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Após o vírus COVID-19 acabar com quase toda a humanidade, um grupo dos mais ricos seres humanos se mudou para o planeta chamado de Persula; eles já estavam trabalhando em segredo com a habitação do lugar e, quando tudo piorou na Terra, eles foram povoar este novo planeta. Um homem foi denominado Imperador de Persula, e com o nascimento de sua filha Irlya, todos passaram a protegê-la dos ataques dos invasores, que começaram no mesmo ano de seu nascimento. Vinte anos se passaram, e Irlya vivia no subsolo da torre principal do planeta, onde seu pai criara uma cidade com todos os elementos que lembrassem a Terra. A garota, que nada sabia, achava que era uma terráquea e não tinha nenhum conhecimento sobre o planeta em que realmente habitava e sobre seu povo, os Persulianos. Mas isso estava para mudar, quando os invasores finalmente entraram na terceira torre e dominaram o chefe da segurança. Um segredo estava para ser revelado e Persula estava agora ameaçada. O que os invasores queriam com os antigos terráqueos, e porque Irlya fora criada como uma terráquea, estando agora no que eles chamavam de novo mundo? As respostas estão neste título, confira em Persula.


Ficção científica Futurista Todo o público.

#mistério #381 #ação #32828 #89506 #89507
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Persula

Após a devastação dos humanos pelo vírus de nome COVID-19, os homens mais ricos do mundo acabaram fugindo para o espaço, indo para uma colônia criada em um planeta chamado de Persula. Este planeta continha basicamente as mesmas condições que a Terra, mas ainda faltavam alguns elementos, nos quais empresas responsáveis por missões anteriores ao COVID-19 já estavam trabalhando, para deixar Persula habitável, o que aconteceu no ano de 2039.

Mas com apenas 20 anos de vida no planeta Persula, os humanos, que estavam se reproduzindo artificialmente para não gerar conflitos como os ocorridos em toda a história da humanidade, acabaram sofrendo uma invasão de seres não informados pela REST, empresa responsável pela segurança espacial de Persula.

Neste mesmo ano, nasceu a filha do então imperador do planeta. Como apenas 10% do lugar estava ocupado pelos humanos, todos realizaram uma votação para saber quem seria o líder mundial. Claro que todos escolheram o mais rico dentre eles, Marcus Lebsvk, um homem russo de sessenta e sete anos, sendo um dos três primeiros mais ricos do planeta Terra no pós-vírus, os outros dois morreram antes mesmo de Persula ser a nova Terra.

Ninguém sabia até quando um humano poderia viver naturalmente em Persula, mas com toda aquela tecnologia, todos sabiam que não se livrariam de Marcus Lebsvk por muito tempo.

O fato é que, com o nascimento da criança, todo o império de Marcus tinha por obrigação cuidar e proteger da segurança da menina antes e acima de qualquer pessoa no planeta, isso incluía, até mesmo, seus pais. Por algum motivo, ou apenas por sua inteligência, os invasores do planeta Versory sabiam da garota e tentavam a todo custo sequestrá-la, o que todos entendiam como uma forma de o império de Persula se render a eles.

A garota de nome Irlya estava, então, com seus 20 anos de idade e presa a uma unidade na maior e mais importante torre de todo o planeta Persula. Chamado de Eudora, o prédio era constituído de várias cidades em formato de galpões e nele se encontrava de tudo e de todos os tipos de humanos e culturas terráqueas. Aquela velha mania do ser humano preservar seu passado, o que não acontecia nos terrenos do subsolo, onde apenas a elite vivia, como era o caso do imperador e sua filha Irlya, que tinha uma pequena cidade só para ela e seus funcionários disfarçados de parentes e vizinhos. A garota sequer sonhava como era Persula pelo lado de fora daquela torre, ela nem sabia que aquilo era uma torre e que estava a quilômetros da superfície.

A ficção realmente havia superado a realidade e tudo o que a garota conhecia era, na verdade, uma pequena criação dos melhores computadores desenvolvidos por diversos gênios da computação da Terra. Tudo criado a partir de próprias imagens do planeta Terra, como árvores, parques, casas, animais – estes que também não foram levados a Persula, ficando para desaparecer no planeta Terra, sendo seus dados apenas como DNA levados em arquivos digitais e vigiados sob a segurança do REST para a não reprodução dos mesmos.

