Save Me Seguir história

haruka_sama Haruka Fujoshi

Existem muitas coisas que Matt gosta; ser ignorado não é uma delas. Em compensação, existem poucas coisas que Tommy gosta; e uma dessas poucas coisas é ficar sozinho. Entretanto o que poderia acontecer quando duas pessoas tão diferentes se encontram numa festa, no mínimo, entediante? Ao se conhecerem (e se redescobrirem) de uma maneira tão peculiar, ambos irão perceber que a vida pode ser bem diferente do que pensam. Só lhes resta descobrir se é de uma maneira boa ou ruim.


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Festa;

"Nas manhãs

Eu era ansioso

Melhor continuar na cama

Não queria falhar comigo novamente"

— Save me - Gotye


O que estava acontecendo?

Tommy estava de pé, inclinado, com as mãos na cabeça como se quisesse arrancar todos os cabelos negros cacheados. Tinha os olhos arregalados e fixos, enquanto sussurrava coisas aparentemente aleatórias.  Seus óculos estavam na ponta do nariz.

— Sardento! —Matt tentou chamar. O garoto continuava ali, de certa forma encolhido dentro de si mesmo. Ele tinha que fazer aquilo parar, tinha que entender o que caralhos estava acontecendo com o outro. Eles tinham que conversar, mas conversar de verdade; se entender de uma vez por todas.

—Tommy, olha pra mim. —Ele tentou novamente.

—CALA A BOCA, PELO AMOR DE DEUS, SÓ CALA ESSA MALDITA BOCA! —O menor berrou.

Matt sentiu como se houvesse levado um soco. No entanto, sabia que não deveria se sentir assim. Precisava ajudar o outro.

Eles eram... amigos, afinal. E é isso que amigos fazem, apesar de qualquer outra circunstância.


↓↑


Ele estava em mais uma daquelas festas. E ela, em âmbitos gerais, estava ótima. Tinham garotas e garotos bonitos. Bebida à vontade. Música alta. Pessoas se divertindo. Ele estava sentindo até um leve cheiro de maconha vindo de algum canto.

Mas, provavelmente, era isso que fazia estar tão chato: Um lugar cheio de mentes meio ocas.

Aquilo estava o deixando triste.

Ele estava sentado numa poltrona vermelha que havia sido arrastada pra um canto qualquer daquela casa enquanto pensava sobre algumas coisas. Tinha um cara do seu lado, loiro de óculos pretos. Parecia tão entediado quanto a si próprio, talvez ate mesmo desconfortável. Mesmo assim, preferiu não puxar assunto.

Eram 04h17min da madrugada.

Um copo de um coquetel do qual ele não se lembrava do nome — e nem fazia questão de lembrar, diga-se de passagem — descansava em sua mão esquerda. Ele não tinha bebido nem um gole. Se levantou. Uma profusão de obstáculos a sua frente; todavia ele precisava sair dali, precisava de ar puro. Ou, ao menos, tão puro quanto aquele lugar podia lhe proporcionar.

Aquelas pessoas — até mesmo seus amigos, mesmo que já os houvesse perdido de vista há pouco mais de uma hora — estavam lhe dando nos nervos.

Assim que saiu de lá, foi tomado por uma onda de alívio estarrecedora. Seus cabelos longos presos no rabo de cavalo de sempre balançaram de leve com o vento. Ele deu um breve sorriso.

Seus olhos esquadrinharam o local à procura de algum rosto conhecido. Tudo o que encontrou, no entanto, foi o garoto de cabelos cacheados. Aquele com quem tinha falado mais cedo. Algo lhe dizia que o nome do menino começava com alguma das últimas letras do alfabeto. Wesley? Não, definitivamente não. Victor? Não, não... algo com T! Sim, com T. Com certeza.

Antes do auge da festa, Rick, um amigo seu de longa data, apresentou para ele e para seus outros amigos um menino. Ele tinha cabelos rebeldes na altura do pescoço, cor de piche. Sobrancelhas grossas e muitas sardas emolduravam o rosto sério. Seus olhos castanhos escuros de cílios espessos eram cobertos por óculos redondos de armação fina.

—Olá. —Disse Matt quando o viu, simplesmente por parecer a coisa mais apropriada a se dizer diante daquela cara de desconforto vinda do garoto. Ele não parecia ser do tipo tímido.  Podia simplesmente ter sido obrigado por Rick a estar ali e, conhecendo seu amigo, ele não duvidava muito. Poderia, também, não estar gostando da festa.

