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Após acorda desesperado e com medo por não saber onde esta, Lenny acaba descobrindo da pior forma que esta sendo sequestrado. Com a mente abalada e um medo terrível, ele suspeita que seu sequestrador seja seu irmão Larry que quis sempre lhe tomar a sua parte na empresa, mas quando ele consegue se soltar das cordas que o prendia, ele percebe que aquela casa que lhe servia de cativeiro, lhe era bem familiar e logo percebe que seu irmão nada teve a ver com esse horror que estava lhe acontecendo.


Suspense/Mistério Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#sobrio #mistério #378 #horror
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Sequestro do Medo

Assim que fosse possível, correria por qualquer lugar para buscar ajuda. Antes, ele teria que se livrar daquelas cordas quase frouxas, que o mantinham preso na cadeira, dentro daquela casa assustadora. Sim, aquela casa onde ele passou os últimos três dias após ser sequestrado, quando saía do serviço.

– Maldito, Larry — gritou, quando se lembrou do dia em que foi raptado. – Aquele filho da puta vai me pagar quando sair daqui.

Às 8hs de uma quarta feira, Lenny saía de sua empresa de seguros. Pouco antes, em uma reunião, ele havia fechado um negócio milionário com um dos fornecedores da empresa concorrente, que por sinal era liderada por seu irmão, Larry. Enquanto caminhava para a sua Mercedes, estacionada na vaga com seu nome, Lenny foi surpreendido com um golpe forte em sua cabeça, assim destravou o alarme do carro. Com a força do golpe, ele caiu, mas não foi ao chão, alguém segurou seu corpo pesado e o colocou em seu carro, saindo com ele do estacionamento sem qualquer preocupação.

Três horas e meia depois do ocorrido, Lenny acordou com uma dor infernal no lugar onde levou a pancada, e o pior, estava no escuro total em um silêncio oculto que cobria o todo.

– Arg. Onde... Onde estou? — Tentou ele obter alguma resposta, mas o silêncio ganhou força e minutos depois, desmaiou novamente de tanta dor.

Quando despertou pela segunda vez, Lenny percebeu que já estava amanhecendo e pequenos filetes vermelhos surgiam nas aberturas das paredes. Em pouco tempo, pôde perceber tudo ao seu redor. Estava em uma sala, de aparência envelhecida e abandonada por qualquer ato de limpeza.

Um sofá medonho ocupava uma parede inteira, e acima do sofá, inúmeras fotografias envolviam as paredes, de pintura horrível.

Havia uma mesa de centro com algo que poderiam ser jornais velhos, uma pequena escrivaninha, estava posta junto à janela com a cortina rasgada e alguns vidros rachados e quebrados. Seus olhos subiram em direção ao teto, onde um lustre bizarro estava seguro apenas por um dos fios ligados em uma lâmpada quebrada. Virando a cabeça o máximo que pôde, enxergou uma razoável estante cheia de livros empoeirados. Diversos tamanhos e espessuras ocupavam a estante bem ao lado a porta, por onde horas atrás ele entrara contra a sua vontade, e percebendo que ela estava entre aberta, ele tentou ir em sua direção, mas apenas conseguiu uma dor insuportável no ferimento atrás de sua cabeça.

Percebendo que corda o prendia dos ombros aos pés, tentou se balançar, fazendo o chão de madeira ranger alto. Não obteve um sucesso com o ato, apenas mais barulho, o que fez alguém despertar por detrás da porta e vir em sua direção. Quando percebeu os passos vindos, Lenny parou de se balançar e esperou pela pessoa ou o que fosse.

A porta foi aberta e os passos ficaram mais perto, virando a cabeça para olhar quem havia entrado naquela sala, a surpresa foi grande. Mesmo com os sons idênticos a passos e o abrir da porta, ninguém. Bizarramente, ninguém apareceu. Lenny confuso, e ainda ouvindo os passos chegando perto, olhou para o outro cômodo e a única coisa que estava ao alcance de sua visão, era um pequeno estofado, algo semelhante a um divã, e neste havia marcas de um corpo que a pouco repousava ali.

– Me tirem daqui! — gritou para o outro cômodo. – Diga o que vocês querem, eu dou tudo o que puder, mas por favor, me digam o que está acontecendo?!

Ninguém respondeu e o que antes eram simples sons de passos, agora eram vários, indo e vindo da sala ao lado, mas ninguém estava naquele lugar, ninguém além do próprio Lenny, amarrado àquela cadeira antiga.

Confuso, e ainda assim se balançando, Lenny conseguiu tombar a cadeira para o lado fazendo um enorme barulho quando seu corpo atingiu ao chão, batendo a cabeça junto com a cadeira, ele desmaiou novamente, deixando o som e os raios do sol irem embora de sua mente.

Quando voltou a si novamente, Lenny ainda estava caído ao chão e a porta entreaberta continuava da mesma forma que se lembrava.

