igorazevedoescritor Igor Azevedo

Uma carta de despedida para um eterno amor que acabou. DATA DE PUBLICAÇÃO: 28/10/2022. PLÁGIO É CRIME! TODOS OS DIREITOS RESERVADOS A © 2022 Igor Azevedo.


Conto Todo o público. © 2022 Igor Azevedo

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Nos conhecemos em um mês de Junho, depois de tentativas frustradas de relacionamento. Numa fase em que eu escolhia estar sozinho por não me sentir amado da forma como eu julgava merecedor. Eu estava bem, confesso. Mas me faltava o brilho de me sentir um ser transbordado. Vivia na ponta do iceberg, buscando ver o mais profundo de um mar nunca antes desbravado. E, em relacionamentos, era como se eu pisasse em ovos. Deveria ter todo o cuidado com as atitudes e palavras. Numa falha sequer, tudo o que fora construído virava lixo. Mas eu havia me esquecido que o lixo do outro poderia ser o ouro de alguém. Foi o que a música me disse.

Bom, e quando você chegou, eu não fazia noção das mudanças que você traria em minha vida. Eu não contava com tudo isso naquele momento, eu confesso. Eu estava tão, tão completo, tão único, que nunca imaginei que iria me dividir com alguém. Eu aprendi que relacionamentos era se dividir ao meio para caber em um lugar. Mas, na verdade, eu nunca me dividi. No nosso amor, a gente não se dividiu, a gente se uniu. Como dois materiais que se fundem, a gente se tornou algo só. Algo que me trouxe paz, que me acrescentou alegrias e aprendizados.

Você me tornou alguém melhor. Eu já vinha num intenso processo e você foi um complemento. Você me provou que o amor ainda vale à pena. Que o amor ainda existe. Que amor não se cobra, mas se dá. A todo momento, a toda hora. Que sempre há tempo para se demonstrar e viver esse amor intenso e que se faz puro dia após dia.

Já me julguei não merecedor desse sentimento tão lindo e singelo, mas você me provou, até sem querer, que eu merecia ser feliz ao lado de alguém. E esse alguém foi você. Eu tive que aprender a me amar para poder te amar. Logo, fui grato por tudo o que um dia eu passei. Todas as decepções, fracassos e desilusões. Porque elas me ensinaram a ser um homem forte. Me ensinaram a ter sede de amor e me ensinaram também a amar. Logo, eu amei você como nunca amei ninguém. Porque recomecei. E nesse recomeço, descobri que o que vale é quem fica. Quem doa esse sentimento genuíno sem cobrar nada em troca. E você me doou esse amor sem me cobrar nada, de peito e coração aberto, num abraço que me confortou e me fez sentir leve. Num andar de mãos dadas sem medo, ou num silêncio em que ninguém precisa dizer nada ou se explicar. Na vista de um pôr do sol límpido, à beira mar.

Eu fiz morada nesse seu coração. Eu quis construir um lar para descansar depois de uma longa caminhada longe de casa. Vim de muito longe. No fim, sei que deitarei em um divã, sentiria o aroma de torta de maçã e diria que tudo valeu à pena. Disse isso vendo o longo e velho mar, onde um dia disse a mim mesmo que seria feliz um dia, que me sentiria amado. Valeu. Eu fui um homem de sorte. Eu cativei um amor tranquilo. Tive algo para cuidar. Eu fui especial na vida do homem que escolhi para amar. Eu fui visto como alguém, e, mais importante que isso, como alguém digno de amor.

Mesmo que tudo isso acabou.

29 de Outubro de 2022 às 01:27 0 Denunciar Insira Seguir história
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Conheça o autor

Igor Azevedo Igor sempre brincou de professor e escritor. Na infância, sonhava com o lançamento de um livro, mas pelas poucas condições e pouca idade que possuía, seu sonho parecia impossível, porém nunca esquecido. Na adolescência, não costumava ler por influência das tecnologias que geravam um desinteresse latente pela arte da escrita. Tudo isso acabou quando Igor sentiu a necessidade de se esvair do mundo, quando a Literatura era a única saída, o suficiente para transformá-lo em amante da arte.

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