Talvez os dois.

—Oi. —Ele disse de um jeito quase desafiador, mas beirando ao hesitante. Fez um leve aceno com a mão direita. Ele os olhava como se estivesse propondo um desafio. Pelo menos, Matt encarou daquela forma. Gostou da atitude.

Todos o cumprimentaram com muito entusiasmo, parecendo não perceber tudo aquilo que Matt tinha percebido.

Tentaram o enturmar, e ele ate chegou a pegar uma bebida. Entretanto, após quase uma hora e meia de festa, todos foram cuidar de seus “afazeres”. E ai o menino, puff, sumiu.

Mas Matt o encontrara.

— E aí, cara. —Disse Matt, sentando do lado do garoto. —Festão, hein?!

— Foi o Rick que mandou você vir aqui? — Simples, direto e seco. Nem uma gota de açúcar para ajudar a digerir aquela amargura mal disfarçada. Matt pensou um pouco. Como responder sem parecer tão rude e amaciar a situação? Ele fazia muito esforço para pensar, e pensava em várias coisas ao mesmo tempo. A resposta não durou mais de três segundos para sair e, mesmo assim, se lembrou da sua mãe dizendo, há muitos anos, que ela quase podia ver a fumaça saindo de suas orelhas quando ele pensava.

— Quem é ele pra mandar em mim, cara? —Ele sorriu aquele quase famoso sorriso de lado. Sozinho, aliás. —Qual seu nome mesmo? —Perguntou após alguns segundos de silêncio.

Também não durou muito tempo. Coisa de pouquíssimo mais de três segundos. Mesmo assim, Matt se sentiu um pouco tenso; ele não estava muito acostumado a receber aquele tipo de tratamento, quero dizer, pelo menos não fora de casa. O garoto tinha um comportamento meio arisco.

— Tommy Saint Blue. E o seu? — Matt piscou um pouco antes de entender a resposta que havia recebido. Como sempre, sorriu.

— Uhh... tenho que falar meu nome completo? É que é horrível — Ele fez uma careta. Sim, seu nome era horrível, porém esse não era o motivo exato de não gostar de falá-lo completamente. —Me chame apenas de Matt.

Eles ficaram calados por algum tempo. Não foi algo desconfortável, na verdade. Matt puxou um cigarro do bolso e, calado, ofereceu a Tommy. Ele fumava apenas quando estava muito entediado ou nervoso. Naquele momento, nem sabia por qual dos dois motivos estava fumando.

O sardento negou o cigarro. Então, eles continuaram olhando o céu. Estava bonito e relativamente estrelado, considerando que eles estavam em uma cidade.

Após algumas tragadas, resolveu olhar à sua volta. Ali fora tinha gente, mas não tanta gente. Ele podia ver um grupo de umas quatro ou cinco pessoas sentadas em um círculo, compartilhando um cigarro que não parecia ser de nicotina nem de longe. Ali próximo, havia um casal praticamente transando em publico. Também não tão longe, o mesmo cara que estava do seu lado na poltrona dava leves tapas no rosto de um garoto, como se estivesse tentando acordá-lo de um, aparentemente, desmaio.

Tudo na mais perfeita ordem.

Então, ele teve uma idéia. Meio insana, mas ainda sim uma idéia. Uma que poderia tirá-los dali e levá-los para um lugar muito melhor. Meio eufórico, ele se virou para o menor.

—Olha, eu tenho três perguntas. Número um, gosta de orquestra? Número dois, tem medo de andar de moto? E número três... altura é um incômodo?

↑↓

Tommy não queria ir àquela festa. De verdade. Sabia que ia ficar deslocado, afinal, não conhecia ninguém lá além de Rick — e sabia que ele iria sumir nos primeiros vinte minutos.

No entanto, há umas coisas sobre Rick (ou Ricardo Martinez, como preferir) que você deve saber. A primeira delas é que ele é extremamente, inevitavelmente e enormemente chato quanto está a fim. A segunda é que ele é também muito, muito popular. Falava com todos da escola, sem nenhuma exceção. Se duvidasse, tomava café com a faxineira, passava o intervalo com os cdf’s do primeiro ano e, depois do fim da aula, sairia para beber com o professor de matemática. Isso era comum para ele. Terceiro, ele era bastante rico. Bastante mesmo. E não era pão duro. E, por consequência dessas coisas, havia o quarto item: ele não estava acostumado a não receber atenção. Era quase o cara perfeito de filmes adolescentes, com seu sorriso de propaganda de pasta de dente e a pele cor de chocolate.