O sol agora iluminava todo aquele cômodo fedido, mexendo seu corpo, que já estava se esgotando de tanta força feita em vão, ele notou que as cordas agora se afrouxaram, e se ele retorcesse mais um pouco, conseguiria se livrar daquela cadeira e sair do cativeiro.

Enquanto mexia as mãos, fazendo seus pulsos ficarem vermelhos com tamanha força, Lenny só pensava no motivo de há três dias estar amarrado numa cadeira, em uma casa tão suja e abandonada como aquela. Seu maior suspeito era o seu irmão, mas ele não seria tão covarde assim. Lenny sentia seus pulsos sangrarem.

Por fim, as cordas se afrouxaram e conseguiu retirar uma mão já sangrando, aliviado ele forçou mais ainda até que a outra mão também estivesse livre, e quando conseguiu, respirou aliviado, embora tivesse machucado muito as mãos.

Rapidamente, começou a desenrolar a corda que prendia o seu corpo na cadeira e quando se soltou, olhou pela velha janela, um raio do sol bateu em seus olhos fazendo a sala ganhar uma cor diferenciada e sua mente cedeu às lembranças.

– Espere, conheço este lugar. Eu já estive aqui antes de me formar na faculdade.

Sua confusão estava se dissipando a cada canto da sala que ele olhava.

– Mas não pode ser, me lembro deste lugar, mas não sei onde é, nem do que se trata.

Desesperado e se sentindo muito fraco, Lenny passou pela porta aberta e se deparou com um cômodo similar ao que estava, com um sofá velho e um cobertor em cima dele. Uma estante maior que a anterior, cheia de livros empoeirados, uma lareira com cinzas de algum tempo passado, uma vitrola com um disco ainda na agulha, mas cheio de teias de aranha fazia a diferença de um cômodo ao outro.

Olhando tudo, notou que a outra porta também estava aberta e com a luz do sol ele podia ver os detalhes da casa velha. Achando estranho o fato de estar sequestrado e não ter ninguém cuidando para que não fugisse, ele foi direto para a outra porta. Esta por sua vez se mostrou ser a porta de entrada da casa, dava a um pequeno hall onde a porta dupla com certeza, seria a saída, e de frente para a porta, uma enorme escada já partida em alguns degraus, fazia a casa parecer muito maior do que Lenny pensava. Mais à frente outra porta parecia trancada, a mente dele dizia ao corpo apenas para seguir até a porta dupla e correr sem olhar para trás, e assim ele fez.

Puxando aquele trinco velho e enferrujado, Lenny conseguiu mesmo com as mãos sangrando, as portas rangeram com um som horrível, que se espalhou pelo resto da casa fazendo com que pombos saíssem de seus esconderijos. Partiu assim que as portas deram uma brecha e correndo como podia ele tentou se orientar, quando sua mente pareceu raciocinar e veio a surpresa. Não tinha avenida na frente daquela casa, nada de ruas ou casas ao lado, somente mato e uma trilha que seguia sem fim, por sabe Deus qual caminho. Apavorado com a cena fez o que a sua mente não queria, olhou para trás onde a imagem da casa velha lhe veio como um soco certeiro. A casa com sua porta dupla à frente, janelas laterais e uma pequena varanda ao redor do que antes, provavelmente era um jardim o fez ficar tonto.

– Esta era a casa do meu pai! Sim, faz mais de vinte anos, mas ainda é a mesma.

Suas lembranças foram como um choque, aquela casa onde passava as férias com o seu irmão Larry, sua mãe era separada de seu pai e o mesmo mantinha a casa para recebê-los em duas temporadas.

– Eu sabia que Larry tinha me sequestrado, ninguém mais, além dos vizinhos antigos do meu pai, saberia onde fica esta casa, sim os Normans moravam aqui perto, se eu conseguir me lembrar de onde era a casa deles, talvez tenha sorte de achar alguém por lá.

Caminhando por matos e pequenas ervas daninhas, Lenny pensava no que iria fazer assim que conseguisse ajuda, e em sua mente ele dizia a si mesmo o quanto seu irmão Larry era esperto em trancá-lo onde ninguém se lembraria de sua existência.

Sentindo-se tonto e com as vistas já incomodadas devido ao sol, avistou uma pequena casa semelhante a anterior, porém bem mais cuidada e percebeu roupas em um varal, onde um garoto brincava com uma espécie de carro. Enquanto se aproximava ele percebeu que o garoto aparentava ser bem mais velho do que suas atitudes e só quando chegou mais perto foi que percebeu a sua deficiência mental.

Olhando a cena do garoto ou jovem garoto, ele notou a sua aparência, era um rapaz com cabelos sedosos caindo em seus olhos, seu olhar inexpressivo não demonstrou horror ao ver Lenny e soltando uma espécie de baba no canto da boca, continuou a brincar com seu caminhão improvisado de madeira.

