delirar.

Ele saiu debaixo de mim, invertendo as posições.

Seus lábios traçaram uma trilha de beijos até meu colo.

Quando sua língua rodeou o meu mamilo, meu corpo inteiro formigou. Ele me chupava com gosto, alternando entre meus dois seios. Sua boca desce, beijando-me por inteira. Eu estremeço e me desmancho em expectativa, gemendo. Meu short é praticamente arrancado do meu corpo por suas mãos, que logo tratam de afastar minhas pernas ainda mais. A parte interna das minhas coxas é afagada por seus lábios, enquanto sinto minha intimidade praticamente implorar por atenção. Dói. Eu gemo, pedindo para que ele me tome o mais rápido possível. Não sei se por tesão ou compaixão — ou talvez pelos dois —, mas instantaneamente sinto minha vagina ser abocanhada por ele. Grito. Ele penetra dois dedos em mim, passando a fazer movimentos de vai-e-vem. Minhas pernas tremem. Eu arregalo os olhos, arqueando minhas costas contra o chão. As paredes começam a derreter. Ele me chupa devagar, como quem saboreia seu prato favorito. Me contraio, completamente entregue.

— Por favor... — peço, pois me sinto à ponto de explodir. Abaixo o olhar, vendo-o sorrir de forma sacana. Ele conhece bem o efeito que está causando sobre mim. Eu o afasto, notando que o resto de suas roupas haviam sumido. Seu pênis era grosso, rosado e rodeado por veias. Lindo. Estava duro. Perfeito pra estar dentro de mim. O beijo, suplicando para que deite. Ele atende ao meu pedido, sorrindo. Estou encharcada e louca para senti-lo dentro de mim. Sento em seu colo, posicionando-me sobre seu membro. Ele rosna e murmura coisas desconexas ao sentir-me descer devagar. Gemo, em êxtase. Ele lateja e me puxa forte, de encontro ao seu quadril. Eu deslizo, apoiando-me em seu peito.

As duas safiras me fuzilam com o olhar. Ele me olha, como se estivesse faminto. Seu quadril vai de encontro ao meu mais uma vez, fazendo-me choramingar de prazer enquanto nos tornamos um só. A energia flui entre nós de maneira interminável. O calor cresce em meu ventre, espalhando-se por todo meu corpo. Eu suo. Meus cabelos grudam em minha pele. Ele geme, segurando firme em minha cintura enquanto cavalgo sem parar. Suas mãos sobem até meus seios, apalpando-os de leve.

Isso é... incrível.

— Você é tão linda.

Suas mãos passeiam por todo meu corpo. É quase como se eu fosse uma divindade, e ele o meu fiel. Me adorando e saudando, incansavelmente. Ele senta, alcançando meus lábios em desespero. Eu o beijo, encorporando meu lado cigano. Meus quadris se movem involuntariamente enquanto o êxtase cresce em mim cada vez mais.

As horas a seguir para mim pareceram minutos. As cores do ambiente se misturavam e saíam de foco, enquanto nós dois continuamos imersos naquela psicodelia.

Perto do limite, eu senti os primeiros raios solares tocarem-me. Rebolei em seu colo, gemendo incansavelmente. Meu ventre se apertou, querendo sugá-lo para dentro de mim. Tremi. Ele agarrou às minhas coxas investindo contra mim, o que me fez gritar. Quando seu gozo passou a fluir para dentro, algo em mim acendeu.

O ápice me arrebatou em cheio, extravasando toda aquela tensão sexual. Seus braços ampararam-me, me impedindo de cair. Ele ofegava, apertando-me contra seu peito. Gemo, tentando tirá-lo de dentro de mim. Minhas pálpebras pesam e eu falho. Suas mãos apertam meu bumbum de leve, aconchegando-me em seu peito.

— Esteja aqui... quando eu acordar. — pediu.

Eu assenti enquanto a atmosfera parecia querer me espremer aos poucos. Eu não planejava ir. Dentro desses braços é exatamente onde eu quero estar.

Beijei seu rosto algumas vezes e pude vê-lo sorrir, antes de finalmente adormecer. Deitei em seu peito, mas não consegui dormir. Minha cabeça viajava. Os efeitos da droga ainda estavam presentes, mesmo que muito fracos. Não vejo mais alucinações, mas a atmosfera ainda está diferente. O tempo oscila, passando muito rapidamente.