Mas, com tantos para escolher, tantas pessoas que lhe davam a devida atenção, Rick resolveu escolher Tommy como seu melhor amigo.

Às vezes, o sardento precisava se controlar pra não dar um tapa no rosto daquele cara e mandar ele parar de usar aquela droga que estava usando. Sério, por que, cara, aquilo só podia ser efeito de drogas.

Tommy não gostava de deixar que as pessoas se aproximassem muito, tanto física quanto psicologicamente. Mas Rick, bom, Rick gostava de fingir que essas regras não existiam.

Martinez dizia que Tommy era seu melhor amigo, pois ele não era falso consigo; ambos compartilhavam de foras e momentos estranhos, e Rick não tinha isso com mais ninguém, segundo o próprio.

Tommy duvidava muito.

Com o fora parar ali naquela festa se não queria estar lá de jeito nenhum? Simples. “Ele é extremamente, inevitavelmente e enormemente chato”. Isso responde algo?

Sinto que bastante coisa.

Depois de cerca de duas semanas de insistência, Tommy se cansou.

—Okay, okay. Você venceu, tá? Se sente satisfeito? Eu vou na droga da festa.

— Sexta-feira, te pego às dez e meia.

E foi isso que ele fez. E consequentemente lá estava Tommy, assim como havia previsto — deslocado e sozinho. Também não tinha como ir embora, por que ele não fazia a menor ideia de onde estava.

Valeu mesmo, Ricardo.

Por conta dessas coisas, havia se isolado no quintal daquela casa enorme há pelo menos três fodendo horas. Mas, claro, tinha que aparecer um maluco. E aquele maluco se chamava Matt.

—Ahn... —Começou. —Sim, não e não?

— Ótimo. Vou te levar num lugar legal.

Podiam se passar muitas perguntas na sua mente, porém que porra de problema mental esse cara tem? Era a principal delas.

—Bem, cara, minha mãe sempre me alertou pra não aceitar propostas sem pé nem cabeça estranhos e tal, então acho que não. Não gostaria de desrespeitar ela, sabe?

—Ah, mas eu não sou estranho.

—Não, é? —Perguntou com uma nítida cara irônica.

—Não. Eu sou o Matt. Você é o Tommy.

—Não me diga.

— Digo sim.

Tommy suspirou. Aquele cara... devia ser chato como o Rick. E todos os que são suficientemente inteligentes conseguem entender que não da para aguentar a insistência de um cara com o Rick por muito tempo.

—Tá. —Respondeu mais rápido do que seu bom senso mandava. Então assistiu com hesitação Matt dar um sorriso infantil de pura felicidade.

—Vamos então.

Vamos lá, cara. Ele provavelmente não vai te assassinar nem nada.

—Pra onde pensa em nos levar? —Perguntou.

—Só vem. É bem bonito. —Ele levantou e estendeu a mão para Tommy, que a pegou temeroso. Puta que o pariu.

Matt foi caminhando para o lado esquerdo da rua, em direção a uma moto totalmente negra estacionada perto da calçada. Parecia ser cara. Bastante cara. Muito mais do que o salário da sua mãe poderia comprar.

—Onde você assaltou isso? —Indagou.

—O que? Ah, a moto? Foi presente da minha mãe no meu aniversário de 17. Eu disse que não queria, mas ela meio que insistiu.

—Sua mãe te deu uma Kawasaki Ninja 250 de presente de aniversário?

O garoto sardento ficou olhando pra ele, meio embasbacado. 

—Anda, cara. Sobe ai. Daqui a pouco vai amanhecer.

Sim, Tommy sabia que ia amanhecer. Estava com bastante sono, aliás. Ele queria ir embora. Há algumas horas.

Não queria ir com Matt. Mas agora, algo lá no fundo o fazia querer. Não, não pelo interesse na moto ou em qualquer dinheiro que o outro pudesse ter, mas sim pelo seu modo de agir. Afinal, que cara de 17 ou 18 anos teria uma moto daquelas e não esfregaria na cara de outra pessoa?

Então okay Tommy, só sobe na porcaria da moto.

Ele subiu.

—Ah, então... meio que eu só tenho um capacete aqui. Mas podemos ir os dois sem. Se a gente cair, morremos juntos.