Mas, para Irlya, ela era uma moradora do planeta Terra, o qual ela sequer sabia que não estava mais habitado, não pelo vírus que devastou praticamente todos os humanos, mas sim pela guerra que aconteceu durante toda a pandemia. Governos, com sua sede de poder, lançaram finalmente suas bombas nucleares, que juravam não existir. E, com isso, era improvável que ainda houvesse vida humana na Terra após a migração para Persula, e se isso ainda fosse possível, seriam estes antigos terráqueos os alienígenas para os Persulianos.

Irlya era uma menina como todas as outras de sua idade, não possuía o que antes era dado como perfeição às pessoas de alto escalão, na verdade, qualquer garota da idade de Irlya poderia se passar por ela facilmente colocando suas roupas e usando seu mesmo penteado. Acontece que, em Persula, não havia mais nenhuma ambição humana, todos viviam em plena harmonia, graças a um remédio dado desde o nascimento dos Persulianos, para não terem qualquer entendimento dos “erros” terráqueos.

Embora com curto tempo entre a migração de um planeta para outro, os líderes de Persula decidiram que tudo da Terra seria deixado para trás e, dadas as circunstâncias da ida para o novo mundo, nada daquilo importaria na nova era, eles eram agora uma nova raça em um novo planeta. Por isso, tudo o que era lembrança da Terra foi deixado apenas para o império, no caso, apenas para a missão de que Irlya, a qual não recebera o remédio em seu nascimento, vivesse achando estar no planeta Terra, onde todos os humanos gostariam de ter vivido.

Isso só foi possível porque a mãe de Irlya também era uma terráquea e, diferentemente de seu marido Marcus, achava que o planeta Terra antes do vírus poderia ter sido um mundo melhor, mas quando chegou a Persula, ela só pôde se entristecer com o que a humanidade causara a si própria. Como forma de nunca esquecer a bondade, ela fez com que Marcus criasse a menina em um planeta Terra com Persulianos, a fim de lhe provar que todos os terráqueos nasceram com bondade em seus corações, porém a humanidade sempre os destruía por dentro, e vivendo Irlya com a personalidade dos Persulianos, ela seria uma terráquea de coração, nascida em Persula.

Com toda a paz que a humanidade não pôde ter no planeta Terra, Irlya, em sua casa no subsolo da maior torre de todo o planeta, vivia tranquilamente com seus pais. Ela sabia que seu pai era um homem importante e que o planeta Terra havia sofrido uma grave destruição parcial com a chegada de um cometa e tudo mais – esta era a história do planeta Terra de Irlya –, ela também tinha conhecimento dos dinossauros, que neste caso haviam sim vivido com os humanos, os quais foram a evolução dos primeiros macacos, e por aí a história ia, tudo moldado para que Irlya tivesse um planeta perfeito.

O imperador Marcus sequer se preocupava de um dia sua filha descobrir a farsa, ninguém em toda a Persula ganharia nada com isso e muito menos teriam como provar à garota que tudo aquilo era mentira, obra de uma grande máquina acima do que ela conhecia como sistema solar. E mesmo que algum dia alguém conseguisse tirar Irlya do subsolo e levá-la a algum andar da torre, ela provavelmente enlouqueceria com o que visse, e se sua inteligência ainda fosse como a dos antigos terráqueos, ela se acharia louca. Como o planeta fora feito para ser perfeito, procedimentos e medicamentos para alterar a realidade dos Persulianos não faltavam, e eles não mediam esforços para usá-los. No entanto, isso só ocorrera uma vez. Foi quando completaram um ano no planeta Persula que uma lenda se fez por todos os moradores de todas as torres, mas ninguém ousava relembrar, pois o próprio imperador impediu que o nome e a história fossem contados por qualquer Persuliano, e obedecer ao imperador era uma marca naquele planeta.

Enquanto tudo estava às mil maravilhas com a garota segura no subsolo da maior torre do planeta, os moradores da última torre, que ficava ao leste, sofriam diversos ataques dos invasores, e neste último ataque, as coisas ficaram mais graves, e assim descobriram sobre a intenção de raptarem a garota.