Logo, o barulho de uma sirene soa. Eu me assusto com o barulho e um calafrio sobe pela minha espinha. Levanto, me desvencilhando de seus braços. Olho pela janela, fitando uma multidão aglomerada ao redor de uma ambulância.

Uma lágrima rola pelo meu rosto e meu coração para. Procuro por minhas roupas e me visto imediatamente.

Saio do trailer correndo. Não ligo pra nada. Algo, naquela ambulância, está me chamando. Corro. Empurro todos no meu caminho. Quando estou quase entrando, um policial impede a minha passagem.

— Você não pode passar.

— Eu preciso ver. Eu preciso ver. — eu repetia incessantemente, empurrando-o. Até que, me esgueirei por baixo de seus braços, conseguindo passar.

Dois médicos tentavam reanimar incansavelmente um jovem com choques. Eu entrei na ambulância, com meu coração na boca.

— Quem é você? — o médico me olhou por cima do ombro, nervoso — Saia daqui!

Eu não obedeci, mesmo sabendo que não devia estar ali. Me aproximei e meu coração murchou, bem naquele instante, quando finalmente pude ver o rosto.

Mesmo hoje, esse momento é inesquecível em minha memória.

Ele estava bem ali, naquela maca. Mas não era ele. A vida já havia se esvaído de seu corpo à horas atrás. Aquilo não passava de uma casca vazia.

Meus joelhos foram ao chão e eu gritei.

Neji havia se tornado um nada além de um cadáver.

26 de Fevereiro de 2018 às 02:13 4 Denunciar Insira 6
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Tikki-chan Tikki-chan
Agora que tá começando de novo, posso comentar desde o começo! Meu Deus, que início sensacional! Eu nunca imaginei nem Hinata nem Naruto sendo porra louca, mas amei demais! Gosto quando foge do padrão, quando a Hinata não é tão tímida e quieta! Hiashi, aqui, é um puta fdp chato! Nossa, mal posso esperar por ele sendo um paizão foda daqui a alguns capítulos hahaha Neji morreu no fucking primeiro capítulo, mano, fiquei destruída! Já quero os próximos, hein? Bjs!!!
26 de Fevereiro de 2018 às 10:23

  • Kikyo Uchiha Kikyo Uchiha
    ai tikkiiiiii!!!!! eu te amo pq acho que de todas as pessoas desse mundo, a única que chega a ser tão nh como eu é vc hahahahhaahha caraca é muito bom quando a Hinata foge no padrão. odeio ler uma fic que de cada a dez falas, onze são gaguejadas. o Hiashi é aquele coroa fdp, mas que eh gostoso hahsuahsuas OBRIGADA POR COMENTAR MESMO JÁ TENDO LIDO NO SS. VOCÊ É UM ANJO QUE VOU PROTEGER SEMPRE!!!!!!!!!!!! 2 de Março de 2018 às 18:44
. garradasaguas . garradasaguas
OMG, QUE TIRO FOI ESSE?! Estou em êxtase com a sua fanfic! Em todos os anos que leio, jamais li uma história como essa! Me apaixonei por sua Hinata, desconstruiu totalmente a menina doce e submissa, transformando-a num espírito livre e rebelde. Fiz uma viagem psicodélica com a sua descrição, não sabia da existência de uma droga em formato de cactus, achei muito interessante. Aquelas últimas palavras do Neji foram como uma despedida para Hina, quando eu li que ele tinha morrido, ai que vontade de chorar me deu. Ela e o loiro delicia se encontraram, uhhhh que hentai! Tava me abanando aqui, foi delicia demais! Vou te acompanhar toda segunda feira! Beijos!
26 de Fevereiro de 2018 às 07:37

  • Kikyo Uchiha Kikyo Uchiha
    hahahahah ahhhhh que linda mds eu gosto de escrever a Hina de um jeito totalmente diferente do esperado/comum. é tão gostoso <3 é muito bom saber que o meu jeito de escrever é claro e fácil de entender. hehehehe é o que eu mais me pergunto... se as pessoas tão entendendo onde qro chegar, compreendendo as sensações e etc... eu sempre choro quando o Neji morre, não importa onde seja :'( obrigada por gostar!!!! espero que acompanhe meu amorrrr 2 de Março de 2018 às 18:41
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