Lenny não sabia como agir, mas identificou que não seria bom tentar falar com ele e então seguiu em frente a fim de achar ajuda na frente da casa simples.

– Olá.

Ele tentou gritar.

– Alguém me ajude.

De repente, uma mulher desarrumada saiu do outro lado onde o garoto se encontrava e o chamou pelo nome de Le, ela parecia estar assustada, e de certa forma, estava toda desarrumada quase como uma moradora de rua. O garoto se levantou da grama e saiu em direção ao que Lenny identificou como sendo a mãe do garoto.

– Ei, por favor – Lenny gritou, mas um homem velho apareceu na porta a sua frente e o empurrou com violência.

– O que faz aqui, seu desgraçado.

– Por favor, fui sequestrado, preciso de um telefone – disse Lenny com a voz falha e incerto se deveria realmente dizer tais palavras.

– Você precisa é morrer.

Gritou o velho mostrando uma arma calibre 12 e apontando para Lenny gritou:

– Achava mesmo que ia escapar? Seu sacana.

– O que... Você deve estar enganado, eu... Eu só...

– Fique quieto, seu bastardo. Sabia que não deveria deixar aquela casa velha aberta.

Neste momento a mente de Lenny trabalhou a mil por hora, então aquele velho era o sequestrador, mas aquela casa e esse sotaque não lhe eram estranhos.

Forçando a mente e revirando suas lembranças, teve uma segunda surpresa. Aquela casa era a mesma casa dos Normans, ele reconhecia a mesma casa aonde ele e Larry iam para brincar com os amigos, Matt e Joane Normans, ali eles passavam horas brincando no mesmo local onde aquele garoto estava.

– Espere esta não é a antiga residência dos Normans?

– Era não, ainda moram Normans aqui, seu estúpido.

– Então, provavelmente você tenha ouvido falar de mim, sou Lenny Silveira, meu pai morava na casa depois da sua.

– Eu sei muito bem quem foi seu pai, e sei muito bem a merda que você é – disse o velho, fitando o homem que passara por maus bocados há pouco tempo.

– Mas não entendo o que está acontecendo? – Tudo pareceu irreal aos ouvidos de Lenny.

Então o velho que antes estava com a arma nas mãos, agora empurrou Lenny com o pé e colocou a arma encostada em sua cabeça, olhando para ele com total indiferença de alguém que não estava nenhum pouco preocupado com seu ato. Começou a falar, enquanto engatilhava a arma:

– Não se lembra de mim não é, seu filho da puta? Não se lembra de Jhonny Normans, mas creio que se lembre da minha filha Joane, não é mesmo? Aposto que se lembra também de quando você comia ela, enquanto seu irmão Larry brincava com meu pequeno Matt...

O homem esperou por algumas palavras, mas nada foi ouvido.

– Ficou quieto agora, não é mesmo? – falou o velho com um prazer sinistro em seus olhos.

Lenny estava apavorado com o que ouvia. Não acreditava que estava passando por aquilo.

Então aquele era o velho amigo de seu pai, o senhor Jon, como era conhecido.

Um velho resmungão que não dava valor ao que tinha e passava a maior parte do tempo bebendo com o dinheiro que lhe entrava das vendas de suas terras, mas como ele sabia dos atos de Lenny e sua filha?

– Está se perguntando como eu sei que você comia minha filha, não é mesmo? Você viu aquele garoto lá nos fundos? Hein?! Seu merda, me responda!

– Sim... Eu o vi – falou olhando novamente para o jovem que não estava mais diante da porta do outro lado.

– Pois é, seu puto, aquele é Lenny Júnior, seu filho bastardo – no rosto do velho foi possível ver um sorriso macabro e maquinado já há muito tempo.

Quando Jhonny disse estas palavras, Lenny não teve tempo de pensar, Jhonny atirou com a arma bem na cabeça de Lenny, fazendo seu cérebro se espalhar por aquela grama amarelada e seu sangue esguichar em suas vestes, uma cena nada interessante para se ver embaixo daquele sol, em um lugar estranho e ao mesmo tempo, completamente familiar.

O velho então ergueu sua arma, olhando para o lado onde a criança estava, disse para o corpo sem cabeça de Lenny:

– Você era meu filho, seu merda! Seu pai se separou de sua mãe, pois sabia que você não era dele, só não desconfiava que você fosse meu filho. E você, bastardo desde o nascimento, fez um filho na sua irmã, seu puto! Agora seu filho, que nasceu deficiente, vai viver feliz por saber que não tem mais um pai que é o próprio tio.

Finalizou cuspindo no corpo do próprio filho rejeitado.

27 de Setembro de 2022 às 12:47 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Donnefar Skedar Escritor com destaque em contos de Horror, ficando sempre entre os Top 100 da categoria na Amazon e Google Play. Atualmente, trazendo todo o catálogo com mais de 100 contos e seis livros para o Inkspired.

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