As torres de Persula possuíam cada uma um nome, como se fossem condomínios terráqueos. A torre principal, onde o império comandava, se chamava Mondial; a do lado se chamava Universal, onde ficava a maior parte da população, com funções básicas como cuidar de produção e etc.; a mais afastada, do lado oposto, era pouco menor que a Universal, se chamava COM e estava ocupada por toda a parte de segurança e estudo do planeta Persula, nela a “polícia” e os “cientistas” do novo planeta habitavam; os demais prédios e torres menores ou eram depósitos ou armazenamentos de energias ou onde todo o maquinário de locomoção do planeta se encontrava. Todos os segredos ou o que o imperador não queria que os Persulianos soubessem ficavam sempre no subsolo de cada construção, por isso em todos os 10% do planeta utilizado pelos Persulianos havia diversos túneis nos subsolos, sendo alguns abandonados e outros totalmente restritos.

Todas as construções se interligavam por eles, e túneis eram o que não faltava em toda a região construída do planeta. O resto do lugar era apenas um grande deserto até onde os olhos conseguiam enxergar, e após isso, ninguém tinha qualquer conhecimento do que havia, se comparando ao que os humanos diziam ser o fundo do oceano na Terra.

O ataque daquele dia foi diferente de todos os anteriores. Antes era possível ver as naves entrando no céu de Persula, toda a segurança era notificada por seus alarmes e assim eram travadas as batalhas no céu mesmo, garantindo a segurança das torres e de todos os demais alojamentos. Mas neste, os invasores acabaram pousando em Persula e entrando na torre COM, e quando praticamente toda a segurança da torre fora dominada, o chefe da REST descobriu que os invasores entraram disfarçados de Persulianos, com suas naves e seus trajes. Era o grupo de exploração espacial REST7456 que deveria retornar naquele dia de uma missão espacial rotineira, mas foram abordados pelos invasores antes mesmo de entrarem na atmosfera de Persula. O que o chefe do REST se perguntava era como isso foi possível se as comunicações com a equipe REST7456 ocorreram naturalmente sem qualquer indicio de interrupção na operação ou conflito com os invasores.

Ele estava prestes a saber como e porque eles estavam ali, sua equipe fora toda morta ou dominada pelos invasores que vestiam os trajes dos Persulianos da REST7456 e em momento algum eles retiraram suas vestes ou revelaram seus rostos, não até que o possível líder colocasse o chefe da REST a sua frente e terminasse de falar no idioma que o chefe da REST conhecia muito bem, o Português brasileiro do planeta Terra.

Sentando-se à mesa, o ser com o uniforme espacial dos Persulianos estava com uma das pernas reta e a outra arrumada na mesa e segurava uma das armas que só o comandante da tripulação possuía. Ele esperou até que dois de seus comparsas sentassem o chefe na cadeira a sua frente e então começou a falar.

— Tenho pleno conhecimento de quem está à minha frente — começou ele, falando com uma voz forte devido ao equipamento de voz do uniforme. — Sei também que tens as respostas para as minhas perguntas e que deseja viver…

— Quem é você? Como chegaram aqui dentro? E minha equipe? — perguntou o chefe, tentando se soltar dos dois seres que o seguravam sem nenhum esforço para mantê-lo na cadeira.

— Primeiro as minhas perguntas, depois responderei a qualquer uma das suas.

— Não tenho escolhas, apenas poderia me soltar para termos essa conversa, já que diz saber quem eu sou — resmungou o chefe.

— Ora, vejo que não perdeu os costumes dos seus antepassados, você também foi um terráqueo, não foi? — questionou o ser.

— Como fala meu idioma, quem são vocês, como sabe sobre a Terra?

— Primeiro minhas respostas — disse ele, apontando sua arma para o chefe, que desistiu de tentar se soltar quando um dos seres apertou seu braço forte demais.

— Tudo bem, tudo bem, eu falo.

— Perfeito, onde está a filha do imperador?

Neste momento o chefe da REST sentiu seu sangue congelar, como se estivesse andando por todo o terreno de Persula totalmente nu. Ele já sabia como era essa experiência, pois certa vez, nos primeiros anos no planeta, alguém teve a ideia de beber todo o álcool trazido da Terra, e ele amaldiçoou o tal Johnny Walker por seus uísques. Como aquele invasor sabia sobre a filha do imperador? Pior, como ele sabia que o chefe da REST tinha a informação?