—Nossa, isso é tão Romeu e Julieta. —Caçoou Blue.

—Imagine. —Disse Matt, dando partida na moto. —Não sou tão dramático assim.


↓↑


Matt realmente levaria o garoto para um lugar bem bonito. Já estivera lá algumas vezes, entretanto sempre sozinho. Era uma espécie de local de contemplação quando estava em seus Dias Ruins. Mas por que levar Tommy então? Bom, ele não sabia a resposta dessa pergunta. Apenas achou que deveria, talvez num rompante de loucura. O garoto parecia ser um tipo de pessoa que também tinha mais Dias Ruins do que gostaria. Afinal, por que então não compartilhar aquele lugar?

O vento gelado batia em seu rosto, e isso sempre lhe tirava qualquer preocupação que pudesse ter, fosse esta com o presente ou o futuro. A única coisa que o preocupava um pouco no momento era: será que meu cabelo ta batendo na cara dele?

Ele riu um pouco com o pensamento.

—Hey, cara  —falou alto. — meu cabelo tá batendo em você?

—Não. —Gritou o outro.

—Okay, então. —Sussurrou Matt para si mesmo.

Os próximos vinte ou vinte e cinco minutos da viagem foram feitos num silêncio que só era quebrado pelo barulho da moto. Eles começaram a entrar num local um pouco mais arborizado, e muito bonito também. Estavam subindo a encosta de um lugar alto, até que Matt foi parando.

—Chegamos. —Avisou.

Tommy desceu, e logo em seguida ele próprio. Estacionou a moto, já munido de seu celular, enquanto procurava uma música específica.

Com sua visão periférica observou Tommy chegar mais à beira do penhasco. Parou então para analisar a cena.

O garoto tinha os olhos atentos à sua frente, com a boca levemente aberta. O lugar era muito bonito, e também não deixava ser assim de noite ou madrugada. Na realidade, parecia ate ficar melhor nesse horário. Lá embaixo viam-se pontos brilhantes de luzes multicoloridas. Matt, quando ia para aquele lugar à noite, quase sempre se sentava próximo à beirada e tentava imaginar a vida das pessoas que moravam por lá.

—Garoto. —Chamou, e viu Tommy virar-se lentamente para ele, como se não quisesse tirar os olhos da vista à sua frente. O mais velho daria cem dólares para qualquer um que pudesse lhe dizer o que Blue estava pensando. — Vamos sentar aqui. Vai começar.

—O que? Começar o que?

—Observe.

Tommy sentou ali no seu lado, revezando entre olhar Matt e a paisagem na sua frente. Então, o sol começou a nascer.

Assim que isso aconteceu, o adolescente de longos cabelos apertou o play na música.

Foi lindo. Ah, o nascer do sol também. Mas o olhar de admiração de Tommy S. Blue, esse sim, foi impagável.


↑↓


Magnífico. Essa era a palavra que descreveria aquela visão.

Magnífico.

É sério, não dava pra chamar aquilo ali simplesmente de bonito ou legal.

Primeiro, ele achou que Matt definitivamente estava lhe sequestrando, sim, já que o cara estava lhe levando para o meio do mato. Já estava pensando em 1001 formas de se atirar de uma Kawasaki Ninja a 120km/h sem morrer ou quebrar vinte e sete ossos quando se lembrou que, hey, por que caralhos alguém ia te sequestrar garoto? Nada rico, nada bonito, nada talentoso, um lindo poço de decepções, então se acalmou e ficou um pouco melhor.

Mas, além disso tudo, havia algo mais: uma sensação estranha de compartilhamento, algo que nunca sentira antes.

Como alguém tão solitário e que tanto gosta de ficar longe das pessoas pode pensar em considerar alguém a quem conheceu há quatro horas como um futuro... amigo?

É, era uma sensação esquisita. Mas não deixava de estar ali. E Tommy não conseguia decidir; deixá-la ficar ou fugir como usualmente faria? Bom, fugir é quase um ritual para mim, pensou. Era uma pena.

Tommy detestava rituais.

25 de Fevereiro de 2018 às 20:27 2 Denunciar Insira 11
Leia o próximo capítulo Amigos;

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Nana Kim Nana Kim
NOSSA...vc tá aki tbm <3 vou seguir haha
1 de Março de 2018 às 07:35

  • Haruka Fujoshi Haruka Fujoshi
    Claro hahahaauauah tem que aumentar o publico XD 2 de Março de 2018 às 10:26
~

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