— Vamos, diga isso e mais uma informação e então não estouro sua cabeça, como fiz com seu comandante alguns minutos atrás ao tomar sua nave e dominar a tripulação.

— Como sabe sobre a Irlya? — perguntou o chefe, incrédulo.

— Você é teimoso e surdo como os antigos terráqueos, acho que você não serve para esta ideia de novo planeta aqui em Persula — argumentou o invasor, se levantando da mesa. — Novamente, onde encontro a filha do imperador Marcus Lebsvk, e não me diga apenas que está na torre Mondial, porque esta informação eu já possuo.

Novamente o chefe sentiu seu sangue congelar e passou a acreditar que estava tudo perdido para ele, não teria como falar a alguém sobre suas experiências, não teria como falar sobre suas pesquisas e nem com quem deixar todos seus anos de trabalhos, foi somente neste momento que ele entendeu que ainda havia muito do seu eu terráqueo naquele lugar.

— Eu posso levar você até ela, mas a segurança por lá é maior e não conseguirá entrar usando uniformes da REST, todos precisam ficar nus para conseguirem acessar a cidade do império.

— Isso não será problema, você irá cadastrar cada um dos meus homens como seus funcionários e irá nos levar para uma inspeção de rotina, que você achará um jeito de criar — disse o ser, apontando para o enorme computador na mesa do chefe da REST.

— Mas e a suas aparências? Eles conhecem o corpo terráqueo, todos aqui somos iguais aos humanos do planeta Terra — falou o chefe, olhando sem entender para cada um deles.

— Esse é o menor dos seus problemas. Ande, comece a nos cadastrar, hoje daremos início à missão Irlya de Persula.

O chefe correu para se sentar à frente de seu computador, cheio de perguntas e com um medo nunca sentido antes. Como eles sabiam tanto sobre eles, de onde eles viam e porque a filha do imperador? Tudo ficou muito claro quando, ao abrir o sistema de funcionários do qual era o único responsável por todos os dados, ele iniciou um novo perfil e perguntou ao invasor como deveria proceder. O invasor se sentou na cadeira em que o chefe estava e, pela primeira vez, levantando o capacete do uniforme, mostrou sua verdadeira face, o que fez o chefe da REST se recostar na cadeira de boca aberta, sentindo seus olhos quase saltarem das órbitas oculares de tanta incredulidade no que via, e ao ouvir as palavras do invasor, sentiu algo escorrer por entre suas pernas, algo quente que ele tinha pleno conhecimento do que se tratava.

— Você irá me cadastrar como o seu comandante da missão de inspeção e, para ser mais especifico, irá usar meu nome real, fazendo nossa entrada ser mais do que apressada onde quer que passemos; assim poderei encontrar a garota e o imperador. Você não precisa fazer nenhuma pergunta, creio que a resposta já está dada com a minha face. Agora, chefe da REST, anote meu nome em seu sistema — disse o ser, se levantando e indo bem perto do chefe, que estava todo mijado em seu traje e que ouvira do invasor em seu ouvido: — Eu sou Anturo Lebsvk, irmão mais novo de Marcus Lebsvk, que foi abandonado no planeta Terra enquanto vocês fugiam para este planeta, como se nenhuma vida pudesse resistir ao que causaram na Terra. Mas agora tudo irá mudar. Nós humanos, os temíveis terráqueos, viemos dominar este planeta e fazer de Irlya a única humana de todo o planeta Persula, nossa líder mundial, como vocês gostavam de fazer no planeta Terra. Muitos viveram, mas esta história fica para outro dia, no momento, apenas nos leve até a garota para então descobrirem o que fizeram com o mundo o qual um dia foi a sua casa e no qual meu irmão, com sua ganância, fez questão de me abandonar para morrer com aquele vírus que matou bem menos do que suas armas estúpidas. E fique ciente, chefe da REST, que eu sei bem quem você foi no planeta Terra e sua hora vai chegar, mas não pelas minhas mãos, ainda há muito do planeta Terra para ser revelado aos, então, Persulianos.

27 de Setembro de 2022 às 09:29 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Donnefar Skedar Escritor com destaque em contos de Horror, ficando sempre entre os Top 100 da categoria na Amazon e Google Play. Atualmente, trazendo todo o catálogo com mais de 100 contos e seis livros para o Inkspired.

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